De novo. Dessa vez, pra sempre

Ainda lembro de você ansioso, pernas tremendo, sacola com um livro no colo. Você olhava para cima no Paulista 900, na tal escadaria palco de tantas manifestações políticas e algumas linhas de chegada de 31 de dezembro.

Parei por dois segundos e te observei. Você não foi com aqueles óculos medonhos de hipster. A pele muito branca, a quase pancinha. Eu, num momento muito fugaz e que não sai da cabeça, fui muito muito muito feliz.

Você estava nos meus braços, mas algo – não sei ainda o quê – deu errado. Lembro com igual perfeição dos ataques histéricos, do choro, de todas as vezes em que você largou da minha mão e saiu quase correndo.

Jurei que a despedida com beijos imensos fosse a despedida. Mas nem parece que a vida puxa meu tapete, e sim que eu vivo em cima de um tapete voador. Depois de tudo o que aconteceu aqui e aí, eu vi naquela noite de novembro sua mão estendida pra mim de novo.

Eu não queria. Xinguei. Esperneei. Joguei pro alto todas as mágoas. Merda no ventilador, como eu mesma digo. E a sua mão ali, me esperando.

Foi nela em que me agarrei numa noite mais escura que todas as noites escuras. Foi segurando em você que eu vi o dia raiar de novo. E outro dia de novo, dessa vez de uma maneira bem menos poética.

Você queria saber que tal de amor é esse. É romântico? E se for? Ah, já não deu certo uma vez. Mas eu não sou mais a mesma, você não é mais o menino da camiseta do Gato Félix.

E, no fim, o que importa? E se somos só amigos? E se eu quero aquela merda de aliança de Star Wars ridícula? E se você morar pra sempre aí e eu morar pra sempre aqui e meus cupcakes forem sempre mais bonitos que os seus? E se? E se?

Eu não sei nomear. Não tenho rótulo. Não consigo sequer entender se eu troquei tudo, se me apeguei ao sentimento porque eu não aguentava mais sentir dor.

Mas meu coração esquenta a cada puxão de orelha, a cada bolinha verde no whatsapp com seu nome, até quando você me apoia numa tatuagem bizarra. Sorrio sozinha feito imbecil quando você fala pros seus amigos me perguntarem pelo Eddie (meu cachorro) como se ele fosse gente.

Eu não sei o que vai acontecer daqui pra frente. Mas dessa vez eu não tenho medo. Tanto sentimento assim normalmente me faz ficar toda cagada e fugir, bater, xingar. Agora é tão imenso e tão certo que não sei nem mais o que pensar.

Numa madrugada dessas eu te mandei uma das minhas mensagens ininteligíveis: toco medo de tanto q eu te amo pq num toco medo. Dá cá sua mão. Eu não tenho mais medo de te amar. E o resultado disso só podia ser um: eu te amo.

Vem, babe. I’m waiting. 

 

 

47 pensamentos em “De novo. Dessa vez, pra sempre

  1. É impressionante como as coisas são engraçadas.
    Vc faz aniversário na mesma data que eu. Só é um pouco mais velha.
    Uns dias atrás estava vivendo uma coisa parecida, com um velho-novo amor.
    Algumas coisas estão me levando a crer que esse não é o momento, mas sinto que é essa a pessoa.
    Ler esse texto me fez crer que, como ele diz sempre: Quando ter que ser, as coisas acabam se encaixando.
    Boa sorte pra ti nesta nova fase.

  2. Letícia, linda Letícia! E que graça teria a vida se não nos apaixonarmos e re-apaixonarmos infinitas vezes?!
    Um beijo grande! Continuo te lendo e te adorando aqui do meu silêncio, sempre.

  3. Que texto liiiiindo ^^
    Amo seus textos, mas esse foi o único que eu me identifiquei TOTAL.
    Feliz por você.

    Ame MUITO. Você, eu e todo mundo, merecemos viver um amor assim!

  4. LINDA! Torço demais por você! Tem que reviver e viver esse amor se te faz feliz! É isso, é simples e complicado mas se tá valendo te joga! ÓTIMA SEMANA!

  5. Felicidade dá um medo, né? Medo de acostumar… Mas tem que acostumar mesmo, você merece todas as formas de felicidade que o mundo tiver, inclusive essa.

  6. Ai, me arrepiei toda com o texto. Li várias vezes! Lindo! Queria ter a tua coragem e me jogar, e dizer tudo, e me livrar do meu pior defeito – o orgulho! E viver, viver sem medos, sem receios, por mais difícil que tudo isso seja.

    Aproveita, Letícia! Seja feliz.

  7. Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.
    Não tenha medo de ser feliz, te desejo muitas felicidades.
    beijos.

  8. Oi, Lelê!

    Ao ler seu post, me lembrei de quando trabalhei em frente ao Gazeta e vivi ótimos momentos. Não eram de amor, mas fui muito feliz lá.
    Para mim, a Paulista é mágica!
    Torço muito pela sua felicidade. Amei ler esse post.

    Beijos e ótimos momentos de prazer :-)

  9. Adorei esse texto! Tão fofys, tão meiguinha, tão menininha… kkk Tô assim hoje! Acho q é a TPM!

    Na verdade não! Acho que você é muito foda quando escreve sobre o amor!!!

    Beijosss

  10. Espero que o livro da Letícia, quer dzer, Nádia, tenha esse teor porque ela escreve sobre o amor como ninguém. Penso que é pq ela escreve o que vivencia.
    (tava meio sumida ms vez em qndo dou uma passadinha por aqui pra bisbilhotar)
    Bjs Lê!

  11. Que lindo, que lindo, que lindo!!!!
    Como disse o Luiz Flávio, o meu coração ficou aquecido com o texto!!
    Dei um pulo de alegria aqui.
    <3

  12. Lindo …. o amor é a maior reinvenção dos sentimentos …. não importa a pessoa e sim o momento em que estamos com ela ;;;; FELICIDADES nesse novo momento com essa nova pessoa .. pq sempre mudamos não será igual como antes.
    Bjs

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