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	<title>Cem Homens</title>
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	<description>Por Letícia F.</description>
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		<title>A terceirização da culpa</title>
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		<pubDate>Wed, 15 May 2013 19:11:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Letícia F.</dc:creator>
				<category><![CDATA[agressão]]></category>
		<category><![CDATA[estupro]]></category>
		<category><![CDATA[cultura do estupro]]></category>

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		<description><![CDATA[Várias pessoas me mandaram o link da coluna de domingo da Danuza Leão na Folha. Eu li, fiz alguns comentários no Twitter, mas sinceramente não ia escrever nada a respeito. Afinal, todos os dias eu leio textos e comentários com &#8230; <a href="http://www.cemhomens.com/2013/05/a-terceirizacao-da-culpa/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Várias pessoas me mandaram o <a href="http://www1.folha.uol.com.br/colunas/danuzaleao/2013/05/1277445-evitando-os-riscos.shtml" target="_blank">link da coluna de domingo da Danuza Leão na Folha</a>. Eu li, fiz alguns comentários no Twitter, mas sinceramente não ia escrever nada a respeito.</p>
<p style="text-align: justify;">Afinal, todos os dias eu leio textos e comentários com o mesmo discurso: de que as mulheres precisam se preservar, que a culpa das agressões sexuais é da roupa que elas estão vestindo, que os hormônios fazem os homens enlouquecer e atacar mulheres nas ruas. Se eu for fazer um post a cada vez que vejo um absurdo desses, não farei outra coisa na vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Porque, infelizmente, esse é o discurso da maioria.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/skirt.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4194" alt="skirt" src="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/skirt-231x300.jpg" width="231" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Agressões sexuais acontecem em qualquer cidade, em qualquer classe social, com pessoas de qualquer idade. Não é um crime do<em> OUTRO</em>. Ele está bem próximo, ameaçando todos nós, o tempo todo. Pode acontecer com você, com a sua irmã, mãe, namorada. Ainda que as estatísticas sejam mais baixas de homens como vítimas, essa também é uma realidade que não deve ser esquecida ou menosprezada.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, se homens são também vítimas de estupro e outras agressões sexuais, como se pode em 2013 justificar tais crimes pela roupa curta?</p>
<p style="text-align: justify;">André Forastieri, colunista do R7, <a href="http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2013/05/14/salve-jorge-e-a-propaganda-da-prostituicao/" target="_blank">fez isso ontem</a> (copio só o último parágrafo abaixo):</p>
<p style="padding-left: 30px; text-align: justify;"><em>Nada de moralismo aqui. A juventude que faça o que quiser com seus orifícios e protuberâncias. Mas se as moças dão pinta de puta, serão tratadas por muitos rapazes de acordo, sendo ou não. É melhor para as meninas valorizar algo mais que suas partes. Sou todo a favor do sex-appeal (surpresa!). Mas cresci interessado por moças que  seduzem com mais do que carne à mostra, e que fazem questão de ser tratadas de igual para igual. Ser amado por uma mulher assim, não há dinheiro que pague. Mesmo que seja por só uma noite&#8230;</em></p>
<p style="text-align: justify;">Eu ainda não consegui entender duas coisas do texto do Forastieri. Ele diz que as moças hoje estão se vestindo de maneira sedutora, &#8220;mostrando as carnes&#8221;. Ele estava em coma nos últimos, sei lá, 50 anos?</p>
<p style="text-align: justify;">Outra parte foi essa de &#8220;as moças serão tratadas como puta&#8221;. O que é tratar alguém como puta? Putas podem ser tratadas como indignas de respeito? Como funciona isso?</p>
<p style="text-align: justify;">Ler tamanho desatino me fez ficar pensando porque as pessoas insistem em querer dizer como o outro deve se vestir ou se comportar. Ok, é controle, já falei isso mil vezes aqui no blog.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas me parece que tem algo ainda por trás de tudo isso. Assim como agressões sexuais podem acontecer com qualquer um de nós, muitos de nós também podemos ser os agressores. Ou vocês acham que os 17 casos de estupro denunciados todos os dias no Rio de Janeiro são perpetrados pelo mesmo louco estuprador? Os criminosos também são nossos amigos, colegas de faculdade, familiares, parceiros.</p>
<p style="text-align: justify;">Repetindo o discurso de colocar a culpa na vítima, essas pessoas estão não apenas absolvendo os criminosos denunciados, mas a si mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Se eu avancei mais do que devia, a culpa foi dela, que me provocou.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Se eu desrespeitei uma desconhecida na rua, a culpa foi dela, que estava com um decote com os peitos pulando pra fora.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Se eu constrangi uma colega de trabalho, a culpa foi dela, que fala abertamente sobre sexo e eu achei que estava me cantando.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Se eu passei a mão na garota no metrô, a culpa foi dela, que tem uma bunda grande e estava de calça colada e eu não me controlei. São meus hormônios.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">É a terceirização da culpa, como se não fossemos capazes de responder pelos nossos próprios atos. Vejam que não incluí nos exemplos acima a penetração à força, porque essas pessoas que repetem o discurso da culpabilização da vítima também dizem repudiar tal agressão.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas se elas justificam agressões &#8220;menores&#8221;, elas estão corroborando com uma cultura que nega o direito ao próprio corpo, com consequências terríveis para as vítimas.</p>
<p style="text-align: justify;">Agredir verbalmente, desconfiar da vítima, passar a mão, penetrar com dedos, pênis ou qualquer outro objeto, tudo isso faz parte da mesma cultura. Esses atos são cometidos por alguém, não são uma simples reação ao comportamento da vítima. Chega de terceirizar a culpa.</p>
<p><a class="a2a_button_facebook_like addtoany_special_service" data-href="http://www.cemhomens.com/2013/05/a-terceirizacao-da-culpa/"></a><a class="a2a_button_twitter_tweet addtoany_special_service" data-count="none" data-url="http://www.cemhomens.com/2013/05/a-terceirizacao-da-culpa/" data-text="A terceirização da culpa"></a><a class="a2a_button_google_plusone addtoany_special_service" data-annotation="none" data-href="http://www.cemhomens.com/2013/05/a-terceirizacao-da-culpa/"></a><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cemhomens.com%2F2013%2F05%2Fa-terceirizacao-da-culpa%2F&amp;title=A%20terceiriza%C3%A7%C3%A3o%20da%20culpa" id="wpa2a_2">Compartilhar</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Ciúme não salva, ciúme naufraga</title>
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		<pubDate>Tue, 14 May 2013 16:15:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Letícia F.</dc:creator>
				<category><![CDATA[mídia]]></category>
		<category><![CDATA[namoro]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamento aberto]]></category>
		<category><![CDATA[ciúme]]></category>
		<category><![CDATA[insegurança]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre me achei uma mulher ciumenta. Está lá na descrição astrológica do meu signo (sou escorpiana) e tudo. Aceitei como verdade e, ao me perguntarem se eu tinha ciúme, respondia que sim. Fazia ressalvas: &#8220;não tenho ciúme de familiares ou &#8230; <a href="http://www.cemhomens.com/2013/05/ciume-nao-salva-ciume-naufraga/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Sempre me achei uma mulher ciumenta. Está lá na descrição astrológica do meu signo (sou escorpiana) e tudo. Aceitei como verdade e, ao me perguntarem se eu tinha ciúme, respondia que sim.</p>
<p style="text-align: justify;">Fazia ressalvas: &#8220;não tenho ciúme de familiares ou de amigos&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Com namorados, era meio desconfiada, mas nunca criei caso para eles saírem sozinhos, irem beber uma cerveja com os amigos, jogarem bola sei lá qual dia da semana. Eu achava isso natural, uma vez que eu também queria meus momentos sozinha. Se o cara SÓ quisesse fazer programas sem mim, aí sim eu acharia estranho.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje sou adepta das relações abertas, mas lembro perfeitamente quando tinha 16 anos e um namorado de quem gostava muito. Eu amava sair à noite para esses lugares que tocam música de rádio. Ele detestava. Decidimos que eu ia a uma festa e ele não. Como fui me arrumar na casa de uma amiga, ele passou lá para me ver. Queria saber como eu ficava maquiada, de vestido e de salto (não usava nada disso na época). Fez elogios, me deu um beijo e voltou pra casa. Eu fui pra night.</p>
<p style="text-align: justify;">Maduros? Não. Nós tínhamos 16 anos! Só que existem coisas que são básicas: o direito à intimidade é uma delas.</p>
<p style="text-align: justify;">Quero dizer, eu achava.</p>
<p style="text-align: justify;">De vez em quando ouço histórias de namoradas (e namorados) que fuçam carteira, celular, gavetas. Sempre acho exagero de quem está contando.<em> Não é possível que exista alguém assim</em>, penso.</p>
<p style="text-align: justify;">Até comprar uma revista feminina esse mês.</p>
