Depressão. Ou não

Desde que comecei a falar aqui sobre a minha crise, li muitos e-mails e comentários dizendo “eu também tenho isso”. A coisa é grave mesmo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), somos 120 milhões no mundo todo, e 17 milhões de brasileiros padecemos com a depressão. Até 2020, será a doença mais incapacitante do mundo. 

Mas é preciso ter um diagnóstico sério. Não adianta você ler aqui os meus relatos e se identificar – e não procurar um psiquiatra. Temos a mania de dar um google em qualquer coisa que sentimos, e de repente podemos ter desde uma simples enxaqueca até um tumor no cérebro.

A internet serve como fonte de informação e, talvez, ajude a nos guiar. Um médico especialista ainda sabe um pouco mais que o Google, garanto. Mesmo que você tenha absoluta certeza de que sofre de um quadro depressivo, ainda assim é melhor buscar auxílio. Até porque só o médico pode indicar o melhor tratamento. Dizer “tenho depressão” não significa curar-se.

Reclamei muito de alguns sintomas dos últimos dias e alguns leitores se identificaram com eles. Mas eles podem não ter na-da a ver com a depressão.

Sinto muito sono e não quero sair da cama – você pode simplesmente estar dormindo mal/pouco. Pode ser porque ficou até muito tarde na internet, tomou café pouco antes de deitar ou até tem algum distúrbio do sono. Eu, por exemplo, fico só 5% do tempo na fase REM do sono (aquela fase em que a gente relaxa mais… e sonha!), enquanto o normal é de 20 a 25%. Logo, eu SEMPRE estou cansada. E isso não tem nada a ver com a depressão. Conheço pessoas que só descobriram que tinham apneia com 60 anos, pois nunca haviam feito uma polissonografia. Quem tem apneia desperta várias vezes durante a noite e sequer percebe isso. Resultado: cansaço extremo e as famosas “pescadas” durante o dia.

Não sinto prazer no meu trabalho – sei muito bem o que é isso. Ah, como sei! Claro que pode ser depressão (tive a primeira crise quando estava trabalhando num lugar que eu adorava), mas pode ser simplesmente falta de tesão. Talvez você tenha desejo de fazer outra coisa, ou encarou de maneira torta alguma mudança no trabalho que porventura tenha acontecido nos últimos tempos. Você também pode ter passado a vida inteira achando que nasceu para ser contador, mas se descobriu um puta de um cineasta. É, amigos. Been there, done that.

Terminei meu namoro/ tenho um relacionamento horroroso e não paro de chorar - Esse foi o relato que mais chegou na minha caixa de e-mail. Gente, quem não chora quando termina um namoro? Algumas vezes dói mais, mesmo, e em outras a gente só sente aquela tristeza básica. Meia dúzia de leitores mencionou estar em relacionamentos que não são bacanas há um, dois anos. Brigam, brigam, choram, choram. Se você não deixar para trás algumas pessoas, você não vai seguir em frente. É bem simples. Sim, é ruim pra caramba perceber que a gente não é amado, mas é muito pior perder meses/anos das nossas vidas com alguém que nos faz mal. Em última análise, nós mesmos é que nos fazemos mal, por insistirmos em histórias fracassadas. Entra aí um componente importante de autoestima (ou a falta dela).

Estou me sentindo sozinho/abandonado – Talvez você esteja, mesmo. Se você mudou de cidade, por exemplo, é provável que não tenha tantos amigos assim. Normal sentir um certo desamparo. Como mudar? Conhecendo gente. Cursos, internet (não precisa recorrer ao Par Perfeito. Teve gente que se conheceu, por exemplo, nos lives daqui do blog). Você pode ser simpático em diversas ocasiões e criar conexões para pelo menos ter com quem sair no sábado.

Não aguento mais meus problemas - Tem fases na nossa vida que são fuedas, mesmo. Lembro do início da minha crise do ano passado. Eu estava cheia, cheia de problemas de saúde. A coisa estava tão ruim que, ao me vestir para ir fazer o teste ergométrico lá no Hospital das Clínicas, eu caí no chão… sobre o meu próprio pé e quebrei o dedo mindinho. Maré horrorosa. Agora, por exemplo, estou sem grana, com dívidas, sem o namorado que eu amava, sem emprego, entreguei o TCC há poucos dias (e isso é estressante!), etc, etc. Péssimo. Tem gente em situação bem pior. Como não sentir desespero nesses casos? Procurar a luz no fim do túnel e não achar?

Meu parente morreu e eu não consigo superar – Acabei de fazer um estudo sobre o luto, então aqui eu posso falar um pouco melhor do que mero achismo. Vocês devem estar familiarizados com os estágios do luto de Kübler-Ross (negação, raiva, barganha, depressão, aceitação). Essas fases podem acontecer ao mesmo tempo e não têm tempo certo para acabarem. Mas é normal ir melhorando cada dia um pouquinho, até finalmente aceitar que a pessoa se foi (e que não vai mais voltar). Continuar na depressão é o chamado luto patológico. Como o próprio nome diz, não é saudável. Eu já passei pela perda de uma pessoa extremamente importante. Posso dizer, então, que a saudade sempre vai aparecer. Imaginar como seria o mundo se ela estivesse aqui, também. Se revoltar volta e meia – não pela morte em si, mas sim pelas circunstâncias – também me parece razoável.

