Já conheci e me envolvi com muito homem nessa vida. Tentei tratá-los bem e muitas vezes, creio eu, isso passou a mensagem errada. Afinal, “se uma mulher está transando comigo, se importa e está por perto, ela quer namorar comigo, com certeza”.
Não. Simplesmente não.
Talvez eu trepasse com você porque você é gostoso, porque meus hormônios estavam me pirando, porque eu estava triste, porque eu não soube dizer não, porque foi cômodo, porque eu não estava fazendo nada e você também, porque eu estava na seca. E, também, porque talvez eu estivesse muito, muito, muito atraída por você e quis saber no que tudo isso ia dar.
Deixei pra trás algumas dessas “justificativas”. Aprendi a dizer não, por exemplo. Mas nem sempre o que me leva a transar com um cara é algo considerado nobre por essa sociedade que separa sexo de respeito. Pra mim, as coisas são indissociáveis.
E, talvez, lidar bem com sexo casual dê um nó na cabeça de alguns (muitos) homens. Criou-se a lenda de que a mulher só faz sexo para conseguir algo em troca: dinheiro, presentes, emprego, atenção. Nunca é simplesmente porque ela gosta.
Como sabem que eu não quero bens materiais, pronto – resta a teoria de que eu quero namorar com eles. Parece um tipo de prêmio. Só isso explica o motivo pelo qual vários caras com quem saí venham me avisar de que estão namorando; como se a partir daquele momento eles de repente ficassem off limits.
Sei que várias vezes é porque eles não querem “criar problemas” com a namorada, e a própria ideia de simplesmente falar com alguém ser uma espécie de traição me irrita. O fato de eu já ter transado ou ter desejado transar com um homem não quer dizer que eu serei inconveniente ou farei qualquer coisa contra a vontade dele. Mas, é claro, se ele pular a cerca a culpa seria minha, que me ofereci.
Perdi a conta das vezes em que fui avisada do início do relacionamento com outra mulher. Sempre fiquei com cara de ??, porque, com toda a honestidade do meu ser, na maioria das vezes eu estava cagando quilos.
Mas essa semana aconteceu algo ainda mais curioso. Converso há semanas com um moço. No início até rolou flerte, mas logo desencanamos dessa situação. Notei que ele era desses que param a conversa no meio e somem (vão dormir, tomar banho, fazer qualquer coisa cotidiana – e necessária – mas não avisam). Como tal atitude me irrita sobremaneira, perdi qualquer resquício de interesse sexual no moço. E, bom, era bem pouco até então.
Ainda assim, mandei um whatsapp só de “oi, tudo bem? voltou bem de viagem?” enquanto estava no trânsito, parada há uma hora na Marginal Pinheiros. “Voltei e estou quase namorando.”
What?
Eu nunca sequer beijei esse homem. Como ele, grande parte dos caras que resolveram me avisar do novo status não tinham relevância na minha vida. Alguns, claro, partiram meu coração ao ficarem com outra garota, ainda que meu sentimento por eles fosse, na verdade, apenas carência afetiva. Hoje encaro tudo diferente, mas não vou mentir e dizer que eu sempre ignorei todos eles.
Só que com esses caras havia alguma relação e envolvimento incontestável. Eram pessoas com quem eu falava cara a cara (e corpo a corpo). Aí sim faz sentido contar sobre eventuais mudanças no estado civil.
Fora isso, parece coisa de gente arrogante. E nem adianta dizer “tudo bem” e falar que nada mudou: eles juram que você está querendo sair por cima, como se fosse necessário fingir alguma coisa.
Não, eu simplesmente não me importo. Mas enquanto continuarmos nessa cultura de “sexo oposto” e de “conquista”, isso vai continuar acontecendo. É uma eterna briga de egos. Se antes de verbalizarem o novo compromisso eu em diversas ocasiões já não me importava, tirar a informação da cartola sem nenhum contexto me faz é perder qualquer tipo de interesse. Não só por não querer compactuar com qualquer tipo de traição de um relacionamento monogâmico (os deuses sabem como já me envolvi com homens comprometidos), mas porque não há nada mais broxante do que a arrogância de imaginar que o outro está na sua mão. Parece que o controle entre ficar junto ou separado está nas mãos de uma pessoa só. Certamente não está na minha, mas é ainda mais certo de que não está na dele.
(no meu caso, na delessssssssss, com um plural quase infinito.)
(e eu imagino que mulheres também façam isso. mas minha experiência é heterossexual.)






