I’m going through changes

Cinco meses. Vivi mais nesse tempo do que muita gente durante suas miseráveis existências. Não, não foi necessariamente feliz/legal/animado. Mas foi overwhelming. Senti como se não tivesse nenhum controle sobre a minha vida. Surpresas aconteciam todos os dias. Era um mundo novo se abrindo nos momentos mais improváveis.

Tais fatos tiveram relação direta com a minha crise depressiva. Nos piores momentos, reconheci quem estava ao meu lado de verdade. Parei de dar valor a algumas coisas. Tornei-me ainda mais solitária (veja tal adjetivo de maneira positiva). Várias coisas perderam sentido, pois a própria vida não fazia sentido. Respirar parecia trabalho hercúleo. Pra quê? Pra onde estou indo? O que vai ter lá no final?

E eu desisti. Desisti de viver. Virei uma dessas pessoas que completam os dias, meio sem rumo. Paixão? Nem ideia do que seria. E eu não sei viver sem sentir. Trabalho com paixão, escrevo com paixão, me apaixono por todos os meus amigos e caras com quem saio. De repente, eu não tinha nada. Não sentia (e isso não tem qualquer relação com os remédios, e sim com a apatia decorrente de fatos que mudaram a minha vida).

Quando recomecei a viver – naquela minha viagem pro Rio – vi que eu não era mais aquela mulher de antes. Eu desejava tatuar “You only live once”, nome de uma música do Strokes, como um lembrete de que preciso experimentar tudo muito intensamente.

Daí resolvi trocar para “You only live once. Or not”, pois em 31 de dezembro de 2011 passei pela maior ruptura possível. Foi muito pior que a morte da minha irmã ou qualquer outra dor que eu tenha sentido em 32 anos. Vi tudo desabando: família, verdades absolutas, amizades. Into pieces.

E não foi necessariamente ruim. Dói. Pra caralho, às vezes. Olho para os lados e penso “putaquepariu, tô sozinha nessa merda”, mas ao mesmo tempo sinto que agora eu posso ser quem eu sou. Só.

Livre.

Foi daí que a Letícia saiu do armário. Coloquei minha carinha de bolacha aqui, assumi nome e sobrenome, dei entrevista em vídeo. Eu sou eu. Finalmente.

Mas eu ainda não tinha forças para certas mudanças. A recuperação da deprê foi difícil (e eu nem estou curada, só aprendi a lidar com os dias ruins e os aceito. choro, me descabelo, mas não sinto mais desespero). Meu coração estava partido, pelo maior amor do mundo que se foi e pelas tais questões familiares. Fui um arremedo de mim mesma durante meses, como se estivesse me reconstruindo.

E, quando ressurgi, vi que eu não sou mais aquela. Mudei valores, amigos, desejos. Ontem conversava com uma dessas minhas novas amigas e contava sobre o moço por quem eu era apaixonada em janeiro de 2010. Ele era a favor de relacionamentos abertos e eu achava um absurdo. Absurdo! E, bem, vejam onde estou agora.

Só que ainda faltavam algumas amarras. Certas convenções sociais são difíceis de largar. Achava, por exemplo, que eu seria uma completa loser se não tivesse meu nome impresso no expediente de uma revista. Queria uma mesa, um ramal de telefone, um cartão profissional com aquela conhecida arvorezinha de logomarca. Achava que não viveria sem carro. Família? Era preciso “estar lá”, e morar longe há tanto tempo me trazia  imenso sentimento de culpa, por não acompanhar o crescimento das crianças ou jamais comemorar datas importantes, como aniversários, batizados, casamentos.

(e eu estou rodando e rodando e não chegando a lugar nenhum. desculpa. sou dessas.)

Nesses cinco meses tudo mudou de figura. Fui desatando certos nós. Pensei muito. Fiz análise (e continuo fazendo). Sofri. Chorei. Briguei. Esperneei. Reconsiderei. E os laços foram se afrouxando. Ao me sentir menos presa, eu virei eu.

Fiz uma tatuagem, algo impensável há dois ou três anos.

Cortei o cabelo. Curto. Pintei de preto, depois de uns 10 anos loira – com uns breves períodos ruiva de farmácia. Nem meu porteiro me reconheceu quando cheguei em casa.

