A feiura está nos olhos de quem vê

Antes do texto: dei entrevista para o site da revista Lunna. Leiam! 

Voltando à programação normal:

O comentário foi bem direto: “Vc deve ser gorda e ou feia! Conheço mulheres!”. Postado no início da tarde de hoje, me fez pensar a respeito do assunto durante algum tempo. Volta e meia encontro xingamentos deste tipo para moderação: “deve ser uma ogra”. Nem vou entrar no mérito da infantilidade da maledicência. Acho que não preciso, né?

Ontem, com todo o bafafá acerca do comercial da Hope (vou falar mais a respeito dele este fim de semana), algumas pessoas disseram que quem enxergou sexismo no comercial era, no mínimo, feio. Sentimos inveja da Gisele, afirmaram, sem sequer considerar outras possibilidades.

E se fôssemos feios? Isso de alguma forma desvalorizaria nossas ideias?

Não sei nem porque usei o condicional “se” no início da penúltima frase. Somos quase todos feios, sim, senhor. Alguém realmente não percebeu ainda?

Fiz um exercício curioso. Peguei um ônibus hoje e resolvi observar todo mundo que ali entrasse. Foram muitas pessoas. De todas, devo dizer que me apaixonei perdidamente por um rapaz de barba mal feita e olhos verdes. Vi também um garoto que seria considerado bonito – mas não gatíssimo – pelos nossos padrões. Logo no primeiro ponto do ônibus subiu uma moça de corpo delicioso. Bunda empinada e cinturinha fina. Todos vocês a achariam uma gostosa.

Mas foram três pessoas. Três, em meio a dezenas, dentre as quais eu me incluo. Uma vez uma garota me perguntou no Twitter se todos os homens com quem eu saía eram gatos. Respondi que não. Ela retrucou: “Nossa, então eu não quero”. A questão é: eles por acaso desejariam você?

Longe de mim querer bancar a hipócrita. A gente gosta de ver a Gisele, sim (de preferência, sem reiterar o machismo da nossa combalida sociedade). Por compromissos profissionais, eu já a vi desfilando. Fiquei impressionadíssima com a beleza, classe e simpatia da modelo. Ela não está no topo à toa.

Em um dos meus primeiros posts relatei que estava ficando mais feminina. Duas pessoas fizeram comentários me questionando se eu não estava “me vendendo ao sistema”. A discussão carece de mais embasamento e explicações do que pretendo dar numa sexta-feira em que espero o show da Shakira (podem me julgar). Matutei a respeito e concluí que não, eu não estava me enquadrando num padrãozão. Mais uma vez: coloquemos a hipocrisia de lado. Todo mundo gosta de alguém cheirosinho, com uma roupa combinando e um indício de vaidade aqui ou acolá. Eu me sinto bem melhor quando passo corretivo nas olheiras e estou com as unhas do pé pintadas de cereja.

Mas esta é uma beleza real. Sou feia, mas com um quê de belo. Somos todos assim. Também no ônibus havia um rapaz com o rosto muito bonito. A barriga, porém, mostrava que ele “precisaria” emagrecer uns 30 quilos para se enquadrar no irreal padrão de beleza vigente. Fiquei observando-o. Ele esbarrou sem querer em outro passageiro, pediu desculpa, e logo engatou uma conversa sobre o nada. Ele sorria, e ao descer do ônibus deu tchau para o amigo relâmpago que jamais encontrará novamente. Gorducho, ele é lindo simplesmente por ser quem é.

Somos bilhões de feios. Como disse meu amigo @guetoblaster hoje no Twitter, a vida não é um casting da Victoria’s Secrets. Somos ogrinhos, com cabelo desgrenhado, estrias, espinhas na bunda (uma leitora relatou o caso de um ex rolo que dizia que isso era capaz de broxá-lo). Somos reais, de carne, osso, e mais ou menos gordura.

E todos nós transamos e nos reproduzimos, se assim nos apetecer. Feio transa – e muito. Não precisamos ser deuses gregos para sermos desejáveis.

Falo de três homens com quem saí esse ano. Minhas leitoras antigas ficam suspirando por um deles, o Eduardo. Ele tem um corpo super em forma, mas não é – mesmo – bonito de rosto. O carinha com quem me reencontrei, por exemplo, tinha uma barriga tanquinho, mas usava pesados óculos (quando os tais óculos não eram modinha indie) para os seis graus de miopia. Namorado é baixinho, mas abre a boca de uma maneira surrealmente linda quando está a poucos momentos do orgasmo.

Todos somos lindos. Pode ser o jeito de andarmos ou gesticularmos. Pode ser a mordida no lábio. Pode ser até o formato das unhas. Eu sou linda, mesmo que esteja muito mais longe do padrão do que vocês imaginam.

Quem só dá valor a quem sai bem em foto para postar no Facebook é que enxerga o mundo com olhos enviesados. São pessoas que não conseguem ver a beleza. A feiura está nos olhos de quem vê.

PS: Sobre isso, leiam o texto da Hildegard Angel. 

