"Nenhuma sabe da verdade"

Às vezes a gente vê alguém com tudo o que se imagina ser necessário para encontrar a felicidade: a pessoa é jovem, bonita, faz faculdade, mora bem, não tem problemas de grana. No avatar do Facebook, você vê uma garota luminosa. Mas ninguém sabe o que está por trás disso tudo.

Dei aqui o link de um texto sobre vaginismo do blog da Lola. Várias mulheres se identificaram, mas um email partiu meu coração. Compartilho aqui com vocês. Aviso logo que é bem, bem triste.

Eu não imaginava que isso acontecia com outras mulheres!

É um pouco difícil eu comentar isso, mas estou enfrentando esse trauma. A minha história é que aos 10 anos fui abusada sexualmente por um amigo do meu pai (o cara, na época, tinha seus 50 anos mais ou menos). Depois de dias, contei para minha mãe, que submissa, não tomou nenhuma atitude e não contou ao meu pai (lembro das palavras dela: “não conte ao seu pai, senão ele vai querer matá-lo! Será um segredo nosso!”). E essa cena (de abuso) se repetiu inúmeras vezes, já que ele morava no mesmo condomínio que o meu. Minha mãe, mesmo sabendo do que acontecia, aceitava os convites que ele fazia para eu ir brincar com os sobrinhos dele, que na época tinham a minha idade. Muitas foram as vezes que me escondia dentro de uma geladeira velha onde minha mãe trabalhava para fugir da situação. 

Fiquei algum tempo usando roupas largas e que cobriam quase meu corpo por completo. Tinha receios, e muitas outras coisas que não consigo explicar.

Até hoje, 13 anos depois, ainda tenho problemas com meu corpo e com o sexo em si. Namorei por 6 anos, e  cheguei a pensar que eu era assexuada. Tenho (com menos intensidade,claro) a ideia (quase fixa) de que meu corpo é algo sujo (não sei explicar isso de outra forma) e isso aumenta todos os pudores quanto ao sexo.

Meu ex-namorado era bem legal, carinhoso, companheiro de verdade. E sexo não era o mais importante pra ele numa relação. Por saber do que passei, ele tomou essa posição passiva. E esperava por mim, pelo meu momento. Claro, às escuras. Em 6 anos, dá pra contar nos dedos de uma mão a quantidade de vezes que cheguei ao orgasmo.

Há 2 meses tenho saído com um cara que é o símbolo de tudo que eu acho bonito num homem. Enfim, a primeira vez que transamos, aconteceu o tal (agora conhecido, por mim) VAGINISMO.

Travei! Simplesmente travei completamente! Mesmo ele sendo super legal, carinhoso e compreensivo; não conseguia ter poder sobre o meu corpo.

A sensação de impotência é horrível, mesmo. Tive a sorte do cara ter sido ‘compreensivo’ naquele momento. E levado na boa. A gente parava, conversava sobre outras coisas pra distrair e eu relaxar, mas não adiantava. Depois, eu me senti péssima. Frustrada. E achei que ele nunca mais fosse querer nada comigo. Ainda bem que estava errada.

Eu não entendi algumas passagens da história da leitora, que aqui vamos chamar de Cristina. Perguntei algumas coisas. Ela me explicou melhor:

Ele era amigo do meu pai (como já disse) e tinha uma casa numa cidade bem próxima a minha (uns 20 min de carro). Era lá que os sobrinhos dele ficavam. Meus pais trabalhavam o dia inteiro e, por causa disso, eu ia para o trabalho com eles (eles eram donos do negócio). Eu sempre tive o corpo muito desenvolvido para a época, então isso chamava atenção. Como morava numa cidade praieira, andar de shortinho / saia e blusa de frente única era normal. 

Pois bem, (o flashback passando na minha cabeça agora) um dia quando fui para a outra casa com ele, no carro, no meio do caminho, numa estrada vazia, em plena luz do dia, ele parou o carro no acostamento, e começou a passar a mão nos meus seios. Sem entender nada, eu tirava a mão dele dali, mas por ele ser mais forte, segurava meus dois braços com a outra mão e me alisava com a outra. Como eu era muito magra, não conseguia fazer nada. Eu ficava com tanto medo, que não conseguia gritar, a voz sumia. Se aproveitando da situação, ele veio pra cima de mim, chupando meu peito e tentando outra coisa (desculpa, não consigo usar as palavras que vc já faz ideia – sim, ele a estuprou). 

Nesse momento eu só chorava. Lembro que eu tremia de dor, e chegou um determinado momento que minha pressão caiu, e só assim, ele parou. Me jogou para o banco de trás do carro, puxou meu cabelo, e mandou eu fazer oral nele. Quando eu ameaçava por o dente, ele puxava meu cabelo. Não me lembro como ele parou. Eu coloquei grande parte desse trauma numa caixinha selada, onde eu esqueci muitas partes. Porém essa eu fiz questão de deixar à mão, como experiência de vida.

E isso se repetia. Pois meus pais, por não quererem ou poderem ter tempo pra cuidar de mim, me mandavam para lá com ele.

Ele fazia festas na casa dele, pra criançada do condomínio, como desculpa para eu ir. Muitas vezes, tive que fazer oral, com uma faca no pescoço. Ou com ameaças do tipo “Isso é coisa só de nós dois. Se mais alguém ficar sabendo, eu vou saber e já sabe o que acontecerá contigo, né?”.

Isso só parou 1 ano depois, quando uma tia veio morar com a gente, e cuidava de mim e do meu irmão.

Depois da primeira vez, eu nunca mais contei pra ela. Contei pra esse meu ex, no começo do namoro. E esse ano, pra uma amiga.

Muitas pessoas reclamam que sou fria, que não me apego às pessoas, mas nenhuma sabe da verdade.

Então depois dessa última frustração (vaginismo), eu resolvi de vez, por mim mesma, dar (o final) da volta por cima.

Eu queria poder comentar essa história. Não consigo. Não consegui quando recebi o email, há duas semanas. Não consigo contar a história para alguém sem sentir vontade de chorar, sem querer vomitar. Espero que vocês consigam dar uma força pra Cristina pelos comentários. 

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211 pensamentos em “"Nenhuma sabe da verdade"

    • Salvo o racismo e o terrorismo (vide constituição), todos os crimes prescrevem. Não existe o crime de pedofilia, e sim estupro de incapazes. No caso, menor de 14 anos.
      Não possível , nos termos da lei, fazer mais nada.
      Fora da lei… aposto que lavaria a alma… e olha que sou espírita kardecista hein! Mas também sou humano e cede às fraquezas e sedes de vingança.

      ps – esse site é muito bem feito, apesar de um ou outro problema de navegação

    • aconteceu quase a mesma coisa comigo porem so muda q quem, fez isso comigo foi meu padrasto, na epoca minha mãe fez a ocorrencia mas quando saiu a sentença do desgraçado ela retirou a queixa pois iam prender ele, e ela nao deixou. Hoje tenho muito medo pois tenho uma filha de 8 anos, ha fiquei com sequelas mas tenho um esposo maravilhoso que me ajuda pois quem me deu força pra eu contar pra minha mae foi ele, eu era de menor ate gostaria de saber se tem como eu ir atras para prende lo, pois as vezes sonho com ele fazendo as mesmas coisas com a minha filha e acordo em panico.

  1. Eu não consigo comentar tb. Só espero que essa criatura nojenta e repugnante pague pelo que fez com vc. Torço para que vc tenha forças para levar sua vida em frente.

  2. Cris… Estou com vc, de longe mas com todo coração. Não desista de si mesma e não deixe isso te definir. Claro que falar é fácil demais, mas procure recursos: terapia, amigos… Cuide de você, mas conte com quem puder – e sei que você tem discernimento pra perceber quem são essas pessoas. Mas repito: não deixe isso te definir. Isso faz parte da sua história e portanto de quem você é. Mas você é muito, muito maior que isso.

    • Cris, concordo com a Maíra e, mais: vc está conseguindo escrever sobre isso; é um passo importante para “resolver” esse fato: veja se procura a ajuda de um terapeuta. Em SP, há clínicas-escolas q atendem de graça. Força, querida! Torço por vc!!

  3. Cris… Estou com vc, de longe mas com todo coração. Não desista de si mesma e não deixe isso te definir. Claro que falar é fácil demais, mas procure recursos: terapia, amigos… Cuide de você, mas conte com quem puder – e sei que você tem discernimento pra perceber quem são essas pessoas. Mas repito: não deixe isso te definir. Isso faz parte da sua história e portanto de quem você é. Mas você é muito, muito maior que isso.

  4. Muito triste a história da "Cristina", me comovi completamente. Eu acho que nunca vou entender como essas pessoas (se é q podemos chamá-las assim) conseguem fazer esse tipo de coisa com alguém. É muito triste isso. Espero que ela consiga essa "volta por cima" até porque ela é merecedora disso depois de tantos anos sofrendo em silêncio.

  5. Eu não sei o que dizer, sinceramente. Fico feliz que ela esteja disposta a melhorar, isso já faz toda a diferença.

    Que bom que parece ter achado alguém bom. Poder conversar com um parceiro compreensivo e que te entenda vale ouro. Comunicação nunca machuca a vida de um casal.

    Boa-sorte e força.

  6. Nossa, eu não faço ideia do que seja passar por isso. Toda a dor que ela deve ter sentido, e todo o vazio que ela deve ter dentro de si. Eu já fui molestada, mas foi muuuuito mais leve do que isso, meu tio me fazia tocar o pênis dele, por cima da calça, eu não fazia ideia do que ele estava fazendo, eu pedi pra parar e ele parou. Até hoje eu tenho receio dele. Na época eu não fazia ideia mesmo. Eu só espero que a Cristina consiga superar isso e ter uma vida feliz como ela merece.

  7. Que bom que ela encontrou um cara que compreendeu a situação e torço pra que ele a ajude a superar esse problema. Eu não consigo nem imaginar uma situação dessas.
    O mais inacreditável ainda é a mãe saber de tudo e não fazer nada. E ainda ajudar em situações que o caso poderia se repetir.
    Muita força pra você!
    Espero que supere esse trauma e seja muito feliz, tendo muitos e muitos orgasmos!

    • Isso, infelizmente, é bem comum. Minha mãe me conta que um tio lançava olhares para ela e as vezes a segurava de um modo “diferente”, ela, como a Cristina, tambem contou para a mãe dela que também não quis contar para o pai, por medo da reação dele. Para mim é dificil entender essa reação de minha vò, imagino que seja por medo da reação dele, de não acreditar ou talvez tentar matar o cunhado. Mas minha mãe sempre ficou bem longe desse tio o nada mais aconteceu. Não imagino como a Cristina possa se sentir, mas penso que denuncia-lo pode não ser uma solução para isso. Ela teria que encarra-lo, ser chamada de mentirosa e ainda reviver, com detalhes, todos os acontecimentos. Sugiro procurar ajuda especialidade. E desejo, de todo coração, muita luz para superar tudo!!!!

  8. Um dos motivos pelos quais me questiono se quero ter filhos, é a pedofilia. Eu não teria dúvidas em matar um desgraçado desses.
    Cristina, força! A primeira coisa que você deve trabalhar em você mesma é que nada daquilo foi sua culpa e que de forma alguma você é suja. O demente é o cara.
    Eu sei que falar isso é muito cliché, mas você precisa de um acompanhamento médico, para aos poucos ir se livrando das marcas que esse monstro deixou em você.
    Você merece ser feliz depois de todos esses anos.

    Um beijo,

    Beijo Lê

    Amanda

  9. Cris espero que vc encontre paz e não desista nunca de lutar por você mesma. Procure ajuda, fale com pessoas em quem você confia. As pessoas que te amam vão te apoiar e te ajudar a estar mais em paz. Mil beijos…

  10. Não consigo pensar o q escrever, me coloquei no lugar dela lendo e confesso q estou tremendo enquanto escrevo….o q me deixou mais assustada foi a reação da mãe e mesmo sabendo ainda permitia a aproximação ….mas encarar os traumas de frente e resolve-los dentro de nós sempre é o melhor caminho. Te desejo toda força do mundo Cris, e Lê mesmo sendo triste ver q isso ainda acontece e q essas pessoas estão impunes , mostrar o problema e debater é sempre bom, ajuda a dar coragem para quem passou e passa por isso a denunciar esses monstros.
    Bjs
    MI

  11. Bom, adoraria conhecer a Cristina e dizer que infelizmente sei exatamente pelo que ela passou. Pois é, também já sofri abusos. Sei como é ter medo de tudo, de todos, ter medo de ficar em um determinado lugar sozinha, pensar que qdo "ele" (agressor) chegar, ele pode estar bebado ou drogado e querer te fazer mal. Sentir medo de contar pra alguém e ninguém acreditar, ninguém apoiar-me ou pior, criticar-me dizendo que talvez eu que tenha provocado-o. Porém, qdo tudo começou eu mal sabia como os bebes chegavam. Pois é, sofri meu primeiro abuso aos 8 anos e por alguém que dizia que queria o meu bem, que morava dentro da minha própria casa. Aquele que se dizia, meu padrasto. Sofri durante 3 anos e nunca, nunca contei para ninguém! Simplesmente é e foi uma parte da minha história que fiz questão de esquecer. Porém ao ler a história da Cristina me sensibilizei e recordei da minha… Por hora, é isso…

    • Tata, fala mais pra Cristina como vc conseguiu superar e conseguir levar a vida adiante. Em que vc se apoiou pra se levantar , dar dicas de ajudas q ela pode procurar.. Pra gente q não sabe o q é isso na pele é muito difícil imaginar como vencer um trauma desses.

      • Olá, Amora…

        Dar conselhos para melhorar sempre é bom, mas cada ser humano tem modos diferentes de superar os ocorridos na vida, A Cris ainda sofre muito com isso, pois não consegue esquecer. Qdo eu pensava nisso direto eu ficava pior, cheguei a pensar em me matar, que eu era a causadora de tudo… até q um dia encherguei a verdade. Não tive culpa, não sabia que era errado, porém também não tive coragem de falar para ninguém. Essa é minha maior dúvida, se eu deveria ter falado ou não, se minha mãe acreditaria em mim ou não, sempre tive muitos problemas com a minha mãe, brigas e mais brigas. Mas, qdo sai da casa dela para morar com minha avó decidi colocar um ponto final nessa minha história horrível. Eu meio que me fechei para tudo que aconteceu na minha infância, como se eu pudesse esquecer e foi assim que aos poucos as lembranças horríveis foram meio que desaparecendo… Como disse anteriormente não sou de falar o que sinto e nunca contei para ninguém, mas dizem que conversar com alguém de fora ajuda e é bem importante. O método que ajudou-me bastante foi escrever, adotei essa prática desde cedo, qdo estou triste ou algo me abala prefiro escrever, colocando tudo no papel, deixando as emoções virem a tona e com as lágrimas as levarem embora.
        Espero ter ajudado…

        Bjos

    • Sei o quanto é difícil falar sobre isso, mais ainda relembrar; Sofri abusos por parte do meu ex-padrasto dos 6 aos 11 anos e mesmo contando a minha mãe, que por sinal me fez jurar que nunca contaria a ninguém pois não iria “perder o marido” por minha causa, tive que conviver com a pessoa até dois anos atras, por raiva, nojo do meu corpo e das coisas que me aconteciam acabei buscando em drogas uma forma de esquecer o que havia acontecido, aos 14 anos comecei a namorar um garoto, mais velho que me mostrou que o sexo não era nada sujo, fazia parte da relação linda que tinhamos, durante a convivencia de 9 anos com essa pessoa recebi muito carinhao, busquei terapia, passei a me gostar e não me sentir culpada pelo que havia acontecido, hoje consigo falar a respeito, vivo um novo relacionamento o qual me sinto segura e sexualmente feliz.
      Acredito que a experiência, mesmo que negativa me fez uma mulher forte, segura e firme nas minhas relações, me tornei mais afetiva e segura após a terapia, acredito que seja importante para a “Cris” buscar ajuda de um profissional.

  12. O crime no caso não chega a ser pedofilia e sim estupro de vulnerável. Prescreve em 20 anos. Conforme o relato da Cristina ainda dá tempo SIM de denunciá-lo!!! Não deixe que isso saia impune!!! O que ele fez com vc pode fazer com outras crianças e tranformar a vida delas tbm num inferno! A solução que eu vejo é vc procurar ajuda psicológica. Um terapeuta mesmo. Só ele vai poder chegar no fundo de sua dor e te ajudar. Espero que você consiga virar essa página na sua vida.

    • Cristina,
      Se houver tempo de ainda tomar qualquer providência contra o ser imundo que lhe causou tanto mal, por favor, faça! Apesar de entender que qualquer punição não será suficiente para apagar suas lembranças de tudo isso, ela servirá ao menos para que você saiba que finalmente pôde agir. Que não só seguiu sua vida como também evitou que outras meninas passassem pelo mesmo.
      E, olha, não deixe viver: com medo, sem medo, chorando, rindo. Todos nós passamos por coisas ruins em algum momento da vida, uns passam por coisas horríveis mesmo. A chave está em não desistir. Não desistir de si mesma, e dos outros. A maior alegria que ainda nos dá o prazer de sorrir é a surpresa de encontrar em nossas vidas pessoas diferentes, que ao contrário do muito podre que um dia conhecemos, nos faz acreditar que vale a pena continuar. Sempre há pedras no meio do caminho, montanhas até… E nós sempre somos capazes de tirá-las… Se dê a liberdade de sempre mudar e mudar e mudar para ser sempre você! Chore hoje, sorria amanhã, sinta raiva, alegria… Aja! Aja muito! E quando não for capaz de falar, que sua mente não sossegue! Torcendo por ti!
      E, Lê, parabéns! Seu blog é uma preciosidade! Assim como você, luto pelo mais raso preconceito em minha vida. Não são suas histórias que precisamos ler, e, sim, como você conta elas. Continue a ajudar esse montão de mulheres, que assim como a mãe da Cristina, são submissas e desinformadas do poder que têm. Beijão :***

      • Sim se possível e se estiver já forte o suficiente pra enfrentar a situação, seria um bem imenso que todos que passaram por isso conseguissem denunciar.
        Mas juro, quando vejo os casos relatados aqui , além do da Cristina, fico tão impressionado.
        Impressionado em perceber o tanto quanto é frequente e o tanto quanto isso vem acontecendo debaixo ou as vezes incompreensivelmente com o apoio / omissão das próprias mães.
        Além dos óbvios desejos que todos consigam superar essas crueldades, fica realmente a pergunta como poderia ser diferente? como deveríamos agir pra que isso não vitimasse outras meninas, outros meninos?
        O que deveríamos ensinar nas escolas ou dentro de casa para os nossos filhos e sobrinhos pra que eles conseguissem identificar sem culpa os sinais ou as consequências de atitudes estranhas, sendo que o perigo está tão perto e protegido! E nós o que devemos aprender sobre?

        ´Pode parecer neurose, mas dá medo de nós!

  13. Infelizmente acho que casos como estes são mais comuns do que a gente imagina.
    Quando eu tinha 13 anos de idade, minha mãe casou-se de novo. Eu dormia em um quarto separado quando uma noite eu acordo e percebo que ele está sentado ao meu lado me fazendo carícias… imediatamente comecei a gritar e chamar pela minha mãe. Vejam, eu já tinha 13 anos, eu sabia o que ele estava fazendo e por ter armado um barraco que eu evitei que coisa pior acontecesse. Depois disso, ele inventou mil desculpas para justificar o que estava fazendo, uma menos convincente que a outra. Por fim, eu infernizei tanto que minha mãe se separou dele. Mas eu sei que até hoje ela não acredita em mim, acha que eu inventei para separá-los, embora ela afirme que acredita. Lembro também até hoje da minha avó me dizendo para não contar aquilo para ninguém, porque era "feio" para mim…

    • Querida anônima:

      Eu realmente entendo sua situação. A de sermos menores e vermos que as pessoas que devíamos confiar simplesmente não acreditam completamente em nós. Ou um caso pior como de sua avó, mais preocupada nas aparências e na reputação da família do que com sua integridade.
      É uma merda quando a gente percebe que nossos maiores “exemplos” de vida são frágeis e muitas vezes deploráveis. Sinto muito por nós, pois me encaixo nessa descrição também.

  14. Cristina, antes de mais nada, espero que esse sujeito esteja morto. Acho que processa-lo é uma perda de tempo e só trará mais sofrimento a você. Acredite em mim.

    Acho que você é bastante nova e está na hora de começar a resolver isso. Procurou ajuda médica? Procurou um analista? Comece a combater isso agora. O tempo passa rápido demais (acredite em mim)e se você começar a lutar agora, garanto que quando tiver lá seus 30 ou 35 anos estará bastante recuperada.

    Boa sorte.

    • Acredito que um homem assim mereça estar morto, realmente, mas como não desejo a ninguém a dor de matar alguém, eu acho sim que ela devia processá-lo. Quem sabe a quantas outras crianças esse homem pode ter feito isso? Impunidade é um dos motivos pelos quais tantas pessoas não pensam duas vezes antes de abusar de uma criança.