Nenhuma das situações acima, por si só, caracterizam a depressão. Eu não sou médica, e entendo sobre o assunto tanto quanto uma pessoa relativamente bem informada. Por isso, reitero que é preciso procurar ajuda médica. Tem gente que se recusa a tomar remédio. Essa decisão é muito pessoal, mas eu acho boba. O fato de você começar a tomar uma pílula hoje não quer dizer que você irá se medicar para sempre. Pode acontecer de você precisar das drogas durante crises, mas com psicoterapia e outras coisas mais naturais – tipo exercício físico e yoga – você pode melhorar muito e ter uma vida super saudável. De olho na depressão, sempre, mas ainda assim criativa, bem humorada, feliz.

Quem nunca teve nenhuma crise também deve ficar de olho em como está vivendo. Os indícios de que algo pode degringolar a qualquer momento aparecem. Ano passado, conversando com a psiquiatra e contando minha vida inteira, ela disse que eu passei por muitas situações de estresse e não parei para cuidar de mim. Teve a morte da minha irmã, a decisão de largar o direito, a mudança para São Paulo… todas essas fases, necessárias e imprescindíveis para eu ser quem eu sou hoje, pedem algum tipo de suporte. E eu fui fazendo tudo, sendo “forte”. E enquanto escrevo isso, estou há dois dias sem tomar banho. Quer dizer, não vale a pena essa “fortaleza” toda.

Se você desconfia de que algo está errado, procure (por favor, procure mesmo!) ajuda médica. E não confie em qualquer um. O psiquiatra deve te ouvir, te fazer perguntas, entender o que está acontecendo. Se ele mal olha para a sua cara e já vai te receitando um remedinho, desconfie (aqui tem uma reportagem da Trip sobre essa coisa de sair passando remédio logo de cara). Eu só gostei da terceira psiquiatra que eu fui. Gostei muito desta que me atendeu nessa semana, também.

Analisando meu passado, vejo que houve um período da minha vida em que eu estive à beira de uma crise. Na época eu nem percebi. Foi quando eu já havia largado meu antigo emprego, mas ainda não sabia se iria conseguir passar no vestibular/começar nova faculdade. Foi no segundo semestre de 2007. Eu não tinha dinheiro e passava os dias em casa. Resolvi pegar o ócio e começar a me desafiar. É, me desafiar. Sempre fui muito esporrenta, com gestos nada delicados. Pensei: será que sou assim mesmo?

Comecei, então, a fazer artesanato.

Meu primeiro “desafio” foi o biscuit.

A coisa começou a me irritar porque demorava muito tempo para secar. Então passei para as caixinhas de madeira.

Mas que graça teriam as caixinhas sem nada dentro? Fui para os bombons.

Depois que aprendi tudo sobre bombons e trufas, resolvi fazer um curso de confeitagem. Isso eu achava que JAMAIS conseguiria. Depois do primeiro módulo (são três ou quatro, não lembro. fiz até o três), em outubro de 2007, recebi pessoas em casa com esse bolo:

Fico até meio com vergonha como ele é torto, mas eu era novata na coisa, me deixem! Mas os bolos davam muito trabalho – e eu sou ansiosa demais pra isso. Peguei meu conhecimento de biscuit e comecei a fazer… cupcakes, bem antes de eles terem esse nome por aqui.

Eu não acho que fazer artesanato (ou se dedicar a qualquer outra coisa que você goste muito, como um esporte, por exemplo) vai salvar alguém. Mas, em conjunto com uma terapia, uma religião (se você acredita), isso pode, sim, trazer alguma espécie de paz. Pode parecer ridículo, mas isso também me ajudou na autoestima. Eu sempre achei que “não conseguiria”. Se descobrir capaz de alguma coisa – qualquer coisa – dá uma enorme sensação de poder.

Eu cheguei a vender cupcakes por encomenda aqui em São Paulo. Meu material de artesanato, no entanto, está guardado em caixas desde 2008, quando me mudei pra cá. Pretendo voltar. E você? Por onde vai começar?

Finalmente, a consulta

Depois de passar dias procurando um psiquiatra que me atendesse, hoje consegui um encaixe na agenda da médica de uma amiga. Como ela é psicanalista, o consultório é um pouco diferente do que eu estou acostumada. Conversamos. Ela sentada em uma poltrona e eu em outra – não havia a mesa nos separando, como nas consultas psiquiátricas que eu já havia ido.

Daí a primeira pergunta é sempre “você tem algum problema de saúde?” e, bom, tenho vários. Explico tudo: resistência à insulina, menopausa precoce, síndrome metabólica. Passo a falar, então, dos remédios tomados entre o fim do ano passado e o início desse ano. Donaren, Cymbalta, Glifage, Frontal, Zoloft.

Preciso então contar o histórico da minha depressão. Falar do que aconteceu lá atrás é bem fácil. Mas quando começo a discorrer sobre o meu presente…

Uma coisa é contar aqui para vocês. Sinto como se eu estivesse escrevendo para mim mesma, para daqui a um tempo reler isso tudo e pensar em tudo o que já passei. Outra completamente diferente é falar em voz alta “sinto vontade de morrer”. Aqui parece literatura, ficção, sei lá. Quando falei pra ela, porém, tudo se tornou muito real.

Foi estranho.

