Excelente propaganda de camisinhas

Enquanto há quem faça apologia ao estupro para vender preservativos, também há quem tenha ideias criativas e sem nenhuma, absolutamente nenhuma alusão a sexo.

O vídeo abaixo foi escrito e dirigido pela jovem francesa Charlotte Rabate, estudante da Tisch School of the Arts, da Universidade de Nova York. O comercial, portanto, não é oficial; é apenas um “exercício”. E ficou demais!

Pra completar, ainda tem Sonic Youth na trilha sonora!

Durex ad long version from Charlotte Rabate on Vimeo.

Viram que bacana? Há quem trate tudo com bom humor e cuidado.

Camisinha não é coisa de vadia

O ~alta social media~ decretou: ”Mulher: se um cara põe camisinha sem vc pedir é pq ele te acha uma vadia.”.

Minha cara ao ler esse tipo de coisa em setembro de 2012:

Infelizmente tal pensamento ainda é muito comum. Muita gente dizia que, com minha quantidade de parceiros, eu seria um poço de DST. Sabem uma coisa curiosa? Eu nunca tive nenhuma. Também não escondo de nenhum parceiro o meu passado (e presente) sexual, mas mesmo assim alguns deles não fizeram essa questão toda de usar preservativo comigo.

Eu sempre fiz questão (não, não vou dizer que jamais transei desprotegida. Já rolou e eu me arrependi amargamente).

Quando alguém dispensa a camisinha com você, essa pessoa não está necessariamente te dando um sinal sobre o que ela acha de você. Ela está falando de si mesma: é tão arrogante que acha que ela mesma é imune a doenças sexualmente transmissíveis.

Porque se você está num relacionamento (casual ou não) e a camisinha nem entra em pauta, é bastante provável que aquele (a) parceiro (a) também não faz questão de usar o preservativo com outras pessoas. E bom, vocês já sabem o que acontece.

Comecei minha vida sexual lá na década de 1990. Todo mundo parecia mais preocupado com o HIV. Grandes nomes de especial influência na minha existência morreram por causa do vírus (Cazuza, 1990; Freddie Mercury, 1991; Renato Russo, 1996). A gente via nossos ídolos lutando e definhando. Sarcomas aparentes. Perda de peso. Queda de cabelo. Fim.

Na época, as camisinhas eram mais caras e muito desconfortáveis. Quem sofria de alergia… tinha de sofrer, pois só as de látex eram vendidas. E, apesar de extremamente grossas, estouravam.

As coisas mudaram pra melhor em todos os aspectos. Contrair o HIV já não é uma sentença de morte – e talvez por isso mesmo algumas pessoas se considerem invencíveis. Ser soropositivo, porém, requer uma série de cuidados com a saúde, como vocês podem ver nessa reportagem do Profissão Repórter do ano passado.

Prevenir-se também ficou mais fácil. As camisinhas se tornaram mais baratas e confortáveis, sendo encontradas em diversos tamanhos e materiais diferentes.

Há alguns dias uma leitora mandou e-mail dizendo ter dificuldade em usar camisinha com o namorado, pois o pênis dele é bem grosso. Ele reclamava que os preservativos apertavam demais. Eu disse para ela testar a Preserv Extra Premium (nunca usei), que tem 58mm de diâmetro (as comuns têm 52).

Ela testou e me respondeu dizendo que foi ótimo: “Ele disse até que tem que colocar a mão de vez em quando pra ter certeza que não saiu, pois a sensação é de estar praticamente sem”.

Mesmo com tantas boas notícias, os preconceitos (como do tuiteiro mencionado acima) persistem. E deixam pessoas doentes. Em dez anos, dobraram os casos de HIV na terceira idade. Muitas das infectadas são mulheres monogâmicas e casadas.

Enquanto tratarmos o sexo como um componente do “caráter”, os números continuarão aumentando. Não consigo ver motivo razoável para deixar a camisinha de lado, mesmo em relações mais duradouras e teoricamente monogâmicas. Mas, caso você decida fazer isso, por favor faça exames completos antes, sempre observando a janela imunológica. Se cuidem.

E deem unfollow nesses imbecis cheios de preconceitos. A saúde física e mental de vocês agradece.

Excelentes notícias

O dia começou glorioso com a prisão dos “responsáveis” pelo site Silvio Koerich, que era racista, misógino, homofóbico e tudo de ruim que vocês podem imaginar. Excelente, excelente.

Daí depois li que a prefeitura de Catalão, em Goiás, está vacinando gratuitamente as adolescentes contra o HPV. A vacina é cara (ultrapassa os mil reais), não é distribuída na rede pública de saúde e os planos de saúde não cobrem.

