Como vocês sabem, eu tenho depressão. Custei a aceitar isso – e às vezes ainda tenho dificuldade em fazê-lo. Minha primeira crise diagnosticada foi em 2010. No ano seguinte, sem tratamento, eu percebi os sinais chegando e fui adiando a ida à médica.
Tentei marcar, não conseguia, e como tudo na minha vida estava uma loucura, fui deixando pra depois. O resultado se mostrou o pior possível. Quando os problemas se acumularam, eu desmoronei. Vocês acompanharam tudo aqui.
Com a última – e séria – crise, eu finalmente compreendi que não adianta eu fugir, fingir que ela não existe. Eu tenho a doença. Ponto final. Sem discussão.
Só que eu ainda não aprendi a lidar com a tristeza e a melancolia. Todas as vezes em que fico pra baixo, o medo toma conta de mim e eu penso que é ela voltando. Começo a pirar, imaginando as semanas que terei pela frente. Logo sinto o chão se abrindo embaixo dos meus pés e isso me desespera. Eu não sou capaz de aguentar tudo de novo.
Mas e se for só tristeza, preocupação, insegurança, coisas que todo ser humano normal – depressivo ou não – sente? Se for porque realmente a vida está mudando e eu estou ansiosa (e um pouco medrosa)? Ao contrário do que as pessoas pensam, os antidepressivos não te deixam dopado; você continua vivendo e sentindo como qualquer outra pessoa.
É exaustivo ficar o tempo todo prestando atenção nas coisas. Se dormi, se comi, se fiz tudo o que havia programado pra aquele dia, se inventei desculpas para não sair de casa. A cada resposta, vou ficando mais ou menos em pânico.
Infelizmente, dessa vez, parece muito mais uma recaída do que tristeza. O bom de estar bem (porque estou) é conseguir perceber isso e ir atrás de virar o jogo. Nunca mais vou cair na besteira de adiar, de deixar pra lá, de achar que consigo sozinha, esperando algo de maravilhoso cair do céu e me tirar do buraco.
O chato é que os momentos tristes, que acontecerão sempre na minha vida e na de qualquer pessoa, vêm com esse gosto de fel, amargando tudo ao redor. Eu ainda não consigo identificar quando a tristeza é passageira ou quando ela quer se instalar de vez. Um dia eu aprendo. Só sei que dessa vez, não. Não tão cedo. Tô de olho em você.

Eu reconheço essa insegurança também, Nádia. É foda porque, no meu caso, a paranoia de observar as recaídas se une a uma personalidade inerentemente melancólica. Essa vigilância é crucial pra não deixar a depressão derrubar a gente outra vez, e não tem receita de bolo pra saber o quê do qual (isso na depressão é ainda mais verdadeiro que em todo o resto). A tristeza é muito sorrateira. Mas, mais uma vez, eu confio na tua capacidade de pegar o leão pelo braço e de volta pra coleira – e acho que você também. Força e coragem, sempre. Abração.
Ai, Luiz Flávio, eu sou melancólica também. Prefiro a noite, a chuva. Gosto de Smiths e Legião. Não sou do tipo que não chora. Enfim. Por isso fica mais foda. Ontem passei o dia ouvindo Smiths. È pq a música é boa? (pq, afinal de contas, é.) Ou por que eu tô doidona?
Just in case, hoje ouvi coisas mais animadinhas. Mas é um trabalho constante, exaustivo. Só de pensar em aguentar isso pro resto da minha vida dá agonia.
É realmente muito doloroso. Mas a gente se acostuma – bem, eu me acostumei. E cada um tem as próprias armas pra manejar. Por alguma razão, eu lido melhor com o spleen quando eu o curto todo. Se estou melancólico, minha música será melancólica – porque se ela não for, minha cabeça começa a girar tudo de cabeça pra baixo e ela -se torna-, e é muito pior quando minha mente inventa a tristeza do que quando ela já está lá pronta. Mas isso sou eu.
E sim, é porque a música é boa. Às vezes tem aquelas horas em que alguma coisa no nosso fundo pede uma nota só, uma canção (ou cancioneiro) só. E vale a pena dar essa colher de chá pra gente mesmo.
