Logo no início do livro About a Boy (que virou o filme estrelado por Hugh Grant e a ótima Toni Collete), de Nick Hornby, o personagem Marcus pergunta à mãe se ela terminou um namoro.
Com a resposta positiva, o garoto se perde nos próprios pensamentos. “Ele não pensava que um dia se acostumaria com isso. Ele gostava de Roger [o até então namorado da mãe], e eles três saíram algumas vezes; agora, aparentemente, eles nunca mais se veriam. Marcus chegou a dividir um sanitário com Roger, quando os dois estavam apertados para fazer xixi depois de uma viagem de carro. Você imagina que, se você já urinou com alguém, você deve de alguma forma manter contato com essa pessoa.”
Li o livro há muitos anos, mas essa parte sempre volta à minha mente todas as vezes em que um namoro termina. Dificilmente as coisas fluem com naturalidade. Na maioria dos casos, o término de uma relação gera dor, mágoa, revolta… tristeza. Mesmo quando ambos sabem que não dá mais certo, mesmo quando ambos não sentem mais amor, mesmo quando ambos tomam a decisão.
São muitos planos interrompidos. Por vezes separar-se de um parceiro amoroso significa também deixar para trás outras pessoas por quem temos carinho: parentes e amigos do ex; até o cachorro da casa. Terminar o namoro/casamento implica mudar hábitos.
Eu tenho problemas “especiais” nisso tudo. A análise me fez olhar para os meus términos de maneira diferente – e muito dolorosa. Tenho questões dificílimas com separações. Elas trazem de volta sentimentos do passado que me atormentam. É horrível.
Vocês acompanharam o término do meu último namoro. Quase um Big Brother. Daí essa madrugada, pouco antes de eu dormir, uma pessoa que nós dois conhecemos tuitou algo. Por um milésimo de segundo eu me imaginei comentando sobre aquilo com ele. Imediatamente me toquei que isso jamais irá acontecer, pois a gente não se fala.
De vez em quando esses flashes acontecem. No início eram super frequentes. Na verdade, eles vinham acompanhados de imensa, gigantesca vontade de falar com ele. Eu precisava comentar. A saudade era grande demais. Eu não conseguia imaginar como seria minha vida sem aquela ligação intelectual que tínhamos. Era difícil olhar pra frente e pensar em nunca mais falar com ele sobre livros, reportagens, filmes.
Mas o tempo passa, novos interesses surgem, outros amigos entram em cena. A vontade vai passando… (de vez em quando ela aparece, sem aviso, mas a razão prevalece.) Amanhã tem Planeta Terra e é impossível para mim não lembrar que depois do festival no ano passado eu fui pra casa dele, transamos, dormimos, combinamos um jantar comemorativo para dali a um mês. Nunca aconteceu.
Fica uma tristeza, claro, mas o que me dói em algumas histórias é exatamente o que angustiava o Marcus. Como assim você dividiu tantas coisas e, agora, você sequer fala com a pessoa? Não tem nas redes sociais, não pode dar um telefonema no dia do aniversário, não compartilha conquistas. Zero.
Penso na estranheza de encontrar por acaso uma dessas pessoas do passado com quem compartilhei muito mais que um banheiro e que hoje não sei nem por onde andam. Imagine olhar para quem já esteve tão dentro dos seus pensamentos, lembrar de como a pessoa chora, goza, caminha, fala, gesticula…. e não saber sequer se pode dizer “oi”?
Eu sei que muitas vezes, após o término, é necessário rolar um afastamento. Os sentimentos ficam confusos, e deixar por perto alguém que gostávamos tanto (e que talvez tenha nos magoado profundamente) é “perigoso”. Mas afastar-se para sempre? Trocar número de telefone, como diz a música abaixo? Apagar das redes sociais (mea culpa: faço isso)?
De repente, a pessoa com quem você planejava tantas coisas e compartilhava a vida vira só alguém que você conheceu um dia. Jamais me acostumarei com isso.


