De Olívia Palito a botija de gás

Eu era magra quando criança. Não lembro de ser magérrima, mas me recordo bem do apelido: Olívia Palito.

Nas implicâncias entre irmãos e primos, também falavam do tamanho da minha boca, que seria desproporcional ao resto do meu rosto.

Na puberdade, comecei a engordar. Menstruei muito cedo (tinha dez anos), e meu corpo foi ficando rolicinho. Os peitos cresceram. Eu era uma das garotas mais novas da minha sala e mesmo assim passei por transformações corporais antes de todo mundo.

Foi o momento em que as primeiras celulites apareceram. Algumas estrias. O rosto, redondo desde bebê, virou piada. “Cara de banjo”, dizia o colega. Também me chamavam de “garota-propaganda da Fogás”, empresa obviamente distribuidora de gás em Manaus.

Eu era vista assim: sem cintura e a ponto de rolar

Eu reagia xingando de outra coisa. Bati em alguns garotos. Sempre fui “boca suja”, então me defendia relativamente bem. E, pra falar a verdade, isso nem me incomodava tanto. Ficava mais perturbada com comentários de pessoas amadas e muito próximas. Uma vez um familiar (até então muito, muito importante) comprou óleo de babosa para eu passar no cabelo. Eu tinha que dar um jeito “naquela juba”. Aos 11 anos de idade, realmente acreditei que meu cabelo era errado.

Foi assim com a minha bunda, minha pele com espinhas, meus dentes separados. Com alguns problemas graves no âmbito familiar, eu nem parava muito para pensar a respeito de aparência física. Eu apenas aceitava. Se aquelas pessoas estavam dizendo que esta ou aquela característica minha era feia/não desejável, eu tomava como verdade absoluta.

E, nem tão aos poucos, minha autoestima foi sendo minada. Duvidei de mim – e ainda duvido, mas em aspectos que nada têm a ver com aparência. Na escola, as coisas ainda pioraram porque, justamente por eu ser mais nova, demorei um pouco a ter namorado. Pronto: além de feia, ainda diziam que eu era lésbica. Afinal, eu falava palavrão, não era vaidosa, era gorda e sempre ficava sozinha (isto é, sem um ~macho~) nas festinhas.

O jeito foi namorar alguém de fora dali. Foi o que fiz. E segui minha vida. Mudei de cidade. E, durante os primeiros anos de faculdade, aquelas agressões reverberavam. Eu também havia sido influenciada por tudo o que nos atinge como sociedade: também li revistas como Capricho e Boa Forma, também tentei comprar blusas que não fechavam na altura dos meus seios, também vi todos os comerciais com mulheres lindíssimas vendendo produtos light.

Depois do bombardeio de “é desse jeito que você deve ser”, eu me achava horrível. E uma baleia, enorme, nada atraente.

Aos 19 anos eu estava envolvida num relacionamento bem ruim (pra nós dois, acho) e poderia jurar que eu era a mulher mais gorda do planeta.

Eu, aos 19 anos, ENORME DE GORDA. Só que não.

Felizmente eu não deixava essas paranoias atrapalharem minha vida sexual. “Se o cara já me conhece gorda, ele não acha que ao tirar a roupa eu terei um corpo de sereia”, pensava. Então, eu transava de luz acesa numa boa.

Também ia à praia no lugar mais ~disputado~. Andava pra lá e pra cá de biquíni, sem grilos. Sentava na minha cadeirinha e ficava lá interagindo com minhas amigas gostosas e vendo os moços a caminho do mar. Apesar do R7 dizer que uma mulher “preparada para o verão” é aquela sem celulites, estrias ou gordurinhas, pra mim, “estar preparada” é bem outra coisa. Preciso de protetor solar, cadeirinha, barraca, jornal na mão (espero não estar ventando muito e que assim eu consiga virar as páginas sem parecer uma idiota) e algum dinheiro para comprar meu limão de latão e meu biscoito Globo. Preparadíssima.

Isso porque eu vou à praia sem intenção de encontrar um príncipe encantado. Eu vou para tomar banho de mar, bater papo com os amigos, esquecer um pouco da vida. Eu vou usar meu corpo para o meu prazer, não para ser um bibelô.

Porque essa é uma confusão feita o tempo todo: que você só vai ser amada se você for bonita. Que você precisa disso para ser aceita. Um episódio da minha vida adulta mostra isso muito bem.

Duas pessoas da família (mãe e filha) foram até minha casa para fazer uma visita. Eu, sempre antissocial, não queria sair do quarto. Fui até a sala só dar um “oi”. De repente, a porrada.

Elas olharam para a foto enorme pendurada na parede e disseram “você está bem mais bonita na foto”. Jura? Era meu aniversário, eu tinha feito uma escova no cabelo, as unhas estavam impecáveis e eu estava feliz porque bons amigos me acompanhavam.

Fiquei atordoada. Minha irmã havia morrido há poucos meses e a foto era, justamente, de nós duas.

(detalhe: meu cabelo estava LARANJA porque a cabeleireira errou a tinta e teve que passar tintura duas vezes. meu couro cabeludo ardia como se estivesse em chamas e eu jurava que meu cabelo ia cair todo.)

“Você devia usar o cabelo sempre assim”, “você engordou de lá pra cá”… elas repetiam baboseira em cima de baboseira, e eu ali ouvindo tudo, atônita.

“Desculpa se eu engordei depois que a minha irmã morreu violentamente, galera”, eu respondi.

“Ah, mas se você arranjar um namorado, pode sentir vontade de melhorar“, “ai, acho que, na verdade, ela deveria se arrumar mais justamente para arranjar um paquera”.

Eu não acreditava no que ouvia. Dentro da minha própria casa, sabe? Eu não sou sutil. E eu não bato sem ser agredida antes, mas depois que pisam no meu calo…

“Jura que você ficou cinco anos numa faculdade de psicologia para chegar à conclusão que a vida de qualquer mulher se resolve com um homem?”, perguntei. E me retirei da sala, claro. Depois, eu ainda fiquei com a fama de “a grossa da família”, como se fosse muito normal alguém fazer comentários jocosos sobre sua aparência.

Porque é isso que as pessoas pensam. “É só para ajudar.” Não, não é assim que se ajuda. O outro querer impor sua visão de mundo e do que é belo no corpo alheio é grosseiro. Passei por isso a vida inteira. Passo, ainda.

Outro dia mostrei a foto acima para umas pessoas (a gente falava sobre minha irmã; a respeito de voo livre, fiscalização, etc). Um cara que eu nunca vi, não sei nem o nome e jamais encontrarei novamente mandou um “acho que você fica melhor loira”. Jura, amigão? Quem te perguntou? Quem é você na night?

Dessa vez eu estava mais educada e de bom humor, e tentei explicar que era uma fase morena, mas outras pessoas presentes resolveram se meter e reiterar o comentário do rapaz. Cansei e disse “ainda bem que eu vivo sem a aprovação de vocês; eu uso o cabelo do jeito que me satisfaz”.

Achei desnecessário, mas já não me deixo atingir. Não me olhei no espelho e pensei “será que eles estão certos?”, tampouco liguei para o querido Adê (do Retrô Hair, onde corto o cabelo – e não, isso não é um jabá, é que eu realmente adoro o moço que corta minhas madeixas) para marcar uma mudança no visual.

Mas como eu cheguei até esse desprendimento? Vou contando ao longo dos próximos dias.

