Encaixotando pessoas

Há alguns milhões de anos, conheci um cara no IRC. Para os mais novos, era a rede social da moda; um bate papo muito divertido. Fiquei interessada logo de cara – ele era paciente, atencioso, e escrevia super bem.

Mas eu era bastante imbecil. Imatura e preconceituosa. Tenho vergonha de dizer hoje quais preconceitos eram esses, mas posso afirmar que eles me impediram de enxergar além, de vê-lo como ele realmente era.

Nós nos encontramos, ficamos, e continuamos ficando um tempo. Mas era só sexo, nada além de sexo. E isso era muito bom! Eu me sentia profundamente atraída por ele e a interação sexual era deliciosa. Porém, nós não conversávamos. Nos encontrávamos, transávamos, acabávamos, e cada um ia pro seu lado. Nem lembro se algum dia dormimos juntos, apesar de eu morar sozinha à época.

Um dia me senti culpada por tratá-lo desse jeito, como um homem-objeto (provavelmente ele me tratava assim também). Marquei um almoço. Um simples almoço na correria do centro do Rio de Janeiro. Me senti desconfortável o tempo inteiro. Era como colocá-lo em outra categoria. Sim, eu o havia encaixado sob o rótulo de fuck buddy*, um excelente fuck buddy, mas que na minha loucura não poderia sair nem um pouquinho que fosse dessa caixa. Fuck buddy. É o que ele era.

Muitos anos depois (e acho que até contei isso aqui, já), nós nos reencontramos pelas redes sociais. Eu morava em São Paulo, ele continuava no Rio. Marcamos um encontro numa das minhas idas à cidade, e passei de táxi para buscá-lo. Ele entrou no carro como tivéssemos nos visto no dia anterior. Foi novamente atencioso, carinhoso, e muito gostoso.

Naquela noite, além de transarmos, conversamos muito. Ele me contou coisas que eu deveria saber há tempos. Eu fiz o mesmo. Pela primeira vez em anos, nós compartilhamos mais do que o sexo. Depois, e até hoje, eu penso em quanto tempo perdi colocando-o numa caixinha, rotulando-o, achando-o incapaz de ser qualquer coisa além de um cara com quem eu transava eventualmente.

Nada contra pessoas com quem o relacionamento se resume a sexo. Isso não quer dizer que não haja respeito e carinho; é essencial que eles existam, aliás. Porém, neste caso, eu não deixei que as cosias saíssem um milímetro do que eu havia criado. Inventei uma ficção sobre o que era nossa relação e acreditei nela piamente.

Talvez se lá no passado eu tivesse dado a chance para nós dois de sermos abertos e honestos um com o outro, quem sabe não teríamos uma relação totalmente diferente hoje? Existe a possibilidade de a gente ter se aproximado e ter sido horrível, assim como existe a possibilidade de ter sido incrível.

Mas eu nunca vou saber, porque eu não deixei. Porque eu não permiti, pelos meus preconceitos, pelas minhas amarras, pelos meus medos, que fosse outra coisa. Eu confiei  na segurança de mantê-lo trancado na caixinha. Assim, não haveria surpresas, eu não correria riscos, eu poderia ter o controle de tudo.

Só que a verdade é que não temos o controle de nada, especialmente de outras pessoas. E hoje, mais madura e depois de tomar tanto na cabeça, reconheço que pessoas não são rotuláveis ou encaixáveis. E que tentar controlar o futuro é o caminho mais rápido para a infelicidade.

*fuck buddy, para quem não está acostumada com a expressão, é aquela pessoa com quem a gente só sai para transar/beijar/etc. 

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Vazio

cervezas

De repente, um vazio que você nem sabia que existia é preenchido. “Sorri, por favor”, e ele, no dia seguinte, meio sem querer, meio sem perceber, sorri enquanto coloca o corpo sobre o seu. A intimidade se faz ali, e você sorri também. Muito.

O sorriso preenche o tal vazio. A lembrança dele segurando sua amiga ligeiramente embriagada: “olha a ventania, seguuuuura” (não havia vento nenhum, era só o álcool fazendo-a andar meio sem coordenação). O “você pode tudo” no SMS, quando você diz querer ficar mais um tempinho com as amigas. A imagem dele boiando no mar num domingo de sol, feito criança.

Foi tampando umas rachaduras que você nem achava que fossem possíveis de remendar. Você sabia, ah, sabia, que era só um remendo, não uma reforma. Mesmo assim, você foi em frente. O que haveria a perder, depois de tudo o que já foi perdido?

Só que você começa a descobrir que as fundações não estão ainda assim tão fortes e que sorrisos, só os sorrisos, não são capazes de sustentar uma avalanche. Foi bom, você não se arrepende. Você se sentiu viva de novo, desejada de novo. Não foi o suficiente, mas deu para reimaginar a vida com as tais fundações mais fortes, efetivamente reformadas.

Você bem quis que fosse dessa vez. Quis mesmo? Nem sabe responder isso. É provável que não quisesse, não, só queria que fosse mais fácil, que os sorrisos viessem sem precisar pedir. Eles não vieram, mesmo você pedindo de novo e de novo e de novo e de novo. E você não consegue viver sem o calor que sobe pelas suas costas quando o sorriso acontece.