      Para mim, “deixar pra lá” porque trará mais dor é o mesmo que tomar uma atitude passiva em relação ao problema.

      Cristina, não faço ideia do que você passou, do que passa até hoje. Minha vida é perfeita em comparação. Sinto muito por tudo o que aconteceu com você e vou orar para que você encontre a paz.

        • Complicado decidir por ela se ela deve ou não deve enfrentar um julgamento. Cresci no envagelho, e sei que do julgamento final ninguem escapa. Aqui se faz aqui se paga.
          Acho que cabe a Cristina decidir, se consegue encará-lo em um tribunal. Adoraria ver um monstro desses que hoje deve ter até netos, sendo desmascarado em frente aos amigos, e familiares. Pessoas que devem o ver como um cordeirinho. Desgraçado.FDP. Graças a Deus que eu não sou Juiza. Porque eu gosto muito de ver as pessoas pagando pelo que fizeram. Se tivesses forças o pegava com as minhas próprias mãos. Acredito que hoje com a mídia, isso daria uma repercussão, que ele iria virar mulherzinha de preso na cadeia! Doente.

          Me desculpe, mas o meu sangue sempre ferve perante uma injustiça.

          Sim procure, especialistas, meditação, DEUS, e procure saber dentro de você se ver esse… esse verme sendo julgado, te ajudaria a encerrar essa história de uma vez por todas….

          Fique com Deus Cristina, saiba que ele nunca nos abandona… nunca.

  15. Esse texto foi um soco forte no meio do estômago. Um misto de vontade de chorar com vontade de vomitar. É muito triste pensar que tantas mulheres passam por isso em silêncio, se sentindo culpadas e sem qualquer tipo de apoio. A lei existe, mas o acesso é complicado. A mulher é sempre levada a se sentir culpada e carregar esse trauma sozinha pelo resto da vida. Que a Chris tenha o apoio desse homem bom na vida dela e que consiga superar isso.

  16. apesar de todos esses comentários incentivando a Cris a processar o agressor (pra não dizer coisa pior), acho que não é bem assim. se ela não tem essa vontade, deve deixar isso de lado e cuidar dela mesma. ning pensa que abrir um processo contra alguém envolve encontrá-lo novamente, reviver aquelas emoções e experiências e às vezes o que precisamos é distanciamento. não esqueça o fato, apenas supere. procure um psicólogo ou algum profissional que dê um apoio emocional e não pense em coisas negativas como vingança ou rancor. é claro que tomar esta atitude tb evita que haja outras vítimas, mas vc deve pensar se isso vai te fazer bem. vc foi muito corajosa em compartilhar isso com todo mundo e te desejo forças e muita energia positiva, para que vc supere e que esse evento não tome conta da sua sexualidade, muito menos da sua vida.

  17. Incrivel como as crianças são vulneravéis e eu fico escandalizada com esses pais……Eu me pergunto porque esse tipo de gente tem filhos??? Se você é um ser humano incapaz de dar assistencia ao seu filho. NÃO TENHA FILHOS!!!

    O mundo é um lugar perigoso e apesar disso eu acredito na vida…porém devemos cuidar das nossas crianças e NÃO DAR SORTE PRO AZAR…fiquei preocupadissima com a minha sobrinha quando meu irmão se separou e ainda me preocupo , fico sempre no pé da mãe dela e no pé do meu irmão…NÃO COLOCOU NO MUNDO , VAI TER QUE CUIDAR DIREITO, ATÈ ATINGIR UMA IDADE ADULTA!

  18. Nossa q historia terrivel!!! Sou mae e nao consigo me imaginar sendo tão omissa assim… Pois sei q apesar dos traumas q esse monstro causou na vida dessa moça, nenhum foi maior do q nao ter o apoio e compreensão da propria mae… Espero sinceramente q ela consiga se reerguer e levar uma vida saudavel, muito bom q tenha encontrado pessoas compreensivas no caminho dela ( no caso dos namorados). Torço pela felicidade dela… bjo

  19. É inaceitável que coisas assim aconteçam. Fiquei com o coração apertado só de ler isso..acho estupro a coisa mais horrível do mundo.

    Força 'Cris', que Deus te ilumine e te faça dar a volta por cima!

  20. caramba, Cris
    Caramba, Lê.
    Que forte.
    Que cruel, profundo e amargo.
    Cris, eu te desejo toda a força e ajuda do mundo – sério, psiólogo faz um bem! eu vou.
    Só de ler deu vontade de chorar, de gritar, de abraçar e dizer que passou, qua não volta.
    Mas volta.
    Se não pra ela, pra outras que além de convier com a lembrança, ainda são "mal faladas", julgadas, ou consideradas culpadas.
    Isso é o que mais me deixa doente.
    E por não saber como isso vai parar, ou quando.
    Beijos

  21. "Cristina" graças a Deus nunca passei por isso mas posso imaginar como deve ter sido doloroso e sofrido para você, espero de coração (acredite mesmo sem te conhecer) que você supere todo esse trauma que esse monstro lhe causou. Muita força. Tente sempre encontrar apoio nas pessoas que você ama e confia, acredito que aos poucos colocar isso para fora e se abrir com alguém irá lhe ajudar bastante!

    Um beijo,

    Camila.

  22. Tem já uns 20 min que estou pensando no que escrever. Li sobre as mais diversas reações que as pessoas tiveram com essa história. Eu não tive nenhuma. E não porque eu não tenha empatia pelo que a Cris passou, eu estou simplesmente parada aqui, sem reação, quase como se não processasse o que acabei de ler. Enfim, depois de pensar bastante, ainda que não o suficiente, eis o que eu acho.

    Cris,

    Antes de mais nada, eu sinto muitíssimo pelo que aconteceu com você. Eu sequer consigo imaginar como você se sente e as consequências que isso causou na sua vida. Ninguém merece ou deveria passar por isso. Mas lembre-se sempre que nada disso é culpa sua. Não é, nunca foi, nunca será!!!
    Esse homem é um maníaco, pervertido, pedófilo, perturbado. A culpa é só e tão somente dele. Se você vai denunciá-lo, ou não, é uma opção sua! Acredito sim que você deva. Vai ser horrível, vai ser traumatizante, mas as pessoas tem que saber quem é esse homem de verdade. E digo mais, é provável que você não tenha sido a única vítima dele! E os crimes sexuais são tão recorrentes porque as mulheres tem medo de denunciar, pelo trauma, pela vergonha, pelo julgamento que os outros vão fazer.
    As pessoas são muito rápidas em julgar e culpar quem não tem culpa de nada. "Ah, aquela menina só anda de saia curta, tava pedindo pra ser violentada" QUE MULHER PEDIRIA ISSO?! E ainda que a justiça não seja feita, você terá desmascarado esse farsante perante todos que o conhecem.
    Acredito também que isso abrirá espaço pra você confrontar sua família. Sua mãe não teve a atitude mais sábia, mas talvez ela não soubesse melhor do que isso na época. E seu pai que tem um amigo lobo em pele de cordeiro. Ele merece saber quem é esse crápula.
    Não sei como você tem lidado com isso todos esses anos, se teve ajuda psicológica ou não. Mas acredito que quanto mais você internalizar esses sentimentos mais eles te farão mal. É preciso colocar pra fora, tirar isso de você, para que com o tempo você se perdoe, limpe sua alma e finalmente se cure.
    Você é uma vítima de um crime sexual seríssimo, e infelizmente você não é a única. E quanto mais mulheres, crianças, denunciarem seus agressores, outras mais terão coragem de fazer o mesmo! Mas não precisa agir como vítima. Não deixe esse maníaco ganhar, não deixe que ele saia impune, que ele tenha controle sobre o resto da sua vida. Não dê a ele esse gosto, não permita que ele te subjugue e que o que ele fez determine como você vai se sentir pro resto da sua vida em relação a outros homens, em relação a sua felicidade.
    Você merece e acredito que tenha forças pra dar a volta por cima. Existem muitos grupos de apoio a vitimas de abuso, procure um na sua cidade, procure outras pessoas que possam se relacionar ao que você sente, ao que você passou, troquem histórias, conselhos, experiências.
    Aconteça o que acontecer, não deixe que isso se torne um câncer na sua vida, que te coma viva de dentro para fora. Lute e seja uma sobrevivente, e siga com sua vida sendo muito feliz!

  23. Cris,

    Procure, com urgência, um bom psicólogo. Apesar de ter força de vontade para superar isso, só conversando bastante sobre o assunto você vai conseguir. Percebi nas entrelinhas que você tem certo ressentimento por seus pais (principalmente por sua mãe) não terem cuidado de você como você gostaria (e eles deveriam ter feito). Um profissional irá te ajudar melhor a lidar com o ocorrido e até a conversar com seus pais. Isso irá te ajudar a curar essa ferida, para que você possa seguir adiante.

    Boa sorte e tudo de bom!
    Ale.

  24. Esta sou eu, com lágrimas nos olhos, dor no peito, vontade de chorar em pleno trabalho…
    Cruel demais.
    Será que é possível fazer algo além de dizer "fique bem, estamos com você, supere, processe" ou qualquer coisa do tipo?
    Se isso servir como ajuda, pois bem, conte comigo também.

    Eu não consigo ter ideia de como superar isso, mas é preciso.

    Bjs!

  25. Cara Cristina, fico triste com tamanha maldade! Nem sei muito bem como te aconselhar; mas proponho que procures ajuda médica, psicólogos e acredite em você mesma!Libere essa fortaleza que existe dentro de ti; pois é através dela que irás superar o problema. Nada é pra sempre, ainda bem!!Coragem, Cristina!!!Quero um dia ler um comentário seu; contando como conseguiu superar tudo.Força, Fé, Sucesso!!!

  26. Nossa, tenha muita força, querida!!!
    Concordo com uns comentaristas acima: denuncie esse cara! Já passou "muito tempo", mas a violência ainda persiste!
    Espero que você fique bem… procure ajuda, dê a volta por cima :)
    beijo

  27. Eu sou meia revoltada… Acho que tem homem que devia nascer sem pinto!
    Cris, querida… Põe a boca no trambone! Tem coisas que a gente tem que falar. Imagina quantas crianças não foram estupradas por esse ogro?! Infelizmente aconteceu com você e olha como está seu emocional hoje?! Não deixe que aconteça com mais ninguém.
    Se livra desse sentimento pesado que tem dentro de você, isso te faz mal e se você não se abrir a coisa só tende a piorar.
    Graças a Deus que só entrou cara decente e compreensível no seu caminho, vou orar muito por você e espero que você supere toda essa história e seja muito feliz, calada ou falando.
    Bjus

  28. Cris,

    Todo mundo já falou um monte de coisas e eu estou aqui pra engrossar o coro… a culpa não é sua e nem nunca foi! Procure ajuda, não deixe sua vida girar em torno disso para sempre. Vc merece se livrar dessa bagagem, desse peso, dessa dor. Procure ajuda de um terapeuta, e, pode ajudar de alguma forma, escreva para vc, pinte, enfim… coloque pra fora isso tudo de alguma forma. O que for melhor e mais fácil pra vc…

    Parabéns pela sua coragem, vc é uma mulher de fibra! Sair sã de uma situação dessas, infelizmente, é pra poucas! Vc já é uma vencedora!

    Se cuida!!!!

  29. huuum, só quando cresci, comecei a entender o que se passou quando eu era bem novinha, uns 5 anos, engraçado que não lembro muita coisa dessa época, mas disso eu lembro bem. Como sempre alguém próximo, lembro que um tio, irmão mais novo do meu pai, quando ficou em casa só comigo, veio com uma tal brincadeira de médico, onde ele passou a língua em minha vagina, achei estranho, meus pais nunca haviam brincado comigo daquele jeito, não pensei duas vezes e contei aos meu pais, mas lembro que contei sem a intensão de denúncia, não tinha ideia do que estava acontecendo. Sei que depois disso ele não entrou mais lá, e esse assunto morreu, nunca conversei com meus pais a respeito, e também ele nunca mais ficou próximo da gente.

    Por isso que não sei se sinto mais raiva do estuprador, ou da mãe da Cris, criança só confia nos pais, só eles tem amor o suficiente para proteger seus filhos.

    Aconselho que procure um psicanalista, até eu que tive esse leve abuso penso em fazer. Vc já deu o primeiro passo, decidiu dar a volta por cima, agora é procurar ajuda profissional.

    Boa sorte e como alguém comentou aí em cima: Se você é um ser humano incapaz de dar assistencia ao seu filho. NÃO TENHA FILHOS!!!

    • Sim, absolutamente. Mas assim como viver é consequência apenas de ter nascido, ter filhos é a consequência natural de viver. Infelizmente não tem vestibular pra tal. Apesar de em alguns casos as mães terem se omitido, em outros os elas não tiveram como saber, talvez nunca saberão , pelos relatos que li aqui.
      Mas de fato, entre saber e acontecer, metade da desgraça está feita. O que é preciso é repensarmos a discussão do sexo no seio familiar e também no início do período escolar. Não precisamos roubar a inocência de nossas crianças , mas para que outros não mutilem essa mesma inocência, é importante que desde cedo seja possível que a criança entenda uma ação errada vindo até mesmo de um ente querido.
      Parece ser uma discussão bem difícil, pois eh um tipo de problema daqueles que a gente acha que nunca aconteceu ou acontecerá perto de nós. Mas essa pequena amostra aqui no blog da Letícia prova bem o contrário.Possivelmente todos nós temos alguém bem próximo que sofreu ou fez esse mal e nem imaginamos.

  30. Vc já tem coragem suficiente para procurar a justiça, vá à delegacia da mulher, procure por um Juiz pessoalmente. Esse tipo de coisa é inaceitável. Por mais dor que cause, a verdade e franqueza é o melhor caminho, isso inclui a sua família que não cuidou de vc, te protegendo no momento que mais precisou.

    Que tipo de amigo é esse que o seu pai tem hein !!! Muito amigo !!!

    É uma pena que isso ocorra nos lares da família brasileira.

    Cuide-se, tente olhar para a frente, tem um futuro brilhante e uma vida inteira pela frente, permita-se sentir prazer e satisfação com a vida e sexo.

  31. Cris, tambem fui molestada quando crianca por pessoas diferentes, um deles era um primo, ele 16 anos eu 8 anos, passei anos chorando sozinha a noite achando que a virgindade era a coisa mais importante da minha vida…ter que conviver com nossos agressores e' muito traumatizante.
    Fiz muitos anos de terapia que me ajudou muito, tambem compartilho a tristeza do vaginismo, mas essa em outra situacao, uma situacao de depressao extrema, depois de uma depressao pos-parto, hoje estou curada, fiquei muito feliz quando voltei a ter prazer nas relacoes sexuais e minha lubrificacao voltou ao normal.
    Beijos em seu coracao continue com sua coragem e enfrente seus fantasmas…
    Lelia

  32. "cristina"… não consigo falar nada. sinta-se abraçada. estou aqui desejando muito amor nessa sua vida e paz. que sua vida mude pra melhor e que vc possa ter boas lembranças pra poder sorrir e andar pra frente. um beijo.

  33. Cristina, torço para que você se sinta cada dia mais forte e serena. Eu também fui vítima de pedofilia. Minha família sabia e não fez nada. Só parou porque cheguei a adolescência e tive forças para pôr um ponto final naquilo eu mesma. Mas as marcas ficaram.

    Também sou considerada fria pelos outros, antes eu nem conseguia chorar, não sou de esboçar nenhuma grande reação, nem de contentamento nem de desagrado. Eu sinto, sinto intensamente as coisas ao meu redor mas essas emoções, esses sentimentos morrem todos na garganta. Era assim que eu reagia ao abuso pois notava que quanto mais eu demonstrasse dor e resistisse mais eles gostavam, então não dava essa satisfação, só ficava apática. Mas não tem nenhum botão que nos permita mudar isso quando o abuso acaba.

    Precisamos vencer muitas camadas de medo e dor para chegar lá naquela parte dentro de nós que precisa ser curada. Depois de adulta, fiz terapia durante algum tempo e me ajudou bastante. Coloquei para fora muita coisa ruim e hoje me sinto mais capaz de lidar com isso. O processo de cura é um caminho de luz para dentro de nós mesmas. Vamos abrindo caminho entre a escuridão, o silêncio, a imobilidade, a vergonha, a fúria contida. Vamos nos empoderando, embora muitas vezes não damos conta disso só porque no início não temos parâmetros para saber como é estar bem. Mas tudo se aprende, aprendemos a cultivar todo dia a felicidade dentro de nós.

  34. Eu concordo com o comentário do Ale quando diz que será muito difícil superar o problema sem passar por uma reflexão sobre a sensação indubitável de ressentimento com relação aos pais, sobretudo a mãe, que foi a pessoa para quem a Cris escolheu contar o que houve. Também não avalio de imediato que seja a melhor solução a denúncia. Para combater esse tipo de violência o melhor investimento é em fatores educacionais/culturais. E para a Cris, pode redundar em muito mais sofrimento.
    Cris, te desejo muita força para seguir com sua superação que já se iniciou. Você está se descobrindo e isso deve ser valorizado e deve ser o foco das suas atenções. As mulheres que não sofreram abusos mais graves reconhecem, pelo menos, um nível de constrangimento às nossas ações presentes no cotidiano. É o tipo do caso de quando lemos no jornal que uma mulher foi estrupada e questionada imediatamente porque estava em local público, vazio, à noite, etc…
    Então, queria dizer apenas que compartilho com todos aqui o mesmo sentimento de indignação e de comunhão em torno da nossa amiga Cris.

    um grande abraço!
    beijos

  35. Cristina,
    Para começar, sei que não há palavras que sejam capazes de te consolar, não mesmo. Mas mesmo assim, gostaria que você não se sentisse tão sozinha. Falar para você procurar a justiça é mais fácil do que procurar a justiça em si, mas não posso deixar de esperar que você procure, pois isso não pode passar impune. A crueldade do que esse homem fez ultrapassou muito o limite da violência física. Se você tiver condições, não deixe de procurar a justiça. Por outro lado, tente conversar com sua ginecologista sobre o que aconteceu, ou então com um psicanalista. Muitas vezes as pessoas que estão mais próximas da gente são as que menos conseguem nos ajudar, então talvez um profissional te dê alguma luz sobre como sair desse poço. Tenho 20 anos e minha mãe tem 70, então você pode imaginar a impossibilidade que é para mim conversar sobre qualquer assunto desses com ela. Ter uma médica de confiança me deu coragem para me conhecer melhor, e confesso que com a análise, tenho esperanças de melhorar ainda mais, de ter menos medo. Portanto, desejo o mesmo para você, sob qualquer circunstância. Sei que conselhos muitas vezes são vazios – justamente por serem conselhos, e não soluções, e muitas vezes a solução seria se nada disso tivesse acontecido – .

    Espero que você fique bem, de verdade.
    Beijos,
    Danielle

  36. Cris, acredito que é sempre possível recomeçar…! Procure ajude psicológica ou psiquiátrica pra poder superar, na medida do possível, é claro, esses acontecimentos. Não consigo nem imaginar o quão horrível foi tudo isso para você, mas querendo ou não, agora está no passado e você ainda tem mto tempo pela frente… gaste-o sendo feliz! Existem muitas pessoas inescrupulosas nesse mundo, mas também tem muitttaaa gente bacana por aí! Que estará disposta a te ajudar, que irá gostar de vc de qualquer jeito, até do avesso! Reflita sobre procurar esse homem novamente ou não (vi vários conselhos sobre isso). Só vc pode saber onde encontrar alívio…! O problema com o vaginismo tem solução, procure um (a) ginecologista. Não se desespere, sempre há uma solução! Você estará inclusa em minhas orações nessa semana! Não sei se vc acredita em Deus, mas saiba que a justiça Dele nunca falha! Desejo que vc estude, trabalhe, namore, curta a família, os amigos, viaje, beije, transe, dance, leia, se divirta muito! Um beijos carinhoso, Laís.

  37. Tudo passa…

    Todas as coisas na Terra passam.
    Os dias de dificuldade passarão…
    Passarão, também, os dias de amargura e solidão.

    As dores e as lágrimas passarão.
    As frustrações que nos fazem chorar… Um dia passarão.

    A saudade do ser querido que está longe, passará.

    Os dias de tristeza…
    Dias de felicidade…
    São lições necessárias que, na Terra, passam, deixando no espírito imortal
    as experiências acumuladas.

    Se, hoje, para nós, é um desses dias,
    repleto de amargura, paremos um instante.
    Elevemos o pensamento ao Alto
    e busquemos a voz suave da Mãe amorosa,
    a nos dizer carinhosamente: 'isto também passará'

    E guardemos a certeza pelas próprias dificuldades já superadas que não há mal que dure para sempre,
    semelhante a enorme embarcação que, às vezes, parece que vai soçobrar diante das turbulências de gigantescas ondas.

    Mas isso também passará porque Jesus está no leme dessa Nau
    e segue com o olhar sereno de quem guarda a certeza de que a
    agitação faz parte do roteiro evolutivo da Humanidade
    e que um dia também passará.

    Ele sabe que a Terra chegará a porto seguro
    porque essa é a sua destinação.

