Plástica, dieta, carbox. Pra quem?

Há alguns meses uma leitora me escreveu o e-mail abaixo. Eu ia fazer um guest post, mas acabei me enrolando (como sempre). Ela leu meu texto de ontem e me escreveu: “não disse que eu tinha razão?”.

Não, ela não tem. Ela tem razão de temer, mas ela (e nem eu e nem você) não pode deixar que pessoas erradas digam o que é certo. Tá confusa? Leia e você vai entender.

Eu tenho muitos conflitos com meu corpo. Não consigo ficar nua na frente de ninguém, nem da minha mãe, nem de amigas, nem de namorados. Tenho vergonha de meus seios, porque eles têm estrias e, quando me deito sem sutiã, caem para os lados (o direito, para a direita, e o esquerdo, para a esquerda). A única solução para isso é plástica e tratamentos estéticos para me livrar de estrias e celulite. Só que eu não sou rica. Enfim, estou juntando dinheiro para a plástica dos seios, mas o médico já me avisou que, para a plástica ficar boa, terei que emagrecer pelo menos 10kg, pois, no momento, eu peso 90kg…

Entrei na academia. Estou gostando muito e também faço dieta acompanhada por nutricionista. Parei de comer doces e de beber álcool ou refrigerante. Sinto falta da coca-cola e do brigadeiro. Chego a sonhar com chocolate, mas tenho que me manter firme. Faço as aulas de natação bem cedo e uso maiô de corpo inteiro com shortinho próprio para água, sabe? A maior parte dos meus colegas de piscina está na terceira idade e se veste de maneira muito mais à vontade do que eu… Além disso, no vestiário, as senhoras não têm a menor vergonha de trocar de roupa perto de mim, enquanto eu só me troco dentro do chuveiro, para ninguém ver. E olha que tenho menos de 30 anos e minhas colegas devem ter todas mais de 60.  

Eu já perdi passeios à cachoeira e à praia por vergonha do corpo e já perdi ficantes por não querer transar. O que eu não quero é ficar nua, compreende? O que você me aconselha? Continuar emagrecendo e juntando dinheiro para a plástica (se tudo der certo e eu emagrecer, em janeiro, acho, já poderei fazer a plástica). Mas não são só os seios que me incomodam, mas também a barriga, as estrias, a celulite, o excesso de coxas…

Comecei um tratamento para estrias chamado carboxiterapia. Comprei um pacote de 10 sessões (custou MIL REAIS). Fui em 4 delas e te digo: a dor é terrível. Muito ruim mesmo. Fora que tudo o que ganho, invisto em tratamento, a academia e a poupança pra plástica. Abri mão, inclusive, de comprar um carro.

O que você acha, Letícia? Acha que, se o cara se interessar por mim vestida, ao me ver sem roupa ele vai se desinteressar? Sabe, eu acho tão superficial a preocupação excessiva com a aparência… eu nem sou exigente quanto aos caras com quem fico. Não sou exigente quanto ao físico deles, basta que sejam interessantes, inteligentes, divertidos. Por que tenho que me submeter a tanto sofrimento? Mas, o sofrimento de ser considerada feia é insuportável… e me impede de ter uma vida sexual saudável. Você acha que, se meu corpo ficar aceitável (nunca ficará belo) para o padrão de beleza, vou conseguir, ao menos, ficar nua na frente das pessoas (não só de homens, mas também de mulheres, pois não fico nua nem na frente de costureiras, amigas, etc)? Vou conseguir ter uma vida sexual saudável? Vou conseguir, ao menos, ir à praia de biquíni?

Bom, vamos por partes. Primeiro, as estrias. Elas não vão sumir. Não adianta fazer tratamento, pagar uma grana, etc, etc. Isso aí vai ficar com você (e comigo) pra sempre. Mas homens e mulheres têm estrias. Já vi váááários caras com estrias nos braços e na lombar, mas nunca vi nenhum deles achando que é um pecado mortal.

Mulheres têm em geral estrias nos seios, na parte interna das coxas, na lateral do bumbum e na lombar. Pronto. Fim. Podemos mudar de assunto?  Não nesse post, digo, mas sim como cultura? É isso aí, temos estrias e não tem como fazê-las sumir. Acabou a discussão. Não há o que ser feito.

Daí a leitora diz que faz atividade física e dieta com acompanhamento de nutricionista. E que está gostando de nadar. Ótimo. Atividade física é importante para uma vida saudável. Ainda que ela não tenha começado com esse fim (mas sim com o de emagrecer por pura pressão social da magreza), os ganhos são indiscutíveis. Sobre a dieta… bom, eu tenho minhas dúvidas sobre a eficiência de dietas com restrições tão ferrenhas (sonhar com chocolate?). De qualquer forma, ela está sendo acompanhada por um profissional.

Chegamos, então, aos gastos. Ela diz que gasta todo seu dinheiro em tratamentos estéticos. Deixou de comprar um carro, que, dependendo da cidade onde ela mora, significaria um grande conforto. Se ela conseguiria economizar a ponto de comprar um carro, ela também poderia pegar essa grana e ir viajar. Conhecer outras culturas, aprender uma nova língua, fazer pós graduação.

Eu realmente não vejo problemas em tratamentos estéticos e/ou cirurgias plásticas. Já vi casos em que diminuir o seio foi libertador. Mas há muitas coisas envolvidas nisso aí: existe um risco que não pode ser desprezado, o pós operatório é bastante chato e doloroso… e, muito importante: mudar fisicamente não é garantia de felicidade.

Acontece constantemente. A pessoa diz “se eu fosse magra eu faria tal coisa”. Nada te impede de fazer qualquer coisa. Ir à praia ou ao clube; usar blusa sem mangas; ficar pelada na frente do parceiro. Nada disso é proibido para quem está “fora de forma”. Só quem impede você de fazer isso… é você mesma.