<p style="text-align: justify;">Na capa, a chamada: QUANDO O CIÚME PODE SALVAR SEU RELACIONAMENTO.</p>
<p style="text-align: justify;">What? Repita, por favor:</p>
<p style="text-align: justify;">QUANDO O CIÚME PODE SALVAR SEU RELACIONAMENTO</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Calma. Isso só pode estar errado. Ciúme faz relacionamento naufragar, isso sim. Deve ter sido um erro de diagramação.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Fiquei repetindo isso como mantra, mas aí abri a revista na página da reportagem. No subtítulo: &#8220;Mas calma: se você souber usar esse &#8216;excesso de cuidado&#8217; a seu favor, vai conseguir deixar o cara ainda mais apaixonado&#8221;. Gente? Até na hora de ser uma louca varrida a intenção é &#8220;segurar o gato&#8221;?</p>
<p style="text-align: justify;">A reportagem indica 12 passos para a &#8220;recuperação&#8221; do ciúme &#8211; na verdade, de demonstrações de ciúme, para que o namorado não perceba que você está no encalço dele. Afinal, &#8220;você não quer dividi-lo com ninguém. É como se o ciúme funcionasse como um detector de ameaças, acionado toda vez que uma periguete entra em cena&#8221; (palavras da revista. slut shaming incluído).</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo a revista, tudo bem ser ciumenta, porque o gato já sabia desse seu traço de personalidade e se beneficia com isso (?).</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o que me deixou passada, mesmo, foi um dos 12 passos, logo o primeiro, que copio integralmente abaixo. O grifo ao final é meu.</p>
<p style="padding-left: 30px; text-align: justify;"><strong>Admito que sinto ciúme, sim</strong></p>
<p style="padding-left: 30px; text-align: justify;">Você não é a última e nem a primeira mulher a ter ciúme. Então, não se sinta péssima porque perdeu a linha uma hora ou outra &#8211; seria preciso ter um coração de pedra para não pirar com certas situações. Não é fácil definir até onde o ciúme &#8220;normal&#8221; vai &#8211; a linha é tênue! <strong>Um bom termômetro é prestar atenção em quanto tempo você gasta com ele. O ideal é não ultrapassar uma hora por dia,</strong> duração necessária para se incomodar com algo e resolver, seja falando com o gato, seja sozinha.</p>
<p style="text-align: justify;">UMA.HORA.POR.DIA.SE.ESTRESSANDO.COM.CIÚME.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma hora a menos de sono, um episódio inteiro de The Big C, várias páginas de um livro, um banho maravilhoso cheio de coisas cheirosas. E, se for pra incluir o <em>gato, </em>imaginem o tanto de coisa que dá para fazer com ele em uma hora!</p>
<p style="text-align: justify;">Somando tudo, dá para fazer uma PÓS GRADUAÇÃO no tempo em que uma revista feminina, em 2013, diz para você se preocupar com ciúme.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois tem um monte de outras baboseiras, mas foi ali que descobri que as pessoas instalam Google Latitude no celular do namorado. Eu super achava que estava stalkeando algum bonitinho por ler o twitter dele de tempos em tempos, mesmo sem segui-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu já fiz muita cagada em relacionamentos amorosos. Várias delas em razão da insegurança, que também é motor do ciúme. Mas esta insegurança estava em mim mesma, não no meu parceiro. Ele não era culpado pelas coisas que eu sentia &#8211; e, se eu continuei sentindo, mesmo quando mudei de parceiro, é porque de fato o problema era comigo. Sou EU que tenho que resolver isso.</p>
<p style="text-align: justify;">E não para agradar o gato, como dizem as revistas femininas, mas porque eu mesma não posso sofrer e sofrer e sofrer em razão de um problema pelo resto da minha vida. Segundo a revista, posso perder uma hora por dia com isso. Acho que tenho coisas melhores a fazer.</p>
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		<title>Top 5 dos erros no sexo</title>
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		<pubDate>Mon, 13 May 2013 16:23:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Letícia F.</dc:creator>
				<category><![CDATA[prazer]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>

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		<description><![CDATA[Há algumas noites conversamos no Twitter sobre o que era menos legal no sexo. Fiz meu Top 5. Depois comecei a pensar em quantas mil outras coisas eu achava detestáveis. Resolvi, por isso, fazer esse Top 5 combinando a minha &#8230; <a href="http://www.cemhomens.com/2013/05/top-5-dos-erros-no-sexo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Há algumas noites conversamos no Twitter sobre o que era menos legal no sexo. Fiz meu Top 5. Depois comecei a pensar em quantas mil outras coisas eu achava detestáveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Resolvi, por isso, fazer esse Top 5 combinando a minha contrariedade à prática e a regularidade com a qual essa prática acontece. Isso é o que <span style="text-decoration: underline;"><strong>eu</strong></span> penso; há pessoas que curtem algumas dessas coisas que eu detesto (como o basquetinho), então o ideal &#8211; sempre &#8211; é checar com o parceiro se ele está gostando.</p>
<p style="text-align: justify;">E não é a pergunta &#8220;tá gostando?&#8221;,  porque isso pode fazer o outro ficar envergonhado de dizer que não. Você pode captar os sinais; ficar atento aos sons; observar se a pessoa &#8220;se entrega&#8221; ou se afasta o corpo, ainda que lentamente; testar um novo jeito, uma nova posição, e perguntar qual o parceiro prefere.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Afinal, sexo não é masturbação acompanhada, mesmo que seja casual</strong>. É para todo mundo envolvido sair dali feliz, feliz.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas há algumas coisas que tiram um pouco desse brilho de felicidade. Quais são as suas?</p>
<p style="text-align: justify;">As minhas são essas:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1) Insistência</strong>. O cara que insiste pra transar, depois insiste para fazer anal, depois insiste pra gozar na sua boca, depois insiste pra qualquer outra coisa. Não suporto. Uma pessoa que faz isso evidentemente foi criado pensando que assim se consegue levar alguém pra cama e não está nem aí pro seu prazer. Se você NÃO QUER fazer algo, a probabilidade de você curtir quando está engajado na situação é bem pequena.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2) Basquetinho. </strong>Quando falei no Twitter, várias pessoas não sabiam do que se tratava. Imagine o sexo oral e, enquanto você está lá chupando, o parceiro começa a empurrar sua cabeça, como se estivesse batendo uma bola de basquete. Acho desconfortável. Em algumas situações, pode ser que ele empurre demais e, bom, a ânsia de vômito apareça. Nada legal, né? E eu tenho um outro problema com isso; parece que o cara quer comandar &#8211; e não sinto tesão nisso.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/buzina.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4182" alt="buzina" src="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/buzina-300x111.jpg" width="300" height="111" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3) Meu peito não é buzina</strong>. Meu peito é grande desde que entrei na puberdade, então já perdi a conta das vezes em que ele foi apertado como se fosse a buzina do Chacrinha. Era batata: qualquer tipo de aproximação de cunho sexual começava pelo FÓN FÓN nos meus peitos. Se já é super boring, muitas vezes eu estava com sutiã de bojo &#8211; isto é, o cara apertava uma espuma! Com o tempo as coisas foram melhorando e hoje em dia isso é menos comum, mas sempre há um desavisado. Felizmente não tenho mais TPM (ser apertada neste momento é ainda pior).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4) Segurar demais o orgasmo.</strong> Na nossa sociedade falocêntrica, acha-se que manter a ereção peniana por muuuuuuuito tempo é sinal de virilidade. Além disso, superestima-se o orgasmo. Resultado: o cara segura durante muito tempo, esperando que a parceira goze (ainda que tudo o que ele esteja fazendo é aquele vai e vem totalmente britadeira). E nada. A lubrificação acaba, ele cospe (nem todos, claro, ainda bem) e continua. No outro dia, não dá para fazer xixi sem sentir ardor. No, thanks.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5) Flanelinha.</strong> Decorrente do item anterior. Com a demora para gozar e o desespero para o pinto não amolecer nunca (tudo bem amolecer, gente, depois fica duro de novo), é preciso trocar de posições. E se o cara puder mostrar quantas ele conhece, então! Nossa! Ganhou um passaporte pro inferno. É um tal de &#8220;agora fica de quatro&#8221;, &#8220;agora vem por cima&#8221;, &#8220;vamo ali pra sala&#8221;, &#8220;senta aqui na beiradinha da cama&#8221;, assim, sem parar, como se fosse um flanelinha te ajudando a manobrar o carro. Detalhe: dirijo bem pra cacete e não preciso de ajuda.</p>
<p style="text-align: justify;">Tem muito mais coisa, muito mesmo: gente que cospe/usa saliva como lubrificante, quem lava o pau na pia (esquecendo que outras pessoas vão usá-la, escovar os dentes e tal, além de ignorar a existência da virilha), quem se recusa a usar camisinha, quem bate com o pau na minha cara, quem pergunta se eu quero &#8220;leitinho&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Nossa, posso continuar isso pra sempre! E você? Quais práticas comuns que você não curte? Me conta.</p>