Chegou a hora de desistir dos sorrisos – daqueles sorrisos – e buscar mais os seus que, afinal, são os mais importantes do mundo. Depois de tentar tanto, o peito vai esvaziando feito bexiga esquecida na decoração de festa de criança.

O vazio volta. O peito desincha. Agora, porém, você já sabe onde estão as rachaduras. Está na hora de consertá-las.

A felicidade do bloco do eu-sozinha

Uma grande dificuldade das pessoas é a de serem felizes sozinhas. Sim, somos seres gregários, porém isso não significa não conseguir ficar sem alguém ao redor em nenhum momento.

Conheço que não vá ao cinema sozinha, por exemplo. Lembro a minha primeira vez. Eu havia me mudado há pouco tempo para o Rio, amava cinema, mas não tinha companhia – e um cinemão com três salas a um quarteirão da minha casa.

Escolhi uma sessão à tarde e encarei. No início, olhava para um lado, para o outro, achando que todos ali estavam me julgando. “Imagine, uma moça jovem dessas, não tem nem amigos para virem ao cinema com ela, deve ser uma chata.” Ah, a velha mania de me ver pelo olhar do outro…

Naquele dia, notei que, assim como eu, havia várias outras pessoas sozinhas na sala. E passei a fazer disso um costume. Faz muito tempo; eu tinha apenas 17 anos. Agora, mais 17 anos depois, assisto a qualquer filme no cinema numa boa, sozinha ou com alguém. Às vezes é legal ter com quem comentar as impressões, às vezes é mais legal ainda mergulhar nos próprios pensamentos e ir sentindo o que a arte fez com a minha mente. (hoje, por exemplo, verei Her sozinha. acho que é um bom filme para se assistir sem mais ninguém.)

Em fevereiro estive acompanhada o tempo inteiro. Minha mãe veio a São Paulo e nós viajamos juntas para a Argentina e o Uruguai. Acordávamos juntas, tomávamos café juntas, passeávamos juntas. Foi ótimo (menos a parte do roubo em Buenos Aires). Até uma tarde em que ela estava exausta e eu resolvi ir andando sozinha até a Ateneo, minha livraria favorita no mundo.

Ateneo Grand Splendid, a minha livraria favorita

Ateneo Grand Splendid, a minha livraria favorita

Olhei no Google Maps o caminho que eu deveria fazer entre o hotel e a Santa Fe 1860, e ele, é claro, me obrigou a um roteiro completamente maluco. Enquanto me perdia pelas ruas da Recoleta e olhava apenas meu reflexo nas vitrines, uma felicidade foi tomando conta de mim. Eu, num país não tão estranho – mas ainda estrangeiro -, sozinha, me virando muito melhor no portunhol do que em outras épocas, indo para um lugar que amo.

Chegando à Ateneo, suspirei fundo ao rever aquela beleza. Queria comprar alguma coisa, mas levei pouco dinheiro porque, bom, não sei falar espanhol e não me sentia capaz de escolher livros nessa língua.

Enquanto perambulava pelos corredores, ouvia brasileiros conversando, lembrava dos amigos que foram comigo lá há dois ou três anos, passava os dedos enquanto reconhecia autores. Resolvi procurar por algo feminista. Nada me saltou aos olhos. Fui para a parte de sexualidade, e ali me diverti um tempão. Acabei abraçando um livrinho de ilustrações sobre o orgasmo feminino, porque era fofo e era barato.

Pedi auxílio a uma vendedora. Queria levar algo de um jovem autor argentino, alguém que não fosse ainda clássico. Ela me indicou uma autorA, o que me deixou ainda mais contente: Claudia Piñeiro, do até agora ótimo Betibú. Escolhi também um Borges, numa edição de bolso bem baratinha.

compras na ateneo 2

Me debrucei sobre o parapeito e tentei ouvir a música que vinha do subsolo. Tocava Given to Fly, do Pearl Jam, minha banda favorita – e, coincidentemente, a letra de onde vou tirar um trecho para tatuar no meu braço.

Ali, eu estava feliz. Ali, naquele momento. Sozinha, completamente sozinha, no meio de um monte de gente que nunca mais verei, que falam outras línguas, que têm outras bagagens, mas que estavam comigo no mesmo tempo-espaço. Todas elas – e eu, principalmente eu – me fizeram feliz.

Não sei se existe um caminho para a felicidade. Não sei nem mesmo se ela existe, assim, constante e eterna. Mas acredito nesses momentos de epifania, em que é preciso parar um pouco, olhar em volta, e perceber: eu estou feliz.

Eu estou feliz.

(a human being that was given to fly.)

Menopausa precoce e reposição hormonal

Hoje comecei minha reposição hormonal. Para quem não sabe, tenho apenas 34 anos e já estou na menopausa há anos. Tudo começou com uns calores loucos. “Ih, isso é menopausa precoce”, disse a minha mãe.

“A senhora endoidou, não existe isso”, respondi. Dei um google e pimba! Existia. Era bem a época em que eu estava me mudando para São Paulo, a vida se enrolou toda, eu não procurei médicos. Afinal, como reclamar de parar de menstruar? Minhas TPMs sempre foram fortíssimas, meu fluxo menstrual era gigantesco (do nível dormir com dois absorventes noturnos e ainda sujar o colchão). Eu estava achando ótimo não sangrar mais todo mês.