    Assim, façamos a nossa parte o melhor que pudermos,
    sem esmorecimento e confiemos em Deus,
    aproveitando cada segundo, cada minuto que, por certo, também passará.

    Tudo passa…
    exceto Deus.

    Deus é o suficiente! (Chico Xavier)

    FORÇA CRISTINA!

  38. critina eu ja pasei por isso e sei muito bem como e! sabe consegui tocar a minha vida a diante e hoje tenho uma vida quase normal pois as lembraças ficao para sempre…
    voce ira encontrar uma pessoa q a ajudara a superar todos os contratempos da vida!!!! muitas felicidaes e com força de vontade tudo sera superado…

  39. Olá para Letícia e Cristina.

    Passei por situação muito semlhante quando tinha em torno de 7 anos de idade. No meu caso fui abusada pelo namorado de uma tia minha, que a pretexto de me levar para comprar balas, ia comigo para um terreno abandonado e fazia o que você já deve imaginar. A diferença é que eu era muito criança e, além de não entender, não tinha para quem contar.

    Os abusos somente pararam quando, graças a Deus, esse doente morreu atropelado. Lembro de comemorar a morte dele sob críticas da minha tia que dizia "que feio, fulano gostava tanto de você!"

    Esqueci desse assunto por anos! Voltei a lembrar quando entrei na adolescência e fiquei em choque, chorei muito. Guardo sequelas emocionais, como desconfiar de estranhos e sempre manter uma certa distância das pessoas, mesmo com os amigos mais próximos o contato físico me parece um pouco estranho. Além disso, fico mais atenta ao ver adultos perto dos meus sobrinhos pequenos.

    Lembro desse assunto com frequência, mas quando essa lembrança me vem, repito pra mim que todo o mal que ele poderia me causar já passou.

    Hoje sou casada e feliz, tornei-me mãe e segui em frente, fiz isso por mim. Não tenho problemas sexuais, meu marido sabe do que aconteceu, mas isso nunca afetou nossa relação e acredito que minha decisão lá atrás de aceitar que aconteceu, e que não tem volta, e que só me resta seguir não deixa espaço para mais nada.

    Espero que você também consiga superar e, principalmente, consiga seguir em frente e ser feliz.

    Beijos!

  40. Eu não sei o que dizer para dizer o quão triste essa história é. Acho que nenhum homem conseguirá entender uma tristeza dessas, infelizmente. Mas acho que a @mlaudeauser conseguiu falar, basicamente, tudo o que eu gostaria de falar. Achei certo tudo o que ela escreveu.

    Como mensagem pessoal a autora do email, meus desejos que haja alguma forma de você conseguir minimizar os efeitos (já devastadores) que tudo o que foi dito causou. Pode ser difícil, pode ser demorado, mas não desista de uma das coisas que mais gera prazer a uma pessoa, que é o lado sexual. Ainda mais agora que você tem uma pessoa compreensiva para estar do seu lado.

    Força, moça. Toda a força que uma pessoa pode ter.

  41. Cristina, todas as vezes que leio histórias como a sua me pergunto como alguém (que eu me recuso a chamar de humano) pode fazer isso com uma pessoa indefesa. Me dói, me dá nojo, raiva, dor… mas eu sei que tudo isso é infinitamente menor do que você sentiu e sente.
    A você, querida, toda paz e coisas boas do mundo. Procure pessoas que possam lhe ajudar, terapia, amigos e saiba que você não está sozinha. Uma vez li no blog da Lola uma frase em um post que falava exatamente sobre estupro: mexeu com uma, mexeu com todas. Você não está sozinha, saiba disso.
    E, Letícia, obrigada por este e outros posts… são de abrir os olhos e sensibilizar a alma.
    Um beijo.

  42. É, infelizmente me entristece saber que isso sempre acontece. E é com aquele PAIZÃO de FAMÍLIA que ninguém suspeita. Outro dia soube que uma mulher do condominio vizinho ao meu foi abusada pelo zelador de anos, e ele vivia rodeado de crianças… A questão não é desconfiar de tudo e de todos a questão é ser pai, mãe, parente, conhecido que, se souber de algum sinal de abuso, EVITAR, DAR ESCÂNDALO, CHAMAR A POLÍCIA! E não JOGAR PRA DEBAIXO DO TAPETE. Deixar pra lá. O que essa mãe fez pra ela foi lamentável, foi como um segundo estupro, só que por omissão. Sua coragem de se expor já um grande passo nessa terapia de vida. Acho que além da questão física do vaginismo procure pensar no perdão em relação a seus pais, sobre a omissão deles, acho que é um dos passos que te ajudará a se libertar. Força pra ti pessoa linda!

  43. Bom, tbm sofri abuso quando criança, mas por sorte ñ chegou as vias de fato.. Mesmo dps de 15 anos tenho meus traumas e assim como Cristina acho meu corpo sujo, e nunca consegui transar na minha vida. Sempre que começo um relacionamento e o msmo começa a esquentar, termino, dou desculpas e pulo fora. Queria ter uma vida normal, mas mesmo sabendo que n tive culpa alguma pelo ocorrido, me sinto culpada. É complicado! Ninguém da minha família sabe, busco forças p procurar ajuda com um psicólogo e ter uma vida normal.

  44. estou impressionada com o nro de pessoas que comentaram e que foram abusadas qdo crianças.
    Acho que estou mais revoltada com a mãe da cristina do que com o estrupador.

    Cristina, vc já tomou o primeiro passo que é acreditar e querer sair dessa. procure ajuda médica, é necessário apoio, orientação para vc seguir em frente.

    boa sorte, bjs

  45. Que sensação de vazio, de asco, difícil dizer.
    Qualquer tipo de violência já é horrível, violência sexual é pior, e ainda com quem não tem condições de se defender é inominável.
    Acho que antes de fazer a denúncia a Cris teria que confirmar nos códigos penal e processual penal se o crime do qual ela foi vítima pode prescrever ou não.
    Falo isso porque se de repente ela leva a denúncia em frente e o crime, por algum motivo, prescreveu, bom, o ser abjeto escapa e pode querer se vingar, a preocupação é salvaguardar a Cris, protege-la, ela já passou por coisas que ninguém pode imaginar e não merece uma desilusão causada por detalhes técnicos.
    Como já foi dito, Cris, tenha a consciência que você não tem culpa de nada, você é vítima e qualquer opinião em contrário não passa de devaneios de pessoas que não tem noção de vida.
    Para quem passou o trauma que você passou, é normal ter uma atitude arredia, parecer antissocial.
    Para mudar isso, não é só querer, você tem que superar o trauma, começar a se aceitar, compreender que não há nada de errado com você.
    Se ame, se perdoe (mesmo você não tendo nenhuma culpa), esse é o primeiro passo, tenha segurança de si.
    Procure um profissional da área da psicologia, alguém que lhe ajudará a superar tudo.
    Se dê a chance de ser feliz, você merece ser uma pessoa completa, plena de felicidade, de amor, não deixe esse infeliz que lhe roubou a inocência em tão tenra idade viver como sombra em sua vida.

  46. Eu também fui violentada,minha mãe ficou gravida na adolescência e uma familia amiga da minha avó me criou. Eu devia ter uns 5 anos quando começou a acontecer, meu próprio "pai",td começou com beijos de lingua e depois a coisa foi evoluindo isso aconteceu até os meus 16 anos, por muito tempo eu acreditei q aquilo era uma coisa normal, que acontecia com todas as minha amiguinhas, depois comecei a achar q meu pai fazia aquilo porque era doente, quando me dei conta do que realmente acontecia ali comecei a sentir nojo de mim, também contei pra minha mãe e ela finge até hoje que nada aconteceu. Hoje tenho 25 anos, moro sozinha, não tenho nenhum problema sexual,mas tenho dificuldade em ter relacionamentos sérios, sempre procuro me relacionar com pessoas que moram longe ou que por algum outro motivo não podem se envolver comigo. Outro dia em uma conversa com as amigas sobre nossas infâncias, no meio de lembranças felizes surgiu a lembrança de ser despertada pelo meu pai me tocando no meio da noite. Não adianta a ferida nunca cicatriza.

  47. Olá Cris, Olá Lê.
    Ao ler a história da Cris percebo, o quanto estamos acostumados a pensar que só nós temos problemas e como olhamos apenas a superfíce dos que estão a nossa volta.
    Ao acabar de ler, fique como muitos paralizada, depois enojada e revoltada como pode existir pessoas que façam mal a crianças,mas também me perguntei o que eu faria se fosse comigo ou algum parente ou amiga. E acabou que não tive nenhuma resposta pois fiquei apavorada. E eu acho que você, Cris, ainda sente este pavor e isso me deixa muito triste.
    Acho que você deve procurar uma psicologa, psicoterapeuta e se precisar ou um psiquiatra para que possa superar por completo todo esse triste episódio. ( Um dos métodos que pode ser bom para você é a hipnosr, onde incialmente você entra mais profundamente em contato com todos os seus medos e sentimentos que surgiram para que a partir dai você possa superá-los.)
    Te desejo muita força e que você supere tudo, para que possa seguir vivendo feliz e plena, e que tudo possa como deve ser: sem medos, sem pavor e sem culpa, pois você não tem culpa de nada(sempre lembre disso).
    Bjssss, Ludi

  48. eu passei por isso na infância tb (não sou mulher)… entendo perfeitamente o que se passa na cabeça na hora do sexo que deveria ser natural quando já somos adultos

    eu ainda não superei nada disso

  49. Acho q todos os homens q fazem este tipo de coisa deveriam ser castrados e depois seus testículos serem servidos como iguaria em restaurantes (tipo testículo de boi).

  50. ai "cris" que historia triste! imagino como teve uma infancia- adolescencia- vida adulta dificil… é terrivel pensar q existe um homem assim! se pudessemos fazr algo por vc fariamos n tenhas duvida. torcemos muito para q fiq bem ! vc é uma vitoriosa n se esqueça disso, depois de tudo o q te aconteceu vc ainda estar aqui relatando tudo! axo vc pelas suas palavras uma pessoa forte! te dou parabens e desejo tudo de bom na sua vida . keria ser sua amiga para poder estar ao seu lado te escutando, te aconselhando… keria saber como é hj a relaçao com sua mae..
    abraços kerida

  51. Bom.. não sei direito por onde começar. Mas, não posso dizer " eu sei como é" pois seria a mais pura mentira. Eu sei que faz muito tempo, mas algo assim a gente não esquece, talvez nunca. Mas voce pode (e deve!) dar um jeito de superar isso. Não se sinta suja, jamais .. Não tive a oportunidade te conhecer para dizer que você é linda. Mas de alguma maneira você deve ser .. e tente se apegar as pessoas. A um amigo, eu super recomendo. Tenho um melhor amigo pra tudo .. assim, com alguem de confiança do lado a vida fica mais facil.
    Só quero te desejar tudo de bom nessa vida. E não se sinta mal por nada, a culpa nunca foi sua.
    Um enorme Beijo.

  52. Também passei por algo semelhante, me sinto suja e culpada. E não consigo conversar com ninguém sobre isso, nem mesmo com minha família.

    Na hora 'H' com pessoas legais, não consigo de maneira nenhuma me 'soltar' fico sempre nervosa e com sensação ruim. 'quero e não quero', o corpo quer mais que a cabeça.
    Como relaxar?
    Como superar?

    Também não consigo conversar isso com minha psiquiatra.
    É bom ter espaço assim pra 'conversar'.

  53. "Cristina", desculpa por comentar anônimo, afinal, quando sabemos quem é o outro fica tão mais fácil acreditar.
    O que quero dizer é que o crime de pedofilia prescreve sim no Brasil, infelizmente. A denúncia só vale até a pessoa completar 18 anos e 6 meses. Caso tenha alguma dúvida, vá a uma delegacia da mulher e elas te explicarão direitinho.
    No meu caso a denúncia só aconteceu porque descobri que estava abusando da filha, que teve um surto psicótico. Para que acreditassem nele precisei contar o que havia acontecido comigo e, depois disso, veio um coro de mulheres contando a mesma história. Todas que, na época, eram crianças como eu, convivendo na mesma família. Um sofrimento silencioso, uma dor incontrolável.
    Sentir raiva da minha mãe não adiantou, o que resolve mesmo é a terapia. Faço há 2 anos e meio e te digo que isso melhorou minha vida em 200%. Já consigo conviver com a minha mãe de novo, estou melhorando a forma de me relacionar com as pessoas em geral, mas sei que ainda há um longo caminho.
    Procure um especialista, se não gostar procure outro, até que encontre alguém em quem confie e possa chorar, brigar, xingar tudo que precisa. Até que os dias fiquem mais azuis e um dia essa experiência esteja guardada em uma caixa, no seu armário, para ser lembrada apenas nos momentos em que precisar defender seus filhos ou qualquer criança próxima, pois conhecerá alguns sinais. Sim, as tristezas e tragédias também servem para proteger a quem amamos. E mais: seja feliz! Essa é a maior vingança contra quem nos faz mal: felicidade e superação.

  54. Cris e Lê,

    Sempre fico triste ao saber de histórias assim, porque me fazem lembrar da minha. Quando tinha 7 anos meu avô materno abusou de mim enquanto minha mãe e avó estavam fora. Na época não entendia muito, porque sexo sempre foi tabu, mas as lembranças ficaram até a adolescência. Tinha muita dificuldade de relacionamento, de fazer amizades e confiar nos outros e até em mim mesma. Pensava: se alguém da família é capaz de fazer isso, como é que vou confiar em mais alguém?

    Não tive coragem de contar para minha mãe, ela sempre diz para mim 'seu avô era um bom homem'. E o medo de ela não acreditar?

    Até hoje lembro do dia que ele morreu. Para mim, foi um alívio e comemorei internamente.

    Ainda bem tive uma professora no colegial que me ajudou muito. Ela percebia o meu comportamento diferente na escola e tentava conversar comigo, até que um dia desabafei, contei o que tinha acontecido e chorei até não aguentar mais. Depois, descobri que essa professora também era psicóloga.

    Hoje, ainda tenho dificuldade de relacionamento, principalmente com homens, mas aprendi aos poucos e com a ajuda dessa professora a perder o medo e tentar não fazer desse acontecimento algo que me impeça de viver. É difícil, mas aos poucos a gente consegue.

  55. Cristina, lamento muito pelo que passou e pela dor que você tem, causada por um ser doente. Eu sofri abusos entre 6 e 7 anos de idade, por um tio, que vinha passar a mão em mim na minha cama, à noite, e me dava dinheiro para o lanche e me colocava no colo, de dia. Não chegou à penetração, mas isso não minimizou o meu sentimento de culpa e a sensação de que o sexo era algo muito secreto, que não era natural. Foi muito dolorido ter a primeira relação sexual, com o primeiro namorado. Não entendia o motivo da dor. O namoro durou 6 anos e consegui ter uma vida sexual muito boa, porque ele era bem carinhoso. Decidi trabalhar essas lembranças quando um amigo, estudante de psicologia, me disse que uma criança que urina em sala de aula, sem motivo aparente, pode estar sofrendo abuso sexual. E me lembrei que passei por isso na escola. A professora foi muito gentil, mas tive que aturar um moleque que me beliscava e me chamava de fedida. E eu me calava, achando que ele tinha toda a razão (eu estou conseguindo reagir a grosserias de um ano pra cá, aos 28 anos!). Uma decisão importante que fiz, para sair da solidão do segredo, foi tirar este peso de mim. Contei aos meus irmãos (meus pais nem imaginam) e procurei uma terapeuta, que me ajuda bastante. Muito problema que eu estava atrelando a estas lembranças, às vezes, não tinha a ver. Não estou diminuindo o significado desta experiência terrível mas, se a gente não se cuidar, ela passa a ser o centro de tudo de ruim que a gente vem a fazer ou pensar para nos sabotar. Já pensei em denunciar o meu tio, que mora bem longe, já tive muita raiva dele. Já imaginei que, se ele tivesse na cadeia, não teria engravidado e tentado provocar o aborto da namorada dele, de 16 anos(ele tem quase 50, hoje). Eles hoje estão casados e têm 2 filhos. Fiquei pensando se eu o denunciasse a vida dessa menina seria diferente, se eu tivesse poupado as vidas destas crianças. Não sei. Penso se a polícia, meus familiares, iam dar crédito a uma criança, mesmo eu denunciando agora, na vida adulta. Com que provas? Não sei. No fim, optei por me cuidar para tirar o rancor e raiva dele de dentro de mim, afastar os "amigos" e ficantes grosseiros, e tentar ser feliz me conhecendo, sendo gentil e menos preconceituosa com as pessoas. Não é um processo rápido e fácil. Ser responsável pelo amor por nós mesmos e pela humanidade é uma missão que, infelizmente, poucos estão assumindo. Por isso que me identifico muito com a proposta da Letícia, de nos relacionar com afeto, mesmo que casualmente. Gentileza é muito importante. Torço para que tenha muita força e coragem para superar isso, Cristina. E espero que seja muito feliz. (desculpe-me pela carta longa)

  56. Cris, nessa vida nem sempre entendemos por que determinadas coisas acontecem… mas tenha certeza de que seja o motivo que for, você é uma vencedora por ter dado a volta por cima, com coragem pra relatar sua história, você é livre de qualquer culpa que possa estar sentindo… Que sua vida seja linda daqui pra frente! Muito carinho pra ti! Fica com Deus! Adriana sueming@bol.com.br

  57. Só queria acrescentar sobre a necessidade de ensinar aos nossos filhos, dialogar e combater esse tipo de situação… tenho uma filha de 11 anos e desde que ela tinha 5 anos já falava com ela sobre menstruação, sobre não deixar pessoas estranhas tocar em suas partes mais íntimas e sobre pessoas às vezes querer botar medo nela sobre não comentar isso ou aquilo comigo. Ela sempre aceitou bem as informações e sempre ficou muito esperta com esse tipo de "jogo" de certas pessoas pervertidas. Informação ainda é a melhor arma, melhor prevenir que remediar, pensem nisso! sueming@bol.com.br

  58. Uma história lamentável, causa repugnância. A única coisa que posso dizer é que este desabafo diminua a dor da amiga. Que ela não guarde rancor e sim compaixão. Deus olha por todos. E que ela consiga ter prazer com seu corpo com um grande companheiro. O bom é que é jovem e saberá e conseguirá superar isto. Se necessário procure ajuda. Fique com Deus.

  59. Cristina,
    Vc não está sozinha. Todos somos pessoas diferentes, com histórias de vida diferentes, mas todos nos encontramos na dor seja ela qual for, somos todos pessoas iguais.
    Vou orar por vc,querida. E imaginar muita luz no seu caminho.
    Procure ajuda de um bom profissional e um que vc se identifique. Um bom psicólogo. Dê suporte também ao seu lado espiritual seja ele qual for. Não desista de superar isso. Qualquer mudança em nossas vidas é trabalhosa e leva tempo, mas ela chega, é só não desistirmos.
    E acho q vc deveria denunciar esse monstro. Talvez isso até te ajude a passar por cima dessa história.
    Não desista de vc e de tudo o que de melhor a vida pode te trazer e isso inclui, é claro o sexo.
    Seja forte, vc vai conseguir.
    Um grande e carinhoso abraço.

  60. Que Deus possa confortar seu coração. A justiça do homem é falha, a de Deus não. Essa pessoa certamente é um infeliz que terá que responder pelo que fez. Não se preocupe com ele. Dele, Deus cuida.
    E de você também. Tenha fé e busque ajuda médica, psicológica para superar esse trauma e se permitir ser feliz e ter uma vida plena. Você não deve pagar pelos erros dos outros. Cuide de você. Li que existem tratamentos pro vaginismo. Procure um terapeuta sexual também. Trabalhe suas emoções. E tenha força, coragem e fé. Tudo há de se resolver.

  61. Meio que me reconheci nesse relato.Eu fico feliz que ela esteja conseguindo dar a volta por cima.Atualmente estou namorando um cara legal, e paciente, mas as vezes me sinto obrigada a fingir que tô gostando pra não ficar como a fria.O que dá mais raiva em tudo isso, é que esses fdps tomam o nosso direito de ter uma vida normal mesmo qnd são punidos as pessoas olham desconfiadas paras quem sofreu a violência.
    Ah vim ver o seu blog de tanto que falaram mal dele pra mim, mas adorei ter conhecido ^^
    ( Clara)

  62. oi leticia
    você escreveu "Às vezes a gente vê alguém com tudo o que se imagina ser necessário para encontrar a felicidade:a pessoa é jovem, bonita, faz faculdade, mora bem, não tem problemas de grana."
    E eu lembrei de um trecho de uma música: "Cada um sabe a alegria
    E a dor que traz no coração".

    Realmente, este post é muito triste. E nós nos sentimos impotentes,sabendo que milhares de crianças ,jovens, mulheres no mundo inteiro sofrem de abuso sexual.O trauma psicológico é devastador e as vezes o dano é irreversível.

  63. Não tenho o que falar. Imagino o desespero, a sensação de não ser nada que você sentiu… Imagino que talvez maior que a dor de ser violada foi ser ignorada pela sua família…
    Espero que consiga superar, que encontre um bom terapeuta, pois se você ainda não procurou ajuda com um recomendo fortemente que procure. Certas coisas é muito difícil para apenas uma pessoa lidar.
    Não consigo escrever… Mas lhe desejo força, que consiga superar isso e que não deixe que isso continue machucando e roubando sua vida.