<p><a class="a2a_button_facebook_like addtoany_special_service" data-href="http://www.cemhomens.com/2013/05/top-5-dos-erros-no-sexo/"></a><a class="a2a_button_twitter_tweet addtoany_special_service" data-count="none" data-url="http://www.cemhomens.com/2013/05/top-5-dos-erros-no-sexo/" data-text="Top 5 dos erros no sexo"></a><a class="a2a_button_google_plusone addtoany_special_service" data-annotation="none" data-href="http://www.cemhomens.com/2013/05/top-5-dos-erros-no-sexo/"></a><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cemhomens.com%2F2013%2F05%2Ftop-5-dos-erros-no-sexo%2F&amp;title=Top%205%20dos%20erros%20no%20sexo" id="wpa2a_6">Compartilhar</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Falando com portas</title>
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		<pubDate>Thu, 09 May 2013 23:32:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Letícia F.</dc:creator>
				<category><![CDATA[notas]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu sinto como se estivesse parada em frente a uma porta, fechada, falando incessantemente. Nenhum som além da minha voz. Nem o vento entrando pela fresta da janela. Na verdade, não tem janela nenhuma neste cômodo. Só sou eu, de &#8230; <a href="http://www.cemhomens.com/2013/05/falando-com-portas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Eu sinto como se estivesse parada em frente a uma porta, fechada, falando incessantemente. Nenhum som além da minha voz. Nem o vento entrando pela fresta da janela. Na verdade, não tem janela nenhuma neste cômodo. Só sou eu, de pé, e a porta. Fechada.</p>
<p style="text-align: justify;">Por mais que eu me esforce para abri-la, parece que ela está emperrada. Experimento todas as chaves. Puxo a maçaneta. O som da minha voz se mistura com as batidas na porta e os pedidos de socorro.</p>
<p style="text-align: justify;">Nada.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas eu fico ali, falando, olhando para a porta, esperando que alguma coisa aconteça. Até paro de bater. Simplesmente não adianta.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">É assim que eu me sinto na internet. Há dois anos. No primeiro deles, sofri toda sorte de xingamentos, agressões e injúrias. Sofri muito, de verdade. Foi péssimo para a minha autoestima e para meu estado emocional.</p>
<p style="text-align: justify;">Assumir minha identidade, ainda que muita gente já soubesse quem eu era, foi um ato de coragem. Tive de enfrentar, então, mais um monte de outros julgamentos, agressões e injúrias, dessa vez de pessoas do meu mundo real.</p>
<p style="text-align: justify;">Para completar, naquele momento minha aparência física estava ainda mais em evidência, sob o escrutínio constante de quem obviamente não vê outro propósito na vida além de agredir e humilhar os outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Passei por mais um ano. Agora, quando recebo mensagens me chamando de feia, <em>feminazi</em> ou algum outro termo imbecil, eu rio. Gargalho, até. Tenho o costume até de bater palminha. Uma só, acompanhando o riso aberto e barulhento.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas agora eu não aguento mais. Eu cheguei ao limite da minha sanidade. Continuo rindo das mensagens absurdas, mas não suporto mais aqueles que dizem, em tom meio paternalista meio ditatorial, como eu devo escrever, sobre o que devo escrever, como devo pensar, quantos tuítes eu devo postar por dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas mensagens não vêm com xingamentos óbvios. Por trás das palavras, uma crítica óbvia e amarga, dedos apontados, uma lupa procurando qualquer &#8211; qualquer &#8211; incoerência no discurso.</p>
<p style="text-align: justify;">Há uma revista nas bancas, não lembro qual, com a Sabrina Sato na capa.  A manchete é &#8220;como lidar com a agressão na internet&#8221;. Segundo o que li enquanto estava na fila do supermercado, o segredo é não responder.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso vale para grandes celebridades, que usam as redes sociais como forma de autopromoção e para divulgação de eventos. Elas também ganham dinheiro se disserem que estão usando a roupa de tal marca ou bebendo tal cerveja.</p>
<p style="text-align: justify;">Para completar, as celebridades contam com assessoria de imprensa para filtrar as mensagens. Uma blogueira como eu, no entanto, está na linha de frente. Leio todos os e-mails, todos os replies, todos os comentários no blog.</p>
<p style="text-align: justify;">Nem sempre tenho tempo ou vontade de responder, mas leio <strong>tudo.</strong> Há dois anos. E não foi pouco: teve vlogger com mais de um milhão de seguidores fazendo vídeo para me sacanear, teve programa de rádio entrevistando outra pessoa se passando por mim, teve ameaça, teve análise minuciosa do meu corpo.</p>
<p style="text-align: justify;">E eu estou exausta. Eu simplesmente não aguento mais.</p>
<p style="text-align: justify;">Jamais ganhei dinheiro com isso aqui. Ganhei outras coisas: amigos, apoio, conhecimento. Nenhum dos meus frilas, que por sinal nem pagam minhas contas, têm a ver com o blog. Todos são de outras áreas. Fui contratada por pessoas que provavelmente nem sabem que eu fui um dia a Letícia.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre meu livro, basta vocês saberem que um autor no Brasil ganha entre 5 e 15% do valor de capa. Um mês trabalhando em redação faria entrar mais dinheiro no meu bolso do que se eu esgotar a edição do livro.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu amo o Twitter e amo o blog. Eu não quero abandonar nenhum dos dois &#8211; o blog com certeza continuará existindo, porque eu gosto muito mesmo. Mas estou chegando num ponto em que não vou mais conseguir deixar os comentários abertos, tampouco vou querer usar o Twitter. Eu até o fechei há alguns dias, reabri depois de uma semana, mas eu considero realmente deletá-lo de vez.</p>
<p style="text-align: justify;">Por favor, lembrem-se que aqui deste lado da tela há um ser humano real, extremamente envolvido com as causas com as quais se identifica. Eu tenho problemas como qualquer ser humano; de grana, de enxaqueca, de mau humor meio sem razão. Tem dias, como hoje, que não dá para segurar a onda.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de criticarem, de apertarem o send se dirigindo a mim, de serem escrotos, pensem se vocês gostariam de ler aquilo. Multiplicado por dez, pra dizer o mínimo.</p>
<p style="text-align: justify;">Muita gente diz que o outro não sabe ouvir críticas. Eu sei, mas não gosto. Você gosta? Fica bem pior quando eu não conheço a pessoa, e tudo o que ela sabe de mim é pelo Twitter ou pelo blog &#8211; e se ela começou a me ler nos últimos meses, ela basicamente não sabe de nada.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu sempre me expus demais e sei que isso dá uma falsa sensação de intimidade. Prefiro achar que algumas leitoras são, sim, minhas amigas, e que a gente pode confessar qualquer coisa uma para a outra.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, há coisas que você não diz nem para a sua melhor amiga. Se você está perfeitamente decidida a dizer a ela coisas difíceis, certamente (eu espero) você vai aguardar o melhor momento e o melhor ambiente para tanto. Então por que você acha que o Twitter é o melhor lugar para me &#8220;falar umas verdades&#8221;?</p>
<p style="text-align: justify;">Por favor, lembre-se de mim aqui desse lado da porta. Eu sei que você não me enxerga. Mas eu estou aqui.</p>
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		<title>Livro: &#8220;A culpa é das estrelas&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 09 May 2013 16:37:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Letícia F.</dc:creator>
				<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[a culpa é das estrelas]]></category>
		<category><![CDATA[john green]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou lendo compulsivamente. Mesmo. A maior parte do meu tempo se volta para textos feministas, e por isso mesmo quero &#8220;dar uma respirada&#8221; e buscar  obras sobre outras coisas. Foi assim que cheguei ao A culpa é das estrelas, de &#8230; <a href="http://www.cemhomens.com/2013/05/livro-a-culpa-e-das-estrelas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Estou lendo compulsivamente. Mesmo. A maior parte do meu tempo se volta para textos feministas, e por isso mesmo quero &#8220;dar uma respirada&#8221; e buscar  obras sobre outras coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi assim que cheguei ao <em>A culpa é das estrelas</em>, de John Green. Ele figura na lista dos mais vendidos, uma grande amiga adorou, há diversas postagens no tumblr a respeito dele.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/a-culpa-é-das-estrelas.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4169" alt="a culpa é das estrelas de john green" src="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/a-culpa-é-das-estrelas.jpg" width="640" height="427" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Sabia que a obra é voltada a jovens adultos, então imaginava mais ou menos como seria a fluidez do texto. Não tenho nada contra coisas feitas para adolescentes: assisto (e adoro) <a href="http://www.imdb.com/title/tt1663676/?ref_=sr_1" target="_blank">Awkward.</a> e <a href="http://www.imdb.com/title/tt2407574/?ref_=sr_1" target="_blank">My Mad Fat Diary</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">A história é a seguinte (e não vou dar spoiler, não se preocupem): uma adolescente chamada Hazel conhece Augustus. Ambos têm câncer e se encontram num grupo de apoio. Ela, <em>claro</em>, é boba, desajeitada e insegura. Ele, engraçado, divertido e seguro (<em>claro</em>). E eles se apaixonam &#8211; <em>claro</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Até aí, ok, livros de amor são assim mesmo, apesar de já estar cansada de tantas mocinhas pobres, indefesas e à espera de um homem salvador que as tirará do buraco.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo no final do primeiro capítulo, Hazel decide ir à casa de Gus (Augustus) para assistir um filme, apesar de não conhecê-lo. Ela pega carona com ele após a reunião do grupo de apoio.</p>