Eu testei: camisinha feminina

Usei pela primeira vez a camisinha feminina há uns dez anos. Na época fiquei bem constrangida com aquele plástico pro lado de fora da minha buça, mas meu parceiro achou ótimo. Sentiu-se mais “livre”.

Resolvi dar uma segunda chance no fim de semana passado. Eis minhas impressões:

1) Preço e afins: caro, muito caro se comparada ao preservativo masculino. A unidade sai em torno de R$ 7 e não encontramos o produto em qualquer farmácia. Em um post antigo alguns leitores mencionaram que há postos de saúde fazendo a distribuição gratuita. Informe-se a respeito.

2) Material: é feita de borracha nitrílica, então pode ser uma ótima saída para quem tem alergia ao látex.

3) Colocação: ai, o constrangimento, senhoras e senhores. Fui pro banheiro da casa do namorado e saí de lá tipo cinco horas depois. Não estava com a lubrificação natural, então demorei um século para conseguir introduzir a camisinha. Pior: a lubrificação do próprio preservativo acabou me deixando com a mão melecada, tornando a colocação ainda mais difícil, pois o tal anel (veja o vídeo abaixo) ficava escorregando. E eu sempre acho que está no lugar errado (tenho a mesma sensação com o absorvente interno).

4) Aparência: confesso que namorado deu uma risadinha quando viu aquele pedaço de plástico pra fora de mim. Mas acho que isso é uma questão de costume. Provavelmente lááááá no passado, quando o preservativo masculino começou a ser utilizado, também teve gente que achou estranho.

5) A hora H: pra mim não fez a menor diferença. Namorado achou um pouco desconfortável no início, como se estivesse com pouca lubrificação. Ao longo da coisa, digamos que o corpo resolveu a questão, mas isso também seria facilmente corrigido com um pouquinho de gel lubrificante.

Mas fica aqui uma observação importante: meu namorado não tem o menor problema em usar preservativo. Ele não é daqueles que diz que perde a sensibilidade, que aperta ou fica meia bomba quando coloca a camisinha. A gente sabe que tem UM MONTE de homem por aí que reclama pra caramba. Nesses casos, então, acredito ser mais bacana a utilização da camisinha feminina. Na minha relação não fez a menor diferença. Mas lembre-se: tudo o que se refere a sexo é totalmente subjetivo. Há mulheres, por exemplo, que sentem um puta tesão no anel externo do preservativo tocando o clitóris.

Ainda tenho uma unidade aqui. Da próxima vez vou pedir do namorado pra ele mesmo colocar em mim. Depois conto pra vocês.

Aqui você encontra um vídeo bem explicativo de como colocar a camisinha. E você? Já usou?

Homens loucos S.A.

Em algumas entrevistas eu disse que jamais chegaria aos 100 por culpa dos próprios homens. Podem esquecer as ideias do tipo “ah, mas é que não tem tanto homem interessante/atraente assim”. Vamos combinar que eu não saí só com caras incríveis na minha vida, né?

A questão é outra: homem dá MUITO trabalho. Eles adoram dizer que não nos entendem, que somos complicadas, que agimos de maneira estranha. Eles não têm é a menor noção de quão trabalhosos são. Hoje, com zilhões de problemas na minha vida, eu não consigo ter paciência para certos comportamentos. Uma vez uma leitora me desejou sorte nos comentários e escreveu “100 homens, 100 problemas”. Jamais vou esquecer disso. Ela tem toda razão.

De ontem pra hoje três mancebos deram o ar da graça com toda a palhaçada que lhes é peculiar. Eis as mini histórias pra vocês, em ordem cronológica de aparição na minha vida.

Número 1: Namorei com o rapaz quando tinha 18/19 anos. Ele não me beijava na boca depois de eu comer algo; eu tinha de escovar os dentes ou comer uma balinha. É, se ele tinha nojo de comida, imaginem o que acontecia depois de um boquete. Eu era bem inexperiente, mas já achava bem esquisito esse lance de ele não fazer sexo oral em mim (olha o nojo aí mais uma vez). Terminei o namoro e segui minha vida.

Passamos anos sem nos falar, e nos reencontramos virtualmente há coisa de um ano. Morando em cidades diferentes, nunca conseguimos marcar um café, mas nos falávamos de maneira cordial pela internet. Até que ele cismou que queria fazer um ménage comigo e com outra menina. Até aí, tudo bem, um montão de homem quer fazer isso. Só que agora a CONDIÇÃO dele pra me ver é essa.

Ele está em São Paulo e disse “podemos nos ver, sim, mas você tem de trazer uma amiga”. Oi? Ele acha que tem um pau de ouro? Eu nunca fui feliz sexualmente com ele, mas ele acredita que 12 anos depois eu irei realizar uma fantasia sexual dele, e ainda obrigada? Podem internar.

Número 2: Este eu nunca vi mais gordo. Conheço há uns dez anos, sempre pela internet. Morávamos a uns 4km um do outro. Eu me mudei pra São Paulo, perdemos contato, e ele ressurgiu das cinzas. Morando em São Paulo. Flertamos (é meu passatempo favorito) e combinamos de um dia nos encontrarmos. Ele vive sumindo e reaparecendo. Ontem foi dia de reaparecer: queria marcar uma saída para o fim de semana.