  64. A unica coisa que me vem a cabeça é, morte a esse fdp, isso não é homem, não é gente, mas não basta morrer, antes tem que sofrer pra pagar o que fez.

  65. Oi, Cristina!!!! Sinto muito por vc ter passado por tudo isso. E por ter enfrentado a conivencia de sua mãe. Minha área é de crimes violentos e já ouvi, infelizmente, muitas histórias como a sua, minha linda. Inclusive acompanhei várias mulheres casadas que não conseguem ter prazer em sua vida sexual por causa do abuso sofrido quando criança ou na juventude.Linda, vc é corajosa em contar sua história!!! Vc precisa procurar ajuda psicológica para enfrentar com mais força esse trauma. Vc tem enfrentado com muita coragem, mas ele é muito pesado para vc sozinha. Procure um bom profissional e divida com ele. Não que ele vá lhe dar uma solução mágica, mas vai te ajudar a colocar essa dor no lugar certo e minimizar todo esse trauma. Acredite: há luz depois de tudo que vc passou!!! E essa lembrança pode deixar de ser tão dolorida. Procure ajuda profissional. Faça por vc!!! No inicio, será dificil, mas vc vai conseguir mudar sua vida. Pelos casos que acompanhei, te garanto que essa marca indelevel vai melhorar. Beijo e boa sorte, querida!!!

  66. Cris querida,espero ajudar

    Sei bem o que você sente,sofri abuso quando estava com mais ou menos 4 anos,da parte do filho de amigos dos meus pais,que na época tinha uns 20 poucos anos.Não chegou a ter penetração,mas ele fez outras coisas e só fui entender bem mais tarde que aquilo era sexo.Me sentia suja,usada,como se fosse culpada por algo…até hoje morro de nojo de caras mais velhos,e criei um grade pé atras com os homens em geral.É horrível,nos sentimos sozinhas,imensamente sós,temos vergonha do fato,eu tb sentia vergonha do meu corpo,chorava tds os dias,queria morrer,queria que ele morresse,isso me destruíu por anos,chegava até a achar que não merecia ser feliz.Fiquei bastante tempo sem ver o monstro,e quando estava com uns 15 nos encontramos novamente,eu só queria sumir,ele evitava me olhar nos olhos,com receio de eu me lembrar do que ele era.E sim eu lembrei,a vida quase td,a atitude podre e egoísta de ´´gente´´como ele que obtém prazer se aproveitando de alguem que nao tm defesa,essa lembrança me acompanhou por mt tempo.Na época nao tive coragem de fazer nd a respeito,hoje mais fortalescida,talves eu falasse td o que penso na cara dele,nao mais com a raiva que eu senti a vida td,mas hj com nojo e quase pena,repúdio e a revolta de que nao quero que mais ninguem sinta o que eu senti.Posso te dizer que algo que me ajudou muito foi fazer terapia,tem coisas que estao de tal forma gravadas em nós,que sozinhas não conseguimos curar.Sei o que vc sente,e muitas outras meninas e meninos tb o sabem,nós nao temos culpa de nd,e não merecemos pagar a vida toda pela atitude abominavel que esses monstros cometeram,o erro foi deles.Sério procure um bom profissional,um que vc se sinta a vontade de se abrir,bota isso pra fora e trata dessa ferida,vc precisa e merece,e não se martirise mais,tens uma vida linda pela frente que deve ser feliz,vc merece isso.A tristeza pelo trauma sempre fica,mas a terapia te ajuda a se ajudar,para que vc siga em frente com o coração muito mais leve.

    boa sorte de coração

    • Olá Naty, Bom, sou a Tata de um dos primeiros comentários deste post e me identifiquei muito com seu comentário. No meu q escrevi, não tive forçar para termina-lo, mas lendo o seu post vc me deu coragem e força para o faze-lo pois como vc decidi deixar esse pesadelo para trás.
      Muito Obrigada e Boa Sorte!

  67. Olá Cris, oi Letícia!

    Muito interessante o post e os comentários…
    Gente, todos que sofrem qualquer tipo de abuso merecem todo o apoio, e acredito realmente que hoje estamos criando uma corrente de boas vibrações, de ótimas energias e mto amor pra Cristina!!!! Pq estamos todos aqui sensibilizados com a história dela.
    O que me intriga é que o abuso acontece desde os primórdios até hoje, e infelizmente continuará acontecendo. Espero que cada vez mais pessoas tenham coragem de denunciar.
    Se cada pessoa aqui dos comentários mesmo, tivessem alguma ação assim que se dessem conta do abuso que sofriam, algo já teria mudado consideravelmente. (não tenho pretensão nenhuma de repreender ngm, só temos aqui uma amostragem real, com cada revelação aqui nesses comentários de hj)
    Temos que ser mais fortes, fazer de nossas próprias experiências, sejam elas ruins ou boas, exemplo para a geração futura e para nossos iguais.
    VAMOS A LUTA, VAMOS AGIR, E VAMOS MUDAR O NOSSO COTIDIANO, AS PESSOAS QUE ESTÃO EM VOLTA.
    Não digo que será fácil, mas tenho certeza que seremos recompensados.
    É só ver o que aconteceu aqui, a mobilização e a empatia que temos com nossos semelhantes.
    Vamos além, vamos crescer e dar a chance de fazer as crianças que estão a nossa volta terem a ingenuidade, e a integridade preservadas até o momento certo.
    Parabéns Cris, siga em frente.
    Parabéns Letícia, tu sempre nos surpreende!
    Bjos

  68. Cris.. passei por algo parecido sabe, o qe tenho a tde dizer é que tenha força e corageem pra seguir em frente e nada como carinho, aor e compreensão pra resolvermos os nossos problemas e traumas, aos poucos nos recuperamos, não se sinta a pior pessoa do mundo porque tudo passa. Procure ajuda psicológica, muita gente passou e passa por isso! esse cara merece sim ser denunciado, mas que decide é vc! torço pela sua felicidade seempre…
    Um abraçoo

    p.s.: Letícia parabéns pelo blog eu adoro leer (ah o novo tbm tah excelente) bjO

  69. Tbm passei por isso. Enquanto a pessoa que abusou de mim estava viva eu nunca falei nada sobre o assunto. Agora que ele morreu – de uma morte dolorosa – decidi ajudar adolescentes que passam pelo mesmo problema. Procure um terapeuta, a memoria nao sera apagada, mas torna o peso mais suportavel.
    bjs

  70. "Nesse momento eu só chorava. Lembro que eu tremia de dor, e chegou um determinado momento que minha pressão caiu, e só assim, ele parou."

    quem consegue ler isso sem chorar?
    sem sentir vontade de vomitar….
    nao dá pra comentar, nao tem o que comentar!

    força Cris

    Edu-araras

  71. Cristina, estou aqui boquiaberto como uma coisa dessas possa acontecer. A sensação de repugnância só não é maior que a indignação. Mas não deixe se abater agora que você conseguiu a força interior para iniciar a superação desse trauma todo que simplesmente bloqueou sua evolução. Mas se você perceber que não esta conseguindo superar sozinha, procure ajuda de um profissional, não é nenhuma vergonha nem atestado de loucura ir a um terapeuta, de qualquer linha. E faço votos que, além de você superar tido isso, este ser desprezível que apenas na genética tem alguma humanidade pague pelo que fez. Não tem com voltar no tempo para corrigir, mas tem você se corrigir para que o tempo a por vir seja muito melhor. Um grande abraço Jou

  72. Falar sobre esta experiência horrível do lado de fora, embora haja comoção geral, não é a mesma coisa. Eu realmente sei do que Cristina fala.
    Fui abusada por meu padrasto dos 8 aos 14 anos.
    Eu não entendia, pensava que eu era culpada por aquela atrocidade, me sentia suja, e pensei em me matar, já naquela época eu não tinha mais os meus pais.
    Consegui achar minha família de sangue e sair de lá. Um dia, eu já com quinze anos, contei para a minha tia dos fatos.
    Fomos na delegacia da cidade, e todo o processo correu, sendo em fui exposta em exames médicos e depoimentos de rotina em um processo judicial. Porém, como era forçada a fazer sexo anal e oral, e nunca vaginal, foi comprovada a integridade do meu hímen,e ele foi inocentado.
    Hoje a legislação mudou, enfim, não interessa o orifício que foi violado, mas as cicatrizes que ficam dessa violência.
    Como fui me recuperando?
    Fui a psicólogos (de nada adiantou…), procurei a espiritualização através de uma igreja evangélica, que me proporcionou paz… Mas o que mais me fez recuperar foi uma vontade imensa de viver.
    Lembro desses momentos terríveis em flashes, não procuro lembrá-los…
    Eu desejei ser feliz, me isentei dessa culpa inexistente, quis ser amada e sou por todos que me cercam, principalmente minha família, que me ouviu, lutou e sofreu comigo.
    Quanto à minha vida sexual, começou aos 20 anos, e até pouco tempo eu era extremamente travada. Depois de dois casamentos mal sucedidos ( a culpa não foi do trauma), conheci uma pessoa que me ajudou a encontrar a minha plenitude sexual, a gostar de mim como sou e viver plenamente. Sofri, e sei o quanto, mas decidi não mais sofrer por isso. Foi duro chegar até aqui, mas aprendi que sofrimento inevitavelmente vem, mas posso optar em melhorar minha vida e deixá-lo para trás.Beijos querida, e busque a sua felicidade, a qualquer custo!

  73. Conheci o blog há poucos dias, e nem ia comentar, mas depois de ler isso não pude ficar calada. Hoje li uma reportagem sobre uma mulher pernambucana que mandou matar o pai com quem teve 12 filhos e foi – merecidamente – absolvida. Minha primeira reação e de vários comentários foi relacionar esse horror a miséria daquela situação específica, mas depois de ler tantos pessoas que sofreram situações semelhantes posso ver que isso é muito mais comum e próximo do que imaginamos. E não é só o abuso em si, mas as reações da família de esconder o que aconteceu e da vítima em se sentir responsável e envergonhada. Do que vai adiantar manter isso escondido? Manteremos uma postura de civilizados e perpetuamos a barbárie. A postura das famílias que eu vi relatada é de sujeição e até permissão com o agressor, não consigo não me indignar. Sou formada em direito, estudo direitos fundamentais e não consigo não desejar a morte de que comete e quem deixa isso acontecer. Acompanho a opinião de algumas pessoas acima e acho que o abuso deve ser denunciado, se ainda não prescrito, e nem só por ela, mas pra acabar com esse tipo de prática que me parece arraigada na nossa sociedade.

  74. Sou pai, tenho 30 anos e uma linda menina de 7anos. Sou separado da mãe dela a dois anos. Sempre tentei não pensar qeu coisas assim pudessem acontecer, mesmo porque, não estando perto da minha filha constantemente, eventualmente a mãe dela vai arrumar um namorado (como já tem) e peço a Deus que uma coisa dessas nunca aconteça. Apesar da pouca idade minha filha tem um “gênio” muito forte, é decisiva em suas colocações e defende suas ideias, é independente de pensamento e opinião. Me orgulho disso, e sei )pelo menos imagino muito) que se algo ao menos parecido com isso acontecer ela contaria no ato. E como a família toda é muito unida arrumaríamos a situação. Eu penso assim. Ler isso me deixou muito triste, e me fez lembrar que esse é parte do mundo em que vivemos, estupradores, pedófilos e babás do inferno. Eu sou blogueiro, adoro contar histórias engraçadas e no meu blog disse ontem que hoje contaria a história de como fui estuprado aos 8 anos. Não por um homem, por uma mulher, minha babá. Não é uma história triste, quando essas coisas acontecem como aconteceu comigo, não passam apenas de iniciação sexual. não afetou aquilo que sou hoje. enfim. Eu sinto muito pelo que aconteceu contigo, não estou aqui para fazer merchan do meu Blog. Apenas quero lhe prestar essa homenagem. Se existe algo que pudesse ser dito nesse momento seria: Fica bem! fico feliz que aos poucos você está se encontrando. Não vai adiantar forçar mesmo. É com calma.. (Letícia, parabéns por ter tratado desse assunto e feito, como o fez.) Abraços

  75. Cristina e Lady, assim como vocês também passei por esta violência, talvez em menor proporção, se é que podemos medí-la.
    Fui molestada algumas vezes pelo avô de meus primos (ele não era mau avô), com idade entre 10 e 11 anos. Morávamos perto e um dia minha mãe me pediu para eu buscar uma forma de bolo empresatada na casa da minha tia. Todos tinham saído, menos o velho nojento. Com a desculpa de pegar a forma na cozinha, ele me trancou na casa, me fez sentar no colo dele, tocou em minha vagina e apalpou meus seios com violência. Após o ocorrido voltei correndo para casa e me tranquei no quarto, contando para minha mãe apenas alguns anos depois, já quase adulta. Ela me questionou o porque de não ter contado, mas expliquei que a vergonha e o medo foram maiores que tudo. Depois do que aconteceu, evitava ao máximo ficar com ele sozinha e protegia minhas irmãs menores. Já não falava com ele direito até ele morrer aos 92 anos. Ele também tentou contato outras vezes,não só comigo, mas acreditem, com minha avó, sogra da filha dele. Um verdadeiro doente!!!
    Já estava casada e fui a única de minha família a não comparecer ao enterro. Muitos estranharam (ele dizia que nos considerava suas netas), mas não tinha como fingir que estava triste, quando na verdade me sentia aliviada. Assim como Lady, a religião me ajudou a superar, a igreja evangélica me deu apoio na época em que estava para casar e posso afirmar que minha força interior e a vontade de ser feliz, fizeram toda diferença. Hoje tenho uma linda família e sou muito feliz. Acredite Cristina, você também vai conseguir! Você tem esse direito! Busque força em você!
    E obrigada pela oportunidade do desabafo, espero ter ajudado.

  76. eu não quero dizer meu nome porque ainda minha mente pensa que a culpa é minha, mas quando tinha 6 ou 7 anos, fui abusada sexualmente, vivi um inferno porque não podia contar pra ninguem e ainda vivo um dia de cada vez tentando esquecer, é dificil, quem teve a infância roubada, nunca mais recupera, nunca mais é um pessoa normal, agora a pedofilia tá ai na midia mas a 20 anos atrás não.Era um amigo da família, velho decrepito pelo menos morreu e não faz isso com mais ninguém.
    Hoje sou casada, tenho dois filhos e tento levar minha vida numa boa, porque quem roubou minha criança interior foi aquele canalha, e eu não fiz nada, fui vitima de um desgraçado nojento e ainda ter que guardar silêncio, parece me tornar culpada, sei que há muitas como eu que silenciam pra esquecer, mas eu garanto que o silêncio come a gente por dentro.Meu marido sabe e sempre me deu apoio.

  77. Cris querida,

    que bom que vc conseguiu se abrir, isso te ajuda a superar, pense com carinho na ideia de procurar um psicólogo e falar sobre o assunto, existem tb grupos de ajuda onde vc conversa c pessoas que sofreram situaçoes como a sua, axo q te ajudaria a superar um pouco, na internet deve ter algo do genero tb, logico q esquecer é dificil, mas pode te ajudar a conviver c essa dor…
    eu fiquei c vontade d coloca-lo na cadeia, mas axo q isso é uma decisão sua, e vc precisa d trabalhar um pouco o assunto antes d tomar uma decião dessas…
    outra coisa, perdoe a sua mãe, querendo ou não (e isso não é um julgamento) agente acaba culpando as pessoas q sabiam e não nos ajudaram…
    sei q nenhum de nós podemos imaginar a sua dor, mas estamos tds juntos c vc, torcendo pela sua vitória.
    Deus te abençoe.

  78. Terrível…. é a única palavra que me vem a cabeça para descrever esse post, e o mais triste é que nesse momento isso está acontecendo com outras meninas, garotas e mulheres! Meu Deus! Quando o ser humano finalmente se tornará civilizado??
    Para a garota que passou por tudo isso…. desejo do fundo de minha alma que sua vida se renove! Que seus sentimentos sejam correspondidos! Que o respeito faça parte de suas relações e que o amor seja encontrado!!

  79. Cristina, sou homem, tenho 23 anos e quando criança também sofri uma série de abusos sexuais que acabaram com a minha vida sexual. Foi muito importante ler seu relato, pois sei como é difícil abordar esse assunto. É difícil para mulheres, mas também é muito complicado para homens. Afinal nós homens temos nossa sexualidade posta a prova o tempo todo. Não sei muito bem o que dizer pra te ajudar, mas vou falar um pouco de como estou tentando sair dessa situação. Depois dos abusos, tive uma série de problemas familiares que também agravaram e muito minha introspecção e meu receio para com a pessoas. Além do que me tornei bem sensível e um pouco afeminado. O que, já dá pra imaginar, foi motivo de discriminação por toda vida. Sempre gostei de mulheres, mas depois de fracassar na minha primeira vez (fiquei muito ansioso e todos meus medos vieram a tona, pra completar a digníssima ficou tirando sarro de mim), não mais consegui tentar fazer sexo casual por medo. Tive uma namorada linda que só com ela consegui perder minha virgindade. Mas agora estou solteiro e meus traumas aparecem o tempo todo. Cada vez mais agravados. Bom, depois desse relato todo(mesmo que ninguem leia, já foi muito importante pra mim escrever isso), acho que vou procurar um analista e ver se existe algum tratamento. Obrigado pelo desabafo. Desculpem o transtorno.

    • Pra completar. Não sei até que ponto denunciar o cara irá te ajudar Cris. Eu sei e você sabe que o “problema” está dentro de nós mesmos e acredito que a melhor forma é tentarmos passar por cima disso, é vermos quão superior somos perante a situação. É claro que um especialista vai poder nos ajudar a enxergarmos isso melhor. Boa sorte Cris. =]

      • a denuncia vai ajudar e muito. como ela vai ter paz sabendo que o doido esta pelas ruas, provavelmente abusando de outras pessoas tambem? A justiça sempre reconforta. Eu torço muito para que ela tenha forças para lutar contra esse monstro

    • Olá, Fernando.

      Bom, passei por uma situação parecida, (meu post é um dos primeiros) e meu conselho seria o seguinte:
      * Esquecer é quase impossível, mas tente guarda-lo em uma caixinha q vc não quer abrir, não vou sugerir q vc converse, desabafe com alguém pq eu tbm nunca o fiz, estaria sendo hipócrita se o sugerisse.
      E tente encontrar alguém legal, q cuide de vc, de carinho e te passe segurança só assim vc conseguirá ter uma vida sexual.
      E principalmente, Esteja Aberto para um novo relacionamento!

      Abraços e Boa Sorte

      • Obrigado Tata.
        É muito bom poder falar disso, pois, como você disse, é impossível falar disso com alguém que vc terá que ver todos os dias.
        Eu aprendi um pouco a guardar esse trauma, tanto que ele não atrapalha em nada as outras esferas da minha vida e também nunca atrapalhou o sexo com minhas namoradas. O único (e grande) problema é minha insegurança com o sexo casual. Dele eu só conheço lendo os posts da Letícia. rsrsrs
        bjos. (Letícia, parabéns pelo blog. Parabéns por abordar TODAS as faces do sexo)

        • Caro Fernando,
          Boa sorte cara, espero que a exemplo das mulheres guerreiras que expuseram suas histórias intimas e tristes e de alguma forma estão aí , determinadas em seguir em frente, achando maneiras de superar essa infelicidade. você também consiga seguir em frente , firme e confiante!

          ps. sensibilidade é dom!

    • Fernando, saiba que existem monstros que fazem isso, mas em muito mais proporção existem pessoas que se indignam, ficam com raiva e que gostariam muito de te ajudar.
      Dá vontade de pegar no colo, fazer carinho e dar em amor toda dor que te foi colocada. Sinto muito pelo que aconteceu. Não se preocupe:Aqui se faz, aqui se paga.
      Procure ajuda sim.
      Boa sorte.

    • Oi, Fernando, eu li seu relato. Lá em cima falo do abuso que sofri na infância e, pra mim, o mais importante foi a certeza de que o problema sempre foi do abusador, nunca meu. Continua incomodando mais de 30 anos depois, em determinados momentos é uma lembrançca dolorida, mas sinto o que preciso sentir e deixo passar.
      Boa sorte, que logo consiga superar essa experiência terrível e seguir em frente bem.
      Beijos!

  80. Simplesmente repugnante só de imaginar tudo o que a Cris passou da vontade de voltar no tempo e promover um empalamento nesse monstro, FDP! Tenho um filho de 4 anos e só de pensar que algo assim possa acontecer tenho arrepios, infelizmente não estamos livres de nada. Torço pra que a Cris se recupere por mais dificil que isso seja. Força Cris.

    Namastê

  81. Olha ponderei muito antes de fazer um comentário sobre esse tema, pois vc foi vítima de uma das piores coisas que pode acontecer a uma criança, e eu, confesso, não tinha a menor ideia de como poderia ajudar.