<p style="text-align: justify;">Pra mim, o problema começa aí.</p>
<p style="text-align: justify;">Eis a narrativa:</p>
<p style="padding-left: 30px; text-align: justify;"><em>Eu deveria estar nervosa &#8211; sentada no carro de um estranho, indo para a casa dele, perfeitamente ciente do fato de que meus pulmões de araque iriam dificultar quaisquer esforços para evitar avanços indesejados.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Eu vivo no mundo real (mais do que eu gostaria) e eu sei que mulheres temem pegar carona com estranhos. Porém, não me parece nada razoável que um livro voltado para adolescentes normatize isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Entendo que a ficção &#8211; e, infelizmente, obras baseadas em fatos reais também &#8211; deve ter personagens falhos. Joseph Campbell, na conhecidíssima jornada do herói, mostra muito bem como o herói/heroína precisam ter um quê de defeito, porque só assim eles se tornam humanos. Se forem perfeitos, o leitor/espectador não consegue se identificar com eles.</p>
<p style="text-align: justify;">Da mesma forma, não sou contrária ao uso de personagens que estão beeeeeem distantes da perfeição, como vilões sanguinários e sem caráter.  No entanto, o<em> A culpa é das estrelas</em> não tem essa pegada. Pelo contrário. É visto como um livro fofo, de amor, de companheirismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, normatizar a cultura do estupro dessa maneira é no mínimo irresponsável (não, ele não a estupra).</p>
<p style="text-align: justify;">Logo depois dessa carona cheia de medo, Hazel chega à casa de Gus e pensa: &#8220;talvez ele levasse uma garota nova todas as noites para ver um filme e se aproveitar dela&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Cultura do estupro de novo. De novo. &#8220;Se aproveitar dela.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Notem que a narradora é Hazel, e John Green transforma a personagem numa moça tão insegura quanto Anastasia, de Cinquenta Tons. O que há com as pessoas para insistirem em ler e se identificar com narrativas em que a mulher não tem força e é salva por um marmanjo?</p>
<p style="text-align: justify;">Gus e Hazel começam a assistir V de Vingança. Ao final, ele pergunta o que ela havia achado do filme.</p>
<p style="text-align: justify;">A resposta:</p>
<p style="padding-left: 30px; text-align: justify;"><em>Sério. Era um filme do tipo que só agrada garotos. Não sei por que os meninos esperam que gostemos desses filmes. Nós, meninas, não temos expectativa nenhuma de que eles gostem dos nossos tipos de filme.</em></p>
<p style="text-align: justify;">E isso tudo antes do fim do segundo capítulo. Simplesmente desisti. Como aguentar esse festival de estereótipos até o final? Além da caracterização clichê dos personagens, ainda rola essa separação entre &#8220;coisas de menino&#8221; e &#8220;coisas de menina&#8221;?</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A culpa é das estrelas</em> é extremamente bem sucedido no mercado. Vai até virar filme. Ótimo pro autor. Mas e pra nós, que continuamos consumindo narrativas que imbecilizam mulheres e normatizam a cultura do estupro?</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: center;"><strong>UPDATE </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Falaram que eu devia acabar de ler o livro, porque só assim eu teria condições de realmente analisá-lo (como se quando você dissesse &#8220;putz, não gostei dessa nova música da banda X&#8221; você conhecesse a fundo o trabalho dela ou tivesse alguma formação na área). Então vou fazer isso. Gostaria de avisá-los, contudo, que não tenho qualquer especialização em crítica literária, então não adianta desqualificarem minha opinião baseando-se nisso.</p>
<p style="text-align: justify;">Minhas sinapses nervosas funcionam perfeitamente e eu analiso criticamente a mídia, em especial quando se trata de sexismo. Portanto, sou completamente capaz de entender as mensagens que recebo, seja pela capa de revista, seja por um livro, seja num filme. A minha opinião e a minha percepção não são lei universal. Assim sendo, você pode ter a sua. <strong>Inclusive espero que você tenha a sua.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Aviso de antemão que os trechos abaixo são retirados literalmente da obra de John Green, e, como tentarei ler até o final, poderão conter spoilers.</p>
<p style="text-align: justify;">O post será atualizado ao longo da leitura.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;&#8221;Eu tinha me sentado na beira da cama desarrumada dele. Não queria me insinuar, nem nada; é q me canso um pouco toda vez q fico muito tempo de pé.&#8221; &#8211; Hazel justificando que precisou SENTAR, mesmo ostentando um balão de oxigênio.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Pensei em contar pra ela que estava saindo com um garoto também, ou pelo menos que tinha assistido a um filme com ele, só porque sabia que o fato de alguém como eu, tão descuidada da aparência, dos bons modos e baixinha, poder, mesmo que por um breve momento, despertar o interesse de um garoto causaria surpresa e espanto na Kaitlyn.&#8221; &#8211; Hazel, realmente super segura.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Depois pegou um par de sapatos altíssimos, com várias tiras, à la prostituta.&#8221; &#8211; Hazel falando sobre um sapato que a amiga experimentou. Porque, claro, existem roupas &#8220;de prostituta&#8221;, &#8220;de periguete&#8221;, de &#8220;mulher que se dá ao respeito&#8221;&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">(e isso tudo acima, mais o que está no post, acontece só nos três primeiros capítulos do livro&#8230;)</p>
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		<title>Desculpa, mas você precisa do feminismo</title>
		<link>http://www.cemhomens.com/2013/05/desculpa-mas-voce-precisa-do-feminismo/</link>
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		<pubDate>Wed, 08 May 2013 23:42:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Letícia F.</dc:creator>
				<category><![CDATA[agressão]]></category>
		<category><![CDATA[estupro]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto originalmente publicado em 7 de maio de 2013 no Facebook, mas aqui coloquei links que não existem lá Eu sei. Dói. Você leu em todos os lugares, as músicas te disseram, as capas de revistas afirmaram em letras garrafais: &#8230; <a href="http://www.cemhomens.com/2013/05/desculpa-mas-voce-precisa-do-feminismo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Texto originalmente publicado em 7 de maio de 2013 no Facebook, mas aqui coloquei links que não existem lá</em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/feminist.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4165" alt="feminist" src="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/feminist.jpg" width="358" height="470" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Eu sei. Dói. Você leu em todos os lugares, as músicas te disseram, as capas de revistas afirmaram em letras garrafais: &#8220;você pode tudo&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas era mentira.</p>
<p style="text-align: justify;">A essa altura você já deve ter percebido. Está enfrentando transporte público lotado, escolhe coisas no supermercado pelo preço, espera ansiosamente pela promoção de passagem aérea.</p>
<p style="text-align: justify;">Nem sinal daquelas prometidas condecorações e da sala com vista para a Marginal Pinheiros.</p>
<p style="text-align: justify;">Você fez a lição de casa direitinho: estudou, passou no vestibular, se formou, fez pós, estudou inglês-francês-alemão, mas&#8230; nada.</p>
<p style="text-align: justify;">Também disseram que não importa se você é homem ou mulher. &#8220;As oportunidades são iguais para todos, basta se esforçar.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Namorou anos, não casou, conta nos dedos quantos caras beijou na vida e na primeira vez que transou com alguém com quem não tinha &#8220;compromisso&#8221;, logo colocaram o letreiro de &#8220;puta&#8221; na sua testa.</p>
<p style="text-align: justify;">(<em>na verdade, você nem transou, mas todo mundo acha que sim, então é isso que importa.</em>)</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo sendo um pouco cruel, eu preferia dizer que você é que é uma azarada. Que errou em alguma escolha de carreira, que é rodeada de amigos babacas, que a culpa é toda, <strong>individualmente</strong>, sua.</p>
<p style="text-align: justify;">Se eu dissesse isso, eu estaria apagando a história:</p>
<p style="text-align: justify;">- <a href="http://www.istoe.com.br/reportagens/279673_MULHERES+SOB+ATAQUE?pathImagens&amp;path&amp;actualArea=internalPage" target="_blank">de 7 a cada 10 mulheres: elas serão agredidas ao longo da vida;</a><br />
- <a href="http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/casos-de-estupro-crescem-9-7-no-rio-de-janeiro" target="_blank">das 500 pessoas que, só em fevereiro, denunciaram estupro à polícia do Rio de Janeiro;</a><br />