“Não posso”, disse. Ele resmungou, dizendo que eu só o enrolava. Como ando num bom humor daqueles, resmunguei de volta: “Te conheço há dez anos e você sempre desmarcou coisas. Eu sou enrolona?”. Ele fez o número do esquecimento e disse “mas agora moramos na mesma cidade”. Oi? Nesses 10 anos, só moramos em cidades diferentes em três anos. Faça-me o favor.

Número 3: O Eduardo, velho conhecido das leitoras do blog, também deu uma sumida. Achei bom, pois estava de bode daquela relação. Ele chegou a aparecer aqui em casa, mas felizmente eu não estava (odeio quem aparece sem ser convidado). Reapareceu no domingo, disse que tinha  mudado de celular e perdeu meu número. Ok, acontece.

Aí hoje, do nada, entra no gtalk e diz que está com vontade de me ver. “Quero ver seu espartilho novo.” Nota da redatora: o espartilho “novo” foi comprado há quatro meses. O cara não me come há um século e acha que vai chegar e levar? Tsc.

E isso tudo de ontem pra hoje, gente. Agora multipliquem isso aí por 100.

Meninas que não sabem se gostam de meninas

Outro dia duas leitoras levantaram uma hipótese: ambas sentem vontade de fazer um ménage MFF* e pensam que, talvez, o que elas queiram mesmo é interagir com outra garota.

Primeiro, devo dizer que ménage, mesmo quando é ruim, é bom (na minha experiência!). Quem me lê há muito tempo deve lembrar do que falei sobre a minha primeira vez a três. O tesão era tamanho que se colocassem qualquer ser por ali (usei o exemplo do Humpty Dumpty, de Alice no País das Maravilhas) eu ia beijar, lamber, fazer o que tivesse de fazer.

Mas acabou não sendo bem assim. Na vez que fiz um ménage com outra garota, eu não curti. Eu não me incomodei com ela ali; simplesmente não me deu tesão. Definitivamente não me sinto atraída sexualmente por mulheres.

Várias leitoras, por outro lado, adoram isso. Rola aquele clichezão de que “mulher é que sabe chupar outra mulher” e etc. Eu continuo preferindo um homem que saiba chupar uma mulher.

O legal do ménage é aquele montão de mão e de língua. É tipo um parque temático, mas não um Magic Kingdom, com suas montanhas russas bonitinhas mas que não viram de cabeça pra baixo. É uma vibe mais Six Flags.

Então, se a pergunta é se devem ou não faz um ménage, eu devo responder que – pela minha experiência personalíssima – sim.

Mas será que, de fato, é uma espécie de “disfarce” para transar com outra garota? Talvez. Uma das leitoras relatou que sente muito tesão em ver filmes pornôs de lésbicas.

Possivelmente transar com outra garota com o namorado ao lado traga algum tipo de conforto ou segurança a essas leitoras. Ao mesmo tempo, elas talvez sintam a necessidade de não se auto encararem como lésbicas, como se esse rótulo fosse necessário. As nossas escolhas sexuais não nos definem. Não existe (ou não deveria existir. eu sei que o mundo real é bem diferente) essa coisa de alguém ser pervertido ou sujo só porque foge do papai-mamãe.

Conheço homens que só interagem com homens durante ménage/suruba. O  mesmo acontece com mulheres. Em muitos casos, essa interação não acontece em todas as transas. As pessoas se guiam pelo tesão, sem considerar muito o que se vai pensar a respeito. Sexo é para curtir, não para criar encucações desnecessárias. Você se respeitou e usou camisinha? Ponto final, não há nada a ser discutido.

Mas deixo aqui uma pergunta às leitoras, certa de que elas voltarão por aqui: vocês têm medo de se verem como bissexuais? E se forem, o quê isso muda nas suas vidas? Não é muito melhor saber exatamente o que te dá tesão e te faz feliz?

*Começando uma espécie de glossário por aqui.

Ménage é o sexo a três. A sigla MFF significa duas mulheres (female) e um homem (male), assim como o MMF é o de dois homens e uma mulher.

E-mail da leitora: Ele não está tão a fim de você

A mensagem chega com o assunto já conhecido: “me ajuda”. Quando leio o texto, fico imaginando por qual motivo ela (chamaremos de Fernanda) precisa de auxílio. Salvo raríssimas exceções, todas as respostas aos problemas relatados por desesperadas garotas não é nada difícil. Elas mesmas sabem. Só não querem enxergar.

Por isso, meu conselho é: ante qualquer situação, olhe em volta e veja se você precisa mesmo da opinião de uma desconhecida. A não ser que tudo o que você necessita é de uma “wake up call”. Se é o caso, aqui vai ela.

O texto da leitora foi editado para preservar a identidade da Fernanda. Ele está em itálico, enquanto minhas observações aparecem em negrito.