Também sou uma pessoa com forte tendência a depressão e a melancolia. Além de ser um pouco anti social. Nesses momentos de crises ouvir smiths é suicídio. Eu também gosto e também ouço. Mas é uma espiral de depressão: quanto mais deprimida mais vc quer ouvi-los e quanto mais vc os ouve, mais vc se deprime.
Eu JAMAIS assisto comedias românticas porque também aumentam a depressão (te fazem sentir mais solitário) nesses momentos de crise eu escuto rock n’roll, heavy metal e assisto filmes de durões. Acredite, ajuda.
Mas tempo ao tempo
oi, nádia. é bastante encorajadora a sua luta, e é bom se conhecer e reconhecer. não acho que você deveria levar tudo isso como uma coisa horrível que está acontecendo. acredito que o mundo está em sofrimento, e nós também fazemos parte disso. há 3 anos sofri de assustadoras crises de pânico e ansiedade. quando tive a primeira, fui ao fundo, não conseguia sair de casa, falar com as pessoas, comer, viver sem ter medo de ter outra crise. fiz terapia durante um tempo, mas as crises voltavam. encontrei um centro budista que realmente me ajudou. não só a ter mais calma, etc. mas a ver a vida com outros olhos, aprendi que devo me melhorar pra poder melhorar o mundo. aprendi a sempre desejar a alegria aos outros, ter compaixão, etc. é claro que é uma luta diária, e tenho recaídas. mas as crises nunca mais voltaram.
te desejo muita força, alegria e amor. e indico, se quiser conhecer, o CEBB (centro de estudos budistas bodisatva). em são paulo, se não me engano, tem no paraíso.
beijo grande!
aliás, lá há horários para iniciantes de meditação com rodas de conversas. são ótimas!
Não sei o que pensa sobre isso mas..tem o Templo Zulai em SP, perto da capital, passeio de carro agradável, lugar lindo, de paz – mesmo que não esteja a fim de papo com Deus, é um lugar pra curtir a natureza, paz…Convida um amigo querido daí e vai – suuper bacana mesmo! :) E não ficam tentando de arrebanhar a qualquer preço não..
Eu não tenho nada a acrescentar sobre isso que tu está vivendo, mas se pensar positivo ajuda de alguma coisa, saiba que te ler é sempre algo que alimenta meu dia. Mesmo ler um dia ruim ou depressivo é bom por saber que tu foi e escreveu, pensou, te colocou no mundo. Só isso :)
Como vc é querido! :D
Oi Nadia! Como portadora de TOC compreendo o que você quer dizer com ter que prestar atenção o tempo todo (se estou ansiosa, se ando comendo, como está minha concentração, etc…) é exaustivo mesmo mas temos que continuar. Estou escrevendo para te assegurar que vc não está sozinha e que mais gente que te lê compreende. Não é alivío, mas…
Boa sorte!
Vc não toma mais nada? Será que parou com a medicação prematuramente? E a terapia? A sua crise é bem recente.
De todo o jeito vc deve se policiar sim mas, ironicamente, essa melancolia de que fala dá um certo gosto pra vida depois que a gente se vê longe dela – não sente assim?
Ouvir – e curtir – Smiths é um privilégio! Uma ‘ maldição ‘ da qual vc não deve abrir mão!! :)
Mas vc é forte, Leticia, vai passar por esses momentos e outros, muito intensos igualmente, da mais profunda e verdadeira felicidade – quem sabe ouvindo o próprio Morrissey? :)
Oi! Adoro seu blog e tudo que vc escreve. Também estou nesse momento da vida (ou da depressão). Fica difícil definir que momento é este… Desejo força. Pra nós. =D
Bom dia! Compreendo seus sentimentos, eu mesma fico melancólica às vezes, mas isso passa. Sou meio Poliana, acredito e tenho esperanças de que tudo há de melhorar, um dia…
Gostas de Smiths? Pois te convido pra ir sábado dia 16/02 no Aquárius Rock Bar, fica lá na Jacu-Pêssego e vai ter show cover deles! E também do The Cure e Depeche Mode! Segue link de lá: http://www.aquariusrockbar.com.br/agenda-producoes-e-eventos.asp
Espero ter ajudado a se alegrar um pouco mais! Bjs
Também sei o que é isso.
