Ser cruel com gordos é inútil: um pedido por civilidade

Hoje eu não ia postar nada na semana da autoestima, porque estou com alguns probleminhas e não estou com tempo/saco de escrever. Mas daí fui olhar o Pinterest e num dos boards que sigo indicaram o texto abaixo. É do Jezebel gringo – e de maio de 2012 – mas acho que vale a tradução. Evidente que há diferenças culturais importantes, mas no que se refere ao tratamento dado ao gordo, acho que estamos bem parecidos. Infelizmente.

Quero deixar claro que falo muito sobre gordofobia porque, bom, eu sinto isso na pele. Sou gorda há duas décadas (aos olhos da sociedade, porque com certeza sou gorda hoje, mas na adolescência eu não era, não). Já fui bastante xingada, julgada, etc, etc. 

Mas tudo pode ser aplicado à questão que você aí passa. Basta não estar no ~padrão~. Lembre-se que até as supermodelos, que hoje são invejadas/desejadas, eram zoadas na escola por serem magras ou altas demais. Tá? :)

O texto abaixo é uma tradução livre de Being Mean to Fat People is Pointless: A Good Old-Fashioned Plea for Civility, publicado no Jezebel em 9 de maio de 2012 e assinado por Lindy West

 ”A obesidade vai acabar com os EUA.” Esta é a frase final do trailer do gordo-apocalíptico (difícil traduzir isso, viu?) documentário Weight of the NationO peso da nação (que, pelo que eu posso dizer, foi dirigido por Roland Emmerich e termina com o Will Smith explodindo a nave dos gordos com uma arma nuclear). Tá certo, gente. Os gordos estão chegando. Para acabar com uma nação inteira. Por isso que nós não podemos ter nações bacanas.

Novas estatísticas foram divulgadas essa semana, uma prévia das acusações catastróficas de todo mundo sobre as mãos gordurentas e em formato de salsicha dos “perigosamente obesos”. Quase isso. Em 2030, segundo o estudo, 42% da população adulta dos Estados Unidos se enquadrará na definição clínica de obesidade, e o resultado disso será… “gastos públicos”. Dica para frases de efeito sobre “escolhas” e “controle” e “coma menos, pratique mais exercícios”. Precisamos dar um jeito nos gordos!

“Se nós não fizermos nada, todos os esforços para manter os gastos públicos com saúde em dia serão inúteis”, disse o economista Justin G. Trogdon, um dos autores do estudo, no início da conferência “Weight of the Nation”, que durou dois dias em Washington.

Nossa! Aí está o ponto. Talvez a obesidade seja uma praga macabra que irá literalmente afundar os EUA. Seremos uma nova “Cidade Perdida de Gordatlântida” (lidem com isso: gordura boia!) – mas esse post não é sobre isso.

Eu não quero falar se esses índices são besteira, ou se a “epidemia de obesidade” (PÂNICO! PÂNICO! PÂNICO!) realmente cresceu na última década, ou sobre o fato de que geralmente as pessoas confundem tamanho com saúde.

Eu não vou ficar aqui tentando convencer a internet que, no mundo real, perder peso é muito mais complicado e doloroso do que apenas contar calorias. O que eu queria era pegar toda essa merda e colocar num pote agora mesmo (e cobri-lo com um tecido pra que essa merda toda fosse dormir, feito um papagaio idiota) e só escrever a respeito da maneira que falamos sobre gordos.

Os gordos americanos são reduzidos a nada além de gordura. Uma pessoa gorda tem um problema de saúde de qualquer natureza? É porque é gorda. Um gordo é solteiro? Óbvio: gordo. Com certeza merece ficar sozinho. Um gordo é pobre? Nada surpreendente – obviamente ele não consegue se controlar e toma péssimas decisões! Afinal, por qual razão uma pessoa esperta escolheria ser gorda? 

Se um gordo vai a um restaurante e senta numa cadeira quebrada – e a cadeira quebra, é porque a pessoa era gorda. Mas se um magro senta na  mesma cadeira e a cadeira quebra, é porque sentou numa cadeira quebrada. 

