Feminismo para principiantes: “Feminista até pagar menos na balada”

Esse é um dos discursos que mais me cansa na “cruzada contra o feminismo”. Até dei um looooooooongo suspiro antes de começar a escrever esse post.

Dentre todos os problemas que as mulheres passam, REALMENTE exigir que se pague mais na balada deve estar em posição de destaque (contém ironia).

Poxa, gente, vamos usar alguns argumentos menos patéticos?

Mas vamos lá. Mande esse link sempre que alguém vier com esse suuuuuuuper argumento.

Você sabe porque mulheres pagam menos em algumas baladas? Você acha que tem alguma coisa a ver com privilégio? “Nossa, olha, elas pagam metade, como estão ricas!”

É como aquelas festas em que as mulheres podem entrar antes e, enquanto elas estão lá dentro, antes dos caras chegarem, rola open bar. Mulher, nesses casos, é isca. Isca. Objeto.

Para o empresário dono da balada, não interessa ter um lugar lotado de homem hétero e com poucas mulheres. Eles provavelmente vão brigar entre si pela atenção das garotas, que possivelmente serão agredidas (terão o cabelo puxado, não conseguirão ir ao banheiro sem “pagar pedágio”, não poderão dançar uma música inteira em paz). Logo, o lugar não será atraente para as mulheres que, apesar de às vezes quererem, sim, ir a um a boate com muitos caras, não querem ser puxadas ou encurraladas.

Vocês nunca foram numa night em que só deixam entrar casais num determinado momento e/ou a mesma quantidade de homens e mulheres? É para evitar brigas e tumultos.

Assim, oferecer open bar para as mulheres e/ou cobrar menos para a entrada delas não é uma coisa que estão DANDO para as mulheres. É tão somente uma forma de atrai-las e, por conseguinte, fazer com que os caras imaginem que ali eles terão mais chance de “sair do zero a zero”. O open bar serve para embebedá-las e deixá-las “mais facinhas”. É só isso. E é bem nojento, convenhamos.

Na verdade, é o contrário do que dizem por aí. Dizem que é algo bom para as mulheres, quando o fato é que isso só é bom para os homens e para o empresário. Tratar as mulheres como isca é machismo, meus caros.

***

Leia outro post do feminismo para principiantes: trabalhar fora.

Se você tem alguma pergunta sobre feminismo, aqui tem o ask.fm de Feminismo para Principiantes. Sua pergunta pode virar um post aqui no blog. Vai lá. :)

97 pensamentos em “Feminismo para principiantes: “Feminista até pagar menos na balada”

  1. Raciocínio é esse mesmo, e pior: não se resume à entrada grátis (ou quase) na balada. Muito do que vejo por aqui, ali e acolá disfarçado de ~privilégio~ a mulheres (ou até, em diversos casos, pequenas gentilezas ~cavalheirescas~) tem sim objetivos ocultos, às vezes menos explícitos, outras vezes menos inocentes, de retribuição e recompensa…

  2. Concordo com seu ponto de vista, mas só queria ponderar uma coisa: um amigo que já foi gerente de danceteria falou que para mulher é mais barato porque ela consomem menos bebida. Dessa forma, é mais justo cobrar menos. Sei lá o quanto é verdade, mas me fez parar para pensar um pouco.

  3. Eu sempre tive uma rusga com esses estabelecimentos. Via de regra, eu não frequento. Não sei se isso continuaria a valer se eu fosse hetero; gosto de pensar que meus valores seriam os mesmos, mas é impossível saber. O que me incomoda, fique claro, não é baixa oferta de carinhas pra pegar, mas sim essa divisão de valores e o seu objetivo mais óbvio. Custa tanto criar ambientes nos quais as pessoas possam se divertir e curtir seja lá o que for que curtem em segurança?

    • Tales: eu já paguei (várias vezes) mais caro em lugares GLS, só porque sou hétero.

      Da primeira vez que fui, achei um absurdo, hoje isso já até é praxe (infelizmente)

      • Como assim, Patrícia? Como fazem pra distinguir os héteros dos não héteros? Tem que preencher uma ficha antes de pagar o ingresso?

        Pergunto pq sempre frequentei lugares GLS e nunca fizeram nenhum tipo de distinção, nem comigo nem com meus amigos.