- <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,dez-mulheres-sao-mortas-por-dia-no-pais,575974,0.htm" target="_blank">das 10 mulheres assassinadas por dia no Brasil;</a><br />
- <a href="http://blog.estadaodados.com/brasil-nao-diminui-desigualdade-salarial-entre-os-sexos/" target="_blank">de todas as mulheres que, exercendo a mesma função que um funcionário homem, ganham 30% a menos;</a><br />
- de 45% da força de trabalho brasileira que, só por serem mulheres, nunca chegarão a cargos de diretoria (mulheres ocupam apenas 7,9% desses cargos)¹;<br />
- <a href="http://www.cdc.gov/violenceprevention/nisvs/" target="_blank">de 1 a cada 4 mulheres que será abusada sexualmente</a>;<br />
- <a href="http://www.unicef.org/pon96/womfgm.htm" target="_blank">das 2 milhões de mulheres que anualmente passam pela mutilação genital</a>;<br />
- <a href="http://www.guardian.co.uk/global-development/2013/mar/08/140-million-girls-child-brides-2020" target="_blank">das 140 milhões de crianças que casarão à força até 2020.</a></p>
<p style="text-align: justify;">Eu queria dizer que você não precisa de feminismo. Queria muito. Eu só não posso.</p>
<p style="text-align: justify;">(todas as estatísticas acima são de órgãos oficiais, como Secretarias de Segurança Pública, ONU, Banco Mundial, Unicef e IBGE.)</p>
<p style="text-align: justify;"> ¹ Dado do Núcleo de Direito e Gênero da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, segundo o livro <em>Faça Acontecer</em>, da Sheryl Sandberg.</p>
<p><a class="a2a_button_facebook_like addtoany_special_service" data-href="http://www.cemhomens.com/2013/05/desculpa-mas-voce-precisa-do-feminismo/"></a><a class="a2a_button_twitter_tweet addtoany_special_service" data-count="none" data-url="http://www.cemhomens.com/2013/05/desculpa-mas-voce-precisa-do-feminismo/" data-text="Desculpa, mas você precisa do feminismo"></a><a class="a2a_button_google_plusone addtoany_special_service" data-annotation="none" data-href="http://www.cemhomens.com/2013/05/desculpa-mas-voce-precisa-do-feminismo/"></a><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cemhomens.com%2F2013%2F05%2Fdesculpa-mas-voce-precisa-do-feminismo%2F&amp;title=Desculpa%2C%20mas%20voc%C3%AA%20precisa%20do%20feminismo" id="wpa2a_12">Compartilhar</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Trocando a capa</title>
		<link>http://www.cemhomens.com/2013/05/trocando-a-capa/</link>
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		<pubDate>Wed, 08 May 2013 16:37:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Letícia F.</dc:creator>
				<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[mídia]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[A autora Maureen Johnson escreveu um excelente texto sobre mulheres e literatura. Infelizmente é em inglês e um pouco longo, mas eu recomendo demais a leitura. Ela conta como vê o papel da mulher no mundo literário. A crítica ao &#8230; <a href="http://www.cemhomens.com/2013/05/trocando-a-capa/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A autora Maureen Johnson escreveu <a href="http://www.huffingtonpost.com/maureen-johnson/gender-coverup_b_3231484.html?utm_hp_ref=tw" target="_blank">um excelente texto</a> sobre mulheres e literatura. Infelizmente é em inglês e um pouco longo, mas eu recomendo demais a leitura.</p>
<p>Ela conta como vê o papel da mulher no mundo literário. A crítica ao baixo número de autoras e à escolha de autores homens nas aulas de literatura são recorrentes no meio feminista.</p>
<p>Livros escritos por mulheres são vistos como vazios, frívolos, bobos. Maureen diz que até as capas são diferentes, dependendo do gênero do autor*.</p>
<p>Ela então propôs aos seguidores no Twitter que eles criassem capas diferentes para livros. Se o autor fosse homem, deveriam criar uma capa &#8220;feminina&#8221; (mil aspas pra esse papel de gênero ridículo). E vice versa.</p>
<p>O resultado é meio assustador, de tão real e certeiro.</p>
<p>Vejam alguns exemplos:</p>

<a href='http://www.cemhomens.com/2013/05/trocando-a-capa/thrones-1/' title='thrones 1'><img width="150" height="150" src="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/thrones-1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Original" /></a>
<a href='http://www.cemhomens.com/2013/05/trocando-a-capa/thrones-2/' title='thrones 2'><img width="150" height="150" src="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/thrones-2-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="E se fosse uma autora..." /></a>
<a href='http://www.cemhomens.com/2013/05/trocando-a-capa/on-the-road-1/' title='on the road 1'><img width="150" height="150" src="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/on-the-road-1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Original" /></a>
<a href='http://www.cemhomens.com/2013/05/trocando-a-capa/on-the-road-2/' title='on the road 2'><img width="150" height="150" src="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/on-the-road-2-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="(e não é que parece com a capa brasileira pós filme?)" /></a>
<a href='http://www.cemhomens.com/2013/05/trocando-a-capa/blue-envelopes/' title='blue envelopes'><img width="150" height="150" src="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/blue-envelopes-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Original (da própria Maureen, inclusive)" /></a>
<a href='http://www.cemhomens.com/2013/05/trocando-a-capa/blue-envelopes-2/' title='blue envelopes 2'><img width="150" height="150" src="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/blue-envelopes-2-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="E se fosse escrito por um autor" /></a>
<a href='http://www.cemhomens.com/2013/05/trocando-a-capa/before-1/' title='before 1'><img width="150" height="150" src="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/before-1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Precisa dizer se é de autora ou autor?" /></a>
<a href='http://www.cemhomens.com/2013/05/trocando-a-capa/before-2/' title='before 2'><img width="150" height="150" src="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/before-2-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Assim seria se fosse de um autor..." /></a>

<p><a href="http://www.huffingtonpost.com/2013/05/07/coverflip-maureen-johnson_n_3231935.html?1367956789#slide=2421742" target="_blank">Vocês podem ver outros exemplos aqui no Huffington Post.</a></p>
<p><em>*sim, eu faço um mea culpa sobre a capa do meu próprio livro. nunca escondi isso de ninguém. comprem bastante que é para fazermos uma segunda edição e eu mudar isso. </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a class="a2a_button_facebook_like addtoany_special_service" data-href="http://www.cemhomens.com/2013/05/trocando-a-capa/"></a><a class="a2a_button_twitter_tweet addtoany_special_service" data-count="none" data-url="http://www.cemhomens.com/2013/05/trocando-a-capa/" data-text="Trocando a capa"></a><a class="a2a_button_google_plusone addtoany_special_service" data-annotation="none" data-href="http://www.cemhomens.com/2013/05/trocando-a-capa/"></a><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.cemhomens.com%2F2013%2F05%2Ftrocando-a-capa%2F&amp;title=Trocando%20a%20capa" id="wpa2a_14">Compartilhar</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Você tem medo do quê?</title>
		<link>http://www.cemhomens.com/2013/05/voce-tem-medo-do-que/</link>
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		<pubDate>Mon, 06 May 2013 20:20:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Letícia F.</dc:creator>
				<category><![CDATA[autoestima]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[faça acontecer]]></category>
		<category><![CDATA[sheryl sandberg]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou lendo Faça acontecer, da Sheryl Sandberg, chefe de operações do Facebook. Quando acabar eu escrevo sobre o livro. Por enquanto, vale muito ver essa palestra dela no TED &#8211; até já coloquei no Cem Homens, mas ela é tão &#8230; <a href="http://www.cemhomens.com/2013/05/voce-tem-medo-do-que/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Estou lendo <em>Faça acontecer</em>, da Sheryl Sandberg, chefe de operações do Facebook. Quando acabar eu escrevo sobre o livro. Por enquanto, vale muito ver essa palestra dela no TED &#8211; até já coloquei no <em>Cem Homens</em>, mas ela é tão boa que vale repetir. O livro vai no mesmo caminho, usando inclusive algumas das histórias que ela conta no vídeo.</p>
<p style="text-align: justify;"><iframe src="http://embed.ted.com/talks/lang/pt-br/sheryl_sandberg_why_we_have_too_few_women_leaders.html" height="315" width="460" allowfullscreen="" frameborder="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">Eu não estou me identificando super com o livro (estou na metade), até porque ela fala mais com mulheres que são casadas, têm ou querem ter filhos, fazem carreira no mundo corporativo.</p>