E esse tipo de pensamento simplista torna incrivelmente fácil colocar a culpa de todos os problemas de uma nação nos ombros dos “obesos”.

Eu sei que parte seu coração saber disso, mas falar coisas como “acabar com os EUA” machuca pessoas. Isso coloca as pessoas gordas – caso você tenha esquecido, gordos também são gente – não apenas como adversários da nossa própria saúde ou do espaço do seu cotovelo no avião (os crimes usuais), mas sim como a razão do futuro desaparecimento da humanidade.

Assumir que você tem o direito de legislar sobre o corpo do outro “para o próprio bem dela” ou “para as crianças”, ou até mesmo “porque eles são nojentos” é horrível. Mas superestimar essa ideia para proporções apocalípticas é totalmente maluco.

Ficar repetindo a ideia de que os gordos, por meio de escolhas ou de falta de vontade (ou seja lá o que você tenha decidido que eles fizeram para transformar os próprios corpos em um formato que você não gosta), estão falindo a nação simplesmente transforma o país no pior lugar para um gordo viver.

Pior: isso não vai fazer o gordo emagrecer; isso só vai fazê-lo se sentir ainda mais miserável e transformar você num grande babaca.

O jeito que tratamos os corpos humanos – magro, gordo ou qualquer coisa entre isso – é bárbaro. (E se você está aí suspirando e fingindo que não sabe do que eu estou falando, me poupe; é só ler os comentários de qualquer blog que mencione a palavra “gordo”.)

Nós substituímos o bullying e os xingamentos por uma infraestrutura que pode sim melhorar a saúde das pessoas – mas daí balançamos negativamente a cabeça ao percebemos que o atalho escolhido simplesmente não serve.

A gente coloca os corpos alheios como manifestações físicas dos seus supostos desvios morais, e assim nos sentimos superiores por não sermos um deles. Nós humilhamos publicamente e desumanizamos crianças (a autora fala sobre a campanha e imagem abaixo) para impulsionar a multimilionária indústria da perda de peso. E depois dizemos aos gordos que ELES são os vilões.

Tá, tudo bem. Viajar de avião é um saco. Você está puto porque gastou US$ 300 para sentar num dildo voador e cheirar os peidos reciclados dos outros, e ainda por cima tem o cotovelo de um gordo ocupando um pedacinho da sua poltrona por algumas horas. Eu sinto muito. Mas quer saber de uma coisa? Eu estou no Time do Cotovelo do Gordo (e não só porque eu sou uma gorda com cotovelos).

Porque a dor e humilhação que existe na vida daquele gordo dura muito mais que o seu voo de oito horas. Se eu estivesse embarcando num voo internacional e a aeromoça dissesse “Para sua informação, madame, se você humilhar publicamente essa mulher barbada, nós iremos fazer um open bar de vodka até o aeroporto de Londres”, eu iria querer muito a vodka grátis, mas obviamente não humilharia a mulher. Porque minha consciência é mais importante do que meu conforto temporário. (Também ligaria para a ANAC porque essa não seria uma empresa aérea séria.)

Este é o meu ponto. Tem gente, agora mesmo, ativamente fazendo campanha contra ser amável (a autora linka para uma história de uma mulher falando que não quer mesmo gordo ao lado dela no avião), e tratando isso como uma postura legítima e produtiva. Mesmo se xingar e machucar pessoas fosse a “solução” para o “problema” da obesidade – e não é – ainda assim não valeria a pena. Porque humanidade é mais importante.

Talvez ser gentil com gordos (e, sinceramente, com qualquer pessoa) não seja um sistema perfeito -pode ser que você fique desconfortável num avião de vez em quando -, e é possível que um gordo estranho em algum lugar dê “prejuízo” e ~decida~ fazer uma cirurgia cardíaca só porque é grátis! Mas, por ser um ser humano com compaixão, eu posso aceitar essa margem de erro e estou orgulhosa disso.

Não importa se você acredita que gordos realmente custam dinheiro público, o problema real é esse complexo industrial maluco que simplesmente não funciona. Além de machucar gente, ele é embaraçosamente não efetivo – um hobby cruel, não um ato político.