***

Depois de toda a merda da semana passada, vou fazer os próximos dias só sobre autoestima (em relação à aparência física).

Quer ver como as pessoas são cruéis? Tem outro post meu velho sobre os xingamentos na rua (tenho imensa dificuldade em entender o motivo pelo qual as pessoas fazem isso).

 Aqui: Sua gorda!

87 pensamentos em “De Olívia Palito a botija de gás

  1. Gente, que maravilhoso esse texto!! É uma libertação ver que tem outras pessoas que pensam como eu, e veem que não é porque eu visto 48 ao invés de 38 eu não posso ser feliz ou saudável. E olha, sério, esse negócio de “preocupação com a saúde” me irrita pra caralho. Toda a minha família vem todos os dias, sim, TODOS OS DIAS, com essa de “nós estamos preocupados com vc, é o seu corpo e a sua vida em jogo, bláblabla, quando vai começar a academia?” Minha irmã que é uma alienada – digo isso porque diz que toda mulher deve abrir mão da vida pra seguir o homem e que os posts do testosterona são suuuuuper engraçados e que eu vou ser infeliz o resto da vida porque sendo “radical” e gorda desse jeito eu nunca vou encontrar um homem que me queira – também veste 44 e passa o tempo todo falando de dieta e academia e calorias, todo e qualquer assunto que tu tente falar com ela é logo desviado pra esse tipo de tópico. Sério, é libertador poder ler algo assim e ter esperanças de poder ser feliz do jeito que eu sou e me gosto. Obrigada Letícia!

  2. Toda menina, adolescente, mulher, ouve comentários grotescos sobre a sua aparencia fisica, estando dentro do “padrão” ou não. Durante uns 3 anos meu apelido na escola era leão. Eu passava no corredor, leão pra cá,leão pra lá. Tudo porque eu me recusava a alisar o cabelo ( que é encaracolado até o ultimo fio). A vida inteira ouvi “nossa, conheço um salão que faz uma progressiva ótima…” ou então ” conhece o pente, que tal usar um?”.
    Enfim, são os concern rolls , que me falavam que meu cabelo é ruim, é duro, etc mas era tudo para o meu bem! para que eu ficasse mais bonita.

  3. Letícia,
    E era mto magra, abaixo do peso, e fui mto chamada de olivia palito.
    Com 17/18/19 anos era considerada a gostosa da turma e hoje, estou acima do peso e me matando pra emagrecer. Estou com o figado sobrecarregado. Emagreci 12 kg, anda assim estou infeliz e quero emagrecer mais. Queria não me importar com o que as pessoas dizem… Mas nao consgo…
    Bjs

    Aline

  4. Ah… minha família sempre se “preocupou” por eu ser magra demais, até no médico eu fui por causa disso, afinal eu, adolescente, cheguei a ter 1,70 e 40 kg… Mas eu comia bem, fazia exercícios, enfim. Hoje, que estou acima do peso, minha avó acha lindo, com cara de saúde… Rsrs. Ela, minha madrinha e minha outra avó, falecida… Minha mãe nunca me falou nada de eu estar acima do peso e não gosta que eu viva de dieta…mas as outras pessoas, vivem me censurando…

  5. Passei por coisas muito parecidas com as que vc descreveu. Principalmente essa parte de comentários de ‘colegas’ de escola e familiares. Já ouvi tudo isso e mais um pouco.
    Engraçado é que mesmo com a auto-estima derrubada, eu fui uma das primeiras jovens da família a começar a namorar. Acho que umas primas até tem inveja de eu ser muito bem casada (e bem comida) hj em dia.
    Tenho uma prima que foi ~miss~ na adolescência, era considerada a 8ª maravilha do mundo por todos mas tá encalhadíssima hoje em dia. Obviamente, não estar num relacionamento não quer dizer nada, mas sei que ela sofre com essa condição e tá doida atrás de um relacionamento sério (já tá perto dos 30 e está engordando…). É dessas que acha que mulher sem marido é perdedora. Bem decadente!

    Engraçado que vc falou de praia e eu lembrei do que aconteceu comigo em Copacabana dia desses. Eu tava lá com meu biquini e minhas banhas de fora, querendo passar despercebida no meio daquelas cariocas marombadas (não deixo de curtir a praia por causa do meu corpo, mas confesso que no Rio tem muita gente malhada e isso me deixou intimidada). Tava tomando uma caipirinha, deitada na canga, quando se aproxima um cara lindo, negro, forte. Lutador de capoeira de brasília que tava passando a semana no Rio assim como eu. Ele começou a puxar papo comigo dando em cima de mim. Achei massa! Nessas horas a gente vê que essas regras malucas das revistas femininas pra vc se colocar no padrão pra arrumar homem são meio furadas! Homem gosta de mulher, e muitos curtem gordas.

  6. Já tive bastante gente palpitando na minha vida, mas olha… vc conseguiu esbarrar em bastante gente babaca! puts, meu! Que gente sem noção e cruel!
    Comigo foi mais ao contrário, eu era uma criança gordinha e no colegial perdi peso (fiz um exame e deu colesterol alto, estudei sobre reeducação alimentar e apliquei… não foi pra isso, mas perdi peso naturalmente). Mas nunca vesti menos de 40 (teve uma época q fiquei doente e usei 36, mas não conta kkk)!
    Acho que me irritei mais por ter cabelo enrolado e adorar os meus cachos! Mas sempre tem um desgraçado pra te falar pra fazer chapinha…
    Aliás, também passei pela fase “vc é lesbica?” … porra, ninguém chega pruma pessoa e pergunta “vc é heterossexual?”. Eu nem tinha/tenho interesse por meninas, mas teve uma época que eu até cheguei a me perguntar se eu não tinha entendido errado minha sexualidade de tanto que me falavam isso! Até minha mãe perguntou (várias vezes)!
    Enfim, nunca entendi pq as pessoas gostam tanto de cuidar da vida dos outros…

    • Pois é Ci, felizmente nunca encarei alguém tão pé-no-peito quanto a Letícia encarou, mas sempre teve aqueles comentários sobre o cabelo.

      Meu maior ‘trauma’ são salões de beleza. Uma vez fui em um e a mulher me solta um “Mas seu cabelo não é ruim”. NINGUÉM disse que era!!
      O cabeleireiro que fez um corte super fofo em mim (estilo rabo de pato, acho que chama), fui fazer uma poda básica e ele “conhece escova marroquina?”

      Isso sem contar que sempre que tinha alguma festa para ir mais elaborada, o que a mãe fazia? Mandava o cabeleireiro fazer uma escova/chapinha. (Que eu sempre odiei pois nem uma hora depois de fazer escova meu cabelo virava uma juba).

      Isso sem nem entrar nos mais de oito mil filmes em que a protagonista era feinha, cabelo “ruim”, passa por uma transformação para ficar bonita, que obviamente inclui uma escova.

      Enfim, #desabafei

  7. Esses dias a Lola postou um artigo sobre racismo e entre os relatos havia o que mencionava uma menina de três anos sendo submetida a tratamento para alisar e descolorir o cabelo, verdadeira violência contra a criança. Sua postagem me fez lembrar de mim mesma, chamada de ‘maria homem’ pq gostava de trens, Chips, Super Máquina, Hulk e etc (seriados dos anos 80) e depois ter de conviver com isso tb na adolescência pq ‘devia parar de estudar tanto e arrimar namorado’. Bullying familiar q ng presta a atenção, já que exigir condutas de meninas é super natural nessa sociedade em que vivemos.