Agora, a transformação que acontecia pelo lado de dentro está passando para o lado de fora. Meu novo visual não foi aprovado pela família nos dias em que passei junto deles (voltei a São Paulo no sábado). E, pela primeira vez na minha vida, eu ignorei. Não preciso mais de aprovação.

Foi exatamente essa a mudança. Depois de muito tentar, de fazer de tudo, de desejar ser admirada/amada/cuidada por algumas pessoas importantes, como família e amigos muito próximos, eu abandonei isso.

Sou educada, gentil quando consigo e tento ser atenciosa. Com qualquer pessoa, desde um desconhecido na rua ou meus amigos de milênios. Mas não faço nada disso com a intenção de ser aprovada, de ter um selo de qualidade. Sempre fui meio rebelde na atitude. Desde criança. Mas, no fundo, tinha uma parte do meu ego, da minha vaidade, que precisava ser massageado. Eu queria ser amada.

A tal grande ruptura que experimentei foi perceber que nada disso adiantou. Pessoas são escrotas porque são escrotas e não há nada que você possa fazer para mudar isso. Eu me fodi. Quase morri. Literalmente.

Mas a melhor coisa de renascer aos 32 anos é que agora eu sei como o mundo funciona e o que espero da vida. Não sou mais um bebê bochechudo e indefeso. Tomei as rédeas dessa porra.

Sou livre. Como nunca fui antes.

***

E, com tantas mudanças assustadoras acontecendo, o Cem Homens virou Cem +1. Já está no ar há duas semanas, alguns de vocês sabem. Infelizmente tive de fazer uma viagem inesperada e ele ficou todo desconfigurado e foi mal atualizado. Tem coluna desconfigurada, palavras em inglês, as páginas não me obedecem. Mas agora estou de volta e com tempo para ir ajeitando. Tenham paciência. Temos alguns colaboradores que irão me ajudar na empreitada.

Fui convidada para participar hoje de um programa de TV. Não aceitei. Mas estou com saudade de vocês e, portanto, irei fazer uma twitcam lá pelas nove da noite. Fiquem ligados no Twitter e no Facebook.

Adeus

Eu tentei de todas as formas. Esperneei, xinguei. Apareci de surpresa em uma noite fria e numa tarde quente. Conversei. Me expus de maneira  visceral, com todos os medos, anseios, dúvidas e desespero. Muito desespero.

Fui sua.

Eu, tão contrária à ideia de ser um objeto nas mãos do outro, confesso: nos últimos seis meses eu fui sua. O coração partido e a cabeça confusa não me deixavam agir do jeito que eu pudesse me orgulhar depois.

Não. Pelo contrário. Fiz e falei coisas que eu reprovaria no outro. Algumas atitudes consigo compreender, outras me parecem movidas por algo sobrenatural. Penso e me vejo de longe, deitada no chão da cozinha, fouet na mão e lágrimas no rosto, ao pensar que nunca cozinhei pra você.

Como eu fui sua, eu não fui eu. Estava ali, à sua disposição, como marionete. E você não ligou, não quis saber, não acha que mereço um pedido de desculpas.

Seis meses. Sonho com você e, em alguns dias, até acordo pensando que meus pés encostarão nos seus embaixo das cobertas. Não irá acontecer, nem hoje e nem nunca mais. Mesmo que digam que “nunca” não existe, todos sabemos que não é verdade. A gente faz escolhas que impedem certas reaproximações.

Eu fiz as minhas. Tentei chegar perto. De um jeito torto em grande parte das vezes. Mas eu abri meus braços e queria te aconchegar de novo aqui. Você não veio.

É estranho e incômodo pensar que cada vez menos saberei de você. Porque já não procuro notícias, porque os poucos amigos acham desnecessário tocar no seu nome. Aos poucos você vai se tornando apenas lembrança, e não presente.

Sempre tenho enorme dificuldade em aceitar isso. De que alguém tão importante, com quem fiz tantos planos e me alegrei em tantas manhãs (e só deus sabe quão difícil é ficar feliz antes do meio-dia), simplesmente não vai mais existir na minha vida. É como a morte, mesmo. Fiquei enlutada por seis meses.

