Pelos ou não pelos, eis a questão

Sonia Braga em 1984. Com pelos. Não é incrível?

Uma coisa que me irrita sobremaneira é essa coisa de os homens não quererem fazer sexo oral em garotas mais peludinhas. Eu nunca cheguei perto de uma buceta (sorry, people, vocês vão ter que se acostumar com esse linguajar aqui), mas fico imaginando como era a vida sexual de todo um planeta antes dos filmes pornôs virarem essa praga que se espalha por todos os lugares com a internet.

Talvez alguns dos leitores sejam muito novos para lembrar disso, mas até poucos anos atrás as mulheres tinham – olhem que coisa! – pelos pubianos. Só se tirava o excesso para que ele não aparecesse no biquini. Ok, os biquinis foram ficando menos e menores, mas tirar tudo? Por qual razão?

Lembro que no início da minha vida sexual eu só tirava – com lâmina – a “lateral” da virilha. Fui diminuindo cada vez mais o número de pelos. Lembro a primeira vez que tirei tudo. Foi para agradar um ex-casinho meu que era o máximo. Ele pediu, eu fiz. Me olhei no espelho e me senti uma criancinha. Isso sem contar a angústia que tinha no contato da calcinha com a minha pele sem pelos. Acho que fiz isso só mais uma vez na minha vida – e só faço de novo se for pra salvar a humanidade.

Tenho amigas que não têm pelos e se sentem super bem com isso. Já eu acho um saco essa ditadura dos “Kojaks”. A dor na depilação é excruciante. Além disso, os pelos só podem ser tirados quando já estão em um tamanho razoável, se não a cera não gruda. E enquanto isso, o que a gente faz? Muitas de nós deixam de transar. Muitas mesmo. Eu já deixei.

Eu tenho um quase ex com quem só transei depilada uma única vez. Em todas as outras, era batata: ele só me chamava pra sair quando eu estava peludinha. Parece que ele adivinhava. E vou contar uma coisa pra vocês: ele me chupa como se não houvesse amanhã.

Talvez seja mais bonito uma mulher depilada (é cultural, lembre-se…). Mas não é mais higiênico, como algumas pessoas acreditam. Os tais pelos servem para “proteger”, como funciona com nossos cílios, por exemplo. Além disso, o calor da cera (vocês não têm a impressão de que vão sair da depilação com queimaduras de primeiro grau?) e o puxão podem machucar a pele da virilha, super sensível, criar pequenos e quase imperceptíveis machucadinhos… que infeccionam. Não é genial?

Depilar-se ou não é totalmente cultural. Ou vocês nunca viram umas europeias com pelos sobrando na axila? Aliás, se é tão nojento assim ter pelos embaixo do braço, por qual razão os homens não os tiram também? E as pernas? Que direito eles têm de desfilar por aí de perna peluda? (devo dizer que adoro, viu? não estou aqui levantando bandeira para eles se depilarem.)

Sim, tem homem que apara os pelos também. Sinceramente? Já sofri com a fricção dos pelos deles crescendo. Sabe quando a barba está uns dois dias atrasada e te deixa toda vermelha ao beijar? Pois é. Imaginem isso com uns pelos mais grossos e numa região mais sensível do corpo. Um inferno!

Aparar é bom? É ótimo! Com os pelos cortados de vez em quando, diminui a chance de eles ficarem caindo (e você ficar que nem uma louca procurando aquele famoso ‘fiapo de manga’ na boca). Mas é só, minha gente, vamos parar de frescura.

O pior que esta moda é “importada” pelos filmes pornôs. Vamos falar de novo sobre os tais vídeos em um outro post, mas será que as pessoas ainda não perceberam que não são mulheres “reais” ali? Nem os peitos, nem as bundas, nem os orgamos… nem a ausência de pelos.

E mostro isso com imagens. Me desculpem as fotos das mulheres peladonas. É só para vocês terem uma ideia de como pelos não são antissexy. Todas as fotos foram publicadas na Playboy ao longo das últimas três décadas.

 

Luiza Brunet em 1983. Oh, wait, ela tem pelos!
                                    
A bela Luma de Oliveira em 88.
Em 1991, Isadora Ribeiro tinha uma virilha cabeludinha.
Dora Bria numa dupla em 1993. Peluda.

