ATENÇÂO: Se você ainda não leu Cinquenta Tons de Cinza e pretende fazê-lo, pule este post. O texto tem spoiler.
Eu não li Cinquenta Tons de Cinza. E nem lerei. Não tenho tempo ou dinheiro para gastar. Em geral não curto literatura erótica; mesmo assim acho que existem obras bem bacanas que me acrescentariam muito mais, se eu quisesse enveredar pelo tema (Anaïs Nin e Catherine Millet são exemplos).
No início achei que a trilogia fosse apenas equivocada. Com a chegada da obra ao Brasil e com o boom nas vendas, a imprensa começou a falar muito sobre a história de Anastasia e Christian. E aí algo começou a me incomodar: passaram a falar como se TODA mulher quisesse um relacionamento daquele, como se qualquer mulher no universo quisesse, na verdade, ser submissa.
Só que não existe “todo mundo” quando se fala sobre sexo (no início do blog eu generalizava demais e era criticada. Hoje sei como isso era danoso). Eu, Letícia, não tenho qualquer tesão em sentir dor ou em alguém mandando em mim. Tampouco tenho vergonha de abrir um livro erótico na frente de qualquer um. Leio no ônibus, no café, onde for. Então não, nem toda mulher se enquadra nisso aí.
Minha antipatia não ultrapassava a questão da generalização feita pela imprensa. Até eu entender mais sobre o livro, mesmo que, juro, eu não tenha procurado informações. Daí bateu o desespero.
Pra ser bem objetiva, coloco em tópicos a razão do meu descontentamento com Cinquenta Tons de Cinza e o motivo pelo qual eu acho que é um retrocesso:
1) Anastasia é virgem e boboca. Christian é sedutor e milionário. Daí eles se encontram e, em tese, se apaixonam. Ok. Contos de fadas da Disney all over again? Vamos mesmo incutir na cabeça das mulheres que ela pode ser ~esquisita~ e que vai vir um homem e vai salvá-la?
Ou vamos mostrar que tudo bem ela ser esquisita e que tudo bem ela ser solteira? E esse homem que é o príncipe encantado precisa ser milionário? Ou ela pode ganhar o dinheiro dela… com o trabalho dela?
2) Mesmo virgem e sem qualquer experiência sexual (me corrijam se eu estiver errada, mas ela sequer se masturbava), ela aceita entrar numa relação de BDSM. E na primeira vez que transa, goza sei lá quantas mil vezes e continua gozando em todas as relações com Christian.
Bom, já escrevi mil textos sobre a primeira vez e em todos eu digo que não há regra; que há quem se divirta muito e há quem odeie com todas as forças. Então Anastasia poderia, sim, ter gozado. Mas todas as vezes?
Esse discurso faz com que as mulheres se sintam culpadas por não atingirem o orgasmo vaginal. “Será que há algo de errado comigo?”, elas perguntam. Muitas não sabem nem se gozaram, e está lá uma ficção distribuindo orgasmos. Não, não e não.
3) Christian Grey quer que Anastasia assine um contrato para que eles tenham uma relação BDSM. Risos. Risos. Risos. Contrato de papel, gente! Pra transar!!!! Pra uma pessoa ser DONA do seu corpo!!!
Mais louco ainda é que Anastasia NÃO assina. E eles têm a tal relação BDSM. Ah, uma dicona: contratos em que você dispõe do seu corpo não têm qualquer valor jurídico.
4) Uma relação BDSM (o que popularmente se conhece como “sadomasoquista”) deve dar prazer aos participantes e deve ser sempre, sempre, sempre consensual. Mesmo que você aí não consiga entender como alguém pode curtir ser amarrado, usar coleira e outras práticas, há muita gente que curte. E isso não tem nada a ver com traumas passados ou algum tipo de doença mental.
Pois imagine (e agora vem um spoiler, se liga!) que Christian Grey teve uma infância mega difícil. É filho de uma prostituta que se suicidou, sofreu abusos e por isso mesmo não deixa Anastasia tocá-lo.
Hã? As pessoas já têm tanto preconceito contra quem pratica o BDSM e aí vem uma autora X e estereotipa mais uma vez??? Errado, muito errado.
5) A relação entre Christian e Anastasia é abusiva. Ponto. Não há o que discutir aqui e fico muito, muito impressionada que algumas pessoas não enxerguem isso. Pior: tem muita mulher sonhando com um Christian Grey.
Uma relação abusiva não é só aquela em que existe violência física fora do quarto, tampouco precisa ficar óbvia a dominação de um dos parceiros (se bem que Grey deixa beeeeeeeeeem óbvio que manda em Anastasia).
Se você se submete aos desejos do parceiro (que a essa altura nem sei se pode ser chamado de “parceiro”) para que ele não vá embora, mesmo que você não esteja curtindo, ISSO É UMA RELAÇÃO ABUSIVA.
Porque uma relação saudável e de parceria pressupõe que ambos (ou mais) estejam no mesmo patamar, que sejam iguais. Não é o que acontece em Cinquenta Tons. O primeiro livro da trilogia, por exemplo, acaba quando Christian chicoteia Anastasia, que fica chateada e termina o namoro.
Claro que no segundo livro eles voltam, e ela diz que ficar sem ele doeu mais do que a agressão física. Isso é exatamente o que se chama de “violência doméstica”. Uma das pessoas fisica e/ou emocionalmente superior ao outro bate no parceiro – que, “em nome do amor”, aceita aquela violência. Como é que vocês podem criticar a mulher que apanha do marido e depois aceita ele de volta, mas podem suspirar por Anastasia e Christian???
Pra vocês terem uma ideia da loucura, não sei em qual dos livros Christian compra a empresa em que Anastasia trabalha só para que ela não viaje com o chefe dela. Não está convencida ainda? Durante a lua de mel, Anastasia faz topless e Christian fica puto. Daí ele resolve que é uma boa ideia dar chupões fortíssimos nos seios dela, deixando-os marcados, para que ela não os mostre mais pra ninguém.
Numa boate, um cara apalpa a bunda de Anastasia e ela revida com um tapa. Por que ela se sentiu violentada? Não! Porque ela tinha medo da reação do Christian ao saber que alguém tinha “invadido a propriedade”.
Eis o trecho, em inglês, com minha tradução livre embaixo.
My hand is throbbing. I have never slapped anyone before. What possessed me? Touching me wasn’t the worst crime against humanity. Was it? Yet deep down I know why I hit him. It’s because I instinctively knew how Christan would react seeing some stranger pawing me. I knew he’d lose his precious self-control. And the thought that some stupid nobody could derail my husband, my love, well, it makes me mad. Really mad.
“Minha mão está latejando. Eu nunca bati em ninguém antes. O que aconteceu comigo? Me tocar não foi o pior crime contra a humanidade, não é? Mas no fundo eu sei o motivo pelo qual eu dei um tapa nele. É porque eu instintivamente sabia como o Christian reagiria ao ver um estranho me apalpando. Eu sabia que ele perderia seu tão precioso autocontrole. E pensar que um estranho poderia tirar dos trilhos o meu marido, meu amor, bem, isso me deixa louca. Muito louca.”
Christian também controla a alimentação de Anastasia. As roupas. A depilação. Ela não pode sequer se masturbar sem a permissão dele.
A cada novo detalhe sobre os livros eu fico ainda mais chocada. Fico também estupefata que as pessoas não consigam enxergar quão abusivo é esse relacionamento, e vejam tudo como se fosse apenas uma historinha de ficção. Não é.
Esta é a tecla que muitos de nós temos batido: esse tipo de obra faz com que achemos “normal” algumas coisas. Claro que não se deve proibir, censurar… mas questionar? Tentar entender porque tantas mulheres estão sonhando com Christian Grey?
Isso devemos fazer, sim. Devemos olhar para nossas próprias vidas e ver quantas vezes nós deixamos que abusassem de nós em nome de um “amor”, que na verdade é alimentado por autoestima abalada. Eu já passei por isso – quem acompanha o blog há mais tempo deve lembrar do número 15. Não chegou a ser uma relação (foi só uma noite), mas me submeter às vontades dele para ser querida/aceita me fez ficar mal durante semanas. Porque eu me dei conta da merda que eu tinha feito. Espero que não seja tarde demais pra você perceber que está fazendo merda também, pelo menos nos seus sonhos.
***
Amanhã vou publicar o primeiro texto da Sheila Sens, amiga e leitora, que leu a trilogia só para escrever aqui. Vamos na ordem dos livros, claro.
***
Se você acha que ~é só ficção~, leia esse texto da psicanalista Regina Navarro Lins sobre os contos de fadas. É de 2011 e eu compartilhei há alguns dias no Facebook. Por favor não ignorem o inconsciente.
***
Ao final de cada texto da Sheila eu vou colocar alguns links sobre Cinquenta Tons para vocês repensarem. Hoje fiquem com o vídeo da linda Laci Green (em inglês).

Já falei bastante sobre o livro no grupo e na página do blog,mas tive que passar aqui também pra dizer: CONCORDO TOTALMENTE! Também tenho medo dos comentários “quero um Christian para mim” e muito acho que se ele fosse pobre as pessoas não iam achar esse relacionamento tão “lindo” assim… Acredito que pessoas apaixonadas acabam engolindo alguns sapos, às vezes, mas uma coisa é ceder (OS DOIS- ou mais!- LADOS, e não uma pessoa só,sempre!), outra coisa é viver à mercê do outro! E não é porque algumas pessoas apaixonadas se comportam assim (bolhando,fazendo do outro seu universo, querendo agradar mais que tudo) que isso é a) saudável b) merecedor de uma história que é horrível mas acaba contada como conto de fadas e modelo de algo desejável! Poxa, CÊ JURA que vão espalhar ESSE modelo de relacionamento como lindão?? como sonho de consumo?? Enfim,detestei o livro!
(e além de tudo as cenas de sexo são vergonhosas…BLÉ!)
Então, abrir mão de uma coisa ou outra é normal, né? Imagina viver socialmente e só fazer o que você quer. Mas nesse caso a garota SÓ faz o que ele quer.
Assustadoramente abusivo.
Só li o primeiro livro, mas não é bem assim de só ela ceder. Óbvio que ela cede muito mais, mas ele tem várias “primeiras vezes” com ela (dormir junto, apresentar pra família etc) que ele considera uma forma de ceder aos desejos dela. Ah, eu jamais iria querer um homem assim na minha vida…
Ele pode até ter que ceder em algumas coisas, mas sinceramente ela tem que abrir a mão da vida dela pra conseguir ficar com o cara. Se bem que pra uma ameba sem opinião e sem vida como a protagonista não deve ser algo tão difícil assim…
Ainda não entendi por que um livro ruim ficou tão famoso assim. E o fato da autora ter feito uma pesquisa porca sobre um tema que é usado como pano de fundo da história me deixa com mais raiva ainda do livro…
Ele só cede nessas tais “primeiras vezes” porque não quer que ela vá embora, pois estabeleceu com ela uma doentia relação de dependência.
O que você não percebeu foi o óbvio, é uma relação sadomasoquista. Ambos estão lá porque tem muito prazer nisso. (Só ver as inumeras vezes em que Anastasia se revela desapontada quando ele diz que eles não irão para o quarto de jogos e farão somente sexo baunilha. Ela desejava o quarto de jogos!) É totalmente consensual e não há nada de errado, doentio ou abusivo nisso.
Você leu o terceiro livro??
Você leu o meu próprio post, em que eu digo que eles TERMINAM o relacionamento porque ela não gostou de apanhar?
Querida, o que VOCÊ não percebeu é que a relação deles pode ser tudo, mas definitivamente não é uma relação BDSM. Pra começo de conversa, BDSM não é só prender uma pessoa e começar a bater nela… E tem várias coisas no livro que pra quem conhece um pouco mais que o mínimo de BDSM (que é o caso da autora, que aparentemente só procurou na wikipedia a definição do termo), simplesmente não fazem sentido.