Todo mundo no planeta que se preocupa com o assunto  de veria estar no mesmo lado. Deveria ser indiferente se você é um dos que acredita que gordura é irrelevante, ou alguém que sofreu bullying por seu peso, ou um cidadão consciente que realmente quer melhorar a saúde da nação. Todos devíamos estar juntos. Isso seria incrível.

Faça campanha por merendas escolares mais saudáveis. Procure inspecionar o nosso terrível sistema de produção de alimentos. Tente encontrar soluções lógicas para lidar com o fato de que a população está maior. Porque acredite em mim: as pessoas não vão miraculosamente emagrecer só porque você gritou “chega!” para nós. Envergonhar os outros é estagnação. Não vai resolver nada. Bullying não é ativismo. Machucar não é ajudar. Pare com isso.

28 pensamentos em “Ser cruel com gordos é inútil: um pedido por civilidade

  1. Quando criança a gente aprende sobre higiene pessoal, sobre como atravessar a rua, etc, mas quantos aprendem sobre alimentação!? como cobrar tanto das pessoas serem magras (e quem inventou que ser magro que é bom também não sei… D= ) se nem se nutrir elas sabem! dai rola unhas fracas, queda de cabelo, problemas nos dentes, mal funcionamento de alguns órgãos …. engordar é apenas estético! e nem sempre o cara que é mal nutrido engorda! Tenho um amigo magérrimo com colesterol alto… e aí!?
    Ligaram magreza e academia a saúde… cara, maior falácia…
    E todo esse estímulo pra comer porcaria!? Que criança não cresceu tomando refrigerante quase todo dia!? E quem comprou a porra do refrigerante? Adoro porcaria, mas qdo eu era criança tinha refri e doces todo dia em casa… agora pensa como eu era =)
    Eu era gordinha e não me incomodava muito com isso, mas com 16 me deu uma troço e comecei a estudar sobre reeducação alimentar, mudei meus hábitos e desde então sou saudável (visto 38-40, então creio que a sociedade não me considera magra, mas caguei pra sociedade…). E sinto muito, mas eu nunca fiz regime… nunca risquei do dia a dia os doces, ou neguei um brigadeiro que fosse… mas como sem exagero.
    Já ajudei muitas amigas a mudar o cardápio e a consertar os hábitos alimentares, as vezes dando dicas consideravelmente obvias…. tipo: cara, se vc tomar um copo de suco de coco e comer um pacote de traquinas TODO DIA vc NÃO vai emagrecer! ou: Que tal comer legumes e verduras? Aposto que vc vai começar a fazer coco todo dia, ao invés de 4 em 4 dias!
    Também já convenci muit@s amig@s a não fazer regime e ao invés disso procurar ter uma alimentação melhor… mas o início da conversa é sempre: vc já procurou um clínico geral? tem algum problema hormonal? A resposta em 90% das vezes é “não fui”. Gente, uma vez por ano passar no clínico, fazer os exames básicos … sabe … não mata!

      • Geralmente as pessoas não conseguem ir ao banheiro todo dia por falta de fibras na alimentação. Algumas precisam de mais fibras e outras nem tanto, mas varia bastante. Tenho uma tia bem magra que sofre horrores pra ir ao banheiro… só melhorou um pouco depois que começou a comer mamão e as vezes aveia.
        Em compensação tenho uma amiga gorda que antes ia no banheiro UMA vez por semana (me dá calafrio só de pensar!)… ela ta melhor agora (consertou os hormônios dela lá e agora é vegetariana, então tem muitas fibras ).
        Mas muitas amigas minhas não vão ao banheiro todo dia…
        Tipo, sabe aquela ração humana? Muita gente realmente emagrece comendo aquilo! Mas é pq aquilo tem fibra pra caramba, dai o intestino funciona melhor e fibra também ajuda na saciedade e tem outros benefícios… mas as pessoas não sabem pq funciona, então depois que param de tomar geralmente descamba tudo de novo….