Ela me fez um monte de perguntas sobre como eu lidava com dinheiro ou se eu tinha manias, fazia coleções, e outras perguntas do gênero. Acho que ela queria identificar se havia em mim algo como TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) ou síndrome do pânico. Nunca tive nenhum sintoma de nenhum deles. (UPDATE em 02/01/13: eu tive um ataque de pânico no final de 2012. Conto em outro post.)

E eu falei, viu? Falei, falei, falei. A parte mais dolorosa para mim, curiosamente, nem foi dizer sobre os pensamentos de morte. Já falei tanto sobre isso aqui que nem me espanto mais. Foi quando eu descrevi o meu dia.

- A senhora está me vendo aqui maquiada, com roupa combinando, mas nada disso é natural. Vou sair daqui, vou à faculdade e depois vou jantar com dois amigos. Nada espontâneo. Estou me forçando a fazer tudo isso.

Doeu perceber que nem ir comer um hamburguer acontece naturalmente na minha vida. Hoje sinto como se a única coisa natural do meu cotidiano é respirar e ir ao banheiro. Até comer, agora, está se tornando difícil. Qualquer comida me dá enjoo, e eu logo quero deixar de lado.

Também falei claramente sobre como a vontade de morrer aparece. São como ondas incontroláveis, sem qualquer explicação racional. Contei sobre a angústia, sobre como meus dias não rendem, sobre o choro compulsivo de toda noite.

Foi difícil.

Mas saí de lá animada. Como o Cymbalta demorou muito a fazer efeito ano passado, agora ela me passou Pristiq, e para dormir o meu querido Frontal volta à cena.

Ontem fui ao endocrino e ele me passou uma série de exames e alguns remédios também.

Chegar agora em casa e estar sozinha me deu uma sensação muito esquisita, mas até este momento eu estava animada, sabendo que vou sair dessa. A médica disse que em 10 ou 15 dias devo estar me sentindo melhor.

Torçam por mim.

Sometimes I wanna disappear

Mas não hoje. Não MESMO. 

Consegui sair de casa para almoçar fora. Pus vestido, meia-calça, salto alto. Passei base, corretivo, sombra, lápis de olho, rímel, blush, batom. Usei o cabelo solto. Coloquei brinco. Eu não queria nada disso, claro, mas né, é preciso voltar à normalidade.

Ganhei uma flor, comi uma massa quentinha e gostosa. E conversei durante algumas horas com o K, um querido e gentil leitor (sim, os amigos da vida real continuam sendo irreais).

Falamos bastante sobre o blog, sobre a depressão, sobre a vida. Deve ter sido um saco para ele, e por isso agradeço mais ainda. Falar out loud sobre o Cem Homens, porém, me fez colocar as coisas nos devidos lugares.

Este blog começou como um diário, mesmo. Nada além disso. Nunca busquei fama e sequer imaginaria ter mais do que meia dúzia de cliques por dia. Isso nunca foi importante para mim. E o resto da história vocês já conhecem.

Nesses meses recebi muitos xingamentos, e eles me fizeram mal. Muito mal. Há quem diga para eu não ligar. Bom, venha aqui ser eu e ler esse monte de merda para ver se você não se incomodaria. Só que hoje, dentro do turbilhão dos últimos dias, tudo parece muito sem importância. Conversando na tarde de hoje, porém, vi que não são só os xingamentos que me incomodam. Também me mandaram incontáveis (sério, são muitos!) e-mails. Homens e mulheres com problemas com a própria sexualidade, mulheres agredidas física e sexualmente, pessoas com questões sérias de autoestima. Eu fiquei triste a cada e-mail, como se eu pudesse sentir vocês do outro lado. Estranho, né? Por isso, não consigo “separar” mentalmente o que vale sentir ou não. Tenho de aprender, eu sei.

Agora, com a minha confissão de ser depressiva, então… Li relatos tristíssimos, de quem foi abandonado pela própria família, pelo namorado, pelos amigos, só porque estavam em crise. É difícil aturar isso? Pra cacete. Mas é preciso ter compreensão, compaixão. Acontece que caráter não vende em loja de conveniência.

Isso tanto é verdade que tive de ler comentários aqui no blog, por exemplo, dizendo que a natureza é sábia e eu não posso ter filhos. Isso é crueldade, não é? Ou eu estou fazendo drama? Eu jamais quis ter filhos, mas achar legal acontecer isso com alguém que você sequer conhece não me parece algo de gente bacana.

Também está aguardando moderação o seguinte comentário:

gente! vc jura q é super normal e só enfrenta algumas crises, né?
tá.
só n sei quem vc tá tentando enganar! pq a coisa tá feia!
seus posts são td menos texto de alguém normal! até o “fui criada pra ser forte” é doentio…. ngm perguntou!
vc reclama de quem te julga e te estereotipa, mas vc ama estereótipos como “forte”e “fraco”!
é vc q tá se chamando de fraca ao responder de um jeito biruta, narrando fatos tristes e irrelevantes! (desculpa, mas quem quiser justificar o pq de estar desequilibrada sempre vai achar um motivo! ngm teve uma vida 100% feliz! td mundo se fode! n é “privilégio” seu ter mortes e doenças na família! TODO MUNDO tem mortes e doenças na família)
e vc ainda reclama q seus amigos “só” ligaram de madrugada, mandaram SMS e combinaram jantar? sabia q essas pessoas (q, por sinal, tb ficam doentes e perdem parentes) tem vida?
ah, por deus, vai…
2a e última vez q entro aqui… muito mimimi egocêntrico…

Se alguém ainda não percebeu, este blog é um espaço muito, muito íntimo, nada imparcial, nada frio, nada objetivo. É, sim, um lugar ego-qualquer-coisa. Ninguém realmente perguntou se minha irmã morreu, ninguém perguntou se eu estou em crise, ninguém perguntou se eu estou sem grana.