    • Tales
      Eu nunca me importei em pagar mais ou menos porque se você curte o lugar não são alguns reais a mais que vão impedir sua entrada. Na juventude (leia-se 30 anos atrás) já havia descontos para as meninas.
      Lendo aqui sobre essa forma de captar mais clientes só tenho a lamentar e concordo com sua visão, têm que ser criados ambientes seguros e com um publico certo.

  4. Academias seguem o mesmo raciocínio.

    Tenho um amigo dono de uma franquia de academias muito renomada (e de mensalidades caras).

    Certa vez perguntei-lhe a razão das pessoas frequentarem as academias da rede dele, se poderiam ir em outra mais barata, já que peso é peso em qualquer lugar.

    Palavras dele: é só manter a academia abarrotada de mulher, que enche de homens automaticamente, por isso, os planos que estão disponíveis para elas apresentam descontos tão grandes (e ainda segundo ele, quem dá lucro para a academia são os homens, que só fazem musculação, atividade que não demanda gastos a mais com professores nem exige espaço extra).

    A mesma lógica das baladas.

    Beijo a todas!

        • Dou apenas a minha opinião com base nas minhas experiencias…. Treino numa academia onde os preços são iguais e não é a primeira vez que isso acontece. Tenho que mentir pra agradar alguem?
          Se numa academia famosa usam isso pra chamar homens….. não posso fazer nada!
          Infelizmente o numero de babões é tão grande que utilizam tal manobra.

        • Carol

          Infelizmente o narrado é verdadeiro!
          Estava curiando o face do meu “fraturado” amigo e lá tem um convite para um “evento” onde mulher não paga, casais tem um valor e homem solteiro tem que pagar bem para entrar! Porque mulher gratis? Exatamente como exposto, se tem muito homem e pouca muher disponivel cria-se um ambiente tenso e o negocio não rende. Triste mas real.
          Eu já não curto mais baladas, gosto de uma feijoada com pagode num sábado a tarde com a gangue toda!

          • Consultas no pet-sho gratis
            Numero ilimitado de atendimento da assistencia 24 horas
            Acompanhante caso precise fazer um BO
            Atendimento a residencia de uma amiga.. assim.. voce vai visitar a amiga e chegando lá o micro-ondas pifou.. voce utiliza o SEU seguro para atender a casa dela
            Motorista reserva por 5 atendimentos caso voce beba e esteja dirigindo.. (muito util hoje em dia)
            Isenção da franquia num primeiro sinistro
            e isso só pra começar…

          • Leandro, você acha que isso é PRIVILÉGIO? De verdade? Ou é porque a empresa sabe, estatisticamente, que a mulher dificilmente irá usar esses serviços?

            Já que você gosta de coisas umbiguistas, vamos falar de mim: tenho carro há 14 anos e só usei a isenção da franquia uma vez. Em 14 anos. Nunca usei motorista reserva (aliás, existe esse serviço em vários seguros, não só nos de mulher – e o mesmo vale para assistência 24 horas).

            Sobre o acompanhante pra fazer BO: você acha que isso é privilégio ou é a simples constatação de que delegacias são locais dificílimos para mulheres e que, caso ela tenha batido no carro de um homem, ela será ameaçada só por ser mulher?

            Você realmente entende tudo ao contrário. E eu cansei de explicar por hoje. Tem 400 posts aí pra você ler e ver se algo entra na sua cabeça. Posso indicar uns livros, também, e outros links. Agora, se você quer permanecer na ignorância, vá em frente.

          • Leticia
            Acho que o gajo se expressou mal.. não são privilegios e sim direitos e serviços que as seguradoras disponibilizam. Eu tenho carro e seguro há quase 30 anos e nunca usei para batidas ou roubo… apenas algumas vezes assistencia. Voce esta certa principalmente no quesito do BO onde realmente é um ambiente hostil. Felizmente hoje para colisoes sem vitimas podemos fazer online no site da PM. Sobre o marketing eu não vou opinar pois minha opinião pode ofender algumas pessoas.

    • Ai, Leandro, esqueci de dar uma pesquisada antes de começar a te responder. Agora que vi que você é um cagador de regras contumaz aqui no blog. Já conseguiu minha atenção por hoje. Se dê por satisfeito, porque acabou. Buá!