É urgente tomar as rédeas da própria vida e fazer aquilo que se quer.

Ela conta sobre um tratamento estético chamado carboxiterapia. E que dói. Procurei no Google a respeito e todos os textos reafirmam: é doloroso.  Dizem que funciona – a pele fica mais lisinha e com menos celulite. Mas dura apenas alguns meses. Depois volta tudo. Durante quanto tempo você (a leitora acima e você aí que está me lendo) está disposta a gastar uma grana e sentir dor? Porque isso seria eterno! Vi num blog uma garota comentando já ter feito QUARENTA E CINCO sessões! Gente!

Imagina quanta dor ela sofreu, e quanto tempo e dinheiro ela gastou. Eu sei que muita gente aproveita os descontos dos sites de compras coletivas, mas ainda assim. Tais sites vendem viagens também, sabe?

No final, a leitora me pergunta se eu acho que ela conseguirá, depois de tantas mudanças, ter uma vida sexual bacana. Eu espero estar errada, mas eu acho que não. Porque ela mesma diz que seu corpo nunca ficará belo, somente “aceitável para os padrões de beleza”. Quem dita tais padrões? As revistas femininas? Ora, sejamos menos ingênuas. Tudo isso faz parte de um negócio extremamente lucrativo!

Além de render bilhões, deixar as pessoas sempre preocupadas com a aparência (e desgostosas de si mesmas) é uma forma de controle. Se você não reconhece a força que tem – porque se sente inadequada -, como vai lutar pra mudar o status quo? Vai continuar sendo sempre massa de manobra.

Eu não sou contra a vaidade. Pintei meu cabelo durante anos e voltarei assim que tiver grana e paciência (tenho muito, muito cabelo, e fazer luzes significa passar a tarde inteira no salão). Adoro esmaltes. Acho maquiagem incrível.

Mas eu não vou gastar todo meu dinheiro nisso. Não vou viver obsessivamente buscando técnicas para “melhorar” minha aparência. Não vou sentir dor.

Então, no final, é importante se perguntar:

- Eu tenho condições financeiras de fazer isso?

- Está me machucando?

- Eu poderia aproveitar melhor o tempo que estou gastando em tratamentos estética?

- Pra quem eu estou fazendo isso?

- Eu estou deixando de fazer coisas na minha vida por me sentir fisicamente inadequada?

Se você disse “sim” à última pergunta, eu aconselharia que você buscasse ajuda terapêutica profissional. Nenhum tratamento estético vai te fazer se enxergar como você realmente é.

 O post de hoje (e o de ontem, e o de amanhã…) fazem parte da “semana da autoestima” do Cem Homens. :)

38 pensamentos em “Plástica, dieta, carbox. Pra quem?

  1. Longe de mim ser polícia da vida alheia, até porque, embora eu sempre tenha brigado com o espelho, nunca fui gorda e não sei o que gordos passam. Mas gente, que felicidade é essa que você sente bonita, mas sonha com chocolate porque nunca pode comer um?

  2. Caralho!! Quando eu acho que tenho baixa auto-estima vejo um relato desses e descubro que ME AMO! Coitada da moça… É sofrimento demais!!!! E eu poderia apostar que nem que ela chegasse aos 50kg a cabeça dela ia ficar normal.. O buraco é mais embaixo!!

    Moça que mandou o email, se vc estiver lendo isso: PROCURE AJUDA PROFISSIONAL DE UM PSICÓLOGO!!! Invista grana em algo que te ajude de dentro pra fora, pq vc claramente tem problemas de auto-imagem.

  3. O que mais me incomoda, além de não ser nem próxima à beleza padrão, é ver como as pessoas são tratada diferentemente dependendo do “nível de beleza”. Começa com “brincadeiras” de criança e termina com um “excelente apresentação pessoal” na chamada de emprego.

    Estou bem acima do peso e tenho diferenças mais visíveis que o comum entre as partes direita e esquerda do corpo (diferença de altura nos olhos, tamanho dos seios e altura da coluna, não tão ruim quanto o corcunda de notre dame). Não é nada incrivelmente visível, como uma deficiência, mas é o suficiente para não me sentir bem em nenhum lugar com nenhuma roupa e quase nada tem alguma solução, só resta aceitar mesmo.

    E então chego na faculdade e vejo as magras, baixas, com aquele estilo de frágil fofinha conversando sobre os milhões de sacrifícios que fazem para manter a forma. Penso que elas estão tão insatisfeitas quanto eu, só tem a vantagem de ter chegado no padrão e não terem mais o tratamento dos feios.

  4. Como disse a Viviane, sempre achei que tivesse problemas com a minha auto estima, mas depois de ler o relato da leitora no post, definitivamente me amo!
    Sempre fui gordinha e teve uma época que tomei remédio e fiquei magra (dentro do peso considerado normal pra minha altura). Antes disso sempre achei que eu só conseguiria namorar, ter um relacionamento sexual se fosse magra. Mas isso não é verdade. Na minha fase magra, não me tornei a ‘pegadora’ que achei que me tornaria, só fui perder a virgindade quando parei o remédio e voltei a ser o que sempre fui.
    Fazer terapia me ajudou muito a me aceitar, ainda não estou 100%, mas já encontrei o caminho. Hoje eu preciso fazer uma reeducação alimentar e fazer exercício, mas por causa da minha saúde e não por causa de qualquer padrão imposto.
    Obrigada pelo texto e me mostrar que ainda tenho um grande caminho a percorrer.

  5. Minha esposa atual está fora dos tais padrões, e antes também tive um relacionamento com outa moça no mesmo estilo, sexualmente, nunca vi diferença, pois o desempenho sexual independe da forma física, e sim do prazer que se está sentindo, da vontade, do fogo, enfim, do tesão. É de bom alvitre lembrar à leitora que sexo não é só visão, mas gosto e cheiro, e som, então querida, preocupe-se com seus indicadores de saúde(colesterol, gliecerideos etc) se tiver tudo bem, via e seja muito feliz.