Ninguém.

Mas eu quis falar. Assim como eu quis falar da minha vida sexual, e depois não quis mais. Então, hoje este blog é uma bagunça, uma grande salada. Espero conseguir voltar a falar sobre sexo. E fazer também, né, porque eu gosto pra cacete. Só que agora, mais do que nunca, este blog é meu. Meu, meu, meu. Nem eu sei se vou querer escrever aqui todos os dias, ou sobre qual assunto vou falar a cada novo post. É bem provável que eu fique um tempo contando as minhas pequenas vitórias do cotidiano. Desinteressante para alguns; para mim, terapêutico.

Sempre foi assim. Tenho blog desde 2001. Uma leitora reconheceu meu jeito de escrever pelo que ela se lembrava da época. Tive blog no Desembucha, tive blog no blogspot. Dei entrevista até pra Ilustrada na época. E fechei a porra toda depois que minha irmã morreu.

Pelo que vocês veem, então, a coisa não começou com o Cem Homens. Há dez anos tenho essa estranha mania de fazer da internet o meu diário. Como diria Madonna, if it is against the law, arrest me.

Não é, né? Foi o que eu supus.

Portanto, o Cem Homens é, agora, um blog onde me sinto totalmente livre para escrever sobre o que me vier à mente. Podem dizer que eu sou boba, que estou me expondo demais, que eu sou uma louca precisando desesperadamente de atenção, sei lá.

O que sei é que tenho recebido muitas mensagens carinhosas e um grande suporte por parte de bons leitores. Gente bacana, amorosa, cheia de carinho e solidariedade.

Sempre virão aqui, eu sei, pessoas querendo me agredir. Gente que não entende o que eu passo, o que eu escrevo, ou como esse blog é sim importante para algumas pessoas. Poucas? Só duas ou três mudaram suas vidas ao ler isso aqui? Foda-se. Você, que fica escrevendo bobagens na internet ou não abraça um amigo fodido, já mudou o dia de alguém? Não precisa ser uma vida, não. Tô perguntando se já mudou O DIA de alguém. Já? Continua tentando lembrar…

Repito aqui o que disse no Twitter há pouco: eu, mesmo fodida, sou muito melhor que você quando está inteiro.

Ah, quando souberam quem eu sou, começaram a falar que não me comeriam e etc. Tipo: “onde ela arranjaria os 100 homens?” e blá blá blá. Um leitor escreveu a respeito. 

Pega no meu e balança

ATENÇÃO: ESTE É UM POST QUASE MIMIMI. 

Os ânimos andam exaltados nos comentários. Sei que tem gente bacana que quer ver o blog evoluindo, que me segue no Twitter, que traz à discussão assuntos interessantes, que já me mandaram emails super legais.

Mas é foda aturar certas críticas. Acredite: quando você vem me chamar de agressiva (ou puta, ou dizer que escrevo mal, ou reclamar da falta de relatos sexuais, ou dizer que sou mal comida), dezenas de pessoas já fizeram isso antes de você.

Então, por mais que seja a SUA primeira vez, eu passo o dia inteiro lendo essas baboseiras. Se você se incomoda com o fato de eu te responder com uma patada, imagine se você tomasse patadas diárias desde fevereiro. Não se trata aqui de vitimização – já tive meus momentos de me achar um pobre coitada de estar me fodendo por causa desse blog -, mas sim de mostrar para vocês que se não é bom tomar uma pedrada, imaginem tomar zilhões.

Também não se inflamem quando virem eu reclamando com uma pessoa chamada Elena, e depois com a Ruth, depois com a Cláudia. Eu consigo ver que se trata exatamente da mesma pessoa. Você, não. Então, você acha que eu tratei mal diversos leitores, quando na verdade se trata de um único leitor com sérios problemas. Uma das minhas trolladoras é a Val, que de setembro pra cá colocou 48 comentários no blog, todos me xingando. E isso os que eu aprovei.

No último post também surgiu uma tal de Ruth. Fui pesquisar o IP dela… e aqui está:

 ruth

189.108.171.10

Enviado em 08/11/2011 as 14h54 | Em resposta a Letícia F..
Mentira, vc nao se diverte!
Vc se irrita, tem raiva, odio…..
Nao adianta negar. Isso tudo está nas suas respostas.

ruth
189.108.171.10
Enviado em 08/11/2011 as 14h53 | Em resposta a Letícia F..
Meu, vc nao tem palavra…pelo amorrrrrr…rs.
Fala que nao vai aprovar o comentário da menina mas nao se aguenta e aprova!
Tenha palavra.
Privatize o Blog…..
Assim so as pessoas autorizadas poderão ler o seu conteúdo…

ruth
189.108.171.10
Enviado em 30/09/2011 as 11h48 | Em resposta a Ruth.
Menina, vc é muuuuito maluca! Bj…….tô indo la levar a vida do jeito que me for conveniente. Obrigada pela dica.
P.S. Tira a boca da Gisele Soares da sua chamada que isso cabe um processããão hein, rs!.