Agora é hora de começar nova vida. Com a cabeça no lugar, o coração em paz e com ações das quais eu me orgulhe. De novo.

***

E por “começar nova vida” há um montão de novidades a caminho. Este é o último post deste blog. Não, não desisti de escrever. Sou viciada nisso aqui.

As coisas só ficarão maiores e melhores. Retomei as rédeas de tudo e, junto com uma galera hiper bacana, o Cem Homens vai se transformar em outra coisa. Muito melhor, mais informativo, mais plural.

Em breve, quando eu puder dar todas as coordenadas, vocês ficarão sabendo. Vai ser incrível. Estou muito feliz e espero que vocês compartilhem isso comigo.

E para comemorar a nova fase da vida eu até fiz uma tatuagem. A primeira. Dizem que vicia. Já escolhi até o desenho da segunda.

Toda vez que alguma fase da minha vida se encerra eu penso na música abaixo.

It’s something unpredictable, but in the end it’s right

I hope you had the time of your life

I did. Mas de outra vida. Agora é tempo de recomeçar.

 

De novo. Dessa vez, pra sempre

Ainda lembro de você ansioso, pernas tremendo, sacola com um livro no colo. Você olhava para cima no Paulista 900, na tal escadaria palco de tantas manifestações políticas e algumas linhas de chegada de 31 de dezembro.

Parei por dois segundos e te observei. Você não foi com aqueles óculos medonhos de hipster. A pele muito branca, a quase pancinha. Eu, num momento muito fugaz e que não sai da cabeça, fui muito muito muito feliz.

Você estava nos meus braços, mas algo – não sei ainda o quê – deu errado. Lembro com igual perfeição dos ataques histéricos, do choro, de todas as vezes em que você largou da minha mão e saiu quase correndo.

Jurei que a despedida com beijos imensos fosse a despedida. Mas nem parece que a vida puxa meu tapete, e sim que eu vivo em cima de um tapete voador. Depois de tudo o que aconteceu aqui e aí, eu vi naquela noite de novembro sua mão estendida pra mim de novo.

Eu não queria. Xinguei. Esperneei. Joguei pro alto todas as mágoas. Merda no ventilador, como eu mesma digo. E a sua mão ali, me esperando.

Foi nela em que me agarrei numa noite mais escura que todas as noites escuras. Foi segurando em você que eu vi o dia raiar de novo. E outro dia de novo, dessa vez de uma maneira bem menos poética.

Você queria saber que tal de amor é esse. É romântico? E se for? Ah, já não deu certo uma vez. Mas eu não sou mais a mesma, você não é mais o menino da camiseta do Gato Félix.

E, no fim, o que importa? E se somos só amigos? E se eu quero aquela merda de aliança de Star Wars ridícula? E se você morar pra sempre aí e eu morar pra sempre aqui e meus cupcakes forem sempre mais bonitos que os seus? E se? E se?

Eu não sei nomear. Não tenho rótulo. Não consigo sequer entender se eu troquei tudo, se me apeguei ao sentimento porque eu não aguentava mais sentir dor.

Mas meu coração esquenta a cada puxão de orelha, a cada bolinha verde no whatsapp com seu nome, até quando você me apoia numa tatuagem bizarra. Sorrio sozinha feito imbecil quando você fala pros seus amigos me perguntarem pelo Eddie (meu cachorro) como se ele fosse gente.

Eu não sei o que vai acontecer daqui pra frente. Mas dessa vez eu não tenho medo. Tanto sentimento assim normalmente me faz ficar toda cagada e fugir, bater, xingar. Agora é tão imenso e tão certo que não sei nem mais o que pensar.

Numa madrugada dessas eu te mandei uma das minhas mensagens ininteligíveis: toco medo de tanto q eu te amo pq num toco medo. Dá cá sua mão. Eu não tenho mais medo de te amar. E o resultado disso só podia ser um: eu te amo.

Vem, babe. I’m waiting. 

 

 

Sobre a briga de hoje

É, teve confusão de novo.

Eu passei a tarde offline porque meu celular não funcionou. Quando estava chegando em casa vi que me ameaçaram de ação judicial e outras coisas do tipo.