  6. Querida colega internauta,
    procure sim um psicológo.
    Todo mundo que passa por alterações corporais importantes deveria enriquecer o tratamento com uma psicoterapia. Há muitos tratamentos ou cirurgias que sequer serão bem sucedidos caso você fuja.
    Eu fiz duas cirurgias além de incansáveis e torturantes aaaanos de fisioterapias diversas… a terapia me possibiltou, tanto avaliar as minhas reais necessidades e os melhores caminhos e ações para supri-las, como principalmente me preparou para aturar essas ações. Nâo foi fácil. Mas passou.
    Nenhum redamoinho é eterno não ;)

  7. Imagino que toda mulher já teve problemas com a auto-estima. Exigem um padrão irreal pra gente, tão irreal que até uma modelo da Victoria’s Secret tem que ficar sem comer por uma semana antes do desfile (é verdade, já vi matéria por aí sobre a “preparação” das angels) e precisa de photoshop nas fotos de catálogo. Mas o pior é que a maioria deles é por causa de neuras totalmente sem justificativa ou que só ela repara.

    O que mais me tocou nesse relato é que a moça reclama que seus peitos caem para os lados quando ela deita. Amiga, TODOS os seios caem pros lados quando a mulher deita. Não acredita no que você vê na Playboy, no photoshop e nas siliconadas. É gravidade, não tem jeito!

    Eu passei a vida inteira me achando gorda. Sempre disse pras pessoas que fui uma criança gordinha (gulosa eu definitivamente era, minhas melhores memórias da infância lembram comida). Quando criança, minhas primas me chamavam de “free willy” (por causa da baleia) e de “toppo giggio” (o ratinho bochechudo). Era simplesmente fato para mim que eu era/sou gorda.

    Foi muito libertador quando eu percebi que não sou gorda, que com 1,63 m e 60 kg, meu peso é absolutamente “normal” e “saudável” (na verdade, acho que sou muito sedentária e como muita porcaria pra ser totalmente saudável). Hoje, eu vejo minhas fotos de criança e fico surpresa de ver uma criança mediana, até meio magrinha. Muito do que a gente vê no espelho é influenciado pelos outros, não pela realidade. Nem quem está totalmente dentro dos padrões de magreza exigidos pela sociedade escapa.

    Por isso, o conselho que eu dou pra ela é tentar reavaliar a autoimagem que ela tem. Corpo nenhum vale o sacrifício de SONHAR com chocolate.

    Eu mesma ainda tenho muitos problemas de auto-estima, fico sempre querendo perder aqueles três quilinhos, e imagino como minha vida seria melhor se eu fosse mais magra. Eu ainda frequento academia mesmo odiando fazer exercício (tá, tem uma questão de saúde aí também) e vira e mexe penso em fazer uma plástica. Eu ainda pinto e faço progressiva no cabelo. Mas eu tento, passo a passo, me libertar dos padrões que são impostos a mim (tanto pelos outros quanto por mim mesma).

    Mas não vale a pena entrar numa mesa de cirurgia desnecessariamente. Não vale a pena abdicar do prazer de comer (sério, cara, comer é bom demais). Te garanto que quando você começar a se sentir melhor consigo mesma e fazer as coisas que você gosta (e se fazer exercício é uma delas, melhor ainda), vai se sentir mais bonita. Sério, repara como gente feliz é mais bonita! Eu acho um charme aquelas ruguinhas no canto do olho de quem está sempre rindo.

  8. Resumindo minha história, pra não deixar um testamento aqui:

    Eu fui uma criança obesa, uma pré-adolescente magrela e uma adolescente no peso “normal” (que, pra mim, seria de 56~58kg). Porém, nos últimos dois anos, eu saí de 60kg pra 75kg, de volta pra 58kg e agora com 68kg. Não cheguei à obesidade, então quero deixar claro aqui que o que eu passei não chega nem perto do relato da autora. Não quero fazer uma falsa simetria, nem me apropriar do sofrimento alheio. Só quero dividir o meu relato que, apesar de “menos denso” que esse, é parecido em determinadas formas.

    Mas enfim. Com 58kg, eu estava com um corpão padrão: magra e gostosa. Mas porra, eu não era feliz. Eu não comia direito, e eu tenho um mau humor TERRÍVEL quando fico sem comer. Minha família diz que alimentada eu sou o Bruce Banner, sem comida eu sou o Hulk. Imagina como eu era, linda e insuportável. Gostosa e afastando os amigos. Magra e chata.

    Um belo dia cansei, larguei dieta e mantive só o exercício (porque me faz um bem danado, melhorou muito minha disposição pra tudo: sexo, trabalho, lazer). Hoje estou gordinha (não sou obesa e, como disse, não quero me apropriar de um sofrimento que não passei, mas o meu peso já foi motivo de alguns “Vai gordinha!” na rua), com 10 quilos “acima do meu peso”, mas me aceitei, me acho linda, como e não viro Hulk: hoje, gorda, sou feliz. Feliz como nunca fui quando fiquei magra.

  9. Querida Leticia (desculpe a intimidade: eu a chamo de querida, porque sou grande admiradora de seus textos. Mesmo. Li todos, desde a época inicial dos Cem homens, depois li os do Cem + 1. Você escreve muito bem e tem coragem para tocar em temas delicados.)

    Sou eu, a moça dos e-mails. Não vou falar meu nome, mas você pode confirmar pelo e-mail que vou colocar aqui (sei que você não publica nossos e-mails).

    Mas, enfim, só queria agradecer a você por ter me respondido. Eu concordo TOTALMENTE com você racionalmente, mas, mesmo assim, não consigo tirar a canga na praia. E tenho muita vergonha do meu corpo.