Mesmo quando têm condições financeiras, os pais tendem a não vacinar as filhas – acham que isso as estimularia a transar. Por favor, né? Colocar uma mulher em risco de pegar câncer só para ela permanecer virgem é de um atraso surreal.

Isso porque a vacina é mais indicada para garotas a partir dos nove anos de idade. Há quem ache prematuro, mas segundo a reportagem do G1 este é o momento ideal por causa da resposta imunológica. O fato é que você não sabe quando sua filha vai começar a vida sexual, e se você puder protegê-la do vírus que é o grande responsável pelos casos de câncer de colo do útero no país, torna-se essencial a vacinação.

Parabéns à prefeitura de Catalão!

Outra boa nova é que o SUS voltou a distribuir as camisinhas femininas. Caríssimas (na farmácia custa em torno de R$ 7 e nos sex shops o valor chega a dobrar), elas estavam há um ano sem serem entregues nos postos de saúde. O Ministério da Saúde comprou 20 milhões de unidades.

Justamente por causa do custo, as camisinhas femininas não são muito populares. Mas podem ser uma excelente saída para mulheres alérgicas ao látex ou que tenham aqueles parceiros chatíssimos que não se acostumam com o preservativo masculino. Eu testei e contei tudo aqui.

Um dia de boas notícias. Que continue assim.

O número de parceiros e as DSTs

Na época em que eu relatava meus encontros sexuais aqui no blog recebi toda sorte de xingamentos. Uma das “preocupações” das pessoas que jamais conheci era a minha saúde.

“Com tanto homem assim”, era “óbvio” que eu ia pegar alguma doença sexualmente transmissível. O assunto voltou à baila depois do post sobre namorar uma garota de programa.

Nós, as putas, seríamos responsáveis por todo o mal em forma de vírus, fungos e bactérias do mundo. Os moralistas e punheteiros de plantão (nada contra punheta. acho lindo. mas quem SÓ faz isso deve ter problemas) acham que a abstinência sexual os protege de doenças. Bom, a igreja também prega isso – e com esse pensamento se evitam políticas públicas sérias de prevenção.

Daí você pode dizer que uma pessoa que transou com mais de três parceiros no último ano não pode doar sangue. São padrões instituídos, mesmo. Assim como os tatuados também não podem. Moralismo barato ou só cuidado excessivo e necessário?

Não sei dizer.

Só sei contar sobre a minha experiência – personalíssima e divertida pra caramba. Segundo estatísticas, eu tenho uma vida sexual mais movimentada que a média. SEMPRE tive. Não foi algo que surgiu na minha cabeça em 2011 e eu resolvi sair dando por aí.

Não. Sempre, sempre, sempre fui liberada sexualmente. Agora um pouco mais, porque também eu era eivada de machismo.

Pois bem. Eu, euzinha, nunca tive nenhuma DST. Nenhuma. Não tenho HPV, um mal que atingirá de 50 a 80% da população feminina do mundo e é o grande responsável pelo número de casos de câncer do colo do útero.

Já tive, como quase todas nós, candidíase. Você pode nunca ter chegado perto de alguma atividade sexual e pegar cândida. É um fungo, super comum, por exemplo, no verão, por causa do uso das roupas de banho úmidas. A coceira e o odor indicam; você usa um remédio por três dias, fica sem transar nesse período e pronto. Assunto resolvido.

Por que eu, com tamanha variedade de parceiros, nunca fiquei doente? Simples: piranha que é piranha sabe disso. E se liga, se cuida. Eu não transo sem camisinha. Não vou mentir e dizer que nunca aconteceu. Já, já aconteceu, e eu fiquei em pânico depois. Faço exames regularmente, vou à ginecologista, incluo o anti HIV quando vou colher sangue para ver, sei lá, meus hormônios.

Mas eu sei que as pessoas “automaticamente” pensam em doença quando veem uma pessoa mais “dada”. Será que é automático mesmo? Será que as estatísticas realmente mostram que quem transa mais, tem mais chance de contrair doenças? Se formos analisar só o número, friamente, sim. Mas são pessoas, que se comportam de maneiras diferentes – e dispensam ou não o uso de camisinha. Tem gente, inclusive, que tem TESÃO em transar sem proteção não pelo prazer no ato sexual, mas sim pela possibilidade de pegar HIV. Uma espécie de roleta russa dos anos 2000.

Isso tudo ficou muito claro pra mim há alguns anos. Eu transei com um cara comprometido. Noivo. Usamos camisinha o tempo inteiro. Alguns dias mais tarde ele me procurou porque estava com gonorreia. Além de querer me avisar, ele fez um tipo de acusação, como se tivesse contraído a bactéria na nossa relação. Eu não sei com quantas outras pessoas ele havia transado nos últimos tempos, mas sei que ele não usava camisinha com a noiva.