<p style="text-align: justify;">É bem diferente de quem sou hoje: solteira, sem filhos e <em>free lancer</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">No primeiro capítulo, porém, Sandberg traz questionamentos que, aposto, muitas de nós conseguimos nos identificar. O título é &#8220;o abismo nas ambições de liderança: o que você faria se não tivesse medo?&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">A autora discorre sobre histórias de família e mostra estatísticas sobre a participação de homens e mulheres nas empresas e na economia familiar. Ela traz teorias sobre a quantidade de mulheres líderes &#8211; e não vou contar pra vocês quais conclusões ela chegou, se não eu basicamente estaria contando o livro todo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda que ela esteja falando de carreira no sentido mais formal, Sheryl aponta o que vemos acontecendo em muitas áreas: &#8220;o canal que abastece o mercado de trabalho qualificado está entupido de mulheres no nível da entrada, mas, quando esse mesmo canal abastece as posições de chefia, há um predomínio esmagador de homens&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo a autora,um dos motivos para isso é o que ela chama de &#8220;abismo na ambição de liderança&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A ambição profissional é algo esperado para os homens, mas opcional &#8211; ou, pior, às vezes até algo negativo &#8211; para as mulheres. &#8220;Ela é <em>muito</em> ambiciosa&#8221; não é um elogio em nossa cultura. Mulheres agressivas e que jogam duro transgridem regras tácitas da conduta social aceitável. Os homens são constantemente aplaudidos por ser ambiciosos, poderosos, bem sucedidos, ao passo que as mulheres com as mesmas características costumam pagar um preço social por isso. As realizações femininas custam caro.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Muitas de nós não queremos pagar esse preço social. Se a gente foge desse papel de gênero da mulher dócil e maternal, a possibilidade de não gostarem da gente é bem grande. Talvez se a nossa autoestima não estivesse no outro poderia ser fácil dizer &#8220;ah, manda todo mundo pra muito longe&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente não é assim, e somos tão colocadas à prova o tempo todo que ficamos com aquela sensação horrível de que a qualquer momento seremos descobertas. <strong>Saberão que somos fraude</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu não sei você aí que está me lendo, mas isso é tão constante na minha vida que não sei nem precisar quando começou. Terá sido ainda no colégio, quando escolhiam minha redação como a melhor da turma e eu queria me esconder embaixo da mesa?</p>
<p style="text-align: justify;">Repito esse comportamento o tempo todo. Recentemente fui entrevistada para um programa de televisão. Fiquei feliz de ser convidada. Tudo ia bem, com alguns receios, acredito que óbvios quando sua vida não é aparecer em vídeo.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, quando foi chegando a hora da gravação e eu vi o estúdio sendo arrumado, eu quis sair correndo. Literalmente. De salto alto e tudo. Cheguei a pensar, durante alguns momentos, em como seria abrir a porta do camarim e simplesmente desaparecer.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante entrevistas eu costumo ficar calma. Tenho confiança no que estou falando e sei qual meu lugar ali. A cada momento de distração, porém, vinha o pânico que Sheryl Sandberg chama de &#8220;síndrome do impostor&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O que eu estou fazendo aqui?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Por que essas pessoas estão me entrevistando?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Vão cortar essa resposta, lógico, porque foi ridícula!</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Meu deus, eu sabia que iam perguntar isso, pelamordedeus alguém me tira daqui.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E, de novo, quis me esconder embaixo da mesa <em>all over again</em>.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A grande merda é que dessa vez a mesa era transparente, então não tinha como.</p>
<p style="text-align: justify;">Meu pânico era tão grande que, ao final, escrevi na dedicatória do meu livro &#8220;estou aterrorizada, mas acho que essa parte já ficou óbvia&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma amiga, sabendo de tudo, disse que achava legal que eu, apesar do medo, ia em frente. Não é totalmente verdade. Tenho projetos e mais projetos não engavetados, mas não também expostos pro mundo, por puro medo de não dar certo. Claro que às vezes há muita grana envolvida, ou precisamos sustentar a família. Fica mais difícil mesmo ir em frente.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, e no meu caso (e, talvez, no seu), por qual razão eu posso me sentir tão aterrorizada se absolutamente ninguém depende de mim?</p>
<p style="text-align: justify;">Como posso achar que sou uma fraude, que esse blog é uma idiotice, que meus textos (profissionais mesmo) são um equívoco, que meu livro é uma merda, que quem me entrevista na verdade está é sem nenhuma fonte e eu fui a última que ele procurou num momento de desespero?</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>Como? </strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">De um lado da balança, a culpa por ter ambição de liderança; do outro, a síndrome do impostor.</p>
<p style="text-align: justify;">No meio, eu, meio que me segurando sei lá onde, buscando respostas que nunca irão chegar, querendo me esconder embaixo de mesas reais e imaginárias.</p>
<p style="text-align: justify;">Sheryl Sandberg pergunta: o que você faria se não tivesse medo? Diz que ela escreveria o <em>Faça acontece</em>r, como de fato o fez. E você? O que você faria?</p>
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		<title>You can do (and enjoy) better</title>
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		<pubDate>Sat, 04 May 2013 17:15:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Letícia F.</dc:creator>
				<category><![CDATA[autoestima]]></category>

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		<description><![CDATA[- Ele é legal, Nádia, gostei dele. Mas ele não é bonito. Minha amiga de adolescência me falou o óbvio após conhecer um namorado por quem eu estava apaixonada e com quem fazia planos loucos de futuro. Eu, ali, com &#8230; <a href="http://www.cemhomens.com/2013/05/you-can-do-and-enjoy-better/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">- Ele é legal, Nádia, gostei dele. <strong><span style="color: #ff0000;">Mas ele não é bonito.</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Minha amiga de adolescência me falou o óbvio após conhecer um namorado por quem eu estava apaixonada e com quem fazia planos loucos de futuro. Eu, ali, com medo das pessoas não <em>gostarem</em> dele, e ela me sai com essa.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele era meu namorado, o maior amor da minha vida até aquele momento, e não um troféu para eu exibir nos bares da Vila Madalena. Eu sabia tudo o que nele não se enquadrava num <span style="text-decoration: underline;">padrão.</span> Conhecia até do avesso. Evitarei dizer que seus <em>defeitos</em> foram o que me atraíram; não vou espalhar por aí que me apaixonei<strong> justamente</strong> porque ele tem 1m70 e eu ficava maior do que ele quando usava salto. Seria mentira.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu o amei porque a altura dele não é importante. <em><strong>Ele</strong></em> é.</p>
<p style="text-align: justify;">Deveria ser óbvio pra todo mundo que se relacionar com alguém não tem nada a ver com a aparência física do outro. Ou com o dinheiro que ela tem no banco, ou orientação sexual, ou outros tantas regras imbecis que a sociedade nos impõe.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, peraí: você É essa sociedade. Se você diz para sua melhor amiga que o namorado dela é<strong> legal mas é feio</strong>, você está assinando embaixo de todas as críticas que já te fizeram &#8211; e, creia, foram muitas. Até para supermodelos, que hoje vivem como enfeites do mundo: muitas relatam terem sido altamente zoadas na escola.</p>
<p style="text-align: justify;">Sempre questionei esses padrões imbecis de beleza, mas confesso que me deixei levar por eles em diversas situações na vida. Tive vergonha (sim, vergonha, e agora morro por admitir isso) de apresentar parceiros com quem eu era feliz porque eles eram feios. Porque eu sabia que todo mundo ia falar &#8220;porra, Nádia, esse cara é horrível, você pode fazer melhor&#8221;. FAZER MELHOR.</p>
<p style="text-align: justify;">O mais curioso é que eu não achava que eu podia &#8220;fazer melhor&#8221;. Porque aquela mesma carga pesada que eu jogava nos outros, eu jogava em mim mesma. Uma fase da minha vida que lembro com muita clareza é o ano de 1999. Eu tinha 19 anos, um namorado que não gostava de mim (não do mesmo jeito que eu, e isso acabava comigo), malhava, fazia direito na PUC-Rio e fui passar algumas semanas na Europa.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem dúvida aquela foi a melhor viagem da minha vida. Aprendi muito, conheci gente de outros lugares do mundo &#8211; algumas dessas pessoas continuam sendo minhas amigas -, me apaixonei perdidamente por Londres e por Edimburgo.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas eu não me sentia bem no meu próprio corpo. Como dito antes, eu estava num relacionamento péssimo, que hoje reconheço como quase abusivo. Na época, eu achava que &#8220;não podia fazer melhor&#8221;. Porque eu era feia. E gorda. GORDA.</p>
<div id="attachment_4131" class="wp-caption aligncenter" style="width: 594px"><a href="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/img015.jpg"><img class="size-large wp-image-4131" alt="Oi, Londres! " src="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/img015-1024x692.jpg" width="584" height="394" /></a><p class="wp-caption-text">Oi, Londres!</p></div>
<p style="text-align: justify;">Na foto não dá para ter ideia, então cortei outra aqui para vocês verem o tamanho *indecente* da minha saia (as fotos são analógicas, então perdoem os riscos):</p>