Na boa, o cara não é sado e nem dom, é só um babaca obsessivo que busca um monte de desculpas pra justificar as atitudes doentes dele. Fim.
Também não li nem pretendo ler, só estou acompanhando o rebuliço.
Mas quis comentar sobre os contos de fadas: já leste Fadas no Divã? É escrito por um casal de psicanalistas e mostra um outro lado, de como são importantes as histórias fantasiosas para a elaboração de vários conflitos e anseios infantis. Acho uma leitura válida.
=**
Laís, eu estudei na faculdade como os contos de fadas surgiram (láááááááá no passado). Eles não tinham nenhuma relação com romantismo, até porque na época o romantismo nem existia. :P
O problema é o que foi feito pela Disney.
Esses livros de literatura erótica a maioria em tese são surreais mesmo, eu li a trilogia e achei bacana, mas não digo que isso deveria ser lei, é apenas um livro assim como a trilogia The Dominatrix of FemDom Hell que é a mesma coisa que esse livro, porém a trilogia é uma parte do BDSM em que a mulher é que manda, bate e etc… Chamada de femdom. O livro “The Reverend Mistress of High FemDomity” segue o mesmo caminho…
Em minha opinião cada um na hora h tem sua tara, mas esses livros devem ser usados (pelo menos eu uso, ~sou casada~) pra criar situações em que ocorra algo em que eu precise ser salva, ou que eu cometa alguma coisa errada e precise “apanhar” ou ele faça alguma coisa e eu “bata” nele, e não levado a regra como se fosse uma constituição.
O problema, Débora, não é o BDSM. É a justificativa pro Christian gostar da prática (ele tem traumas) e o fato de ele obrigar a Anastasia a participar.
Sim, mas por isso eu disse pra NUNCA levar a serio, na vida de uma pessoa real a menos que ela não tenha auto-estima ela não vai sair “da fralda” e entrar num bdsm… Eu leio muito esse tipo de livro e já vi muita bizarrice, mas acho que a mina com uma mente já formada ou quase não vai aceitar pressão pra fazer esse tipo de coisa.
Letícia, como sempre vc tira as palavras da minha boca. Eu acrescentaria só uma coisa: a grosso modo o livro seria realmente MARAVILHOSO com duas pequenas mudanças; 1- que a relação abusiva fosse tratada como tal e o questionamento acontecesse em cima disso e 2- que fosse minimamente melhor escrito. Tá, precisaria de mt mais pra ser pelo menos decente, mas enfim.
No mais, o livro é exatamente o que a autora propôs fazer: Crepúsculo com sexo. Muito sexo. Um sexo a nível Crepúsculo: irreal e risível. Eu não li ela dizendo exatamente que queria debater o BDSM ou discutir questões sexuais com seriedade. Isso é secundário e ela deixa bem claro. O que não diminui em nada a responsabilidade dela e o fato de o livro ser uma merda.
E vem a parte do BDSM: eu sou masoquista e essencialmente submissa nas minhas relações e o que foi mostrado aí está longe de ser o que é uma relação dom x sub. Os dominadores com quem já estive foram alguns dos homens mais carinhosos, pacientes, tolerantes e compreensivos da minha vida. Além de ótimos na cama.
Consensualidade não é dizer: “quero te chicotear na hora que eu quiser, topa?” e a mulher topar. Isso é o que descreve uma relação abusiva, como vc disse. Nem toda masoquista gosta de apanhar sempre – dentre outras coisas -, ISSO seria uma boa discussão num livro sobre BDSM. Sugiro que fale mais sobre esse tema nos seus textos. O preconceito por trás disso é absurdo. Não tenho ideia de quantos homens já ‘pus pra correr’ quando falei nisso.
No mais, parabéns pelo texto, me senti mt contemplada, mesmo não compartilhando dos mesmos gostos que vc, e isso é ótimo. ;)
Oi Mila,
Tenho uma dúvida: rola isso mesmo de ter casais que são BDSM 24 horas. Quer dizer, do dominador controlar absolutamente TUDO do outro, inclusive o que come/com quem fala/o que veste?? Ou foi só viagem do livro mesmo?
Abs.
Identifiquei-me bastante com o que a Mila disse-me por isso, se ela mo permitir, ach o que posso responder por ela:
NÃO. ninguém gosta de ser controlado a esse ponto. Uma coisa é ser mais submisso, não se importar tanto de ceder. Mas fora do sexo, uma relação completamente submissa de um lado e dominante do outro não é saudavel. geralmente o BDSM esta relacionado com o sexo por esta razão: lá as regras são diferentes.
Por muito submissa que uma pessoa seja continua a ter desejos e vontades. se esses desejos e vontades lhe forem negados (todos mesmo) não é natural que a pessoa assente com o assunto e fique feliz.
desculpa me meter e responder, mas rola. gente BDSM mesmo se comporta assim o tempo todo. pode controlar algumas expressões, mas a pessoa É assim, não apenas reserva as coisas pra hora do sexo ou pra manifestações de sexualidade.
Beijo pra ti, Mila, ótimo comentário!
Valeu, Letícia!
Bom texto. Não li, mas é tão clichê que, realmente, não preciso pra saber do lixo heteronormativo de que se trata.
beijo!
Nossa, quanta viagem. Já leu a História de O? Sabe em que momento foi escrita e por quê? Pra mim, esse 50 tons de cinza é só a cópia da ideia deste livro. Se a pessoa escolheu ser escrava do outro, em todos os aspectos (que seja), isso pra mim não chega a ser abusivo e sim uma escolha como outra qualquer. Se fazer a vontade do outro é doloroso e te sufoca, para mim pode ser diferente, a vontade do outro acaba se tornando minha própria vontade. Assim funcionam as relações de posse CONSENTIDAS entre amantes. E há mulheres que só são felizes assim! (Como o contrário, também).
Michele, me responde uma coisa: você é contra a Lei Maria da Penha?
Hahaha, oi? Não, Letícia. Claro que não! Mas há uma grande diferença aí entre violência contra a mulher e uma relação entre dois seres que estão consentindo a violência como forma de prazer o tempo todo, não acha?
Violência com limites, claro. Aquilo que possibilita o prazer.
Gizuis. Ela TERMINA com ele depois de uma transa violenta teoricamente consensual.
Cara, olha só: ela bate num cara na rua porque ele pegou na bunda dela. Mas não porque ela se sentiu violada, mas porque sabia que o Christian ia se sentir violado!!! Gente! Isso parece uma relação equilibrada? Ela tem MEDO dele!
Mas ela termina com ele porque não se acha suficiente pra ele, porras. Por achar que não aguentaria outra surra. Na real, ela GOSTA, só não se acha capaz de ser a bam-bam-bam capaz de aguentar tudo.
Há quem se sinta feliz assim. E se ambos numa relação têm a plena certeza de que isso lhes faz bem, não vejo onde ela é ‘abusiva’. Ouxi.
Se uma pessoa não se sente boa o suficiente, isso mostra que… ela tem problemas de autoestima! YAY! Entendeu agora?
Bom, eu to lendo tudo, e tô aberta a mudar de opinião caso os argumentos façam algum sentido pra mim. Mas, por enquanto, tá difícil, até porque essa parte do livro tá colocada de maneira errada…
Está colocada da maneira errada? Quando a gente faz uma citação, é exatamente isso que a gente faz: copia e cola.
Eu gosto da history of O, e inclusive um di faço a marca que ela fez com as iniciais do cara, mas o que a leticia se refere é que ele terminou com ela, porque ela não queria apanhar, eu brinco assim também mas se doer de um jeito insuportavel, ou eu ver que é na maldade e falar pare é pare… Sadomasoquismo é pra ser uma brincadeira de adulto…
Seria isso aqui…
https://fbcdn-sphotos-b-a.akamaihd.net/hphotos-ak-snc7/388337_2812927239293_1305348587_n.jpg
Letícia,
Seu texto veio em boa hora!
Depois de ler a parcial revista Veja acerca desse livro é um alento perceber que temos pessoas que, após refletirem, percebem o quão abusiva é a relacao retratada no livro.
PS – estou aguardando ansiosa os textos da leitora sobre cada um desses livros e, o principal, a critica a cada uma dessas obras
Lê!
Li seu texto, entendo seu ponto de vista, mas também li os 2 primeiros livros e gostaria de fazer alguns comentários;
1 O contrato não tem absolutamente nenhum valor legal e eles comentam isso no livro.
2 O tal contrato serve apenas para que ela saiba em que está se metendo, quais as regras, os limites etc.
3 Ele afirma para ela que enquanto eles estiverem praticando o sadomasoquismo (que está estabelicido no tal contrato- aconteceria apenas aos fins de semana) ela deveria obedece-lo e caso não fizesse isso seria punida. Ela então pede que ele demonstre quão ruim pode ser essa punição, já que a parte de dor para dar prazer ela curtiu. Quando ele aplica a punuição ela vê que é demais pra ela e termina tudo.
Não se trata de nada não consensual, veja bem.
4 o psiquiatra dele explica para ela que embora o Christian se veja como um sádico, os desejos dele nada tem de anormal ou loucura.
Entendo quando vc diz que existem situações abusivas, de um relacionamento controlador, realmente eh verdade ele chega a ser sufocante vez ou outra.
Mas de qualquer forma acho que condenar um livro dessa forma eh subestimar a capacidade de quem tá lendo.
É apenas ficção, e na minha opnião uma leitura bem divertida. Nada além disso.
Thais, é com essa justificativa de “é ficção” que se faz “piada” de estupro.
Vc acha então, que pq eu li o livro e gostei vou deixar o primeiro cara que aperecer na minha frente me estapear?
Meu questionamento aqui é um só, o dicernimento de cada um ao ler um livro e saber diferenciar oq é ficção do que é realidade.
E as piadas sobre o estupro não são ficção. São nojentas e babacas pura e simplesmente.
Não, Thais, assim como nem todo mundo que ~ri~ de piada de estupro é um potencial estuprador. Mas não meça o mundo com a sua régua…
Não meço Lê. Só me preocupo com esse superestimado poder dado a algumas linhas no papel. É simples, é um livro, alguns curtem, outros acham irreal, alguns acham a escrita sofrível. Mas não podemos tranformar isso numa bíblia da mulher moderna e pensar que todas quererem vão ficar reféns do sonho de ter um Christian Gray pra chamar de seu.
Thais, quem está tratando assim é a imprensa. E não podemos subestimar o poder de um livro que vendeu tanto. Só no Brasil foram mais de 300 mil cópias (pra você ter uma ideia, um livro considerado bem sucedido pelas editoras vende uns 3 mil exemplares).
E, numa boa, por qual razão eu não devo falar no meu blog sobre o assunto que eu quero? Não entendo.
É claro que você pode falar em seu blog sobre todo e qualquer assunto. Não é porque discordo de você nesse aspecto que estou sugerindo que você não fale a respeito. Em nenhum momento pareceu assim, se dei essa impressão me desculpe, não foi essa a intenção. Estou apenas comentando a respeito daquilo que discordo.
Participei da sua pergunta no face e fiquei INDIGNADA com as respostas – em uma comunidade que supostamente é feminista. Não entendo como alguém não consegue enxergar os vários erros na relação dos dois. E isso que eu só li o primeiro livro, fiquei mais brava ainda agora que você contou detalhes dos outros.
Gente. POR FAVOR.
Nunca foi consensual porcaria nenhuma. Ela se apaixonou e ele viu nela a oportunidade de ter uma mulher que não questiona absolutamente nada. Ela, PRA AGRADAR, resolveu aceitar esse comportamento dele.
Gostei do depoimento da moça aqui de cima sobre os relacionamentos dela BDSM. Acho que realmente seria interessante você escrever mais sobre isso. Eu sou leiga no assunto e até achei que isso estava comprometendo o meu julgamento do livro, mas vejo que não.
Fora isso, seu texto está sensacional, como sempre.
Beijos.
Uma mulher que não questiona nada? Mas no livro ela pensa várias vezeas em terminar com ele porque acha que não tem nada de submissa e que não vai servir para aquele papel. Essa história de que Anastasia passa o livro todo se submetendo as vontades de Christian sem questionar nada não é verdade.