Eu percebi como meu antigo relacionamento me fazia mal e pouca coisa me acrescentava quando, só alguns meses depois de termos terminado, senti esse “queria comentar isso com ele”: e era para fazer comentários extremamente pejorativos sobre uma pessoa. Aquilo me despertou um “clic!” tão significativo…
O afastamento eterno, por assim dizer, depende muito do que a relação te mostrou sobre aquela pessoa. Tenho um ex que, passados alguns anos do término, é hoje um dos meus melhores amigos, porque se mostrou uma pessoa maravilhosa, mas que por alguns motivos não servia para ser meu parceiro. Outros se revelaram pessoa repugnantes, que não lamento nem um pouco serem só “alguém que um dia conheci”: lamento, pelo contrário, já ter conhecido e dividido tanta coisa =/
eu tenho uma dor aqui dentro sobre isso que não passa nunca, as vezes passa um pouquinho por outras me toma. me toma agora.
Eu não sei o que é pior, querer continuar conversando e não “poder” ou ficar mal e sentir desprezo só de pensar em conversar. Estou num recém-término prolongado, e é isso que eu sinto. Parece que tudo o que foi bom foi suplantado pelas coisas ruins – que não foram poucas mesmo. Como diria Eddie Vedder “all the love gone bad”.
Para mim, é bem isso: não sobra nada de bom (nem lembranças boas consigo ter, parece que bloqueio na mente, não consigo lembrar de nada bom mesmo), é tudo suplantado pelas coisas ruins.
Eu não falo com nenhum dos meus ex-namorados. Para mim, não poderia ser de outra forma. Seria uma violência comigo mesma continuar falando (mesmo que casualmente) com pessoas que queimaram o filme totalmente comigo. E se encontro em algum lugar, faço a louca: olho para o infinito, finjo estar falando no celular, atravesso a rua, olho para o relógio… Sinceramente, são pessoas que não me fazem a menor falta, não me agregam nada. Não me acontece de ter essas vontades de falar com eles, não mesmo.
Eu sentia essa tristezinha também, a gente não se falava mais. Daí um dia ele apareceu do nada querendo ~socializar~como se nada tivesse acontecido. Mexeu um pouco no começo mas depois eu vi que ele era apenas alguem que eu conheci um dia…só mesmo.
Nossa, que post providencial! Passei a madrugada chorando por causa do meu ex. Fui ver um filme, e a música era uma música nossa. Ele é uma pessoa muito querida, e por mais que eu tente me manter afastada, acabo vez ou outra comentando com ele essas coisas. Acho importante o fim não ser uma ruptura total. Aos poucos a gente vai encorporando novos hábitos, novas pessoas na vida e o ex vai deixando de ter aquela importância toda. Mas me incomoda muito pensar que dividíamos tanta coisa, planos de casar, pensamentos sobre nós mesmos e a humanidade e agora não posso nem dar um abraço (ele mora há 600km de mim). Sinto falta dos pais dele, dos cachorros, do papagaio. Eu nunca vou me acostumar com essa estranheza que a gente cria. Alguns ex namorados viraram amigos, sei como estão, como se sentem, e não temos problema de sairmos juntos para conversarmos. Tem outros que isso não foi possível e ignoramos a existência um do outro. É uma via de mão dupla, os dois tem que querer continuar fazendo parte da vida do outro.
Semana passada me dei com uma situacao que fez esse seu post ter um significado todo novo. Depois de um termino muito traumatico que mais de um ano depois ainda me faz chorar e tremer reencontrei meu ex. Aquele que era meu melhor amigo e que eu achava que me conhecia melhor do que eu mesma.
