Sério. Quase um ano de blog. Você ainda não entendeu?
1) Eu não sou paga para escrever aqui.
2) Eu não sou sua amiga.
3) Isto é um blog, não uma coletânea de obras sobre sexualidade.
4) Eu sou agressiva.
5) Dizer “fica calma” não vai me deixar calma. Vai me irritar mais ainda.
6) Está achando ruim? Faz melhor.
Got it?
Ou é preciso desenhar?
Se é preciso explicar com mais minúcias, aí vai. Mas, se você ainda assim não entender, sugiro voltar para o primeiro ano da escola ou fazer cursos intensivos de interpretação de texto.
1) Eu não sou paga para escrever aqui. Eu adoro escrever no blog. Adoro. Meu “pagamento” vem daí: do prazer, sem o qual eu não consigo viver. Jamais achei que alguém tivesse que pagar para ler o que escrevo aqui. Tanto o é que algumas pessoas sugeriram ter aquele lance de doação no blog, e eu nunca gostei da ideia.
Caso eu escrevesse para um portal, aí sim eu gostaria (e exigiria) de ser remunerada, porque alguém estaria ganhando dinheiro às minhas custas. Repito: uma revista custa em torno de R$ 10 e você não tem o direito de pautá-la. Aqui você pode sugerir, contestar educadamente, dar sua opinião, relatar algo que tenha acontecido com você. Pautar – isto é, dizer que tal assunto não lhe interessa ou que é idiota – não. Não. Simplesmente não. Se você quiser que eu escreva sobre um assunto qualquer, ME PAGUE. Meu email é [email protected] e eu sou freela. Escrevo sobre coisas que você nem imagina. Mas recebo dinheiro por isso.
2) Eu não sou sua amiga. O fato de eu contar parte da minha vida no blog não te torna automaticamente meu amigo. Eu entendo que exista um carinho (que é mútuo em grande parte dos casos), reconheço que blogs dão uma falsa impressão de intimidade. É natural. Mas você tem de saber a hora de parar. O fato de me seguir no Twitter não vai me fazer imediatamente aceitar um convite pra sair ou acatar conselhos do tipo “cuidado com gente da internet”, como eu recebi ontem.
Eu fiz grandes, grandes amigos pelo blog. Tem o Robson, que esta semana gentilmente deixou aqui em casa uma temporada inteira de Criminal Minds (te amo, green eyes). Tem a Ana, com quem dividi uma ribs on the barbie e ontem ainda me trouxe um muffin do Starbucks. Viajarei com Mariana semana que vem. Maurilio já me ouviu choramingar mil vezes nos últimos tempos. Camilla veio aqui em casa num dia em que todo mundo achou que eu fosse me matar. E tem mais Sheila, José Fernando, Tati, Amanda, Henrique, Fabio, Érico, Mari, Larissa, Leandro, Rodrigo e mais muita, muita gente que hoje faz parte do meu cotidiano e que conheci por aqui.
Mas essas pessoas INTERAGEM comigo. Já saí com muitas delas, trocamos e-mails, conversamos no Twitter. São relações de amizade que COMEÇARAM virtualmente, mas se tornaram reais. E sim, quero ter um milhão de amigos e bem mais forte conseguir cantar, mas imaginem se cada um dos meus quatro mil seguidores resolver encher meu saco todo dia? Não dá pra aturar, gente. Interaja comigo. Sobre qualquer bobagem. Mas não venha cagar regra. Nunca. Jamais.
3) Isto é um blog, não uma coletânea de obras sobre sexualidade. Sabem quantos especialistas já escreveram sobre sexo? Muitos. Escreveram muita bobagem, eu sei, mas muito já foi produzido sobre o tema. Documentários, entrevistas, outros blogs, livros, teses, monografias, artigos acadêmicos. Este blog jamais teve qualquer intenção de abordar tudo o que se refere a sexo. Ele começou – vocês devem lembrar – apenas como um lugar onde eu relatava os meus encontros sexuais. Foi se transformando e eu gosto do que ele se tornou. Mas jamais conseguirei, nem se eu me dedicasse exclusivamente a isso, abordar todos os temas. Por isso, se você acha que faltou “algo”, diga. Mas como SUGESTÃO, e não como COBRANÇA. Porque é chato. Porque é inútil. Porque me irrita. Já se você dá a ideia, pode virar um post bacana e instrutivo pra todos nós. Eu não faço NADA obrigada ou porque alguém fez cara feia. Eu olho pra uma cara feia há 32 anos. Nada do que você fizer ou espernear vai ser pior que isso.