Gizuis. E ela não termina e depois volta?
Mas o fato dela questionar não significa que ela não viva uma relação doentia. No livro “Mulheres que Amam Demais”, que foi a origem do movimento MADA, a autora conta as relaçãoes doentias e em TODAS as mulheres pensam em terminar, mas simplesmente não conseguem, porque é um vício, uma doença que precisa ser tratada, como um alcoolismo. E o que me assusta é que todo o serviço que o MADA presta está indo por água abaixo com essa trilogia ridícula, que prega que ser viciada no parceiro é normal
Bem apontado, Renata.
Ela volta mas não pra ser a submissa dele. Eu ainda estou na metade do segundo livro, mas na história a mulher não fica apenas se submetendo ao que o cara quer, ela questiona sim, e essa história de BDSM vai ficando de lado.
Gente, mas o problema NÃO é o BDSM! Será que vocês não conseguem entender que uma relação BDSM NÃO é abusiva? Que o problema NÃO é esse??? Que o abuso se dá em outros campos da vida deles???
Gente, mas o problema NÃO é o BDSM! Será que vocês não conseguem entender que uma relação BDSM NÃO é abusiva? Que o problema NÃO é esse??? Que o abuso se dá em outros campos da vida deles???
Oi Letícia,
Não li o livro (vi um trecho em algum lugar e achei muitíssimo mal escrito) e nem tenho pretensão de ler, mas vou dar meus pitacos: Vi no facebook que muita gente achava irreal a relação BDSM deles não se restringir só ao sexo. No entanto existem sim pessoas que levam essa prática em todos os aspectos da vida (o dominador manda o que o dominado pode ou não fazer) e logicamente entra ai a preferência de cada um (não é porque alguém pratica BDSM que deva fazer e gostar de tudo desse universo). Mas, como o livro é narrado pela protagonista, acredito que dê para entender se ela curte mesmo isso ou o faz só porque tem medo de perder o namorado. Aí vejo um problema bem grave:
Já tive um relacionamento abusivo na adolescência e, analisando hoje alguns comportamentos do ex, enxergo nitidamente um certo esforço dele em manter minha auto-estima baixíssima para que ele ficasse por cima (pra você ter uma idéia, ele criticava minha aparência dizendo que eu deveria me maquiar e usar roupas mais “femininas”- coisas que não curto fazer. To vendo que as semelhanças com o Cristian não são meras coincidências). No começo parece impensável que alguém que diz que gosta de nós possa agir de maneira tão nojenta, mas infelizmente é mais comum do que a gente imagina. E essas coisas não devem NUNCA ser tratadas como normais ou como culpa de quem cede ao agressor (como você bem coloca no texto, não é só agressão física que deixa marcas).
Ah, o “femininas” tá entre aspas porque na cabecinha dele mulher só fica bem se estiver no padrão imposto pelas propagandas e revistas. Preguiça disso..
Carol,
muito foda isso que você sofreu, mas na obra não é assim. O Christian não fica botando a Anastasia pra baixo, pelo contrário. A “deusa interior” dela dá pulinhos de alegria a cada vez que eles transam, ele a faz se sentir desejada, amada, bonita.
A relação dos dois é consensual e os dois discutem e rediscutem os limites o tempo todo. Anastasia questiona e ele cede quase sempre.
Bj
Jeanne, há opiniões bem divergentes da sua, como a do próprio post e de várias pessoas que comentaram aqui. E vou postar alguns links de textos criticando o livro (alguns bem engraçados).
Ai Jesuiz!!!!!!
É claro que nas relações abusivas as “deusas interiores” pulam, é claro que dá prazer, é claro que é consensual (o cara não obriga ninguém a transar). Mas é exatamente por ser gostoso, por ser viciante, é que é tóxico, abusivo e ela não consegue largar… Se além de ser um obsessivo, o cara mandasse mal na cama, seria fácil cair fora, né?
Letícia, acho que vc precisa de um desenhista… Tá difícil a mulherada entender….
Muito, muito difícil. Já desisti de explicar.
Deusa interior – eita nominho ridículo, nem minha avó chamava a buceta dela assim. Se o cara falar assim pra mim “deixa eu ver sua deusa interior” acho que terei uma crise de riso sem fim.
E eu? Podre!
eles humilham, nos colocam em situação de inferioridade, e usam qualquer coisa pra isso. meu ex (que sabia que eu tinha perdido muuuuuuuuuito peso) dizia que podia até ficar comigo se eu engordasse de novo, mas não ia sentir tesão e ia procurar outras mulheres. desdenhava de qualquer sofrimento que eu compartilhasse com ele, inclusive dizendo que o que o ex que tinha me feito mil sacanagens – e quem tinha me levado ao estado de depressão em que estive antes – não tinha feito nada de tão anormal. mas ele tinha um comportamento tão bizarro que era incrível: ele me elogiava e dizia o tempo todo que eu era linda (sim, sempre elogios ao físico), mas não perdia a oportunidade de me fazer sentir como um lixo o tempo todo.
O que me assusta não é todos os absurdos da trilogia, é o quanto as mulheres acham isso tudo o máximo, desejam uma relação doentia assim como se fosse o ideal de toda mulher, e não tem um tequinho de senso crítico pra perceber o quão doentia é a relação dos personagens.
Concordo; foi exatamente que me preocupou…um retorno ao passado
Ou atualmente as relações estão tão fúteis e vazias que este casal parece um modelo ?
É exatamente o que me preocupa, sobretudo quando vejo adolescente falando do Grey como se ele fosse o ideal de homem. Li o livro por curiosidade, após ver tanta gente falando que era bom, as que grande porcaria. Eu gosto de sexo, gosto de erotismo e brincadeiras sexuais, mas o que Anastasia vive não trilogia não é saudável. Ela está fascinada e suporta os abusos para não perdê-lo. isso é lamentável. E a autora faz parecer que Anastásia compreende que Christian precisa daquilo, porque ele tem os traumas dele. Por favor. Traumas se resolve com terapia, não espancando a namorada. O relacionamento é doentio, faz mal à Anastasia, mas a entorpeceu como uma droga. E eu vi um comentário aqui de uma pessoa usando o que o psicólogo disse como argumento em defesa de Christian. É piada né? A opinião de um psicólogo fictício?! A autora não pesquisou bem nem sobre as práticas sadomaso, quanto mais sobre psicologia. Ela é apenas uma fã de Crepúsculo que gostaria que houvesse mais sexo na saga. Mas resolveu colocar submissão no meio. Eu li com dificuldade. As cenas de castigo me embrulharam o estômago. principalmente porque ela permitiu isso, quando poderia simplesmente ir embora. Mulheres que apanham do marido muitas vezes se sentem indefesa, não possuem renda, são ameaçadas de morte por eles, etc, mas Anastasia não está nessa situação, ela concorda em apanhar porque…bem, porque Christian precisa bater. E a parte que ela diz que perdê-lo foi pior que o castigo físico me embrulhou o estômago. O quê ?! É isso que uma mulher está transmitindo a outras através do livreco dela? Que o homem é tão necessário que ficar sem ele é pior que apanhar? Que para ficar com ele vale a pena se submeter a humilhações e espancamentos? Eu não li por inteiro a trilogia, não tive estômago, mas pelo que eu vi, as surras continuam no terceiro livro. Ele bate nela com uma régua, não? E não é só isso, ele controla tudo, tudo. la não tem direito sequer de decidir se faz ou não topless. E a questão de ela ficar ofendida quando passaram a mão na bunda dele porque ELE se sentiria ofendido, como Letícia bem apontou, é o máximo da coisificação da mulher. Anastasia deixou de ser um ser humano, ela é coisa, propriedade de Grey. Eu não ficaria surpresa se descobrisse que, no segundo ou terceiro livros ele a marcou com ferro com as iniciais dele como se ela fosse uma vaca. É deplorável que a imprensa esteja louvando esse livro tão mal escrito e com uma mensagem tão equivocada como se fosse a oitava maravilha, e justo em uma época em que a campanha mundial contra a violência contra a mulher. Não se engane com o suposto consentimento de Anastasia. Ela não é alguém que tenha capacidade de tomar uma decisão, ela está intoxicada pela beleza, poder e dinheiro de Grey, assim como uma pessoa intoxicada pela droga vai continuar com ela, ainda que isso a mate.
E todo o abuso é meio que “recompensado” com orgasmos múltiplos, o que, francamente, nunca seria possível. Chega a ser risível. A mulher goza diversas vezes, sempre que transam, goza até com carícias de mamilos, goza em sonho, goza com chicotadas, é muito inverossímil. Mas parece que a mulherada está acreditando que é possível, pois estão falando de Grey como se ele fosse um mago do sexo. Eu não me ficaria surpresa se o número de violência aumentasse. Não mesmo. Creio que muitas mulheres irão procurar homens violentos e dominadores agora, com a ideia equivocada de que terão muito prazer também. O que não é verdade. Sei que tem pessoas que curtem, mas não são tantas. E não, não é absurdo pensar isso. Porque o que não faltam são cabeças de vento. Durante uma novela, diversas mulheres comeram flor venenosa e forma para o hospital, porque na novela tal flor fazia sonhar com o taradão personagem interpretado por Fábio Junior. Quer apostar que há adolescentes pedindo para apanhar por aí só por causa do Grey.
Se a autora fosse boa, teria aproveitado a oportunidade para criticar relações abusivas, em vez de fazer com que elas pareçam “bonitinhas”.
Eu ia comentar o mesmo q a Lu acabou da falar. Eu não li o livro, nem pretendo ler, mas pelos comentários ja imagino que não vou gostar. Eu ja tinha visto outras críticas como a sua, mas a Veja veio com uma abordagem totalmente diferente, colocando o livro como uma “nova revolução sexual”, e mostrando isso que vc mencionou, sobre mulheres sonhando com um Christian Grey pra chamar de seu (ou no caso, para pertencer a ele).
Acredito que o livro desperte mais interesse só pelo conteúdo erótico. Muitas mulheres não costumam falar de sexo, nem ver, ou ler ou sequer pensar no assunto livremente. Então vem um livro com uma historinha como ‘desculpa’ pra falar de putaria, e pronto, vira sucesso e torna o assunto permitido.
Concordo plenamente com a Simone. É por isso que o livro causou tanto furor e, é possível ver tanta gente lendo. Todo dia tem mulheres/garotas lendo esse livro no metrô, no ônibus, em quase qualquer lugar, todos os dias. Porque é um assunto tabu, e vendo que todas estão lendo, as pessoas se sentiram livres pra ler esse livro, ler sobre esse assunto, ainda mais uma relação não convencional.
Só li alguns trechos, e, realmente, são bem mal escritos; e a parte sexual é bem risível. Mas acho que o assunto chama a atenção porque é tabu mesmo. Mas ele é tem o estilinho de fanfic mesmo, bem pobre, mas tem fanfic bem mais bem feitas e interessantes que esse livro.
Agora, reparem na associação que eu fiz: Christian Troy é um personagem de Nip/Tuck, ele é viciado em sexo e já sofreu abusos na infância, e ainda tinha sido pelo pai adotivo…Imagine da onde ela tirou esse Christian…
Vcs que entendem que a relação estabelecida no livro é consensual e não tem nada de abusiva me respondam: se o cara fosse pobre faria tanto sucesso? Estaria no imaginário das leitoras? Seria mais honesto se entre os personagens houvesse um mínimo de equilíbrio. O cara é riquíssimo, experiente, vivido. Ela, ao contrario, é inexperiente, vive com modestos recursos, e tem pouca vivência; uma conjunção de fatores favoráveis à manipulação de todo tipo, sobretudo psicológica!
Por que Lu? você esta dizendo que as mulheres só se interessaram porque o cara é rico? Mulheres, essas vadias interesseiras, han?