Comecei a trabalhar em uma nova empresa e conheci um dos funcionários de lá. Um menino super esforçado, simpático, honesto, dedicado e mega capaz. Sempre me encantou a forma como ele conduzia a equipe dele e principalmente a história de conquista da carreira dele. Carreira promissora, super estudioso, ambição na medida certa e com um sorriso lindo.

Vejam a tentativa de justificar o que vem mais tarde…
 
Como ele morava perto da minha casa, um dia ofereci carona. Começamos a nos aproximar e acabou que ficamos juntos, mas sempre deixamos bem claro: sexo casual, sem compromisso e SEGREDO. Onde se ganha o pão, não se come a carne. O sexo foi incrível. Ele é preocupado, pergunta se eu estou gostando, cuida do meu prazer e do dele, mas é só isso! Atualmente, não estou mais trabalhando na mesma empresa que ele.

Bom, se o combinado era só sexo – e isso com ele é bom – por qual motivo Fernanda está reclamando? Aposto que você já sabe a resposta. 
 
E ai que ta o meu problema, é só sexo!

YAY!

Mesmo depois que eu saí da empresa a regra é a mesma. Não, eu não quero namorar com ele, mas eu quero tomar um vinho às vezes, sair pra jantar… sei lá. Conversar sobre a novela, sabe?

Isso não é namorar?
 
E com ele é tudo muito agendado, muito com tempo limitado, nunca vai rolar uma noite inteira, vai ser sempre uma boa transa e cada um para a sua casa.

Não foi exatamente esse o combinado?
 
Ai vem as minhas perguntas:
 
Será que eu to querendo demais, um pouco mais de carinho e um pouco menos de foco?

Quem sabe a “quantidade” e “qualidade” do que você quer é você mesma. Ninguém pode dizer que você está exigindo demais. Por outro lado, a outra pessoa pode não estar no mesmo clima. Não é simplesmente porque você quer que ele também vai querer.

Será que ele só quer o sexo e nada mais?

Qual é o grande problema de perguntar? Ao mesmo tempo, será que precisa? Como já disse antes: não foi exatamente isso que combinaram?

Será que ele é um escroto e me vê só como uma pessoa pra sexo e nada mais?

Fernanda, você está dizendo que todo mundo que só quer fazer sexo casual é escroto? Então porque você está pedindo conselho a uma escrota? (afinal de contas, olha bem quem eu sou…)

Querer namorar/casar ou só transar não faz de ninguém melhor ou pior. Quer dizer que homem que quer namorar é alçado automaticamente à categoria de “gente boa”? Pode ser que ele seja um escroto, sim, mas não porque trata a relação de vocês apenas como sexo. E, se ele é assim (ou se você pelo menos desconfia disso), por que ainda sai com ele?
 
Na última noite que ficamos juntos eu estava com muito medo de dormir sozinha, havia chorado por horas, uma fobia mesmo. Ele se ofereceu para ir até a minha casa. Ele chegou às 22h e saiu as 23h40. E falou que eu não devia me preocupar com o medo, que tudo ficaria bem, mas que ele tinha que acordar cedo, teria uma reunião pesada e não podia prorrogar a noite.

Você já sabe que ele não quer nada além de sexo. Fico aqui me perguntando a razão de você ter ligado para ele. Você não tem amigas? Não seria melhor se poupar desse constrangimento? Ou você forçou a barra, testando-o para ver até que horas ele ficaria com você?
 
Será que eu estou exagerando?

Talvez.

Sexo casual é isso mesmo?

Isso o q? Sexo delícia? Alguns não são nem isso!!! Outros são isso e mais coisa. Outros começam assim e se transformam em namoro. Não há regra. Mais uma vez: o cara tem a maior consideração por você na cama e você sente prazer. O quê mais você esperava?

Será que eu vislumbrei um sexo casual diferente dos demais?

Talvez o problema não seja o sexo casual, mas sim o fato de você não querer isso.
 

Eu sempre imaginei que sexo casual podia ser entre amigos, e que já que temos uma relação intima, porque não manter uma amizade além de tudo isso. O sexo deve ser bônus e não o todo.

Mas vocês eram amigos antes? Me pareceu que rolou um flerte e vocês transaram. Ponto. E, pelo que você contou, ele nunca te desrespeitou… 
 
Estou muito errada?

Nas suas expectativas, sim.
 
 Não vejo problema em mantermos uma relação aberta e sem cobranças, mas é pedir demais um pouco de extra: uma cervejinha, um vinhozinho ou até mesmo ficar na cama jogando conversa fora. Não precisa ser a noite inteira, mas gostaria que a proposta não fosse só o sexo.

Vamos por partes:

1) Você pode tomar uma cervejinha e tomar um vinhozinho com seus amigos. Por qual razão você quer fazer isso com ele? O tempo na cama não é mais suficiente?

2) Se não é suficiente, você quer realmente fazer essas coisas COM ELE, ou você quer fazer isso com ALGUÉM? Uma confusão muito grande que a gente faz às vezes é confundir carência com sentimento. Falta “algo” e a gente procura essa coisa em quem está mais à mão.