Disse no Twitter e repito por aqui: se algum dia eu acusar alguém injustamente (seja no blog, no Twitter, num chat, num boteco), podem me chamar a atenção com educação. Não tenho nenhum problema em assumir erros e de pedir desculpa quando necessário.

Reli o post que gerou a confusão e continuo achando muito razoável. Ele expressa o que sinto no que se refere às relações humanas, e não sobre A ou B.

Sempre que essas discussões acontecem algumas pessoas se envolvem e se fazem de vítima, como se eu tivesse ido atrás da briga. Em alguns casos isso é muito verdade, mas nos últimos tempos eu não falo (e, portanto, não brigo) com quem não me interessa e até deixei de seguir pessoas que retuitavam outras que não curto.

Os envolvidos me chamam de infeliz (oi, sou depressiva, não infeliz), de pobre (oi?), de puta (eba), de gorda, de feia, etc. Algumas dessas coisas eu sou mesmo, mas não sou injusta e nem sem caráter como outros.

Querem se unir para falar mal de mim? Go for it.

Eu realmente, realmente, peço com todo o carinho para não me envolverem nessas discussões. Se incomodou com algo que eu disse? Por gentileza me envie um email ([email protected]) que se eu achar que você tem razão eu não tenho problema nenhum em me redimir.

Se não é o caso e se trata apenas de fofoquinha, não me envolvam. Por favor.

Se porventura vocês virem uma agressão realmente grave (como ano passado, quando diziam que eu era soropositiva e estava repassando o vírus), me avisem apenas para que eu tome as providências cabíveis.

Isso também vale para você: caso você acredite que eu fazer um mea culpa no blog não é suficiente, todos sabem meu nome e sobrenome. Procure o Poder Judiciário e faça o que achar razoável.

Mais uma vez peço gentilmente para não me envolverem nessas discussões. Não sou mulher de fugir de briga (como muitos o fazem), mas não vejo onde podemos chegar com isso.

Obrigada.

Agrediu? Não diga que foi piada. Cresça

Existe um moço muitíssimo importante na minha vida que já me aturou muito. Eu também já tive de lidar com muita bobagem dele. Ano passado tive uma madrugada horrenda durante minha crise depressiva e ele ficou horas comigo ao telefone tentando me acalmar (ele não mora aqui).

Sequer lembro direito o que conversamos, mas sei que ele moveu mundos e fundos pra alguém “me salvar”. Bom, salvou.

Até que essa semana eu tive uma recaída bem fodidinha. Foram três dias toda cagada, sem querer levantar da cama ou resolver qualquer coisa. Tomei dois banhos só. Me alimentei de pizza, pipoca, coca cola e brownie. Tive taquicardia, crise de choro e toda a merda que vem junto com uma crise.

E fiz drama. Ah, como fiz drama.

Este moço, por estar próximo demais de mim (ainda que virtualmente), teve de aturar. “Você não me ama”, “você vai me abandonar como todo mundo”, “você nunca vem pra São Paulo pra me ver”. Resmunguei demais.

Ele, sem paciência, disse que eu tinha que parar de “parecer depressiva”.

Para o mundo.

PARECER depressiva?

Que porra é essa?

Eu sou depressiva e nunca escondi isso de ninguém, especialmente dele. Pelo contrário, aliás: a gente se reaproximou justamente quando ele leu aqui no blog que eu estava mal.

Fiquei irada.

Reclamei no Twitter algo como “a próxima pessoa que disser que ‘pareço depressiva’ vai tomar um soco na cara”. Completei dizendo que eu não era “bipolar de Twitter”, como muita gente por aí se vangloria, sem saber quão horrível é ter um transtorno do tipo.

Eis que imediatamente recebo um reply de uma garota que jamais havia interagido antes:

“parece depressiva”

Hã? Eu demorei a entender um pouco o que estava acontecendo. Podia ser um desses haters imbecis que querem qualquer motivo mínimo para zoarem os outros, mas não. Era gente-como-a-gente. Ou não, porque eu jamais faria isso.

Respondi:

“A sua sorte é que você está longe e não vai tomar o soco prometido.”