    Sou pequena (menos de 1,60m. E peso 90kg) E não consigo transar com os caras com quem fico, pois tenho dois medos: 1) que eles me humilhem ou contem para os outros depois que pegaram uma baranga. 2) que tenham pena de mim.

    Existe pior sentimento do que PENA??? Será que, se meu corpo melhorar a forma, eu vou me sentir melhor comigo mesma algum dia? Estou lendo todos os comentários dos seus leitores e agradeço a todos. Saibam que estão me ajudando muito, pois não consigo falar sobre isso facilmente.

    Não pensem que eu sou uma alienada e fútil. Não é que eu queira ficar linda-maravilhosa e nem que eu queira receber elogios: eu só não quero sofrer. Não quero elogios ao me corpo: só quero que não o critiquem ou me humilhem por conta da aparência.

    Não quero mais que me apontem na rua e me chamem de GORDA. Não quero que aconteça comigo o que aconteceu com a moça humilhada pelo “Papo de homem” por ser GORDA. Eu sei o que é ser xingada na rua de gorda, de bola, de elefanta, de porca-gorda e sei o quanto é doloroso.

    Eu faria qualquer coisa para deixar de sofrer com o preconceito alheio. Preconceito que eu, agora, tenho dentro de mim, contra minha própria imagem. É como se eu valesse menos como pessoa por não ser bonita.

    É como se ser bonita fosse a única coisa que importasse. E NÃO É! Racionalmente, eu sei que não é. Só que, na prática, não consigo reagir. Eu tenho vergonha de mim. Mas eu não julgo as pessoas pela beleza (ou falta dela). Não me interesso só por homens sarados ou dentro do padrão.

    Não falo mal da aparência das outras pessoas. Não faço comentários maldosos de outras meninas. E, como disse, não sou rica. Trabalho 8h por dia, todos os dias.

    E vou gastar tudo o que sobra do meu dinheiro em clínicas de estética e poupança para plásticas?? Por que eu sou assim? Por que eu não sei ser como você, Letícia? Por que eu me escondo e tenho vergonha do meu corpo? Onde foi que aprendi que homem só liga para beleza e ponto? Por que o suposto desejo deles tem que guiar minha vida? V

    Vou, sim, procurar um psicólogo. Não conheço nenhum. Gostaria de uma indicação de vocês: o que é melhor? Psicanálise? Ou outras linhas da Psicologia? Obrigada, de coração, a TODOS pelos comentários.

    • Oi, Leitora. Acredito que vc se daria bem com a terapia cognitivo-comportamental. É um tipo de psicoterapia mais focada em certos tipos de problema, costuma ser mais breve que a maioria (depende do caso, é claro) e tem ótimos resultados para questões ligadas a auto-estima como as que vc relatou por aqui.
      Boa-sorte. Eu sei um pouco como é estar no seu lugar e fazer alguns meses (pouco menos de um ano) terapia cognitivo-comportamental me ajudou bastante.
      Beijos

    • Amiga.. Pare com isso…
      Eu tenho estrias, meu namorado também tem (huauahuua) às vezes ficamos rindo um das estrias do outro…
      Tenho orelhas grandes, e estou um pouquinho acima do peso, sabe o que ele fala? Que estou muito gostosa!

      Você precisa mesmo de alguém que te ame como você é, e acima de tudo, precisa se amar e se valorizar.

      O cara te acha gorda?
      Parte pra outro, manda ele procurar uma Barbie pra ficar com ele.. Duvido que encontre.

      Você sabia que no início do século passado a mulher dita “bonita” tinha que ser gorda?

      Temos que ser gente de verdade… Abaixo a diadura holywoodiana da magreza!

  10. Bom, faz tempo que nao comento aqui, mas esse é um assunto muito importante pra mim e acho otimo que esteja escrevendo sobre isso.

    Ao contrário dos comentários e dos relatos aqui, eu tenho uma excelente auto estima. Mas nem sempre fui assim também. A Nadia me conhece pessoalmente, minha bunda é famosa nos lives que ela faz, mas eu era quieta, tímida, magrinha (embora minha mae me chamasse de roliça pq eu nao tinha cintura). Tinha colegas de escola q me usavam na unica coisa q elas nao tinham: inteligência. E se achavam super espertas por isso e falavam mal de mim pelas costas, mas sempre fiquei quieta pq queria ser aceita no grupo. Aos 13 anos resolvi, por mim mesma, que tava de saco cheio disso tudo e que a partir daquele dia eu não mais me importaria com o que os outros pensam e que quem quisesse gostar de mim seria do jeito que eu sou e se não estivesse bom, não precisava daquilo.
    Foi fácil? Não foi. Não é. Mas muito além da auto estima, eu resolvi ter amor próprio. Eu olho no espelho todos os dias e digo (penso) que eu me amo. E é só isso que importa. É um exercício diário.
    Tá, Mariana, é fácil falar pq vc é branca, tem cabelo liso, (era) magra. Não, não é fácil. Vcs enxergam isso, eu enxergo o nariz torto, o rosto redondo que parece que tem um papo no pescoço. Mas eu continuo me amando, além das imperfeições. Eu sou dona de mim e da minha felicidade, não deposito e não deixo ninguém ter controle dela. E eu fui rejeitada por caras que era apaixonada pq eu era “rodada”, “fácil”, tinha fama no colégio de puta, embora, na época, sem motivo. E pq? Pq eu deixava acharem o que quisessem achar, não ligava. Tacava o foda-se mesmo. Ah, e tinha 16 anos.
    Depois de ler alguns textos me descobri em situações que não percebi antes. Namorei durante quase 6 anos e engordei 20kg nesse tempo. Passei de 55kg para 75kg no fim do namoro. E meu namorado não se conformava com isso. Pintei o cabelo de vermelho, ele tb não gostou. Mas eu nunca me encomodei com o peso nem com a cor do cabelo. Não acho que eu seja gorda (tenho 1,68), mas ele dizia, na minha cara, com todas as letras que eu era. Doeu? Doeu sim, muito. Minou um pouco da minha auto estima tb, mas nao me dei por vencida e disse q se ele nao estivesse satisfeito que era livre pra achar outra. Bom, foi o q ele fez. E o que eu fiz? Fui viver minha vida. Pq nao preciso estar com ninguem pra ser feliz. Mas achei alguém que me faz feliz, que gosta de mim do jeito que eu sou, que nao enxerga a gordura, celulite ou estria nem nada assim.
    Entao pq perder o tempo de vcs tentando corresponder as expectativas dos outros, ao que os outros acham melhor ou mais bonito e nao a vcs mesmas? Pq agradar os outros antes de agradar a si mesma? Pq trocar um brigadeiro por um talo de aipo? Pra quem?
    Vc só tem essa vida pra viver, essa chance de ser feliz. Vá ser feliz e pare de se incomodar com o que os outros acham. NÃO É FÁCIL! Dá trabalho e é um exercício diário. Mas garanto que é mais barato, mais prazeroso e o resultado é melhor do que qualquer academia, cirurgia ou ter alguém ao seu lado que não te aceita.