No início, o sangramento começa a rarear. Vem num mês, não vem no outro. Os calores surgem de vez em quando. Eu estava lidando bem com os efeitos colaterais da menopausa. Até que, em 2010, resolvi procurar médicos. Passei cerca de um ano sendo apalpada, pesada, medida, penetrada por instrumentos, e cada profissional falava uma coisa. Havia algo errado, sim, mas era menopausa, afinal? E qual o motivo dela?

Nesse meio tempo, engordei bastante, tive a primeira crise depressiva e – horror dos horrores, pra mim – minha libido desapareceu. Minha lubrificação sumiu e transar começou a não ser prazeroso para mim. Foi um período muito difícil, em que eu tive de faltar trabalho para fazer exames. Surgiu um  nódulo no meu seio, e eu fiquei aterrorizada com a possibilidade de ser um câncer. Não era nada, mas no fim do ano eu estava exausta com tantas hipóteses, com tantas agulhas, com meus peitos sendo esmagados na máquina de mamografia, com a cara de “mas jáaaaaa?” a cada vez que dizia que estava na menopausa. Eu cansei e joguei tudo pro alto.

Mas essa não foi uma atitude inteligente. Abandonar tratamentos nunca é bom; mas a verdade é que eu não estava fazendo nenhum. Era só uma pesquisa eterna e eu não aguentava mais.

Só que eu continuei engordando (nunca estive tão gorda quanto agora) e alguns riscos de saúde aumentam muito quando você entra na menopausa como, por exemplo, de pressão alta ou esteatose. Os ossos começam a ficar mais “fracos”, também. A pele resseca, o cabelo fica poroso, enfim.

Resolvi, então, neste início do ano, voltar a cuidar de mim. Fiquei tanto tempo mergulhada na depressão que não queria saber de mais nada. Passar de novo por todo aquele périplo de médicos, exames e expressões de surpresa não eram para mim. Não mesmo. O meu aumento de peso começou a ficar preocupante, pois eu tenho uma síndrome metabólica de resistência à insulina – e o próximo passo, não muito distante, seria uma diabetes.

Descobri que o Sírio Libanês tem uma unidade avançada de tratamento de obesidade e transtornos alimentares. Marquei consulta com a endocrinologista (foi caro; R$ 500), fiz um ziguilhão de exames e o martelo, finalmente, foi batido. Eu já estou na pós-menopausa. Toda a tristeza que senti da primeira vez que o diagnóstico surgiu na minha frente, há quatro anos, não rolou dessa vez. Na época, me achei menos mulher, me achei “seca”, me achei péssima por não poder ter filhos (apesar de nunca ter planejado tê-los). Agora, eu quero resolver o problema. Não ter osteoporose, diminuir a dosagem dos meus remédios para dormir e para depressão, a minha libido rolar direitinho…

Também fui ao ginecologista indicado pela médica (também caro: R$ 400) e ele manteve a receita que ela me passou. Hoje comecei a tomar estrogênio e progesterona, para repor o que o meu corpo não produz mais. Segundo eles disseram, vou ter sangramentos (não curti essa parte), mas é essencial que eu faça o tratamento, pois a minha menopausa foi mega precoce: começou por volta dos 27 anos.

E como é que eu, que ia ao gineco todo ano, nunca descobri que estava indo nesse caminho? Pois é, essa é a pergunta de um milhão de dólares. Depois disso tudo e também de escrever este blog, noto que os ginecologistas (e os médicos em geral) não dão a atenção devida aos pacientes. Eu sangrava todo mês porque tomava pílula (e esse sangramento não é menstruação). A pílula é hormônio, afinal. Fazia o papanicolau sempre e não havia qualquer alteração na minha vagina ou no colo do útero. Porém, não me pediam exames mais profundos, como ultrassonografia e dosagem hormonal. Talvez ali eles vissem que meus órgãos reprodutores estavam atrofiando. Talvez eu tivesse conseguido adiar um pouco a menopausa, caso eu desejasse ter filhos. Talvez eu não tivesse sofrido tanto com os fogachos, com a perda de libido ou com o aumento de peso na região abdominal.

Agora, são apenas dois comprimidinhos que mudarão minha vida, segundo os médicos. Dessa vez, baratos (os dois, juntos, não saem nem por R$ 40/mês). Terei que fazer um acompanhamento de perto, exames constantes, mas é bom sentir que agora estou fazendo algo por mim.

Se você tem alguma dúvida, menopausa precoce existe, sim, e tem como ser tratada. Não é só coisa de mãe, de mulher com 50 anos. Não faça como eu fiz no passado. Cuide-se.

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O papel dos homens no feminismo

Originalmente publicado em 19 de novembro de 2013 na Carta Capital

“Qual o papel dos homens no feminismo?”, perguntam alguns, realmente preocupados em não ultrapassar qualquer limite e respeitar as ativistas. A resposta é difícil; há muitos feminismos, e cada um lida com esta questão de forma diferente. Eu, feminista autônoma, sigo correntes que colocam o homem como aliados, jamais como protagonistas. Nunca.