    O melhor que posso te dizer é que a palavra chave é “vítima”. Vc foi vítima e continua vítima. A vítima nunca é culpada e não tem culpa de continuar sendo vítima.

    Conversei com uma amiga minha pscóloga sobre o relatado no post. Concordei com ela inteiramente.

    Apesar da boa intenção dos comentários e da força que isso possa te dar, não vai ser por meio disso, ou de religião, amigos, namorados, nem família que vc vai conseguir se reerguer.

    Para casos como o seu, apenas auxílio profissional poderá te ajudar de verdade. Existem profissionais, os bons, que saberão encaminhar sua questão, seja com terapias, remédios, etc.

    Espero que vc tenha meios para buscar os melhores tratamentos, junto aos melhores profissionais. Se não tiver, procure por todos os jeitos para vir a tê-los. Será o melhor investimento que vc poderá fazer na vida.

    Te desejo muita força!

  82. Esta é a primeira vez na minha vida que vou falar sobre este assunto. Nunca, jamais contei a ninguém sobre isto… talvez nem para mim mesma…
    Acho que fazem umas duas horas que choro sem parar ao ler seu texto, Cristina. Só agora me acalmei um pouco e posso finalmente contar a minha história. Vou contar a vocês, algo tão secreto para mim, algo tão profundo que não repito nem na frente do espelho…
    Eu fui abusada sexualmente quando era criança. Fui abusada por uma AMIGA de minha mãe e por seu marido. Esta mulher era uma pessoa muito próxima de minha mãe, e como ela não podia ter filhos, minha mãe me “emprestava” para ela algumas tardes. Minha mãe tinha pena dela. E vejam, minha mãe foi uma super mãe… Ela era desconfiada e atenciosa, não deixava eu e minhas irmãs sair sozinhas ou com qualquer um. Mas com esta mulher era diferente, ela confiava nela.
    Uma das tardes que ela me levou para a casa dela, ela disse a minha mãe que eu era muito inteligente e que ela se sentia sozinha… ela queria a minha companhia. Ela falou a minha mãe que o marido dela não estava em casa e que eu estaria de volta para o jantar. Ela me beijava, mas não entendia o por que. Me sentia desconfortável, algo dentro de mim sabia que era errado, mas eu era criança e não entendia o que estava acontecendo. Então o marido dela chegou. Meus gritos aquele dia ainda ecoam na minha cabeça, me lembro da dor, da confusão, do medo… não fui agraciada com a benção do esquecimento como algumas meninas… eu lembro de tudo, claramente. Ainda me lembro de como gritei pedindo ajuda, socorro… Fui violentada diversas vezes aquele dia. Por ele e por ela. Quando olho para trás, me vejo nas fotos da época, eu era tão pequena, tão magrinha, tão indefesa… não entendo como pessoas em quem eu confiava tanto puderam me causar tanta dor. Quando olho nas fotos, sinto pena daquela criança, muita pena.
    Depois daquele dia, nunca mais fui a mesma. Eles eram muito ricos, me enchiam de presentes e roupas… mas não sei como, acho que instinto materno, minha mãe não me deixou mais ir a casa deles. Lembro-me que ela me perguntou se tinha acontecido algo aquele dia, mas não tive coragem de contar. Sentia medo, muito medo. A cadela me dizia que se eu contasse algo para alguém, ela matava minha mãe, minhas irmãs, minha família inteira. Apenas disse a minha mãe que ela me tratava mal quando ela não estava por perto… Minha mãe cortou relações com ela logo depois disso, mas ela nunca desconfiou de nada.
    Minha mãe teve uma criação muito rígida, assim como eu. Nunca falávamos sobre sexo em casa, eu nem sabia como as coisas aconteciam. Eu era ingênua mesmo, e só fui entender o que fizeram comigo quando tinha uns treze anos de idade.
    Tive depressão e síndrome do pânico. Tentei o suicídio, por que não conseguia tirar da minha cabeça aquela tarde, aquele dia. Me tornei uma adulta medrosa, tímida e que não consegue se relacionar intimamente com as pessoas.
    Namoro a sete anos com um rapaz, mas transamos muito raramente. Nunca senti prazer, nunca gozei, Não sei o que é isto, em como faço para chegar lá.
    Me sinto quebrada, sabe?! como se eu tivesse vindo com um defeito, incompleta. Acho o sexo sujo, meu corpo sujo, sinto tudo como uma grande perversão.
    Minha mãe já tentou conversar comigo diversas vezes, mas não tenho coragem de contar para ela, de causar a ela, que sempre foi tão boa mãe, tamanha dor. Sei que ela os mataria.
    Hoje tenho 25 anos, tento com todas as minhas forças esquecer o que aconteceu. Pensar em suicido virou rotina, mas sou tão covarde que nem coragem para isso eu tenho. Tenho vergonha, muita vergonha de compartilhar isto com qualquer um que seja. Para escrever este texto precisei de uma coragem absurda, foi realmente a primeira vez que encarei este assunto. Vocês não imaginam como foi difícil e doloroso para mim.
    Obrigada, Leticia. Você não imagina como está fazendo bem para mim ler o seu blog. Verdadeiramente, muito obrigada.

    • Oi Ana!
      Nunca fui violentada, mas uma familiar proxima de mim foi.
      Lendo a sua historia, eu pensei muito na historia dela, que parece muito com a sua. Pensei por algum tempo se deveria te responder, contar o que aconteceu e como ela está superando e resolvi que mesmo que isso nao te ajude, mal nao vai fazer!
      Nós somos uma familia muito proxima, e eu e ela crescemos juntas como verdadeiras irmas, pra ela eu nao sou só irma mas tambem a melhor amiga e a unica pessoa com quem ela consegue sentar e conversar sobre qualquer coisa.
      Nós temos uma prima mal-carater, que sempre foi suja e aproveitadora. (que nós vamos chamar de Joaquina) A Joaquina apareceu um dia com um novo namorado que ela tinha conhecido por bate papo, o tal namorado, Joaquim, era do rio e estava morando na casa dela, ele tinha duas filhas estranhas e era tambem muito estranho, sujo.
      Um ano depois a minha familiar veio me contar que algo estranho havia acontecido, ela nao conseguia compreender a situaçao ainda. A Joaquina e o Joaquim estupraram ela, juntos. A PRIMA dela e o namorado, enquanto a MADRINHA dela dormia no quarto ao lado.
      Choramos juntas por horas, eu nao conseguia falar nada, eu sentia tanto odio, eu queria matar eles, de verdade.
      A convenci de contar à familia, caso contrario ela teria de ve-los pro resto da sua vida talvez, e isso poderia acabar acontecendo de novo. Aos poucos contamos pro seus pais e seus irmaos, foram dias de caos, muitas brigas familiares, e muita, MUITA dor. Seus pais decidiram nao denuncia-lo e nao ir a justiça pra nao causar mais dor à minha familiar. E foi decidido pela familia que ela e a joaquina nao deveriam frequentar os mesmos lugares, que a joaquina nao seria convidada para os nossos programas familiares e assim por diante…
      Minha familiar começou terapia, o que a ajudou MUITO, e continua ajudando, quando a gente conversa sobre isso ultimamente, eu sinto que ela está mais leve e realmente passando por cima. Ela contou pro seu namorado (que já era namorado na epoca), ele foi bem compreensivo, eles ficaram uns bons meses sem ter relaçoes sexuais e agora levam a vida normalmente.
      Eu e a irma dela na epoca investigamos a vida do Joaquim, ele era traficante de armas no rio de janeiro e estava na nossa cidade foragido. Pensamos em mandar mata-lo mas desistimos. Por mais que ele mereça, ele é o criminoso e nao nós.

      Ana, eu imagino o quanto deve ser dificil contar isso a sua mae, o que isso pode proporciona-la. Mas contar isso a uma pessoa imparcial pode te ajudar a seguir em frente, procure um psicologo! Procure outros tipos de ajudas, como Yoga, ou uma religiao (nao sei no que vc acredita).
      Qualquer coisa que posso te trazer mais perto de vc mesma é uma opçao, é algo que pode te ajudar.
      E o mesmo pra vc Cristina! Tenho uma amiga que tem vaginismo, ela descobriui tem pouco tempo e está tendo acompanhamento psicologico e fazendo uma meditaçao especial para transformaçoes.
      O que procurar depende de vc, o que combina com vc, mas definitivamente procurar ajuda é o melhor a fazer!
      E se vc acha que denuncia-lo vai TE ajudar, denuncie!

      Bom, acho que já escrevi demais…
      Meninas, pensem em vcs, e nunca se esqueçam que vcs nao tem culpa de nada que aconteceu e merecem o melhor!
      Desejo a vcs tudo de melhor!

    • Ana, parabéns pela sua coragem, você deveria se sentir forte por ter carregado algo tao pesado por tanto tempo e sozinha, deveria se sentir assim como um Hercules.
      Se puder leia o livro “O poder dentro de voce” da Louise Hay, talvez possa lhe ajudar.
      Seja Feliz!

    • Ana querida, pense bem: eu sou mãe e imagino não tem dor maior que a perda de um filho. Mil vezes sua mãe sofrer com seu relato( pois ela com certeza vai se sentir impotente, com vontade de matar) do que sofrer com seu suicídio. Essa segunda dor é para sempre. Não faça isso com ela.
      Se prepare, se encoraje e não perca nem mais um minuto. Conte tudo pra ela!!
      E se essas pessoas ainda estão circulando por aí, continuam fazendo com outras crianças…Como eu queria saber quem é pra poder olhar no fundo dos olhos deles e dizer:
      “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”.
      Torço e oro muito por você!
      Um beijo no seu coração!!!!
      Linda!

    • tô em choque… eu queria ser uma pessoa evoluída e dar um bom conselho para a Ana e para a Cris…mas eu não consigo, o que eu queria era matar o cara que abusou da CRIS sinto muita raiva da mãe dela, acho que nunca mais olharia na cara.. e quanto á vc Ana, eu também contaria pra minha mãe, e denunciaria esse casal, essa anomalia em forma de gente…a vontade não é de matar,é de torturar aos poucos em praça pública,é de colocar o nome dos dois e o que fizeram num outdoor em plena avenida Paulista.Desculpa, mais uma vez eu repito, eu queria ter uma palavra de amor para dar, mas não consigo.

    • Ana,

      Também nem sei o que lhe dizer, mas sabe aquela sensação de que é preciso…
      Não possuo experiência alguma pra dizer que sei , ou poderia sentir algo parecido pelo que você passou.Acho que nenhum homem teria. Mas ao mesmo tempo fico grato de poder estar aqui e te lendo, por pior que seja a sua experiência, saber que você depois de tantos anos, teve coragem de vir aqui, abrir a sua caixinha ( como disse a Tata, lá em cima) , olhar lá dentro , refletir e expor pra gente sua dor. Principalmente que se você nunca tratou disso nem de você pra você mesmo, talvez vc tenha passado todos esses anos vivendo os sintomas , sem nenhuma chance de tratar aquilo que lhe doía internamente.
      Talvez por isso vc tenha caído em desespero, tentado o suicidio e mantenha se vendo diante de tanto fracasso.
      Mas sabe Ana, você veio e falou e só o ato de escrever , de refletir com as outras histórias e experiências de superações aqui postadas, lhe deu confiança, lhe deu esperança, fez vc coordenar e relembrar os fatos. Fez vc ligar causas e consequências e agora vc está a um passo de seguir em frente depois de tantos anos escondendo a necessidade de enfrentar tudo isso.
      Continue falando mais com vc mesma sobre isso, retribua as pessoas que vc ama e te amam , que sim estão aí, com uma conversa sobre isso, tente procurar algum especialista, ou por aqui mesmo nesse mundo incrível que eh a net, tente resgatar a confiança que aqueles animais lhe roubaram.
      A culpa é toda deles, a você agora resta viver, aproveite o embalo e siga em frente moça!

      Um forte abraço!

    • Ana querida,

      Sei que é pouco pra amenizar a sua dor, mas creia que há um Deus nos olhando, e que por mais que coisas ruins aconteçam à pessoas boas, Ele tem um plano muito maior pra nossas vidas! Acredite em você, e procure ajuda profissional, siga em frente, e não deixe que este tipo de criatura estrague tudo de belo que você ainda tem por viver.

      Um beijo grande.

    • Ana, querida,

      dizem que conselho não se dá, porque se fosse bom se vendia! Eu NÃO concordo com isso, pois na minha vida tive sempre como princípio o seguinte: APRENDER.
      Eu ouço e pondero. As vezes é muito fácil descartar um conselho – facílimo até – em outras, nem tanto. Então eu pondero até poder tomar uma decisão – se o acato no todo ou parte ou se dimplesmente o descarto, nem que para isso eu precise levar dias, semanas ou meses… pondero por quanto tempo eu precisar.
      Li conselhos belos e emocionados dirigidos à você, então querida, o que tenho a te dizer é: acolha-os com carinho, pois sempre aprendemos com eles, sobretudo, quando nos vem cheio de compaixão e de intenção amorosa. Mudei muita coisa para melhor na minha vida, desde as mais simples, como as mais complexas, simplesmente, por que ouvi as pessoas, nem sempre próximas, muitas vezes, apenas um conhecido “fugaz”, uma dessas surpresas que a vida nos reserva.
      Você é jovem e pode e deve reconstruir a sua estória. Não a pretérita, por que essa não dá, mas do ponto de hoje.
      Se vc conseguir a coragem para trazer esta estória à tona, contando para a sua mãe, que te ama, isso te fará um bem imenso! Creia. Irá lavar a tua alma. E você também estará ajudando a tantos outros inocentes que podem hoje ser vitimas desses doentes. E você de tabela, estará ajudando a termos um mundo melhor. Nós fazemos a vida. Somos todos responsáveis.
      Faça uma terapia, se possível nesse momento, intensiva. Há pscólogos especialistas nesse tipo de problemática, que certamente saberão te ajduar.
      Não desista de você. Lembre-se que você é AMADA! Por Deus, que te deu uma família bela e unida. Por sua mãe. É aqui por todas nós no site da Letícia. Por seus amigos… E será ainda muito nessa vida. Quanto mais amamos, mais somos amados.
      Achei lindo sua mãe ter percebido algo. Há nela sintonia contigo. Há coragem. Não negue isso a você e a ela. Não tenha medo da dor. A dor faz parte do viver. Não há como evitá-la e, ela se apresenta para cada um em direferentes formas. Mas Ana, o sofrimento, este pode ser eliminado, quando não, ao menos diluido, quando o enfrentamos.
      Permita-se fazê-lo.
      Com muito carinho à você e a todas que sofreram abuso e ao Fernando! Coragem querido!
      E parabéns Letícia. Minha primeira vez aqui. Você é nota 100! ;-)

  83. Que meu comentário sirva tanto como força p/ Cris, como informação para a Letícia e Leitores.

    Cara Letícia, sei do choque que deves ter dito ao ler as violações pelas quais a Cris passou, mas, sinto informá-la que, infelizmente, isso é uma realidade em nossa sociedade e muitas das suas leitoras passaram por isso. Inclusive eu.

    Tenho 19 anos. Aos 8 anos fui abusada sexualmente pelo padrinho de minha irma, que hoje tem seus 70 anos. Meus pais até hoje não sabem. Eu dedico-me ao enfrentamento dessa violência e de alguma forma isso tem contribuído para minha ‘volta por cima’ e evitar que outras meninas passem por isso.

    Em 70% dos casos, o agressor sexual, é do sexo masculino e assim como no meu caso e no da Cris, é alguém próximo da vitima (pai, tio, avo, padastro, primo, amigo da família…) e aproveitam-se da relação de confiança que goza junto à família para cometer a violência. Diferente do que a mídia prega, nem todos são pedófilos generalizá-los e reduzi-los à essa condição dificulta o enfrentamento à essa violência (todo pedófilo é um abusador, mas, nem todo abusador é um pedófilo).

    Outra detalhe é que, sim, a maior parte das vítimas, são meninas, MAS, meninos também são vitimados E também existe um percentual de mulheres abusadoras.

    Acredito que o maior problema é a atenção que delegamos à sexualidade. Todos temos direito à uma sexualidade saudável. Veja Letícia e leitores, se já e difícil/tabu garantir isso à nós mulheres, quem dirá p/ crianças e adolescentes?
    Freud que o diga! Ele teorizou sobre a sexualidade infantil e foi sodomizado! Ainda hoje é muito difícil falar sobre isso! Até pq, confundimos sexo com sexualidade e não como parte integrante da natureza humana e direito humano. E ao falar de desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes, pensam em sexo, sexo, sexo. E não reconhecer essa sexualidade é negá-la, desprotegê-la, vulnerabilizá-la, permitir que outros a tomem, violem.

    A violência sexual contra criança e adolescentes, é reflexo de uma sociedade adultocêntrica, que delega ao adulto um poder sobremaneira excessivo sobre crianças e adolescente.

    É também machista, “tomando como base as relações de poder, a presença e a natureza da prática da violência sexual a da violência sexual e vitimização de grupos sociais vulneráveis como as crianças e os adolescentes, se estabelece pela lógica dominante da masculinidade. A lógica da masculinidade é histórica e socialmente construída estabelecendo condição de interdependência e hierarquia entre os homens e as mulheres, ou seja, a desigualdade de gênero ou entre os sexos”.

    Assim, ao ignorar todas essas peculiaridades, nos deparamos com situações como a da Cris, a minha e tantas outras. Só se indignar, não basta. É preciso agir. Combater o machismo, colocar a criança e o adolescente como sujeito de direitos, educar a sociedade para a sexualidade, forçar o poder publico à tomar providências… Todos temos um papel a cumprir.

    Cris, saiba que ainda hoje, vc pode denunciar o agressor, eu mesma estudo denunciar aquele que me vitimou.
    Quem passou por uma situação dessas, precisa de um atendimento psico-social, afim de reparar os danos causados, como por exemplo, auto-estima a ideia de ‘sujeira, aversão ao sexo, sentimento de inferioridade, sentir-se culpada, entre outros.
    Eu tbm me sentia ‘suja’, ‘culpada’, escondia as formas do meu corpo, engordei p/ ‘nao ser atraente’, etc….Mas consegui desenvolver minha sexualidade, com garotos em minha faixa etária e no devido tempo, é claro.

    Acho que já falei muito, mas, qro q saiba Letícia que ao desmitificar e permitir a sexualidade feminina como vc tem feito, penso eu, estás à fortalecer também a discussão da sexualidade em outros grupos e quem sabe avancemos na garantia dos direitos sexuais de nossas meninas e meninos, MUITO OBRIGADA.

  84. Ana, conte pra sua mãe! Ela vai te ajudar a superar isso, ela vai sofrer junto com vc, mas isso vai te ajudar a passar pra uma nova fase.Eu não sei oq vc passou, não tenho direito de dar opnião, mas eu acho que isso pode te ajudar. Como vc disse ela é uma mãe maravilhosa e deve desconfiar que vc tem uma dor MUITO GRANDE dentro de vc, que ela não sabe de onde vem, mas enxerga, as mães sempre sabem, vc contando vai estar mostrando pra ela sua dor e ela vai te compreender melhor. Sua mãe vai entender a sua falta de vontade de viver e tenho certeza que ela vai te ajudar a superar isso Ana. Vc precisa de ajuda e talvez sua mãe seja a melhor pessoa pra te ajudar.

  85. A maioria absoluta das pessoas que cometem abuso são parentes ou amigos da família. Uma das melhores maneiras de se evitar que uma criança seja vítima de pedofilia é deixando bem claro para todos que você está prestando ATENÇÃO, que aquela criança foi ORIENTADA a denunciar qualquer atitude suspeita, que ela está cercada de pessoas que vão ACREDITAR no que ela disser e que vão APOIÁ-LA incondicionalmente, que isto será DENUNCIADO.

    Entre parentes, sei que 4 são pedófilos, um inclusive é uma mulher. Quando se convive com pedófilos, aprendemos a ler nas entrelinhas e a identificar certos comportamentos suspeitos. Desconfiei do marido de uma parente minha. Toda vez que se toca no assunto pedofilia ele, que normalmente é muito seguro de si, brincalhão e falante, acaba ficando desconfortável. Teve uma vez que eu falei na frente dele e de outras pessoas que eu converso sempre com ela sobre isso e falei para ela me contar qualquer coisa que considere estranha, ele parou de falar, não conseguiu nem me olhar nos olhos, ficou muito constrangido. A expressão dele era de culpa. Antes de ir embora ele me olhou de um jeito muito esquisito. Depois disso nunca mais ele chegou perto dela. Ninguém mais percebeu. É assim que se evita um abuso, até onde é possível é claro. Tem casos que envolvem outras circunstâncias que não podem ser prevenidas mas isso é uma parcela mínima dessa realidade. Quase todos são sim previníveis, bastar estarmos TODOS despertos, conscientes, corajosos para enfrentar o que e quem vir pela frente.

    Sempre nos falam para tomar cuidado com estranhos mas eles não são o maior problema e esquecem dos que estão próximos. Para ela ter certeza de que eu estava falando sério sobre abusos, não deixei nenhuma pessoa de fora. Eu, o pai, os tios e tias, avós, professores, médicos, coleguinhas, amigos da família, vizinhos etc. Ninguém significa ninguém mesmo, essa é uma regra sem exceção.