  11. Depois de superar anos de ódio ao meu corpo, sinto-me triste de ver um relato desses. Eu já emagreci e fiz coisas bizarras pra adaptar meu corpo ao que achava ser a perfeição. Descobri da pior forma que perfeição não existe e que o vazio só é preenchido quando você se aceita do seu jeito.

  12. Vou pedir licença a Letícia, e responder a leitora com a minha experiência pessoal.
    Eu sempre fui magra, criança varetinha daquelas que além de serem magras não gostavam de comer. Depois da menstruação ganhei um corpo cheio de curvas, e lá estava eu, uma menina de 11 anos que não sabia lidar com a atenção masculina. Parecia bem mais velha que a maioria e odiava brincar de boneca e ouvir “cantadas” nas ruas ao mesmo tempo,isso me causava asco e vergonha. Parei de ir a clubes, usar roupas curtas, fazia de tudo pra disfarçar. Com 15 anos eu tive uma depressão fortíssima, e isso trouxe um ganho de peso considerável. Imagina a ironia, eu me escondia pq tinha vergonha da minha sexualidade e agora me escondia pelo excesso de peso. Depois dos 18 decidi fazer regime por conta própria, e ai tive anorexia. ouvia muitas perguntas do tipo : “Vc está bem? Está doente”? .
    Faço tratamento psiquiátrico desde os 15, mas quando mudei de médico aos 23, ele se assustou com a minha aparência e a reação dele foi no mínimo anti profissional. Ele me xingou , disse que eu deveria ter vergonha por ele ter que me passar uma dose infantil, por causa do meu peso. Devido a outros problemas mudei de médico outra vez, e esse me tratou. Fui diagnosticada com anorexia nervosa, dismorfia corporal tudo proveniente de um transtorno de humor. Sabe pq te contei isso tudo? Pra te dizer que se vc não souber a origem do seu problema, não fará diferença vc emagrecer. Eu estive dentro dos padrões, fora dos padrões, e anoréxica… sabe quando fui realmente feliz? NUNCA. às vezes temos problemas tão enraizados que não nos damos conta de que o problema é mais complexo. Eu ainda me acho gorda, eu ainda tenho vergonha de perceber que estou chamando atenção de homens….mas estou atrás da origem.
    O que vc está fazendo é pintar uma parede que está precisando ser derrubada. pense nisso, e desculpe pelo relato grande.

  13. Lendo seu texto percebo que estou com problemas sérios. Eu era magra e dentro dos tais padrões (crueis e idiotas) de beleza. Então, eu tive depressão, engordei muito, muito mesmo. Fiz tratamento – faço, alias -, e melhorei um pouco. :Mas nada de emagrecer. Minha vida agora, além de trabalhar, se resume a me esforçar pra voltar a ser magra. Triste. Eu vejo o quanto é melhor e mais justo comigo gostar de mim como eu estou, mas na hora de me aceitar, não consigo. Tá muito ruim. Nem faço mais nada. Adeus namoros, festas, bares, amigos.

  14. Sabe… eu aos 11 anos comecei a engordar. Tenho uma tia que é neurótica por aparencia. Ouvi da minha tia avó uma vez ao chegar em um almoço de família: NOSSA COMO VC ESTÁ GORDA MENINA! E minha vida foi assim.Até ontem. Hoje com 30 anos estou em uma luta interna. E por incrível que pareça ela não é pela aparencia. E é por isso que vou vence-la! É uma luta pela saúde. Estou sem saúde. Comi muito e muito mais do que meu 1,53 podia carregar e agora com 74 quilos quero ser SAUDÁVEL. ( comecei minha batalha interna com 79 quilos). Sabe qual é minha meta de peso? Não? Poxa! Eu tb não sei!!! Acredita? Porque eu não tenho meta de peso. Tenho meta de vida : Ser saudável. E na boa? Se eu fosse uma gordinha saudável ia continuar assim mesmo. Tava na boa com o corpo! Fiz redução de seio aos 19 anos. Nesse caso a estética foi a última a pesar. O seio pesava mesmo. Eu usava um sutien 52! Pensa… Foi um alívio para minha coluna. Se ficou bom? Sim ficou. Mas foi um porre pq doí. Eu só fiz pq PRECISAVA! Sabe do que mais? Tá todo mundo louco! Essas dietas de cortar carboidrato, esses tratamentos dolorosos e duvidosos, essa mania, essa obsessão… sabe? Quero só minhas taxas em ordem. Quero só não ser diabética. Pra mim , se eu não virar hipertensa já tô super feliz. Cansei. Tô fazendo direito pra viver mais. Obviamente emagreci pq comecei a tomar mais cuidado com a saude. Se fez diferença na minha vida como um todo? Ainda não viu… Meus amigos são os mesmos, meu noivo me ama igual, minhas contas pra pagar estouram no final do mês, meus pais são os melhores do mundo e eu continuo precisando fazer uma pós graduação. E isso tudo NÃO VAI MUDAR SE EU FICAR MAGRA!!!!! Me libertei e sério… foi revelador!!!!