Foi horrivel, ele nem parece mais a mesma pessoa, ‘e um estranho por quem tenho muita magoa. Mas no dia seguinte ele me ligou (nem sei como conseguiu meu telefone novo) para saber por que esse ressentimento todo. E depois de uma leve DR comecamos a conversar sobre a vida, sobre a familia dele, sobre politica e sobre os nossos assuntos preferidos. E eu percebi que depois de todo esse tempo ainda tem assuntos que so com ele eu costumava falar, que depois do fim do namoro sairam da minha vida junto com o ex.
Nao acho que eu consiga voltar a ser amiga dele, mas esse vacuo vai ficar um tempo ainda em mim.
Adorei o POST! E a musica!
Post sensacional!
Eu me martirizava, achando que era a única pessoa neste mundo a não conseguir mais sequer cumprimentar um ex. Eu apago tudo, tanto as lembranças boas quanto as ruins. Lembrar das coisas boas, e em seguida se dar conta de que terminou, só me machuca mais.
O último tentou ser ~meu amigo~ porque, segundo ele, eu não era forte o suficiente para superar o fim do namoro sozinha (oi?). No fim das contas, ele só queria manter contato por próprio interesse dele em coisas materiais que havia deixado comigo.
Mas ainda bem que o tempo passa, e as coisas se ajeitam aos poucos..
Bom, eu acho um horror não falar com alguns ex. Horror mesmo.
Um único ex reapareceu uma vez, anos após o término, e acabamos conversando, colocando as coisas no lugar. Foi o único que me senti bem em fazer isso. Não nos falamos mais porque não há mais oportunidade, mas não ficou tristeza, rancor. Tenho um carinho super especial por ele, mas a presença dele na minha vida não faz falta.
Eu sou totalmente “razão”. É como se parar de ter contato com um ex faça com que eu elimine uma peça mal encaixada, e isso, com o tempo, me deixa bem.
Se é certo ou errado, eu não sei. Só vou seguindo em frente… :)
Acho que depende muito do ex e da forma como terminou. Tenho um ex que virou um amigo muito querido, de vez em quando nos falamos e contamos as novidades da vida um do outro. Tem ex que eu não converso porque é motivo pra ficar frustrada e levar A Patada. Outro raramente mando umas mensagens… mas está bloqueado no facebook, pois olhar a foto dele de certa forma ainda me machuca, me magoa e quando nos falamos, não pergunto nada pessoal, doeria saber dos atuais rolos dele.
“De repente, a pessoa com quem você planejava tantas coisas e compartilhava a vida vira só alguém que você conheceu um dia. Jamais me acostumarei com isso.”"
Esse trecho resumiu TUDO. Tô bem num momento que aconteceu algo… e a pessoa com quem eu queria conversar sobre isso e compartilhar o assunto, além de pedir colo, de repente, é só alguém que conheci um dia… Dói. Ainda.
Porra, escrevi um texto ontem sobre isso, Nádia!
A saudade do ex tem me pegado uma vez por mês, sei lá porque ela vem, mas vem forte. E essa sensação de proibição para contatos amigáveis e íntimos me dói demais.
Eu digo que vou me acostumar, mas se ainda sinto falta de compartilhar minha vida e ter a vida do ex (antes desse último. Terminamos há seis anos!) compartilhada comigo, a verdade é que não vou me acostumar nunca.
Fico feliz de saber que alguém se sinta como eu. :))
Nossa, me identifiquei 100% com o que vc escreveu… Hoje mesmo no trabalho estava conversando sobre a música do título do post com uma estagiária, q também terminou o namoro recentemente… Namorei por 4 anos, sendo que os dois ultimos foram a distancia… e a primeira coisa que eu pensei quando ele me comunicou q estava terminando comigo (sim, ele só me avisou com uma desculpa esfarrapada q as coisas não estavam dando certo, sem dar margem a conversa nenhuma) foi que eu nunca mais na vida ia ver ou falar com ele, muito menos com a familia dele, que sempre me hospedava quando a gente se encontrava e me tratava super bem…
apesar de nao querer conscientemente nunca mais olhar na cara dele, sempre me pego nessa situação de me imaginar contando alguma coisa pra ele, ou lembrando de uma musica ou um filme… já faz mais de um ano, e com o tempo fica mais fácil… a pessoa e as lembranças vão ocupando cada vez um espaço menor dentro de vc… mas q é estranho, isso é…
Que post maravilhoso.