  8. Letícia, me identifiquei muito com a sua história. Sempre fui aquela menina que tem o rosto bonito, mas o corpo a desejar. Durante a minha infância e adolescência tinha um corpo de normal à cheinho, mas me achava muito gorda. Hoje estou beeem acima do peso, uns 20 quilos a mais do que tinha quando era adolescente (visto 48). Não me lembro muito de ter sido zombada por colegas (só se o trauma foi muito grande e eu bloqueei), mas teve alguns xingamentos, agora nada se compara com familiares e não fica nada fácil quando vc tem uma irmã magra e muito bonita para compararem. Tinha uma tia minha que vivia viajando por conta de trabalho e quando chegava de viagem sabe qual era a primeira coisa que ela perguntava quando ia na minha casa?: Cadê a karine, já emagreceu? Ela é uma anoréxica e hoje consigo enxergar esse fato, por isso atualmente tento relevar um pouco as coisas que ouvi. Mas ainda sinto muita mágoa de todas as pessoas que tentaram por a minha auto-estima lá em baixo. Aliás um dos meu grandes problemas é guardar mágoa em baú. Se pelo menos eu esquessece não sofria tanto…
    Outra coisa que me chateia é frequentar a casa das tias do meu marido, diga-se de passagem que são todas gordas, mas tb altamente gordofóbicas. Tinha uma que toda vez que eu ia lá se dava ao trabalho de tirar uma piada, hoje ela não faz tanto isso pq notou que eu fecho logo a cara. Junto com elas, mora um sobrinho que é obeso desde novo, é de dar pena as grosserias que este menino tem que ouvir diáriamente das tias, tios e primos. Eu acho que esse bombardeamento de grosserias só vai deixar ele mais ansioso e com depressão e dificultar o seu processo de emagrecimento (pq ele realmente precisa, ele está obeso e não gordo), mas ninguém tem o direito de tratá-lo mal.
    Bem ao contrário de vc eu ainda não recuperei a minha auto-estima, mesmo já tendo 32 anos. E ainda me dói muito qualquer comentário maldoso sobre a minha aparência.
    É isso. Valeu pelo post. Não costumo comentar muito por aqui, mas já conheço o teu blog a algum tempo, (não cheguei a ler na época que vc numerava as suas experiências com os homens – uma pena gostaria de ter lido :-)
    A propósito quando sai o teu livro? Vc vai vender pela internet?
    Abraços,
    Karine

  9. Leticia, após uma matéria ridícula do R7 apontando as celebridades que não estavam “prontas” para o verão (por terem celulite, estria, ou qualquer outra “imperfeição” que as pessoas acham que atrizes e as mulheres em geral não podem ter, fiz uma página chamada Projeto Verão, para ajudar a acabar com a neura de que se preparar para o verão é lutar pra ter um corpo dentro do padrão inatingível que exigem. Usamos memes com cachorrinhos e frases como “Projeto verão 2013: comprar sorvete”, mostrando que devemos viver o verão sem neuras com o corpo. Se quiser conhecer, o endereço é http://www.facebook.com/projetodeverao

  10. Eu entendo bem essa situação. Quando eu era pequena recebia apelidos por causa do cabelo crespo , (que minha mãe alisava desde que eu me entendo por gente). Eram piadas, apelidos que iam desde a escola até minha casa. Na escola era a vez dos coleguinhas, que não perdoavam e adoravam fazer analogias com o bombril. Em casa era meu irmão que adorava dizer que o cabelo liso dele era mais bonito que o meu. Na adolescência eu engordei um pouco, e isso foi o suficiente para ganhar do meu irmão a alcunha de “Gorda da família” enquanto ele vigiava o que eu comia (isso é sério). Esqueci de mencionar que na mesma época ouvi de uma prima: “Seu cabelo é duro, por isso é assim”( imaginem o que ela quis dizer com “assim”).Com 18 anos eu emagreci demais, tive problemas com anorexia cheguei a pesar 42 quilos. Hoje aos 26 não consigo me olhar direito no espelho, tenho dismorfia corporal e apesar de ter conseguido (através de tratamento psiquiátrico) recuperar a saúde, não tem um dia que eu não me martirize pelo que como , e sim meu cabelo ainda está a base de escova. O que mais queria ter tido na vida era coragem para enfrentar todos aqueles que ousaram me fazer sentir mal pelo que eu sou.A ironia da vida é que ás vezes os nossos algozes, são as pessoas que deveriam olhar por nós.

  11. É tão bom ler o seu texto, Leticia!

    Eu fui magra durante toda a minha adolescência, mas tudo mudou quando eu mudei de cidade por causa da faculdade. Engordei uns bons dez quilos e, UAU, visto agora 40 de calça jeans.
    O que eu mais escuto em casa? Que eu tô gorda. Que assim eu não vou arranjar um namorado. Que, MEU DEUS DO CÉU, como você consegue usar bíquini assim?
    E, na boa, isso me irrita demais. Porque uma coisa é alguém passar na rua e te xingar de gorda. Outra coisa é seus pais começarem a falar esse tipo de coisa a cada cinco minutos. As mesmas pessoas que, quando eu tinha 15 anos, falavam que eu era sem graça, sem peito e sem bunda.

    Mandei esse texto para os meus pais. Vamos ver se eles percebem e param de falar isso pra mim.

    • Poxa, te chamam de gorda pq vc veste 40? Meu sonho é vestir 40 um dia (acho que isso não acontece desde os meus 13, 14 anos)!
      Na adolescência eu também passei por isso, queriam até que eu fizesse cirurgia p redução dos seios. Ainda bem que nunca tiveram $ p isso e nem eu tb teria coragem, pq hj em dia eu AMO meus peitões, é o que eu tenho de mais bonito no meu corpo.
      Ainda bem que depois de adulta essas pressões diminuíram, até pq eu comecei a cortar mesmo. Mas entendo que nem td mundo pode fazer isso, cada família é de um jeito…

  12. Estou sem acreditar que uma pessoa da sua família, aparentemente esclarecida e formada em psivologia, tenha tamanha insensibilidade.

    Que bom q voltou a escrever mais no blog.
    Pergunta meio sem noção: vc vai continuar escrevendo no cem homens ou no cem+1?

  13. Sei exatamente pelo que você passou/passa. Sou a única pessoa da minha família com cabelo enrolado, e frequentemente me dizem para “arrumar o meu cabelo”. Porra meu, tá arrumado, só não tá do jeito que você quer. Não sou vaidosa e também não me depilo com frequencia, só quando me dá vontade, e por isso sou conhecida como a suja, a porca, a relaxada. No natal do ano passado, eu fiz uma escova -por insistencia de uma tia-, pintei as unhas e passei maquiagem (confesso, procurei no google como eu usava rímel). Quando saí, todos olharam, e uma tia (a mesma que me fez fazer escova) me disse: “Tá linda. Nem parece aquela Andressa do dia a dia, suja. Só falta emagrecer”.
    Moro com os meus avós, e por ser uma garota de 16 anos, eles tentam o máximo me convencer a ficar do jeito que eles querem. Minha avó briga muito comigo, e já me disse “Os meninos gostam de mulheres bonitas. Você podia ser bonita, se não fosse gorda”. Eu, tentando não xingá-la, respondi que não precisava ser bonita e nem precisava de um homem, e ela me respondeu “Você diz que não precisa ser bonita porque sabe que não consegue. Só vive comendo. Quero ver no futuro.”
    Ouço muitas coisas desagradáveis e ainda tenho que aturar o uso da palavra gorda como uma ofensa. Mas bora continuar…