      • Leticia
        Aconselhei meu amigo a nao postar no seu blog até que ele tenha uma visao mais ampla… .infelizmente tenho que voltar ao litoral e nao vou poder tomar conta dele…

  5. Excelente texto! Acredito que muitos repitam esse cliche de “é feminista até….” por falta de conhecimento. Os que não integram essa categoria repetem com o propósito puro e simples de encher o saco. Sei que é dificil vc restringir os lugares que frequenta de acordo com a politica de “entrada” do lugar, mas ainda assim, é o que eu tento fazer.
    Quanto a questão do pagar menos por beber menos não posso opinar por não ter conhecimento de causa, nunca comparei. Sei o quanto eu bebo e sei que bebo tanto quanto os meus amigos que costumam ir aos mesmos lugares que eu.
    De qualquer forma, aqueles que repetem incessantemente que somos feministas até casarmos, pagarmos menos, não termos alistamento obrigatório e mais quinhentos semi-argumentos, não podemos fazer muito para além de ignorar,acho.
    Se tentamos rebater com “conhecimento” teórico somos pedantes e chatos e de um jeito ou de outro, não somos ouvidos, porque aquele que escolhe permanecer na ignorancia, escolhe porque quer.

  6. Levando em consideração que se cobra menos de mulheres porque elas servem como “isca”, conforme explicado, então este é um bom motivo para as feministas pedirem com mais ênfase o fim desta prática machista. Mas não me lembro de ter visto alguma feminista reclamando de forma veemente sobre isso (posso estar enganado).

  7. Complementando meu comentário: está claro que não é privilégio das mulheres; pelo contrário, é uma mentalidade machista que passa quase desapercebida, e é esse tipo de coisa que as feministas devem combater.

        • Letícia, desculpe-me, mas não entendi sua agressividade. Justamente, o fato de as mulheres servirem de “isca” na “nigth”, é, como você fala, um problema “estrutural”, é um problema de “mentalidade” machista que passa desapercebido da maioria das pessoas. Diferença de salário (e problemas mais sérios – violência doméstica, tratamento desigual dado pela maioria das religiões, “coisificação” do corpo feminino na publicidade, direitos formalmente negados em diversos países do mundo, e informalmente negados em países como o Brasil, e a lista poderia continuar), são fatos notórios e perceptíveis para qualquer pessoa com o mínimo de discernimento, e que já têm sido corretamente denunciados pelo movimento feminista. Mas não adianta, por exemplo, baixar por decreto que homens e mulheres ganhem o mesmíssimo salário se a “mentalidade”, como você diz, continue machista – e são pequenos e sutis detalhes, como a “isca da night”, que perpetuam esta mentalidade. Daqui a 500 anos a sociedade continuará machista caso esta forma de pensamento continue igual. Esta é minha opinião, e pelo visto você discorda dela. Embora eu não tenha compreendido porque você discorda, pois preferiu ser agressiva e dizer que eu estou “pautando” o pensamento, e que sou anti-democrático. Então tá, não está mais aqui quem falou. Hoje foi a segunda vez que acessei seu blog (a primeira foi pelo Facebook, através de uma amiga feminista). Provavelmente voltarei uma terceira, e não volto mais. Se sua estratégia é continuar escrevendo somente para quem pensa exatamente igual a você, e afastar com comentários irados quem quer, talvez, absorver alguma idéia nova, então boa sorte.

          • P.S. ” já têm sido corretamente denunciados pelo movimento feminista”, significa uma continuidade, ou seja, têm sido, e devem continuar sendo denunciados. Não estou dizendo que devem parar de falar sobre isso. As denúncias e críticas devem ser ampliadas, para comportamentos sutis como este que o texto sobre “isca da night” falou.

          • De novo: há 500 posts. Pelo menos metade é sobre feminismo. Cair de para quedas, ler um post e achar que tudo o que eu falei nesses dois anos se resume a ele é, no mínimo, menosprezar meu trabalho.

          • Rogerio, se você lesse o blog saberia que sim, eu, como qualquer outra feminista, quer mudar a mentalidade. E foi exatamente isso que mostrei no post: que, apesar de parecer um PRIVILÉGIO, é na verdade sexismo.

            Esses posts são bem basicões, sem embasamento teórico. Mas tem 500 outros (não é exagero) pra você ler. Enjoy!