Em agosto, Adriane Galisteu vai ser capa da Playboy de novo. Em 1995, ela era assim.
Danielle Winits em 1998.
Em 2003, os pelos diminuem. Na foto, Maryeva.
Carol Castro, ainda  com uns pelinhos, em 2008.

Vamos agora parar com a frescura dos pelinhos? Pra mim, quem deixa de fazer sexo oral por causa dos pelos de uma mulher não merece sequer transar com ela.

E-mail da leitora: Ele não me procura. O que devo fazer?

Crédito: Simon Howden

Como já disse aqui antes, todos os dias recebo emails de leitores sem saber o que fazer nos seus relacionamentos. Eu sou a pior pessoa para ajudar nesses casos. Além de não ter namorado, não tenho a menor paciência para joguinhos de sedução. Comigo é muito “quer, quer; não quer, sai da fila”. Fica mais simples e não dá nenhuma dor de cabeça.

Mas resolvi compartilhar com vocês aqui algumas dessas mensagens que recebo para que vocês também deem a opinião de vocês sobre o caso. Claro que é tudo feito com a autorização do leitor. Nosso primeiro caso é da Carolina, que se diz apaixonada por um cara que não a procura. Eis a história (os meus comentários estão em negrito):

Namorava há 2 anos e terminei tudo pois eu sentia uma grande atração pelo melhor amigo do meu ex (que vamos chamar de Renan). No começo eu não reparei nele, mas no final do ano passado, quando meu namoro já não estava muito bem, eu comecei a notar o quanto ele era bonito. Depois de muitas trocas de olhares e uma aproximação, ele demonstrou se sentir atraído por mim. Logo que terminei o namoro em fevereiro desse ano ele me chamou pra ir a casa dele, eu em pânico e com medo de fazer feio não aceitei. 

 

Ok, insegurança todo mundo tem. Mas não pode ser motivo para ficarmos paralisados!

 

Depois disso, Renan nunca mais falou comigo até que um mês depois ele me ligou convidando pra ir ao cinema; aceitei na hora.

 

Sinta o modo como Carolina se refere à falta de notícias de Renan: “nunca mais falou comigo”. Pra quê esse exagero? 

Fizemos hora em um bar. Conversamos muito e notei vários pontos em comum. 

 

“Notei vários pontos em comum” = é esta a razão pela qual você estava ali. Você tem pontos em comum com todo mundo que fez faculdade com você, com todos os fãs da mesma banda que você, com as milhares de pessoas que compraram o mesmo livro que você, e nem por isso você vai namorar com elas. Afinidade é importante para um relacionamento, mas não é a única coisa que faz duas pessoas ficarem juntas! 

 

No cinema, logo que sentamos e a luz apagou, ele já me beijou e foi tudo bem romântico. Parecíamos namorados há anos. 

 

Não, Carolina, ele só foi carinhoso. Pare de fantasiar. Pense qual o motivo de você querer desesperadamente que isso seja um namoro… 

 

Nesse mesmo dia eu fui à casa dele e lá rolou uma pegada mais quente. Quase fomos para a hora H, mas o medo de sermos pegos por alguém nos impediu. No dia seguinte do nosso encontro ele me mandou uma mensagem super fofa falando que estava com saudade e não via a hora de nos vermos de novo! 

 

Ele foi educado, coisa que poucos homens são. Ponto para ele. E nada de ponto para você, que achou que isso significava alguma coisa. 

 

Na mesma semana mandei uma mensagem pra ele, nada de resposta. Eu acreditei que era porque ele estava ocupado com a faculdade e o trabalho. Se passaram 2 meses e ele sumiu completamente. Liguei pra um amigo em comum nosso e esse amigo me contou que ele andava meio ocupado mas que não entendia o porque do sumiço! 

 

Alguém ainda acredita nisso, gente? Às vezes realmente estamos tão atolados com estudo e trabalho que fica difícil encontrar alguém em horários “normais”. Mas responder uma mensagem no celular? Quanto tempo leva isso? Está sem créditos? Usa o Facebook, o MSN, manda sinal de fumaça. A desculpa na dificuldade de comunicação não cola mais hoje, com tantos meios para falar com alguém.