  14. Eu ja comentei sobre esse assunto aqui, em outros posts, mas não importa o tempo que passe, certas coisas não mudam! Mês passado fui visitar minha avó no RJ (passei 2 semanas lá) e como ela não me via a uns 4 anos, avisei de antemão que eu estava um pouco mais gorda que da última vez. Fiz isso p tentar evitar a chuva de comentários. Qdo ela me viu, disse que eu nem tava tão gorda como disse (a tática funcionou! ;). Mas uma tarde eu estava cochilando depois do almoço (ja que eu estava de FÉRIAS e não tinha nada p fazer) e escutei ela falando p meu irmão, que dormindo daquele jeito eu não ia emagrecer nunca. Depois desse dia ela ainda falou mais umas 3 vezes sobre isso. Se não fosse minha avó, a quem eu devo respeito e, afinal de contas, eu estava na casa DELA, teria respondidona lata: “E quem disse que eu estou querendo emagrecer?!”
    Aliás, de uns tempos pra cá eu tenho me ouvido responder com essa frase algumas vezes. Impressionante como as pessoas se importam com seu peso, com sua aparência, qdo isso deveria ser uma coisa que só diz respeito a vc mesma. Eu sempre fui gorda, desde a adolescência, sei que nunca vou ser magra. Se eu não tentar ser feliz com meu corpo assim mesmo, serei infeliz pro resto da vida, então? Ah, e solteirona também né, pq “homem gosta é de mulher bonita, gostosa e magra”… zzzzzz
    Mais uma vez, ótimo texto Lê, estou ansiosa pelo livro. Tomara que saia (e chegue aqui no MA) até o dia 23 (meu aniversário). Vai ser um presentão!!!! Bjão!

  15. Essa questão é -muito- oportuna, sempre. O pior – e não sei se você vai abordar isso – é que as marcas não vão embora. Eu fui gordo na minha adolescência (cheguei a 85 Kg. É muito para alguém que estacionou nos 1,65 m aos quinze anos, mas, se não me engano, mal chega na obesidade). E a fala que mais me marcou foi uma da minha irmã mais velha: “Sabe, se você não fosse gordo, seria bonito”. Não foi cacetada, não foi grosso. Mas foi profundamente cruel. Até hoje, treze anos e vinte quilos a menos depois, eu olho pro espelho e ouço a voz da minha irmã, sem nenhuma malícia planejada, reverberando “se você não fosse gordo…”. E honestamente, até hoje não me recuperei por completo.

  16. sabe o que me deixa triste?
    também comecei ouvindo tudo isso dentro de casa. que era gorda, que estava grávida…etc etc. tudo o que uma adolescente precisa ouvir. acompanhado, claro, de muita orientação quanto à alimentação, compras de alimentos saudáveis…SÓ QUE NÃO. simplesmente recebia as críticas das pessoas que estava SUPER preocupadas com a minha saúde e nem ao menos podiam me ajudar nesse aspecto. mas naquela época eu não conhecia o bulling.
    depois de tudo isso, cresci acreditando que eu era horrível, nojenta, tenebrosa.
    enfim, o que me deixa mais triste é ver as minhas fotos antigas (como essa que você postou) e ver como eu era linda…! e me sentia horrível. sabe? e TALVEZ eu também seja hoje, mas simplesmente NÃO CONSIGO ver isso no espelho. muito doído. naquela época, eu, com 55kg – 60kg e 1,70 de altura com vergonha de tomar banho de biquini, de usar algumas roupas…me lembro agora, claramente disso, e tenho vontade de chorar. por que fazem isso com a gente?

    :(

    • detalhe importante: comecei a fazer terapia a pouco tempo pra resolver isso também, mas ainda não tinha tocado no assunto, quando minha psicóloga, como quem não quer nada, me recomenda tomar herbalife…
      velho, foi broxante, sabe? quer dizer, acho que antes disso eu preciso resolver outras coisas, não?
      enfim, obrigada por ajudar, letícia :)

      • Isso é das coisas mais antiéticas que já ouvi, mas não é a primeira vez que fico sabendo de histórias em que o psicólogo age de maneira totalmente antiética com o paciente. E, nesse caso específico, é bom que você saiba que a Herbalife costuma fazer uma verdadeira lavagem cerebral em seus consumidores. O pessoal cai e começa a tentar loucamente angariar mais clientes.

  17. Gostei muito do seu post!!! É bom ver um pouco de realidade . Na minha família(pelo menos isso!!) nunca sofri nada tão assim, ainda bem! Uma das coisas que eles mais me criticam é o meu jeito de ser, mas também não é nada vexatório!! E parabéns pelo jeito como você age, ás vezes é preferível ser conhecida com “a grossa” mesmo do que ficar aguentando comentários de muita gente, que provavelmente deve ter uma vida de merda e desconta nos outros!!
    E que idiota essa matéria do R7, ao invés de mostrar que as famosas são pessoas normais e reais, não, ficam criticando!!

  18. Quando mais nova, uns 15 ou 16 anos, eu era obesa e ~esquisita~. Sabe a menina que só usava roupa preta, spikes, cabelão comprido? Sofria um bullying fodido na escola e em casa tbm. Uma irmã da minha mãe era muito cruel comigo, gostava de me provocar na frente da minha mãe prq eu não me segurava e xingava. Minha mãe, óbvio, ficava do lado dela.
    O bizarro é que, após um incidente, minha família perdeu um pouco da condição financeira que tinha. E minha tia é extremamente materialista, tanto que só foi casar com um cara que tinha dinheiro. Aí, depois disso, ela parou de ser babaca comigo. Não consigo parar de pensar que rolava inveja tbm.

    Resultado: hj eu e a recebo em casa por causa da minha mãe, mas NÃO SUPORTO ficar perto dela, da filha dela, não consigo ser falsa e fingir que esqueci essa merda toda.

  19. Lendo esse texto me veio em mente tudo que já passei por não se magérrima e nem tão bonita quanto minhas primas… Os danos foram tão profundos que mesmo hoje, depois de ter feito uma cirurgia de redução, emagrecido mais de 70 quilos, me sinto gorda, motivo de piadas e que não me encaixo.
    O pior de tudo é saber o quanto me deixei inutilizar por tudo isso, no âmbito sentimental, hoje acho que qualquer pessoa que diz gostar de mim é mentira, pois na adolescência apostavam em “quem ia ficar com a gorda” ou “quem tinha coragem”…
    Espero um dia conseguir atingir o seu amadurecimento e desprendimento.

    Abraços!

      • EU fiz terapia por ser obrigatório no processo para a cirurgia, mas minha psicóloga falava coisas como: AH, quem sabe agora vc arruma alguém bacana pra namorar ou Agora sim vc irá aproveitar a vida e largará um pouco os livros.
        Enfim, só continuei as sessões pq eram obrigatórias, mas depois disso não voltei, tento escrever sobre o q sinto pra ver se ameniza, pq além de tudo isso, ainda “incorporei” uma imagem de durona, q todos acham q qualquer coisa q me falam, não vai me ferir.
        Mas… como dizem no AA, um passo de cada vez.