Ela não se satisfez e copiou duas seguidoras minhas reclamando que eu queria bater nela virtualmente, e ainda disse “pessoa com depressão não tem vontade de bater em outras! brinks.”. Eu a bloqueei e deixei pra lá. Como as meninas (por quem nutro muita estima) foram interpelá-la pela ~brincadeira~ sem graça, a moça respondeu:

“ai, gente, sério? eu não vou ficar pedindo desculpa e de mimimi pq alguem se ofendeu c/isso.”

Depois se vangloriou:

“vou te confessar, fiquei excitada com a minha primeira treta no twitter! \o/ demorou taaaanto. e o melhor: foi sem querer!”

Já tem um tempo que eu não levo mais as agressões pro lado pessoal, como fazia outrora. Eu sinceramente não penso que é comigo, Letícia. Talvez seja um jeito de me preservar, talvez seja porque eu tenho taaaaaaaaanto a resolver na minha vida pessoal e com meus amigos e familiares que não faz sentido me importar com o que desconhecidos falam de mim.

Porém, eu não consigo ficar totalmente alheia porque sei que gente que faz isso comigo também age assim com todo mundo. E eu recebo diariamente e-mails e comentários de pessoas que sofreram bullying. Na família, na escola, do namorado, de desconhecidos.

E eu posso imaginar quanto essas coisas machucam e prejudicam o pleno desenvolvimento da autoestima. Mas o comportamento dessa moça mostra como certas mentes são apenas desequilibradas. Elas querem que você se sinta mal. Elas se gabam de fazer o mal.

Eu não estou dizendo que não devemos menosprezar as críticas que nos fazem. Às vezes elas nos fazem perceber atos que nem nos tocamos de quão prejudiciais são. Mas o meu conselho é que levemos a sério os conselhos recebidos por quem nos quer bem, que nos pega pela mão com delicadeza e tenta nos ajudar a superar algum defeito que porventura tenhamos.

De resto, trata-se apenas de perversão. Esqueça a ideia “sexual” que lhe vêm à cabeça ao pensar no termo. Já conversei com a minha psicanalista a respeito, mas basta uma rápida lida na wikipedia:

Os perversos sugam recursos e energias de outras pessoas para se manter existindo

Um perverso procura estabelecer relações mais intimas com aqueles que se assemelham com ele ou por quem ele tem inveja.

Cuidado com quem você se relaciona. Cuidado com quem você deixa chegar perto. Alguns só querem te apunhalar. Too bad for them que daqui eles não se aproximam mais.

Minha buceta vale mais do que a sua

Hoje rolou uma briga no Twitter na qual eu não estava envolvida (EBA!).

A coisa começou assim: uma moça chamada Pietra Príncipe, apresentadora de um programa no Multishow chamado Papo Calcinha, decidiu posar nua. Para isso, seria necessário arrecadar 300 mil reais em uma plataforma de crowdfunding chamada Nakeit.

Não deu certo. A arrecadação não chegou aos 90 mil reais. Por conta do insucesso da empreitada, criou-se um thread num grupo do Facebook chamado “Entusiastas da Social Media”. Esse link já havia chegado a mim há algum tempo, não lembro como e nem o motivo. Só sei que a questão era como o valor arrecadado não chegou nem a um terço do esperado.

Até aí ok, realmente era muita grana, bem mais que se paga a uma capa da Playboy, por exemplo. Nesse caso, porém, todos os custos do ensaio correriam por conta da produção (fotógrafo, locação, tratamento de imagem, edição, etc).

Iniciativa frustrada, de qualquer forma. Em vez dos tais ~entusiastas da social media~ (exceto raras exceções) tratarem a coisa como um case que não deu certo, apontaram a escolha da moça como o grande problema. Ela não teria carisma, não seria conhecida o suficiente, etc, etc.

Até que começam as agressões (sim, isso É agressão, NÃO é piada):

Meia duzia de tequilas e ela ficaria pelada, pra que 300k gente? Tá faltando tato pra essas propostas hein?

Uma outra pessoa fala o seguinte, em comentários diferentes:

Não é um caso de haters gonna hate. Eu não vou com a cara dela, como 50% das pessoas daqui não vão com a minha

pois é, só citei que não gosto dela e que ela não tem carisma o suficiente pra levantar uma grana

Não é pq ODEIAM a Pietra, eu nem a conheço e tô falando sobre o contato de TV e Twitter que tive com ela, e que 99% das pessoas que são público pra contribuir com o projeto também tem.