Passei anos convivendo com depressão e sofrendo sem procurar ajuda, porque, achava que conseguia superar sozinha, que era uma fase, que ia passar, só que na verdade, não passa, tem dias que é péssimo, outros menos péssimo, mas continua sendo péssimo. Até que eu percebi que não poderia ser normal uma pessoa não ser feliz, nunca.
Quando minha vida virou um caos é que eu decidi fazer alguma coisa, procurar um médico e então comecei a fazer terapia, tomar antidepressivo, e agora estou muito bem, mas já tive inicios de recaídas, mas conseguia identificar junto da minha médica.
Torço pela sua felicidade Nádia, que consiga superar esses momentos ruins!
beijos
Letícia,
Nossa vida é uma constante mudança. Na verdade, essa sensação de que estamos em um barco em alto mar – às vezes com tempestades, às vezes não – é um tanto quanto exaustiva mesmo. Mas, pense que o bonito da vida é saber que enquanto nossos olhos se abrirem, teremos chances de recomeçar e fazer novas escolhas. Você tem feito sua parte, que é procurar o tratamento necessário. O resto, a gente conquista dia-a-dia.
Força sempre!
Bjinhos.
Emy, confesso que me descuidei. É a segunda vez que faço isso. Melhoro e acho que estou curada. Daí ela aparece de novo… Eu abandonei a análise por causa de grana. Achava que iria voltar quando as coisas se ajeitassem, mas continuo sem dinheiro. Então agora vou engolir o mimimi e vou a um terapeuta do plano de saúde. Eu amo minha analista, mas se não é possível por enquanto, paciência.
Acho que você esta certa Letícia. A gente tem que lutar com o que tem. E no mais, quando você estiver melhor financeiramente, você volta pra sua terapeuta. O importante é não parar, não se entregar. A gente tem que tomar cuidado com as coisas, temos de um modo geral o – péssimo – costume de nos sabotar.
Você consegue! Como já conseguiu uma vez. :)
Oi, Nádia!
Fiquei muito feliz lendo o seu texto, porque não são muitas pessoas que falam, abertamente, sobre as suas dificuldades, ainda mais se for caso de uma doença como a depressão.
Eu também demorei muito para aceitar que tinha a doença… Não queria ir ao médico, nem fazer terapia. Eu me interessava tão pouco por mim mesma que qualquer esforço para mudar parecia sem sentido.
Quanto tive a última crise (que foi forte), decidi que iria me tratar, não só naquele momento, mas sempre… Continuo indo à psicóloga até hoje e, embora às vezes seja cansativo conversar sobre os problemas, tenho certeza de que me ajuda muito.
Eu também me considero uma pessoa melancólica e, até certa medida, isso é positivo para mim, porque aumenta a minha inspiração na hora de escrever. Mas, sobre o que você falou de aprender a reconhecer os sinais, acho que essa é uma indagação constante de quem sofre da doença…
A minha depressão esteve muito relacionada a frustrações, algumas mais profissionais (como o vestibular), e outras amorosas. Funcionou bastante, para mim, redobrar a atenção quando se tratava desses assuntos: antes de fazer o vestibular de novo, reforcei a terapia, conversei bastante com meu médico, e tentei viver um dia de cada vez. No caso dos problemas amorosos, é mais difícil, porque eu sou muito sensível e emotiva. Mas, atualmente, eu faço desse jeito: choro tudo o que tiver que chorar no dia, fico quietinha processando tudo o que aconteceu, respeito o período da saudade da pessoa (que é natural para todo mundo), e depois, sigo em frente e não deixo nenhum pensamento ruim me dominar e me puxar para baixo.
Espero ter ajudado em algo!
Estou torcendo por você, e quero continuar lendo tudo o que você escreve, porque me ajuda muito e tenho certeza de que ajuda muitas outras pessoas também!
Beijo grande!
Leticia, vc já leu Demônio do Meio-dia? Fala sobre um cara q enfrenta a depressão na vida dele e ele conta várias histórias de outros personagens reais q vivenciaram isso.
Eu não terminei ainda, pq estou lendo aos poucos. Preciso ir elaborando. Ele descreve coisas muito vivas pra mim e, ainda, não superei totalmente.