3) Não é esse o caso? Ele é realmente incrível, gostoso, inteligente, divertido? Não há nada de errado em “mudar de ideia”. Você pode ter começado como uma coisa casual e, conhecendo ele melhor (e transando gostoso com ele!), você ficou a fim de algo mais. Normal. Não se sinta culpada ou “fraca” por isso.

4) Mas se ele não sente a mesma coisa, não há o que fazer. Insistir nunca é uma boa. Exigir, também não. Caso ele esteja em outra vibe, cabe a você decidir o que vai fazer: continuar como casual, mesmo infeliz, ou partir pra outra. Eu ficaria com a segunda opção.

5) Qual o mal de perguntar? Fale o que você sente. Talvez ele seja um babaca na resposta, sim, mas tenho certeza que não é a primeira vez que você vai tomar um fora. E se ele é um cara mala a ponto de responder de maneira pouco respeitosa, você ainda quer transar com ele?

Recebo muitos emails como o da Fernanda. Mulheres DESESPERADAS. Repito aqui o que eu já disse mil vezes no blog, e está até no FAQ: o que esse homem tem para que você se anule e omita suas próprias vontades em nome dele?

Por favor, gente, vamos ser um pouquinho mais racionais, vamos resolver as questões de autoestima e vamos parar de colocar toda a esperança de felicidade nas mãos de um outro cara.

Camisinha, essa linda

“Usar camisinha é que nem chupar bala com papel”, dizem por aí. Mas, amigo, essa bala-com-papel pode aumentar – e muito – a sua expectativa de vida. Então, deixe a frescura de lado e plastifique esse negócio. Um mundo inteiro consegue gozar usando preservativo; vai na fé, você consegue também.

Mas talvez você precise ser mais bem informado e abrir um pouco mais a mão, comprando camisinhas especiais, deixando de lado aquelas mais baratinhas de lado, que mais parecem um saco plástico. Isso pode fazer muita diferença.

Primeiro: o tamanho

Meninos, conformem-se: poucos de vocês precisam usar os modelos maiores. É, horrível, eu sei (estou sendo irônica). O que muda da versão normal para a extra é o diâmetro. As camisinhas comuns têm 52mm de largura, enquanto a large/extra é um pouquinho maior: 55mm.

Para os pequenininhos, a dica é a Preserv Teen, com 49mm. Como o próprio nome diz, ela seria indicada para adolescentes, mas sabemos que há muito adulto que se daria melhor com uma dessas. Lembrem-se sempre que camisinha frouxa pode ficar dentro da outra pessoa! Com isso, toda a proteção contra DST ou gravidez indesejada vai pelos ares.

Outro dia vi na farmácia um lançamento da Preserv, a Extra Premium. Novíssima no mercado, a camisinha tem 58mm de largura. Por ser a única nacional com esse tamanho, o preço é salgadinho: a unidade custa por volta de R$ 5.

Um bom amigo indicou a Unique, feita na Colômbia. Se eu não me engano ela é ainda mais larguinha, com 60mm. O preço também é de R$ 5, quando comprada via site. O bacana dela é que não é feita de látex, excelente para quem tem alergia ao produto.

Segundo: o material

Como disse antes, por favor não comprem camisinhas grossonas, dessas que exalam o cheiro de plástico pelo quarto. São horrorosas!

Mais do que desconfortáveis, há casos em que se tem alergia ao látex. É como uma alergia comum: pode rolar desde uma coceirinha até algo bem mais grave. Antigamente só se conseguia comprar camisinhas de materiais diferentes em sex shops ou no exterior. Agora qualquer farmácia tem a Blowtex Premium, fabricada na Tailândia. A embalagem vem com duas unidades e custa um pouco mais do que as comuns: algo entre 5 e 6 reais o pacote.

 

Se a alergia for ao lubrificante, o jeito é ir trocando de marca ou usar a Microtex não lubrificada, e daí você utiliza o gelzinho preferido. A marca é bastante usada nos exames de ultrassonografia, por exemplo, quando o médico utiliza LITROS de gel para conseguir colocar aquele negócio bacanudo (not) dentro da gente.

Terceiro: o sabor

Eu ODEIO camisinhas com aroma. Essas que “ardem”, então… estou fora. Odeio, odeio, odeio. Mas, pelo que vejo nas lojas, há muita gente que gosta.

Agradeço indicações nos comentários. Já experimentei de diversos sabores e marcas, e não me adaptei a nenhuma. Em tese, elas ajudam bastante no sexo oral, mas eu continuo sentindo aquele gosto horroroso de látex que nunca mais sai da boca.

Quarto: tem de um tudo

Além das diferenças em tamanho, material e sabor, há camisinhas com ou sem textura; mais finas, as chamadas “sensitive”; coloridas… Se você tem um parceiro regular, é possível ir experimentando cada uma para ver qual é mais bacana e confortável para os dois (ou três. Ou mais).

Mas é preciso usar, sempre. Qual a sua favorita?