  2. maravilhoso post, Letícia! Dia desses escutei uma colega de curso falando que era inaceitável esses bancos de ônibus reservados para obesos e que ficaria muito puta se tivesse que levantar de um lugar desses pra “esses gordos sentarem”. Eu fiquei com cara de “q”.
    É normal as pessoas culpabilizarem os obesos por serem obesos, como se isso fosse falta de vontade ou falta de vergonha na cara. Distúrbio alimentar é um assunto muito sério e como é um problema, normalmente, comportamental e psicológico, não é levado a sério. Assim como depressão e bipolaridade são vistas como frescuras.

    • Olha, eu sinceramente não sei porque gordo tem direito a banco preferencial. Ser gordo não é errado, e na maioria dos casos não é doença (mesmo se fosse, cadê lugar preferencial para magros doentes? aliás para qualquer tipo de doente?). Eu levanto para idosos, gestantes e pessoas com bebê de colo, deficientes, mas nunca gordos. Por que eu deveria? Só porque a pessoa é gorda ela não pode ficar em pé como o resto do mundo?

      Eu pessoalmente acho que o banco preferencial é uma forma de discriminação contra os gordos, como se eles tivessem uma deficiência, o que NÃO É VERDADE. Não tem uma perna é uma deficiência. Ser cego é uma deficiência. Ser gordo não.

        • Se a pessoa está em uma cadeira de rodas, não importa o motivo, existe lugar especial para ela no ônibus. Se a pessoa não consegue nem levantar da cama, duvido que ela vai andar de ônibus.

          Vamos considerar duas pessoas com a mesma altura, digamos 1,60, uma com 100kgs e outra com 50kgs. Por que a de 50 deveria levantar para a de 100 sentar? Por que ela é gorda? Desculpa aê mas eu não aceito não.

  3. O problema da obesidade nos EUA é muito mais sério do que no Brasil, embora os índices tb estejam aumentando aqui. Mas sério, a coisa lá está muito feia, pq não é só a população gorda que está aumentando, mas também a de obesos mórbidos e super mórbidos. Se aqui estamos acostumados com pessoas gordas (leia-se acima do peso e nada mais), lá é super comum topar com obesos em situação realmente séria, que nem ao menos conseguem se locomover. Meu irmão foi aos EUA e ficou chocado com o número de pessoas que precisam de um carrinho motorizado para conseguirem andar em um shopping, por exemplo (coisa que aqui é muito rara de se ver, e é geralmente usado por idosos).

    Fora que lá tem toda uma indústria alimentícia que bombardeia os norte-americanos com inúmeras opções. Um wall mart lá é mil vezes maior que o nosso, com uma variedade muito maior (várias opções de sabor e quantidade para o mesmo produto). Até a medida de um copo de refrigerante que vc compra em um fast food é maior que a nossa. E tem tb o fator grana: fast food lá é uma refeição muito barata e saborosa. Ou seja, tem o fator econômico também.

    Uma pessoa com obesidade mórbida tem sim mais chances de ter problemas cardíacos, diabetes e etc, do que uma pessoa que não está nessa situação. Lembrando que vários indivíduos que residem hoje nos EUA estão em uma situação tão crítica que não conseguem sair da cama. Alguns estão nessa situação há anos e dependem de cirurgias que ou não conseguem pagar, ou os próprios médicos se recusam a atender (pois são cirurgias arriscadas), e, literalmente, acabam morrendo.

    Nós, que vivemos no Brasil e que estamos acostumados com pessoas gordas, mas não nesse estado, não fazemos nem ideia do quanto que esse quadro é catastrófico nos Estados Unidos. Ter cerca de 40% da população considerada obesa não é um índice normal. Não são 40% de “gordinhos”, são pessoas doentes que precisam de ajuda.

    Não concordo com a discriminação, acho super errado e se estão fazendo isso, devem parar. Mas eu compreendo a campanha contra a obesidade. Lá pode ser considerado problema de saúde MESMO. Não é meia dúzia que tem problemas por causa disso, mas sim uma parcela muito alta da população.

    • Então, mas a autora em nenhum momento fala que tudo bem não ter saúde. Inclusive, no final, ela aponta alguns meios para repensarmos o jeito que nos alimentamos.

      O que não dá é para demonizar os gordos.