Pamina, cá pra nós: há MUITAS mulheres que sonham com um homem rico. Não vamos tapar o sol com a peneira só porque a gente quer que essa realidade mude. A maioria de nós somos criadas com a ideia de que o homem deve ser o provedor.
Não sei se faria. Mas acho que o sonho da mulher, digamos assim, (talvez me joguem na fogueira por causa disso), comum, não é um homem rico?! Não foi o que nos foi imposto durante milhares de gerações?! Um bom “casamento”?! E qual o mau de algumas mulheres acharem interessante o conteúdo do livro?! Eu li, por curiosidade, é como um filme de ótima bilheteria, fui ver, para saber do que tanto falavam. Acabei por ler o três livros, não é a história mais bem contata e nem melhor escrita, não é mais criativa, e nem a mais emocionante. Mas tem gente que gosta, e daí?! Sou menos mulher, tenho baixa auto-estima por achar o livro, sei lá, divertido?! Concordo com uma opinião que li acima, não aceitaria um relacionamento assim só porque li no livro. Mas será que esse livro é muito diferente do que é vendido em novelas e filmes?!
Claudia, sim, a gente é criada pensando “num bom casamento”. E isso, pra mim, tem que mudar. Urgente.
E o fato de haver outras obras semelhantes não invalida a discussão sobre ESTA obra.
Não li o livro. Comprei, minha irmã começou a ler primeiro, e a cada detalhe do livro que ela contava, eu ficava com mais vontade de manter distância dele. Me pareceu conto de fadas demais, Crepúsculo demais, e eu esperava algo bem diferente. Mas ela adorou, as amigas adoraram, e até minha mãe gostou da coisa.
Concordo em gênero, número e grau com a sua análise, e eu ainda apontaria até alguns itens mais preocupantes com base nos relatos das conhecidas que leram. O problema, é que uma análise tão crítica e aprofundada da obra às vezes pode nos fazer perder de vista uma coisa muito importante: a despeito da qualidade e do conteúdo da obra, o fato é que é a primeira vez na história da humanidade que um livro erótico escrito por e para mulheres está fazendo tanto barulho e atraindo tantas leitoras. E isso não deixa de ser algo maravilhoso, na minha opinião.
Sei que muitas dirão “de que adianta todo o celeuma em cima de um livro tão porcaria e com conceitos tão deturpados? Há livros bem melhores, menos machistas e patriarcais e que abordam o BDSM de maneira mais realista que poderiam ser o foco da discussão.” Só que não podemos esquecer de que, infelizmente, uma grande parte das mulheres do mundo se identifica plenamente com a Anastacia Steele. São mulheres com muitas inseguranças em relação a si mesmas e ao amor, fragilizadas pela moda e pela publicidade, que em pleno século XXI ainda sonham com o príncipe encantado das inúmeras novelas e comédias românticas que consumiram na vida e que desconhecem seu próprio poder. Cinquenta Tons de Cinza, com seu ar de contos de fada e toda a sua gama de lugares-comuns, consegue levar erotismo e fantasias sexuais a todas essas mulheres. Ele consegue atingir mulheres que até então nunca haviam sequer imaginado abrir um livro com conteúdo erótico – e isso muito se deve à sua “canastrice”, ao fato de ter sido escrito não por uma especialista, mas por uma mulher qualquer que certamente não entende muito mais de sexo do que a maioria das suas leitoras, mas tem boas intenções e quer que elas descubram (ou recuperem) o erotismo perdido dentro delas. E torno a dizer, isso não deixa de ser algo ótimo.
Como diria Maquiavel, “os fins justificam os meios”. Se, para algumas mulheres despertarem para o prazer próprio é necessário um livrinho chinfrim e mal escrito, mas facilmente digerível pelas “não iniciadas”, digamos assim, e disfarçado de contos de fadas, então, que seja. Creio que muitas leitoras vão querer “mais” depois dele. E quem sabe, nessa busca, não se deparem com materiais de melhor qualidade.
Eu entendo seu ponto de vista mas discordo no seguinte: o livro vendeu mais de 30 milhões de exemplares. Se fosse libertador, já teria acontecido uma revolução.
Mas ele só faz reiterar um discurso machista e violento. Que é o que já é dominante no mundo.
Esse comentário foi tudo o que eu queria dizer:
Li seu texto, entendo seu ponto de vista, mas também li os 2 primeiros livros e gostaria de fazer alguns comentários;
1 O contrato não tem absolutamente nenhum valor legal e eles comentam isso no livro.
2 O tal contrato serve apenas para que ela saiba em que está se metendo, quais as regras, os limites etc.
3 Ele afirma para ela que enquanto eles estiverem praticando o sadomasoquismo (que está estabelicido no tal contrato- aconteceria apenas aos fins de semana) ela deveria obedece-lo e caso não fizesse isso seria punida. Ela então pede que ele demonstre quão ruim pode ser essa punição, já que a parte de dor para dar prazer ela curtiu. Quando ele aplica a punuição ela vê que é demais pra ela e termina tudo.
Não se trata de nada não consensual, veja bem.
4 o psiquiatra dele explica para ela que embora o Christian se veja como um sádico, os desejos dele nada tem de anormal ou loucura.
Morgas, você viu que eu disse que a relação deles é abusiva e quase não mencionei o sexo em si? O problema é outro. Mas sobre o BDSM, acho feio, muito feio que a autora tenha estereotipado o personagem dessa maneira.
Muita gente já acha que quem é adepto do BDSM é problemático, daí a autora coloca o Christian como uma pessoa de passado complicado e traumatizante.
“Como é que vocês podem criticar a mulher que apanha do marido e depois aceita ele de volta, mas podem suspirar por Anastasia e Christian???” Curti MUIIIIIIIIIIIIIITO.
A história abusa de clichês, é boba, ingênua igual a história de revista de banca de jornal tipo ‘bianca” . A escrita é sofrível mesmo. Mas a relação não é abusiva, simplesmente porque ela aceita participar.Abusiva é outra coisa. Acredito que este conceito está mal colocado na sua crítica, além do quê estamos falando de uma relação sadomasô. É ela escolhe ser ” a submissa” dele, dai todo o controle da menstruação, depilação e comida é determinado no contrato que ela aceita seguir, mas foge as regras o tempo todo.. tipo queria fazer o tipo personalidade corajosa, “rebelde”. E quando ela percebe que não suporta mais aquilo e não consegue ser ” submissa” que ele quer ela o decide abandoná-lo.
E volta pra ele. E se submete a tudo de novo. Isso é uma relação abusiva. Relações abusivas não são relações em que um OBRIGA o outro a estar junto, amarrado no pé da cama ou com uma arma na cabeça.
Se ela não é a submissa que ele quer e se fez de corajosa ao aceitar, então não é um desejo legítimo participar de um relacionamento sadomasoquista. O fez para q? Para agradar. A cobrança de um relacionamento abusivo muitos vezes é da gente mesma por conta desse sentimento de inferioridade.
Bom, nunca li esse livro, mas pelo que fiquei sabendo (e comprovei nesse post), é uma relação abusiva MESMO.
Como a relação de Humbert Humbert com a menina em “Lolita”. Várias amigas minhas ficaram apaixonadas pelo cara, pelo personagem, desejando um igual na vida real, só que o cara era um escroto. Até teve uma que o defendeu, dizendo que “a criança provocava ele – quem poderia condená-lo?”. Eu fiquei enjoada do começo ao final do livro.
Esse livro é genial, mas o é justamente por retratar a ruína mental do Humbert. Também me senti enjoada mas gostei de ver a alma doentia do protagonista ser tão bem desvelada.
Eu vi muita gente comentando sobre o quanto o livro é mal escrito, sobre a relação abusiva, muita gente dizendo q não leu, mas vi poucos falando o óbvio: o livro vende por causa do erotismo (bobo e exagerado em alguns momentos, mas bom para a imaginação e fora do comum pra rotina de mt gente). O q mais me impressionou é o qto ainda é dificil uma mulher poder falar q comprou um livro q é um lixo literário só por causa do sexo! Vi alguns lugares comentando que as pessoas tinham curtido a história de amor (q é o mesmo arroz com feijão de qualquer romance e qualquer um q já leu um conto de fadas ou viu uma comédia romantica sabe como termina). O livro vende pelo sexo, por um tipo de prazer q surpreende a mulher q cresceu ouvindo que não deveria sentir prazer, e senti-lo em uma relação BDSM então, só se ela for uma puta. No próprio livro (q eu li!) a Anastasia questiona muitas vezes o fato de estar sentindo prazer com aquilo e ter no fundo uma noção de que é errado, que aquele prazer é sujo. Eu gostaria muito de ver outras mulheres que leram dizendo que curtiram o livro pelas cenas de sexo e essas mulheres poderem falar isso sem se envergonharem de terem gasto o dinheiro delas em um livro em q a unica coisa q se salva são as cenas de sexo. E pelo amor de Deus, não tenho expectativas irreais em relação a sexo, sei o q é estar em uma relação estável, mas isso não me impede de pensar que seria gostoso passar vários dias a base de sexo kkkkkkkkkkk
Ana, devo discordar. As cenas de sexo retratada são ridículas e ela sequer nomeia os órgãos sexuais. Não vejo isso como revolucionário.
Essa parte dos órgãos sexuais é irreal mesmo rs fiquei tentando imaginar alguém falando daquele jeito durante um orgasmo. E como eu disse algumas cenas são meio bobas e exageradas. Sou perfeitamente capaz de perceber q é um personagem abusivo e que perpetua a ideia do principe encantado e q associa BDSM (q eu não conheço e acharia muito legal ver alguma coisa aqui a respeito) com desvios de conduta e problemas psicológicos. Mas mesmo assim acho legal ver mulheres consumindo literatura erótica (mesmo sem admitir pq), mesmo que ainda não seja um primor literário. E que em algum momento vejamos mulheres fazendo isso com naturalidade.
Olá! Eu não cheguei a ler os 3 livros de ponta a ponta, na verdade eu li algumas partes de um, li outras de outro, mas eu acho que no fundo a maioria das pessoas que leram e gostaram provavelmente não viram uma relação abusiva, viram uma garota, ela não chega a ser uma weird, mas ela eh bem tímida e de acordo com o que li, parece ser muito bonita, só não tem noção disso. E de um jeito bem estranho ela se apaixona por ele de uma maneira que nem mesmo ela sabe explicar, porque já nas primeiras páginas ela se refere a ele como um Control Freak! Mas tem algo nele que a instiga.
Eu acredito que o que a pessoas veem é um cara lindo, milionário, que está disposto a fazer de tudo por ela, que morre de tesão nela, porque afinal de contas ele poderia escolher entre várias mulheres, mas ele escolheu ela! e que de certa forma é extremamente ciumento e possessivo, ou seja tecnicamente há um certo felling de que ele não será infiel(whatever), e que sente prazer com BDSM.
Eu acredito que a leitura não é ruim, talvez não seja o melhor livro do mundo, tá não é, também não é extremanete informativa, eu conheço quase nada sobre BDSM, mas é realmente nesse ponto, em que as pessoas ficam interessadas. Concordo que eh bem conto de fadas, porque ao menos pra mim, o livro é bem mais fundamentado nos sentimentos de ambos, que em BDSM. Na verdade eu colocaria até como um coadjuvante.
Só mais um add, completamente boboca ela não é. Lendo o livro você acaba vendo que ela não é completamente submissa em tudo!!
Ok. Não vou mais bater na mesma tecla over and over again.
Pois eu vou bater na mesma tecla, Lê! O que está errado nesse livro é o mesmo que está errado com o Crepúsculo, do qual ele se originou: a protagonista é feita de papelão (pras mulheres se identificarem) e o homem poderoso e “dominante” vem salvá-la. Ela se sente tão nada e agradecida por ter sido escolhida, por alguém ter tesão nela, como tu falou, Ariane, que é coagida pela falta de amor-próprio a aceitar toda sorte de escrotices da parte do cara.
O problema aí está em confundir um homem dominante, que é uma coisa que muitas mulheres querem (muitas, como eu, mas outras tantas não tem essa vontade), com um homem dominador.