            Ah, by the way, a ameacinha de “não volto mais no seu blog” é velha. Tente outra.

  8. O seguro não deveria ser mais caro para homens. Isso é discriminação. É a mesma coisa que, por meio de estatística, provar que branco comete menos acidentes de carro, logo merece pagar menos que negros. Isso é um Apartheid social.

  9. O valor dos seguros varia conforme o estilo de vida da pessoa. E pode variar até mesmo entre a pessoa ser solteira ou não, ter filhos ou não, a idade, enfim, muitos fatores. Não quer dizer que estão discriminando as pessoas. Mas é mais fácil um filho de 18 anos bater o carro do pai, do que uma mulher de 40 anos bater o próprio carro, simples assim.

  10. “Em 1997, o Grupo de Teatro Olodum, movido pela idéia de que os negros têm menos acesso à cultura, resolveu dar um desconto inusual: eles pagariam apenas 50% do valor do ingresso na peça Cabaré da raça. Um preço para brancos, outro, menor, para negros. Sob a acusação de atentar contra o Princípio da Igualdade (art. 5º. caput da CF), o Olodum cedeu, estendendo o desconto a todos os freqüentadores. Devido a essa atitude preventiva dos produtores do espetáculo, o Judiciário não chegou a se posicionar sobre o caso. Seria ilustrativo vê-lo fazendo, pois o princípio isonômico não é apenas um dos nossos fundamentos constitucionais: ele é a base do nosso sistema de direitos. Tal é o que entende, por exemplo, Celso Ribeiro Bastos [01] quando salienta que o fato de o citado princípio estar localizado não num dos incisos, mas no próprio caput do artigo 5º da Constituição, o centro nevrálgico de nossas garantias e direitos, indica sua precedência axiológica em face dos demais princípios. A igualdade deveria ser, então, o fundamento de nossa ordem jurídico-social.
    Não obstante, muitos fatos nos levam a crer que o princípio isonômico é sub-aproveitado enquanto corretivo de desigualdades que, por sua cotidianidade e aparência simpática, proliferam-se incólumes a questionamentos judiciais. Dar descontos e entradas livres a mulheres em bares e boates, presumir-lhes uma consumação mais baixa do que a masculina, utilizar a estratégia do “mulheres free” para atrair homens para casas noturnas, ofende o princípio isonômico? Qual a diferença em dar desconto por critérios raciais e dar descontos por critérios de sexo ou gênero? Talvez a diferença não seja de essência, mas de costume. Com efeito, o critério racial se nos apresenta como exótico, importado de países como os EUA e suas políticas de cotas, enquanto as nuances questionáveis das desigualações por gênero mostram-se corriqueiras e simpáticas demais – de inspiração cavalheirística – para ousarmos questionar seus eventuais problemas. Resistiria esse pretenso cavalheirismo a uma análise constitucional das desigualdades aceitáveis? Analisemos.”

    • O cavalheirismo é sexismo benevolente. Não é PRIVILÉGIO feminino. É sexista. Parte do pressuposto que mulheres podem menos, que precisam de proteção. É paternalista. Nenhuma feminista é a favor disso. Repito: o q vc deseja?

  11. “A igualdade entre homens e mulheres em nossa ordem constitucional poderia perfeitamente derivar do caput do artigo 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza…”, mas o legislador quis ser enfático e, já no primeiro inciso do citado artigo, complementou: “Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações nos termos dessa Constituição.” A expressão “nos termos dessa Constituição” tem sido entendida como significando que a desigualação entre homens e mulheres só poderia ser feita pela própria Carta Magna, que de fato o faz. A Constituição promove discriminações em favor das mulheres em três casos: licença-gestação superior à licença-paternidade (art. 7º, incisos XVIII e XIX); proteção específica ao trabalho da mulher (art. 7º, XX) e prazo mais curto para aposentadoria por tempo de serviço feminino (arts. 40 e 202, e suas especificações). Autores como Eliane Maciel [04] salientam que tais casos são excepcionais, com fundamentação própria, e não podem servir como motivos de criação de novas diferenciações analógicas, já que é princípio básico de hermenêutica jurídica que as exceções devem ser interpretadas de modo estrito. Se assim for, a concessão de descontos privilegiadores às mulheres em casas noturnas afronta o princípio geral de igualdade constitucional e não se enquadra em nenhuma das exceções constitucionalmente elencadas.”