Disseram outras bobagens, também, mas não vou tornar esse post ainda maior porque ainda nem cheguei ao que eu quero realmente falar.

Uma moça então levou pro lado muito pessoal:

Quanto à Pietra, eu nao gosto dela e nao tenho pq esconder, ela foi escrota com umas amigas pq fizeram um video pra sexy e eu defendi minhas amigas, nada mais, eu nao sou obrigada a gostar das pessoas certo? Mas infelizmente ela se sente perseguida e volta e meia tenta mandar alguma indireta, e quando falei do projeto (pq eu já conhecia) ela deve ter se doído. e eu nao acho q ela seja essa vítima como ja colocaram aqui.

Houve alguns comentários um pouco piores. Mesmo que fossem só esses aí de cima, você ficaria com raiva? Creio que sim. O thread está lá aberto para quem quiser ler.

E Pietra ficou chateada e começou a reclamar no Twitter (onde mais?), mas sem citar a @ de ninguém. Eis que a ~treta~ começou.

Vestiram a carapuça e pronto. Briga no Twitter.

Aparentemente a coisa vem do passado e eu  não tenho a menor ideia de quem é a culpa e também não me interessa. Então por qual razão estou falando disso? Porque os xingamentos foram os de sempre.

1) Você precisa de terapia.

Bom, eu sou partidária de que todo mundo precisa de terapia. Como digo sempre no blog, todos nós somos meio cagados. Você dizer que é feliz não quer dizer que você efetivamente o seja, ou que não deixe os que te cercam infelizes. Durante anos eu me considerei uma mulher bem feliz, mas eu dava um trabalho gigantesco pros meus amigos porque cobrava demais, fazia drama demais, brigava demais. Eu ainda faço isso, aliás, mas estou aprendendo a me controlar.

Fazer terapia (e precisar disso) não é feio e não depõe contra ninguém.

2) Não sei do que você está falando! Eu estava aqui quieto/quieta e você veio ~tretar~. 

Gente, assumam. Assumam. Assumam que falaram merda, que não gostam de alguém, que são fofoqueiros. Assumam. Por favor. O fato de você não ter falado no Twitter não quer dizer que você não tenha falado. No caso, você falou numa thread pública no Facebook!!! Então não, o outro não tem que provar que você falou mal dele. Todo mundo viu.

3) Essa eu preciso copiar literalmente: “mas @pietraprincipe se eu achar q vc nao vale nada, isso é minha opinião certo? vc não aguenta opiniões? nao to entendendo”.

Oi? Não, não, isso não é opinião. É agressão. O “valor” de uma pessoa não se mede pela nudez dela. Não se mede pela buceta. A minha é grátis e eu me acho uma mulher de muito valor. O curioso é que as mesmas pessoas que medem o valor do outro pela quantidade de vezes em que ela deixou a buceta à mostra:

  • consomem pornografia
  • já desfilaram de lingerie
  • já posaram peladas para revista
  • etc, etc, etc.

Eu não tenho absolutamente nada contra quem fica pelado por aí. Aliás, recomendo sempre. Sou contra a objetificação da mulher socialmente falando, mas se um ser humano (de qualquer gênero) sente prazer em ser um objeto, go for it. Também vale se é assim que você acha que vai comprar seu apartamento, se você quer ser objeto de punheta alheio, o que for. O corpo é SEU. Você faz dele o que quiser. Isso também vale para a mulher que você está dizendo que ~não vale nada~.

4) Vou sair da internet porque tenho vida lá fora!

Não, você não vai sair da internet. Seu smartphone tem 3G e você ficará ligadinho em tudo o que falarem. A internet É vida, especialmente para quem trabalha com ~social media~. Tá? Digam que estão de saco cheio, que não se importam, que estão cagando pro que os outros estão falando. Mas dizer que vai “viver a vida real” é bem ridículo, especialmente quando é essa vida virtual que te sustenta.

Vamos ler um pouquinho de McLuhan, Deleuze e Lévy. Ser ~social media~ não é só aprender a mexer nas ferramentas, mas também entender ideias de meio, mensagem, e que virtual NÃO É o contrário de real.