O quê exatamente isso quer dizer, uma vez que o feminismo não tem líderes?

Significa que o feminismo é formado por coletivos organizados de maneira horizontal, nos quais as decisões são tomadas em conjunto e não há função “mais importante” que a outra. O que existe é troca e apoio mútuo. Parece irreal? Pois é assim mesmo que coletivos muito bem sucedidos, como a Marcha das Vadias, funcionam. E funciona muito bem!

Você pode dizer que há feministas mais conhecidas que outras, e isso é óbvio, mas elas não representam todo o feminismo, e sim as próprias opiniões e posicionamentos. Por isso fiz questão de pontuar no início do texto que ele mostra o meu ponto de vista e que não represento qualquer coletivo na minha fala.

Resolvida a questão da liderança, passemos ao protagonismo. Muitos homens inexplicavelmente são contrários ao protagonismo das mulheres, dizendo que esta é uma luta de todos. Há uma confusão neste ponto: a luta até poderia – e deveria –  ser de todos, mas um gênero é oprimido, enquanto o outro é privilegiado. Inútil apontar qual ocupa esses grupos. Como falar em igualdade se ela, de fato, não existe? Partiríamos, mulheres e homens, de lugares diferentes!

Costumo responder à insistência pelo “protagonismo compartilhado” com algumas perguntas simples:

Já não bastam as 90% cadeiras no Congresso Nacional que são ocupadas pelos homens?

E as de CEO de empresas, cuja participação feminina é irrisória?

Os homens mandam no mundo e detêm o poderio econômico. Querem ser protagonistas em MAIS UM movimento, movimento este que deseja justamente revolucionar as estruturas que permitiram a opressão das mulheres através dos séculos? Não parece contraditório, mimado na melhor das hipóteses e manipulador na pior?

Alguns homens se dizem feministas, pasmem, para conhecer mulheres. Verdade. É uma nova balada para eles. Outros, para pegar bem na fita. Afinal, é feio demais ser machista, né? Tem gente que se orgulha, vai entender…

Mas se o rapaz está mesmo desejando participar do movimento, em nome das suas irmãs, namoradas, mãe, e mulheres que ele sequer conhece mas que sabe que estão sofrendo, como agir?

  • Nos seus ambientes masculinos, introduzindo o feminismo. No futebol com os amigos, no boteco, no café no intervalo na firma;
  • Não compartilhando, de jeito nenhum, imagens que diminuem a mulher ou que obviamente eram para uso íntimo e “vazaram” por um ex vingativo;
  • Posicionando-se contra seu colega de trabalho/faculdade/familiar que agrediu uma mulher;
  • Se ela estiver sozinha ou sem apoio, indo com ela a uma Delegacia da Mulher;
  • Propondo programas de equidade de gênero na empresa em que trabalha;
  • Não tratando a Marcha das Vadias como Carnaval ou micareta, se vestindo de mulher e passando batom. Ser mulher é muito mais difícil que isso. Proponha ao coletivo, por exemplo, ajudar na segurança da Marcha;
  • Compartilhando tarefas domésticas;
  • Não duvidando da palavra de uma mulher que foi vítima de agressão. Ela precisa de apoio, não de julgamento;
  • Se uma conhecida estiver bêbada na balada, certificando-se que ela chegou sã e salva em casa;
  • Deixando a mulher falar. A fala é dela. Não interrompa. Nunca. Ouça tudo;
  • Em hipótese alguma culpe a TPM por uma insatisfação real da sua amiga ou parceira;
  • Deixando de adquirir produtos e serviços que objetificam mulheres;
  • Parando de zoar o próprio filho ou o sobrinho por este querer um brinquedo que não é “de menino”;
  • Abandonando de vez os xingamentos sobre a vida sexual da mulher (vadia, periguete, piranha).

 Mais importante que tudo, tudo, tudo: jamais nos ensine a militar. Quem sente a dor de ser mulher numa sociedade patriarcal somos nós. Sejam nossos aliados, não nossos donos. Vocês já estiveram nessa posição por tempo demais.

Um assalto em Buenos Aires – e o nojento machismo da polícia

Depois de passar alguns dias muito agradáveis no Uruguai, seguimos para o final da viagem: apenas três noites em Buenos Aires. Era a minha quarta vez lá; amava muito a cidade, daquele jeito de não querer mais voltar, de querer morar num predinho charmoso na Recoleta.

Chegamos no domingo e nosso hotel era bem na frente do cemitério onde fica o túmulo da Evita. Para quem não conhece a cidade, é a parte mais turística da Recoleta e, aos domingos, rola uma feirinha de artesanato na praça. Fica bem cheio, bem movimentado. O dia estava lindo, ensolarado, e eu, muito feliz de estar num lugar familiar.

Minha mãe está com problemas na coluna e, enquanto eu preenchia os papéis do check in, deixei-a sentada em uma poltrona na recepção, com todas as malas ao lado dela, inclusive bolsas e mochilas.

