Mais um pra lista de tabus: squirting

A gente sempre fala sobre ejaculação feminina nos comentários, mas eu nunca consegui escrever um post a respeito. É engraçado como uma coisa super natural vira mais um tabu na nossa já imensa lista de coisas-sobre-as-quais-não-se-fala. Eu nunca ejaculei, mas aparentemente nenhuma das minhas amigas já passou por isso. Isso foi uma ironia, porque é provável que alguma mulher conhecida minha deve ejacular. Meus amigos também nunca comentaram sobre um caso em que isso tenha acontecido.

Algumas leitoras contaram que uns outros blogs aí falaram de maneira pouco respeitosa sobre o squirting, chamando a secreção de “meleca” ou relatando um certo nojinho. Por favor, né, gente? Depois esse povo reclama quando a mulherada fica com nojo de esperma.

Também não se pode ficar se lamentando por nunca ter acontecido com você. Uma leitora explica o motivo:

Minha primeira experiência de squirting foi na adolescência, acho que com uns 13 anos, durante uma sessão particularmente longa de masturbação. Era uma espécie de “experimento científico” de estimular o clítoris até quase gozar, dar uma pausa, e começar de novo (só isso, nenhum dedinho ou objeto lá pra dentro). Antes que façam algum comentário, pois é, mocinhas também se masturbam. Umas mais, outras menos, algumas jamais (por questões pessoais/morais/religiosas/whatever), da mesma forma que os garotos. Get over it. 

Enfim… estava ali nessa ocupação, até que de repente veio o tal jorro (palavra feia do inferno). Após um certo pânico inicial ai-meu-deus-molhei-o-sofá, eu fiquei intrigada. Xixi? Não mesmo. A consistência era um pouco diferente, a cor e o cheiro não tinha nada a ver (há quem diga por aí que o cheiro é agradável). Eu nunca tinha ouvido falar que isso acontecia com as mulheres, mas imaginei que fosse uma espécie de gozo mesmo, e não pensei demais no assunto.

Anos depois, já transando por aí (deixei de ser virgem aos 16), eu comecei a perceber que o fenômeno acontecia de vez em quando durante a relação sexual. Meu primeiro namorado ficou meio assustado quando isso aconteceu durante uma sessão de sexo oral; todo molhado, perguntou se eu tinha mijado em cima dele. Expliquei como eu pude, ele se conformou e se molhou mais algumas vezes naquela ocasião.

Mais tarde, com outros namorados, aconteceu durante a penetração. Em algumas vezes, aliás, foi constrangedor. Por exemplo, o moço mandando bala ajoelhado na cama, a moça deitada de costas com as pernas nos ombros dele, e… sabe quando você coloca o dedo na mangueira e a água esguicha pra todo lado? Mais ou menos isso. Felizmente, os moços já tinham visto dessas coisas por aí (a pornografia presta um enorme desserviço às relações sexuais da vida real, mas nesse caso em particular até que serviu pra alguma coisa), e, após o espanto inicial, abriram o sorrisão estilo Cheshire Cat e continuaram o que estavam fazendo com ânimo e dedicação triplicados.

Só este ano ouvi falar no termo squirting (também feio), e resolvi me informar sobre o assunto na internet. Vi alguns vídeos em que saía uma enorme tromba d’água das moças, o que me parece um pouco exagerado (não sei como o negócio se parece quando acontece comigo, já que geralmente eu estou olhando pra outras coisas – talvez um dia eu tente com um espelho).Também vi muitos comentários internet afora de homens ansiosos por causar tal fenômeno na namorada, como se estivessem em busca do Cálice Sagrado. Tem até “técnicas infalíveis” por aí que me parecem bem idiotas, tipo fazer sexo oral com gelo (deve ter quem goste, mas uma vez quase bati num infeliz que veio com um gelo pra cima de mim. Que coisa desagradável!) ou halls preto (não tive o desprazer, mas se vierem eu também dispenso). Vi um monte de gente que jura de pé junto que squirting é lenda urbana (haha), além de muitas explicações físicas para o fenômeno – glândula não sei onde, ponto G… 

Bem… por experiência própria, digo que existe. Não é todo mundo que faz, e mesmo pra quem já experimentou não é sempre que acontece. Também não parece ter receitinha: pode acontecer com estimulação só no clítoris, clítoris + dedinhos lá dentro, clítoris + penetração, clítoris + anal, só penetração etc. A única regra, no meu caso, é que tenho que estar muuuuitíssimo excitada, o que quase sempre significa muita dedicação e nenhuma pressa. Mas mesmo esse fator não garante nada.

E atenção que isso é muito importante: a mulher ter ou não ter o squirting não significa que teve um orgasmo mais ou menos intenso. Às vezes é antes do orgasmo, às vezes acontece várias vezes enquanto durar o estímulo (você siriricando a mocinha, por exemplo), e isso não siginifica que ela está indo até a lua e voltando em todas as vezes que (ou só quando, hehe) ela molha o lençol. 

