Quem está te influenciando?

Nos comentários ao post de segunda-feira ficou óbvio que muitas das piadas sobre a nossa aparência física acontece dentro de casa. Triste, doloroso. Um pouco aterrorizante.

Afinal, são pessoas que teoricamente nos amam e deviam nos aceitar “apesar de”. Pais, mães, irmãos, tios e primos que nos conhecem. Sabem como somos engraçados, inteligentes, sensíveis, bondosos, criativos, talentosos. Eles deviam reconhecer isso – e celebrar nossas virtudes.

Mas acontece o contrário: colocam uma lupa em cima dos “defeitos”. Duvidam da nossa capacidade, dizem que nossos sonhos são impossíveis de realizar… e agridem fazendo piada sobre nossa aparência física.

Nem posso imaginar as marcas que tal comportamento deixa em cada um de nós. O que eu sei, pela minha experiência e pelo feedback aqui do blog, é que muitos de nós nos tornamos inseguros e duvidamos constantemente do nosso potencial.

Como nessa semana estou falando mais de aparência física, vou focar nisso. O complicado é que tais xingamentos acabam tendo consequências em outros campos, como nas relações amorosas. Se você é chamado de feia pela sua mãe (com quem, aliás, existe uma grande chance de você se parecer), como pode acreditar que o carinha gatíssimo da escola vai olhar justamente pra você?*

E, aí, a insegurança faz você nunca chegar perto do tal moço – ou fugir quando ele fala com você. “Ele só está de zoação”, você pensa. Ou então, se ele quebrar essa barreira invisível – e fortíssima – que você colocou à sua volta, você se sentirá a mulher mais sortuda do mundo. Mesmo que ele seja um escroto, um babaca, um idiota, você ainda assim vai achar que ele está fazendo um favor a você. Então a relação se torna abusiva.

Há muito o que dizer sobre quem devia nos proteger e acaba fazendo um péssimo trabalho. Sim, eu uso o verbo “dever”. Se você não tem condição/estrutura emocional para ter um filho, não tenha. Não é um boneco.

Mas eu quero falar, mesmo, é da representação do corpo na mídia. Todos nós sabemos quão photoshopadas as pessoas são para aparecer em qualquer revista. Você já viu uma ~celebridade~ de perto?

Cobrir eventos de celebs me fez ter uma ideia totalmente diferente daquelas “mulheres de corpo invejável”. No primeiro desfile que fui, as modelos usavam lingerie. Fiquei impressionadíssima. Tinha garota com metade do meu peso e o dobro das minhas celulites na bunda. Daí comecei a cobrir todo mês a coletiva da Playboy. Lançamentos de perfume. Prêmios. A cada evento, uma surpresa.

Primeiro: quase todas as mulheres são mais baixas do que parecem na televisão. As ~gostosonas~ são pequenas, bem pequenas. Muito magras. Muito mesmo. Teve uma atriz de TV que eu poderia jurar ser capaz de segurar na cintura dela, dando a volta, com uma mão só.

Então, antes mesmo da sessão de fotos em que a celebridade aparecerá com uma roupa incrível, sapatos idem, cabelo fabuloso e maquiagem impecável, ela já fez um montão de coisa. Lembro de uma reportagem antiiiiiiiga de O Globo (eu me mudei em 2008 para São Paulo, e li isso ainda no Rio, para vocês terem uma ideia) que mostrava quanto algumas atrizes gastavam com beleza.

À época, segundo o jornal, Deborah Secco gastava R$ 10 mil mensais só com salão. SÓ COM SALÃO. Provavelmente estavam incluídos tratamentos estéticos, tipo massagens e a tal carboxiterapia citada no post de ontem. Mas ela ainda tomava remédios, ia ao médico, dentista… com o fim de cuidar da beleza.

Querem ver um exemplo de como um dentista modifica muuuuuuuuuuito a aparência de alguém?

Veja essa foto antiga da Flavia Alessandra (ao lado de Adriana Esteves). Repare no nariz e na cor dos dentes.

Agora olhe essa:

Não vou nem falar das transformações de mulheres como Adriane Galisteu ou Sheila Melo, porque aí seria covardia. Peguei fotos de uma mulher que já era considerada bonita quando mais jovem e agora.