Ah, mas a noiva, aquele ser quase virginal, não poderia ter uma doença tão mundana, né?

Bom, o que eu sei é que EU não tinha.

O que vejo acontecendo é que as pessoas com um suposto relacionamento monogâmico deixam a camisinha de lado. Além do risco das puladas de cerca, o casal tende a fazer isso sem fazer exames e sem considerar a janela imunológica. Um olha para a cara do outro, diz que não tem vontade de sair com mais ninguém, que já estão “há tanto tempo juntos” e simplesmente para de usar preservativo. “No pelo é mais gostoso”, repete-se por aí.

Eu, que comecei a minha vida sexual há zilhões de anos, até concordo que há uma década havia uma enorme diferença entre transar com camisinha ou sem. “É como chupar bala com papel”, diziam. De fato, ainda mais para uma mulher alérgica, não era a coisa mais legal do mundo. Mas as camisinhas mudaram, ficaram mais fininhas, mais seguras e essa sensação melhorou muito. E, cá pra nós, é o que tem pra hoje.

Só que por uma espécie de conveniência os casais ignoram os riscos de contrair alguma doença. Tem homem que acha uma afronta a mulher pedir que ele vá ao médico. Peniscopia? Quem já fez? A mulher vai sempre ao ginecologista, mas e os rapazes?

Um tempo desses fiz uma enquete aqui voltada às mulheres perguntando se elas carregavam camisinhas. Não tenho acesso agora ao resultado, mas grande parte delas disse que isso era obrigação masculina ou que tinham vergonha de andar com preservativos na bolsa. “Coisa de puta.”

Como resultado, uma em cada dez jovens atendidas no SUS tem DST (leia mais aqui, no ótimo blog da minha amiga Mariana Perroni). Conheço mulheres que contraíram HPV com o primeiro parceiro sexual. Aos 20 e poucos anos estavam às voltas com cauterização do colo do útero. Outras viram o sonho de se tornar mãe indo por água abaixo porque já havia evoluído para um câncer.

Elas se acharam acima do bem e do mal porque eram “mulheres direitas”. Daí os homens não necessariamente “direitos” saem com essas moças “acima de qualquer suspeita” e também deixam a camisinha de lado. E assim as doenças são transmitidas.

A não ser que a pessoa esteja num estágio avançado de algumas DSTs, como a gente vê nos livros de biologia, nós não temos como saber se ela está infectada. Por isso, camisinha, sempre. Falso moralismo, nunca.

Dor na relação sexual

Procurei pra caramba comentário recente de uma leitora que relatava sentir dores durante a relação sexual. Não achei. Então vou repetir a coisa aqui meio de cabeça mesmo.

A tal moça contou que a penetração vai bem de primeira, tem lubrificação, mas na segunda a coisa começa a ficar incômoda. A terceira, então, é um suplício. Ela já procurou um médico para saber se há algo errado, mas está tudo ok com o corpo dela.

Ler aquilo foi como voltar dez anos no tempo. Lembro com nitidez da tarde em que fui ao ginecologista reclamar exatamente da mesma coisa. Ele olhou tudo, enfiou dedo e instrumentos, e disse “Letícia, deve ser algo psicológico”. Eu fiquei com cara de ?, porque não tinha nenhuma grande questão me afligindo (nota: ele não me encaminhou a um terapeuta ou sexólogo, o que seria o mais correto).

Sofri com isso durante anos. A sensação de dor e ardência não tinha nada a ver com a lubrificação. Eu sempre ficava me perguntando se eu estava seca, pois parecia que o pau estava cheio de areia ou que eu ia começar a sangrar a qualquer momento pela fricção. Perguntava ao meu parceiro se eu estava lubrificada, e a resposta era sempre positiva.

Se eu transasse duas vezes numa noite e tentasse dar mais uma de manhã… era a morte! Fazer xixi? Um inferno.

Até que eu descobri que a coisa era muito mais simples que vaginismo ou traumas psicológicos. Era tão somente alergia à camisinha! O médico sequer levantou essa hipótese, apesar de cerca de 4% da população mundial ser alérgica ao látex, material do qual a maior parte dos preservativos são feitos. A alergia pode ser mais ou menos incômoda; pode rolar só um ardorzinho ou um inchaço da região, tornando a penetração ainda mais difícil. Muita coisa por aí é feita de látex, então provavelmente você pode observar a reação a outros produtos. Eu, por exemplo, não consigo usar absorvente com aquela cobertura “sempre seca”. Sabem aquelas pulseirinhas plásticas de balada? Também são super incômodas pra mim; minha pele fica vermelha, coça…

Tanto é assim que existem no mercado algumas camisinhas especiais para este público. É o caso da Blowtex Premium e da Unique (falo delas neste post). A camisinha feminina também não é feita de látex.