Entendo que para os homens nem sempre fica claro quando a mulher está gozando, e imagino que daí venha essa obsessão por “fazer sua companheira LITERALMENTE gozar litros”. Mas tem caras tão obcecados que acabam pressionando muito as namoradas, e as pobres ficam se sentindo frustradas se não inundam o quarto (ou mandam o cara à merda, o que faz muito mais sentido na minha opinião). Puta bobabgem, não entrem nessa onda. A pressão pelo sexo-performance já estraga a vida sexual de muita gente, ninguém precisa de mais uma “meta” pra desviar a atenção do que fazer sexo realmente é: dar e receber prazer. 

Enfim… Dica de ouro? Não importa o que fizerem; é só fazer bem gostoso. 

Casual sim, sem respeito nunca!

Este post foi publicado originalmente sei lá quando (março ou abril), mas nessas transições de plataforma ele acabou se perdendo. Alguém pediu nos comentários do último post, então republico ele aqui.

A estreia deste blog foi polêmica… Enquanto escrevo este post, o primeiro publicado (Rumo ao centenário) conta com 114 comentários. Como esperado, muitos me criticando. Alguns, com veemência. Não me surpreendi. Só neste ano resolvi fazer esta “experiência”, mas já faço sexo casual há muito tempo – e os olhares tortos já fazem parte do meu cotidiano.

Não vou me justificar explicando por qual razão eu faço isso ou aquilo. A maior – e melhor – justificativa é só uma: eu quero. Incontestável. Eu quero. Eu desejo. Não há força maior do que essa, para o que quer que seja. É evidente que este assunto voltará à tona muitas vezes ainda neste blog durante este ano.

Mas o que eu quero falar hoje aqui é sobre outra faceta disso tudo. Para aqueles que acham que sexo casual é apenas e tão somente um simples encontro de órgãos sexuais (sejam eles quais forem), eu esclareço: não é. Ok, às vezes beira a chatice, como o número 2 que vocês já conhecem, e não resta nem uma amizade. Muitas vezes, é só o tesão que bate e ninguém se controla (ainda bem!). Mas, pelo menos na minha experiência, posso dizer que muitas histórias bacanas saem de encontros ditos fortuitos. Tenho uma relação “casual”, por exemplo, há oito anos com um cara. Ele é gostosééééérrimo sob quaisquer aspectos que vocês imaginarem. Exceto uma vez que saímos para almoçar, nunca tive um único encontro com ele que não envolvesse sexo. E, mesmo assim, ele me trata com um carinho que talvez eu não tenha recebido de alguns ex-namorados (UPDATE: é o cara desse post aqui. Um outro, com quem transei pela primeira vez há pouco mais de um ano, ficou irritadíssimo quando contei sobre a péssima experiência que tive com o número 15 dessa lista, sobre o qual vocês lerão em breve (UPDATE: não lerão pq eu tirei do ar! :P).

Talvez vocês se perguntem por que a gente não namora, se eles são tão legais e a gente se dá tão bem na cama e fora dela. Namorar não é necessariamente o objetivo de todo mundo, pra início de história. Bom, pelo menos não é o meu. Em segundo lugar, nunca rolou paixão, frio na barriga, essas coisas. Terceiro: existe uma distância muito grande entre compartilhar alguns acontecimentos e compartilhar uma vida, almoços em família, toalhas molhadas esquecidas em cima da cama e festa de fim de ano da firma.

Mas eu não querer namorar com eles, e nem eles comigo, não afasta o fato de sermos todos pessoas bacanas. Por isso mesmo, o sexo é tão gostoso e nada vazio. Acabamos nos preocupando com o bem estar do outro, se o outro está sentindo prazer, se está doendo, se está rolando o tesão. Não existem joguinhos de conquista barata, aquele esconde-esconde insuportável de início de relacionamento (Por que as pessoas ainda fazem isso? Não me canso de perguntar…). Somos honestos, jogamos limpo, e isso torna a coisa ainda mais prazerosa.

O que faz uma relação ser vazia (seja ela sexual, de amizade, de trabalho) é o caráter das pessoas. Se a pessoa com quem a gente se envolve for vazia, não tem jeito. Você pode namorar anos, noivar, casar, ter filhos, ficar junto até a morte. E, no último suspiro, vai sentir um vazio. Se, por outro lado, a pessoa for bacana e te quiser realmente bem – e isso, necessariamente, passa pela aceitação de você pelo que você é -, você vai se sentir preenchida mesmo que seja no finzinho de uma noite de sábado, mesmo que seja naqueles dias em que seus hormônios enlouquecem e você faz bobagem. Isso não é nada vazio. E, de quebra, ainda é uma delícia.

A little help from my friends

Vai ser bem difícil eu escrever algo novo por aqui nos próximos dias. Tem muita coisa acontecendo na minha vida e eu preciso de foco. Mas volto logo, prometo.

E queria pedir ajuda de vocês pra me dizerem algumas coisas – assim, consigo vislumbrar o rumo que quero dar ao blog. Claro que isso depende do meu humor e do meu momento na vida (é um blog!), mas é bacana ter esse feedback de vocês, que procurarei atender.

Volta e meia alguém coloca sugestões nos comentários. Algumas dessas ideias já estão aqui martelando na minha cabeça. Também tenho muitos emails para publicar. Só preciso de um pouco mais de tempo para isso.