  12. “Quem paga a conta dos descontos dados às mulheres? As casas noturnas? Certamente que não. Na composição dos custos do estabelecimento, esses descontos são transferidos para os clientes integralmente pagantes: os homens. As casas noturnas oneram um sexo em benefício do outro. Repete-se aqui a regra geral dos subsídios: se alguém os recebe, outro alguém tem sua conta majorada. Certamente, muitos homens poderiam estar dispostos a subsidiar as mulheres em termos de ingressos e descontos. Mas pode-se presumir em grau absoluto tal disposição, transferindo-se a conta de um consumidor (mulher) a outro (homem)?”

    • Na verdade, o fato de ingressos em determinadas festas e casas noturnas serem mais baratos pra mulher, acontece não por “discriminação” contra os homens. Mas por um motivo totalmente machista. Pra atrair mais mulher do que homem. Ou seja, ter mais mulher pra cada homem. Então, isso não é discriminação contra homens, é machismo mesmo.

  13. Letícia, eu desejo que este tema seja mais discutido nos blogs feministas, pois é visto como uma tradição que não faz mal às mulheres. As mulheres, inclusive algumas feministas, não veem razão para discutir sobre isso, porém, como mostrado, essa diferenciação é puramente sexista e ridícula.

    • Augusto, se você quer abrir um debate sobre o assunto, crie um blog, organize uma marcha, sei lá.

      Mas não diga pra uma feminista como ELA deve lutar a militância DELA. Não é você quem diz o que é mais importante pra gente. Get a grip. Se coloque no seu lugar que, nesse caso, é de aliado – e não de líder.

  14. Maluco, que chororô.

    Olha, eu troco o privilégio de pagar menos numa balada pelo privilégio de viver sem o medo de ser estuprada. Sei lá, prioridades.

    Beijão

      • Augusto, eu já deletei um montão de comentário seu. Por favor, você está repetindo exatamente o que eu disse no post. Não queria que isso fosse tratado num blog feminista? Taí. Tem um post a respeito. O q mais você quer? (além de encher a paciência – essa parte a gente já entendeu.)

  15. Sob o aspecto puramente financeiro pode até parecer um privilégio, mas na prática, as mulheres são tratadas como mais um atrativo da casa onde o público consumidor são apenas os homens. Eles é q são os donos da ação, do dinheiro, eles q vão lá se divertir e o resto (Dj, bebida, mulheres) são instrumentos para a diversão deles. É assim q viram mais um plus: “temos estacionamento, ar condicionado, manobrista, open bar, lounge, e a garantia de uma boa oferta de mulheres à disposição para o deleite dos senhores”. Não é muito difícil sacar isso. Elas não são tratadas como parte do público, mas sim como chamarizes para o público de fato: os caras.

  16. Sim, que crueldade das empresas obrigarem as mulheres a irem nas baladas, já que ela não vão lá para beber, dançar e pegar alguém…. afinal, elas só querem dormir cedo para ir na missa da manhã. Maldito capitalismo! Vamos proibir as mulheres de irem para baladas! E se forem, proibirem os homens, esses exploradores do corpo feminino, de chegar perto delas, prisioneiras em sua própria área VIP. Alias, vamos proibir as baladas! E os homens!

  17. Nádia, nós (pessoas sensatas e não reaças/machistas…) estamos aqui! Não desanime, embora entendo que seja difícil. Seu trabalho é importante para abrir a mente das pessoas.
    Excelente texto e blog.

  18. Nadia, o derrame de besteirada só prova ainda mais seu ponto de vista. Queria ser mais jovem e ter mais paciência para fazer um site de feminismo for “dummies” – bem ilustradinho, bem bonitinho, que é para ver se a galera compreende.

    Sou feminista e (todos @s feminist@s que conheço também) são contra a adição da mulher como item da balada (tem vodka, tem energético, tem mulher, tem uísque, tem gim) e por isso não frequentamos esse tipo de lugar. Mas eu não vou organizar uma marcha especificamente para isso, eu não vou lutar somente para isso. A luta contra uma sociedade machista (que, vejam só, oprime tanto o homem – ao cobrar uma postura de fodedor, de fornecedor, de über-humano – quanto a mulher, ao tratá-la como posse) engloba também esse aspecto, mas contém assuntos mais urgentes, como violência doméstica, estupro, desvalorização profissional e humana (que ocorre com maior frequência com mulheres e outras minorias).