De repente entrou um cara e perguntou à recepcionista sobre valores de diárias, dizendo que estava com um grupo e precisaria de oito quartos. Junto com ele, mais duas pessoas: um homem e uma mulher. Esse segundo cara ficou calado, enquanto a moça perguntou se havia vaga para quarta-feira.

Eu achei tudo muito esquisito, algumas luzes de alerta se acenderam, mas eu não imaginei o que viria a seguir.

Virei para entregar o papel do check in para a minha mãe assinar e o primeiro homem disse à recepcionista que iria ligar para as pessoas, fingiu falar ao telefone e, então, saiu do hotel (a recepção era bem pequena) para “falar melhor do lado de fora”. Antes de sair, disse coisas incompreensíveis para mim e para a minha mãe – eu não falo espanhol, mas entendo até bem. Não era espanhol, não era português, era apenas incompreensível.

No segundo seguinte percebi que eles haviam furtado minha bolsa. A reação foi imediata (fiquei surpresa; normalmente tendo a demorar a reagir). Gritei “eles pegaram minha bolsa”, abri a porta do hotel e saí correndo pelo meio da praça. Eu não sabia para que lado ir, mas o garçom de um restaurante ao lado apontou onde a tal mulher estava. Ela passeava tranquilamente entre as barraquinhas de artesanato. Minha mãe avançou sobre ela. A bolsa dela, aberta (prontinha para jogar algo lá dentro…), não tinha nada.

Rapidamente chegou a polícia. A ladra apresentou uma identidade (é peruana) e tive que explicar em portunhol algumas vezes o que havia acontecido.

Outra viatura da polícia chegou. Nós, no sol, esperando sei lá pelo quê, e eu explicando – de novo – o que havia acontecido.

Àquela altura eu já havia percebido que nada seria feito. Os policiais diziam que, como ela não estava com nada meu, que não havia como provar qualquer coisa. Mas eu fiquei ali, esperando, porque não era possível. Não era possível que ao menos eles não fossem nos levar para a delegacia.

Não vi eles anotando qualquer dado da ladra, mas os meus eles pediram. Anotaram num caderno escolar – nada oficial. Um caderno, mesmo, desses de espiral, pautados.

Depois do estresse de ter acabado de chegar, de não saber exatamente o que haviam levado, de querer chorar porque você não espera por isso no meio de uma viagem, com a preocupação com os cartões de crédito que estavam na bolsa, tive que ouvir certos comentários tosquíssimos – que reproduzo aqui em português porque não sei escrever em espanhol.

Um sargento, o mais velho e mais nojento, começou a pegar meus dados.

- Quantos anos você tem? Uns 22, 23?

- Não, 34.

- Nossa, não parece, você está muito bem.

Ok, podia ser só um “elogio” tosco num momento reprovável, mas vamos em frente.

- Qual o número do seu passaporte?

Comecei a falar calmamente, porque sei que algumas letras têm outra pronúncia em espanhol.

- F. É “F” que fala?

- F de flor? 

- Sim!

- Que nem você…

Aí já estava demais. Não era elogio. Era machismo, mesmo.

- Casada, solteira?

- Solteira.

- Que pena!

QUE NOJO, isso sim. Você está numa situação de vulnerabilidade, num outro país, falando outra língua, depois de um evento traumático. E o cara ACHA que ele, por ser homem e estar de farda, pode falar qualquer tipo de absurdo.

No final, nada foi resolvido. Eles simplesmente foram embora, depois de uma hora parados no sol (fiquei queimada), depois de esfregarem na minha cara que foda-se se algo de ruim acontecer com você, de que você, por ser mulher, vai ter sempre um babaca te assediando, em qualquer situação.

Eu sei que isso não é exclusividade da polícia argentina. Pelo contrário; relatos muito mais graves de abuso policial contra mulheres sempre aparecem por aqui. Só que dá um desespero de saber que não estamos seguras (nem com nossos bens, nem com nossa integridade física, moral e psicológica) em nenhum lugar.

***

O hotel que fiquei e não prestou assistência foi o Cyan Recoleta. Farei uma resenha relatando o fato no Trip Advisor. Ah, um dos policiais disse que assaltos como esse acontecem o tempo todo, todos os dias (não no hotel, mas na cidade). E, ao voltar, soube de outra brasileira que foi assaltada em Buenos Aires, dessa vez na rua, por duas mulheres  que diziam estar armadas. Sei que em algumas cidades brasileiras, como o Rio, os turistas são alvos comuns. Mas se dá para a gente visitar lugares mais seguros, recomendo que o façamos.

De férias

Queridas e queridos,

Primeiro eu quero agradecer a imensa generosidade de vocês nos comentários da pesquisa. Vocês foram muito doces, educadas, e me deram várias ideias interessantes.

Uma reclamação comum foi a falta de atualização do blog, e com razão. De fato me foquei em outras coisas e deixei o Cem Homens de lado. Isso não irá mais acontecer!

Mas só a partir de março. Em fevereiro estarei “de férias”. Vou viajar, me dedicar a outras coisas, mas depois do carnaval eu volto. Continuo no twitter (@nadialapa) e eventualmente posso atualizar o blog ou a fanpage, quando algo me engasgar forte.

Porém, post regular somente em março!