Então, por enquanto, eu quero saber de vocês:

1) Como vocês chegaram ao meu blog? (indicação de amigos, outros blogs, twitter, chamada bizarra da globo.com, IG)

2) Com qual frequência vocês aparecem por aqui? (uma vez ao dia, quando eu linko no twitter, uma vez por semana)

3) Qual o seu post preferido até agora? Qual a razão?

4) E o que você menos gostou? O que eu fiz de errado?

5) Tem alguma sugestão de tema para ser falado por aqui? (também aceito sugestão de filmes, textos, reportagens, blogs)

Peço que vocês coloquem o email real no formulário do comentário. Ele não é publicado.

Por enquanto, me sigam no Twitter (@nadialapa). Por lá eu estou interagindo!

Beijo beijo e obrigada!

A régua da felicidade

Desde que comecei este blog me deparei com o que há de pior nas pessoas. Recebi muitos xingamentos horrorosos, pragas diabólicas e coisas do tipo. Felizmente as coisas acalmaram, ainda que volta e meia (todo dia, mas em menor número) eu tenha de excluir comentários maldosos.

Fui aprendendo a lidar com isso e a não dar tanta importância. Conheci muita gente bacana pelo blog. E não só eu: há um grupinho de amigos virtuais que se conheceram nos chats que a gente faz de vez em quando por aqui. Acho super legal vê-los interagindo no Twitter. Pessoas de vários lugares do Brasil, com bagagem completamente diferente, se encontraram por causa do blog.

Também conheci o namorado porque ele é leitor. Nosso primeiro encontro foi totalmente por acaso. Eu estava gripada, com preguiça de sair, e já havia combinado um almoço com um amigo. Aliás, seria um almoço com “sobremesa”. Meu querido amigo se enrolou no trabalho, eu acordei melhor da gripe, e resolvi ir lá ver qual era.

Fui muito feliz naquela tarde e noite. Jamais esperei ou desejei me apaixonar. Aconteceu. Estou muito satisfeita com os rumos da minha relação com ele e escrevi sobre o assunto no último post. O texto não chega nem próximo de demonstrar o meu real contentamento em tê-lo na minha vida.

Namorado é bem humorado, inteligente, criativo, gostoso, carinhoso, atencioso. Para vocês terem uma ideia, ele lê as blogueiras feministas, prefere a TPM à Trip, devora livros sobre sexualidade. Alguns dos textos sobre os quais já falei aqui ou no Twitter foram indicados por ele.

Mas a minha felicidade aparentemente irrita algumas pessoas. No último post há vários comentários me desejando sorte. Só que há aqueles dizendo que meu relacionamento não é sério, ou que a história é fake, ou que tudo o que eu sempre desejei, na verdade, era arrumar um namorado e por isso eu me joguei nos braços de qualquer um.

Estes comentários são desrespeitosos a mim, mas dessa vez há outra pessoa envolvida. Namorado não é “qualquer um”. Ele é um dos caras mais incríveis que eu já conheci na vida. E olha, eu já conheci MUITOS homens.

Ele também não é o primeiro/único homem do mundo a me dar atenção. Eu não sofro do chamado “dedo podre”; escolho com uma certa competência os amigos e homens que me rodeiam. Eu observo pessoas, tenho um nível de exigência um pouco elevado, e não abro minha intimidade para qualquer um. Abro minhas pernas, sim, mas chegar realmente perto não é assim tão fácil.

Sou muito amada e querida por quem me cerca. Verdade, tenho uma personalidade difícil, ácida, ranzinza, e por isso mesmo algumas pessoas me detestam. Normalmente é recíproco, então vida que segue.

O amor que recebo dos meus homens, dos meus amigos e da minha família me faz bem e me satisfaz. Sim, eu quero ser amada. Lógico! E namorado veio SOMAR nesse aspecto, e não completar.

O fato de ele ainda não querer morar comigo também trouxe espaço para as pessoas dizerem que ele não quer nada sério comigo. Bom, primeiro isso é um problema só nosso, não é mesmo? Em segundo lugar, se o namoro de um amigo de vocês demora anos para virar noivado, depois não sei mais quantos anos para virar casamento, ninguém acha nada errado, né?

Então, o que tem de errado no fato de o namorado não querer morar comigo em dois meses de namoro?

Eu conto pra vocês: as pessoas que acham que ele não quer nada sério comigo é porque não conseguem aceitar que uma “puta” possa ser amada. Como assim uma mulher que queria transar com cem homens pode ter alguém que realmente goste dela? Quem ela pensa que é? Isso é impossível! Os homens só querem comer e sair fora! Quem mandou ser vadia?

Não é exatamente isso?

É assustador. Não quero namorar com nenhum de vocês. Não só porque eu não os conheço, mas sim porque o pouco que já percebi é o suficiente para que eu perceba quão baixos vocês são.

Também vi alguns comentários dizendo que casamento aberto é indício de falta de seriedade. Juram? Eu tenho leitores que vivem – e muito bem! – assim. Casados, com filhos. Família de propaganda de margarina. Olhando de fora, vocês jamais imaginariam que eles transam com quem desejarem. Trocam casais, participam de surubas. E são felizes. Não é isso que todos nós queremos?

