Lembro de mim mesma há quase um ano, netbook no colo, roubando wifi do vizinho, cartão de crédito na mão. Dedos nervosos. Naquele mesmo dia eu deveria estar em São Paulo, comemorando a aprovação na banca de TCC, feliz. Eu estava em Manaus porque tentava me recuperar de uma crise depressiva. A situação estava tão catastrófica que abandonei a minha banca (foi adiada e tudo deu certo depois).
A ansiedade era a de comprar ingresso para a primeira edição do Lollapalooza. Queria ver de perto (bom, nem tão de perto assim) os moços do Foster the People. Apesar da internet capenga, comprei.
Eu não sabia ainda que eles iriam se apresentar no Cine Joia em uma das Lolla Parties. Comprei entrada para aquela noite também. Só que eu não tinha companhia (nem pro Lolla, nem pro show no Joia). A depressão levou muitos dos meus “amigos”. Falei no Twitter minha condição de forever alone, e uma linda moça de batom vermelho na foto do avatar disse que ia.
Nunca havia falado com ela. Começamos a conversar e eu soube que partilhávamos muitas afinidades. Combinei de encontrá-la algumas horas antes do show para conversarmos. Eu estava desconfortável. Não com o fato de não a conhecer, mas porque naquela época, cinco meses depois de cair num buraco, eu ainda não fazia as coisas com prazer. Eu me forçava a tudo. Tudo: tomar banho, ler, conversar com as pessoas.
E ali, no Joia, achei que todo mundo estivesse vendo como eu estava mal vestida, como minhas olheiras eram gigantes, como eu dançava esquisito. Ainda assim me diverti.
Dois dias mais tarde era o momento do show no Jockey. Encontrei de novo a moça de batom vermelho, àquela altura já alçada à categoria de “minha neguinha” – era a Heleninha Lizo, que escreveu alguns dos textos que vocês leram no Cem +1. Além dela, tive a sempre incrível companhia de Vicky, amiga que eu também conheci por blog, mas isso já tem uma década.
Eu ainda estava meio esquisitona. Uma leitora me reconheceu na fila do refrigerante e eu quis morrer de vergonha. Daí choveu demais no show do MGMT. Adoro chuva. Lembro de olhar na direção da Marginal Pinheiros e ver os relâmpagos rasgando o céu. O som estava horrível e a banda parecia entediada. Eu, molhada da cabeça aos pés, nem ligava. Só queria dançar, rir, me divertir, curtir minhas negas, fazer piada do moço que parecia ter oitenta anos de idade, todo preocupado com a capa de chuva que havia esquecido sei lá com quem.
Ainda vi Friendly Fires, Arctic Monkeys e, é claro, o Foster. Na volta pra casa, enquanto esperava o ônibus, quis chorar. Depois de horas sem que a depressão aparecesse, ela veio feito avalanche. Eu segurei o choro.
Afinal, eu estava feliz e ela não ia me dominar de novo. Não mesmo.
Quando olho pra trás, reconheço sendo aquela semana o reinício da minha vida. Eu consigo lembrar de tudo o que aconteceu. Fiz piadas, gargalhei até a barriga doer, dancei meio Coisinha de Jesus. Eu fui feliz. 8 de abril de 2012. Eu fui feliz.
Hoje, ao ficar novamente com dedos nervosos para comprar ingresso para o Lolla do ano que vem, as imagens daquele domingo me vieram à mente. Infelizmente só pude comprar ingresso pra um dos dias – espero que não esgotem até o fim do mês e eu consiga comprar dos demais (aceito doações, obrigada).
Mas eu nem preciso esperar até março do ano que vem para ser feliz ali, naquele mesmo local. Sábado tem Planeta Terra. Na edição 2012 do meu ex festival favorito nem tem nenhuma banda que eu ame loucamente, mas estarei de novo na companhia da minha querida Vicky. Heleninha dessa vez está longe, muitos e muitos quilômetros de distância.
Claro que sentirei muita falta dela, mas o melhor de tudo ela já me deu: apareceu na minha vida e, com a ajuda dela (e de muitas outras pessoas), eu recomecei a viver. Sábado irei celebrar tudo isso com a Vicky, relembrando os momentos em que finalmente voltei a ser feliz.
***
(obrigada por tudo.)


Que legal vc , pelo visto, ter continuado a amizade com a Heleninha, mesmo que estando longe atualmente. Em váários shows que fui sozinha há uns 2 anos (sempre curti MTO a cidade sozinha), numa fase inicial em SP de grande solidão e vivências dificílimas, conheci pessoas, curtimos o show juntos, fiquei super animada e depois foi super estranho pra mim nao conseguir manter algum contato, as pessoas pareciam estranhar eu propor novos encontros, tipo “olha, só curti o show com vc, nao sou seu amigo”, e eu me sentia tão mal.. mas hoje acho que nem sempre é assim, pode existir amor em SP.. rs
Ah, Mari, realmente aqui em SP as coisas são meio frias. Também sinto isso. Mas a Heleninha me seguia no Twitter, não era alguém que conheci na balada.
Mas eu já fiquei amiga de gente na night, sim!
Faltou você dizer que a sua amiga demente se ABAIXAVA com medo cada vez que caía um raio no show do MGMT =D
Te amo, moça. Sábado tem mais. xxx
hahahahaha não lembro dessa parte, Vi!
<3 Feliz por vc!!
Ahhhhw! Adorei muito saber disso, ainda mais lembrando de tudo que você me contou no dia do doc da Elisa.
Mulher, siga em frente!
Você é linda!
Beijos
Eu falei tanto assim? Hahahha
Parabéns pelo blog e não liga não as críticas ajudam mais a divulgar do que os elogios! Foi por uma crítica ao seu blog que comecei a lê-lo! ;)