A buda acefálica (sic) responde

Eu não ia responder. Tinha certeza disso até a manhã de hoje. Não só porque o texto é ridículo, mal escrito e agressivo, mas porque eu estava lidando com problemas muito maiores (acreditem: quando você fica nas notícias mais lidas de um dos maiores portais da internet brasileira, um blogueiro – por mais conhecido que seja – não faz nem cócegas). Em segundo lugar, eu sei que nada vai mudar a cabeça do rapaz em questão. Não adianta argumentarem. Até pedi para as leitoras não irem lá bater boca. Além disso, como esperar um mínimo de noção de um sujeito que cobra para responder emails de leitoras? Sim, é isso  mesmo que você leu: o queridinho cobrava R$ 53,90, via Pag Seguro, para dar conselhos sobre a vida amorosa das leitoras. Lembro que o ser em questão não tem nenhuma educação formal em áreas como psicologia ou sexualidade. Então, pagava-se por um mero achismo. Parabéns a você que pagou, além de R$ 53,90, um mico federal.

Porém, um grande número de acessos ao meu blog nestas últimas duas semanas vem de lá (obrigada, querido). Como surgiram muitos questionamentos nos comentários (li todos, achei muita graça da maioria, que até serviram para atualizar o Tumblr), resolvi, nesta calma e deliciosa segunda-feira, responder alguns deles.

É evidente que não vou explicar a história dos cem homens. Quem aguenta isso ainda? Essa história ficou velha e já perdi tempo demais explicando, muitas vezes inutilmente.

Tampouco trarei à tona a questão da liberdade de expressão/grosseria/injúria – calúnia – difamação. Sugiro a todos apenas um ano nos bancos de uma faculdade de direito. Nem precisa ser bacharel ou passar na OAB. Basta ter um pouco de bom senso, ler alguns constitucionalistas/criminalistas, conhecer o mínimo de responsabilidade civil… e voilá! Você vai parar de falar merda na internet, achando que isto aqui é terra de ninguém.

Afinal, sobre o quê eu vou falar?

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De mochilinha

Momento sempre tenso é quando o sexo acaba. Não, eu não estou falando de um relacionamento em que as coisas esfriaram. Falo daquela hora em que o tesão – ou o pique – acaba, mas ainda há muita noite pela frente.

Como lidar? Ir embora? Dormir abraçado? E de manhã, quando se deve partir? Se for na sua casa, como deixá-lo confortável para decidir se vai embora ou se fica?

Depois de incontáveis encontros casuais, eu tenho uma resposta única para todas essas perguntas: não tenho a menor ideia.

Seria bem simples dizer “faça o que tiver vontade”, mas existem pelo menos duas pessoas ali. Pode acontecer do seu desejo ser de ficar naquela cama pra sempre, enquanto o dele/dela é fugir dali imediatamente.

Por essas e por outras que eu gosto tanto de motel. Evita a fadiga.

Eu já fui anfitriã e visita nestas ocasiões constrangedoras. Prefiro ser visita – normalmente me despeço e venho dormir na minha casa. Quando a ação acontece por aqui, eu simplesmente não consigo dormir. Fico preocupada que a pessoa acorde e não saiba o que fazer (aquela coisa do cara “fugindo” de mansinho parece coisa de filme. quem levanta e vai embora sem dar tchau? nunca rolou comigo). Eu realmente quero que a pessoa fique confortável. Daí imagino se o rapazote está com frio, com calor, com sede, com vontade de fazer xixi… é um inferno!

Mas não é mais fácil quando durmo na casa alheia. Eu tenho vontade de ir ao banheiro mil vezes durante a noite, mas e se ele está abraçado comigo? (nota: odeio dormir de conchinha, pois durmo de bruços.) Quando eu levantar, ele vai acordar. Eu ronco (é sério). E se isso incomodá-lo?

Claro que nem todo mundo tem a noção de que a pessoa também é uma visita na sua casa, e que não vai sair abrindo a geladeira, por exemplo. Não sei se vocês lembram, mas o número 18 queria que eu pegasse no guarda-roupa a toalha que eu usaria. Eu nunca havia estado naquela casa!

Quando você passa a frequentar muito a mesma casa, cria-se outro problema. Ok, você já sabe que irá passar a noite lá, mas o rapaz só tem um shampoo no banheiro. E nada de escova de cabelo. Na sua bolsa cabe a maquiagem e a escova de dente, mas você vai passar o fim de semana com a mesma roupa? A ideia é ficar grande parte do tempo peladona, mas e se vocês resolverem passar aquela tarde de sol num bar na Vila? Você vai com a mesma roupa amassada da  noite anterior?

Sei que este post está cheio de perguntas sem respostas. Mas é exatamente essa minha dúvida. Em que momento não fica ridículo aparecer de mala e cuia na casa do sujeito? Sempre há o risco de ele achar que você quer se mudar para lá, lembrem-se disso. Mas como viver sem chapinha, sem o seu shampoo+condicionador, sem trocar o sapato (e, por exemplo, ir de salto à padaria da esquina? – no meu caso, ele me emprestou um chinelo duas vezes maior que meu pé).