 

Em maio ele me ligou e me chamou pra ir a casa dele e eu tonta topei, tive uma tarde maravilhosa ele me tratou como uma deusa e me disse coisas lindas. Já faz 1 mês e ele sumiu de novo.

 

Tonta porquê? Você foi lá, foi bem comida e teve uma tarde ótima. 

 

Eu devo te confessar que estou completamente apaixonada por ele e não consigo sair com mais ninguém sem pensar nele. Ele sempre teve a fama de tratar mal as mulheres e nunca sair com a mesma e muito menos de levar alguma pra casa dele, e comigo ele quebrou essas regras. Não entendo porque ele me trata tão bem sendo que no fundo aparentemente o que ele quer é só sexo.

 

De novo, minha gente: sexo casual não é sexo sem carinho. Se o cara é bacana quando ele só quer te comer, isso significa que ele é uma pessoa normal. Homem que trata mal mulher com quem não quer se relacionar é aquilo que comumente chamamos de CRETINO. 

 

Gostaria de saber sua opinião sobre tudo isso!

Com essa história eu me sinto tão desvalorizada e sozinha, mas ao mesmo tempo me sinto tão apaixonada por ele e sinto saudade. Estou me sentindo meio desesperada e sem rumo.

 

Desvalorizada, Carolina? Só porque um homem não quis namorar com você? Desses 26 homens que eu transei esse ano, acho que só uns 4 ou 5 teriam um relacionamento comigo. Isso quer dizer que eu não tenho valor? Não, isso significa que simplesmente as coisas não aconteceram, não rolou sentimento. Nada além disso!!!

 

Carolina, vocês saem desde março e se conhecem há dois anos. Se ele realmente quisesse ficar com você, ele saberia como te encontrar. Caso a sua dúvida seja tão grande assim, chame ele para uma conversa, diga o que você sente e veja o que ele tem a dizer a respeito. A minha opinião é que ele não está na mesma vibe que você. 

 

Além disso, sinceramente acho que você idealizou o rapaz. É fácil fazer isso quando a gente está acostumada a ter sempre alguém (já que você namorou há dois anos). Renan tornou tudo ainda mais fácil porque ele não foi um canalha. A gente suspira mesmo por caras assim. Mas isso não quer dizer que você está apaixonada. Acho que você apenas se acostumou a ter alguém, e escolheu o Renan para isso.

 

E vocês, gente? O que acham da história da Carolina?

Como agradar um homem

Todos os dias recebo emails de mulheres que não sabem o que fazer nos seus relacionamentos. Eu não estou exagerando: é todo dia MESMO. Umas estão inseguras porque não sabem se mandaram bem; outras, irritadas porque o mancebo não ligou nunca mais, mesmo depois de um encontro incrível. Há aquelas que não sabem como melhorar a vida sexual no casamento. Tem de tudo, todo dia.

Pior é que não existe pessoa menos indicada para dar conselhos sobre relacionamento do que eu. Eu não namoro há séculos e nunca fui casada. Eu mal consigo prender a atenção de um homem por algumas horas. Fico angustiada, pois gostaria de ajudar, mas não tenho expertise para isso. O que eu fico me perguntando, porém, é porque a gente se submete a situações vexatórias em nome de um suposto sentimento.

Uso a palavra “suposto” porque o que eu tenho visto por aí, com as minhas amigas, é que se idealiza demais o nosso também suposto par romântico. Eu já fiz isso. Esqueci sexo mal feito, grosserias, pão durice, sogra maluca, egoísmo e mais um monte de defeitos em nome de uma possibilidade de relação. Sim, todos nós temos defeitos – e temos de aprender a aceitar que os outros não são perfeitos. Mas daí a idealizar alguém, achando que nossa vida só terá graça com ela, há um longo caminho.

É inegável que quando estamos apaixonadas fica mais difícil enxergar claramente. Sei disso. Mas o que vejo acontecendo o tempo todo são pessoas se apaixonando pela ideia de se apaixonar. Nisso sim eu posso dar o meu pitaco: não achem que a felicidade está atrelada a presença de uma única pessoa na sua vida. Aliás, até está…. E esse alguém é você mesma. Não é o outro que irá te trazer felicidade.