O que se precisa fazer é procurar a camisinha que nos deixa mais confortáveis. Eu não uso nenhuma das três citadas acima. Tenho me dado bem com a Olla Sensitive, preferida do namorado. Ontem senti ardência durante a relação e perguntei se ele tinha trocado de marca. E a resposta foi “sim”! Resultado: estou até agora meio ardida.

Então, é claro que existem questões sérias que podem fazer com que você sinta dor durante o sexo. Já falei aqui sobre vaginismo, por exemplo. Algumas DSTs também deixam a região dolorida. Portanto, não adianta culpar só a camisinha – visitar o ginecologista regularmente faz parte do pacote.

Porém, a coisa pode ser bem mais simples. Basta gastar um pouquinho mais em uma camisinha especial. São centavos! Para ter certeza, procure um alergologista. Normalmente quem tem alergia ao látex tem também a algum tipo de fruta.

Camisinha, essa linda

“Usar camisinha é que nem chupar bala com papel”, dizem por aí. Mas, amigo, essa bala-com-papel pode aumentar – e muito – a sua expectativa de vida. Então, deixe a frescura de lado e plastifique esse negócio. Um mundo inteiro consegue gozar usando preservativo; vai na fé, você consegue também.

Mas talvez você precise ser mais bem informado e abrir um pouco mais a mão, comprando camisinhas especiais, deixando de lado aquelas mais baratinhas de lado, que mais parecem um saco plástico. Isso pode fazer muita diferença.

Primeiro: o tamanho

Meninos, conformem-se: poucos de vocês precisam usar os modelos maiores. É, horrível, eu sei (estou sendo irônica). O que muda da versão normal para a extra é o diâmetro. As camisinhas comuns têm 52mm de largura, enquanto a large/extra é um pouquinho maior: 55mm.

Para os pequenininhos, a dica é a Preserv Teen, com 49mm. Como o próprio nome diz, ela seria indicada para adolescentes, mas sabemos que há muito adulto que se daria melhor com uma dessas. Lembrem-se sempre que camisinha frouxa pode ficar dentro da outra pessoa! Com isso, toda a proteção contra DST ou gravidez indesejada vai pelos ares.

Outro dia vi na farmácia um lançamento da Preserv, a Extra Premium. Novíssima no mercado, a camisinha tem 58mm de largura. Por ser a única nacional com esse tamanho, o preço é salgadinho: a unidade custa por volta de R$ 5.

Um bom amigo indicou a Unique, feita na Colômbia. Se eu não me engano ela é ainda mais larguinha, com 60mm. O preço também é de R$ 5, quando comprada via site. O bacana dela é que não é feita de látex, excelente para quem tem alergia ao produto.

Segundo: o material

Como disse antes, por favor não comprem camisinhas grossonas, dessas que exalam o cheiro de plástico pelo quarto. São horrorosas!

Mais do que desconfortáveis, há casos em que se tem alergia ao látex. É como uma alergia comum: pode rolar desde uma coceirinha até algo bem mais grave. Antigamente só se conseguia comprar camisinhas de materiais diferentes em sex shops ou no exterior. Agora qualquer farmácia tem a Blowtex Premium, fabricada na Tailândia. A embalagem vem com duas unidades e custa um pouco mais do que as comuns: algo entre 5 e 6 reais o pacote.

 

Se a alergia for ao lubrificante, o jeito é ir trocando de marca ou usar a Microtex não lubrificada, e daí você utiliza o gelzinho preferido. A marca é bastante usada nos exames de ultrassonografia, por exemplo, quando o médico utiliza LITROS de gel para conseguir colocar aquele negócio bacanudo (not) dentro da gente.

Terceiro: o sabor

Eu ODEIO camisinhas com aroma. Essas que “ardem”, então… estou fora. Odeio, odeio, odeio. Mas, pelo que vejo nas lojas, há muita gente que gosta.

Agradeço indicações nos comentários. Já experimentei de diversos sabores e marcas, e não me adaptei a nenhuma. Em tese, elas ajudam bastante no sexo oral, mas eu continuo sentindo aquele gosto horroroso de látex que nunca mais sai da boca.

Quarto: tem de um tudo

Além das diferenças em tamanho, material e sabor, há camisinhas com ou sem textura; mais finas, as chamadas “sensitive”; coloridas… Se você tem um parceiro regular, é possível ir experimentando cada uma para ver qual é mais bacana e confortável para os dois (ou três. Ou mais).

Mas é preciso usar, sempre. Qual a sua favorita?