Mas estou gostando e me faz enxergar várias vertentes dessa “companheira” pra vida toda.
Ele faz uma analogia da depressão com uma trepadeira em volta de uma árvore sadia…a árvore ainda está lá, mas a trepadeira tomou conta e, se permitir, ela suga a árvore até a morte.
Fica então a dica…e uma vez deprimida, a atenção tem q ser constante.
bjao, Carol!
Oi, Carol!
Quando tive minha crise em 2011, várias pessoas indicaram o livro aqui no blog. Eu comprei e demorei a ler- de fato, é preciso ir “elaborando”. Já li, gostei muito e indico sempre.
Eu estou melhor hoje, então acho que era só melancolia, mesmo.:D
Olá, moça!
Vou comentar pq me identifiquei com você. Tanto pelo seu gosto músical (muito importante) quanto pelas suas opiniões. É a primeira vez que te leio, já tinha ouvido falar do seu livro mas nunca li e talvez nunca leia.
Mas hey, você chamou minha atenção (o que é algo raro). O que eu quero dizer é que você não é uma pessoa vazia como a esmagadora maioria das pessoas, vc sente, pensa e tem opinião e admiro isso acima de tudo. O que me faz crer que você é completamente capaz de superar qualquer desafio que a vida te apresente, inclusive uma depressão. Odeio ver pessoas ‘grandiosas’ sofrendo, mas acredito que faça parte. Renato Russo tentou se matar uma vez, mas ele não desistiu de verdade, nenhuma vez.
Não estou, nem de longe, falando para vc ignorar sua depressão. Estou dizendo que você é foda e que outras pessoas fodas reconhecem você, e isso não é pouca coisa. Então lute contra isso e vença. Se recair, lute e vença de novo. E se precisar de ombro amigo ou gente pra conversar tenho certeza que vc vai encontrar, fácil e boas pessoas.
Talvez não soe verdadeiro de um desconhecido da internet que te leu somente uma vez (embora tenha visto bastante coisa sua hoje) mas te desejo melhoras, do fundo do meu coração.
E força sempre. :)
Querida, muita força para você.
Beijocas
Letícia, não tem nada a ver com o assunto em pauta. Leia isso aqui: http://www.facebook.com/OMachismoNossoDeCadaDia
Oie!
Nádia, queria que vc citasse os sintomas da depressão. Caso vc já tenha feito isso, por favor, coloque o link do post, sim?
Muita força pra vc.
Abraço e se cuida.
Priscila, tem uma tag “depressão”. Lá você encontra vários textos. Infelizmente alguns estão “privados”, mas eu vou recolocando no ar aos poucos.
Esse aqui tem algumas info: http://cemhomens.com/2011/11/depressao-ou-nao/
Beijos
Oi Nádia! (ou Leticia? acompanho o blog a pouco tempo, não sei o porquê dos dois nomes), fico muito feliz em saber que você está melhor! Ontem eu também estava mal, tô com medo da depressão que tive há 5 anos se instalar de novo, porém hoje acordei melhor. Tava pesquisando sobre pensar positivo e ouvindo alguns áudios do Gasparetto. Já ouviu? Apesar de não ser religioso, eu gosto muito (ele não cita quase nada sobre nos áudios), então ouvi “enfrentando o medo” e “enfrentando a depressão”, e gostei muito, porque parece bem mais elaborado e argumentativo do que psicologia de rodoviária. Enfim, espero que você não pense na agonia que é ter que aguentar isso a vida toda, porque afinal, a gente não sabe e adiar isso é bobagem, né? Se quiser eu te mando os áudios depois, acho que meu e-mail fica disponivel pra você ^^ Beijão e se cuide!
Oi, Vitor.
É que antes eu assinava com pseudônimo – Letícia.
Meu nome, mesmo, é Nádia. :)
Eu agradeço a dica, mas eu não acredito no que o Gasparetto diz. Mas é como sempre falo aqui: o que importa é o que te faz bem. Se serviu pra você, ótimo. Fico na torcida.
Boa tarde
Vi ontem uma reportagem na Globo sobre isso e mostrou a evolução de uma mulher que sofria muito e com terapia e remedios havia melhorado.