<p><a href="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/img017.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4132" alt="img017" src="http://www.cemhomens.com/wp-content/uploads/2013/05/img017.jpg" width="268" height="787" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Sério. Essa saia era número 36 ou 38. Hoje, ela não passaria em uma das minhas coxas. (<em>olhem que coisa curiosa: meu braço esquerdo é mais forte que o direito e eu carrego as coisas nesse lado, apesar de ser destra</em>.)</p>
<p style="text-align: justify;">Eu sei que eu não me enquadrava idealmente nos padrões de beleza &#8211; nunca me enquadrei, desde criança. Mas eu era jovem, estava sozinha na Europa, morava sozinha no Rio, fazia faculdade. Tanta coisa pra me divertir e ocupar minha mente &#8211; e eu perdia meu tempo ficando com vergonha das dobrinhas na minha barriga e tentando &#8220;dar um jeito&#8221; no cabelo.</p>
<p style="text-align: justify;">Focava na aparência do corpo das modelos, e não no que meu corpo me proporcionava.</p>
<p style="text-align: justify;">Felizmente as coisas foram mudando e eu adquiri outros valores. A sensação de inadequação, no entanto, não passou completamente. Porque, afinal, as pessoas continuam sendo cruéis. Continuam berrando <a href="http://www.cemhomens.com/2011/10/sua-gorda/" target="_blank">&#8220;sua gorda&#8221; quando eu ando na rua</a>, continuam fazendo piadas no Twitter e me chamando de Ferrero Rocher no lançamento do meu livro em São Paulo (eu estava com um vestido dourado).</p>
<p style="text-align: justify;">Sem contar as capas de revistas e a dificuldade para comprar roupa, para falar de coisas simples de imaginar.</p>
<p style="text-align: justify;">Jamais deixei de fazer algo. Transo de luz acesa, uso biquini na praia. Sempre fui tranquila com isso, mas ao mesmo tempo jamais acho que um cara está olhando pra mim, me paquerando. Penso sempre que tem alguém ATRÁS de mim, tipo em várias cenas de filme.</p>
<p style="text-align: justify;">Porque quebrar paradigmas é difícil, especialmente quando somos bombardeadas por todos os lados com imagens e discursos de corpos perfeitos. Perfeição, pra mim, é sentir prazer com meu corpo. É focar no que ele me oferece, e não como ele aparece pro mundo*.</p>
<p style="text-align: justify;">E, hoje, ele aparece pro mundo uns 40 quilos mais gordo do que na foto acima. As dobrinhas na barriga, quase imperceptíveis em 1999, agora são várias barrigas juntas, especialmente depois da menopausa. Não, eu não gosto delas, porque foi uma mudança muito radical em pouco tempo, mas eu não deixo de viver e ser feliz por causa da minha nova aparência.</p>
<p style="text-align: justify;">Como disse, preciso focar no que meu corpo faz por mim &#8211; e não se ele serve para enfeitar o ambiente. Talvez amigos do então namorado também tenham dito &#8220;a Nádia é legal, mas não é bonita&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos dando sua contribuição para uma existência mais miserável de todos nós, como se todas as outras dores já não fossem suficientes. Vamos parar com isso já?</p>
<p><em>*este não é um discurso para a pessoa deixar de ser saudável. acho que a escolha é de cada um, desde que não influencie ou ofereça riscos aos outros.</em></p>
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		<title>Jogo dos sete erros</title>
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		<pubDate>Fri, 03 May 2013 01:53:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Letícia F.</dc:creator>
				<category><![CDATA[agressão]]></category>
		<category><![CDATA[estupro]]></category>
		<category><![CDATA[reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[adolescência]]></category>

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		<description><![CDATA[Leiam esta reportagem da Folha (original aqui). Os grifos são meus: Aluna de 13 anos de colégio particular denuncia assédio sexual praticado por colegas A vítima tem 13 anos. Os agressores, 14. Todos são alunos de uma tradicional escola particular &#8230; <a href="http://www.cemhomens.com/2013/05/jogo-dos-sete-erros/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Leiam esta reportagem da Folha (<a href="http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/04/1270518-aluna-de-13-anos-de-colegio-particular-denuncia-assedio-sexual-praticado-por-colegas.shtml">original aqui</a>). Os grifos são meus:</p>
<h1 style="text-align: justify;">Aluna de 13 anos de colégio particular denuncia assédio sexual praticado por colegas</h1>
<div id="articleBy" style="text-align: justify;">
<p>A vítima tem 13 anos. Os agressores, 14. Todos são alunos de uma tradicional escola particular paulistana. No último mês, são o centro de um enredo que põe à prova o papel de pais, educadores e da própria instituição e que abre o debate sobre violência sexual entre adolescentes.</p>
</div>
<p style="text-align: justify;">A garota, do oitavo ano, diz ter sido assediada sexualmente por três meninos do nono ano. Segundo ela, os meninos mandaram uma mensagem de celular falsa, em nome de um amigo dela, marcando um encontro para depois da aula de inglês.</p>
<div style="text-align: justify;" data-id="15692">
<p>Chegando lá, em uma praça perto do colégio, na zona oeste, ela conta ter sido cercada e agarrada <strong>contra a vontade</strong> pelos três. Conseguiu se desvencilhar e foi direto à escola fazer a <strong>denúncia</strong>.</p>
</div>
<p style="text-align: justify;">A instituição suspendeu os meninos por sete dias e se viu na obrigação de debater o fato, já que versões aumentadas ganharam os corredores. Uma orientadora percorreu as turmas do quinto ao nono ano esclarecendo 500 alunos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8220;É grave, mas não se trata de estupro&#8221;</strong>, informou a direção da escola. Para não expor os envolvidos, a Folha preservou o nome da instituição.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8220;Não houve violência física, mas desrespeito. Estamos trabalhando a questão e acreditamos ser possível reverter a situação dentro da escola&#8221;, disse a coordenação.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A família da garota decidiu não levar o caso à polícia. &#8220;Estamos tomando as decisões com o colégio&#8221;, <strong>diz a mãe da menina, que é professora na mesma instituição.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os pais dos meninos não quiseram se manifestar. A garota também não quer mais tocar no assunto. Sua mãe diz respeitar a decisão, mas afirma: &#8220;Escolhemos viver a situação, e não esquecê-la. Estamos atentos às consequências e abertos ao diálogo&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BRINCADEIRA BOBA (sim, esse grifo é meu pq né)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Há duas semanas, em outra escola particular na mesma zona oeste, dois meninos de 12 anos foram suspensos por terem feito &#8220;<strong>uma brincadeira</strong>&#8221; com alunas da mesma idade. <strong>&#8220;Eles chegam por trás, põem a mão no ombro das meninas fingindo que vão abraçar e descem até os seios&#8221;, descreve a orientadora. Só que uma reclamou. &#8220;Chegou com olhos cheios de lágrimas, disse que pegaram no seu peito.&#8221;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Um dos garotos assumiu e quis pedir desculpas à colega, que não aceitou. Os pais foram chamados e os meninos, <strong>afastados por um dia.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Situações como essas são, sim, violência sexual, segundo a psicóloga Renata Coimbra Libório, pesquisadora da Unesp. <strong>&#8220;Não precisa consumar o estupro. O toque sem consentimento é abuso.&#8221;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tempos atrás, um aluno distribuiu na sua escola um vídeo em que ele fazia sexo consensual com uma colega de 13 anos. Ele foi separado da turma até a conclusão do semestre e, depois, convidado a se retirar do colégio.</p>
<p style="text-align: justify;">Casos de <strong>adolescentes que passam dos limites são frequentes</strong> e não acontecem só na escola, mas em festinhas e baladas, lembra a psicóloga Rosely Sayão, colunista da Folha. <strong>&#8220;A sexualidade desses jovens está muito exacerbada e eles não têm noção de respeito. Acham normal passar a mão nas meninas e beijar não sei quantas&#8221;</strong>, diz.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A fase dos 13 anos é a pior, segundo Sayão. É quando a efervescência hormonal se junta à hiperestimulação.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Há estímulos o tempo todo, na TV e na música&#8221;, diz Neide Saisi, psicopedagoga e professora da PUC-SP.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos desses estímulos não são positivos, segundo Antonio Carlos Egypto, psicólogo especialista em orientação sexual. Basta assistir a um programa de humor ou a peças publicitárias para perceber que &#8220;a imagem da mulher-objeto é usada de maneira escancarada&#8221;, diz ele.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Os adolescentes falam que vão &#8216;pegar&#8217; alguém. A gente só pega objetos&#8221;, complementa Sayão.</p>
<p style="text-align: justify;">A desvalorização da mulher é reforçada pela família e pela escola mesmo sem saber, segundo Renata Libório: os pais valorizam o comportamento garanhão dos meninos e a escola pensa estar prevenindo a violência aconselhando as meninas a usar roupa larga e saia comprida.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Por que não ensinar o menino a respeitar a menina, não importa a roupa que ela use?&#8221;, pergunta.</p>