Neste período, os comentários voltarão a ser moderados, isto é, não entrarão no ar imediatamente. Peço especial atenção ao vocabulário usado; nos últimos dias tive de tirar do ar inúmeras mensagens, pois elas eram muito agressivas (não comigo, mas com a vida).

Divirtam-se, não derretam com esse calor, e em março a gente se vê de novo.

A história escabrosa de Woody Allen e Dylan Farrow em tópicos, para facilitar

Atenção: tentei ser o mais light possível nesse texto, mas ele pode trazer incômodo por se tratar de relatos de violência sexual. 

 

“Tenho a cabeça aberta sobre sexo. Eu não estou acima de qualquer suspeita, quando muito, estou abaixo delas. Digo, se eu fosse pego num ninho de amor com 15 garotas de 12 anos de idade amanhã, as pessoas iam pensar, é, eu sempre soube disso a respeito dele“.

(pausa para o vômito do “ninho de amor”.)

Aspas de Woody Allen em perfil publicado em 1976 pela revista People.

***

Em tópicos, pra facilitar.

Tempo: a vítima de qualquer crime que lhe deixe trauma – e o sexual faz isso – demora mesmo a se abrir. Quem trabalha com atendimento a estas pessoas (seja presencialmente, seja apenas lendo os relatos, como eu), percebe que o tempo é subjetivo, que cada vítima tem seu ritmo, e algumas nunca compartilham a história. Isso ocorre por diversos fatores, como a descrença dos outros, o sentimento de culpa, a vergonha, o medo de estragar relações familiares. Pode demorar 20 anos, pode demorar 50, pode nunca acontecer. Dizer que Dylan “demorou demais” é não compreender que ela precisou de um processo de autoconhecimento, de autoempoderamento, de tratamento psicológico, de superação de traumas, para expor coisa tão pessoal. Ela até mudou de nome para não ser reconhecida. Esse é o nível do trauma. E não é você quem decide quando e se ela deve se expor.

Condenação judicial: Ah, Allen não foi preso, dizem muitos. Estatística bombástica: só 3% dos acusados de crimes sexuais passam pelo menos UM dia na cadeia. Este número aparece em diversas pesquisas nos Estados Unidos; acredito que não temos nada parecido por aqui. Se você vai  me dizer que só 3% dos acusados são realmente culpados, gostaria (mesmo) que você justificasse o motivo pelo qual uma pessoa vai passar pelo constrangimento de fazer a denúncia.

Não acharam nenhum indício de violência sexual: Violência sexual para dummies: não é necessário haver penetração ou violência física, deixando marcas. Inclusive, é beeeeeeem melhor (se é que há “melhor”) que não haja penetração em crianças, pois isso significaria, talvez, a morte da menina. Caso você ache que violência sexual é só quando tem marca de murro na cara ou vagina machucada, você está apenas apagando o histórico de todas as pessoas – especialmente mulheres – que são abusadas todos os dias no transporte público, por exemplo. Você é um monstro. Desculpa dizer isso agora, assim, na dura. Mas é preciso.

A não condenação de Allen: Risocas para vocês!! Sabiam que nos EUA tem estado que dá direito de visitação e até de lutar pela custódia de uma criança gerada num estupro? Pois é! Um estuprador pode virar ~pai~. Woody Allen, mesmo com toda a grana e fama, foi impedido judicialmente de se aproximar de Dylan, pois entendeu-se que ele era um risco à menina.

Soon Yi: Parece que algumas pessoas disseram que ela era filha do Woody. Ela é filha de André Prévin, ex-marido de Mia Farrow. No entanto, Mia começou a se relacionar com o diretor logo após a adoção, que foi super complicada, e ele – Allen – foi padrasto de Soon Yi durante pelo menos dez anos antes de assumir (forçadamente) o relacionamento com ela. Podem dizer que incesto é tabu na nossa sociedade, que sei lá em que ilha da Micronésia isso é suuuuuuuuuuuuuuuper comum, mas, bom, vivemos na sociedade ocidental e não é bacana (pra dizer o mínimo) quando um homem, seja de que idade for, trepa com a filha da esposa. Isso geraria imenso desconforto se acontecesse no seu vizinho. Por que se aceita que aconteça com o Woody?

A relação entre uma garota e um homem mais poderoso e mais velho: Além da doentia dinâmica de um padrasto se relacionar com a enteada (em que momento ele olhou para Soon Yi como ~mulher~ e pediu pra ela tirar foto peladona?), é bastante comum vermos outras relações entre um homem muito mais velho e uma garota. Eu não estou dizendo que em todas há poder de um sobre o outro; o único caso que está sendo analisado individualmente aqui é o de Woody Allen. Pensemos em professores e alunas. Quantos casos conhecemos? Eu, vários. Já existe uma relação de poder diferente, uma vez que se trata de um homem e de uma mulher, que não têm a mesma posição na sociedade. Aí coloque uma pessoa muito mais inteligente, esperta, interessante que os garotos da idade da menina. Ah, a menina se “ofereceu”? Garotas imitam mulheres adultas desde a infância, quando colocam sapatos e maquiagem das mães. Qualquer garota sabe mimetizar a vida adulta. Isso não quer dizer que ela esteja preparada para vivê-la – e cabe ao adulto da história ter o mínimo de respeito e consciência na situação. Você vai me dizer que a Mia Farrow casou com homens bem mais velhos? Sim, casou. E isso não quer dizer que ela também não tenha sido levada a isso. E, bom, a vida pessoal da Mia Farrow não influencia no fato de que Woody Allen é acusado pela própria filha de tê-la abusado.