Eu tenho um ex-relacionamento que ainda me dói quando penso que a pessoa não está mais na minha vida. Hoje sou casada e muito feliz, mais feliz do que eu era nesse antigo relacionamento… mas ainda assim eu me pego pensando no pq eu não posso ter um mínimo de contato com meu ex. Não é só um ex-namorado, é um ex-amigo… é ainda muito importante. Sei que ele ta namorando e fiquei tão feliz pq a menina parece ser tão legal… tão certa pra ele… mas eu não posso participar de nada disso…
Eu me acostumo bem rápido com isso. Talvez porque nunca tive um relacionamento muito longo ou muito intenso (comparado com o que ouço por aí, claro, acho meio difícil classificar isso), mas sempre que termino com alguém de forma meio atribulada preciso me afastar. Apagar telefone, apagar das redes sociais (até bloquear se conhecer alguém em comum), trocar um mero “oitudobem” caso dê o azar de não poder evitar. Principalmente quando rola alguma briga séria. Raiva é um troço que não sei digerir. Eu meio que acho que se alguém foi babaca comigo uma vez, a chance de ser babaca de novo é grande e eu prefiro não dar mole pro azar. Faço o cara sumir da minha vida mesmo.
Tentei trabalhar isso em terapia, mas acho que não deu muito certo…
Cacete, Letícia! Não põe o dedo na ferida assim! ;D
Me pego pensando sobre isso tb, pq saí de um relacionamento q durou 8 anos…muito tempo. E, hoje, apesar de ainda frequentarmos uma vez por semana a mesma sala de aula, fingimos que não nos conhecemos. Acho isso muito perturbador.
Belo texto, admiro sua sensibilidade!
Oi Leticia, tudo bem? Hoje vi um post no facebook sobre uma escola que faz vivissecção ilegal de animais nas aulas de Biologia, e me surpreenderam os comentários machistas sobre as fotos das alunas com os cadáveres dos gatos, em poses brincalhonas. Chamaram-nas de “putas”, “desclassificadas”, “piriguetes” etc… Achei que seria um tema interessante pro seu blog: por que chamar de “puta” uma mulher que fez algo errado, que não tenha nada a ver com sexualidade? No post da escola, comentei:
“Vergonha dessa “escola” e desses comentários machistas. Agora qualquer coisa errada que uma mulher faça, ela é “puta”, “biscate”, “todo mundo pega”… E olha que é geralmente o oposto. As certinhas é que precisam descontar sua frustração sexual em alguma coisa. Enquanto os dois lados forem burros assim, fica difícil mesmo fazer justiça.”
O que você acha? :]
Bianca, é uma ótima ideia. Em todos os textos (inclusive num que vou colocar hoje), eu “encosto” no tema. E já escrevi sobre isso algumas vezes. Mas nunca é demais, né?
Letícia,
Existem pessoas que precisam de um corte. Fui vítima de um stalker no meu último término. O cara simplesmente não aceitava o fato de que eu estava terminando. Ligava 20, 30 vezes em uma manhã. Mensagens. Whatsapps. Emails.
Eu Tive que cortar relações. Ele usa isso como “prova” de que eu nunca amei ele. Continua enviando emails esporádicos, todos muito amargos, cheios de dor. Enfatiza sempre o quanto ele está melhor sem mim. Enfim. Eu não pretendia corta -lo para sempre, mas suspeito que não terei saída.
Gabriela, nessa época em que ele te procurava bastante, você respondeu? Conversou com ele?