Eu ainda não sei. Quando descobrir, falo pra vocês.

Recomeço

Com a preciosa criatividade e a infindável paciência de Marlos Ápyus, cá estou com um novo layout para o blog.

Sabe quando você começa a arrumar o armário e decide aproveitar o ensejo e doar as roupas que não lhe servem mais, ou finalmente manda para a costureira aquela calça linda cujo zíper está quebrado? Pois é. Nada melhor que algum recomeço para fazer um recomeço de verdade.

Com muitos leitores novos e outros que me acompanham desde o início, acho necessário esclarecer alguns pontos antes de continuar a brincadeira. Este blog trata de descobertas pessoais e muito íntimas. Foi assim que ele começou, é assim que ele continuará sendo. Eu passava por um período de mudanças extraordinárias na minha vida, e resolvi compartilhar isso num blog. Jamais imaginei a polêmica gerada por isso.

Eu não mudei o que penso sobre sexo. Aliás, até tive mais certeza do que quero e espero neste campo da minha vida. Achei melhor, por questões óbvias para quem me lê há mais tempo, parar de narrar algumas histórias. Mas continuo sendo uma entusiasta e uma curiosa acerca do sexo. Agora, acredito, mais curiosa ainda.

E peço ajuda a José Angelo Gaiarsa para me descrever neste post inicial-da-nova-fase: “Filio-me decididamente aos que acreditam que o amor verdadeiro tem de vir de baixo para cima e não o contrário. De baixo para cima quer dizer do sexo, profundamente experimentado, do erótico (da pele, do contato físico), dos movimentos (da dança, que nos anima), subindo então – e depois – até o cérebro, aquecendo o coração no caminho…”

Aqui, trato de sexo sob a minha perspectiva, basendo-me nas próprias experiências, nas conversas com amigos, nos emails e comentários recebidos. Você não encontrará neste blog a descrição do que é “normal”. Não sou médica, não sou sexóloga. Mesmo que fosse, a ideia de “normalidade” vem carregada de muito do que é cultural – e nem sempre isso é bom. Conversarei (prefiro acreditar que dialogamos) a respeito de como eu encaro as coisas. Lógico que cairei em generalizações. Como – mais uma vez – disse Gaiarsa: “fique alerta e comece a pensar por sua conta, comparando o que você leu ou ouviu com sua experiência pessoa. Se lhe servir, aproveite. Se o atrapalhar, esqueça”.

Lógico que eu prefiro que as discussões lhe ajudem a abrir a mente. Talvez você perceba que certos comportamentos não são para você, mas acho melhor acreditar na possibilidade de aceitarmos quem é diferente de nós. Por isso mesmo, comentários ofensivos a mim ou a qualquer outro leitor jamais serão aprovados. E isso vale mesmo quando a ofensa é velada. Felizmente tenho dois neurônios com sinapses nervosas funcionando perfeitamente, e consigo entender mensagens cifradas, escondidas atrás de palavras bonitas. Neste espaço não se perpetuará ou tampouco se dará espaço a preconceitos. Reconheço que todos somos, em alguma medida, preconceituosos. Eu estou tentando deixar essa tal medida no mínimo.

I’m a work in progress. Estudo sobre sexualidade, mas não apenas isso. Eu faço sexo. Por isso, este blog continuará sendo, enquanto existir, sobre o tema. Mas ele se tornou ainda maior: em vez de falar apenas do “pau que entrou na buceta”, falo de coisas que jamais experimentei, de medos, inseguranças e tudo o mais que envolver essa delícia. O espectro aumentou. Não vejo como isso pode ser ruim.

E, no fim, continuo sendo a mesma Letícia. Uma última paráfrase do querido Gaiarsa: “meu corpo, a qualquer momento, é uma fonte inesgotável de profundo prazer”.

Sejam bem vindos.

"Nenhuma sabe da verdade"

Às vezes a gente vê alguém com tudo o que se imagina ser necessário para encontrar a felicidade: a pessoa é jovem, bonita, faz faculdade, mora bem, não tem problemas de grana. No avatar do Facebook, você vê uma garota luminosa. Mas ninguém sabe o que está por trás disso tudo.

Dei aqui o link de um texto sobre vaginismo do blog da Lola. Várias mulheres se identificaram, mas um email partiu meu coração. Compartilho aqui com vocês. Aviso logo que é bem, bem triste.

Eu não imaginava que isso acontecia com outras mulheres!

É um pouco difícil eu comentar isso, mas estou enfrentando esse trauma. A minha história é que aos 10 anos fui abusada sexualmente por um amigo do meu pai (o cara, na época, tinha seus 50 anos mais ou menos). Depois de dias, contei para minha mãe, que submissa, não tomou nenhuma atitude e não contou ao meu pai (lembro das palavras dela: “não conte ao seu pai, senão ele vai querer matá-lo! Será um segredo nosso!”). E essa cena (de abuso) se repetiu inúmeras vezes, já que ele morava no mesmo condomínio que o meu. Minha mãe, mesmo sabendo do que acontecia, aceitava os convites que ele fazia para eu ir brincar com os sobrinhos dele, que na época tinham a minha idade. Muitas foram as vezes que me escondia dentro de uma geladeira velha onde minha mãe trabalhava para fugir da situação. 