Também não menciono os conhecidos casos de transtornos alimentares. Recentemente ficamos sabendo de Christina Aguilera e de Nicole Scherzinger. Esta última, aliás, vi pessoalmente no lançamento da coleção da C&A assinada por ela.

Mas como a gente consegue ignorar essa verdadeira lavagem cerebral que fazem na gente? Sei lá. Um bom começo talvez seja policiarmos nossas próprias atitudes. Por que a gente faz comentários sobre a aparência física de uma celebridade? Mesmo que a atriz seja fodíssima, muitas vezes a gente diz “nossa, mas como está velha, podia fazer um botox”.

Observe com atenção as revistas femininas que você compra. As personagens (mulheres entrevistadas numa reportagem normal, sem serem mulheres famosas) são sempre brancas, magras e de cabelo liso? Você já viu uma gorda? Uma negra? E, ao sair na rua, quantas você viu? Muitas, né? Então por que não há representação dessas mulheres nas revistas que você compra?

A imagem abaixo traz dados impressionantes sobre as mulheres americanas. Claro que temos diferenças culturais importantes, mas os sinais de alerta devem estar ligados.

Vamos aos dados mais importantes:

- A maioria das modelos de passarela têm IMC correspondentes à anorexia.

- Dez anos atrás as modelos plus size vestiam entre números 12 e 18 (44 a 50, no Brasil). Hoje, elas estão entre 6 e 14 (38 a 46). TRINTA E OITO, GENTE.

- 4 entre 5 americanas estão insatisfeitas com seus corpos.

- 90% delas superestimam o próprio tamanho.

- 80% das mulheres disseram à revista People que imagens de mulheres na TV e no cinema as deixam inseguras.

A quem serve tudo isso? Pior que a paranóia está tão alucinante que não basta mais ser magra, ter cabelo liso, pele sem marcas, dentes perfeitos. Agora, até a cor da buceta é cobrada. Precisa ser rosinha. E se os lábios da vulva estiverem “fora do padrão”, faça uma plástica!

Quando eu era mais jovem e não conhecia muito bem as bucetas alheias, eu achava que havia algo de errado com a minha. Juro. Eu via as mulheres peladas nas revistas e ficava pensando porque eu era diferente. É daí que estamos tirando nosso ideal de beleza? A leitora do post de ontem disse “meus peitos caem para os lados”. Provavelmente ela passou pelo mesmo que eu: vê as mulheres posando e pensa “meu peito não fica assim, apontado pro céu”. Ela esquece que muitas dessas modelos passaram por cirurgias plásticas, adotam a tática de levantarem os braços (para os seios levantarem também) e tiram zilhões de fotos para que aproveitem as melhores.

E aí, no final do post, eu deixo uma pergunta: o que você acharia bonito se ninguém tivesse te dito o que é bonito?

*sobre isso, aliás, tenho uma história ~curiosa~. dizem que sou muito parecida com uma pessoa da minha família. daí uma vez essa pessoa (é um cara) me chamou de feia. respondi: “ué, mas a gente é igual!”. “ah, mas é que esse rosto fica bom em homem, não em mulher”. bacana, né? NÃO.

35 pensamentos em “Quem está te influenciando?

  1. Lendo esses posts, me lembrei de uma história que aconteceu comigo.
    Moro em São Paulo. Peguei certa vez um táxi para ir do Mackenzie ao Shopping Higienópolis (porque estava chovendo muito), e ao dizer ao taxista que iria tão perto, ele disse:

    - Por isso que é gorda, não anda nem 2 quadras.

    Fiquei tão chocada na hora que fiquei totalmente sem reação. Jamais você espera que alguém tenha esse tipo de comportamento, ainda mais quando está ‘em serviço’. Minha vontade depois foi de gritar de ódio, raiva, decepção.
    A culpa é minha, afinal. Quem mandou não andar nem 2 quadras.

    Enfim, só passei para dizer que desse assunto de obesidade eu entendo, e que não é fácil. Nunca foi, e nunca será. Creio que só entenda quem já vivenciou isso na pele, quem já chorou no quarto escondida por não entrar nas roupas, ou porque levou um fora daquele ‘menino lindo’, por achar que ele/qualquer pessoa te rejeitou porque você é gorda.