<p style="text-align: justify;"><b>PREVENÇÃO</b></p>
<p style="text-align: justify;">A prevenção da violência sexual nessa faixa etária depende de uma discussão sobre papéis e gêneros, segundo Egypto. E isso é responsabilidade da escola e da família. &#8220;Não tem só que discutir a prevenção de gravidez na adolescência. É preciso falar do prazer, <strong>de como conter os impulsos.</strong> Não podemos fingir que o desejo não existe.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Dá para contar nos dedos as escolas particulares de São Paulo que têm projetos específicos de sexualidade, de acordo com Maria Helena Vilela, diretora do Instituto Kaplan, entidade que faz trabalhos em educação sexual.</p>
<p style="text-align: justify;">O tema está previsto nos Parâmetros Curriculares Nacionais. &#8220;Não é o que acontece. A sexualidade deve estar em palestras e no dia a dia dos professores, na forma como tratam todos os temas.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">No Gracinha (Escola Nossa Senhora das Graças), a professora de ciências e a orientadora são responsáveis por falar com as turmas sobre sexo.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Tenho uma aula por semana e falamos de sexo, internet e outros assuntos&#8221;, diz Nausica Riatto, orientadora do sexto ao nono ano. Ela considera que o colégio faz um trabalho de prevenção, mas, mesmo assim, todo ano acontece uma polêmica relacionada a sexo na escola, como casos de exibição de imagem na internet.</p>
<p style="text-align: justify;">No Colégio Bandeirantes, a bióloga Estela Zanini coordena há 16 anos um programa de educação sexual que inclui aulas semanais. &#8220;Eles têm muita informação sobre sexo, o problema é que nem sempre essa informação é contextualizada, muitas vezes é cheia de preconceitos.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que falta talvez não seja educação sexual, mas o ensino de valores morais.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com a pedagoga Luciene Tognetta, pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral, o tema é alvo de um jogo de empurra entre escola e pais. &#8220;Não cabe só à família ensinar respeito e regras de convivência&#8221;, afirma.</p>
<p style="text-align: justify;">Os pais deveriam passar valores ligados ao espaço privado. A escola deveria ensinar regras da vida pública. &#8220;É no relacionamento com pessoas de fora da família que desenvolvemos princípios éticos apurados e aprendemos a respeitar qualquer um.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Para Tognetta, o ensino moral deve ser espalhado por todas as disciplinas e servir de vacina contra a violência.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Ainda pensam que a moral é ensinada em aula de religião. É preciso debater, fazer com que o aluno pense nas suas atitudes. A escola tem esse dever.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a instituição sozinha não faz tudo, lembra Sayão. &#8220;<strong>A escola precisa de apoio, está acuada e impotente, e que apoio a sociedade tem dado? Não vejo ninguém como vítima ou culpado nesse caso. A sociedade é cúmplice dessa história</strong>.&#8221;</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Essa reportagem é um show de equívocos. Não acho que seja má fé, como não acredito que todos os meus colegas jornalistas deliberadamente escolham fazer matérias sexistas. Compreender questões de gênero é trabalho diário &#8211; e o senso comum ainda é bem binarista e nada igualitário.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda mais se você entrevista uma especialista na área da reportagem, e ela fala um monte de besteira. Ela é conhecida, tem livros publicados, dá palestras. Entender que ela talvez esteja falando bobagem é difícil mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, à exceção de alguns casos específicos, eu não acho que os jornalistas em geral sejam maldosos e que se importem pouco com direitos humanos ou de minorias. Isto dito, vamos à análise dos erros, na ordem dos grifos:</p>
<p style="text-align: justify;">1) A adolescente foi agarrada contra a vontade e denunciou à escola. Logo, minimizar o que ela passou é, sim, criminoso;</p>
<p style="text-align: justify;">2) &#8220;Não houve violência física, mas desrespeito. Estamos trabalhando a questão e acreditamos ser possível reverter a situação dentro da escola&#8221; &#8211; violência física é desrespeito. Não é a única forma de desrespeito, mas as coisas não são excludentes. Houve desrespeito, houve violência física. As duas coisas. E crimes não se revertem dentro da escola, até porque não há como voltar no tempo e apagar o que aconteceu à garota.</p>
<p style="text-align: justify;">Vejo aqui o que acontece sempre, como foi duramente criticado no caso de Steubenville: existe uma necessidade enorme de &#8220;proteger&#8221; os agressores, todo mundo super preocupado com o que será do futuro desses jovens. E do futuro da vítima, quem cuida?</p>
<p style="text-align: justify;">3) Brincadeira boba &#8211; eu não sei nem o que dizer desse chapéu (chapéu é essa palavrinha aí no meio do texto, meio solta, sabem? em cada redação/jornal é chamado de um jeito). Passar a mão nos peitos de uma pessoa (homem ou mulher) sem ser consensual é crime. &#8220;Pegar de surpresa&#8221;, como esses garotos estão fazendo, não muda o fato de que não foi consentido; a pessoa nem tem a oportunidade de dizer não.</p>
<p style="text-align: justify;">E o que a escola fez com quem foi denunciado? Suspendeu por UM dia!!!</p>
<p style="text-align: justify;">4) &#8220;A sexualidade desses jovens está muito exacerbada e eles não têm noção de respeito. Acham normal passar a mão nas meninas e beijar não sei quantas&#8221;, diz Rosely Sayão. Ai, mas que equívoco. QUE EQUÍVOCO.</p>
<p style="text-align: justify;">Não existe isso de &#8220;sexualidade exacerbada&#8221;. Adolescentes pensam em sexo, muito. É assim desde sempre. Os jovens envolvidos no caso têm 13/14 anos. Há vinte anos, quando eu tinha essa idade, meus colegas falavam bastante de sexo, muitos transavam (ou faziam suas primeiras experiências que as pessoas não costumam chamar de sexo na nossa sociedade falocêntrica, mas que eram atos sexuais, como sexo oral ou masturbação mútua), algumas engravidavam.</p>
<p style="text-align: justify;">E isso já faz vinte anos.</p>
<p style="text-align: justify;">O que rola é que as pessoas (pais e escola) preferem olhar para os adolescentes como se fossem crianças, como se ainda fosse cedo demais para falar de certos assuntos, e eles acabam se engajando em atividades sexuais sem educação apropriada para tanto. Eu não falo apenas do uso de camisinha ou de anticoncepcional, mas de tudo o que se refere a sexo, como questões do duplo padrão moral, consensualidade, coerção.</p>
<p style="text-align: justify;">Há muito julgamento, o que leva à vergonha e à desinformação. Adolescentes irão transar, é fato. Resta saber qual educação darão a eles.</p>
<p style="text-align: justify;">5) &#8220;A fase dos 13 anos é a pior, segundo Sayão. É quando a efervescência hormonal se junta à hiperestimulação.&#8221; PIOR.FASE. (agora tenho problemas em escrever assim, porque as falas do Grey, em Cinquenta Tons, às vezes são pontuadas desse jeito.)</p>
<p style="text-align: justify;">O que ela quer dizer com isso? Que aos 13 temos uma descarga absurda de hormônios, incontrolável mesmo, e depois tudo se estabiliza?? Essa fase, que não acontece igual pra todo mundo, é de descobertas, de experimentações, de curiosidade natural e saudável. Desde que, mais uma vez, seja feito com consciência e com todos de acordo. Mas é difícil pensar nisso quando especialistas insistem na carta do &#8220;incontrolável&#8221;, como se bichos fossemos!</p>
<p style="text-align: justify;">Um outro especialista ainda fala em &#8220;conter impulsos&#8221;. Olha&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">6) &#8220;O que falta talvez não seja educação sexual, mas o ensino de valores morais.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Risíssimos.</p>
<p style="text-align: justify;">Falta, sim, educação sexual. Qualquer especialista sério vai dizer isso, qualquer estudante vai dizer isso, qualquer pai vai admitir (pra si mesmo) isso.</p>
<p style="text-align: justify;">E o que são valores morais? Em que ano estamos? Que educação estamos discutindo?</p>
<p style="text-align: justify;">7) &#8221;A escola precisa de apoio, está acuada e impotente, e que apoio a sociedade tem dado? Não vejo ninguém como vítima ou culpado nesse caso. A sociedade é cúmplice dessa história.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Sayão, mais uma vez. Como ela não vê ninguém como vítima ou culpado? Garotos se unem para abusar de uma garota e tudo bem? Além da questão óbvia de gênero, eles estavam em maior número e utilizaram de um método para enganar a vítima.</p>
<p style="text-align: justify;">Claro que não estou tirando a culpa da sociedade. Falo disso sempre aqui no blog: é preciso acontecer uma mudança estrutural, quebrar paradigmas, mandar os papéis de gênero pra muito longe, eliminarmos a violência.</p>
<p style="text-align: justify;">E entender que abuso não tem nada a ver com sexo, com impulsos carnais, com hormônios, com a aparência da vítima. Misturar as coisas é desonesto e suja o sexo, que é das coisas mais sublimes que nós, seres humanos, experimentamos.</p>
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