Por tudo isso, digo que não sei como agradar ou prender um homem. Não os quero presos. Eu os quero livres, soltos, felizes. E sim, eu os agrado apenas sendo eu mesma (nem todos curtem, né?), mas não como parte de um plano estratégico para ser inesquecível. Tente isso também, sem se esforçar demais para ser o que você não é, sem forçar a barra para não ser esquecida. Talvez, aí sim, fique difícil te tirar da cabeça.

Leia também  E-mail da leitora: Ele não me procura. O que devo fazer?

De casa nova

“Every new beginning comes from some other beginning’s end”, diz o refrão de Closing Time, do Semisonic (algo como “todo começo vem do final de um outro começo”). Eu levo isso como lema de vida, mesmo que seja ridículo eu ter como lema um verso da música de uma banda que quase ninguém conhece.

Mas é que a frase faz todo sentido. Quando algo começa, isso significa o fim de algo. Neste caso, eu precisei começar um novo blog para falar das minhas experiências. Toda essa história  começou timidamente, num blog que eu não divulgava. Recebi o convite para transferi-lo para a NOVA, e não tive nem dúvida.

Só que, de repente, o blog criou vida própria. Comecei a receber emails com tom muito confessional; passei a trocar ideias com leitores que nunca vi; e as ideias começaram a surgir na minha cabeça. Senti necessidade, então, de mudar, de tratar de qualquer assunto – e não só de contar minhas histórias. Para ter total liberdade, achei melhor começar tudo de novo. E aqui estamos nós.

Não é tudo novidade porque alguns antigos leitores virão (assim espero) me ler por aqui. Todos os posts publicados antes desse aqui são repetição do que já postei no antigo blog, com leves e quase imperceptíveis alterações. Mas, a partir de amanhã, vou fazer tudo inédito, e pra isso conto com a ajuda de vocês, com sugestões, opiniões e muitas, muitas confissões.

O template do blog não é definitivo. Vou mudar tudo num futuro próximo, mas antes mesmo disso irei ajeitar os pequenos probleminhas que vocês vão encontrar por aqui. Ainda há páginas sem nada escrito (como o “Quem sou eu”), mas nada que eu não resolva em breve.

Bem vindo. Sinta-se em casa. E espero que você divirta lendo tanto quanto eu me divirto escrevendo.

O que eu não queria

Nunca imaginei que este blog receberia tanto feedback de vocês. Talvez seja uma bobeira minha de não achar minha vida tão interessante – ou de não conseguir escrever de forma interessante. Mas, a cada post novo, vocês comentavam e me mandavam e-mails relatando histórias parecidas, quase sempre com bom humor e alegria.

Até que postei o número 15. Como eu estava viajando, só vi os comentários 24 horas depois da postagem. Fiquei muito surpresa com os números (é o post mais comentado até agora, se levarmos em consideração o tempo em que ele está no ar). Mas a surpresa – e uma certa alegria por ver vocês se manifestando – foi dando lugar a uma tristeza, a uma certa melancolia. De todas as histórias sexuais que eu já vivi nesses 30 anos (e não só com esses 20 e poucos homens de 2011), era a única que eu tinha certeza absoluta de jamais querer comentários do tipo “sei como você se sente”.

Foi por isso que doeu muito saber das histórias de vocês, algumas reveladas em segredo para mim por e-mail. Detestei esse choque de realidade. De repente, vi tantas mulheres relatando abusos físicos e psicológicos… E vindo, ainda, de homens nos quais elas confiaram, abriram a porta de casa, com quem elas ficaram nuas. Algumas até casaram com esses mesmos crápulas. Meu coração se partiu a cada história lida. Sofri junto com cada uma de vocês.

Sempre há quem culpe a vítima, dizendo “ela já sabia que ele era assim” ou “ela deixou”. Eu mesma falei isso no meu próprio post, absolvendo o Marcelo e me punindo, ao dizer só ter acontecido o que eu permiti. Temos essa mania horrorosa de passar a mão na cabeça dos errados, como se nós, as pessoas boas, tivéssemos de ficar o tempo todo esperando um novo golpe. Assim, estaríamos a postos para revidar.

Prefiro continuar acreditando nas pessoas, mas sempre com uma pontinha de dúvida, infelizmente. Espero, também, que nenhum ser vivo sofra qualquer tipo de ofensa, seja moral, física, psicológica… Estamos aqui para sermos felizes e para aceitarmos o nosso semelhante, seja ele quem for.