Olha, eu não acho ideal comentar sem realmente ler a obra. Tanto que algumas pessoas aqui comentaram e fizeram correções bastante pertinentes sobre a abordagem do texto.
Mas a história já me deixou com pé atrás desde o começo. “Crepuscular” demais.
Garota submissa e sem atrativos encantada pelo cara rico e bonitão que vem salvá-la da vida mundana, com um quê de perigo aí? Não curto não.
Se não houvesse esse fator de dependência emocional por parte dela, da fraqueza de personalidade, até podia ser uma história legal. Mas o que devia ser um fetiche, a dominação, é o tom da relação deles. Existe uma dependência, um controle de fato. E isso é mostrado como uma linda história de amor.
Não me desce.
Lucas, o texto fala da reação (ou a falta de) das pessoas em relação ao livro. É sobre o burburinho, não é uma resenha. A resenha será publicada e foi escrita pela Sheila, como informo no final do post. Ela leu os três livros.
Fiquei sabendo que inicialmente a autora publicou o livro em um desses sites que vendem livros por demanda. Como estava fazendo sucesso uma editora se interessou em publica-lo sem mudar uma vírgula e sem intervenção do editor. Não é a toa que a escrita é sofrível.
Carol, muita gente diz que a tradução para português também é bem ruim, que a edição em inglês é melhor.
Bom, em inglês não li nada mas já vi matérias falando que o vocabulário da autora é bem fraco. É o tipo de texto que normalmente se encontra em fanfics por ai, e acredito que essa era mesma a pretensão da autora (que não escreve profissionalmente) quando o fez. O que me espanta é uma editora se interessar pelo sucesso que aquela história estava fazendo e sair imprimindo livros sem o mínimo de cuidado. Esse livro é um caça níquel da pior espécie além de um desrespeito com os profissionais da área (escritores e editores).
Mas no final tem uma galera ganhando uma grana, né?
Eu li em inglês e achei bem ruim. A cenas de sexo são risíveis, eu passei a maior parte do livro com vergonha pela autora. Se bem que ela está conseguindo exatamente o que queria. Que triste, dinheiro parece ser a mola propulsora do mundo.
Letícia eu li os dois primeiros livros e concordo plenamente com seu ponto de vista, mas tenho mais algumas opiniões. Muita gente tem lido e nem sequer se dá ao trabalho de pensar no que lê. Quando eu terminei o primeiro livro parei um fds p avaliar pq eu tinha gostado tanto se a escrita não me agradava e muito menos a relação abusiva dos dois, mesmo que o sadomasoquismo não chame minha atenção. O que tem feito tanto burburinho por aí e é claro nas páginas do livro, é a entrega de um p/ outro e as pessoas simplesmente se esquecem de prestar atenção no resto.
Pamina, quanto a preferencia de ALGUMAS mulheres por homens ricos a Letícia já respondeu.
De fato, ainda que inconscientemente, muitas mulheres buscam um bom relacionamento. Entenda-se um homem que possa lhe proporcionar uma vida material confortável.
Agora vamos imaginar o livro com um cara pobre, desempregado, sem dinheiro para pagar uma moradia digna, sem condições de pagar pra ter lazer (cinema, viagens), que andasse de ônibus, com dividas para pagar, que não pudesse dar nenhum presente pra sua amada, e que, por fim, pedisse que a Anastácia o ajudasse a pagar as suas contas do mês. Seja sincera, será que o livro seria tao sedutor? Será que ela deixaria se subjugar? Será que ela se anularia? Ficam essas colocações para reflexão!
Olá!
Li quase tudo que todos falaram e vi muita coisa repetitiva, por isso fiz questão de ver tudo pra saber se o que vou dizer ninguém disse ainda.
Não li o livro (nem leria) e pelo que vejo realmente parece surreal a relação entre eles. Mas não é possível que a autora esteja falando de uma coisa que acontece e deixando uma crítica implícita? Claro que se essa foi a intenção ela foi por água abaixo porque a reação da imprensa e das leitoras foi exatamente o contrário. Também não sei a opinião da autora sobre isso. Mas penso que não é só porque ela escreve livros que ela deve ter uma função educadora das mulheres. Talvez ela tenha se valido disso pra escrever um livro em que a personagem abusada não se revolta e aceita tudo até o fim, como acontece com muitas mulheres às vezes até morrer.
ATENÇÃO: O que quero fazer aqui é tentar justificar o lado da autora. Não estou muito otimista com essas explicações que eu mesma dei. O que parece verdade é que ela escreveu essa história pra vender livros mesmo, sem se preocupar com a interpretação das pessoas mesmo, sem achar que as mulheres iam se espelhar na Anastasia mesmo. Os clichês são muitos e a falta de aprofundamento também, o que mostra que a intenção da autora não era fazer ninguém pensar, mas ganhar dinheiro no estilo Crepúsculo e só.
PS: Letícia, adoro seus textos! Escreva sobre o que bem entender e quem discordar que faça um blog pra expor o que pensa…
Larissa, eu concordo com você que a autora não “tem culpa”. Ela com certeza não tinha nem ideia do furor que isso ia gerar… E quem nunca escreveu bobagem, né? Eu já escrevi várias.
O que me assusta, mesmo, é a reação meio enlouquecida das pessoas, desejando fervorosamente um relacionamento parecido. Eu, hein.
E sim, eu vou continuar escrevendo sobre o que eu bem entender. Antigamente me incomodava com essas coisas, mas agora tô de boa.
Já vimos que o tema é polêmico e divide opiniões. Mas daí a criticar o outro porque teve uma interpretação diferente é no mínimo cafona.
Eu decidi ler o livro devido ao fusuê da mídia em torno de uma literatura supostamente “pornô”. Li o primeiro e o segundo e aguardado ansiosa pelo terceiro. Tamanha a minha surpresa ao me deparar com um livro ZERO pornô, mas com muito romance, sincero, intenso e diga-se de passagem,lindo! E, eles além de amor, têm química. E quando junta esses dois é óbvio que há muito sexo, não se trata de algo isolado na ficção.
O sentimento do Christian pela Anastásia é tão verdadeiro que foi capaz de salvá-lo de sua vida vazia. O próprio psicanalista disse a Anastasia que ela conseguiu em pouquíssimo tempo o que ele não conseguiu em anos de tratamento. No fim ele cedeu MUITO mais do que ela, inclusive se desfazendo dos acessórios que machucavam, abrindo mão do sadomasoquismo, propondo um relacionamento baunilha e por fim casamento. Ele nunca quis machucá-la, tanto que ela poderia pedir para ele parar quando quisesse, pois esse era o combinado. Ela não o fez, e posteriormente ele tantas vezes a questionou o porque ela não interrompeu.
Anastásia não foi obrigada a nada e nem fez algo que não queria. Ela sentia-se feliz em fazê-lo feliz, e vice versa. Quando se viu além dos seus limites, saiu fora. Quando ele viu que a machucou ele sofreu junto.
Quando as mulheres dizem que desejam um Christian Grey, não quer dizer que querem alguém que as dominem ( digo por mim e por amigas que tbm leram), e sim um homem que cuide, se preocupe, e sim, saiba dar prazer. Pois se observar, ele sempre se preocupou com o prazer dela, e na maioria das vezes ela gozou antes dele, quando não juntos.
E sim, a mulher pode gozar todas as vezes, basta estar com um homem que saiba e queira fazer isso por ela, infelizmente não há tantos desses homens, o que faz a mulher achar que ela tem problema para gozar. Isso e referindo ao sexo, é claro que a mulher não depende só de homem para gozar, ela pode se masturbar a vontade. Já estive em um relacionamento de 3 anos, vivendo sob o mesmo teto, sem nunca gozar, como já estive em um de 2 anos sem nunca ter transado sem gozar. Vai da químia do casal, do quanto seu prazer é importante para o cara, do quanto ele te deixa a vontade etc. Pelo visto Christian sempre a envolveu num clima de sedução incrível, sempre com muitas preliminares e sempre deixando claro: “nosso papel é satisfazer”.
Quem é que quando ama não se sente feliz em ver o outro feliz? Isso não é ser submisso, é simplesmente amor. Ele a fez feliz, ela o fez feliz, e ambos se completaram.
Hum rum. Cê tá ansiosa pra chegada do Papai Noel, também?
Olha, eu sei como gozar e não tenho problemas em gozar.Inclusive faço isso numa rapidez incrível. Mas eu não gozei em todas as relações sexuais, e isso nunca foi uma questão. O sexo, pra ser bom, não precisa de orgasmo.
E você acha que uma pessoa EVOLUI de uma relação BDSM pra uma baunilha? Sério??? As pessoas são adeptas do BDSM porque gostam, não porque são problemáticas.
Essa história de que o amor salva mais do que a psicanálise é um desserviço ao trabalho dos terapeutas. Porque amor é importante, sim, mas não “salva”.
Desculpe o desacordo com sua opinião. Mas é que só costumo opinar, com convicção, sobre sentimentos que já vivi. Daí o comentário que não lhe agradou, mas não é agradável subestimar as experiências alheias. Quem sabe um dia tu possa experimentar a reciprocidade de algo maior e verdadeiro e, por que não, intenso.
Em papai noel eu de fato não acredito. Mas do amor, não duvide. :)
bjs
Eu não duvido do amor. Inclusive sou uma ferrenha defensora dele – mas não do amor romântico, idealizado, salvador.
E, mais importante: eu dou imeeeeeeeeeeeeenso valor à psicanálise.
Li uns trechinhos do livro por pura curiosidade, não era muito pro meu bico mesmo. Mas não deixa de ser curioso que uma história torpe dessas tenha se tornado o “best-seller das donas de casa”. Taí munição pra quem dizer que a mulher feliz é submissa mesmo.
Estranho que, pra eu, que não sou lá muito chegado ao BD nem ao SM mas tenho minha dose de navegação na putaria, o que mais tem é femdom, se fosse chutar apostaria que na maioria das relações “dom” quem manda é a mulher. Esse texto aí embaixo é bem relevante:
http://delas.ig.com.br/colunistas/questoesdoamor/a+funcao+perversa+dos+contos+de+fadas/c1238083574131.html
Babe, tem exatamente esse link no post…
Letícia, sou sua fã!
Nem tenho mais o que dizer, só que você é demais escrevendo! :)
Letícia, eu adoro o seu blog e estou tentando ver o seu ponto a respeito do livro. Sou nova, aprendi muito com o seu blog e continuo aprendendo. Mas acho que o Christian não foi adepto ao sadomasoquismo por ser só problemático, ele de fato, gostou e não foi “curado” pelo amor e simplesmente deixou de gostar. Ele sente falta, e acho que a Anastásia em todos os momentos, os “abusos” foram consensuais. Ela aceitou ele como dominador de seu corpo, a todo momento estava ciente no que estava se envolvendo. O trecho que você sita, é exatamente isso, ela lida com ele, porque escolheu assim. Bom é o que eu acho, não desejo um relacionamento assim, mas gosto da história, acho gostoso de ler e só.
ela aceita só pq ele não consegue ter outro tipo de relacionamento. Ela não aceita pq gosta e pq quer. Tanto é que pensa várias vezes que queria ele, mas não a bagagem dele, queria só ficar abraçada e conversar.
Bom li outras resenhas do livro, de pessoas q leram e algumas q ñ leram, de verdade, pensei em comprar, mas depois de ler tudo que li desisti, por varias razões.
Primeiro pela opinião de todos q o livro foi mal escrito, e EU ñ gasto meu suado dinheiro em uma obra mal escrita, tenho coisas melhores e mais importantes para comprar!
E sério q a estória é sobre o cara rico q encontra a moça virgem e a domina de um modo doentio!? Minha preguiça pra mais um livro desse… Concordo com seu texto, e temo pelas mulheres que podem levar esse livro a sério (pq sim deve ter vááárias q estão fazendo isso!) e pior usá-lo como guia sexual.