Mia Farrow era uma louca histérica: O tanto de misoginia que escorre desta informação é assustador. Eu sinto todo o ódio pelas mulheres na boca de quem fala esse absurdo. É outro nível de victim blaming: estão culpando a MÃE da vítima. Todas mulheres. Que curioso, não? (eu me recuso a me alongar nesse tópico.)

OLHA.QUE.LOUCA.

Mia-Farrow-in-Sudan

Mia e Woody não eram casados pela lei do estado de Nova York. É o que diz o Daily Beast. Eles tiveram filhos juntos (biológico), adotaram criança juntos (Dylan), fizeram 13 filmes juntos, se viam todos os dias… mas ah, a lei, o que importa é a lei.

Por que só agora, Dylan? Como mencionei antes, cada vítima tem seu tempo. Eu mesma publiquei um guest post aqui (que é completamente real, pois conheço a pessoa que o escreveu) de uma mulher que foi abusada na infância/adolescência pelo próprio irmão e só publicizou isso bem mais velha. Tudo começou com os tuites do irmão e da mãe de Dylan durante os Golden Globes. Virou uma discussão mundial, Dylan recebeu apoio de incontáveis pessoas e agora resolveu colocar a questão na mesa. Talvez não para ~linchar~ o abusador (risos), mas para falar, para mostrar que ela está ali, para deixar claro para outras vítimas de abuso que é possível sobreviver e que elas não estão sozinhas. Ronan e Mia Farrow têm participação intensa em programas sociais. Talvez Dylan tenha se inspirado no irmão e na mãe e queira fazer sua parte. E eu a aplaudo por isso. É necessário que cada vez mais as sobreviventes de violência sexual e doméstica imponham suas presenças e gritem suas histórias.

Cuidado! Escola Base e etc. Toda vez que houver alguma dúvida, vão trazer esse caso à tona? Vocês ao menos, por um segundo, leram algum artigo sério sobre o caso Escola Base? Foi horrível, foi mau jornalismo, foi trabalho porco da polícia. Mas nesse caso há o relato da vítima que, num mundo feminista, JAMAIS deve ser colocado em dúvida. JAMAIS. Em tempo algum. Sob qualquer justificativa. J.A.M.A.I.S. De novo: jamais. O relato de uma mulher adulta, consciente dos seus atos, que em  carta inclusive relata diversos problemas físicos e psicológicos decorrentes do trauma que o próprio pai lhe provocou.

Não vamos linchar sem provas! Esse argumento me dá vontade de rir. Confesso: eu rio um pouco, aqui, sozinha. É muito doido. Linchar? Quem tá linchando? O Woody Allen sequer se posicionou a respeito do assunto. Mandou a assessoria de imprensa escrever um comunicado de duas linhas. Blue Jasmine, último filme de Woody, está concorrendo a diversos Oscar – inclusive o de melhor roteiro original, escrito pelo diretor. A vida dele continua igualzinha, com a conta cheia de dinheiro, a prateleira cheia de prêmios e, como mostro na frase que abre este post, provavelmente com a consciência tranquila.

Woody Allen é um gênio, vamos separar a obra do artista. Caso você deseje muito continuar usando frases que Woody balbucia feito bêbado nos filmes dele, ou queira continuar indo ao cinema sem culpa, vá em frente. Mas eu não consigo deixar de pensar no Bruno, assassino de Eliza Samudio (posso dizer “assassino”? a sentença ainda não transitou em julgado… será que posso? cês deixam?). Lembro que em uma entrevista ou em um relato qualquer ele lamentou muito não poder ser o goleiro da seleção brasileira na Copa de 2014, essa que talvez comece em quatro meses. Você aplaudiria o Bruno no gol?

***

Pretendia escrever um texto corrido. Não consegui, porque era maior do que eu contestar ponto a ponto as alegações bizarras que estão fazendo para defender Woody Allen. Se eu esqueci de mencionar algo, por favor deixem nos comentários que eu vou atualizando o post. Eu ainda vou escrever um texto corrido, porque preciso humanizar essa história toda. Preciso. Preciso mostrar que o foco é a Dylan, não o Woody. O foco é a dor que esta garota passou. O foco é a coragem em se expor agora, e trazer à discussão assunto tão delicado. O foco é a audácia de nomear pessoas que trabalharam com o agressor, e o defendem. O foco é a Dylan. O foco sempre será a Dylan, mesmo que ela se chame Maria, Helena, Aline, Rachel, Mércia, Eliza, Eloá.

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Era pra ser uma rápida explicação, mas…

Juro que não vou ficar rodando e rodando no mesmo assunto, tipo gato correndo atrás do próprio rabo. É que preciso colocar umas coisas no lugar antes de seguir em frente. 