E, como disse no início deste post, nos últimos dias viajei a trabalho e aproveitei para ver o Paul McCartney no Rio de Janeiro. A última frase dele no show é “And in the end, the love you take is equal to the love you make” (de The End, do disco Abbey Road. Em tradução livre: “No final, o amor que você recebe é igual ao amor que você dá”). Veio bem a calhar neste momento em que tantas dores são expostas aqui nesse blog. Sem nenhuma demagogia – não sou dada a essas baboseiras – eu acredito piamente que só o amor pode evitar situações como as que eu passei e as que vocês me contaram. E o melhor: é também o amor que nos cura de tanta tristeza.

Muito mais que um tabu

Nota da blogueira: tudo o que escreverei neste post — como em quase  todos os outros — carece de estatísticas formais ou coisa do tipo. É tudo baseado em minhas experiências e em relatos de amigos.

Na terça-feira saí para jantar com uma amiga com quem não conversava há tempos. Ela começou a me contar sobre um ex-namorado e, digamos, suas preferências sexuais. Envergonhadíssima, deu detalhes sobre como percebeu que o ex curtia estímulo na região do ânus.

Essa me parece ser uma questão inevitável na cama de um casal heterossexual. As perguntas são muitas. Quando ainda não há intimidade, costumamos nos questionar sobre como abordar o assunto. Na hora da transa, devo tentar tocá-lo ou beijá-lo no ânus? Ou devo perguntar se ele gosta? E se gostar, é gay? E se gostar muuuuito, vai me deixar por um homem?

A gente está cansada de saber que eles sentem mais prazer na região do que nós. Mesmo assim, o questionamento acaba sendo inevitável. O machismo e o medo de ser confundido com homossexual fazem com que alguns homens jamais tenham qualquer experiência nesse sentido. Conheço quem esbraveja aos quatro ventos que nunca deixou — ou deixará — qualquer mulher chegar perto dali. Eu até hoje não sei como captar os sinais.

Alguns homens são mais óbvios. Quando você começa a tocar ou beijar o períneo, eles já vão virando o corpo, deixando o caminho mais livre. Mas nem assim consigo perceber até onde devo ir. Imagino se tal movimento não é apenas mera empolgação. É difícil demais perceber o que ele quer. Já aconteceu de pegarem a minha mão e colocarem lá — fácil, prático e não deixa dúvidas.

Perguntei no Twitter como as pessoas se sentiam em relação a isso e recebi um e-mail muito esclarecedor de um leitor. Ele me contou que só foi estimulado na região recentemente — e olhem que ele já passou dos 30 anos. Isso não é nada surpreendente, infelizmente. Para mim, o ideal é explorarmos todas as possibilidades de prazer que nosso corpo nos oferece. Nunca conheci um único homem que não curtisse ser acariciado ali.

Você ainda acredita que quem gosta de carícias no ânus tem tendências homossexuais? Bobagem. O prazer na região é biologicamente comprovado. Homossexual é quem sente atração por pessoas do mesmo sexo. O que eu penso sobre isso? Vou ainda mais longe: acredito, mesmo, que em algum momento do futuro nós não iremos sequer separar as pessoas por sexo, quanto mais por orientação sexual. Mas esse (polêmico) assunto merece um post (ou muitos) só para ele.

Por enquanto, quero saber: vocês estimulam seu parceiro na região anal? Como se sentem sobre isso? Você, leitor, gosta da coisa?

Baby, we were born this way

Semana passada falou-se muito em união homoafetiva por causa do julgamento do STF. Ao fazer uma pesquisa rápida no Twitter sobre o assunto, fiquei estarrecida com os comentários. Em pleno 2011, ainda há quem defenda a intervenção do Estado em uma questão absolutamente privada. E não só isso. Pasmem: existem os que esbravejam palavras de ordem contra essa “falta de vergonha”. Não vou nem falar sobre aqueles que partem para a agressão física – atrocidade das atrocidades. Felizmente (e vocês não imaginam o quanto me sinto feliz de fazer parte disso tudo, de uma forma muito, muito pequenininha, apenas como cidadã deste país), os ministros do Supremo reconheceram, por unanimidade, uma situação há muito existente no mundo real. Agora, casais homossexuais têm direito à pensão alimentícia e à herança, por exemplo, prerrogativa antes restrita à união entre homem e mulher.