Eu partilho desse pensamento também: acabou cada um pro seu canto. Acredito que se apegar ao passado é uma experiência dolorosa e desnecessária. Eu penso que as pessoas sempre trazem algo para nossas vidas, e devem servir como um aprendizado (seja algo bom ou ruim). Guarde isso: o que se aprendeu. As pessoas sofrem e se apegam as outras nos téminos por um motivo: estacionam na zona de conforto. Ah mas eu quero do jeito que estava, estava bom! Será mesmo? Às vezes bom só pra um, às vezes pra nenhum. Eu fui assim um dia, mas tive que aprender da pior forma o desapego. Ano passado meu ex namorado faleceu. E por um instante pensei: nossa quase 7 anos em vão (um relacionamento turbulento, mas que de fato havia amor), todo esse tempo lutando por uma coisa que estaria fadada ao fim??? Sentimento de impotência total (e desperdício! sim, cruel, mas pensei isso). Daí eu percebi que pessoas vão e vêm e eu não posso fazer nada por isso, apenas devo aceitar. Me “relacionei” com duas pessoas até agora (uma estou conhecendo, a outra passei seis meses) e já de antemão aviso: respeitarei o tempo dessa relação, que ela dure o tanto que deva. Eu não vou me apegar ao que é imprevisível. Hoje pra mim tanto a presença quanto a ausência são bem vindas. Obs: não me tornei uma amargurada que não acredita no amor (eu acredito e não me fechei!), apenas, mais racional. =)
Natália, veja… eu não estou falando para a relação amorosa continuar indefinidamente. Nem para os ex serem melhores amigos. Estou falando de a pessoa depois virar uma estranha, alguém com quem você não fala.
Rola também um forte complô da mídia em geral sobre esse assunto. É quase uma regra instituída de que se você dormiu com uma pessoa, você não pode voltar a ser amigo dela, por que as coisas vão ficar “esquisitas” e nada mais vai ser o mesmo. Só que isso está longe da realidade, você pode se envolver com alguém casualmente e voltar a tratar a pessoa pela amizade no dia seguinte numa boa, se ambos estiverem de acordo com isso. Agora, eu não discordo que há a necessidade de um período de transição em que a distancia é necessária, em se tratando de um relacionamento de longa data, mas se há interesse de ambas as partes pela amizade (e se não há mais sentimentos mal resolvidos), ela é totalmente viável – só que, infelizmente, a maioria não quer por que tem certeza de que as coisas serão estranhas e desconfortáveis.
Letícia, terminei uma conversa muito sincera, dizendo que não o amava mais. Nos 5 dias seguintes ele me flodou de msgs e ligações, pedindo para eu reconsiderar. queria encontrar, queria me ver. Inicialmente eu respondia, tentava dizer delicadamente que não tinha volta, minha decisão estava tomada. Ele simplesmente não respeitava. começou a ignorar que eu tinha terminado e comprava ingresso para festas, me ligava perguntando coisas banais, como tinha sido meu dia. Aquilo me incomodava. Pedi respeito à minha decisão. Ele começou a alternar momentos em que tentava me convencer de voltar e outros em que me xingava. Chegou a duvidar da minha fidelidade, dizia que eu o havia enganado. Usava os meios de comunicação para controlar minha vida, quem era pessoa x no facebook. Invadiu meu face, leu minhas msgs privadas. Estava começando a ficar agressivo. Comecei a ficar com medo. Ele passou umas duas semanas me ligando enviando msgs indesejadas. comecei a bloquea-lo. Primeiro whatsapp, facebook, telefone. Meu respeito por ele foi ao nível ZERO. Vontade de conversar então, nem se fala. Foi assim que decidi cortar relações. com esse especificamente. Porque em geral eu mantenho um relacionamento amigável. Mas para alguns relacionamentos isso não funciona.
Sinto muito, Gabriela.
O texto é lindo, muito verdadeiro e tristonho. Sinto falta de algumas coisas tb. Mas nunca tive a coragem de admitir nem para a minha sombra. Letícia, será que ele leu este texto?