A babaquice chega em níveis tamanhos ao ponto de alguém dizer que, enquanto eu estava me declarando, o namorado estava viajando e comendo outra. Por mim ele não precisa nem viajar para transar com alguém; ele pode fazer isso estando aqui em São Paulo mesmo! O irônico é quem exatamente naquele momento que um desocupado fazia o comentário, eu estava falando com o namorado no gtalk – e fazendo encomenda de cosméticos! Igualzinho a um casal “normal”.

Jamais incentivei ninguém a viver da mesma maneira que vivo. Eu mal sei se as minhas escolhas são certas, imagine se vou cagar regra na vida alheia. Este ano, mais do que aprender novas posições sexuais, eu aprendi a respeitar a diversidade. Vi que há pessoas sendo felizes de maneiras pouco convencionais – e gente sendo muito infeliz dentro do padrãozinho que nos fizeram acreditar que seria o passaporte para uma vida plena.

Sou verdadeiramente feliz, e se a minha felicidade te incomoda (com o agravante de sequer nos conhecemos), quem tem problema aqui não sou eu. Você pode não querer um relacionamento aberto, pode não querer transar com cem homens, pode achar nojentas certas taras, mas não meça o mundo com a sua régua. Isso é ser intransigente, isso é não saber viver em sociedade, isso é desrespeitar a diversidade.

Somos únicos, cada um com seus medos e anseios. Só alguns de nós, todavia, conseguimos ser felizes. Destilar veneno por aí não indica que você esteja pleno; aliás, mostra justamente o contrário. Em vez de procurar defeito na vida dos outros, que tal procurar na sua? Identificar o que está errado em você é um grande passo. Talvez assim, finalmente, você comece a experimentar o que é a felicidade. Eu recomendo. Não sei viver sem ela.

*explicando a foto: pra mim, a felicidade pode ser traduzida num cachorro na grama com uma bola. o meu adora. 

Perdi, playboy

Sempre fui aquele tipo de pessoa que não apresenta o cara com quem está saindo pra família ou amigos. Também nunca fui muito de andar de mãos dadas ou de ficar dando beijinho em público.

Até agora.

Até o dia em que o deixei esperando horas no restaurante e o beijei pela primeira vez. Ele tinha uma viagem já marcada, e falamos muito ao telefone. Ficou óbvio o que havia acontecido: estávamos pagando uma paixonite das mais ridículas. Podia ser em razão da fantástica noite de sexo. Os hormônios, esses brincalhões, podem nos enganar facilmente.

Mas aí a gente teve outras noites fantásticas de sexo (e algumas nem tanto). Os fins de semana pareciam curtos demais; eu ensaiava voltar pra casa desde a hora em que acordava no domingo, mas acabava vindo pra cá só perto da meia-noite.

Então tivemos de lidar com o fato de que esse relacionamento era mais importante do que julgávamos. Comecei timidamente a dizer para os amigos que eu estava namorando. Sempre complementava com um “mas eu não estou apaixonada”. Boba como só eu consigo ser, não queria assumir uma potencial “fraqueza”. Mais que isso: achava muito louco uma paixão que não tem ciúme ou sentimento de posse. Era totalmente fora da curva. Não estava acostumada com isso.

Cresci achando que paixão é algo avassalador, em que se exige total devoção do ser amado. De repente, eu sentia algo grandioso, mas sem nenhuma necessidade de vigiar todos os passos dele. Amadureci? Me tornei mais segura? Talvez, mas durante algumas semanas achei tudo muito estranho.

Chegou o momento, então, de apresentar os amigos. Rola aquela apreensão de que todo mundo se curta, aquele medo das amigas dizerem que a gente não combina. Às vezes, afinal, quem está de fora percebe coisas que a paixão não nos permite enxergar.

Namoro aprovado pelos amigos e os cálculos feitos: a gente se vê todo dia. Ele já providenciou uma escova de dentes pra mim. Quando abro o armário do banheiro, sinto um frio na espinha. Fodeu.

Ontem, então, fodeu gostoso. E não estou falando no sentido literal. Brincamos algumas vezes sobre morarmos um dia juntos. A discussão chegou num nível imbecil, por exemplo, em relação ao meu cachorro e onde o bichinho dormiria. Eu queria que fosse no quarto; ele não suporta a ideia. Conversamos tudo isso hipoteticamente!

Mas ontem eu pensei muito a respeito e cheguei à conclusão de que é exatamente isso que eu quero: acordar todos os dias ao lado dele. Não sei como seria, pois somos ambos muito apegados à nossa privacidade. Somos de lua, também, e temos aqueles momentos de querer fugir do mundo.

Decidi que ia contar pra ele os meus pensamentos. Combinamos de nos encontrar em um restaurante. Quando cheguei, pra variar ele já estava me esperando. Encostado no bar, ele deu aquele sorriso incrível (a boca do namorado é sensacional) quando me viu. Passamos a noite como esses casais insuportáveis que ficam rindo embasbacados um com o outro.

Nós temos ritmos diferentes. Talvez eu seja só mais inconsequente que ele. Hoje, 21 de outubro de 2011, eu não teria condições financeiras ou emocionais para ir morar junto. Precisaria ser algo mais estudado, mais pensado, melhor combinado. Ou  não, né? Já vi muitos casais improváveis darem super certo.

Mas eu sei exatamente o que quero. Hoje uma pessoa me perguntou se eu morava com o namorado. Respondi “ainda não”.

Ainda não.