    Até quando? Até quando seremos reféns dos nossos próprios corpos?

  2. É mais fácil vc evitar uma roupa, ou um biquini do que enfrentar os comentários e a crueldade das pessoas, às vezes, não é? Nisso de evitar roupas eu passei a evitar pessoas, reencontros e tal. Mas o cúmulo que eu fiz foi não aceitar conhecer os pais do meu namorado pra eles não saberem que sou gorda! Foi assim por 4 anos de namoro, sendo que os últimos 2 ele já morava comigo! Ele insistia mas me entendia, sei lá, respeitava meu tempo pq eu levei tb UM ANO namorando virtualmente sem aceitar conhecê-lo, pelo mesmo motivo. Isso que eu era 25kg mais magra do que sou hoje. Fiz terapia, tomo remédio e posso dizer que melhorei,superei o medo dos pais deles mas ainda me envergonho, apesar dos pais dele me tratarem super bem. O detalhe é que eu tinha vergonha de contar que não conhecia os pais dele pra minha família. Nossa, sei que sua caixa de comentários não é terapia. É só um relato do absurdo que é tudo isso. Eu tenho consciencia do absurdo e sempre tive mas não conseguia evitar. Contando assim, é mais ridículo ainda.

  3. Muito bom ler isso. Minha mãe até hoje faz umas cobranças doidas com meu peso (hoje bem bem menos do que antes). Tenho 19 anos e nos últimos 2 anos meu peso mudou pouco até. Antes, com 16/17 eu vestia 38 (36 às vezes). Agora, visto 42. Quando algumas calças começaram a apertar ela disse que eu precisava emagrecer (respondi: “ué, não é só comprar roupa maior?” mesmo assim, isso doeu em mim). Minha mãe é bem geração saúde, malha, faz musculação, tem o corpo todo durinho, surta com barriga (que ela não tem!!!) e com celulites, gosta de esportes, somos muito opostas nesse sentido.

    Mas, eu me gosto muito mais agora e quando emagreço um pouco (emagrecer normalmente, quando fico doente ou não como direito, nunca fiz dieta), sinto que falta algo. Aprendi amar minha barriga e minhas dobras, meus seios com mamilos invertidos (não faz biquinho, sabe? mas gosto na maior parte do tempo). Aprendi a gostar da minha altura, da minha bunda que acho sensual. O feminismo me ajudou de uma forma muito boa, porque descobrir que a mídia só quer me fazer sentir infeliz pra lucrar em cima do meu sofrimento, da minha dor, da minha vergonha, me fez entender que sou bonita como sou.

    • Também tenho mamilos invertidos. Uma vez um rapaz passando a mão por baixo da blusa estranhou e disse: Não era pra ter algo aqui?

      Desculpa o comentário totalmente fora do tema, é que nunca tiva visto alguém dizer que tinha também…..

      • Idem! HAHAHAHA

        Mamilos já são polêmicos, invertidos então… o resto da sociedade ignora a existência deles.

        Eu amo meus seios do jeito que são, nunca tive vergonha apesar de saber que é diferente. =P

  4. Eu tenho lábios internos e clitoris maiores que o normal. Eu assisto porn desde antes de ser virgem, e sempre soube que a minha buceta não era lá muito comum. Mas eu nunca liguei muito. Gosto de ser diferente.

    Um dia descobri a labiaplastia e na curiosidade fui ler mais sobre o assunto. Aí achei um fórum que uma mulherada de 20, 30 anos comentava que era virgem porque tinha vergonha da própria buceta e se recusava a transar até fazer a tal cirurgia. Porra…. eu fiquei de cara. A aparência da minha buceta nunca passou pela minha cabeça como algo ruim ou indesejável. Mas o pior mesmo foi ler que as que fizeram a cirurgia reclamavam que estavam sentindo muita dor na transa e que perderam muita capacidade de lubrificação, tinha que usar KY toda vez… ou seja, elas estão anulando o próprio prazer pra atender às >supostas< expectativas de homens que muitas vezes elas nem conhecem ainda.

    O mais irônico é que até hoje nenhum homem reclamou da minha buceta. Pelo contrário, foram só elogios e chupadas com gosto.