Mari
[email protected]
189.108.171.10
Enviado em 30/09/2011 as 11h43 | Em resposta a Letícia F..
Mas moça, é diferente!!! Essa pessoa te ofendeu. Muuuitas outras, inclusive eu, apenas discordaram e receberam patada.
Saiba separar…por favor!
Ta na hora de reconhecer que vc é sim grosseira, na grande maioria das vezes.

Ruth
[email protected]
189.108.171.10
Enviado em 30/09/2011 as 11h21 | Em resposta a Letícia F..
Mas olha Leticia, meu humor é pessimo sempre sabe….rs. Só que procuro ser agradável com as pessoas. Quando não estou de bom humor nao vou teclar com ninguem – ou escrever posts, ou publicar algo, ou responder comentários.
Taí a diferença de quem “procura” ser agradável e quem não o é!

Ruth
[email protected]
189.108.171.10
Enviado em 23/09/2011 as 17h03 | Em resposta a Letícia F..
Meu pai eterno….mas até coloquei um rs (risos) no comentário que fiz.
Letícia do ceu, mas vai ser azeda assim la longe hein?
(tô pronta para receber o proximo coice). Vc sabe que também te acho bem valentona para quem se esconde atrás de uma máquina viu. Você fala isso de quem te critica (e eu nem falei nada demais) mas você também nao fica atrás….nao mostra a cara e posa de forte.
Beijos…….mais uma vez bom finde. E pode me chamar até de vaca que nao respondo mais ta.

Ruth
[email protected]
189.108.171.10
Enviado em 23/09/2011 as 17h01
Só mais um comentário: as pessoas comentam aqui que o seu Blog perdeu a essencia. De fato perdeu totalmente, convenhamos.
Mas ele é seu e vc pode enfiar no nariz se quiser.
Como vc diz que nao está nem aí, beleza!
Daqui a uns 3 meses, só daqui a uns 3 meses meeeesmo, é que vc vai perceber a perda dos seus ex queridos leitores. Por enquanto não ta cansativo ler o que vc escreve, mas vai ficar, entende?
Sei que vc também nao aceita esse tipo de comentário porque vejo os esporros que vc dá por aí quando alguem fala isso.
Tchau, bom finde!

Ruth
[email protected]
189.108.171.10
Enviado em 23/09/2011 as 16h54
É Letícia, mas vc nao deixa a gente argumentar.
Se a gente nao concorda com vc, simplesmente somos desqualificados para frequentar o seu Blog.
Quantas vezes ja li você sendo grosseira porque alguem nao concordou contigo.
Então, um pedaço do seu post, hoje nao valeu e vc mentiu…rs.

São oito comentários. Oito. Todos me xingando. E usando nicks diferentes. E eu desconfio que não são os únicos, porque consigo reconhecer o jeito da pessoa escrever. Mas são oito comentários, desde 23 de setembro, do mesmo IP. Mais uma vez: são os comentários APROVADOS.

Por tudo isso, por favor parem com a frescurite de dizer que eu não aceito críticas. Se você acredita nisso, eu sugiro que você simplesmente evite criticar. Dê sua opinião sobre o assunto, e se for divergente da minha, pode ter certeza que irei contestá-lo. Mas não farei considerações sobre quem você é. Mas a partir do momento que você me julga/me critica/me xinga, você está me dando o direito de fazer o mesmo com você.

Caso queiram achar que eu só gosto de receber elogios, be my guest. Quem é que gosta de receber crítica? Piraram? Ninguém curte, ora essa.

Pois bem. Agora espero, de uma vez por todas, que vocês percebam quão chato é moderar essa merda aqui. O tumblr está lá para vocês verem. Eu faço isso aqui sozinha, leio tudo, tenho de aturar absurdos também no Twitter. Eu gosto do blog, ninguém me obriga a escrever aqui. Mas quero ter paz. É pedir demais?

UPDATE

Olhem a loucura do ser humano.

Brenda Oliveira Santos186.220.38.16
Enviado em 09/11/2011 as 5h27

Leticia, bom dia. PELO AMOR DE DEUS. Quais ofensas foram essas que fiz a você, a ponto de divulgar meu IP para milhares de pessoas?
Nunca a chamei de puta, vaca, piranha. Nao concordo com muitos dos seus pensamentos, isso é verdade. A acho grosseira muitas vezes e isso também é verdade. Agora, divulgar o IP de uma maquina que nem é a da minha casa (pois é, gracas a vc posso ser mandada embora) não faz sentido algum.
Ok, vc pode falar: azar o seu! Perdeu tempo de trabalho comigo. É verdade. Acho seu blog interessante e vc disperta em nos um sentimento de amor e odio profundos.
Sendo assim, peco por favor que retire meu IP, oculte, deixe-o somente parcialmente. Por favor!
Isso de divulgar alto pessoal na internet é uma bola de neve e pode me prejudicar demais.
Peco desculpas, claro…..Mas juro: nunca vi em minhas criticas motivos para que fizesse isso.

Meu email: XXXX
Vou responder por la caso queira falar comigo. Obrigada, Brenda.