    • A situação nos EUA é muuuito complicada… outro dia eu li um ensaio falando da falta de cultura na alimentação americana (tipo, tradição, saca!? exemplo mega simplista: brasileiro come arroz, feijão, salada e bife e essa refeição é balanceada). E também em como tudo que eles comem é mega calórico e inadequado… tipo, todo mundo já ouviu que é melhor comer uma laranja ao invés de um copo de suco de laranja, mas lá eles só tomam o suco e por aí vai… é uma bomba relógio!
      Eu acho super errado eles fazerem esse tipo de pressão, se é um problema de saúde pública então tem que resolver na fonte! Ensine as crianças nas escolas a ter uma alimentação balanceada e em 20, 30 anos vc vai ter um quadro bem diferente!
      Mas isso irá mexer com muita gente da industria de alimentos e ninguém nesse mundo quer perder dinheiro…
      o negócio é muuuito sério….

  4. Muito bom o texto. Mas, mesmo concordando com o absurdo que é a gordofobia e sabendo que ser gordo não é o mesmo que não ser saudável, por mais que toda uma industria queira que a gente acredite que sim, eu não consigo aceitar que engordei. Sigo no meu torturante regime, comemorando a cada quilo perdido. A atriz Cleo Pires deu uma entrevista na qual falava algo como: “Acho lega, quem consegue ser gordo e feliz. Eu não consigo”. Infelizmente, eu também não, Internalizei tanto essa norma social de ser magro, que depois que engordei – e engordei muito – me tornei a pessoa mais infeliz e isolada do mundo. Sigo tentando voltar a me encaixar no padrão, e isso é triste.

  5. Meu relato com o peso é esse:

    Dos 8 aos 15 anos eu fui gorda. O meu problema todo sendo gordinha na infância é que justamente na hora de construir minha autoestima eu fui falhada. Ouvi muitas piadinhas de mau gosto, sempre de gente de fora que não sabia de nada da minha vida, não eram amigos, nada. Era chamada de gorda e variantes, meninos da escola falavam “você é feia” na minha cara.

    Aí, de repente, me vi emagrecendo aos 15 anos. Foi de modo espontâneo da última fase de crescimento da adolescência – nunca fui doente, não tive distúrbio alimentar, nem nunca quis fazer dieta porque eu AMO comer. Fiquei bonitinha (pra sociedade, pros meninos, pra todo mundo). Hoje, com 22 anos e 56kg me considero bonita, gosto do meu rosto e algumas partes do meu corpo. O problema é que ficaram as marcas, tanto físicas quanto mentais.

    Como eu cresci gordinha na fase do “estirão”, meu corpo todo é flácido, apesar dos 15 anos de dança initerruptos, e tenho muitas marcas de espinhas na pele (no rosto dá pra disfarçar, mas e na bunda?). Sou nova e meu peito é caído, mas isso é da genética. Fico grilada mesmo. Aí quando um cara se aproxima eu fujo por receio de ser tocada, por medo do que ele vai sentir quando pegar minha carne flácida, por medo de tirar a roupa e ele achar nojentas as marcas de espinha. Eu sei o quanto tudo isso é negativo. Hoje eu estou num processo onde eu tenho que enfiar na minha mente todo dia, tenho sempre que me lembrar e reafirmar: “você não é perfeita, mas também ninguém é”.

    Enfim, essa minha ladainha toda é só pra dizer a quem se acha gorda(o) e a coisa mais feia desse mundo, que REALMENTE não é emagrecendo ou fazendo tratamentos estéticos que todos os seus problemas de autoestima vão acabar magicamente. Não mesmo, sou a prova viva disso. Sou rodeada por amigas gordinhas (e todas lindas!) que querem ficar magras, e é o que eu mais tento passar a elas. Ficar bem consigo mesmo vem de dentro, não tem outra alternativa.

  6. As pessoas sao – baixas ,medias , altas.
    Tambem magras ,medias , gordas.
    + gentis ,medias ,grosseiras .
    + ainda – burras ,medias ,inteligentes
    ++ brancas ,medias , negras.
    +++ lindas ,medias ,feias.
    ++++jovens, medias , idosas.
    +++++ doentes ,medias ,saudáveis …
    e por ai vai ,poderia passar a tarde inteira brincando aqui com esses++++++ e nao terminaria nunca ,serio.
    Agora eu também nao entendo porque enchem tanto o saco das pessoas sobre essa questão de peso ! E moda? Virou mania ? E proibido engordar ? Aimeodeus quanta gente chata nesse planeta ! Esses sim mereciam ir pro espaço…..