  20. Passei por uma situação parecida, apesar de nunca ter sido gorda. Tenho um pouco de barriga e coxas grossas, mas nunca passei dos 60Kg (meu peso atual – tenho 1,73 m de altura), mas me achava A BALEIA, de tanto as pessoas dizerem que eu estava ignorando e precisava emagrecer. Até minha mãe e meu irmão contribuam com as humilhações. O cúmulo mesmo foi quando eu tinha 13 anos: minhamãe me levou ao médico, para uma consulta de rotina, e ele recomendou que eu acorda meia hora mais cedo para fazer abdominais, porque ele “não queria moça gorda na família”. Fiquei chocada, fiz os exercícios por uns 2 dias e depois larguei. Continuei me achando gorda, porém. Só recentemente passei a aceitar meu corpo, e percebi o tempo que perdi com essa paranóia.

  21. Pior era a época que as pessoas andavam com um botom escrito “quer emagrecer, pergunte-me como” e me abordavam na rua. Superei isso, superei muito, só não superei a morte da minha irmã (também). Mas tamanho, dane-se, me monto toda com meu jeans 50, me maquio e vou a luta, porque a vida é essa.

    • Nem me fale! Tinha um cara na igreja dos meus pais – quando eu morava com eles era obrigada a ir todo domingo – que TODA vez que me via vinha me oferecer herbalife e dizer que “voce tem um rosto tão bonito, pra que estragar a tua vida sendo gorda?” e “desse jeito tu pode encomendar o caixão mais cedo!” e quando eu reclamava todo mundo me dizia que ele era mais velho, tinha que respeitar e que ele só estava preocupado com a minha saúde.Ódio define.

  22. Bom, meus pais são obesos e nem um pouco hipócritas, lá em casa não tem essa exigência de padrão. Mas já vi a minha avó dizer pra minha mãe (que tem mais de 50 anos) que “com essa roupa ela não parecia tão gorda” (SIC). Resposta da minha mãe? “Mãe, eu sempre fui e sou gorda, a roupa não faz diferença.” Fiquei com uma raiva da minha avó, mas feliz por ver que minha mãe sabe o faz da vida. Mas é triste, sabe, ver uma senhora idosa tentando recalcar sua filha adulta por conta de padrões estúpidos. Detalhe: minha avó nunca foi magra, desde que me lembro dela.

    • Fiquei pensando uma coisa aqui: minha mãe é casada há 25 anos, tem dois filhos, independente financeiramente, pós-graduada, quer dizer, o modelo de sucesso que muita gente considera. Mas isso não basta: ela deveria ser magra. Caralho, uma mulher nunca pode ser boa o suficiente? Aliás, uma mulher tem que sempre estar provando o quanto é boa ou tem valor? Affffee.

  23. Eu também já fui chamada de Olívia Palito na infância. Minha mãe vivia me dando Biotônico Fontoura porque eu era muito magra. O bullying na escola me fez protestar aos 10 anos pela mudança de escola, de particular para pública. (Não adiantou muito, continuei a ser discriminada por ter ~mais dinheiro~ do que os colegas).

    Daí, no começo da adolescência, com a ansiedade e o turbilhão de hormônios comecei a engordar e virei a ~obesa~da família. Minha mãe me proibia de comer as coisas na casa de parentes porque eu estava gorda demais. Quanto mais faziam isso comigo, mais comia compulsivamente.

    De lá para cá vivo constantemente no chamado efeito sanfona. Isso é péssimo para a auto estima. Brinco que minha auto-estima é tão baixa que seja a ser negativa, fico devendo. Hoje tento resolver a compulsão e os problemas de auto-estima na análise.

    Me considero feminista, mas não sou hipócrita de dizer que não sou preconceituosa, gordofóbica ou racista. Tudo é um processo.

    E o blog me ajuda MUITO a refletir sobre as minhas posturas e rever comportamentos. Obrigada Letícia ;)

  24. Praia: meu pesadelo.
    Sei que eu não sou nada gorda, também não sou magrinha, mas mesmo que fosse um ou outro: eu tenho vergonha do meu corpo. Só consigo amá-lo quando olho eu mesma, sozinha em casa. Acho que ele é de um ideal renascentista, antigo, perdido no tempo.
    E por isso não consigo, não tenho coragem de ir a praia e me expor lá, em toda minha brancura e quadris largos como um quadro de 1600..
    é muito ruim pra mim, mesmo. eu moro no Rio, tenho uma casa de verão em búzios , meu namorado é surfista e vai a praia todo final de semana mas eu não consigo…Ele me diz que sou linda, tirou fotos minhas de biquini e me mostrou pra eu ver que meu corpo não é nada vergonhoso, mas eu não consigo …
    Parece simples falar: vai com ele no domingo, larga a canga.. eu travo e me comparo com todo mundo, achando até os tatuis melhores que eu.
    Sinto inveja de todo mundo(gordinho, magrinho, alto, baixo) que senta na cadeira e lê o jornal tranquilamente. Eu não: me visto toda, fico um ano escolhendo o melhor biquini, sento de um jeito para as gordurinhas não aparecerem e mergulhar? nem pensar! Dar umas voltas na areia só se for de short e camiseta!

    • Eu tenho uma amiga assim também. Ela ja foi gordinha, mas mesmo depois que emagreceu ainda não consegue ficar de biquini na praia. Eu ‘brigo’ é muito com ela, digo que eu, q sou beeem mais gorda, de bunda branquela, não me importo, pq ela se preocupa tanto? Eu também ja tive essas neuras, e me libertar delas foi a melhor coisa. É preciso ter coragem. A primeira vez é terrível, a segunda ruim e depois vc vai se acostumando a não se importar com que os outros estão pensando. Até pq vc percebe que ninguém está pensando nada, na realidade…
      Ela diz: “Mas ta cheio de gente aqui, vão me olhar.” Eu respondo: “Essa gente toda nem te conhece, daqui a 2 seg nem vão lembrar que ja te viram na vida. Mas vc vai passar o resto do dia pensando no banho de mar maravilhoso que perdeu por causa desse povo que nem te conhece!”

  25. Oi, Lê!

    Embora eu leia seu blog no café-da-manhã, faz tempo que não dou o meu pitaco. Sempre tive problemas com o peso desde criança, cabelo crespo e eram inevitáveis as comparações veladas com a prima linda, de cabelo liso e bumbum arrebitado.
    Consegui superar alguns traumas, mas tem vez que meu cabeção bomba quando as velhas vozes dizem que se eu fosse como ela, teria todos os caras q eu quisesse e meus problemas de autoestima acabariam. Contudo, minha vida mudou muito desde que eu conheci os doze passos (grupos anônimos de autoajuda). Resultado: cortei relações com a tia que me comparava com a linda filhinha dela. Não quero mais gente abusadora na minha vida. E ela fala para a minha irmã que “a Cinthya nunca mais foi nos visitar”.. Por que será?

    Beijos

  26. Acabei de ler a história da minha vida nesse post, tirando algum detalhe aqui, outro acolá.

    Eu sempre fui uma criança “gordinha”. Isso porque eu não cumpria aquela regra de pesar 10 quilos a menos que minha altura, e que meus pais seguiam ao pé da risca. Na realidade eu era uma criança normal, mas desde cedo, assim, desde os 4 anos ouvia que eu precisava emagrecer.

    Com um pai maníaco por beleza e uma mãe que vivia na academia malhando e tomando remédios para emagrecer a fim de satisfazer o bonitão mais novo que ela, não poderia ser diferente.