      • pois é, nunca esperamos isso de alguém próximo, de “confiança”. comigo foi assim tb, qd fui vitima do boa noite cinderela, quem pôs o comprimido no meu copo foi uma “amiga”. uma pessoa frequentava minha casa e trabalhava na mesma empresa que eu. infelizmente desconfiar das pessoas não é paranoia pois essa é a realidade em que vivemos.

  86. Ana, o esquecimento nem sempre é uma dádiva. Ha 5 anos fui vitima de um boa noite cinderela e confesso que ao mesmo tempo que o fato de nao lembrar de nada deveria ser um atenuante, causa um panico muito grande. eu sei que eu deveria ser “grata” por nao lembrar de nada, mas o trauma, a culpa, o medo e a vergonha tb sao muito grandes. nao faço ideia de quem fez isso, qts pessoas me estupraram, onde.. nada! isso criou uma paranoia muito grande na minha cabeça, pq tenho muito medo de ter sido filmada ou fotografada e poder ser exposta um dia. tive muitas ferramentas pra tentar descobrir quem fez isso mas no final me calei. penso que uma vez feito, nada além do meu próprio esforço vai trazer minha paz de volta. pq denúncia e processo nesse pais de m#$@ nao resolvem nada. Preciso de acompanhamento psicológico e eh isso que vou fazer agora q tenho um plano de saúde. Se vc tiver condições Ana, faça o mesmo. Esquecer talvez nao seja a soluçao. bjos fique bem.

  87. Pedófilos, quase sempre, são COVARDES que só agem onde eles sabem que ninguém vai REAGIR de volta. Eles obviamente não querem ser denunciados, não querem ter seu segredo odioso descoberto. Precisamos dificultar a vida deles ao máximo, fazer com que se sintam inseguros demais para agirem.

    Deve-se conversar com cuidado com a criança sobre comportamentos que são APROPRIADOS ou não. Deixar bem claro para a criança que seu corpo, sua privacidade, suas partes íntimas são do controle dela mesma. Ninguém tem o direito de tocá-la sem autorização, principalmente adultos, oferecer doces, presentes, pedir para ficar sozinho(a) com ela, pedir segredo, esse tipo de coisa.

    Uma coisa que eu notei no meu caso, e também ao escutar relatos de outras pessoas que foram vítimas de pedofilia, é que quando somos crianças temos essa sensação de que nosso corpo nos pertence. Somos obrigados a ir no colo dos outros, ou a sentar no colo, nos obrigam a beijar as pessoas quando não queremos, os outros nos tocam das mais variadas maneiras sem se preocuparem se isso nos constrange, e quando percebem que não gostamos isso só faz com que debochem do nosso desconforto. Isso é comum, e todos acham engraçadinho.

    Talvez quem não passou por um estupro ou outra agressão grave não tenha parado para pensar nisso mas quando fui vítima de pedofilia eu sentia que não tinha nenhum controle sobre meu corpo, que nada em mim me pertencia. Voltei a fazer xixi na cama, minha cabeça e meu estômago doíam. A impressão que eu tinha era de que eu observava tudo de longe e meu corpo não passava de uma boneca sendo jogada de um lado para o outro. Só voltava a perceber meu corpo quando ele doía, tinha hora que nem assim de tão entorpecida que eu ficava. Até meus pensamentos eles controlavam porque eu passei a acreditar quando diziam que eu era culpada por aquilo tudo.

    Como esperar que uma criança reconheça o que é inapropriado e abra a boca para reclamar quando se sentir constrangida, quando nem os adultos em volta se preocupam em poupá-la desse tipo de invasão e ainda a culpam de ser mal educada e manhosa quando não cede aos desejos dos outros sob o pretexto de que ela está sendo inconveniente? notem que pedófilos costumam falar a mesma coisa e uma criança não tem condições de distinguir perfeitamente uma coisa da outra. Não digo que se deva proibir o toque, já que isto faz parte do processo de interação e crescimento e é muito importante, só que às vezes é excessivo para a criança ficar insistindo para ela ir com quase todo mundo, tocar quase todo mundo e ainda recriminá-la depois. Muitos pais não percebem isto. Tão importante quanto educar para a sociedade, para o mundo lá fora, é também ( e até mais importante) respeitar o mundo interno de cada um, respeitar seu espaço pessoal.

    Crianças também têm direito à privacidade, quando elas são bem orientadas e sentem que estão perdendo isso elas gritam, reclamam. Só uma má orientação e um ambiente repressor, sem apoio é que são capazes de calar isso. O abuso sexual contra crianças é bastante ilustrativo do quão frágeis são os “valores familiares” da maioria das pessoas.

    Nossa, escrevi demais. Desculpem. É que quase não vejo esse tipode coisa ser dita apesar de ser tema comum para quem sofre abuso.

    • Mas Mar,
      Suas palavras são muito boas, sua atitudes como mãe são as mais apropriadas e talvez as mais eficazes pra que se possam estreitar , talvez estrangular os caminhos de atuação desses animais.
      Minha ex-sogra ( enfermeira de pronto socorro de pediatria que já tinha visto as piores coisas já feito contra crianças), tinha o mesmo procedimento e sua filha repartiu comigo as mesmas observações que carrego até hoje quando em situações familiares .
      Mas sinceramente eu não vivi isso, e as vezes, até hoje, ter passado o dia lendo vocês aqui, eu me sentia muito mal em tentar ficar achando ” malícia” nas atitudes dos adultos para com as crianças.
      Veja , acho que vc tem absoluta razão, assim como achava que ela também tinha. Mas no meu íntimo aquilo me parecia exagero, neurose.

      Então juro, aqui hoje eu fico lendo e me sentindo muito mal em pensar que talvez o mesmo sentimento de algumas mães e familiares eu e talvez muito de nós, ingenuamente também teríamos não pra esconder ninguém, mas por não ter o poder de assimilar tais possibilidades como reais.

      E sabe o pior de tudo? Se eu me imagino assim, fico pensando agora no desespero das crianças que tiveram que enfrentar tudo.

      Enfim, acho que aqui nesse post a Leticia conseguiu aliviar muitas almas e ajudar outras numa troca e discussão que não deve morrer.

  88. Ana, li seu comentário e confesso que fiquei chocado com tudo o que você disse. Surpreendente também ver a quantidade de pessoas que sofreram abuso e comentaram aqui.

    Passei por algo semelhante, mas não foi tão violento. Demoramos em nos dar conta e entender o que realmente aconteceu e, quando isso acontece, a reação natural é tentar negar e esquecer. Mas nós nunca esqueceremos… Sabe o que funcionou comigo? Pensar no assunto e falar sobre isso; parar de negar e passar a entender como isso me afetou.
    Quando digo “funcionou”, quero dizer que aquele peso que me comprimia e aquela torrente de pensamentos e memórias que me assolava, amenizaram-se.

    Não posso dizer que sei como você se sente, pois são contextos diferentes, mas te garanto que negar e tentar esquecer o que houve não te trará paz. Tente conversar sobre isso com alguém, mesmo que de forma anônima…

    Abraço

  89. Acho válido tratamento psicológico e caso haja força um processo, por que pedofilia não prescreve. Viu letícia?! por isso esse blog não pode acabar. Ainda estou em choque!

  90. Sofri abuso sexual quando tinha 9 anos, nunca tive coragem de contar para ninguém.Ele era vizinho e amigo da familia.
    Nos mudamos de cidade uns 2 anos depois e nunca mais vi.
    Há uns 4 anos resolvi que não conseguia deixar por isso mesmo, , descobri nome e sobrenome, ele ainda morava na mesma casa e em uma rede social achei um filho e a irmã dele. A partir daí comecei a pesquisar contatos, de todo mundo que achei que pudesse conhece-lo, guardei todos que consegui e fui até uma Lan House no centro da cidade, fiz um e-mail falso e mandei o que tinha acontecido, não coloquei meu nome, nem nenhum dado que pudesse me identificar.Mas descrevi bem o local onde tinha acontecido, um quarto da casa dele com todos os detalhes que lembrava.
    Não sei de nenhum efeito prático, mas tenho certeza que quem leu e tem uma filha pequena vai pensar duas vezes antes de deixa-lo chegar perto dela e em cidade pequena as pessoas falam,comentam. E mesmo quem leu e não acreditou vai ficar mais atento.
    Não consegui contar pra minha familia, nem muitos anos depois, as únicas pessoas que sabem são meu noivo e uma amiga.

  91. Oi “Letícia”! Vou postar como anônimo por motivos óbvios, mas já sou leitor antigo e talvez você me reconheça. Uma vez eu pedi a você que não parasse com o blog porque ele tinha virado utilidade pública. Acho que esse post da Ana foi o exemplo perfeito do quanto isso é verdade. Você imagina o poder de cura que essa catarse pode ter gerado para ela? Mais uma vez parabéns!
    Eu também (como muitos aqui) sofri abusos sexuais dos 13 aos 16 anos por parte de um tio, o que foi obviamente terrível já que sou homem e heterossexual. Minha história, aliás, é idêntica a do Fernando que escreveu aí em cima. Com a diferença que eu estou com 32 anos e já superei a maior parte do trauma. Não sei bem o que dizer pra Cris, mas se servir de alguma forma para ajudar as pessoas que enfrentam esse tipo de trauma, eu aconselho que procurem sim a ajuda de um profissional, mas antes de tudo que o façam sabendo que não são culpadas de nada que aconteceu. O estupro é algo que acontece com a gente, como um acidente. Não pode nos caracterizar. Se cada uma das pessoas que sofreram abusos e relataram aqui pudessem se olhar no espelho como os seres perfeitos que são e não se rotulassem como “estupradas”, ao menos por hoje, sei que seria um início para a cura. O trauma não faz parte nós, mas foi a maneira que encontramos de lidar com a dor. Com o tempo e a maturidade, sei que todos acabam sendo capazes de passar essa dor a limpo e deixá-la no passado, a onde ela pertence.

    Beijos “Letícia”, sucesso para o blog

  92. Cris, tenha a certeza dentro de voce, que voce merece ser feliz e que ninguem tem o direito de lhe tirar isso, seja no passado, presente ou futuro.
    Se puder leia o Livro da Louise Hay ” O poder dentro de voce”, me foi de grande ajuda.
    Obrigado por contar sua historia, voce foi muito corajosa.
    Seja Feliz.

  93. Querida, Cris, o primeiro grande passo vc já deu: contou sobre o abuso para alguém; botou para fora de algum jeito. Continue essa luta (sim, é uma verdadeira batalha sobreviver à situações de abusos) procurando psicoterapia! Parabéns e torço pela sua plena recuperação e, vc não é suja; esse FDP que é nojento! Tomara q esteja morto e q tenha sofrido muito! Abraço, querida! Lu

  94. Nossa… li o texto há alguns dias, e minha reação foi a mesma que teve a Letícia: fiquei muda, paralisada.

    Retornei agora ao blog e li os comentários: fiquei ainda mais chocada com a quantidade de pessoas que dizem ter passado pela mesma coisa!!!!! Isso me comove e revolta de uma maneira insuportável…

    É por essas e outras que continuo ativa na luta contra a violência e a dominação masculina sobre a mulher. Sugiro aos trolls que militam contra este blog que leiam ou releiam os relatos acima e passem a fazer o mesmo com o seu tempo.

    O meu sincero desejo de força e superação a todas as vítimas que tiveram coragem de contar sua história.

  95. Li fazem umas semanas o blog , fiquei muito interessado, gostei da pegada , da disposição e do jeito firme da Letícia para lidar com as coisas por aí e por aqui. Prometi que embora o assunto muito me interessasse, iria passar com bem pouca frequência por aqui. Mas que eis que abro hoje , casa com decoração nova, novidades ali e aqui e de repente essa porrada!

    Incrível como as vezes ser homem ( embora em algumas poucas vezes não estamos só ) me faz tremendamente envergonhado, revoltado e descrente. Apesar de tanto termos evoluído, ainda sermos capazes de submeter mos aos rituais mais covardes e desumanos de demonstração de poder. Poder pelo prazer, pela subjugação , e pelo fracasso do projeto de animal que as vezes somos!

    Espero que a oportunidade que a Leticia abriu aqui pras pessoas que passaram ou estiveram perto de um fato desse , de escrever, ler e refletir possa trazer lhes coragem, conforto e determinação na medida de cada necessidade pessoal.

    E também possa em todos nós acender em amarelo uma luz de atenção de como , por quem e como estão sendo , vistas e entendidas as crianças que nos circundam.

    Enfim, embora a vontade seja de matar, o que precisamos é de amor ( e atenção) para previnir nos de nós mesmos!

  96. Se eu fosse o pai dela e soubesse disso mataria ele sem dúvida! A vida não faz sentido quando se trata de pessoas assim como esse “animal” (acho animal uma palavra ainda muito leve para defini-lo). Para mim, esse tipo de pessoa é O MAL em forma de “gente”. Acho importante falar sobre o assunto para amigos, assim como você fez (só para os amigos que você confia de verdade). Quanto mais você guarda isso dentro de si pior é… Contando para essas pessoas (de confiança) você se liberta disso. Força Cris!!!Abraço!!!!

  97. assim como outras pessoas fiquei chocada não apenas com a história cruel da cris, mas tb com a quantidade de comentários que surgiram de pessoas que passaram pela mesma coisa.
    já havia lido o post ontem a noite e de 101 comentários contei uns 10 relatando abusos. e abusos infantis. fiquei pensando em tantas outras vítimas que nao tiverem coragem de falar nem anonimamente. foi uma das piores sensações que experimentei até hoje. não acredito que exista uma forma de violência tão grotesca como o estupro. a violação do nosso corpo, uma coisa que é tão nossa.
    espero que a cris e todas essas pessoas superem seus traumas da melhor maneira possível, e possam viver suas vidas com a paz que as pessoas de bem, como elas, merecem.
    a cris já fez uma grande mudança qdo resolveu compartilhar sua história, fazendo que outras pessoas se sentissem acolhidas para abrir seus corações tb, aliviando o peso que muitas delas carregavam. sinceramente, foi uma das maiores demonstrações de coragem que “presenciei” na minha vida.

    • Juliana,

      Eu penso muito nisso. Muitas historias, ne? Estava falando com o “namorado” sobre o assunto. Nos com certeza conhecemos muito mais gente que passou por abuso, mas ninguem fala. Eh muito triste. Precisamos dar suporte e apoio a essas pessoas.

      Beijo

      • Infelizmente são histórias demais! isso mostra que estamos diante de um problema que atinge um numero muito maior de pessoas do que se imagina. e quanto às pessoas se calam, quantas sao? quantas sequer contam suas historias para a própria família ou amigos? hoje todo mundo conhece alguém que ja sofreu algum tipo de abuso sexual ou até estupro. so nesse fds ao comentar com 2 amigas sobre este post, soube que AS DUAS tb foram abusadas na infância. isso me assusta sobremaneira. em que mundo vamos colocar nossos filhos?

      • poisé, letícia. e apesar de a maioria dos casos aqui relacionados terem meninas como vítimas, tenho minhas dúvidas de que a realidade seja essa mesmo. um dos comentarios aqui foi de um homem, heterossexual. se é difícil para uma mulher falar sobre uma coisa dessas, imagine para um homem hetero no meio de uma sociedade machista como a nossa. pra ficar bem claro o qto o machismo não presta para nenhum dos sexos.
        e mais: a discussão não chegou nem aos abusos de maiores de idade. esses sim praticados, em sua grande maioria, contra mulheres.
        agora eu me sinto numa dívida comigo mesma em ajudar as pessoas proximas que passaram por algo do tipo. assim como vcs 2 tb fico imaginando qtas pessoas queridas podem estar sofrendo caladas. fico reparando nos comportamentos. ainda nao sei exatamente como fazer, quais os sinais… mas acho que um primeiro passo é olharmos o outro com um pouco mais atenção. e discutir sobre sexo/sexualidade, sempre. tvz todo esse martírio seja reflexo da educação sexual deficiente e carente de discussão q todos nos recebemos.
        beijos e boa semana pra vcs.

    • Foi a mesma coisa que fiquei pensando…de tantas pessoas que leram o blog, muitas sofreram abusos e hoje estão aí tocando a vida pra frente cada uma com sua dor…
      …o caso é sério…
      cada um que lê, é mais um pra combater!

  98. Putz, Letícia…
    Agora que me liguei! O tempo passou, fiquei por aqui , tocado por tudo, lendo e respondendo e acho que exagerei.
    De qualquer forma, obrigado pela oportunidade de discutir e parabéns pelo despojamento! Hoje vc fez o bem!

    Meu cordial abraço!

    Claro, não espero que vc publique este , nem alguns dos meus comentários…

  99. Olá Cris,
    Sabe eu não entendo as atitudes da mãe, como pode, né?
    Eu também fui abusada pelo meu ex padastro quando tinha uns 12 anos. Ele era namorado da minha mãe naquela época. Não foi tão grave como o que ocorreu contigo. Contei para minha mãe há pouco tempo e acho que ela não acreditou em mim. No início de agosto eles voltaram a se falar(minha mãe e ele). Daí, agora tenho que tolerar as ligações dele pra cá. Para minha sorte, ele mora em outro Estado, mas mesmo assim dói muito ver as ligações dele.
    Vou começar uma terapia agora e tentar me livrar de alguns traumas… Espero que me ajude.
    Olha, estou falando da minha experiência, pois pra mim sempre ajuda ver outras histórias parecidas com a minha.

    Força aí, e tb acho que você deveria procurar ajuda profissional.

    • Talvez não seja que sua mãe não acredite, talvez ela esteja chocada e não saiba como lidar com essa situação…mas o importante é você se manter firme e quando ele falar ou te ver, deixar claro que você não esqueceu disso

  100. Eu fui abusada também, mas por uma menina! Eu tinha 4 anos, e ela 19. Lembro que ela era filha do pastor da igreja que eu frequentava com meus pais, e cuidava da salinha das crianças. Ela me colocou no colo dela, passou os dedos na minha vagina e disse que, se eu não fizesse o mesmo com ela, ela ia gritar para todo mundo que eu estava deixando que ela fizesse aquilo comigo. Eu sabia que havia alguma coisa errada, fiquei desconfortável o tempo inteiro.
    Contei para os meus pais no mesmo dia, e eles não acreditaram. Disseram que eu estava imaginando coisas, que eu era uma mentirosa.

    Quem diria que tantas histórias são tão parecidas…

  101. Todas as vezes que ouço sobre mais uma história de estupro, pedofilia, fico em estado de revolta, indignação. Mas infelizmente, como diz o livro “Mentes Perigosas”, não adianta tentar entender o que se passa na cabeça de pessoas que são capazes de tal abuso.
    O que preciso dizer é… eu não imagino como eu iria ver a vida caso isso acontecesse comigo! Por esse motivo eu respeito MUITO quem segue a vida, quem SUPERA e consegue viver “naturalmente” com esse fardo perturbando a mente! Desejo à Cris toda a felicidade e força do mundo! Um abração!!!

  102. Cristina, em primeiro lugar você deveria denunciar essa pessoa, pois somente dessa forma você dará o primeiro passo para vencer essa guerra travada dentro de você porque você estará mostrando que o medo não existe mais já que estarás se expondo e, é claro, poderá vê-lo no lugar que ela merece que é atrás das grades…lugar para covardes dessa laia. Lamento pela sua mãe, uma postura realmente absurda, mas você não tem culpa disso…seja maior que tudo isso e a perdõe, pois não tem outro jeito e quem carregará esta culpa não será mais você e, sim, ela. E, por último, não se culpe…para mim você já é uma pessoa especial e vencedora, pois estáis aí tentando ser feliz como todos nós…O perdedor é o covarde, canalha e crápula…pena que não a conheci com treze anos, pois se assim tivesse acontecido e se eu soubesse do fato acabaria com esse canalha para você, pois ele iria passar de estrupador a boneca (nada contra quem é), mas estrupadores merecem ser exatamente isso, pois tenha certeza que são covardes porque não conseguem sair do armário e se assumirem no papel que realmente são. Muito sucesso e felicidades e guerra aos pedófilos e estrupadores.

  103. Olá, Letícia, dona do blog.

    Por favor, por favor mesmo, acho o que muitos gostariam de saber é se a moça tomou alguma atitude legal contra esse sujeito deplorável. Desculpe, mas me da uma raiva muito grande desse cara.

    Fica muito difícil pra mim imaginar um sujeito desses livre e solto por aí, que vai à padaria comprar seu pão, ri, provavelmente molestando outras crianças, agindo como se nada tivesse feito de errado.

    Por favor, se você souber se ela tomou uma atitude legal (e é claro, se ela a “cristina” quiser e for da sua vontade) diga a nós.

    Aquele filho da **** tem que pagar. Acho que não imaginaria o sentimento, não sei se essa é a palavra correta, mas alívio, ao saber que ele vai virar uma moça na cadeia.