Saiu meio sem querer, de sopetão. Se restava alguma dúvida, ela não existe mais. Perdi, playboy. Perdi feio. Estou completamente apaixonada.

Dor na relação sexual

Procurei pra caramba comentário recente de uma leitora que relatava sentir dores durante a relação sexual. Não achei. Então vou repetir a coisa aqui meio de cabeça mesmo.

A tal moça contou que a penetração vai bem de primeira, tem lubrificação, mas na segunda a coisa começa a ficar incômoda. A terceira, então, é um suplício. Ela já procurou um médico para saber se há algo errado, mas está tudo ok com o corpo dela.

Ler aquilo foi como voltar dez anos no tempo. Lembro com nitidez da tarde em que fui ao ginecologista reclamar exatamente da mesma coisa. Ele olhou tudo, enfiou dedo e instrumentos, e disse “Letícia, deve ser algo psicológico”. Eu fiquei com cara de ?, porque não tinha nenhuma grande questão me afligindo (nota: ele não me encaminhou a um terapeuta ou sexólogo, o que seria o mais correto).

Sofri com isso durante anos. A sensação de dor e ardência não tinha nada a ver com a lubrificação. Eu sempre ficava me perguntando se eu estava seca, pois parecia que o pau estava cheio de areia ou que eu ia começar a sangrar a qualquer momento pela fricção. Perguntava ao meu parceiro se eu estava lubrificada, e a resposta era sempre positiva.

Se eu transasse duas vezes numa noite e tentasse dar mais uma de manhã… era a morte! Fazer xixi? Um inferno.

Até que eu descobri que a coisa era muito mais simples que vaginismo ou traumas psicológicos. Era tão somente alergia à camisinha! O médico sequer levantou essa hipótese, apesar de cerca de 4% da população mundial ser alérgica ao látex, material do qual a maior parte dos preservativos são feitos. A alergia pode ser mais ou menos incômoda; pode rolar só um ardorzinho ou um inchaço da região, tornando a penetração ainda mais difícil. Muita coisa por aí é feita de látex, então provavelmente você pode observar a reação a outros produtos. Eu, por exemplo, não consigo usar absorvente com aquela cobertura “sempre seca”. Sabem aquelas pulseirinhas plásticas de balada? Também são super incômodas pra mim; minha pele fica vermelha, coça…

Tanto é assim que existem no mercado algumas camisinhas especiais para este público. É o caso da Blowtex Premium e da Unique (falo delas neste post). A camisinha feminina também não é feita de látex.

O que se precisa fazer é procurar a camisinha que nos deixa mais confortáveis. Eu não uso nenhuma das três citadas acima. Tenho me dado bem com a Olla Sensitive, preferida do namorado. Ontem senti ardência durante a relação e perguntei se ele tinha trocado de marca. E a resposta foi “sim”! Resultado: estou até agora meio ardida.

Então, é claro que existem questões sérias que podem fazer com que você sinta dor durante o sexo. Já falei aqui sobre vaginismo, por exemplo. Algumas DSTs também deixam a região dolorida. Portanto, não adianta culpar só a camisinha – visitar o ginecologista regularmente faz parte do pacote.

Porém, a coisa pode ser bem mais simples. Basta gastar um pouquinho mais em uma camisinha especial. São centavos! Para ter certeza, procure um alergologista. Normalmente quem tem alergia ao látex tem também a algum tipo de fruta.

Sua gorda!

Cena 1

Local: Um bar de jovenzinhos em um bairro nobre de uma grande cidade brasileira.

Personagens: eu, uma amiga (Carla), um amigo (Marcos) e um desconhecido (Beto).

Enquanto eu, Carla e Marcos esperávamos pacientemente por uma mesa no tal barzinho da moda, Beto – que estava sozinho naquela noite – começou a conversar conosco. Não tenho a menor ideia de onde ele surgiu. Quando finalmente nos chamaram, a mesa era para quatro pessoas. Convidamos Beto, então, para sentar conosco. Foi pura cortesia; nenhum flerte estava rolando ali.

Numa mesa muito próxima havia um grupo de garotas. Uma delas não tirava os olhos de Beto. Nós o incentivamos a ir falar com ela. Ele foi. Ficou lá um tempo, até que uma das garotas (não que ele estava paquerando) disse:

- Tá bom, vai. Volta lá para a sua gordinha.

(nota da redação: a “gordinha” era eu.)

Beto se enfureceu. Apesar de nunca ter me visto até aquela noite, ele ficou indignado com a grosseria da moça. Levantou de sopetão e começou a berrar no meio do bar. Eu nem liguei. Afinal, sou gorda mesmo e não posso ser responsável pela sociopatia alheia. Mas daí o Marcos levantou também, foi lá engrossar a briga, chegaram os seguranças e as meninas decidiram ir embora. Nunca mais vi Beto. Essa história deve ter uns dez anos. Acho que foi a primeira vez que fui xingada de gorda por um desconhecido. Não seria a última.

Cena 2

Local: calçadão da praia do Leblon, Rio de Janeiro.

Personagens: eu e uma amiga, Flávia.