    Passei a infância toda me sentindo indesejada, inadequada. Não bastasse a inadequação física, eu ainda era meia tomboy. Gostava de coisas de menino (hahahaha), jogava videogames, odiava brincar de boneca, vivia suja e descabelada, odiava usar sainhas e meia calça. Claro que quando fiquei mais velha, na adolescência, fui taxada de lésbica e excluída dos grupos das meninas.

    Some-se ao fato que minha mãe desenvolveu uma depressão fodástica culminada com tentativa de suicídio (tiro na cabeça, ninguém sabe como ela não morreu) e aí meu mundo veio abaixo.

    Eu era a gorda, a lésbica, a problemática, a antissocial e a filha da louca. Assim, tudo isso. E eu tinha 12 anos. Morava com uma tia porque meu pai fez a gentileza de me largar ao vento. Não me cuidava porque não tinha vontade de viver. Consultava uma psicóloga e dois psiquiatras e tomava antidepressivos fortíssimos para minha idade, para guentar o tranco e conseguir ao menos estudar.

    E mesmo com tudo isso, TUDO ISSO, as pessoas cagavam regra sobre o que eu comia, sobre minha falta de cuidado, sobre como eu precisava ser mais feminina. Olha, PUTAQUEOPARIU, sabe? A pessoa toda cagada e todo mundo só preocupada com o peso, com o cabelo, com a porra da roupa, com o fato de eu odiar meia calça e detestar me depilar.

    Graças aos céus minha mãe se tratou, eu me tratei, me mandei de casa asap e hoje to aqui, linda, gorda, me formando, trabalhando, namorando e sendo dona da minha vida. Ainda sou a guria que joga videogames, que detesta saia, que adora sair com os guris e que odeia ir ao cabelereiro.

    Então, tipo assim, eu entendo o que você passou, ouviu e ainda deve ouvir hoje. Até hoje eu sofro represálias pelo meu peso. Até hoje meu pai diz que eu preciso emagrecer, que ser inteligente não basta. Até hoje reclamam do meu cabelo, do meu estilo, do fato de eu não usar brincos. Até hoje, aos fucking 25 anos.

    O pior bully é o familiar. É o fogo amigo. E esse eu sofro todos os dias, desde que eu tinha 4 anos de idade. Como você mesma diz, o que importa é nos cercarmos de pessoas que nos amam. Eu fiz isso, aderi ao feminismo, sou militante, sou feliz. Mas essas recriminações ainda matam minha auto estima. Acho que nunca serei completamente livre. Do sofrimento do bully e da depressão que eu desenvolvi por conta das coisas que passei, A luta sempre é constante;

  27. Letícia,

    Me identifico. Desde criança eu sou apontada como gorda.
    Hoje eu visto manequim 48 e enxergo muito bem isso, mas olhando as fotos do passado eu não era gorda, apenas não era magrela como minhas primas e amigas.
    É muito pesado para uma criança/ adolescente passar por isso, mas também não me deixei abalar. Sempre fui à praia, viajo com amigos, namorei, fui traída, me culpei mas logo percebi que o problema, de fato, não era eu. Vivo muito feliz e curto cada momento.
    Alias, não trocaria minha vida pela de ninguém, muito menos pela vida de quem acha que tudo se resume à um corpo escultural.
    Muito bom seus textos, espero que eles ajudem quem ainda não compreende que a vida vai muito além de cumprir as “normas” da sociedade.

  28. Realmente é chocante constatar o quanto esse bullying começa em casa.
    Eu era uma pau quando era pequena, minha mãe falava que eu era feia, que parecia uma “coxinha espetada num palito”, dizia que as roupas ficavam feias em mim.
    Na adolescência eu tive fazes mais gordinhas, ai minha mãe dizia que meu pai falava que eu era gorda, que tinha celulite.
    Resultado: aliado a meu quadro de distimia eu tive anorexia nervosa. Com 1,65 eu cheguei a pesar 45 kgs.
    Minha melhor amiga da época era bulímica, pq a mãe dela também insistia que ela era feia.
    Me conforta hoje saber que o problema não era eu.

  29. Puta merda gente! A gente tem que reagir sabe?? Temos que ser grossas mesmo, colocar essas pessoas no lugar delas. Mandar calar a boca e ir ler um livro pra ver se deixa de ser tão escroto. As pessoas tem que saber que não é OK fazer comentários sobre a aparência alheia quando ninguém te pediu opinião! Muito menos humilhar alguém por isso!

    To revoltada.

    Não passei por gordofobia pq não sou gorda nem nunca fui. Mas me convenceram que meu cabelo é uma bosta, desde pequena. Tinha apelidos e era super zoada na escola, ouvia comentários de parentes e etc. Resultado: aliso o cabelo há anos, gasto uma fortuna com produtos de cabelo caríssimos pra manter ele bonito. Morro de medo de ficar sem secador, vou viajar. Atualmente consigo molhar a cabeça em publico, mas até pouco tempo não fazia. Sou prisioneira disso. Já refleti muito sobre isso, mas é uma coisa tão introjetada, tão funda em mim, que mesmo sabendo a causa não consigo fugir da consequência.
    Parabéns pros babacas do mundo que convenceram a gente que nós somos erradas.

    • Eu ainda não consigo ficar sem secador, cheguei ao ponto de comprar dois no mesmo ano, caso o outro estragasse. Não molho o cabelo em público a mais de 10 anos, e época de chuva é um tormento. Minha mãe começou a alisar meus cabelos quando eu era bem pequenininha mesmo. Sempre ouvi piada na escola, eu era a bruxa, o cabelo bombril porém os insultos não se limitavam a escola. Em casa meus irmãos faziam todas as piadas possíveis e como eu disse em outro relato acima, chegou ao cúmulo de uma prima dizer na minha cara que eu tinha cabelo “duro”.Sou assim como todos os brasileiros, mestiça; o que me deu reflexos dourados , quase loiros , por conta disso tive que ouvir a piada mais ridícula da minha vida de uma “amiga” que cantou a música dos paralamas do sucesso: “Essa loirinha tem o cabelo bombril”. Enfim é muito triste , me sinto patética e presa a um ciclo que não termina nunca.

      • Então sai do ciclo!

        Eu sei que não é fácil.

        Mas vc falou da chuva. Eu AMO tomar banho de chuva. Sou dessas pessoas que não se abrigam embaixo de marquises. Foda-se se meu cabelo vai ficar horrível, se meus mamilos ficarão visíveis com a camiseta molhada, foda-se se minha maquiagem vai borrar.

        Liga o foda se e toma banho de chuva.

  30. Poliana ,
    “Pois volte pra terapia, dessa vez com um profissional adequado” (2)

    Pelamor, vergonha alheia dessa psicóloga que vc ia. Naturalmente vc saiu correndo a partir do momento em que não era mais obrigatório. Acredite, nem todos são assim, embora eu escute cada vez mais histórias desse tipo que acabam com a imagem da profissão…

  31. olá letícia. sim, achei indelicado o comentário que elas (mae e filha) fizeram sobre sua aparencia, logo em um momento delicado em que voce tinha perdido uma irma. situacoes parecidas acontecem comigo dentro da minha própria família, em parte porque eu sou a unica das mulheres que nao compra roupas toda semana e que nao acha que a aparencia é crucial para causar uma boa impressao. fui, e ainda sou, pressionada a me enquadrar dentro de um padrao de beleza dentro do qual eu nao posso, e nao quero, estar. esse tipo de critica hoje em dia ainda é chatinho, mas nada destrutivo. quando eu era adolescente, como voce, eu aceitava todas as criticas (da familia, dos amigos, da capricho), como verdade absoluta. e, claro, isso afetava (e como!) minha auto-estima… enfim, bom post!