    Quanto às bucetas rosinhas, até hoje só vi mascu e babacas tipo do 4chan "cobrando" isso. Gente que não pega ninguém e está alienada por fotos e vídeos retocados.

    • Uma vez fui na gineco reclamar sobre isso também, dos grandes lábios serem ‘maiores’ do que o considerado ‘normal’, e ela me disse:

      - Para, boba! Isso te dá muito mais prazer.

      Parei, então.. rss

  5. Nossa, estou amando a “semana da auto estima”. Nao comentei nos outros posts, mas vou dividir meu comentário aqui:
    Primeiro de tudo: Eu acho de uma falta de educacao e de uma grosseria brutal fazer comentários sobre a aparência física das pessoas. Já fiz também, me arrependo e nao faco mais.
    Segundo: Também fui vítima da família, nao por ser gorda, mas por nao ser “magra do jeito certo” (que raios será isso?) e especialmente por ser MUITO branca. Mas claro, os insultos sempre foram justificados pela “preocupacao” com meu bem estar – eu deveria tomar sol para “fixar vitamina D” (sic) e melhorar minha alimentacao por que era “fraquinha” (ah tá). Muito novinha e tonta “obedeci” e anos mais tarde precisei remover um pré melanoma, que por muita, muita sorte mesmo foi tirado antes que se tornasse um câncer.
    Terceiro: Eu pessoalmente acho meu corpo bonito. Faco academia e gosto muito – trouxe uma qualidade de vida incrível e me ajudou na luta contra depressao. Normalmente me sinto muito segura, adoro meu corpo, estou 100% consciente da lavagem cerebral midiática. Porém, esse negócio é tao forte, tao poderoso que já perdi as contas quantas vezes me desesperei por causa daquela “gordurinha” da cintura, daquelas manchinhas do rosto, daquelas marquinhas no canto do olho. Também já deixei de sair por me sentir “feia”, há anos que nao vou na praia, e no verao sempre uso roupas que cubram o máximo possível das minhas pernas.
    A conclusao que eu cheguei é que nao importa como somos – sempre vai existir um otário para minar nossa auto estima, sempre com a desculpa de “estar preocupado” e sempre com a intencao mórbida de te ferir e humilhar. Além disso, a mídia é umas das coisas mais influentes e poderosas – você pode ser a pessoa mais segura do mundo mas em algum momento ela vai plantar a “semente do mal” e vai te enloquecer.
    Por fim, acho que a humanidade está na UTI e precisando urgentemente ser curada! Estamos precisando de litros de soro da humildade, umas injecoes concentradas de empatia, e muitas pílulas de bom senso – sem contar nas doses diárias de “semancol”. A mídia tem uma culpa imensa no cartório, mas se o ser humano fosse menos escroto esse tipo de coisa nao se criava!!!!
    (* por favor, desculpem a falta de acentuacao)

  6. Parabéns pelo post, e pela serie auto-estima. Muito bem escritos e infelizmente condizentes com a realidade… E aí eu pergunto, como mudar isso? A sociedade lucra milhões com a insegurança feminina e não tem nenhum interesse em mudar o cenário. Como fazer com que as mulheres, e principalmente meninas, deixem de ser vulneráveis a esse tipo de pressão?

  7. Pior a minha mãe, de quem sou cuspida e escarrada, igualzinha, tanto de corpo quanto de rosto diz que sou parecida com minha avó, gorda igual a ela, e ainda por cima, sempre disse que eu não era bonita, nunca me fez sentir bem, haja terapia pra melhorar o quao mal a gente se sente… agora engrenei numa RA e estou emagrecendo, mas por mim, já que a minha mãe tentoou a vida inteira e não conseguiu, vou fazer por mim, e também pra mostrar que sou capaz, quero qualidade de vida, mas também quero me sentir melhor num jeans!