    E pelo amor de “deus”, uma mãe dessas? Que diz “não conta pra ninguém”? Desculpem pela sinceridade, mas se eu fosse essa menina, nunca mais olharia na cara da minha mãe pelo resto da vida. É claro que essa é uma atitude cheia de amargura, remorso, algo que não deveria ser feito por alguma na situação da menina, talvez amanhã, quando mais calmo, me arrependa de ter escrito. Mas AGORA não da pra pensar outra coisa dessa “mãe”.

    Força pra você garota.
    E por favor, não deixe esse crime impune!

  104. Ela deveria no mínimo divulgar o nome e os dados do pedófilo… quem sabe outras que tenham sido abusadas não vejam e se manifestem também?

    Lamento a atitude da mãe… atitude covarde e típica de alguém muito fraca por deixar a filha ser reiteradamente abusada.

  105. Parabéns pelo Blog, é muito bacana!!!
    muita fé Cris e que Deus posso estar ao seu lado sempre te auxiliando e te dando forças nesta superação, vc é forte e filha de Deus e com certeza conseguirá superar …bjs

  106. Eu entendo tudo que a Cristina está falando pois também passei por isso.
    Hoje eu agradeço a Deus por estar viva, e canalizo essa minha história triste para fazer a diferença. Quero trabalhar em algo que possa ajudar meninas que sofrem esse tipo de abuso pois eu as entendo.

  107. Cristina, coragem para denunciar esse monstro e finalmente você vai sentir a sensação de alívio e de página virada desse episódio terrível.
    Eu posso imaginar como você se sente, pois quando criança fui aliciado várias vezes, e mesmo não acontecendo a consumação do estupro, eu fiquei traumatizado e não contei para ninguém. Muitas vezes, erroneamente, pensei que a minha orientação bissexual era em decorrência de tais situações.
    Acredite, para um homem/menino também é muito difícil encarar esse tipo de situação.

    Força para você

    Um abraço

  108. Lê e Cris, é sem dúvida muito triste esta história e mais triste ainda é a quantidade de pessoas que passaram (e quantas ainda passam) por este ato tão cruel que é a pedofilia e o estupro.

    Também tenho uma história de abuso, mas consegui superar sem maiores danos. Quando garoto, havia um vizinho com cerca de 10 anos mais velho que tinha brinquedos muito bacanas, video-games, etc… Ele era acima de qualquer suspeita e muitas vezes fiquei em sua casa por motivo dos meus pais terem que sair. Ele sempre fazia brincadeiras que na época eu nem desconfiava. Hoje vejo que todas tinham algum cunho erótico… Comecei a achar estranho o dia em que ele me fez sentar no colo e eu senti seu pênis. Eu tinha uns 6, 7 anos de idade e obviamente muito mais fraco que ele, 10 anos mais velho, que me segurou e esfregava seu pênis em mim, nas coxas, na bunda, nas costas… E tentou uma penetração anal… eu obviamente tranquei e ele tentou forçar, mas não conseguiu… Então se masturbou e pedia para que eu o pegasse, passasse a mão, etc. Fiquei encurralado no quintal, com os olhos cheios de lágrimas sem ter como fugir. Quando ele se distraiu gozando, corri e pulei o muro com ajuda de uma pilha de tijolos que havia encostado. Caí na calçada e quebrei o pé. Mesmo assim corri para a casa da minha tia. Cheguei lá chorando e sem fôlego, ainda tive que esperar alguém abrir o portão e chorei o dia inteiro dando a desculpa que era por causa da dor no pé… Tive dores no ânus e um pouco de sangramento. Não contei a ninguém porque tinha medo do rapaz que era musculoso e sempre olhava para mim de um jeito sombrio… por causa disso, deixei de ir na casa da minha tia por muitos anos com medo de encontra-lo. Este infeliz acabou envolvendo-se com drogas e foi morto pela polícia… Nunca contei para ninguém esta história e pretendo deixar assim… Não sei como, acabei superando esta história que acabou não interferindo na minha vida sexual, felizmente.
    Acho que a Cris deve focar-se no pensamento de que estes fatos pertencem apenas ao passado e devem ficar ali. Que daqui para a frente serão novas experiências, pessoas bacanas, descoberta do seu corpo, da sua sexualidade, da sua felicidade. Não deixe que estes acontecimentos tomem conta do seu presente e e futuro. Não é justo.
    Acredite no seu potencial e tenha força para rasgar tudo o que te prende nesta história triste e cruel. Deixe-a como apenas uma triste recordação da infância.
    Um grande abraço!
    Nando

    • Pois é, Nando. Li a sua história, e imediatamente saiu de onde eu tinha enterrado a minha. No meu caso, foram duas épocas diferentes. Numa, eu devia ter uns 8 a 9 anos, um vizinho talvez uns 12 anos mais velho ficou me chamando na obra que tinha na minha rua. Cheio de curiosidade, fui lá ver o que era. Ele trancou a obra e ficou me molestando por quase 1 hora lá dentro. Só não fez anal por saber que não ia conseguir. E eu suava frio, me dava vontade de vomitar, tinha medo do jeito que ele me olhava. Aconteceu outras vezes, ele ameaçava inventar histórias pra minha mãe, eu não sabia me defender diante de uma acusação dessa.

      Mais tarde, eu já tinha uns 12 anos, e tava na quadra da escola que era aberta e jogávamos bola lá, dois amigos desse cara me cercaram e me ameçaram, dizendo que iam espalhar toda aquela história que havia passado com o primeiro. Me carregaram para o vestiário, e enquanto um vigiava a entrada o outro me violentou. Dessa vez, houve a penetração, mesmo eu estando travado, foi mesmo forçado. Com muita dor, implorei pra ele parar, e fui pro vaso, evacuando sangue. O outro veio dizendo que era a vez dele, não sei com que sorte, o primeiro chamou-o pra ir embora, perdeu a paciência com a situação, e eu fiquei ali, chorando sozinho o resto da tarde, com as pernas bambas, não conseguia andar. Custei a chegar em casa.

      Não sei se é vingança divina o que aconteceu depois, pois não movi um dedo contra eles. O que me violentou morreu dois anos depois, ninguém sabia ao certo a causa, se era drogas ou intoxicação com algum produto químico. Há dois anos atrás, meu irmão (que era muito amigo dele) me contou que ele morreu com um tiro na testa, no Rio de Janeiro, depois de viver um ano fugindo de bandidos. O outro, não sei por onde anda, e nem quero saber.

      Só contei isso pra minha atual esposa, que não deu muita importância, e quando vem algum assunto sobre gays, ela faz uma cara de deboche pra mim, como se achasse normal tudo o que aconteceu. Não sei bem o que ela pensa, mas não deu mesmo importância, foi criada no interiorzão, e não reage com notícia de abuso, é imparcial.

      E é isso que me deixa mais triste em tudo, eu saber que não posso contar com ela. Hoje, não sei se é consequência, mas não dou importância ao sexo, se não tiver, talvez seja até melhor. Ela sempre reclama, fala que devia procurar outros, pois eu sou devagar.

      As lembranças estão lá no fundo, esquecidas. Tento não fazer poeira com essa história, mas toda vez que leio sobre abuso de menores, estremeço, sinto calafrios. Apesar de tudo, considero que superei, não sofro com as lembranças, vejo mesmo como passado e que deve ficar onde está.

      O que me assusta é que TODAS as crianças estão vulneráveis, todas. O máximo que se pode fazer, é orientá-las sobre adultos que as chamam para ficarem sozinhos, jamais permitir que isso aconteça.

      Obrigado aos que tiveram paciência pra ler, mas me fez bem compartilhar meu caso, melhor ainda sabendo do anonimato que me protege (ao menos nesse caso).

      R.V.

      • RV, embota muitos digam que crianças são inocentes,muitas são más, infelizmente. Abuso entre meninos parece ser tão comum(mas não normal) e fico indignada quando vejo crianças menores com crianças maiores, realmente deveria ser proibido…principalmente entre grupos de meninos! Os pais deveriam ficar mais atentos.Eu tenho um filho com 8 anos, mas não fica sozinho de jei-to-ne-nhum!
        Obrigada por compartilhar sua história, quanto a sua esposa, realmente a ignorância não a deixa perceber o quanto poderia te ajudar. Mas você, por si só, já é um grande amigo seu.
        Abraços.

      • R.V.,

        Que pena sua esposa não te apoiar nisso, como mulher, tenho pena de existir um exemplar desse na classe feminina.
        Mas que bom que você foi adiante na sua vida, Deus e as pessoas de bem estão contigo, pode ter certeza.

        Beijo grande.

  109. Olá Cris, o que eu posso dizer é que você já deu um grande passo revelando essa história por e-mail, já conseguiu colocar para fora e isso é bom. O próximo passo, na minha humilde opinião, é você procurar um piscólogo ou psiquiatra e tratar tudo isso, desde o trauma até a consequência que é o vaginismo, só com uma ajuda profissional você conseguirá trabalhar isso melhor e viver de uma forma mais feliz.

  110. Letícia, essa mensagem é para você:

    Quando você receber mensagens imbecis, ofensas e críticas, volte a este lugar.

    Olhe para as mensagens acima. Veja a quantidade de pessoas que expuseram problemas extremamente traumáticos. A grande maioria delas provavelmente nunca teria coragem de se expor assim em outro local.

    Talvez você não tenha noção do QUÃO importante esse passo está sendo na vida dessas pessoas. Encontrar um lugar onde as pessoas sintam que podem se abrir e contar seus problemas, seu passado doloroso, seus traumas e como isso continua afetando (ou não) a vida sexual delas, isso faz um bem GIGANTESCO.

    Mais que um diário aberto, seu blog virou um lugar agradável. Agradável nos seus belos textos, bem escritos e que despertam nossa imaginação. E agradável a ponto de, ao te ver expor pedaços de sua vida sem essas “amarras” de hipocrisia que a sociedade impôe, faz as mulheres (e até homens) sentirem que podem CONFIAR EM VOCÊ.

    E não é só porque você fala sobre sexo. Inúmeras pessoas fazem isso, existem inúmeros blogs sobre sexualidade. Mas a exposição da sua intimidade faz com que outras pessoas se sintam a vontade de expor situações íntimas que jamais teriam coragem de expor com qualquer outra pessoa.

    Lembre-se destes depoimentos. Por mais dolorosos que sejam, para quem passou por estes traumas, você estimulou a melhor atitude com realação ao tratamento destes traumas, que é expor o problema, fazer a pessoa reviver aquilo, relembrar, mas por outro lado faz a pessoa ventilar aquilo que estava preso na mente dela, faz ela abrir a caixa de pandora, enfrentar mentalmente aquilo. E é o passo mais importante para a superação. A pessoa deixa de esconder e ignorar o problema. Ao encará-lo, ela percebe que ainda está aí, viva, de pé, íntegra. Que as pessoas aqui a acolheram ao invés de apedrejar. Perceberam que não estão sozinhas. E perceberam que existe um mundo gostoso aí fora.

    Fico feliz de ter conhecido seu blog. Fico feliz de ver que outras pessoas conheceram seu blog. Fico feliz de ver um efeito tão importante na vida de pessoas que desconheço.

    Tenha muito orgulho desse cantinho.

    É um cantinho gostoso, desperta nossa imaginação, nossos desejos, nos faz pensar e imaginar situações muitas vezes evitadas até mesmo mentalmente em nosso dia-a-dia. Fez pessoas se questionarem sobre sua própria sexualidade, sua própria intimidade, suas vidas. Fez pessoas encararem traumas e darem passos importantes para a cicatrização destes traumas. Fez pessoas felizes.

    Obrigada por existir.

  111. Cris…O que posso dizer no momento é que já aconteceu comigo, vamos dizer um quase estupro, por que quase? Apartir do momento que te toquem sem permissão isso pra mim é mto grave, era criança aos 5 anos um cara dos seus 40 anos na rodoviárias conseguiu me alisar sem meus pais verem, lembro-me de chorar mas não sabia explicar para os meus o que estava acontecendo, enfim um anjo enviado por Deus viu e chamou a atenção do meu pai que tentou sem sucesso pegar o “meliante” e aos 09 anos um vizinho “suposto amigo de família” de mais ou menos 38 anos, que me prometeu dinheiro bala e outros pra que fosse ao seu quarto,minha sorte é que comigo estavam meus irmãos que a pedido dele foram buscar frutas no pomar e não demoraram a voltar( novamente Deus se compadecendo de mim),lembro que tinha ido lá buscar algo a pedido da minha mãe,não lembro de em que momento meus pais ficaram sabendo se foi no mesmo dia ou dias depois, somente que ao ver do jeito que saí da casa do vizinho as pressas os meus irmão que eram mais velhos quiseram saber e lhes contei o ocorrido e dessa forma me forçaram a contar a estória aos meus pais,não sei por que meu pai não o matou, graças a Deus nada de ruim de fato aconteceu *(depois disso tive sempre um velhos hipócritas doentes me perseguindo,mas aprendi lidar com meus medos); Me senti mto tempo violada pelo fato deles terem alisado o meu corpo com malícia, até por que era criança e não permiti nada a nenhum momento. Rogo a você de todo coração “Não permita que esse crápula tire mais de você o que ele já roubou, fácil não foi não é mesmo, mas você não caiu, não se acovardou a ponto de viver em vida promíscua ou dividir o seu ódio sua revolta descontando em alguém; Acredite que a vida e o próprio Deus em sua magnitude fará desta pessoa justiça”.Pare de se punir não veja em outras pessoas o erro que fizeram a vc e pense que além de tudo que vc viveu você é vencedora de seus temores, e sim é linda e não tem nada de suja pois vc não agrediu e sim foi agredida, todos nós temos sempre algo de belo para compartilhar nem que seja um único fio de cabelo…rsrsrs
    Há sim já ia me esquecendo o primeiro passo para viver em paz, é perdoá-lo sim isso mesmo, perdoe, pois é um ignorante e cedo ou tarde ele verá o quão ele é doente. Pode ter certeza que Deus não desampara ninguém…

    Lê é um prazer conhecer seu blog,não o vi por todo mas já me identifiquei…Bjs

  112. Cris, este comentário é para você:

    Sei que você não se expôs aqui interessada em reviver seu passado, e sim em melhorar sua vida presente, especificamente sua intimidade sexual. Não sei se você está lendo estas mensagens, mas queria levantar algumas dúvidas:

    Como é a sua relação atual com seu próprio corpo?
    Você se vê nua no espelho? Em que fica reparando?
    Você tem consciência das partes que são sensíveis de teu corpo (nuca, pé, ombros, barriga, etc…)?

    Você só trava com o ato de penetração ou até mesmo as carícias e sexo oral te inibem?

    Você se toca? Se masturba? Já se masturbou apenas com estímulos no clítoris?

    Você sabe exatamente o que te exita (contos eróticos, vídeos, situações específicas)?

    Faço essas perguntas para você mesma tentar conhecer seu próprio corpo. Sei que isto é difícil mesmo.

    Mas a primeira pessoa que pode te auxiliar no problema de vaginismo é você mesma. O vaginismo é o reflexo de traumas que refletem em bloqueios de intimidade. Antes de tentar resolver seu bloqueio com outra pessoa, é interessante você tentar identificar se tem bloqueios em você mesma.

    Acho que a melhor forma de você tentar superar seu problema é se conduzir em uma viagem gostosa por seu próprio corpo. Descobrir e redescobrir o que te faz bem. O que te faz rir. O que te dá prazer.

    Com isso descoberto será mais fácil você se conduzir e conduzir seu parceiro a um prazer conjunto.

  113. Eu acho uma história terrível…Agora tenho um caso na minha família também muito triste.Meu irmão sofreu Falsa Acusação de Abuso Sexual. Foi acusado e condenado por um crime que não cometeu…Tudo começou com a separação dele da esposa, ela filha de juízes disse a ele que se vingaria dele,deixando ele no chão(segundo ela) e com o nome sujo pois,mulher sabe como se vingar(ele a traiu com muitas amigas dela)pois bem,depois da separação,divórcio,divisão de bens e tudo mais ela entrou junto com os pais(juízes)com uma ação criminal afirmando que ele teria abusado sexualmente da irmã dela (na separação a moça tava com 17 anos,hoje tem 25 é casada,advogada e tá grávida do 2º filho.)ela alega que foi abusada (não estuprada) dos 9 aos 12 anos e que nunca contou por que ele a ameaçava e ela tinha medo de estragar o casamento da irmã.(que criança teria esse discernimento aos 9 anos?)bom,meu irmão não conseguiu provar a inocência (crime baseado na palavra da vítima) a moça conhecedora das leis (pois toda a família dela e própria e da justiça),mesmo apresentando vídeos e fotos dela com 12,13,14 anos brincando, abraçando ele num relacionamento sem traumas, tendo inclusive viajado com ele e a familia pro exterior ao 14 anos.Ela é paciente psiquiátrica ,sempre foi (bipolar, borderline, anoréxica) depois do processo passou a alegar que tudo é consequência do suposto trauma …Com a influência dos pais ela conseguiu a condenação do meu irmão que ainda paga pena,sujou o nome dele na nossa cidade pois ele é um profissional renomado,teve o cinismo de escrever um livro usando o próprio (verdadeiro) nome,criou blog sobre o tema,banca a heroína ressurgida das cinzas que todo mundo aplaude e ainda quer uma indenização absurda… (de valores R$) +tanto ela como a mãe querem pensão vitalícia(meu irmão é rico) para bancar “tratamentos eternos”.Enquanto isso meu irmão tem a liberdade retirada,o nome sujo ( sendo chamado de “Monstro” inclusive, pelos que nela acreditam)corre o risco de perder mais dinheiro,e ainda tem que conviver com esse trauma! tudo consequência de Orgulho ferido + Poder=Vingança!!!O que nos consola é que o filho dele hoje com 15 anos afirma com todas as letra que sabe que é mentira e que a tia só inventou isso para se vingar dele.Ele diz:-minha tia é uma maluca,mentirosa que escreve um monte de m**** para aparecer!
    Resumindo,eu acredito realmente no sofrimento de um trauma desse,mas,infelizmente sei que nem sempre tudo é verdade.

  114. Oi Cris, bom, a algum tempo atras eu namorei com uma menina quem tambem passou por isso, na epoca ela tinha seus 9 anos, ela nunca havia contado pra ninguem, nem para a mae, afinal o estuprador era seu avô. Quando ela me contou, fiquei sem saber oq fazer, pois eu havia conhecido o coitado (sim é o unico sentimento que consigo sentir dele, pena).
    Acredito que td acontece por um motivo. Espero que vc seja muito feliz hoj e sempre.
    Beijos

  115. tenha força. faça uma terapia, é serio, é mto bom conversar.
    Como uma leitora disse acima: nai deixe isso te definir.
    é mais facil falar do que fazer, mas voce está viva, tente com todas as forças! sua vida só tende a melhorar. minha mae tb passou por isso, qndo ela me contou eu fikei mto mal por ela. mas isso foi a mto tempo, e acredite, os acontecimentos da vida vao te fazer aos poucos superar.
    te desejo mta força para conseguir!!eu sei que vai!
    abraços fraternos!

  116. Eu mudei o nome ali em cima porque é chato falar disso. Eu fico indignada com a minha avó… Eu tenho que vê-la e abraça-la mesmo sabendo tudo que ela fez. Minha mãe com onze anos foi morar com um cara de sessenta. Junto com minha avó. Quem dormia com ele era minha mãe. E a minha avó fazia sabe o que? Nada. Ela deixou aquela situação pra ficar com o dinheiro do cara. ELA NEM EMPREGO PROCUROU PRA MUDAR A SITUAÇÃO. Minha mãe passou um período difícil e me contou a história. Minha avó falava que não era errado, minha mãe tinha escolhido… Claro, uma criança de 11 anos que não tem o que comer porque a mãe não gosta de trabalhar (não tô exagerando minha avó fala que nunca trabalhou porque num gostava) vai fazer o que? Ela ficava com o cara, trabalhava e estudava. E sabe o que é mais foda nisso tudo? Até hoje minha mãe usa metade do salário dela pra sustentar minha avó. Não quero ver minha avó morrer de fome, mas é foda. Ela sofreu esses abusos todos por anos, até os dezenove quando ela casou com meu pai, é ela estava com ele quando conheceu meu pai. E cara minha mãe é foda, ela é uma heroína. Ela cuida da causa animal, adotamos 6 gatos em um apartamento de 1 quarto e sustentamos mais 6 cachorros na casa duma amiga, minha mãe tem tem duas faculdades e pós. E é concursada. Aaah e ela não parou de estudar ainda. Minha mãe é um caso atípico, não porque ela foi abusada, mas porque ela deu essa volta toda. Eu que tenho tudo do bom e do melhor me sinto mal as vezes e não consigo as coisas, imagina quem passou por essas coisas horrorosas? Cris, só de você estar de pé você é uma heroína. Não pare. Minha mãe me fala que o passado não muda, mas o futuro a gente pode tentar reconstruir.
    Obs.: Minha mãe de fato não é um ser normal e eu sou uma filha super babona. Mas olhe e lute, infelizmente nunca vai mudar o que aconteceu contigo, mas você deve se orgulhar de cada realização que você tem, porque conseguir viver com isso é foda.
    Obs.2: Mamãe aqui dando dica, seja dona de seu destino.