  15. Gente, vou chover no molhado aqui. Tb sofri bullying na infância e adolescência, já pesei 17 quilos a mais do meu peso atual (tenho 1,58m e peso 67 kgs), já cheguei aos 84 kgs. Faço terapia, mudei de área profissional, recomecei. Já fui mais magra e muito infeliz. Tenho 31 anos. Se eu pudesse dizer algo, o que seria? Invista na sua auto aceitação, no teu fortalecimento como mulher, auto-conhecimento, auto-estima. Isso independe do teu peso, por mais que agora tu não acredites nisso. Tem um montão de livros legais a respeito, agora mesmo estou lendo um (o título é ” descobrindo o prazer além da comida”). E sobre o corpo, não conheci uma pessoa nessa vida que não tenha estrias. Tive uma amiga magra que teve pelo crescimento repentino e eu tenho por variação de peso. Acho que o padrão de beleza é extremamente rígido, que temos que ser magras e todo esse blablabla. Eu sou gaúcha, de Porto Alegre. E percebo que mesmo que eu seja bonita, estou longe do padrão daqui, tanto fisicamente qto até no meu estilo. Mas quer saber? Foda-se, nunca fui tão eu.

  16. Letícia,
    Sabe o que me deixa mais chateada?
    É a mídia, até mesmo considerada mais esclarecida, perpetuar determinafos padrões de beleza.
    Exemplo: se vc for magra, bonita, bem vestida terá mais condições de ascender profissionalmente, conseguir amigos bacanas, fazer amizades mais facilmente.

    Vc já ouviu a respeito do livro Capital Erótico? Sou contra a censura, mas esse livro, pelos comentários que eu li, deveria ser censurado (estou exagerando, mas que esse livro é uma perpetuação de estereótipos é inegável)

  17. Gente, esse post me lembrou de um “causo”. Minha cunhada estava fazendo um curso de estética. Pra ajudar me ofereci como cobaia. Felizmente n tinha nenhum procedimento dolorido e alguns eram até relaxantes por incluir massagens e cremes. As vezes quase tirava um cochilo. La estava eu tranquila e minha cunhada veio comentar das minhas estrias (Tenho muitíssimas na coxa, mas sinceramente nunca me incomodou.) Ela chamou a professora dela e perguntou o que era bom pra diminuir. A professora sugeriu um procedimento com ÁCIDO e ainda deu umas instruções para tomar cuidado pois o mal uso poderia queimar a pele. Achei tudo bizarro mas fiquei quieta. Depois minha cunhada soltou: “Depois a gente pode testar esse tratamento q a professora contou”. Fiz cara de: ahannn, um dia a gente marca e nunca mais comentei o assunto. Na hora lembrei do Duas Caras, do Batman. Até q ponto se chega pela “beleza”.

  18. Sinceramente? Qualquer homem que não for virgem e alienado sabe que uma garota gorda tem mais chances de ter estria e celulite. Normal. Eu peso 46kg (sou ainda mais baixa que você) e tenho estrias brancas na lateral da bunda. Tipo essa guria aqui que, aliás, é modelo da American Apparel http://i.americanapparel.net/storefront/photos/fullscreen.html?l=1&i=http://i.americanapparel.net/storefront/photos/morephotos/rsa8357p/rsa8357p_04.jpg

    Eu acho que você está “overthinking”. Encanando com detalhes bobos que não importam.

  19. Este relato é impressionante.
    Concordo com muitas pessoas que comentaram. Antes de gastar todo dinheiro com tratamentos estéticos, ela deveria procurar ajuda de médica.
    Conheço pessoas que emagreceram, fizeram todas as cirurgias, ficaram lindas (como a sociedade manda) e continuam infelizes.
    Eu fiz a cirurgia no seio, por estética e por dor nas costas, recomendo quem tem vontade de fazer…porque é frustrante você querer usar um vestido tomara-que-caia e ele realmente cair ou ter que comprar uma camisa 2 números maior só para os botões fecharem nesta parte do corpo.
    Mas já posso te adiantar que o seios não ficam apontados para a lua por muito tempo. Depois de um ano a pele vai cedendo e eles sofrem uma queda.
    Não me arrependo de ter feito, fui muito feliz na minha escolha, mas não se iluda que eles serão seios “de capa de revista” para sempre.
    Faço drenagem linfática e frequento a academia, porém tudo para o MEU bem estar. Não emagreci nenhuma grama com a prática de exercício pois não me esforço para manter dietas, mas a academia me da disposição e também oportunidades de conviver com pessoas legais.
    O importante é se resolver consigo mesma e todo o resto conspira à seu favor.
    Sou gorda e sou MUITO feliz!