Ontem eu postei uma pesquisa sobre o blog. As respostas estão maravilhosas – haverá um texto só para agradecer tamanha generosidade de vocês nas palavras. Mas surgiram algumas dúvidas das pessoas e eu acho bom explicá-las antes que elas caiam no limbo das zilhões de coisas que eu gostaria de dizer a vocês e não consegui (geralmente por falta de tempo e/ou foco).

Reclamaram da falta de atualizações aqui no blog. Vocês têm toda a razão. O que talvez algumas de vocês não saibam é que eu tinha um blog sobre feminismo na Carta Capital. Então as atualizações não aconteciam só aqui. Em seis meses lá, escrevi 40 posts, mais ou menos. Tinha, no passado, porque eu achei melhor deixar o blog.

Eu também inventei um blog novo para mim, o Mulheres em Série. Eu vejo muito seriado e vou escrever sobre como as mulheres são representadas neles e na cultura pop em geral (músicas, novela, filmes). Acabei de entrar lá e fiquei meio com vergonhinha, porque percebi que o último texto foi publicado há mais de 20 dias! De todo modo, criar um blog, uma fanpage e um twitter novos dão trabalho. E espero que vocês me prestigiem lá também.

Mas, mais do que tudo, o segundo semestre de 2013 não foi bacana comigo. Falei a respeito por aqui e não vou repetir tudo. Porém, é difícil sentar para escrever quando a minha mente está em outro planeta. Eu não escreveria coisas minimamente divertidas se eu estava enrolada com vários problemas. Eles não estão exatamente resolvidos, mas o início de ano sempre me dá um gás novo, e aqui estou, pretendendo voltar a escrever com frequência no Cem Homens.

Seria bem interessante se vocês se dispusessem a escrever guest posts – nesses três anos, recebi pouquíssimos e-mails de gente querendo contar a própria experiência por aqui. Tenho outros planos e outros projetos offline, também. Eu não ganho nenhum real com o blog, então é preciso trabalhar, certo? Além disso, nos próximos meses farei duas pós graduações simultaneamente. Uma, que já faço, em gênero e sexualidade, e a outra, que inicia agora em fevereiro, em educação sexual.

Na pesquisa, houve quem reclamasse da minha falta de resposta em comentários e/ou tom “agressivo” em alguns posts. Se vocês curtem tanto que eu seja sincera nos textos, vão ter que aturar a parte ruim também. Quando você conhece alguém e se envolve, não dá para pegar o que não gosta e jogar fora. Nem a própria pessoa consegue fazer isso! É o preço que se paga – e acho que está até saindo barato.

Sobre os comentários, eu resolvi não mais me envolver muito. Era enlouquecedor e eu só podia fazer duas coisas: fechar os comentários de vez ou não me envolver. Cheguei a fechar, algumas pessoas reclamaram, reabri. Mas não tenho mesmo como responder todo mundo e/ou manter uma docilidade que eu não tenho. Vamos pensar se não estamos sendo muito egoístas ao exigir de mim uma tranquilidade que não faz sentido e que ninguém teria se estivesse no meu lugar?

Até meu twitter eu deletei, de tanta maluquice alheia e minha inabilidade de lidar com aquilo num momento ruim. Acabei voltando (@nadialapa, o mesmo de antes), porque tem gente que eu curto conversar e também adoro a interação com quem é bacana.

Sobre novos livros: sim, esperem um para o fim do ano e outro logo no início de 2015.

Ufa. Acho que era isso. Qualquer dúvida, perguntem nos comentários – juro que nesse post eu vou responder tudo.

Algumas pequenas grandes mudanças

Oi. :)

Sim, estou falando com você, diretamente. Eu sou tímida mas sou simpática, juro.

Eu amo conversar com você. Pra mim, é isso que o Cem Homens é: uma conversa entre mim e quem está lendo – infelizmente nem sempre você responde, e eu fico sem saber o que você pensa. Bom, vamos combinar que às vezes isso pode ser bom. Né?

Mas o fato é que em 2014 algumas mudanças estão tomando forma. Isso é bem louco, porque ainda estamos em 26 de janeiro, mas eu estou planejando coisas, marcando deadlines – e eu nem sou essa pessoa. Justamente: quero deixar de ser essa moça que não completa projetos. Alguns deles são incríveis, e deveriam sim sair do papel.

O Cem Homens, lógico, tem importância vital. Foi aqui que você me conheceu (e talvez bem demais), e apesar do layout me irritar hoje em dia, eu gosto do que construímos aqui.

E ele vai continuar existindo, só que agora ele vai voltar a ser meu cantinho mais pessoal, mais aconchegante, talvez. Eu nunca o vi como um blog feminista, nunca o nomeei desse jeito, e realmente acho que ele não o é. Então, preciso fazer mudanças.

Por isso, peço a sua ajuda. Na pesquisa abaixo (bem curtinha), você pode me dizer o que quer, o que pensa, o que sente. A identificação não é obrigatória e há espaços para você escrever o que lhe vier à mente.

Eu agradeço muito, muito, muito se você tiver tempo e vontade de preenchê-la. Se colocar seu e-mail, por favor preencha com um endereço que você realmente use. Talvez você ganhe uma surpresinha!

É isso. Um beijo e obrigada pela companhia, sempre.