  7. olha, se isso consolar alguém, eu peso 44 kgs (só fiz regime de engorda na vida, mas não consigo engordar, hj em dia nem quero mais) e diariamente me enchem o saco “nossa, olha esse ombrinho! parece q vai quebrar”, fora as piadas fofas com perninha de sabiá, as insinuações com anorexia e os pitacos sobre oq eu como sob o pretexto de preocupação com a minha saúde… imagino q com gordo é pior, mas no fundo acho q é só desculpa mesmo pras pessoas serem inconvenientes, indiscretas e te colocarem pra baixo. mesmo se vc emagrecer ou se eu engordar, vão achar outro motivo pra humilhar. é um inferno e não adianta pedir com educação pra pararem de falar do seu peso pq isso magoa e vc n tá interessada na opinião alheia. eles não param. pra mim parece uma espécie de castigo injusto… poxa, eu sou tão discreta… não dou pitaco na aparência de ngm, pq se sentem a vontade pra dar na minha?

  8. atualmente meu mecanismo de defesa tá nefasto, eu respondo na base da patada e acabo ficando com fama de louca! “nossa, como ela é estourada! só comentei q ela deveria comprar roupa na seção infantil já q tem corpo de criança…” dia desses respondi q pelo menos minha pele era boa e eu não precisava de Roacutan. óbvio q arrumei uma inimizade ao chamar a moça de espinhuda e colaborei pro círculo vicioso de ofender os outros com base na aparência. mas quem aguenta??? eu jamais diria uma coisa dessas gratuitamente

  9. será que eu vivo em outro mundo? nunca vi ninguem apontando meus defeitos desse jeito como todo mundo fala aqui… ou eu sou muito linda ou eu vivo em outro mundo.

    • Meu marido é magrinho (apesar dele dizer q está engordadno rs, só uma barriguinha linda ) mas ontem andando na rua eu vi um rockeiro, desses bem rock pesado mesmo que me deu até calor, ele devia ter quase uns dois metros e era gordo, mas gordo mesmo. Só que não sei porque a gordura dele não fazia ele parecer gordo, mas sim forte, como um viking que saiu de batalhas nórdicas, ajudou tbm pq ele era ruivo cabeludo (cabelo de dar inveja em muita mulher) olho meu, e barbinha com trancinhas muito estilosas. Percebi depois que eu não era a única que olhava para ele com outros olhos rs…

  10. Só uma observação, esse documentario citado no texto do Jezebel é muito interessante, mas muito mesmo. Ele mostra como que em 40 anos essa epidemia de obesidade foi criada pela atuação de politicos, lobistas e grandes produtores atraves de subsidios agricolas dados pelo governo americano.

  11. Cenas intoleráveis na Escola, ou em qualquer lugar do mundo:
    Cena 1:
    Cenário: Pátio da escola
    Alice (aluna, 12 anos)
    Sérgio (diretor da escola)
    Alice (5ª feira, primeiro dia de aula) estava comendo uma torta de chocolate e o diretor da escola chegou e disse: “Você não estava querendo emagrecer? Continue tentando.”

    Cena 2:
    Cenário: Corredor/sala do diretor
    Alice (aluna, 12 anos)
    Sérgio (diretor da escola)
    Alice (andando no corredor)
    O diretor chama Alice para sua sala e diz: “Aqui, esse fim de semana eu vi um filme que eu achei muito bom. Ele já ganhou até oscar, e eu acho que você devia ver. Está no youtube. Escreveu num papel: Muito acima do peso. E deu pra Alice.

    Escola da Serra ! Que se diz alternativa em BH! Que dizem valorizar a diversidade e blá blá blá…

  12. Eu sempre me senti atraido por gordinhas desde meus 5 anos de idade. Atualmente sempre tem um lugar especial no meu coração para mulheres plus size.

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