É uma vitória, sem dúvida nenhuma. Graaaaande vitória, cujos efeitos talvez só iremos perceber a médio ou longo prazo. Demorou demais, mas devemos lembrar também que o divórcio só foi permitido no Brasil no final da década de 1970. Historiadores defendem que a morosidade e a suposta “moralidade” são resquícios da influência da religião sobre o Estado. Seja qual for a razão, defendo bravamente que reconheçamos o direito de sermos quem somos.

Mesmo com o julgamento do STF, ainda temos um longo caminho a trilhar. Não consigo nem enxergar o final dessa estrada. Ainda carregamos muito preconceito. Ele está perversamente escondido nas entrelinhas de frases corriqueiras. É como quando alguém diz “tenho vários amigos gays, não tenho problema com isso. Meu filho? Não, meu filho não vai ser gay, não. Vai ser MACHO!”. Ou quando a gente vê um cara gatíssimo (gay) e reclama: “que desperdício!”. Desperdício por que, cara pálida? Há três bilhões de homens no mundo – existe muito homem para você se divertir. Além disso, o que nos faz crer que aquele deus grego iria olhar para a gente? Isso sem falar nos homens que se “empolgam” ao ver um casal de lésbicas.

Talvez a gente repita essas frases imbecis por uma espécie de reflexo condicionado. Ouvimos tanto que nem nos questionamos sobre tudo o que está por trás de cada uma delas. Mas o que me incomoda sobremaneira é essa mania horrorosa de nos questionarmos, ao conhecermos alguém, qual a orientação sexual da pessoa. Ficam as conversinhas e os olhares atravessados no trabalho, na faculdade, no elevador do prédio. “Será que ele é gay?” E ainda reclamamos quando a coisa não está muito clara, quando a desconfiança persiste. Por acaso algum hetero se apresenta dizendo “Olá, meu nome é Letícia e eu gosto de ser amarrada à cama?” (eu nunca fiz isso, aliás, logo, nem sei se eu gosto). Não, né?

Portanto, não faz sentido essa curiosidade exacerbada acerca da vida sexual dos nossos conhecidos. Eu não sou homossexual (acho que vocês já perceberam isso…), mas vejo todos os dias os meus amigos gays sofrendo com esse tipo de situação. No sábado, um grande amigo nos apresentou o namorado. Até então, muito se especulava no nosso círculo de amizade sobre sua sexualidade. Ele já havia contado à família – que o apoiou –, mas ainda não se sentia preparado para assumir a homossexualidade perante a “sociedade”.

Achei triste entrar no Facebook, pelo perfil do namorado, e encontrar um “em relacionamento sério”, sem aquele link para o meu amigo, como todo casal heterossexual faz. Achei muito triste o rapaz escrever no mural sobre sua felicidade com a nova paixão, mas não haver liberdade para comentários do tipo “eu também estou muito feliz”.

Assim, vejo no julgamento do STF um enorme passo em direção à igualdade entre todos nós. Mas, sejamos honestos, ainda engatinhamos em muitos aspectos. Há várias nuances sobre o assunto que jamais conseguiria contemplar em um post, mas quero deixar aqui o registro do meu contentamento com a decisão judicial, além da minha felicidade inenarrável por ser cercada de homens e mulheres corajosos, que assumem exatamente quem são. Como diria Lady Gaga (que dá o título a este post), “não importa se você é gay, hétero ou bi, lésbica ou transexual” (ainda que a transexualidade nada tenha a ver com orientação sexual). Somos assim, simplesmente como somos. E desejo, com cada célula do meu corpo, que possamos viver em uma sociedade igualitária e mais justa.