Caminhávamos no calçadão em direção ao local onde ficaríamos na areia. Ambas vestidas. Bem vestidas, em se tratando do Rio de Janeiro (isto é, não estávamos só de biquini). A Delfim Moreira estava pouco movimentada. Passa um caminhão. O ogro sentado no lugar do carona pega um cone desses de trânsito e faz uma espécie de megafone improvisado. O que ele gritou?

- Vai, gordinha.

Bom, eu de fato estava indo pra algum lugar. Pra praia, sendo mais exata. Minha amiga, uma gostosa (logo, o xingamento não era direcionado a ela), virou pra mim estupefata, com os olhos assustados e meio marejados. “Deixa pra lá”, respondi. Eu realmente não liguei.

Cena 3

Local: uma rua qualquer da Vila Madalena, São Paulo.

Personagens: me, myself and I.

Saí do Estúdio Emme quase de manhã. Enquanto eu andava em direção ao estacionamento, passa um carro lotado de homens. Um deles coloca a cabeça pra fora da janela e grita (dou um doce se vocês descobrirem o quê!):

- Vai, gordinha.

Dessa vez eu respondi. Gritei qualquer coisa, mandei um dedo. E continuei caminhando em direção ao meu carro. Como ele mandou eu “ir” pra algum lugar, eu fui. Pra casa de um homem, transar durante várias horas.

***

Em nenhuma das situações eu me senti ofendida, ainda que a intenção das pessoas tenha sido exatamente essa. Eu sou gorda mesmo, gente. Tenho espelho em casa, vou à  médica regularmente (e ela me pesa), compro roupas – e sei o número que vem na etiqueta. Logo, é meio inútil que alguém que não conheço precise me dizer que eu sou gorda, como se eu não soubesse disso.

E como eu faço para não me sentir mal com tudo isso? Eu gosto de mim. Falo desse assunto aqui hoje porque no último post um monte de gente disse que sente vergonha de ficar pelado na frente do parceiro. Também recebi alguns comentários me xingando de gorda essa semana. Sei que devo um post falando sobre a construção da autoestima, de como eu consegui superar algumas inseguranças. Agora, quero dizer pra vocês que é possível, sim, ser gordo (ou magro demais) e se sentir desejada e desejável.

É sempre fácil? Não. Eu sei que grande parte das pessoas acha que os gordos são seres preguiçosos e sem amor próprio. Não sou ingênua. Sei que nós somos motivo de chacota, sei que servimos de ponto de referência (“ali do lado da gordinha”). Mas, de tudo isso, a única coisa que me incomoda é comprar roupa; não é tão fácil achar algo bacana e que não deixe seus peitos pulando pra fora da blusa, por exemplo. Ou que passe nas suas pernas.

Em algumas situações fiquei insegura. Aconteceu esse ano, por exemplo, quando conheci dois leitores do blog (eu já conheci bem mais; esses dois, no entanto, me deixaram meio bobona). Eu achava que eles esperavam que eu fosse uma femme fatale e, bom, eu estou bem longe disso. Um deles virou o número 18, o outro é o Mané (que até escreveu post aqui no blog).

Mas em geral sou totalmente relax com a minha aparência física. Gostaria de ter uma barriga menor, sim. Talvez preferisse que meus olhos fossem maiores, ou que os cabelos brancos demorassem mais uns dez anos para aparecer. Porém, nunca tive nenhum problema em tirar a roupa – seja para fazer sexo, meu passatempo favorito, seja para ir à praia. Uso biquini grande porque morro de medo de tomar um caixote e perder a indumentária no mar e pagar peitão, mas de resto… Ando pra lá e pra cá, nada Garota de Ipanema, mas muito feliz e satisfeita por ser quem eu sou.

Na cama, então, nem se fala. Pô, se o cara já me conhece, já me viu, já me beijou, já me abraçou, ele sabe o que vai encontrar quando eu tirar a roupa. Ou ele acha que eu vou usar uma barriga postiça à la Beyoncé? Que quando eu me despir ele vai ver o corpo de uma modelo? Claro que não. Ele sabe que minha bunda vai ter celulite e que minha pança vai fazer várias dobras. Pra quê sentir vergonha?

Notem que ter problemas com o próprio corpo não é exclusividade de quem está acima do peso. Conheço muita gente magra, mas que não está gostosona/super em forma, e fica querendo transar no escuro e se enrola num lençol pra ir ao banheiro. Eu não. Fico peladona mesmo, no claro, de dia, o que for.

E há quem goste! Outro dia fui ver Medianeras com o namorado. Sentamos separados no cinema, e na saída comentei que achei a protagonista linda. Bonitinho disse: “Eu fiquei em dúvida. Achei ela muito bonita naquela cena em que ela aparece atrás do aquário”. “Aquela parte só aparece o rosto dela. Você não achou ela linda porque ela é muito magra”, respondi.

Nunca tive problemas para arranjar parceiros. Eu não sou tão paquerada como algumas das minhas amigas, realmente bonitas e deliciosas. Mas eu não preciso ter mil pretendentes para massagear o meu ego. A autoestima é algo que se constrói por dentro, e não com fatores externos. Você pode receber todos os elogios do mundo, mas se você não tem confiança em si mesma, você não vai nem acreditar naquilo tudo.