    Assim como “mandam” feministas lavarem a louça, convido esses cidadãos preocupados a lutarem suas próprias lutas. Se homem também é estuprado, se homem é obrigado ao alistamento militar, se homem paga mais na balada, se homem paga mais no seguro, verifiquem o porquê disso ocorrer. A resposta certamente vai surpreender.

  19. Olha, ano passado eu devo ter em uma ou duas festas só que cobravam a mais a entrada masculina. Prefiro sempre o circuito “alternativo”, muitas das festas que eu vou acabam tendo mais gays e eu não ligo muito porque a balada costuma ser bem mais divertida.

    A pior coisa é aquele monte de homem de peito estufado olhando pro lado querendo se dar bem. Eu também queria me dar bem, confesso, mas antes de tudo eu curto um ambiente legal com música que eu gosto e gente divertida.

    Quando eu era da atlética, a gente fazia as festas openbar com o convite maior porque estatisticamente os homens bebiam bem mais e as meninas que bebiam três latinhas reclamavam, como a faculdade tinha a quantidade igual de homens, mulheres e homossexuais no meio, não tinha nada de briga nem de “chamar mulher” nem nada.

    Agora, você não deixou claro no seu texto se uma parte das mulheres reforça esse comportamento de “isca”. Conheço algumas amigas que confessam gostar da posição “meninas brancas e bonitas” e de obterem coisas gratuitas por conta disso. Não acho uma posição condenável, mas serve de combustível pra fogueira machista da vida social.

    Não sei se você já leu, mas eu recomendo este belo e sufocante texto sobre meninas de comunidades pobres serem aliciadas por promoters de baladas “nobres” pra servirem de “isca” enquanto as festas da sua vizinhança são proibidas: http://www.apublica.org/2012/09/funk-periferia-sao-paulo-drogas-debora-falabella/

    • Denardo, vou ler o link depois. Mas, sim, tem muitas mulheres que “se aproveitam” do machismo. Há um livro feminista que eu não gosto muito, mas que trata bem dessa parte. Chama-se “Female Chauvinist Pigs”, da Ariel Levy.

      Ela analisa o comportamento das mulheres em programas tipo aquele “Girls gone wild”, sabe?

      Eu não gosto do livro porque eu acho ele um pouco moralista, mas ela faz observações interessantes. O primordial é que, na verdade, essas mulheres não estão “ganhando” nada. A menina bonita e branca que ACHA que deve ficar ao lado do patriarcado porque assim ganha alguma coisa está, na verdade, mantendo o status quo. Só que esse status quo é o mesmo que faz ela ganhar 70% do salário de um homem, por exemplo, ou precisar “fechar as pernas”, sem poder viver sua sexualidade de maneira plena. No fim, ela não está ganhando nada, só que não consegue enxergar isso.

  20. Oi, Nádia! Nos últimos meses, tenho aprendido bastante sobre o feminismo (inclusive, por causa do Cem Homens). De vez em quando, converso com a minha irmã sobre algumas questões, como o slut shaming. Ela tem aquela mania chata da comparação, mesmo sabendo muito bem que se parte de uma desigualdade inicial. Daí ela me perguntou se seria “slut shaming”, caso acontecesse com um homem (no caso, o nome não se encaixa, né?). Você vê alguma situação em que o conceito se aplicaria ao homem? Porque eu mesma não pensei em nada e ainda que se aplicasse seria uma situação que quase não acontece, creio eu.
    É só uma curiosidade mesmo. Obrigada!

    Obs.: Tentei perguntar no ask.fm, mas o limite de caracteres não me permitiu.

  21. Nádia, a pergunta da Nathalia também é algo que eu costumo me questionar!
    Você já escreveu algum post que fale sobre esse tema (a vinculação do caráter ao comportamento sexual da mulher)?
    Eu já li alguns textos que tangenciam o tema, mas eu queria algo que fosse mais a fundo, inclusive, com abordagens históricas.
    Tem algum livro para me recomendar?

    Beijos!

  22. Pingback: A difícil vida do privilegiado « AlineValek

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>