Bom essa é minha opinião ñ lerei, ñ indicaria a uma amiga, irmã, mas como vivemos em uma sociedade ~livre~ cada um põe goela abaixo o lixo que lhe convém!
Abraços
Eu confesso. Com meus 16-18 anos tinha costume de ler fanfics de Harry Potter em inglês. Passou a fase. Mas aí há uns meses vi um burburinho sobre esse livro ter sido publicado a partir de uma fanfic de Crepúsculo, e fui buscar ler só pra ver o que seria. E COMO eu detestei e me arrependi pelo tempo gasto, por todos os motivos que você citou e mais alguns…
A própria escrita já seria um motivo pra que alguém o largasse em 10 páginas. Os personagens são terríveis. O relacionamento é doentio. Há um imenso desrespeito pela comunidade BDSM real porque, dentre outras distorções, em vários momentos Anastasia diz achar o comportamento “exótico” de Christian durante o sexo algo pervertido e imoral; ela sequer ENTENDE o que está ocorrendo quando entra naquilo. Enfim, está TUDO errado ali. Tudo.
Aí eu fiquei me perguntando, por que 50 Tons de Cinza faz tanto sucesso então?
Um dia questionei isso a uma amiga que é super fã do livro (quem me emprestou, aliás), e ela respondeu “porque o sexo descrito é gostoso de ler”. Eu que já li tanta história/fanfic com conteúdo sexual, pode ser que pra mim já seja banal a literatura erótica, mas além das cenas serem mal escritas, eu não achei nada excitante (pelo contrário, só sentia repulsa por Christian).
Depois de tantos anos lendo escondida histórias eróticas, com medo de ser pega (risos, pq eu tinha tanta vergonha mesmo?), imagine qual foi a minha surpresa em ver que o mundo TODO estava abertamente lendo? Agora que 50 Tons saiu do underground da internet direto para os programas das Oprahs da vida, ler um livro erótico em locais públicos se tornou mais “socialmente aceitável” (odeio esse conceito, mas é o que parece).
Eu sei que corro o risco de estar generalizando horrores aqui, mas, tirando aquilo que a mídia coloca como o motivo do sucesso (“toda mulher quer ter um Christian Grey”), a sensação que eu tenho é que pra essas leitoras é menos vergonhoso usar um livro como objeto de excitação – seja pra si mesma ou para com parceiros(as) – porque ainda pra algumas ver um vídeo pornô ou algo do gênero é considerado “sujo” demais, coisa de “macho”.
Então, respondendo a pergunta de muita gente, na minha opinião essa trilogia vende principalmente por conta do sexo.
Creio que muitas leitoras gostam tanto do Grey por ele ter um esteriótipo de homem perfeito-e-sedutor, e por ele prover o sexo ideial que sempre vive no imaginário delas. E sim, eu SEI que tem gente que lê e é consciente, sabe separar as coisas, sabe julgar o que é saudável ou não. Mas ao mesmo tempo deve ter gente que provavelmente nem se dá conta do que significa o relacionamento (abusivo) que o casal leva, justamente porque se ludibriam com a narrativa sexual, a coisa que é “novidade” pra elas. Muitas não devem pensar a fundo sobre a relação deles, já que a todo momento as más condutas do personagem principal são justificadas por desculpas esfarrapadas como a da infância “sofrida” (pra cada babaquice que ele faz sempre tem uma desculpa. É impressionante). Tenho palpite de que nem a própria autora se esforçou tanto pra escrever, apenas foi colocando o que ela achava que daria mais repercussão. E deu, né?
Ah, e quem fala que é só mais um livrinho pra diversão e passatempo? Existem milhaaaares de outros romances inofensivos que poderiam cumprir esse papel, inclusive a literatura erótica que a Letícia citou na introdução.
Eu só sei que temo pela geração de mulheres que vai entrar numas de ser “submissa” mesmo sem conhecer o universo BDSM, e todos os companheiros que vão ter uma desculpa pra dar porrada nelas. Tudo em prol de “apimentar o relacionamento”.
Uma vez alguém comentou no twitter que o livro ficou famoso porque mulheres gostam de sexo e o livro fala de sexo sem ser óbvio que fala disso (título e capa disfarçam, além do formato livro, que é mais “respeitado” que uma revista, por ex).
Eu como uma pessoa sem experiências românticas (mas não mais uma adolescente) vejo no livro o mesmo apelo do crepúsculo: é um romance exagerado. É a fantasia do casal que se entrega totalmente um ao outro, o deslumbramento das novas descobertas, a sensação de excitação que o livro passa em quase todos os momentos (coisas danosas para a vida real, com certeza).
O Grey é interessante por estar sempre conversando com a Anastasia, por dar a impressão de estar descobrindo como é um relacionamento “normal” e partilhar essas alegrias com ela, mesmo que de modo mais reservado. Para mim o fato de ele ser rico só facilita a história, pra justificar passeios, presentes e facilidades, mas não acho muito importante para tornar o Grey mais interessante.
Agora o mais importante: eu concordo com o seu texto. A relação é abusiva, e tem umas passagens bem assustadoras. Ele controla ela, e no início do relacionamento, ela concorda em fazer as coisas com o pé atrás e acaba chorando sozinha depois sem saber pq, ora, é claro que é pq ela foi abusada e só fez as coisas pra não perder ele.
Outra coisa: eu não li o livro todo, mas já vi ele falando que quer que ela tome anticoncepcional pq ele não gosta de usar camisinha. Que belo exemplo, só que não.
Então, para mim esse livro traz dúvidas como uma relação abusiva: eu gosto dele, fico hipnotizada com o romance meio doido que ele pode proporcionar, mas tb fico horrorizada, pq eu sei que é uma relação abusiva e errada e eu bem poderia cometer os mesmos erros da anastasia e acreditar em um cara assim (e fora que a anastasia na verdade é bem bonita para os padrões da sociedade, acho que ela é uma personagem fraca propositalmente, para que uma maior gama de leitoras se identifiquem com ela).
Letícia F,
Não li seu texto no seu blog, nem lerei. Não tenho tempo ou paciência para ler sua opinião. Mas achei um horror tudo o que você escreveu, apesar de não ter lido, mas é que, veja você, desenvolvi a incrível capacidade de adivinhar que textos escritos em blog, especialmente aqueles que começam com o famigerado “não comi e não gostei” são grandes trolladas dadas na inteligência alheia.
Forte abraço!
Nossa, a gente é super parecida! Bacana!
Noooossa, eu li três vezes essa opinião pra entender…ela não leu o texto mas achou horrível tudo que vc escreveu…as palavras entraram no seu cérebro pro osmose? Não sei, acho que vou ter que ler de novo.
Ela tá me zoando pq eu não li o livro, mas mesmo assim opinei.
Ah tá, você fala que homem que não quer conhecer prazer anal por medo de se descobrir bissexual é preconceituoso, mas você não sentir tesão sem ter sido dominada não é preconceito, é só não sentir tesão. Aham.
Mas quem disse que eu nunca fui dominada??
Olha, eu li todos os livros do Crepúsculo e gostei. Mas isso não significa que não identifique a mocinha como vítima de um namorado obsessivo, controlador, enfim tudo de ruim. Achei a história legal de ler, bem fácil e interessante. Mas JAMAIS gostaria de ter um Edward pra chamar de meu. Porque aquele relacionamento era abusivo.
Não li os cinquenta tons de blablá, mas vejo que segue o mesmo princípio. Por que é tão difícil admitir que os relacionamentos de Bella/Edward e Ana/Christian são abusivos? Toda a anulação das mocinhas, o quanto elas se acham inferiores, o quanto afirmam e reafirmam que elas são desajeitadas, feias, vazias, ímãs de azar etc e o quanto eles são ricos, lindos, atraentes, cultos, perfeitos…tudo isso é tão típico de um relacionamento desigual. E relacionamento desigual leva a abuso.
No Crepúsculo, em todos os livros a Bella queria A e o Edward queria que ela fizesse B, amolando ela de todo jeito pra fazer o que ele queria que ela fizesse. Quando que ela pressionava ele pra fazer o que ela queria? Nunca, porque a auto-estima dela era baixíssima, ela não se sentia capaz. Ele era tão absurdamente perfeito que não poderia ser criticado. Como é com a Ana? Ela também não considera o Christian uma espécie de semi-deus e o trata assim? Ele não sabe que ela o considera um semi-deus e não se sente muito confortável nessa posição?
Isso não é amor. Uma pena que tanta gente acredite que isso seja amor. É dependência emocional, é anulação de si mesma em prol do outro, é o que sempre esperam das mulheres. Que venerem seus homens a tal ponto que deixem de fazer o que acham certo, que deixem de pensar porque a vontade dele é certa, ele é O cara. E isso é tão errado.
Na boa…eu tentei ler o livro para formar uma opinião a respeito e não consegui passar da metade…é muuuuito mal escrito, mesmo se não fosse machista já seria um lixo. Como diabos um treco desse vendeu tanto????
Leticia estou adorando seu blog e convirdo plenamente! Logo de cara já não queria ler por conta do reboliço ( não confio mto em best salers! Eu sei – preconceito) e depois pelo q eu ouvia falar da história, me parecia mais uma degradação da mulher do q erotismo! É erotismo disfarçado da velha história da mulher ser o objeto do homem, propriedade para usar da melhor maneira que lhe convier! Parace um disfarce para voltar a firmar para as mulheres que oq todas querem de verdade é serem mandadas, usadas e abusadas pelo macho superior! É triste ver a midia propagando isso como uma tendencia de comportamento!
To adorando seu blog e achei muito linda e delicada sua tatoo! Bjão
Ah, Letícia, que bom ler o que li aqui sobre essa babaquice que é esse livro. Você e eu vemos o REAL lado dessa história maluca. O mais impressionante é ver realmente a quantidade de mulheres que acha ele lindo, só porque tem dinheiro e transa como um louco. Não importa se ele é um maluco sádico e ela uma masoquista. O que importa é que é rico e eles se amam. Meu Deus, se isso é amor, me pergunto o que não seria… li os livros por pura curiosidade mesmo de tanto que falavam neles. Confesso que tive que pular uma série de páginas porque a leitura em si é chata e arrastada.
Espero que esse texto consiga abrir os olhos dessas mulheres que sonham com esse tipo de relacionamento.
Você não leu os comentários? um montão de gente defendendo!
Bem, to atrasada na discussão.
Primeiro, leio livro erótico e realmente não tenho vergonha disso (já tive muita, mas superei), gosto de ler de vez em quando um livro que seja apenas para eu me divertir. Gosto de de vez em quando ler uma boa cena de sexo (frisado na palavra “boa”) e tambem costumo ler fics e algumas são mil vezes melhores que o 50 tons.
Eu comecei a ler o 50 Tons de Cinza por curiosidade, queria saber porque o livro estava fazendo tanto sucesso então peguei o livro emprestado de uma amiga. Sinceramente, a leitura até que fluiu bem, o livro me prendeu, mas ai que vem o problema todo. O livro só me prendeu até o momento em que aparece o contrato. Aquilo é risivel, sim ele fala que não tem valor juridico, mas pelo amor de Deus. Achei humilhante e degradante como mulher. Eu fico admirada como as mulheres podem engolir aquilo, mas lendo os comentarios, sim eu li todos percebi que a coisa é. Toda mulher tem na cabeça uma preconcepção de ter de procurar, encontrar e “laçar” um amor perfeito. E ai que ta o erro todo. Ninguem é perfeito, somos humanos com falhas e qualidades. Não me sinto favoravel a falar nada além disso porque não li o livro todo, mas a impressao que tive foi que a imprensa no geral esta tentando e conseguindo colocar o livro como uma revolução nos livros romanticos quando a formula é a mesma de sempre. (Mulher encontra homem – Mulher se apaixona pelo homem – então eles brigam e se reconciliam e no final se casam e tem um monte de filhos.) Eu li o final da série e se disso. É a mesma história de sempre tentando colocar uma “roupagem’ picante e revolucionaria para mandar multidoes para o cinema ou comprar os livros.