Com certeza não.
Entendo mais que perfeitamente sua estranheza.
Pra mim não faz sentido nenhum uma pessoa que já te beijou e compartilhou de seus ‘fluidos corporais’ não poder conversar mais.
Talvez eu tenha dado ‘sorte’, talvez tenha ‘escolhido bem’, mas em nenhum caso de fim de namoros eu fiquei odiando meus ex, ou mesmo que eles tenham me odiado.
Pode claro, rolar aquele afastamento inicial, mas logo o contato fica natural e um “Parabéns” ou alguma novidade pode ser compartilhada.
Acho uma pena quem exclui da própria vida boa parte de suas memórias. Porque considerando que a gente namora períodos alongados, ‘excluir’ uma pessoa, é excluir suas memórias e alguns momentos.
Vi que muitas meninas falaram que o ‘cara não é mais quem era’, mas muitas esquecem que nós mesmos mudamos depois de cada relacionamento. Aprendemos, erramos, percebemos coisas a cada experiência. Talvez o cara mesmo não tenha mudado nada, mas com nossa própria mudança as coisas que eram legais deixam de ser.
E está tudo ok, não é errado mudar! Quem não muda, mofa!
Estou escrevendo algo bem parecido no meu blog. Mas só queria dizer que entendo de verdade esse sentimento e compartilho tanto dele que precisei por pra fora do mesmo jeito – escrevendo.
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Poxa, achei seu blog por acaso um dia, acho que o primeiro texto que li foi uma critica sobre o texto de feminismo do papo de homem.
Desde então tenho lido e acompanhado com mais frequência, e tenho gostado bastante.
Esses tempos conversando com a companheira falamos sobre isso, sobre essa questão de ”e se um dia a gente terminar…vamos ser amigos? Ela diz que sim, embora nas duas vezes que tenhamos brigado e terminado – e pouco tempo depois voltado – ela não queira mais falar cmg.
Se rolar eu vou entender, mas isso me faz pensar o quanto vai ser muito, MUITO difícil.
Foi provavelmente nos meus 21 anos de vida a pessoa com quem eu mais compartilhei, com quem eu abri o dialogo sobre relações livres e pra todos os efeitos quem me ensina a pensar criticamente a questão de gênero e desconstruir o machismo profundamente enraizado em mim…
Mas enfim,to falando demais, obrigado, texto ótimo, blog ótimo!
“De repente, a pessoa com quem você planejava tantas coisas e compartilhava a vida vira só alguém que você conheceu um dia. Jamais me acostumarei com isso.”
Não ia ler o post. Acabei “topando” com esse parágrafo, o que me fez ler o mesmo… e ficar com os olhos cheios d’água. Terminei com meu ex-namorado há cerca de 7 meses. Ontem teríamos feito 4 anos e 7 meses de namoro. Ou seja, ficamos 4 anos juntos. Nós não deixamos de nos falar. Até porque, quando terminamos, eu, que moro sozinha e não tenho nenhum parente na cidade onde moro, fiquei doente, torci o pé e ele foi muito camarada em me ajudar durante algum tempo com isso. Entretanto, nunca mais foi como era antigamente, com relação à amizade que tínhamos um pelo outro mesmo. Sempre fica um clima terrível quando nos vemos, sempre acabamos discutindo. Às vezes é insuportável vê-lo e não poder falar certas coisas (que o deixarão sem graça), ou abraçá-lo… mais insuportável ainda é quando ele me abraça. Sabe aquela pessoa fria? Parece que tá, sei lá, abraçando uma árvore, um poste… é estranho demais.
De vez em quando, ouço essa música e fico pensando nisso: como que uma pessoa que foi tão fundamental na sua vida, que passou inúmeras experiências com você, hoje te trata como uma pessoa qualquer? Daquelas que você até fala, mas não faz questão nenhuma.
Assim como você, eu não consigo me acostumar com isso.