Ah, além de estudarem um pouquinho sobre teorias da comunicação, eu sugiro que vocês pensem, também, porque dizem que a amizade entre homens é muito mais fiel do que entre as mulheres. Tenho um desenho pra vocês:

Tão sexy quanto uma porta

Há exatos quatro anos eu era completamente apaixonada por um moço. Longa história. Dei uma resumida e contei para uma amiga neste feriado. Lembrei do texto que escrevi à época.

E publico aqui pra vocês. Isso é tão “eu”.

Ah, o moço nunca-jamais-em-tempo-algum me beijou na boca. Life sucks sometimes.

Tão sexy quanto uma porta

Escrito em 15 de maio de 2008

Você acha que tudo já passou, que tudo está bem, que nada te abalará.

Toca o telefone.

- Já tinha até te mandado e mail te xingando pelo bolo.
- Desce logo aí, tô aqui perto do Frans, logo depois da esquininha.
- Não vou, não.
- Desce logo.
- Tá.

Abre o primeiro portão. Fecha. Abre o segundo portão. Fecha.

Despreocupada, afinal ele só está na esquina.

Você demorou pra descer, ele ficou impaciente e foi pra perto do seu prédio. Você, sem óculos, demora alguns milésimos de segundo pra reconhecer.

Chega mais perto.

Vê.

E a perna dá uma tremida.

Abraço.

onde-vc-quer-sentar? no-mesmo-lugar-que-da-outra-vez? vocês-já-foram-atendidos? uma-coca-light-com-gelo-e-sem-limão.

Manda mensagem pra grande amiga dizendo o problemão em que você se meteu.

E o olhar, ah, o olhar. Quase se acostumou, já, mas tem horas que dá frio na barriga.

Fodeu.

“Alguém me socorre e some com esse menino da minha frente”, vc pensa.

Ele está ali, não adianta fingir que ignora. Tá na sua cara que você adora.

Sai correndo, como se isso fosse resolver o problema.

- Não precisa me acompanhar até em casa.
- Não precisa ou você não quer?
- Os dois.

De que adiantou o diálogo?

Ele vem do mesmo jeito.

Tchau.

Abre o primeiro portão. Fecha. Abre o segundo portão. Fecha.

E você, que achou que tudo passou, que tudo está bem e que nada te abalará, percebe os joelhos ainda tremendo.

Pena que são só os seus.

E agora?

esse peso essa dor essa agonia. não sei se é dentro ou se é fora, mas pesa. é como uma pessoa em cima do meu peito me empurrando pra baixo e pra baixo e minha respiração parece faltar.

não, tá tudo aqui. a respiração tá aqui. o pulso tá aqui. e se fosse uma pessoa eu talvez pudesse abraçá-la, talvez pudesse revidar, talvez pudesse me defender.

mas eu não sei o que é. não consigo enxergar, nem tocar, nem nada. como pode? como é possível uma coisa que não sei o que é virar minha vida de cabeça para baixo e eu não conseguir sequer lutar contra? eu não a vejo. mesmo assim ela torna tudo tão escuro, tão solitário, tão abissal.

tenho medo. medo de ela se instalar por aqui de novo e me transformar naquela pessoa que não quer mais ser pessoa. pânico de tudo virar esse breu dia após dia, noite após noite. não sei se resisto a outra vez. quase, por um triz, uma grande piada do destino, ela não me levou embora.

e se agora for diferente?

descobrirão a grande fraude que eu fui, a grande idiota que sucumbe perante grandes desafios, simplesmente porque não se acha capaz? saberão quantas vezes eu refuguei, eu fugi, eu me achei mais forte do que era e na verdade eu era.. uma fraude?

e agora? será que ela veio pra ficar?

será que ela vai aparecer a cada vez que eu precisar dar um salto? não consigo respirar, tomar força, pegar impulso, se ela está aqui em cima de mim. olho para os lados e tento ver se tudo está nas suas caixinhas, se eu tenho controle, se é possível escapar.

eu ainda não sei.

e não saber é a pior coisa do mundo, pior talvez do que procurar o ar e não  encontrar, tipo agora. sai de cima de mim, por favor, eu não vou aguentar tudo de novo.