Meus homens também não são de parar o trânsito. Já tive alguns? Sim. Foi legal? Sim, mas não porque eles eram bonitos. O importante é que fossem gostosos, carinhosos, atenciosos. E isso não tem qualquer relação com a beleza exterior. É ótimo ver gente bonita. Este não é um texto para falar mal de quem é belo. É simplesmente para entendermos que não há muito o que se fazer. Você é como você é, e tem que gostar de si assim mesmo. É o que tem pra hoje.

Por favor não venham dizer que é super fácil emagrecer e ter um corpo de deus grego. Também não venham com esse papo eterno de que ser gordo é ruim pra saúde. Pode ser, sim, mas a magreza não é indício de um corpo saudável.

Não é fácil olhar para si e enxergar as belezas que temos, mas não podemos deixar de viver muitos prazeres (como o sexo livre, sem vergonha, ou ir à praia) por conta de quem somos. Eu me acho feia – já disse isso algumas vezes – mas não tenho nenhum problema com isso. Não gostou de mim? Não me achou sexualmente atraente? Ok, eu não quero transar com todos os homens do mundo. Se for mulher a achar isso, então… mais irrelevante ainda!

Eu não vim ao mundo para embelezá-lo. Eu vim para viver do jeito que eu acredito, para dar alguma alegria a quem me cerca, para respeitar os outros seres humanos, até aqueles que acham bacanão me xingar na rua. Sei que isso já aconteceu com muitos de vocês, e por isso mesmo escrevo este enorme post.

Você pode escolher o que vai fazer com esses xingamentos. Vai se afundar, se esconder, se meter em dietas milagrosas? Ou vai tentar viver de maneira mais saudável, inclusive se aceitando melhor? Eu escolhi o meu caminho há muito tempo. Eu vim aqui é pra ser feliz.

(ah, e para quem acha que me xingar de gorda é uma mega ofensa, deixo vocês com Bono Vox: there is nothing you can throw at me that I haven´t already heard.)

Virgindade tardia

Recebo muitos e-mails de virgens que já passaram (às vezes, muito) dos vinte anos. A maioria tem a mesma dúvida: como dizer para o parceiro que aquela é a sua primeira relação sexual? Aliás, o questionamento começa antes ainda. É necessário contar?

Minha experiência no assunto é nula. Transei cedo, aos 15 anos, como já contei aqui. Até pouco tempo atrás eu tinha um certo preconceito com quem demorava demais a transar. Achava que havia algo de errado, como se a pessoa tivesse uma espécie de bloqueio. Em muitos casos, isso é verdade. Em outros, a pessoa acreditou no mito do “a primeira vez tem de ser com alguém especial”; esperou, esperou, e esse tal ser jamais chegou. Também há os mega tímidos, ou ainda os que tinham problemas de autoestima, com muita vergonha do corpo. O tempo passou e agora alguns desses virgens ficaram envergonhados pela falta de experiência.

Não é uma crise boba. A gente vive a nossa sexualidade de maneira muito tortuosa. Se você dá muito, você é puta; se nunca deu, é bobalhão. Se for homem, então, é frouxo. Por conta disso, poucos são os que confessam nunca terem ido pra cama com alguém. Com os emails que recebo, porém, vejo que isso é muito mais comum do que se imagina.

A primeira coisa que deve ser analisada é: qual a idade ideal para transar pela primeira vez? Eu transei com o primeiro namorado, aos 15, e foi tudo bem (quero dizer, doeu pra caralho). Fiz porque quis, sem ceder a pressões. Usamos camisinha, eu não esperei pedidos de casamento e nem achei que iria “prender” ele com sexo. Mas quantos jovens transam sem maturidade para isso e engravidam na adolescência? Como quase tudo no sexo, não acredito em regras para isso. Já recebi emails de leitoras dizendo “perdi a virgindade tarde, aos 19 anos”. Tarde? Acho realmente necessário deixarmos de lado essa coisa de “passou dos 20 e não transou, perdeu a hora”. Conheço vários homens que tiveram a primeira – e única – relação aos 16-17 (idade em que parece ser aceitável transar para não ser chamado de bobão), e só transaram de novo aos 20, 20 e poucos. Nem preciso dizer que aquela foda da adolescência foi um mero pau-dentro-da-buceta, né?

Mas se você acha que a idade é realmente assim tão importante e está morrendo de vergonha de ainda ser virgem, vamos à segunda questão: devo falar? Eu falaria. No caso das mulheres, é provável que ele perceba. Não pelo sangramento, que não acontece em todas as vezes e pode ocorrer depois que você já está em casa. Mas é que provavelmente vai doer, e o rapaz precisa ter um pouco mais de cuidado que o normal. Talvez você nem consiga ir até o final de primeira. Claro que você pode fingir, mas é isso que você quer?

Quanto aos rapazes, não há nada tão óbvio que nos faça notar que vocês nunca fizeram aquilo. Talvez exista um mal jeito em colocar a camisinha, mas certamente você não terá o ritmo normal de sexo, seja gozando muito rápido, seja no simples movimento dos quadris. Ela não vai conseguir cravar: “virgem”, mas talvez ela imagine que você é MUITO ruim de cama. E, a julgar pelas reações ao meu leitor de 25 que era virgem, mencionado em outro post, muitas mulheres adorariam ser a primeira de alguém.