  8. Essa questão de aparência sempre foi um peso pra mim. Eu lembro que desde criancinha eu me achava meio feia pq os meninos soh gostavam da loirinha e das meninas de cabelo liso, as duas de olhos claros. Quando entrei no ginásio tudo piorou, enquanto as meninas entraram na puberdade e ganharam peitinhos eu só cresci…muito, e virei uma tábua. Dos 11 aos 15 anos eu só recebi olhares risonhos de deboche, desprezo das meninas “bonitas” e escárnios dos meninos. Por vários motivos,ser muito alta, muito magra, muito tábua, muito dentuça, óculos, cabelo cheio. Eu mudei de escola e na nova o bullying foi pior, ninguém na minha família me dizia o contrário, non me diziam nada (minto, tenho 2 tios que sempre ressaltaram meus “defeitos”), minha mãe quis ir na escola falar com o diretor mas eu não deixei pq achei que ia piorar se descobrissem…aí tive que usar aqueles coletes ortopédicos, olha que graça.Eu tirei com 15 anos, aliás com 15 anos eu tive uma pequena fase de superação e felicidade onde cansei dessa merda e comecei a enfrentar os bullies, mas ainda era bem horrível, uma vez um menino da minha sala se matou e eles perguntavam quando eu ia me matar tb etc.Diziam que nem um cachorro me beijaria etc, até essa idade só fui pedida pra sair por 2 meninos (com 12 e 14 anos) mas descobri que só queriam ver se eu aceitava pra me humilharem depois, nos dois casos…igual naquele filme Nunca fui Beijada com a Drew Barrymore O_o. Com 16 arrumei um namorado lindo, loiro, dos olhos azuis, voz de trovão e guitarrista. e os bullies iam até ele (!) falar que ele era retardado pq poderia ter qualquer uma mas me quis ¬¬ , vou te falar que eu tinha vergonha que me vissem muito de melosidade com ele pq me sentia observada, julgada etcetc, isso atrapalhou.
    Com 19 anos eu fiquei com hipotireoidismo e engordei (e olha que já vinha engordando e ganhando corpo de “mulher”) então hoje sou o que chamam de falsa magra, pq minha bunda é imensa, mas eu tb tenho uma barriguinha…e agora todo mundo se acha no direito de apontar a porra da barriguinha (q non eh grande O_O, mas como non sou uma magra tábua né…), até uma desconhecida na rua uma vez! foi ridículo! Todos cobram que eu estejaa magra, perfeita e se der sem os meus zilhões de celulite (que non vão sumir pq sou branca e tenho bundon e coxon), ah pelamor neh. Eu tive todo um trabalho mental e consegui me livrar de 80% do peso do- tenho que estar nos padrões. Mas é difícil qd vc convive basicamente com mulheres que ficam sempre apontando eles. E agora pegaram mania aqui em casa de falar q eu era feia qd pré-adolescente mesmo ¬¬, mas que agora non sou mais e devia ficar feliz ¬¬. o meu namorado diz q eu era bonita. Eu ainda acho duvidoso meu namorado me achar bonita, Mas EU acho ele bonito e gostoso e ele non tá nos padrões. É da minha altura, tem uns cravos malditos que eu vivo espremendo, o cabelo maior que o meu e cheio, os dentes meio amarelos de tanto café e eh barrigudinho.
    Eu ando de metrô, trem e bus todo dia, vejo tanta gente linda e diferente. as pessoas tem que aprender a olhar as pessoas e de fato ver elas , ao invés de ficar buscando padrões.
    Falei pacarai. E agora to num curso técnico de massoterapia, teremos que ficar de biquini..e se rolar essas merdinhas já vou preparar o meu discurso U_U.

  9. A mulher que tem que se impor. Geralmente tem umas que ficam de mimimi só pra arrancar elogio. Parem de frescura, arregacem as mangas e vão trabalhar. E o homem que ficar de viadagem porque a mulher ta gorda ou não se depilou,que vá procurar o que interessa pra um cara desses: rola no rabo.