PS.: Para quem não acompanhou o julgamento, o ministro Ayres Britto era o relator do processo — que é quem estuda o caso a fundo e dá o primeiro voto — e foi seguido pelos ministros Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Gilmar Mentes, Marco Aurélio, Celso de Mello, Cesar Peluso, Carmen Lúcia Antunes Rocha e Ellen Gracie. Eis um trecho belíssimo do muito mais que belíssimo voto do relator (espero que entendam o juridiquês):

[...] mais que isso, todo espécime feminino ou masculino goza da fundamental liberdade de dispor sobre o respectivo potencial de sexualidade, fazendo-o como expressão do direito à intimidade, ou então à privacidade (nunca é demais repetir). O que significa o óbvio reconhecimento de que todos são iguais em razão da espécie humana de que façam parte e das tendências ou preferências sexuais que lhes ditar, com exclusividade, a própria natureza, qualificada pela nossa Constituição como autonomia de vontade. Iguais para suportar deveres, ônus e obrigações de caráter jurídico-positivo, iguais para titularizar direitos, bônus e interesses também juridicamente positivados.

As perguntas que não querem calar

Não há um dia que passe sem que eu receba um e-mail ou sem que alguém coloque algum comentário no blog perguntando: e se você se apaixonar no meio dessa jornada? E se você não chegar aos 100 homens?

Eu achei que havia ficado claro no primeiro post, mas pelo visto me enganei. Se eu me apaixonar, viverei a paixão. E, ainda que chegar aos 100 seja uma vontade, não é a única vontade da minha vida.


Nunca me fechei a um relacionamento. Alguns amigos, se lerem isso aqui, balançarão a cabeça e dirão que eu seeeempre me fechei. Bobagem. Eu só não queria abrir mão de tudo de bom trazido pela solteirice em nome de uma relação com o único fim de fugir da solidão. Tenho bons amigos e me divirto comigo mesma; não preciso de um homem para tornar a vida mais feliz. Ou, pelo menos, de um só homem.

As paixões podem acontecer, sim, e é bom que aconteçam. É muito bacana sentir um frio na barriga e beijar na boca apaixonadamente. Por outro lado, não é nada bom sentir insegurança e medo da rejeição – mas, nesse momento de redescoberta, até isso é válido. Afinal, preciso enfrentar meus monstros internos e me tornar uma mulher melhor.

E quase me apaixonei. O número 10, como já relatei aqui, foi um forte candidato. Até rolou paixonite por ele durante alguns dias. Agora, enquanto escrevo isso, espero ansiosamente pelo próximo encontro com um garoto cuja história ainda não foi postada no blog. Vai virar um relacionamento? Vou me apaixonar de verdade? Não sei, e não vou criar expectativas quanto a isso. Como disse no post sobre o número 12, esse é o caminho mais rápido para a frustração. Estou deixando acontecer, como a gente sempre deve fazer.

Isso não é um superobjetivo de vida, não. É uma brincadeira, uma diversão, um experimento. Eu tenho uma vida, gente! Também tenho contas a pagar, tenho oscilações hormonais, tenho preguiça de sair de casa em dias de frio, igualzinha a vocês!

Nem estou mencionando a reviravolta que está acontecendo na minha vida nas últimas semanas. Estou mudando de emprego e isso traz um desgaste emocional gigantesco. Ainda que sexo seja uma parte importantíssima da minha vida, há muito mais coisa passando pela minha cabeça hoje em dia.

Por isso, se eu não chegar nem perto dos 100 homens, não vou me descabelar. Estamos ainda no início de maio e eu já me diverti pra caramba. Além das histórias engraçadíssimas que tenho para contar, recebi e-mails supercarinhosos de leitores que talvez eu nunca venha a conhecer, mas que se identificaram com meus relatos, pediram conselhos, me elogiaram sem nunca terem me visto. Levantei discussões (com a ajuda de vocês, sempre) e talvez tenha ajudado a abrir a cabeça de algumas pessoas. Os 100 homens, ainda que sejam uma delícia, acabaram ficando meio de lado no meio desse processo todo.

Sim, continuo querendo todos eles. Continuo com a intenção de contar tudinho para vocês por aqui. Continuo esperando os comentários de cada um dos leitores. Mas o sexo continua – e continuará – sendo o que sempre foi na minha vida: algo para fazer bem. E não para eu me sentir pressionada a nada.

Então, ficam aqui as minhas respostas às perguntas que não querem calar: se eu me apaixonar, vou viver plenamente minha paixão (e isso não quer dizer que irei transar só com este homem, mas essa questão da “fidelidade” será discutida mais profundamente em outro post). Se eu não transar com 100 homens em 2011, não vou me culpar por nada e nem me desesperar. E continuarei aberta ao flerte. Pra isso eu jamais estarei fechada.