  117. Fiquei chocada com tantos relatos de abusos, pelo texto é possível perceber com que grau de intensidade esses fatos afetaram a vida dessas pessoas, mas com certeza, todos têm marcas muito profundas.
    É preciso falar sobre o assunto, escancarar, orientar, para que possamos salvar as nossas crianças desses animais imundos que cometem este tipo de atrocidade.

    “Cris”, força minha querida, você é muito maior do que tudo que aconteceu com você. Tenha certeza, que há muita gente em volta de você que te ama, e que quer o seu melhor, não desista.

    Beijo grande

  118. Minha querida, não consigo imaginar o que seja passar por isso e nao tenho palavras diante dessa história! mais eu peço em minhas orações que Deus te de forças para que você possa se curar desse trauma e que de alguma forma seus pensamentos sejam apagados de sua memória. fica com Deus, e desejo que muitas coisinhas boas aconteçam na sua vida! um beijo

  119. Bom, é difícil se colocar no lugar da pessoa numa situação dessas né?!
    Mas o que tenho a passar (ou tentar, porque realmente me comovi.) é procure ajuda de um psicólogo (ou psicóloga, se preferir), resumindo, alguém que você possa contar sobre, mas que não dê a opinião dela, ou que diga ‘o que faria’. Mas alguém que simplesmente te faça chegar à uma alto reflexão e conclusão de tudo.
    Como já disseram, o fato de você conseguir escrever tudo, é importante, mostra como você realmente está disposta a SUPERAR (sim, superar, porque sabemos que largar de lado, não funciona) isso.
    Tenha força Cris, e outra: vai por mim, todos estão torcendo por você. Mesmo quem não te conheça, mas conseguem, de forma superficial, ‘entender’ que é desagradável.
    E acho que é uma dica, talvez não tão boa assim, mas enfim, tente definir todas as emoções e explicações que te fazem pensa sobre si, o que pensa… Ajuda a você analisar, e explicar cada um. É um tipo de passo pra superação…
    E remoer, ou guardar sempre uma raiva dele, também é um desgaste seu. É injusto te pedir isso, mas tente ter PENA dele, mesmo sendo seu agressor. Porque quem faz esse tipo de coisa, merece a pena. Não você, você só merece meu RESPEITO, por conseguir seguir e tomar decisões assim. Acho muito importante você continua tentando e seguindo em frente. Causa até a ADMIRAÇÃO, por um ser tão bom e superior. Porque, talvez, eu não conseguiria.
    E no final é: Você vai conseguir, porque o mais importante você já tem, o querer.

    Admiro você moça, e se precisar conversar, eu (sem brincadeira) me sentiria honrada em ouvir…
    beijos. Lara.

  120. Eu estou com muito ÓDIO do que acabei de ler!
    Nunca vou aceitar uma mãe que deixa a filha passar por isso!Até bichos defendem suas crias,como uma mãe pode permanecer omissa sabendo que sua filha está sendo estuprada?É abominável,é nojento!
    Eu nunca passei por algo tão grave,mas aconteceram coisas ruins comigo. Quando eu era pequena(menos de 10 anos),dois primos me fizeram fazer sexo oral neles.Também aconteceu,já mais velha,adolescente,de um vizinho(que era conhecido por atacar adolescentes)me alisar e tentar me beijar.E isso foi o bastante para me deixar cheia de neuras.Só tive relação sexual com uma pessoa,na adolescência (ele era um ano mais novo)e até hoje,com quase 30,não tive mais ninguém.Entendo em parte o que Cristina sente,embora pra ela tenha sido bem pior.Torço para que ela se liberte dessas lembranças e viva em paz com sua vida e sua sexualidade.Ela não é suja.Ela foi roubada!E a esse maldito que fez isso com ela,vou ser sincera,desejo uma morte lenta e dolorosa.

  121. Não sei nem explicar o que sinto ao ler a história da Cristina e das tantas outras pessoas que relataram seu sofrimento… É horrível descobrir que abusos sexuais, pedofilia e estupro são tão comuns. Acho que um passo muito importante a tomar é procurar a ajuda de um profissional e também um grupo de apoio a pessoas que sofreram esse tipo de violência.
    Digo isso porque sei que meu pai abusava de suas irmãs, ele mesmo contou isso para minha mãe quando ela estava grávida de mim e ela IMEDIATAMENTE se separou dele. Ele dizia que estava curado (concordo que isso é uma patologia, não existe explicação racional pra comportamento tão bárbaro) e que estava se tratando. Por muito tempo ela não permitiu que ele tivesse contato comigo, e quando veio a permitir, nunca deixou que eu ficasse sozinha com ele. Com muito sofrimento, ela chegou até a deixar que eu dormisse na casa da minha avó (eu na época não sabia de nada, hoje imagino que ela provavelmente nem dormiu nessas poucas noites), onde meu pai morava na época, sob a condição que minha avó (embora tão omissa quanto a mãe da Cristina) dormisse no quarto comigo. Minha mãe sempre me orientou a não dar confiança a estranhos, não permitir que fizessem qualquer coisa que eu achasse estranha (gritar, correr, fazer o que pudesse), e sempre me deu certeza que eu podia confiar nela para contar qualquer coisa. A partir dos meus 11 anos comecei a desconfiar que toda aquela orientação era por causa do meu pai. Quando eu tinha uns 12 anos eu fiquei sozinha com ele em uma sala por alguns minutos e ele mexeu na minha blusa para olhar meus seios/sutiã. Eu tirei a mão dele na mesma hora e protestei, disse que aquilo não era normal. Ele protestou e desviou o assunto. Quando eu era menor ele já tinha me acariciado de formas estranhas (mesmo com todos os cuidados de minha mãe), mas eu achava que era normal, que todo pai fazia aquilo. Talvez por isso eu não tenha traumas fortes, mas só de pensar nas intenções dele naqueles momentos, sinto um asco inexplicável. Mais tarde, quando eu tinha uns 14 anos, minha mãe me contou tudo de que eu já desconfiava.
    Enfim, me alonguei na história mas era só pra falar a importância de procurar discutir o assunto com profissionais e outras vítimas, pois de alguma forma eu me senti confortada em saber que não é só na minha família que acontecem coisas horríveis desse tipo.
    É muito, MUITO importante que as mães e pais orientem seus filhos quanto a esses perigos. Por favor, não tratem isso como tabu. Tomem todos os cuidados possíveis. Sou completamente consciente da importância de todos os cuidados que minha mãe teve comigo, os quais muitas pessoas que não sabem da história consideraram superproteção. Sei que ela pode ter me salvado de um abuso ou estupro.
    Por outro lado, assim como muitos já disseram aqui, a omissão é uma violência tão grande quanto o abuso em si. A família do meu pai sabe disso tudo (minha avó, meu avô, outros irmãos dele) e até onde eu sei ninguém nunca tomou providências. Pelo comportamento que observei em minhas tias, elas ficaram muito traumatizadas até os 28, 29 anos. São 20 anos na vida delas, da Cristina, da Ana, do Fernando, que não foram vividos com a plenitude e a felicidade que essas pessoas merecem.
    Sei que apesar de parecer óbvia frente à gravidade do crime, a denúncia não é um processo fácil para a vítima. Envolve reviver momentos horríveis, encarar medos e traumas. É preciso ser muito forte para fazer isso. Se essas pessoas mal conseguiram superar todos os danos causados a suas vidas, imaginem quão difícil será enfrentá-los e revivê-los. Eu mesma, que ainda convivo com meu pai (embora pouco, felizmente), não sei como tratar do assunto.
    Desejo à Cristina, e às outras pessoas que tiveram a coragem de contar suas tristes histórias aqui, que possam superar seus traumas e ter uma vida muito feliz, capaz de compensar tudo pelo que passaram.

  122. Devo ser doente, pois apesar de achar atitudes como o do agressor repugnantes, eu me excito lendo e fantasio ser eu a menina sofrendo o abuso. Isso é muito anormal?

  123. Infelizmente é algo que acontece com mais frequência do que imaginamos. Graça a Deus isso nunca aconteceu comigo e não sei como deve ser essa sensação, porém eu acho que as mulheres deviam ir atrás dos seus direitos, ir a polícia, não sei, fazer algo.
    Esse mesmo verme já deve ter feito isso antes e se ainda estiver vivo, é bem capaz que ainda o faça.

  124. Usar a fragilidade física e subjulgar alguém com atitudes desumanas. Nojo e repulsa.
    O mundo seria muito melhor se as pessoas utilizassem o sexo para o prazer e felicidade, qdo 2 pessoas consentem e se desejam. Simples assim!

  125. Sinceramente eu nao sei quem é o pior da história, se é o homem que fez isso com vc ou sua mãe .
    Não conseguiria olhar pra minha mãe nunca mais na vida.
    Ela ficou com tanto medo do seu pai matar o tal ”amigo” , sendo que ela mesma deveria querer fazer com o sujeito.
    Você foi realmente muito forte de contar isso, nem imagino o qantom e o mais certo é procurar ajuda de um profissional msm pra vc tentar ter uma vida amorosa normal.
    Que Deus te abençoe e dê muiiiita força!!!!

  126. Eu não consigo imaginar o que se passa na cabeça de uma mãe dessas.
    Tenho um amigo que passou pela mesmo coisa na infância, foi estuprado pelo vizinho que era adolescente. Ele contou pra mãe, e ela não fez simplesmente nada. E isso foi se repetindo.
    Hoje ele acha que o fato dele ser gay se da por conta desse trauma na vida dele.
    Eu acho que esse tipo de mãe deveria ser presa, perder a guarda dos filhos, ser punida. É um crime uma criança incapaz ser deixada na mão de uma pessoa assim.

  127. Uma vez vi na tv que uma mulher era abusada na infância pelo pai adotivo. Ela, depois de adulta, ligou para ele e gravou a ligação dele lembrando e contando os momentos sexuais com ela e a idade. Pronto. Com a prova ela conseguiu prende-lo anos depois, mesmo ele ja sendo idoso.
    Acho q voce não deve desistir de bota-lo na cadeia. Ele deve ter feio isso com outras pessoas.

  128. dificil começar minha historia n toco nunca nesse assunto e só minha familia q sabe.

    Eu era mto pequena n sei ao certo como e quando tudo começou pq eu era mto pequena e ficavamos trancados em casa pq minha mãe trabalhar. quando ja estava entendendo tudo me lembro q quando n tinha escola era o dia inteiro de sexo oral e penetração no anús, me lembro q ele passava açucar no penis p mim lamber, meu irmão sempre pedia segredo e n sei pq n falava p nimguem o q acontecia. ele é 6 anos mais velho q eu na epoca ele tinha uns 10 anos mais ja conseguia me penetra. minha mãe teve q fazer uma cirurgia e mandou agente p casa da madrinha dele. um dia bem de manha sedo a mãe dela pego eu em cima do meu irmão e quando minha mãe volto falo td p ela dali a minha angustia com meu irmão passou. um dia meu padras me levou p mato ja era tarde e me falou q quando eu crescesse ia me dar um presente, agente morava na favela e deram uma casa de coaab p minha mãe e depois de alguns dias acordei com meu pai mexendo em minha vagina, quando eu ia grita ele falo p mim fica quieta.t fiquei desesperada varias vezes meu padrastoa tento algo comigo e eu sempre consegui fugi
    mais acordei mtas noites com ele mexendo em mim. quando ele bebia ele falava q eu era dele e q quando minha mãe morresse eu ficaria no lugar dela. hj sou casada tenho um filho de quase 1 ano sou feliz em partes. esse fantasma do passado me assombra vivo tendo fazes de depressã nimguem sabe e tenho medo q meu filho sofra como eu. fico semanas sem fazer sexo com meu marido pq n tenho interesse em sexo como as pessoas normais.

  129. Descobri esse fds que minha mãe foi estuprada aos 7 anos por um irmão da igreja , ela me contou e chorei muito , não consigo superar desde então , eu gostaria de ajuda-la , pois ela me confessou que planejava se matar no meu aniversário do ano passado , eu queria entender o porque de pessoas tão ruins .

  130. Eu entendo… fui abusada sempre fui… pelo meu pai… no inicio eu era criancinha… e não entendia sobre isso… e quando fiz uns sete anos comecei a entender o que ele fazia comigo… mas ai ele começou a me ameaçar… e eu nunca contei… mas o que mais me incomodava era minhas irmãs gemeas dois anos mais nova que eu… elas viam tudo… chorava e o monstro continuava… minha mãe sempre trabalhou pra sustentar nós tres e ele também… a partir daí eu nunca o respeitei… eu tenho bloqueios até hoje… e nunca consigo concluir nada… nem faculdade nem emprego nem amizades… nada… me afasto das pessoas… e uma época isso não interferia na minha vida… mas ai ele ficou doente e descobri que minha mãe sempre soube! Isso acabou comigo… pois ela cuidou dele até a morte… pediu demissão… fez tudo pra ficar com ele… não entendo… se ela sabia pq não pediu demissão pra cuidar da gente? crianças… com sete e cinco anos… Hoje meu marido é um amor… e ele não entende o pq nunca ajudei a cuidar do monstro e nem fui no enterro e nem nada… eu cuido da minha mãe ela fica aqui em casa pq tem medo de ficar sozinha… mas não amo mais ela como eu amava… ainda amo… mas eu amava mais eu a adimirava…. mas agora tenho dó… só que a imagem não sai da minha cabeça… mina tia tbm sabia e nunca fez nada… quando ela me contou eu só chorei… eu chorei por não ter ngm por mim… sempre fomos eu e minhas irmãs e eu olho pra tras eu vejo isso… e sempre seremos só nós tres… hoje estou grávida de oito meses de uma menina que é bem esperada e será bem amada… eu só peço a Deus que ela nunca passe pelo o que eu ja passei na vida… pq já fui estuprada pelo meu próprio pai, já fui estuprada ao lado de um ex namorado com uma arma na cabeça… e mesmo assim… cuido muito das minhas irmãs e faço de tudo para não desistir… isso hoje me abala…devem ser os hormonios da gestação… mas espero que nunca mais aconteça…

  131. Fico tão triste ao ler esses depoimentos e perceber que tantas pessoas também passaram por isso. Resolvi dar meu depoimento. Eu sou mais uma vítima, fui abusada sexualmente pelo filho do meu padrasto aos 6 anos de idade. Na época ele devia ter uns 17 anos. Hoje, 20 anos depois eu carrego esse segredo comigo e ainda sou atormentada pelas lembranças. Eu era tão pequena, tão criança. Me lembro dele trancando a porta do quarto e me sentando na cama dele e me tocando, me beijando, tirando minha roupa, minha calcinha e eu sem entender o que estava acontecendo. Me lembro quando ele começou a me tocar e a me beijar, ele fez sexo oral em mim, mandando eu ficar quieta. Depois ele tirou a roupa e queria que eu tocasse nele. Me lembro dele falando que eu ia ter que beijar ‘ele’ também, como ele tinha feito comigo. Não sei quanto tempo durou, e não lembro de todos os detalhes, mas lembro que quando ele me penetrou com o dedo e doeu, eu comecei a chorar muito e ele parou. Acho que ficou com medo de alguém ouvir. Ele me disse que se eu contasse para a minha mãe, ela me daria uma surra. Naquela época eu tinha medo de apanhar da minha mãe e acreditei. Que ódio de mim mesma! Eu fui crescendo e percebendo a gravidade daquela situação. Até hoje, nunca tive coragem de contar para ninguém, nem mesmo para minha mãe, que batalhou tanto na vida, teve 2 empregos para me criar, não tenho coragem de dar esse sofrimento a ela. Graças a Deus ela se separou e nunca mais vi esse MONSTRO. Mas a verdade é que não tem um dia que eu não lembre do que aconteceu e choro quase todas as noites antes de ir dormir. Todos os dias é uma luta p/ fingir ser uma pessoa normal. Não tenho muitas amigas, amigo homem nenhum, ainda tenho medo de ficar perto de homens sozinha, tenho insônia, e mania de banho, me sinto muito suja. Não gosto de chamar a atenção na rua, não gosto que olhem pra mim. Sei que a cada dia esse sentimento piora, me sinto cair em um abismo. Estou piorando. Tenho um namorado, um homem que eu amo e confio, me sinto segura com ele. Estamos querendo casar e estou quase contando tudo a ele, mas eu tenho medo, muito medo do que ele possa pensar de mim. Tenho medo da reação dele. Devo contar antes do casamento?
    Espero sinceramente poder passar por tudo isso e um dia chegar a ser feliz, sem essa tristeza que me consome e desejo que todas as pessoas aqui que tb passaram por isso consigam superar seus problemas e encontrar paz, eu sei que preciso dessa paz, preciso fazer essa tristeza ir embora!! :(

  132. Também sou sobrevivente de abuso sexual na infância e autora do site “R-Evolução Anti Pedofilicos”, que irá completar 10 anos de existência este ano.

    Venho expressar a minha solidariedade com a dor de tantas de vocês e convido a quem desejar ler o site para aprender mais sobre o assunto de abuso sexual na infância, para talvez encontrar algo que possa lhes ajudar a superar seus conflitos.

    Lendo os depoimentos de tantas de vocês, me dei conta mais uma vez como os traumas deste crime afeta as vidas das vítimas num amplo espectro.
    Dependendo da idade, muitas de vocês podem se valer hoje da LEI JOANA MARANHÃO, para fazer o que gostariam que alguem tivesse feito por vocês: Parar o abusador e proteger novas vítimas.
    Veja que, só porque o abusador deixou de lhe abusar, isso não significa que ele mudou, mas sim passou a abusar de outras crianças que você talvez desconheça.
    Para quem deseja seguir adiante com este propósito, procure saber de outras vítimas do mesmo ofensor e compartilhem apoio mútuo para juntas moverem uma ação legal para possivel prisão do mesmo e exigir indenização para terapia.

    Vejo que muitas de vocês se sentem ainda bastante fragilizadas, o que é esperado e, se beneficiariam muito de terapia.
    Como muitas vítimas deste tipo de crime, eu também não quis mais viver e devo dizer hoje que a coisa mais importante que fiz na vida foi ir em busca de cura e fortalecimento emocional.
    Não há coisas materiais como roupas, viagens, carro novo ou coisas do tipo que substituam o autoconhecimento, o resgate da nossa auto estima, o fortalecimento emocional e nossa lucidez.

    É uma pena que no Brasil ainda não existam serviços sociais como no exterior, que oferecem preparo emocional e acompanhamento legal de vítimas de abuso sexual que estejam determinadas a confrontar o abusador na justiça, como eu fiz. Assim, sugiro que manifestem tal desejo de ajuda para que as autoridades tomem conhecimento desta necessidade, para que isso possa talvez ser providenciado.

    Sugiro também que formem grupos de suporte de sobreviventes. Conversem com seus terapeutas e expressem este desejo de conhecer outras vítimas para que possam ter contatos legitimos.
    Leiam mais sobre a ajuda que isso proporciona, no site “R-Evolução Anti Pedofilicos”.

    Mas acima de tudo, não deixem de acreditar em vocês mesmas, em suas capacidades e de fazer coisas positivas em sua vidas.
    E, toda vez que sentirem medo, pensem: É apenas medo… É algo que trago da infância. Isso não sou eu… é o que resultou do que fizeram comigo.
    Mas, não force a barra ou corra riscos apenas para provar que você é forte. Respeite sua sensibilidade e momentos de fragilidade.
    E, permita-se viver seus sonhos ou ir em busca dos mesmos, e procure se livrar de possíveis sentimentos de culpa e da preocupação sobre o que os outros irão pensar sobre você, por causa do que aconteceu. Lembre sempre que, você estava vulnerável e indefesa.

    A coisa mais importante é o que nós pensamos e acreditamos que somos. Os outros são os outros. Mas ninguém sabe de nós, como nós mesmas!

    Abraços a todas, com carinho. De uma sobrevivente, para tantas outras.

    Elisabeth

    “R-Evolução Anti Pedofilicos”
    http://www.r-eap.org

  133. Eu fico muito triste em saber de historias assim…mas eu também fui vitima de e abuso na infância….na época eu com 10 anos ele era vizinho e fazia sexo orall em mim eu achava AA sensação gostosa e ia todos os dias na casa dele e ele fazia a mesma coisa sempre eu fiquei viciada e comecei a me masturbar até dez vezes por dia…um dia eu escrevi um carta pra ele dizendo que era pra ele parar de me assediar e perdir a carta meu irmão mas velho encontrou e leu quando ele me perguntou o que era aquilo eu neguei disse que ele tinha alisado meu peito que na época não tinha nem pedra …eu achava que eu que causava aquilo,que eu que procurava ele….ia na casa dele…mais eu era uma criança e osexo sempre foi algo muito forte para mim.APIs alguns anos eu vim ter consciência do que aconteceu…mas nunca tive coragem de contar a ninguém…ele me fazia gozar e depois tentava me penetrar mais não conseguia eu lembro que. Doía muito e eu chorava e le impurrava…ele colocava o dedo no meu anus. Dizia que eu gostava daquilo..por isso ele fazia.hoje eu sofro calada com muita vergonha do que aconteceu.

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