  32. passei pelo mesmo que você, só que às avessas: sempre fui muito magro, até mesmo meus pais e meu irmão são “encorpados”, se é que me entende… e fui assim desde criança! minha mãe mesma me levou em vários pediatras, nutricionistas e tudo mais, na tentativa de me fazer engordar, só que sempre era a mesma resposta: depois de meses tomando sustagem, emulsão scott e biotônico fontoura, e tantas outras coisas, os médicos sempre falavam “esse é o biotipo dele, não tem jeito”.

    pow, até parentes diziam que eu era magro demais, que tava doente, com verme e o escambau! e pra piorar, sempre namorei mulheres gordinhas, daí sempre vinha algum “amigo” ou parente falar abobrinhas…

    agora, depois de ver que o problema nunca fui eu, mas sim os outros, eu digo com todas as letras: eu me amo do jeito que sou e sim, adoro mulher gordinha sim! que mal tem? se eu tenho saúde, que importa a aparência?

    é revoltante ver tantas pessoas, especialmente mulheres, que sofrem tentando chegar num corpo que é irreal para o seu biotipo, e acabam apelando para cirurgias desnecessárias apenas para agradar a sociedade…

    triste, muito triste…

  33. Legal seu texto Letícia. Assim como as pessoas que comentaram aqui, também sempre sofri muito com isso. Fui uma criança magra, mas depois da morte do meu avô engordei e só fazendo dietas malucas, conseguia chegar no peso “ideal”. Sempre ouvia grosserias em relaçao a isso, especialmente na escola. O Rio de Janeiro consegue ser extremamente cruel com os mais gordos. Por exemplo as vendedoras que, só por verem que vc é mais cheinha, nem se dão ao trabalho de pegar uma calça e simplesmente dizem “não tem o seu tamanho.” É foda. Acho que o que mais dói, é ver isso em relação aos homens.Os caras namoravam comigo, mas depois de um tempo, falavam: “vc está muito gorda. precisa emagrecer.” Doía muito quando eu ia á praia com um deles e uns amigos dele e via aquele olhar de reprovação, tipo: “vc namora essa gorda?”. Aquilo me doía muito, porque o cara já me conheceu daquele jeito, gorda, e mesmo assim quis ficar comigo. Hoje, estou fazendo dieta. Cansei de ser gordinha. Estou conseguindo, mas aos poucos. Sem neurose, sem pressa. Aprendi também que os homens são hipócritas. Se não gostam de gordas, porque pedem essas meninas em namoro? Pra fazer “caridade”? Pra se sentirem superiores ao pisar nos sentimentos dela?
    Infelizmente essa ditadura da magreza é muito forte e pessoas com a mente tão forte quanto, a ponto de não ligarem MESMO pra isso, são raras.

  34. Oi Leticia

    Quando eu tinha uns 12 anos, pesava 52kg e devia ter 1,40 de altura, ouvia de toda a minha família que eu era ‘imensa’, que estava engordando demais, meu pai me dizia que eu era igual a irmã dele na mesma idade e que eu ia ficar igual a minha tia, minha irmã que sofria de magreza extrema e fazia tratamento p ganhar peso, dizia que eu tinha rosto do ‘biscoito maria’ (lembra, aquele redondo?)

    Essa minha tia era realmente grande, obesidade morbida, e na epoca lutava contra um cancer de mama violento, na minha cabeça eu via uma pessoa imensa (afinal eu ainda era pequena), com queimaduras na pele, mutilada das duas mamas e lutando em um leito de hospital

    Ao mesmo tempo eu morava em uma região colonizada por italianos, onde todos eram grandes, e na escola me chamavam de olivia palito, magrela, e tudo mais que puder imaginar.

    MInha cabeça dava um nó, como eu era magra e gorda ao mesmo tempo? Eu ia ficar igual a minha tia, morrer de câncer aos 46 anos?

    No final eu cresci, estiquei até 1,68 e meu peso nunca passou de 52kg, tenho uma dificuldade imensa com comida, não gosto, as vezes empurro algo pq preciso, pois tenho crise de hipoglicemia, mas simplesmente não gosto de comer! Adoro cozinhar p minha família, mas na hora de comer, kd a fome? e o apetite? Tenho certeza que isso é resquício da época pré adolescente e do ‘medo interno’ de ficar igual a minha tia…

    pessoas são cruéis sem perceber, e em um época que a criança está em formação, não tem discernimento algum, falam de violência física contra criança/adolescente mas sempre se esquecem de que a emocional pode fazer feridas tão profundas qto.
    bjs

  35. É mais que indelicadeza, á uma patrulha, é uma exigência horrenda de que nos encaixemos num padrão igualmente monstruoso! Hoje ouvi do ortopedista que deveria ter cuidados “quando for ter filhos”, ri e respondi que assisto muito “SuperNanny” e não pretendo tê-los. Mas sabe, é óbvio e evidente que uma mulher vai ter filhos, né?! Pra quê mais a gente existe? Me arrependi de não ter sido mais incisiva na resposta.

  36. Me identifiquei com seu texto em tantos níveis, que nem sei o que dizer…
    Menos com a parte da praia. Essa você ganhou de lavada. Nunca consegui relaxar.
    Beijos.

  37. “Mas como eu cheguei até esse desprendimento? Vou contando ao longo dos próximos dias.”

    Aguardando ansiosamente pra ver se aprendo,
    porque tá difícil!!!

  38. Opa, acho que agora vai dar certo comentar. Já fui magrela na adolescência, tou a cima do peso atualmente e sempre fui deficiente físico. Então sei muito bem como é ser julgada pela aparência, pela maioria do povo, principalmente os caras. Já fui dispensada muitas vezes por causa da deficiência, até por um blogueirinho famoso, que era cheio de amor pra dar no MSN, até querer me encontrar pessoalmente e saber da minha condição. Sem contar as piadas “muuuito saudáveis”, como uma que outro blogueiro soltou dia desses, quando rolava no Twitter uma tag sobre o que as mulheres não deviam usar, ele disse: “Muletas”. Aí vem todo aquele papo de que é piada, tem que ter bom humor, mas essa situação demonstra o que muitos homens encaram de verdade.
    Já me senti muito mal. Depois fui aprendendo que gente legal existe, homens também, namorei alguns, terminei mais ou menos pelos mesmos motivos que todo mundo termina. Namorei de novo, casei e minha deficiência nunca foi problema em nenhum aspecto, muito menos sexual (que acho ser a principal razão dos babacas me julgarem incapaz). Não é perfeito, temos problemas, crises, conflitos, mas nada muito diferente dos casais ditos “normais”. Parece auto ajuda, mas é a realidade, hoje vejo que se minha deficiência é critério pra um cara não querer me conhecer, o problema ta com ele, não comigo.

      • Que fez a “piada”? O Maurício Cid, do “Não Salvo”. Não tirei print porque resolvi desprezar. Só chamei ele de babaca e disse que, ainda bem, nem todo mundo pensa assim. Por exemplo, todos os caras que namorei e meu marido. Mas ta lá no Twitter, não deve ser difícil de achar.

          • Já faz um tempo. Não sei exatamente quanto. Mais de um mês com certeza. Não sigo ele, alguém que sigo deu RT, respondi pros dois. A pessoa que sigo disse pra eu não ligar, ele mesmo nem se manifestou. Dia desses, quando estiver com bastante ócio e disposição, procuro, faço um print e te mando no e-mail.