  10. Galera! Me animei a comentar pq tô vivendo uma coisa super legal!!!
    Sou magra. BEM magra. Sempre fui, sempre vou ser. Nasci assim e usei 38 até os 27 anos quando vim morar na Espanha. Nunca fiz regime nem esporte, simplesmente prefiro frutas aos doces. É estranho, mas é natural.
    Enfim. Tenho 31 e estou grávida do meu companheiro, espanhol.
    4 meses e meio. No começo, assim, no 3º mês, foi estranho. Meu corpo mudou muito. Meus peitos cresceram como melões e nenhuma calça servia. Não engordei, mas fiquei com muito mais curvas, mais carne, mais corpo.
    E aí está a experiência:
    1.) Comecei a AMAR doces! Viva essa loucura hormonal que faz a gente amar comidas que odiávamos e a odiar o alface que a gente amava! ahahaha
    2.) Nunca na vida os homens me olharam tanto. Nunca me senti tão GOSTOSA. Nunca, com tanta olheira e cara de cansada, recebi tanto assobio vindo trabalhar.
    Quero dizer que assim, nunca tive problemas com meu corpo. Era magra, era magra… nunca me preocupei com isso. Agora tô grande e me sinto um tesão.
    E espero 2 coisas desta experiência:
    1.) Que depois que os hormônios voltarem ao normal, eu continue amando comer doces.
    2.) Que eu nunca seja magrona de volta. Prefiro ser quem eu sou agora, mil vezes.

    beijos pra todas vcs, meninas-livres!!!

  11. eu comecei a engordar na pre-adolescencia (por volta dos 11 anos, idade em que menstruei pela primeira vez) e passei por todos os estagios do sobrepeso: fofinha, gordinha, gorda, obesa, obesa morbida. as vezes, ia de uma categoria pra outra, emagrecia, engordava, essa historia toda que vc tb deve conhecer bem.

    ate que, tres anos atras, eu sucumbi a todo esse terrorismo e fiz a reducao de estomago. eu admito que fui covarde, nao consegui sustentar meu discurso fraco de aceitacao. ta, nao vou dizer que nao fiquei feliz. eu tava com quase cem quilos pro meu 1.56 de altura e estava comecando a ter problemas ortopedicos e cardiacos, mas acredito que por ser sedentaria, nao por ser gorda. em outros tempos, qdo mesmo gorda eu me exercitava diariamente, tava tudo ok.

    tenho que confessar que foi muito bom ser esqualida por alguns meses (pq ne, uma hora o peso estabiliza e vc fica normal), encontrar roupas bonitas e baratas, comer chocolate sem ouvir piadinha, fazer a phyna no restaurante, nao ouvir ofensa, ser bem tratada por mulheres e homens. mas olha so um efeito colateral disso: a medida que alguns babacas passam a te considerar uma criatura comestivel, eles te julgam um ser menos apto intelectualmente. mulher feia=inteligente; mulher bonita=burra. de repente, eu tive que comecar a revalorizar minhas curvas encefalicas, que estavam meio adormecidas pelo excesso de auto-estima.

    uma coisa que eu acho muito escrota eh aquele calculo de IMC. serio, essa droga eh infalivel mesmo? pq eu sou um tamanho 12 e de acordo com o imc eu to com sobrepeso novamente. e, claro, a patrulha da perfeicao vai usar isso como argumento irrefutavel de que voce esta doente. e como argumentar contra a ciencia, ne?

  12. oi Leticia, estou amando a semana da auto estima. Raramente comento aqui, mas queria dizer que esta me fazendo refletir… tenho auto estima muito baixa, e concordo MUITO com você é preciso rever conceitos, refletir… muito bom o texto de hoje! beijos!

  13. Tenho 158cm de altura e peso 59 e sei la, me sinto gorda demais. nunca fui magra, apenas ano passado quando fiz dieta rígida. o problema é que essas dietas não funcionam e eu engordei no verão de volta e agora não consigo emagrecer mais, mesmo tendo uma alimentação saudável e normal (não rígida como antes) e fazendo bastante exercícios (mas exercícios eu adoro). eu gosto de ser saudável, me faz bem, mas eu não entendo porque não consigo ser magra de volta.
    é horrível, isso.

  14. Gostei do post. Só atentar pro machismo linguistico:
    seu post é sobre mulheres. Não faz sentido falar no masculino. E frases como “Se você é chamadO de feiA pela sua mãe” não são aceitáveis pra uma feminista.

  15. Leticia, você já leu “Mulheres que correm com Lobos”? Estou relendo e sabe-se lá porquê deu vontade de perguntar isso a você. Valeria um post no seu blog?
    beijos

  16. Concordo com um comentario acima.Realmente essa parada de buceta cor tal deve ser inventada por pessoas que nao tem muito contato com a realidade,outras pessoas.Ficam so em filmes pornos e achando que o que se mostra ali é o certo,que qlqr coisa que fuja daquilo nao esta nos padroes.

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