Ana P.
[email protected]
186.220.38.16

Se não se deixasse atingir pelos xingamentos, não falaria taaaaaanto deles!
Se deixa sim e, estranhamente, demais.
Parabens. Saúde e sucesso sempre…

Bianca
[email protected]
186.220.38.16
Enviado em 16/10/2011 as 0h29

Gente, mas eu nao tinha a menor idéia de que vc era gordinha nao, rsrsrs.
Ainda mais bem gordinha, a ponto de fazer um post sobre isso e mencionar as varias dobras na barriga….rs

Bianca
[email protected]
186.220.38.16
Enviado em 07/10/2011 as 20h58 | Em resposta a Letícia F..

Vocês estão juntos faz um tempinho né?
Pq será que ele ainda nao te apresentou aos amigos mesmo?
Falta de tempo né Lê? Bj

Bibi
[email protected]
186.220.38.16
Enviado em 06/10/2011 as 22h35 | Em resposta a Letícia F..

Mas olha, presta atenção: ja reparou que as pessoas pararam de vir aqui te chamar de vagabunda, que nao presta e etc?
So dizem que vc é grossa. Não ta na hora de vc pensar sobre isso?
Resposta: claro que nao, o Blog é meu e mando tomar no cu quem eu quiser….r.s.
Não vou comentar mais nao tá? Prometo.
Bj

Bibi
[email protected]
186.220.38.16
Enviado em 06/10/2011 as 22h23 | Em resposta a Mariana.

Ai Letícia, tenho que concordar: a menina nem te criticou. Fez um comentário, pensou em te dar um conselho….
E la foi você distribuindo coice.
Vamos comparar: a garota de programa do Blog minhas confissoes mais intimas nuuuuuunca, nunca mesmo, ofendeu uma unica pessoa. É bem formada, educada….sei porque leio o blog dela.
Nao entendo porque você xinga tanto, inclusive quem jamais quis o seu mal.
E olha: quanto mais você xinga, mais instigados ficam todos os que passam por aqui, esperando um escorregão seu para te julgar e ofender.

Ana P.
[email protected]
186.220.38.16

mas vc é agressiva mesmo.
E o pior: tem uma boca suja dos infernos….rs.

Ana P.
[email protected]
186.220.38.16
Enviado em 01/10/2011 as 13h22 | Em resposta a Nuna..

Gente, mas como vocês são malucos, rs.
Não vi nada de doentio não. Claro que a maneira como ela relata sua vida nao é, digamos, a mais normal.
Mas a menina gosta de sexo e ganha por isso.
Doidera virem aqui, gostarem do Blog e saírem criticando o Blog da menina…
Muito incoerente!!!

Ana P.
[email protected]
186.220.38.16
Enviado em 01/10/2011 as 13h19 | Em resposta a Letícia F..

Conheci o Blog da Ayana pela mencão acima. Fiquei hooooooras lendo, nao conseguia parar.
O pessoal ta viajando: ela escreve super bem porém sem frescura alguma.
Valeu pela dica Mariana.

Ruth
[email protected]
186.220.38.16
Enviado em 18/09/2011 as 22h10 | Em resposta a Letícia F..

Ms Leticia, não sei de onde vc tira que, quando pedimos suas narrativas sobre sexo, estamos querendo contos eroticos.
Menina, de onde vc tira isso?
Suas historias eram legais pq nos identificávamos com elas.
Realmente contos eroticos tem aos montes por aí mas não era isso que procurávamos aqui!
Boa sorte. De verdade, adeus queridona.

Ruth
[email protected]
186.220.38.16
Enviado em 18/09/2011 as 22h07 | Em resposta a Stefano.

Ha ha ha ha ha!!
Elegancia e doçura?

Por favor, para!!!!!

É muita cara de pau, Brasil!!!
Ah, sobre divulgação de IP e afins, aqui há um bom texto a respeito.

Olhe para o próprio rabo

O post abaixo gerou uma pequena discussão no Twitter.

Eu estava comentando sobre essa coisa do “valor” de quem transa – ou não – no primeiro encontro.

Recebi um reply em que o rapaz dizia “Gosto do mistério. Gosto de valorizar minha conquista. É…acho que sou meio diferente…”.

Quantos erros em um só twitt, não? 140 caracteres onde você pode destilar tanto preconceito. Primeiro que essa coisa de “mistério” é pura balela. Ninguém mostra tudo de si nem em 50 anos de relacionamento, imagine naquele momento em que tudo ainda é descoberta.

Segundo: valorizar a conquista? Sério? Como o @augustoyoh bem pontuou, fica parecendo “que o cara acabou de caçar um javali”. A mulher não está numa posição passiva. Ou, pelo menos, deveria estar. Então, você não CONQUISTOU uma mulher, como se ela não tivesse poder de decisão sobre a coisa – e você, com seu charme e elegância, conseguiu fazer ela mudar de ideia.

Terceiro: “acho que sou meio diferente”. Hã? É exatamente isso que grande parte das pessoas faz. Não há nada de diferente, novo, revolucionário no comportamento do rapaz em questão.

Depois de eu falar isso tudo por lá (desculpe se você me segue e viu tudo isso, mas tem gente que não usa Twitter e/ou não estava online), o rapaz disse: “Julgando uma pessoa por uma frase escrita? Talvez vcs tenham entendido a valorização da conquista de uma forma equivocada….”.

De fato, eu posso ter julgado de forma equivocada. O que eu acho, porém, é que, quando ele viu os argumentos das outras pessoas, ele percebeu quão ridículo/conservador/machistinha estava sendo.