Fiquei algum tempo usando roupas largas e que cobriam quase meu corpo por completo. Tinha receios, e muitas outras coisas que não consigo explicar.

Até hoje, 13 anos depois, ainda tenho problemas com meu corpo e com o sexo em si. Namorei por 6 anos, e  cheguei a pensar que eu era assexuada. Tenho (com menos intensidade,claro) a ideia (quase fixa) de que meu corpo é algo sujo (não sei explicar isso de outra forma) e isso aumenta todos os pudores quanto ao sexo.

Meu ex-namorado era bem legal, carinhoso, companheiro de verdade. E sexo não era o mais importante pra ele numa relação. Por saber do que passei, ele tomou essa posição passiva. E esperava por mim, pelo meu momento. Claro, às escuras. Em 6 anos, dá pra contar nos dedos de uma mão a quantidade de vezes que cheguei ao orgasmo.

Há 2 meses tenho saído com um cara que é o símbolo de tudo que eu acho bonito num homem. Enfim, a primeira vez que transamos, aconteceu o tal (agora conhecido, por mim) VAGINISMO.

Travei! Simplesmente travei completamente! Mesmo ele sendo super legal, carinhoso e compreensivo; não conseguia ter poder sobre o meu corpo.

A sensação de impotência é horrível, mesmo. Tive a sorte do cara ter sido ‘compreensivo’ naquele momento. E levado na boa. A gente parava, conversava sobre outras coisas pra distrair e eu relaxar, mas não adiantava. Depois, eu me senti péssima. Frustrada. E achei que ele nunca mais fosse querer nada comigo. Ainda bem que estava errada.

Eu não entendi algumas passagens da história da leitora, que aqui vamos chamar de Cristina. Perguntei algumas coisas. Ela me explicou melhor:

Ele era amigo do meu pai (como já disse) e tinha uma casa numa cidade bem próxima a minha (uns 20 min de carro). Era lá que os sobrinhos dele ficavam. Meus pais trabalhavam o dia inteiro e, por causa disso, eu ia para o trabalho com eles (eles eram donos do negócio). Eu sempre tive o corpo muito desenvolvido para a época, então isso chamava atenção. Como morava numa cidade praieira, andar de shortinho / saia e blusa de frente única era normal. 

Pois bem, (o flashback passando na minha cabeça agora) um dia quando fui para a outra casa com ele, no carro, no meio do caminho, numa estrada vazia, em plena luz do dia, ele parou o carro no acostamento, e começou a passar a mão nos meus seios. Sem entender nada, eu tirava a mão dele dali, mas por ele ser mais forte, segurava meus dois braços com a outra mão e me alisava com a outra. Como eu era muito magra, não conseguia fazer nada. Eu ficava com tanto medo, que não conseguia gritar, a voz sumia. Se aproveitando da situação, ele veio pra cima de mim, chupando meu peito e tentando outra coisa (desculpa, não consigo usar as palavras que vc já faz ideia – sim, ele a estuprou). 

Nesse momento eu só chorava. Lembro que eu tremia de dor, e chegou um determinado momento que minha pressão caiu, e só assim, ele parou. Me jogou para o banco de trás do carro, puxou meu cabelo, e mandou eu fazer oral nele. Quando eu ameaçava por o dente, ele puxava meu cabelo. Não me lembro como ele parou. Eu coloquei grande parte desse trauma numa caixinha selada, onde eu esqueci muitas partes. Porém essa eu fiz questão de deixar à mão, como experiência de vida.

E isso se repetia. Pois meus pais, por não quererem ou poderem ter tempo pra cuidar de mim, me mandavam para lá com ele.

Ele fazia festas na casa dele, pra criançada do condomínio, como desculpa para eu ir. Muitas vezes, tive que fazer oral, com uma faca no pescoço. Ou com ameaças do tipo “Isso é coisa só de nós dois. Se mais alguém ficar sabendo, eu vou saber e já sabe o que acontecerá contigo, né?”.

Isso só parou 1 ano depois, quando uma tia veio morar com a gente, e cuidava de mim e do meu irmão.

Depois da primeira vez, eu nunca mais contei pra ela. Contei pra esse meu ex, no começo do namoro. E esse ano, pra uma amiga.

Muitas pessoas reclamam que sou fria, que não me apego às pessoas, mas nenhuma sabe da verdade.

Então depois dessa última frustração (vaginismo), eu resolvi de vez, por mim mesma, dar (o final) da volta por cima.

Eu queria poder comentar essa história. Não consigo. Não consegui quando recebi o email, há duas semanas. Não consigo contar a história para alguém sem sentir vontade de chorar, sem querer vomitar. Espero que vocês consigam dar uma força pra Cristina pelos comentários.