          • Vou tentar me lembrar exatamente qual foi a tag e colocar na busca. Deve ter ido pros TTs. Era #umamulhernnãodeveusar. Algo assim.

  39. Ih, já passei por várias dessas. Normalmente, eu era a única menina negra na sala de aula (em colégio particular, sempre.). Uma vez, no Ensino Médio, os meninos organizaram um “concurso” pra escolher as melhores da sala. Não ganhei em nenhum quesito, lógico. Mas daí, resolveram organizar o concurso dos ~piores~. Pior rosto, pior corpo, pior bumbum.. Adivinha?? Ganhei como PIOR cabelo da sala. Detalhe: o concurso foi organizado por um menino NEGRO. Foi triste demais, chorei muito em casa e convenci minha mãe a fazer um alisamento power no meu cabelo. Até assumir meus cachos demorou um bom tempo.

  40. “Pronto: além de feia, ainda diziam que eu era lésbica. Afinal, eu falava palavrão, não era vaidosa, era gorda e sempre ficava sozinha (isto é, sem um ~macho~) nas festinhas.”

    “também li revistas como Capricho e Boa Forma, também tentei comprar blusas que não fechavam na altura dos meus seios, também vi todos os comerciais com mulheres lindíssimas vendendo produtos light.”

    Até hoje, Lê. Até hoje. =(((

  41. Família e complicado….e tentar agradar e mais ainda.
    Sempre vão achar defeitos,então a melhor coisa e ignorar.
    E só uma pergunta : as mães ,avos ,tias ,primas, irmãos ,colegas e outras pragas por acaso sao pessoas PERFEITAS?
    Eu tenho cabelos crespos e adoro meus cabelos. Jamais alisaria ,sou mais eu. Gorda ,magra ? Danem-se os outros !
    Geralmente quem aponta algum ” defeito “,quem critica e gente muito mal resolvida ,gente frustrada mesmo…

  42. Uma “pausa pra meditação” nessa “história de nós todas”. Sim, também é a minha. Lendo os depoimentos, fiquei com a sensação de que falta comentar que o problema não é fazer dieta, nem querer fazer exercícios usar maquiagem ou bla bla bla. Claro que a gente fica com raiva dessas coisas porque elas são como as pedras e paus que os sem noção usam pra atirar na gente, mas na real? Essas pessoas também tão na merda, também se rejeitam.

    Sim, o fogo amigo é foda. Mas entendam uma coisa, as que ainda não captaram: ele só existe porque ali, diante de você, tem um ser humano que tá se sentindo tão merda, mas tão merda, que não só se descabela todos os dias pra ter pelomenos uma coisinha pros outros elogiarem, como vive de tentar disfarçar seja lá o que for que a autocrítica dele(a) use para criar sofrimento ali naquela cabeça.

    Aprendi a não ficar parada diante de gente que se acha no direito de tomar meu tempo pra tomar conta da minha vida. Simplesmente não dou esse espaço. Não revido, não xingo. Corto mesmo. “Olha, dá licença que tenho mais o que fazer”. Funciona, meninas. A mágica consiste em você se manter consciente 100% do tempo que a sua atenção é valiosíssima e ninguém (parente, etc) pode tomar seu tempo com futilidades.

    Quando a mágica funcionar, vocês vão poder olhar pra essas “coisas de mulherzinha” com um olhar diferente. E não vão mais sentir raiva. Aí é só escolher o que gosta e o que não gosta. A mensagem aqui é que acho que a gente deve ir além dessa coisa de simplesmente “rejeitar” dietas, ou cuidados estéticos, mas passar sim a considerar essas coisas como meras ferramentas pra se conquistar uma meta qualquer que se queira. A revista teen/feminina até tenta ditar o seu comportamento; mais esperta é aquela que que lê através da baboseira e pinça o que lhe serve.

    Pra finalizar, um pequeno relato: estou retomando um antigo plano de dieta, pq fiquei muito acima do peso mesmo (imc, blablabla whiskas sachet). Uma das muitas coisas que sempre me incomodaram no meu corpo e popularam meus pesadelos quanto a emagrecer era a questão dos meus seios. São grandes desde sempre e flácidos desde sempre. Passei um tempo olhando fotos de cirurgias “pra suspender”, pq nunca quis botar silicone. Desisti. Vi um monte de mulheres costuradas, retalhadas, com seios que no final ficaram esquisitos e pior: dizem que há chance de perder a sensibilidade local.

    Decidi que quando a hora H chegar, se o carinha estranhar, vou fazer assim: peço pra fechar os olhos, pra apalpar, e perguntarei mais ou menos assim: ” e aí, vc prefere assim, macio e sentindo td que vc faz, ou uma versão boneca de retalho?”. Ou seja, vou transformar em joguinho erótico e tenho certeza que vou arrasar! rsrsrs

    Bjs, obrigada. Amo vocês todas. :)

  43. Oi, Letícia. Assim como você, já tive fases de me sentir toda errada pela “boa vontade” da família, mas depois dos 20 anos me aceitei como sou. Estou com 88kg, exames todos em ordem, gosto do meu cabelo cacheado (aprendi a cuidar com carinho)… Mas juro que nÃo consigo me entender com as estrias da gestação! Eu já tinha estrias do crescimento na adolescência, bundão, celulite, etc e vivia bem assim. Mas a barriga e as estrias deixadas pela gestação me incomodam. Em casa não, com o marido não, mas nunca mais usei barriga de fora em piscina… Acho que pareço mais velha que as amigas, sei lá… O que preciso para aceitar isso? O caminho da aceitação que fiz não foi suficiente? Não quero que essas características sumam, quero me entender com elas…

    • Juba, eu não sei como te ajudar. Minha barriga ficou maior depois da menopausa (sem estrias e, é claro, não se compara à da gestação). E é uma das partes do meu corpo que eu não gosto muito. Eu também tô tentando me entender com ela!

  44. Oi !
    Achei seu blog ontem enquanto procurava algo sobre depressão para tentar ajudar meu namorado…

    De tudo o que li, posso dizer que me apaixonei por tudo o que escreve.
    Vc é uma grande mulher!
    Ganhou uma fã viu??
    Beijos…
    Lu

  45. Sabe Leticia, eu nunca fui magra, sempre fui mais cheinha.. mas minha adolescencia passou tranquila com isso.
    Eu era requisitada pelos meninos, e sofria mto bullying sim, principalmente pelas meninas e acredito que exatamente por isso, não ter o cabelo perfeito, o corpo perfeito (tb sou deficiente) mas mesmo assim nunca passei vontade.
    Só que eu cresci, e com o tempo, e depois dos filhos, já não consigo mais gostar do meu corpo. E no fim acho que é por causa dos que os outros pensam.. por mim, barriga, peito…nada disso é importante…. só que se vc for na praia, todo mundo olha como se vc fosse um ser enorme encalhado…
    os caras não olham pra mim na rua, e os familiares sempre soltam alguns ocmentários (ontem minha vó disse que eu estava muito gorda, disse pra ela que o importante é ter saúde, ela rebateu um, é mais gordura faz mal pro coração e eu respondi: o meu coração tá ótimo. tá cheio de amor)
    Eu queria fazer as pazes comigo de novo, me olhar no espelho, chegar a conslusão que esse corpo é meu, e é lindo conforme ele é.

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