Perturba reconhecer em nós mesmos comportamentos que a gente não gosta de ver nos outros. Mas se tocar disso é um grande passo e um empurrão para começarmos a mudar.

Por que a gente é assim?

Uma leitora veio me contar que sempre que está apaixonada não consegue transar com facilidade. Disse me ela que as amigas sofrem com a mesma coisa.

Ela não consegue entender por qual razão age dessa maneira.

De início, a história me pareceu confusa. Eu nunca fui assim. Sempre transei quando tive vontade. Algumas vezes demorei mais porque a ocasião não era propícia (não sou dada – ui – a transar em lugares públicos, por exemplo, então precisava ser algo mais discreto). Mas ficar regulando? Hum… nunca.

Apesar de totalmente fora da minha realidade, fiquei pensando a respeito.

Qual a razão, afinal?

Eu posso estar muito errada (lembrem-se que não tenho nenhuma formação em psicologia ou algo que o valha. trata-se de achismo em estado puro), mas me parece que a leitora tem muito medo de ser julgada e/ou de o cara perder o interesse.

Sim, na cabeça dela o carinha ficaria “amarrado” até transarem. Faz sentido agir dessa forma? Não, é evidente que não. Há questões muito práticas envolvidas nisso aí: 1) o carinha sempre pode transar com outras, isto é, pode simplesmente perder o interesse de transar com ela; 2) o rapaz, se for como eu, iria perder o interesse porque não gosta de joguinho; 3) se for uma questão de honra levá-la para cama, ele vai levar – pode demorar dias ou semanas – e depois vai pular fora.

Eu gostaria de dizer pra vocês que ficar com medo de ser julgada é uma bobagem sem tamanho. Mas não é. Não posso dourar a pílula ou falar isso de maneira mais simpática. As pessoas julgam, sim. E pode ser que algum homem para quem você dê de primeira te ache uma puta, safada, sem valor. Aliás, é bem provável que você encontre vários desses babacas na sua vida.

Só que daí me vem outro pensamento, pensamento este que levo comigo, sempre: é este o homem que você quer ter ao seu lado? É um cara preconceituoso, machista, conservador? Porque não se espantem, não, quem é assim (e aí incluo homens e mulheres) é assim em qualquer aspecto na vida. Provavelmente irá te julgar também quando você disser que tem uma fantasia sexual, por mais “inofensiva” que ela seja. É possível também que ele torça o nariz para seus amigos gays. Ou julgue aquela sua amiga que engravidou sem estar namorando.

Se você sente necessidade de “segurar” mais, creio que você também carrega um pouco desse conservadorismo idiota. Eu culpo você? Claro que não. Somos produto do meio, e a gente vê os homens fazendo piada o tempo todo com mulheres “safadas”. Acontece que isso é mais uma das manifestações do machismo, porque nós não fazemos esse julgamento de valor sobre um cara que transa na primeira noite. Sim, existem piadinhas sobre o homem “garanhão” (e aí entramos em uma outra questão, a da sexualidade vista como algo imoral e sujo), mas isso tem mais a ver com a quantidade de mulheres que ele sai do que com a rapidez com a qual ele leva as tais garotas para a cama.

Então o que eu posso dizer é que é muito comum querer adiar a primeira transa, com a vã expectativa de assim ser mais valorizada. Mas eu não acho isso certo. Agindo dessa maneira, por conta dessa falsa esperança, você está corroborando com tudo o que já foi feito até agora em termos de machismo. Se você só se sente valorizada quando uma outra pessoa te dá valor (e você não se reconhece como uma mulher de valor), algo está muito errado.

Quando você demora a transar pelos motivos acima, apesar de estar com vontade, você eterniza esse comportamento para todas as mulheres. Sim, porque alguns homens (babacas) continuarão a achar que existe mulher para namorar, para casar, para transar. E você vai ter que fazer um esforço tremendo para ser aquela mulher para namorar/casar, quando na verdade você está doida para tomar um puxão de cabelo e ser chamada de “minha putinha”.

É muito difícil quebrar paradigmas e buscar a plena liberdade sexual. Muito difícil. Provavelmente eu já fui “desvalorizada” por ter transado de primeira, mas em geral eu me dei muito bem nesse aspecto. Os que não me valorizaram, sinceramente, me fizeram um favor.

De volta. E mais velha

Eu e meu all star esperando pelos Strokes

E aí eu fiquei mais velha. E aí nada mudou. Nada. Pelo menos não de ontem para hoje.

Aniversário é uma coisa engraçada. Nunca gostei, como disse no post anterior. Curto acordar e pensar “o que quero fazer hoje?”, e ir lá e fazer. Sem marcar nada, sem programação, sem estresse. Isso livra meus amigos daquela obrigação de ir a aniversários malas (tipo você odeia samba e seu amigo resolve comemorar justamente “num sambinha super legal na Lapa”, e você acaba indo porque acha chato não comparecer).

Esse ano, porém, tive convidados mais que especiais para celebrar a nova idade. Quem me segue no Twitter sabe: fui ao Pearl Jam e ao Planeta Terra. Estou um bagaço, cansadíssima. Hoje (domingo) acordei super tarde, saí para almoçar comida gostosa, voltei pra cama do namorado e dormimos e acordamos e dormimos e acordamos.