Então você decidiu contar, e fica imaginando em que situação seria melhor fazer isso. Mais uma vez, não há regra. Que tipo de relação você tem com a pessoa com quem vai transar? Acho desnecessário ser um grande amor, aquele tal ser especial. Mas é preciso ter uma relação bacana, de companheirismo, porque provavelmente vai ser preciso um pouco de paciência para te “ensinar” algumas coisas. Assim, não devia ser difícil você simplesmente falar. Talvez a pessoa se surpreenda, mas se for bacana vai te tratar com todo carinho.

Tem gente que despiroca por aí e transa a primeira vez com completos desconhecidos, só para se livrar do “fardo”. Conheço casos em que isso deu muito certo. Mas se não é a sua, eu enxergo a sinceridade como a melhor saída. Sempre.

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Uma leitora colocou o seguinte comentário aqui no blog neste fim de semana:

Oi Leticia, sempre leio seu blog e sobre o post do vaginismo eu ficava horrorizada com as experiências das garotas. Eu era – sou? – virgem. Nesse final de semana tentei com um amigo pela primeira vez. Várias vezes. Doeu demais, sangrou demais, e não consegui uma penetração completa. Isso é normal da primeira vez ou você acha que eu tenho algum problema? Eu etava bem relaxada, mas agora sei que na próxima vez vou ficar receosa, com medo dessa dor terrível. Responda por favor! Obrigada.

Eu mesma digo sobre a minha primeira vez que não sei em que dia aconteceu. Doeu tanto, mas tanto, que eu não pude precisar se o pau estava dentro ou fora. Nas vezes seguintes também doeu uma enormidade. Sinceramente? Depois a dor passa. Se não passar, procure ajuda médica.

O sexismo benevolente e otras cositas más

O querido @mau_mesquita me indicou um texto do Science Daily sobre o sexismo benevolente. Como está em inglês, reproduzo abaixo com uma tradução totalmente livre (se você lê em inglês, recomendo clicar no link e ver a versão original).

“Sexismo benevolente” não é um oxímoro e tem terríveis consequências para as mulheres, segundo especialistas

Debates recentes sobre como atos de “sexismo benevolente” prejudicam as mulheres são publicados em novo texto do Psychology of Women Quaterly (publicado pela SAGE em nome da Sociedade da Psicologia das Mulheres, divisão 35 da Associação de Psicologia Americana)

“A verdade sobre sexismo parece mais estranha que a ficção”, escreveram Peter Glick e Susan T. Fiske, sobre as investigações acerca da natureza do sexismo. Atitudes sexistas não são exclusivamente agressivas, mas incluem uma “estranha… conjunção do que a princípio parece incompatível: a afeição como forma de preconceito”, o que eles chamam de “sexismo benevolente”.

Glick e Fiske mostram as consequências negativas de atitudes que idealizam mulheres como puras, dignas, e objetos da adoração, proteção e suporte dos homens. Pessoas que praticam o sexismo benevolente têm sentimentos positivos pelas mulheres, mas só quando elas agem de acordo com os altamente tradicionais ideais de “como uma mulher deve ser”.

O sexismo benevolente motiva atos de cavalheirismo que muitas mulheres gostam, como um homem se oferecer para carregar caixas pesadas ou instalar um novo computador. Mesmo que o caminho do sexismo benevolente seja pavimentado com boas intenções, ele reforça a ideia que homens têm mais competência que as mulheres, quem os sexistas benevolentes enxergam como maravilhosas, mas fracas e frágeis.

Os autores desenvolveram o Inventário do Sexismo Ambivalente (ASI), que mede tanto o sexismo agressivo quanto o benevolente, há quase vinte anos. Desde a concepção do estudo, milhares de pessoas em dezenas de países participaram do inventário.

As comparações mostram que tanto o sexismo benevolente quanto o agressivo caminham lado a lado (isto é, nações que praticam um, também praticam o outro). Eles andam juntos porque o sexismo benevolente “recompensa” as mulheres quando elas preenchem os tradicionais papéis a que são submetidas, enquanto o sexismo agressivo pune aquelas que não andam na linha. Em outras palavras, aja docemente e eles vão gostar de você; se imponha e eles vão querer te colocar no “seu lugar”.

Numerosos estudos de diversos pesquisadores mostram que o sexismo benevolente tem  péssimos efeitos. Por exemplo: quando as mulheres são levadas a esperar por sexismo benevolente em um ambiente de trabalho masculino, elas ficam inseguras, se distraem, e consequentemente trabalham mal.

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Hey! Me segue no Twitter: @vidadeleticia

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“Fui ridicularizada”. Entrevista da Ministra Iriny Lopes. RECOMENDADÍSSIMA.

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Grosserias na rua? Ninguém merece. Post excelente da Lola sobre um assunto que sempre me deixou embasbacada com a grosseria e sem noçãozice masculinas.

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Saiu uma matéria sobre gênero no El País. Está em espanhol, mas dá para entender.

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Mais um texto do caso Bundchen/Hope, dessa vez com uma perspectiva bem masculina.

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Na Carta Capital, Cynara Menezes fala do perfeito imbecil politicamente incorreto.

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Mais uma vez peço indicação de textos, blogs, filmes, etc. Podem me mandar via Twitter, também. A ideia é fazer um “melhor da semana”, meio parecido com o que fiz aí em cima.