  20. Leticia, nesse post e nos comentários foi mencionado o termo “dismorfia” e eu lembrei de algo que está acontecendo comigo. Sempre se fala muito da pessoa que é magra mas se vê gorda (esse é o princípio da anorexia, né). Só que comigo tem acontecido o contrário.
    Eu passei a maior parte dos últimos 13 anos com o peso em torno de 77 kg (tenho 1,69 cm). Durante esse tempo sempre fui considerada gorda, por mim e pelos outros, mas o fato de conseguir manter essa estabilidade ja me deixava satisfeita. Só que de dois anos pra cá eu engordei uns 12 kg (depois de terminar a faculdade, ficar desempregada, sem nada p fazer a ñ ser passar o dia jogada na cama comendo, assistindo TV e navegando na internet, não é de se surpreender um resultado desse). O fato é que eu acho que ainda não me acostumei com esse novo corpo.
    Sei que estou mais gorda pelas roupas que não fecham mais (passei de 46 p 48) e pelo peso na balança. Mas não consigo perceber, na minha aparência, essa mudança. Percebo isso quando planejo uma roupa p vestir e, ao me olhar do espelho, vejo o quanto está diferente do que imaginei. Na minha cabeça, eu me vejo magra. Como é que pode?!
    O ruim é que por isso eu tenho tido dificuldade em escolher roupas adequadas, além de que acabo relaxando mais, por não me dar conta do aumento de peso.
    Será que isso é só uma fase, ja que faz pouco tempo que eu engordei?

    • Pode ser só uma fase sim, mas de fato você pode não ter consciência do seu peso. Um amigo precisou fazer terapia para cuidar disso antes de fazer a bariátrica. Ele não se enxergava obeso e não via necessidade da cirurgia. E ele realmente precisava.

  21. Eu li o texto e o relato da leitora, mas a pergunta ‘dieta pra quem’ está reverberando na minha cabeça. Justamente pq estou no meio de um processo destes. Explico rapidamente: estou morando com o meu namorado há quase um ano e engordei quase 10 kg num período de seis meses. Em junho, por pressão (não imposição) eu acabei me matriculando numa academia. Foi uma excelente decisão, tenho me sentido mt bem com os exercícios. Só que não emagreci nada nos últimos 4 meses. Fico frustrada, pq tenho frequentado – apesar das minhas fartas escapulidas da dieta. Só estou comentando isso aqui pq é bem isso (refletindo agora). Estou frustrada não pq esteja me sentindo péssima com meu corpo, vou à praia de biquini, boto vestido, lingerie etc e tal. Estou frustada pq o olhar dele do meu corpo não mudou e eu estou agora me questionando pq isso importa tanto. Essa coisa de aceitação é foda, querer a aceitação – e mais q isso, a admiração – do outro pode enlouquecer um. Enfim, que a mulher do relato consiga se aceitar sem q pra isso seja necessário um olhar de aprovação. É isso q eu tbm estou tentando fazer.

  22. Belíssimo post, Letícia! Quando ela disse que podia gastar um carro logo pensei que ela podia ir viajar, e depois você mesma disse isso. Com essa grana, ela podia viajar, conhecer um monte de coisa bacana, ter um monte de experiência e se tornar alguém muito mais interessante, o que é bem melhor que ter um peito que não cai pro lado.

  23. numa boa, eu fui magra e desde sempre meus seios caem para os lados. isso tem a ver com o tamanho e consistencia deles, e isso é genético. e também tem a ver com o tanto de musculatura que a gente tem por baixo sustentando – os peitorais. assim como as estrias, fase de crescimento é isso, a pele não dá conta, a não ser que sua mãe seja daquelas que lembra de passar creminho na criança, e mesmo assim na pré adolescencia eu não deixava minha mãe chegar perto e arremessava os cremes todos de volta nela rs.

    vamos cair na real, que padrão de beleza é esse que a gente imagina que tem que seguir?

  24. Eu acho importante dizer que vergonha do próprio corpo nem sempre tem a ver com aparência. É uma ilusão achar que vai conseguir tirar a roupa na frente dos outros depois de emagrecer e fazer plástica. Digo isso porque, na minha adolescência, eu praticava exercício intenso havia muitos anos, de forma que meu corpo estava totalmente dentro dos padrões exigidos pela sociedade. Eu era magra (mas com músculos), peituda, tinha pouquíssimas estrias e nenhuma celulite. Mesmo assim, nunca ficava de biquíni na praia. É importante dizer que eu não achava que meu corpo era feio. Como a maioria das adolescentes, eu enxergava vários defeitos inexistentes, mas sabia que meu corpo era considerado bonito, pois só recebia elogio das pessoas. Nessa época, eu até admirava meninas cujo corpo eu considerava perfeito, do jeito que eu gostaria que o meu fosse. Mas me lembro de admirar bem mais as pessoas que eu percebia estarem à vontade na praia, independentemente do tipo de corpo. Ficou claro pra mim que o que eu mais queria não era um corpo perfeito. O que eu queria era me sentir à vontade.

    O fato é que até hoje, 15 anos depois, não me sinto confortável de biquíni, mas sei que isso nada tem a ver com a minha aparência. Tem a ver com exposição. Eu tenho problema em me sentir exposta, e isso não se limita à parte física. Nem sei explicar direito, porque nunca tive problema em ficar pelada na frente de namorados. Porém, em situações de sexo casual, eu só não tinha vergonha durante o sexo. Depois, me sentia constrangida com tanta intimidade. Eu sei que é este o meu problema: eu não quero que as pessoas me conheçam tão bem.

    Por isso, acho bom a leitora pensar melhor antes de tomar uma medida extrema (plástica) e gastar todo o seu dinheiro em tratamentos dolorosos. Ela pergunta: “Por que tenho que me submeter a tanto sofrimento?”. A pergunta é: Por que você quer tanto agradar esse tipo de pessoa (fútil), se nem você mesma é assim? Bem mais saudável e econômico do que tentar se tornar uma gostosa é se tornar alguém que se sente à vontade.