Foi um bom aniversário, apesar de não ter tido nada que lembrasse isso – nada de “parabéns pra você” cantado sem nenhum entusiasmo. Alguns bons telefonemas, alguns presentes, muitos abraços. Fui feliz.

Como mencionei antes, as mudanças pelas quais passei neste ano são inacreditáveis. Pra usar o gancho do Planeta Terra – que em 2010 aconteceu em 20 de novembro – conto aqui para vocês uma história. Combinei de ir para o Festival com uma grande amiga. Marcamos na casa de uma terceira pessoa, de onde sairíamos num carro só. Quando nos encontramos, as garotas estavam lindas (elas não precisam de muito pra isso, verdade seja dita), maquiadas, cabelo arrumado. E eu sequer passei um batom.

Eu estava em um dos piores momentos da minha vida. Sofria muito com alguns problemas que não convém trazer à tona neste post, mas basta vocês saberem que eu vivia perambulando em médicos e tive suspeitas de ter algumas doenças bem graves. Bom, uma delas eu tenho, mas enfim (não, não é fatal e nem nada disso. só é chata).

Foi justamente esse problemão que me fez olhar com mais calma e atenção pros outros. Sempre fiz isso em alguma medida, mas ainda me achava de alguma forma imune a certos “deslizes”. Quando me ferrei, vi que eu era falível. Muito falível. Passei então a observar muito mais, conversar com mais interesse pelas histórias alheias.

Comecei a parar de julgar.

E, acreditem, isso foi muito difícil.

E libertador.

Nunca julguei ninguém pelas preferências ou orientação sexual, que fique claro. Sempre fui essa garota que transa sem amor – e se diverte pacas com isso. Algumas pessoas acham que eu despiroquei (opa!) esse ano. Bobagem. Sempre, sempre fui assim.

Mas ainda via com estranhamento, por exemplo, relacionamentos abertos. Achava que quem ama não sai com outras pessoas. E vejam só onde estou nesse momento! Como a vida é irônica, não? Eu fazia exatamente o que algumas pessoas fazem comigo hoje – julgava que ali faltava amor, faltava comprometimento.

Como eu mudei de ideia? Já disse: observando. Eu me abri mais pro mundo e comecei a conhecer mais gente. É bem comum que as pessoas se sintam à vontade para falar qualquer coisa comigo (porque sim, eu julgava, mas não mencionava meus pensamentos infames). De repente, me vi ouvindo confissões inconfessáveis, e passei a achar tudo normal. Muito disso eu também devo a vocês, inclusive. Com os relatos que recebo no email (leio todos, respondo poucos por falta de tempo), vi que somos todos um pouco inseguros, um pouco medrosos, mas todos tentamos só ser felizes.

E eu busquei isso com todas as minhas forças.

Lógico que há situações em que não sou bem sucedida. Agora, na madrugada do dia 7 de novembro, estou muito preocupada com algumas questões que fogem ao meu controle. Também não olho para mim e vejo uma mulher 100% resolvida. Preciso parar de procrastinar, de ser tão descuidada com dinheiro, de me render à ansiedade. I’m a work in progress. Mas gosto das etapas que já consegui cumprir.

Então, o que eu posso dizer para vocês é que é perfeitamente possível você mudar completamente entre um aniversário e o outro. Fisicamente continuo quase igual. Acho que engordei um pouquinho, mas a cor do cabelo e o penteado continuam os mesmos. Mas neste ano, para ir ao Planeta Terra, passei corretivo, pó, delineador, lápis de olho, batom, máscara. Mudei por dentro e por fora.

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Esta semana estarei mais tranquila, então o blog voltará a ter atualizações diárias. Também vou tentar responder alguns emails e comentários.

Sobre os xingamentos que voltaram com toda a força e algumas críticas recebidas nos últimos dias: o blog é meu. 

Sei que alguns de vocês querem meu bem e acham que estão me dando força quando dizem para eu “deixar pra lá”. Uma coisa que TAMBÉM aprendi esse ano foi não me deixar atingir pelos xingamentos. Vocês sabem que nem sempre foi assim – já chorei, tive dores de cabeça, me irritei.

Hoje, porém, eu não sou afetada por esses comentários maldosos. Porém, é evidente que vou reclamar e comentar, seja aqui ou no Twitter. Antes que digam que não aguentam mais mimimi, por favor notem que eu escrevi cerca de 200 posts, e nem 10% disso é reclamação. Caso não gostem de algo que eu escreva, pulem o post e pronto.

Se vocês querem um blog personalizado, façam o de vocês. Se querem LER um blog personalizado, me paguem que eu faço. Por enquanto, este blog aqui tem dona e ele refletirá os momentos pelos quais eu estiver passando. Me dizer que “perderei leitores” não vai fazer eu mudar de ideia.

Ah, quanto aos haters: continuem arrasando, como sempre. Caprichem, porque também quero voltar a atualizar o tumblr e preciso da colaboração inestimável de vocês.

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Muito obrigada pelos votos de felicidade dos últimos dias. Vocês são lindos.

Lindo também é um certo Bonitinho, que me fez – e faz, sempre – muito feliz. Obrigada por me esperar até cinco da manhã sem nenhum traço de mau humor. Você é incrível.

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UPDATE em 26/12/12: putaquepariu, como eu mudei e como eu não tinha a menor ideia de que minha vida teria uma derrocada bizarra depois, hein? A gente nunca tem controle. Nunca.