Ai vai a ideia de colocar na cabeça de toda mulher que foi feita para ficar com a barriga no fogao, descalça e se possivel grávida. Isso está muito bem colocado na cabeça das mulheres e infelizmente já me encontrei com mulheres muito mais machistas que os homens. Na cabeça de muitas elas só servem como parideiras e donas de casa.
Nunca tinha pensado na relação como abusivo simplesmente a via como degradante e humilhante. Simples desse jeito, então nem peguei mais para não me irritar. Não posso dizer que é assim como não posso dizer que não é por não ter lido inteiro.
Conclusão: os romances atuais tem me irritado e decepcionado por serem sem conteudo, machistas e o pior, escrito por mulhers.
Virei fã do seu blog.. PARABÉNSS :)
Olha Letícia eu acho que as pessoas não estão entendendo a gravidade desse livro porque não estão visualizando a situação de maneira real.
Um filme que ajuda e mostra exatamente isso aí é Adolescentes em Perigo, vc já viu? O cara escolhe as roupas da namorada, rastreia o celular dela e etc (não vou contar o filme todo rsrs) e só a prima dela enxerga isso e tenta alertá-la. Ela em contrapartida chama a prima de invejosa por não ter um namorado que se preocupa. E todos acham que esse “cuidado exagerado” do tal namorado é lindo e romântico. Quando na verdade é abusivo e manipulador até ele começar a bater nela e tal.
Se vc ainda não viu esse filme, por favor veja. Acho que tem tudo a ver com esse post. Beijos e parabéns pelo blog!
Li a maioria dos comentários e só consigo pensar em uma coisa: “deusa interior” é como ela se refere à própria buceta? Só isso já tira qualquer possibilidade de esse ser um livro válido.
Eu li a 1a parte qdo ainda era uma fanfic de Twilight (qse 3 anos atras), e nao por ser destes livros pq eu os abomino por todo o backlash contido, mas por ser fanfic e por ser BDSM ( q pensei ao principio). Contudo, qdo mais eu li os capitulos e pesquisava sobre BDSM, via como o uso da 1a pessoa na narraçao era tao manipulavel, e qto estava errado tudo aquilo posto. Nao era algo consentido, era manipulavelmente idelizado para ser consentido…como quem le acredita nisso que é o melhor livro ever.
É como dizer nao eu nao sou manipulavel pela midia, eu gosto mesmo de ser magra e loira, dentes brancos e roupas na moda.
A manipulaçao nao é vista e isso é tao triste.
Sem falar que a autora era uma pessoa horrivel, bullyng internacional era pouco contra adolescentes, uma mulher super prepotente, quem nunca poderia publicar uma fanfic..ilegal, imoral e anti etico.
E acompanhei o fusuê nos EUA e depois aqui, e toda esta generalizaçao que ISSO que as mulheres querem… que falamos de independencia mas queremos um homem rico provedor, controlador, obssecado, ciumento, damage que podemos consertar e idolatrar… deixa-me enjoada. E mais puta com o tanto de amigas que falaram mal, terrivelmente mal de Crepusculo por ser algo teen doido…e agora COMPRAM a ideia deste Christian que NADA mais é que o Edward… ISSO Ë UMA FANFIC DE CREPCULOOO!!! Amigas super indenpendentes e feministas e bla bla que sempre criticaram desenhos da disney, seus namorados por comportamentos iguais…E agora postam no FB que 50 shades é o cara! WTF? E amigas que brigaram por eu criticar e NEM leram o 2o livro!! MEUUUUUU!
Isso me dá medo, sério!
Da onde isso é uma relaçao saudavel?!! As mesmas criticas q eram feitas em cima do Edward-Bella como imagem para teens, agora é ainda mais agravado q se usa cliches preconceituosos de praticantes de BDSM, numa relaçao que nao é BDSM, e ele abusa dela, psicologicamente e fisicamente. Alem de todos os mitos machistas enrustidos ali. Como mulheres maduras podem idolatras uma figura de uma teen que nem se masturbava e era virgem…De novo o mito da pureza da mulher sexualmente…Do casamento e da posse masculina. Dá vontade de gritar!
Sim, parece toda aquela conversa de “nao é violencia domestica”. Sim, é.
E ela é uma tonta, que nao sabe seu valor e esta sempre se diminuindo, e acredita que é tao feminista e tao forte e fazendo tudo direitinho.
E o povo está comprando que é super libertador para mulher adorar este modelo…que é inovador! Que inovaçao ha nisso? Sabrinas e Julias estao na banca com plots muito mais interessantes e sexo explicito ali a vontade.
O que eu acredito que isso diz da nossa sociedade é que as mulheres sente falta de homens que as desejem com todos seus defeitos, isso mostra como a auto estima feminina esta baixa pq ainda aceitariamos uma relaçao nao saudavel dourada pelo “amor”. Ainda aceitariamos uma relaçao abusiva pela ideia de um principe encantado, é muito materialista. Ainda aceitariamos a ideia de que precisamos de um homem para nos dar um valor e felicidade.
Amiga vc leu a 3 anos atras? o livro foi lançado em 2011 tá?!!
Ela falou que leu a fanfic. O livro foi lançado em forma de fanfic, primeiro na internet. Mas você quer dar uma de sabichona, né? Repito o que você disse pra mim mesma em outro comentário: “não fale a respeito do que não conhece”
tenho muitos preconceitos contra BDSM. confesso e ainda me justifico. depois de ter um relacionamento com um “adepto da prática” (eu nunca quis e nem nunca aceitei submissão, dor ou humilhação, e isso foi apenas um dos motivos pra que o relacionamento não desse certo) e conhecer alguns outros “adeptos”, observei e fui estudando esse tipo de comportamento e vi que o BDSM não se resume à maneira como as pessoas transam ou preferem sexo. isso faz parte da dinâmica da vida das pessoas, dentro e fora do quarto, e é um modelo de pensamento, não um “fetiche” ou “preferência”. e, no meu ponto de vista (e eu posso estar sendo moralista, vá lá), esse modelo de pensamento parte de pessoas doentias, perversas. sim, existe um “contrato” entre as partes e, pra coisa funcionar, é preciso que ambos sintam prazer com aquilo e concordem com a dinâmica. mas um adepto do BDSM não submete uma mulher apenas na hora do sexo (e estou pensando só nos homens, porque não conheci mulheres que fossem “dominantes” no BDSM pra observar o comportamento delas – e ser dominatrix não é o mesmo exatamente que ser DOMINANTE NO BDSM). ele tem prazer em humilhar, controlar, enlouquecer e machucar (física, emocional, psicologicamente) a mulher em qualquer circunstância.
falaste sobre o Christian controlar o que a mulher comia, vestia e etc. é exatamente assim. eu vivi isso na pele. eu, uma pessoa dominadora, feminista, extremamente independente e etc., estava numa situação de vulnerabilidade tal (estava passando por uma depressão muito, muito séria) que tive um relacionamento com alguém que curtia me humilhar e tentava controlar desde meus hábitos de higiene, alimentação e de vestir até a forma como eu me comportava (o “relacionamento” terminou, pra meu alívio, quando ele disse que eu era lésbica – julgando me ofender – porque pintava os cabelos de roxo, as unhas de preto e treinava boxe). a experiência serviu pra que eu entendesse que eu sou forte pra não ceder a certas coisas, mesmo naquela situação, e que uma pessoa não vira adepta do BDSM a rigor porque conheceu a prática, achou bacana e aplica isso na cama, entre 4 paredes. as pessoas VIVEM isso, elas SÃO assim. e é por isso que não consigo não julgar A PESSOA quando ela diz que é adepta dominante de BDSM (isso é diferente de alguém que gosta de dominar no sexo. bem diferente).
lendo os outros comentários agora vi que deveria especificar umas coisas sobre o que disse a respeito do BDSM: eu vivi uma relação com um adepto dominante de BDSM e não aceitei, desde o início, nenhum tipo de violência. ele primeiro explicou do que ele gostava, mas nunca a fundo. e foi falando do que gostaria que eu fizesse. eu neguei tudo, sempre dizendo que não gostava e não queria. seria bacana se o “uma relação BDSM não é abusiva!” fosse realidade no mundo real. porque ele sempre TENTOU fazer o que ele curtia, embora eu às vezes mostrasse claramente que NÃO IA DEIXAR ROLAR. vocês podem dizer nesse momento que OK, EU TAVA GOSTANDO PORQUE NÃO COLOQUEI O CARA NO OLHO DA RUA. é, eu aguentei algumas coisas antes de colocar ele no olho da rua, mas como eu disse, eu estava bastante vulnerável e me deixei levar em uma situação de suspensão total de juízo. mas o que aconteceu foi, sim, uma relação abusiva. mesmo eu não querendo, dizendo que não topava e não queria tal e tal coisa, ele tentava, às vezes fazia mesmo, e isso dentro e fora de circunstâncias sexuais. o abuso chegou ao ponto surreal de ele baixar vídeos de BDSM pra me mostrar o quanto era interessante, e dizia que toda mulher curte aquilo e que eu só dizia que não gostava porque era reprimida. (eu era reprimida? mas quando ele me puxou o cabelo como se eu fosse qualquer coisa e me machucou, e eu gritei com ele dizendo que EU JÁ TINHA DITO QUE NÃO QUERIA AQUILO, ele broxou. e fez cena e chantagem emocional. se isso não é doentio, eu não sei o que é.) e todos os outros homens que conheci (e com quem felizmente nunca tive absolutamente nada além de ter conhecido) que se diziam BDSM dominantes eram da mesma “estirpe”. pareciam até criados na mesma chocadeira (sim, porque até isso: a maioria deles tinha nojo da própria mãe).
Eu também não li o livro e até acho uma perda de tempo discutí-lo, mas como virou assunto badalado não aguentei e tive que comentar. Primeiro, isso é um produto enlatada feito sob encomenda e não uma obra de literatura em nenhum aspecto. Você pode gostar de ler esse tipo de livro, acho até bom, pois qualquer leitura é melhor que nenhuma, mas vc não pode querer encontrar grandes qualidades nesse tipo de produto criado e elevado pela mídia e pelo consumismo. As pessoas querem parecer cultas, ou modernas ou qualquer coisa e não ser realmente. Segundo, pode até ser preconceito meu (é mesmo mas esse eu faço questão de ter), mas não vou perder meu tempo lendo um livro erótico escrito por um inglesa com cara de boba que deve ter uma experiência sexual muito da sem graça, mas que sabe escrever o que vende! Sou mais as aventuras da Letícia que são reais, de gente feito a gente, onde o sexo às vezes é ótimo e tem dia que é de morrer de rir, ou até de chorar! Por último, se quiser ler literatura erótica recomento “O Amor Natural” livro de poesia erótica de Carlos Drummond de Andrade:
Oh! Sejamos pornográficos
(docemente pornográficos).
Porque seremos mais castos
Que o nosso avô português?
Em tempo, comprei seu livro pela internet e estou ansiosa por lê-lo. Muito sucesso para vc!
Já não curti quando ouvi falar de um “pornô pra mamãe”. Ficou mais difícil sabendo que era uma fanfic de Crepúsculo. Mais difícil ainda, sobre a autora.
A gente estuda, escreve bobagens, depois pérolas e depois achas essas pérolas bobagens. Preocupação em escrever bem, de fazer sentido. De ser válido.
Aí fui lendo trechos (no meu trabalho TODAS as funcionárias estão lendo – e há reuniões na copa no almoço em que prefiro almoçar na minha mesa – pra não ouvir mais bobagem). Aí resolvi ler um pedacinho, pra entender tantos gritinhos, pulinhos e risadas nas “reuniões no almoço”. Só digo uma coisa:
PUTAQUEOPARIU!