    • Gostei do seu comentário. Muito correto. Acho que o ficar a vontade demora muito e so depois de muita conscientização de que ninguém é perfeito. Vc vai a praia e nao vê corpos perfeitos. Uma vez alguém me disse que ali é o melhor lugar para acabar com os complexos.
      Eu hoje em dia estou acima do peso, com estrias, celulite e alguma que outra parte fazendo jus a lei da gravidade mas uso biquíni (nao mini biquíni brasileiro que é desconfortável rs.) e nao to nem aí, se no Brasil nao fosse proibido faria top less so porque é mais confortável. E pensar que quando tinha 20 anos e magríssima so usava maio e morria de vergonha! Rs

  25. Nossa eu estou até agora me perguntando se esse relato é verdade! Não que eu não acredite que exista gente de auto estima péssima (eu mesma já me senti um lixo) mas fiquei de cara! É MUITO TRISTE ISSO. Olha o que a mídia faz com uma pessoa, olha o que a sociedade faz! Sério até então eu era leiga no assunto nem me dava conta o quanto isso tem efeito sobre uma pessoa.Descobri os cem homens faz algum tempo e comecei a ler me identifiquei e até pensei:” sou feminista e nem sabia!” Parabéns a Letícia seus textos são muito bons!

  26. Achei muito interessante seu questionamento acerca de modelos fabricados de beleza e algumas consequências sobre as mulheres. Pensar não faz mal a ninguém e fico feliz que você tenha estimulado isso com esse post. Mas vou te dizer, eu sou um homem com aparência ruim, sem aspas mesmo. É realmente muito complicado viver com uma aparência não atraente, é complicado. Mas fica aí o tema.
    Abraços
    Ricardo.

  27. Letícia, maravilhoso o seu post. Ha alguns dias atras uma amiga minha (acima do peso mas nao obesa) veio me dizer toda feliz que fará operação do estômago para emagrecer. Fiquei e estou muito triste porque sei que ela terá de tomar complexos vitaminacos e outras coisas pro resto da vida, além de outros problemas que pode vir a ter. Essa operação é muito recente e ainda nao sabemos os efeitos a longo prazo. Mas parece que nunca mais o organismo será capaz de absorver todas as vitaminais e nutrientes necessários. Além do mais é uma operação e como tal pode ter riscos.
    Tentei conversar com ela tentei explicar esses pontos médicos mas principalmente lhe expliquei exatamente isso que vc diz no seu post: mesmo que ela fique magríssima, isso nao é garantia de felicidade. Eu mesma sempre fui gordinha e sofri muito bullying durante toda a minha adolescência. Aos meus 20 anos fiz um super regime fiquei margrerrima. A principio é verdade que a minha auto estima aumentou. Finalmente podia usar roupas “normais” e nao para senhoras de idade, me sentia bonita e aceita socialmente. Algum tempo depois vi que nada tinha mudado na verdade, mais rapazes se aproximaram mas nenhum realmente valia a pena e eu continuava com complexos, pois nao tinha tratado o corpo mas nao a mente. Alguns anos depois voltei a engordar porque tive uma separação muito traumática e outros fatores na minha vida que me abalaram. Mas pouco a pouco com a ajuda de verdadeiros amigos dessa vez tratei a cabeça. Nunca mais voltei a ficar magra, apesar que ao deixar de ficar fazendo regime deixei de ficar engordando e emagrecendo, me estabilizei num peso que segundo o medico melhor estar acima do peso mas constante do que ficar engordando e emagrecendo.
    Além do mais passei a me valorizar mais e a fazer coisas que realmente me faziam feliz e aprendi que quando uma pessoa realmente gosta de vc pouco importa se vc esta gordo ou magro, alto ou baixo. Eu por ex, o meu ideal de homem bonito era alto, loiro e bem formado, mas meu ultimo namorado era moreno baixinho e obeso. E fomos muito felizes. Ele era um cara genial, pouco me importava a sua aparência física, ao contrario, depois dele revi as minh preferencias e conceitos e hoje ate prefiro aos rapazes acima do peso.
    Tentei explicar para esta amiga que a sociedade nao merece que ela se mutile, que a sociedade é muito escrota, que poucas pessoas valem a pena e essas nunca vão querer que vc se mutile, mas nao adiantou.
    Ao contrario so me respondeu que ficava feliz que eu era resolvida com o meu peso, mas ela nao, sua vida social era uma merda nao conseguia arrumar namorado, etc.
    Eu tentei lhe dizer que mesmo quando eu era mais magra a minha vida social também era uma merda, porque tinha mais gente ao redor mas eram pessoas vazias e que meus namorados estiveram comigo por mim nao por como aparentava. Enfim Letícia, escreva alguma coisa sobre complexos e mutilação, é horrível, mulheres que mutilam os seu sexo para parecerem atrizes pornô, mulheres que mutilam seus estômagos para ficarem mais magras, mulheres que mutilam os seus seios para nao caírem (o que é natural, acho).
    Um abraço,

  28. Muito legal esse post,e eu como uma “gordinha gostosa”,vou contar a minha visão sobre isso.Tenho 24 anos,e uma filha de 3.Não,nunca mais eu consegui aquele corpinho que eu tinha,mas,isso nao me impede de me amar,de ser desejada.Estou sim,acima do meu peso….tenho um pouco de celulite,estrias…claro que essas bençãos me incomodam.Mas,se tratando do que os outros pensam…eu não ligo muito…acho que o que faz eu ainda conseguir ter uns paqueras,envolve sim,a estima bem resolvida.Posso ser gordinha,mas não por isso deixo de me arrumar,de andar cheirosa,e de usar roupas que valorizam o meu corpo.Quando se trata de sexo,sim,eu sinto vergonha.Mas,se eu ficar pensando no meu corpo,eu não vou curtir,gozar,e nem meu companheiro vai curtir também.Modéstia parte,já recebi muitos elogios na parte sexual,mas eu sei que se as coisa vão bem….é por que eu estou bem comigo mesmo…e isso é o importante,pra tudo na vida.Sou fofinha,sou carnudinha e extremamente feliz e bem resolvida!Vamos ser feliz meu povo!

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