4) Eu sou agressiva. Preciso explicar? Desde os primórdios até hoje em dia as pessoas dizem que sou agressiva. Eu já sei disso. Eu vejo isso acontecendo. Mas eu tomo remédios e faço análise, thank you very much for your concern. Repetir isso – ou pior, me xingar disso – não vai me fazer mudar. E, news flash: eu não quero mudar. O que muitas vezes as pessoas chamam de agressividade é apenas PERSONALIDADE. Eu sei que anda em falta por aí. As pessoas preferem ser fofinhas e bonitinhas para serem aceitas. Eu não preciso ser aceita por todo mundo, porque eu já me aceito. Eu sou incisiva. Eu luto pelo que acredito. Lide com isso.
5) Dizer “fica calma” não vai me deixar calma. Vai me irritar mais ainda. Sobre isso: vem aqui ser eu, vem. Já disse nesse post que adoro escrever o blog, mas tomei muita porrada por causa dele. Muita. Algumas nunca foram ao ar porque eu moderei. Outras vocês viram no Twitter. Não me acho a coitadinha, não. Teria sido bem fácil simplesmente desaparecer e esqueceriam da minha existência. Se eu continuo aqui, é porque eu quero, porque eu posso e porque eu acho correto. Mas não me exijam CALMA. Vou estourar de vez em quando mesmo. Lide com isso [2].
6) Está achando ruim? Faz melhor. Tem gente que acha meu blog uma merda. Diz que é inútil. Que é mal escrito. Que é fantasioso. Que é um saco eu misturar sexo, depressão, feminismo e não sei mais o quê. Essa sou eu. Este é um blog. Independente. Que não tem linha editorial. Se eu quiser a partir de hoje só colocar imagem de bichinho aqui, eu posso. Se você acha ruim, não visite. Mas se a sua vontade de voltar aqui for incontrolável, pense no que eu faço de errado que você não faria e monte seu próprio blog. Daí tenha você mesmo seus haters e trolls de estimação. Isso se alguém te ler algum dia, claro.
Se meu blog é inútil e você se acha um cidadão acima de qualquer suspeita, um cara super engajado, bacanudo, justo, honesto, etc, etc, etc, tenho algumas sugestões:
Leia esse post e depois cobre das autoridades o fato do Hopi Hari já ter aberto hoje. Ou olhe para o céu de São Conrado, veja as asas e parapentes voando duplo e denuncie à polícia. Verifique se a lancha que está puxando o banana boat tem uma grade em volta da hélice. Se não tiver, denuncie à Capitania dos Portos.
Leia essas notícias de maus tratos aos animais e contribua. Salve um bichinho na rua. Não tem espaço em casa? Contribua com o SalvaCão, da Lelê, ou com o Segunda Chance, ou com a ONG que com certeza existe perto da sua casa.
“Ah, salvar cachorro e gato quando tem tanta gente morrendo de fome é besteira”, você pode dizer. É um pensamento mesquinho, mas calma! Há outras opções para você ajudar!
Com 43 reais, numa única doação, você dá tratamento contra a malária para cinco pessoas pelo Médicos Sem Fronteiras. Com 60 reais, veja só, você alimenta CENTO E VINTE PESSOAS num dia.
Tá sem grana? Ah, sei bem como é. Estamos juntos nessa. Mas você pode oferecer lar temporário para um cachorro. Pode ir ler histórias para crianças internadas. Pode ajudar a fazer o sopão que alimenta moradores de rua.
E pare de me criticar. Gaste seu tempo com coisas úteis. Eu, com um ano de blog, mesmo sem querer, ajudei pessoas nos seus relacionamentos. Muitas delas relatam terem melhorado a autoestima só de vir aqui no blog. Ontem uma leitora disse que teve coragem de ir ao psiquiatra depois de eu falar da minha depressão. Eu estou fazendo um trabalho pequeno, estressante, que muitas vezes acaba com meu dia. Não é fácil mesmo receber tantos relatos de agressões, de infelicidade e de desespero. Mas eu estou aqui me doando. E você? O que fez pelo próximo hoje?