Como pode, trabalhando com um setor de saúde feminina, onde as enfermeiras estudam sexualidade (inclusive pós-graduação e afins), ficarem tão (odeio o termo) histéricas por um babaca desse? Fiz questão de me ausentar dessas reuniões, avisando: “e quando chega paciente aqui que a gente tem que discutir com o namorado/marido a opção de anticoncepcional DELA? E quando elas vem aqui pedindo pra retirar o DIU por que o marido quer um bebê? ISSO é relacionamento abusivo, mas um psicótico de um livro é o sonho de vocês?”…enfim…fui “excluída” do grupo (por mim foda-se que eu já pedi demissão mesmo) por que “A Alê é muito estudada pra gostar dessas coisas”. Pois é. De repente um mínimo de senso crítico é motivo de vergonha.
Aí quando escrevo sobre uma psicopata que seduz e espanca, sobre uma mulher de 50 anos, bem sucedida, independente e inteligente que se envolve com um cara de 20 e poucos anos, ISSO não é aceitável. Questionar a opinião pública faz de você uma vergonha, o clássico, quem não se enquadra, sai de cena. Cena por cena, tô fora MESMO.
Tudo isso pra dizer que concordo DEMAIS com você e que caralho é as pessoas se ludibriarem tanto com o BDSM que não lê entre as linhas. Cuidado! um simples livro, meras letras em um papel podem tomar dimensões assustadoras, e nesse caso, repetidas por tempo demais. Pleno século XXI e ainda tem quem defenda o príncipe psicótico encantado.
Pingback: Meus dois centavos sobre 50 tons de cinza « Escritos Feministas
Eu acho cômico algumas pessoas tentarem Mostar que o tal Christian amava Anastasia e se preocupava com ela porque ele capricahava nas preliminares e ela gozava antes dele e muitas vezes juntos. Então, quer dizer que um ormagsmo bem vale uma relação abusiva? Desde que esteja gozando, pode tudo o mais? Isso é ridículo e é lamentável que as mulhres pensem assim. Não percebem que se escravizam por pouco? Toda mulher pode sentir prazer desde que conheça bem o corpo dela, que se goste, que se sinta à vontade durante o sexo, que se respeite, que se masturbe para saber o que lhe dar prazer. la não prcisa de um Grey na vida dela. Percam esta dependência pelo homem ! Anastasia depende de grey para tudo, ele decide o que ela come, o que veste o que fala, ele a sustenta e ela só goza se for com ele. Por isso ela se sujeita a tudo, merda, pois sem ele ela não é nada. E é isso que mulhres tem idealizado? E aí vem a história da “evolução”. Ele andicou de alguns objetos doloros e tals. Ela é o que? Uma pílula para curar os traumas dele? Sim o psocólogo dele disse que ele evoluiu muito com ela. hanhan. Muito importante a opinião de um pisicólogo que so existe na cabeça da autora desta maravilha.
Concordo em algumas partes com que Letícia diz, pois esse livro não passa de uma pornografia, a autora usou o erótico para prenderem as leitoras, esse BDSM é mais o que ela usa para isso, mas ela soube enfatizar um romance, para adolescentes se prenderem a leitura, para virar mais uma “modinha”, mas ela se espelhou muito mal em Crepúsculo, pois a saga Crepúsculo é um romance, que fazem as leitoras quererem ler mais por causa da fantasia do vampiro e a humana e não o dominador e a submissa, já li as duas sagas e conheço muito bem os livros, são duas leituras diferentes, digo isso pelos simples fato de que uma eu poderei deixar meus filhos lerem e a outra não.
Renata, não vejo problema nenhum em ser pornografia.
Oi Letícia Boa noite,
posso dizer uma coisa ? Eu sei que é difícil, pois o livro é realmente mal escrito, o que o torna repetitivo e enfadonho, mas você deveria ler , pois penso que existe um certo equívoco repetitivo com relação a questão do abuso , misturada a prática de BDSM e consensualidade.
Um outro aspecto que ninguém esta falando ; o mito da mulher redentora que existe em uma grande parte do universo feminino , que acha que pode transformar o mundo de determinados homens: ” Eu vou fazer esse homem me amar”….”Ele vai deixar fulana pra ficar comigo”…..”Ele é homossexual , mas eu sei que posso mudar isso.” Muito parecido com o personagem da mocinha. Ou existe ainda a possibilidade de ela estar vivendo sobre a Síndrome de Estocolmo ….rs.Enfim….Duas criaturas mal resovidas e com sérios problemas psicológicos., mas que no livro estão sendo acompanhados por um psiquiatra…Uffa já é um grande alívio . Acho que não se pode desmerecer a leitura de quem goste do assunto ou o torne um conto de fadas . Acho uma grande besteira afirmação de que o livro irá formar novos paradigmas ou que será um retrocesso para o mundo feminino.
No meu ponto de vista , pois li o livro, vc está confundindo misoginia com machismo . E no caso, o perfil do rapaz é misógino.
Abraços
Olha, eu não entendi muito bem seu comentário. Misoginia também é machismo. Não entendi mesmo.
Realmente também não entendi sua resenha ao livro , que por sinal vc não leu. Fiquei confusa se você está criticando a literatura, o conteúdo que você acredita ser machista ou as pessoas que estão , no seu ponto de vista , sendo influenciadas. Acredito que princípio básico da literatura é a diversidade. Essa estória é ficcional e poderia não ser , e se os perfis apresentados existissem porque não retrata-los? Porque não lê-los, e porque não deixar as pessoas se influenciarem se assim quiserem?
Leiam tudo que quiserem, e não se importem com a opinião alheia, já que os benefícios ou malefícios ao termino da leitura de uma obra é algo individual.
O leitor é diverso, a experiência com o livro é individual e isso deve ser respeitado.
*Misoginia não é a mesma coisa que machismo querida.
Procure se informar com pessoas de formação acadêmica .
Acho que você se daria muito bem como crítica profissional. A maior parte dos críticos tem por hábito não ler sobre aquilo discorrem.
Abraços
Hahahahha tá. Eu não sei o que é misoginia.
E qual é da mania das pessoas em usar o “querida” pra diminuir o outro? Que coisa brega.
Letícia desculpa não foi minha intenção……
Chamei de querida apenas por força de expressão….nenhum apelo pejorativo .
E realmente você tem razão , eu devo ser um tanto brega….Mas tudo bem também.
Abraços
Achei interessante este video sobre o assunto:
https://www.youtube.com/watch?v=cbPOnKzQIj0&feature=player_embedded#at=658
Você está certíssima em tudo o que disse e eu fico indignada com umas amebas aí em cima te criticando.
Esse livro me irrita mais a cada dia. Inicialmente, só porque era ruim. A história é ruim. Aliás, que história. Um livro sobre como foi meu dia ontem teria sido mais emocionante. Depois descobri que além de ruim era uma fanfic de crepúsculo..Sem comentários. E aí um belo dia, estava na livraria com uns amigos e um deles, de brincadeira, pegou o 50 shades, abriu numa página qualquer e começou a ler ironizando. Gente, o que é isso? Romance erótico for dummies? Nem virgem e com 15 anos eu ia achar aquilo excitante ou triggering ou nada. Porque é pobre, pobre, pobre. Depois vi resenhas sobre o livro e a cada dia que passa minha indignação aumenta. Recentemente descobri da questão da violência contra a mulher e aí que meu copo transbordou. Esta porra está sendo comercializada como conto de fadas e mais parece um manual de como ser machista (para homens e mulheres). Lamentável, lamentável. Tanto livro bom no mundo e gente QUE NEM LÊ lendo esse pedaço de lixo.
Gosto de gente que diz o que pensa mesmo que isso va contra a opinião da massa. Gente que tem ideias próprias e não se abala com a crítica. Gosto de gente que muda o mundo. Com certeza vou acompanhar seu blog a partir de hoje.
Pingback: Back to basics | Cem Homens
Concordo totalmente. só tive coragem de ler o primeiro livro – e nem todo, parei na metade – a relação entre anastácia e o christian me deixou quase doente… é muito triste ver como esse livro reforça a noção de que a mulher tem de ser submissa ao parceiro e mais, como ela se torna objeto do mesmo, chegando até mesmo a abdicar de sua “humanidade” em prol desse “amor”. Fora isso, tenho só a acrescentar que 50 tons poderia ser um ótimo livro se não fosse tão cheio de machismo e estereótipos, pois na minha opinião, apresenta um tema bem interessante que se refere a descoberta da própria sexualidade e de não se deixar sentir culpada por buscar prazer próprio na relação sexual ao invés de servir puramente para agradar ao outro ou, para reprodução.Sem falar do BDSM… que também poderia ter sido melhor aproveitado e menos estereotipado e, claro… tentasse passar a mensagemsobre como uma relação abusiva pode ser ruim… e como é necessário saber a hora de cair fora e seguir em frente…. mas enfim, só PODERIA ser bom…
Vem cá, eu não posso criticar uma obra MACHISTA porque eu estaria tirando a liberdade das mulheres? Eu não proibi ninguém de ler esse lixo. Eu tenho amigas que leram essa nojeira.
Deixa de ser maluca e vir com quatro pedras na mão pra cima de mim, porque isso é patético.
Érica, você é muito preconceituosa. Eu sou a última pessoa que você vai ver dizendo que literatura “fácil” não presta. Eu não curto, mas vejo que pode ser divertida, como são, pra mim, algumas séries de TV. Não é isso que está em julgamento aqui.
Érica, você só pode estar de brinks. Pra quê grafar o nome da Lola em maiúsculas? O mais louco é que você não fez o mesmo com o nome da Regina Navarro Lins, que incomparavelmente tem muito mais embasamento para falar sobre relacionamentos do que a Lola.
Em segundo lugar, você sabe, como professora de filosofia e sei lá mais quantos títulos você veio esfregar aqui, qual o conceito de democracia?
Eu estou no MEU blog e posso falar o que EU quiser. Jura que você veio trazer à tona Lolita, que SIM, trata de abuso de uma adolescente? Jura? Vai falar também de Nelson Rodrigues e Monteiro Lobato?
Ah, me poupe.
Uma dica: A personagem NÃO acaba a relação, tanto é que … tcha-ram! Tem três livros e eles casam. E o abuso continua depois do casamento, inclusive quando ela engravida.
Abraços.
Acho que o ponto foi apontar que o livro ficou famoso entre as mulheres mesmo sendo uma relação ficcional abusiva ( e quase nunca os leitores acham abusivo) e que isso pode ser um indicativo de que estamos aceitando relacionamentos abusivos na vida real pq não sabemos identificar um.
Os apontamentos literários foram para alertar que as obras se tornam populares sem grandes exigências por parte dos leitores, que estamos aceitando pensamentos rasos. Como o texto de crítica está em um blog, não precisa ser de um crítico literário para ter valor, aqui a autora expõe suas idéias sobre o mundo, sem compromisso.
Que bom que consegui me fazer entender!!!
“se possível sem preconcepções pré formatadas”
Não existe neutralidade.
É impossível não ter preconcepções – se você as negligencia, aí sim, trata-se de irresponsabilidade como profissional professora.
Apenas recentemente têm adquirido legitimidade social as críticas à misoginia, ao racismo, à homofobia e outros preconceitos/ discriminações.
Qualquer obra, seja fabricada para “consumo de massa”, seja “clássica”, tem de ser analisada também sob a perspectiva dos direitos humanos (o que inclui, é claro, mulheres).
Não é possível falar, por exemplo, Locke, sem tratar do “salto semântico” onipresente em sua obra.
Não é possível falar de Monteiro Lobato ignorando as desigualdades raciais – isto é, o racismo – apresentadas na obra, bem como a eugenia por ele defendida.
Exato. Parece que pra falar de qualquer coisa você precisa ser especialista. Bode.
Olha Letícia F,
Tô achando que vc leu o livro (os três parece) do cabo até o rabo hein!?
Claro que você jamais aceitaria uma crítica tão bem argumentada. Você rebate muito melhor os xingamentos. Bem mais fácil, né?
Claro, daí estou escondendo isso, pq faz muito sentido mesmo (???).
Bode. Precisa comentar mil vezes no mesmo post, todas as vezes pra encher o saco?
Sim, tenho problemas cognitivos e não consigo contestar uma crítica embasada. :/