Feminismo para principiantes: “Feminista até pagar menos na balada”

Esse é um dos discursos que mais me cansa na “cruzada contra o feminismo”. Até dei um looooooooongo suspiro antes de começar a escrever esse post.

Dentre todos os problemas que as mulheres passam, REALMENTE exigir que se pague mais na balada deve estar em posição de destaque (contém ironia).

Poxa, gente, vamos usar alguns argumentos menos patéticos?

Mas vamos lá. Mande esse link sempre que alguém vier com esse suuuuuuuper argumento.

Você sabe porque mulheres pagam menos em algumas baladas? Você acha que tem alguma coisa a ver com privilégio? “Nossa, olha, elas pagam metade, como estão ricas!”

É como aquelas festas em que as mulheres podem entrar antes e, enquanto elas estão lá dentro, antes dos caras chegarem, rola open bar. Mulher, nesses casos, é isca. Isca. Objeto.

Para o empresário dono da balada, não interessa ter um lugar lotado de homem hétero e com poucas mulheres. Eles provavelmente vão brigar entre si pela atenção das garotas, que possivelmente serão agredidas (terão o cabelo puxado, não conseguirão ir ao banheiro sem “pagar pedágio”, não poderão dançar uma música inteira em paz). Logo, o lugar não será atraente para as mulheres que, apesar de às vezes quererem, sim, ir a um a boate com muitos caras, não querem ser puxadas ou encurraladas.

Vocês nunca foram numa night em que só deixam entrar casais num determinado momento e/ou a mesma quantidade de homens e mulheres? É para evitar brigas e tumultos.

Assim, oferecer open bar para as mulheres e/ou cobrar menos para a entrada delas não é uma coisa que estão DANDO para as mulheres. É tão somente uma forma de atrai-las e, por conseguinte, fazer com que os caras imaginem que ali eles terão mais chance de “sair do zero a zero”. O open bar serve para embebedá-las e deixá-las “mais facinhas”. É só isso. E é bem nojento, convenhamos.

Na verdade, é o contrário do que dizem por aí. Dizem que é algo bom para as mulheres, quando o fato é que isso só é bom para os homens e para o empresário. Tratar as mulheres como isca é machismo, meus caros.

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Leia outro post do feminismo para principiantes: trabalhar fora.

Se você tem alguma pergunta sobre feminismo, aqui tem o ask.fm de Feminismo para Principiantes. Sua pergunta pode virar um post aqui no blog. Vai lá. :)

Feminismo para principiantes: Trabalhar fora

Depois de queimarem sutiãs, agora sou obrigada a trabalhar fora. 

Há várias versões disso aí em cima. Todas colocando no feminismo uma conta que não é dele. Vamos voltar à questão das ondas. Na segunda onda, uma das lutas era para a mulher poder trabalhar fora.

Isso já acontecia nas camadas pobres da população. As mulheres das classes mais baixas eram responsáveis por todo ou parte do orçamento doméstico, simplesmente porque era necessário. Era impossível sustentar todo mundo com o salário de um provedor só (e, em muitos casos, eram mães solteiras).

Logo, essa luta foi de um feminismo de classe média. Talvez hoje seja difícil enxergar isso; afinal, você fazer ou não faculdade sequer foi uma discussão em casa. Seus pais a incentivam (até obrigam) a estudar.

Há trinta, quarenta anos, a situação era diferente. As mulheres de classes abastadas eram só donas de casa, e dependiam do marido para comprar qualquer coisa. Assim, os maridos-provedores podiam controlar tudo. Tudo. Você quer comprar uma saia nova? Um maço de cigarro? Peça o dinheiro do marido. Ele pode achar que você não precisa de uma saia nova. E aí você… bom, você não faz nada. Ou briga. E fica presa ao casamento porque não consegue se sustentar sozinha. A prova disso é a tal “revolução feminista no sertão”. Agora, com as mulheres sendo responsáveis pelos cartões do bolsa família, houve mudança significativa na vida dessas mulheres.

“Ah, mas eu preferia não trabalhar, ou trabalhar meio período.” – O feminismo não é contra isso. Ele te deu essa escolha. Mas o que talvez você queira seja ganhar na mega-sena, e não ser sustentada por um homem. Você também pode mudar seus hábitos e viver de maneira frugal, optando por um emprego menos estressante ou que exija menos horas de trabalho. Caso sua profissão seja tão horrível assim, é possível que o problema não esteja na grana; esteja na escolha de carreira.

De todo modo, esse não é um problema criado pelo feminismo, mas sim pela sociedade de consumo em que vivemos. Todas as pessoas da casa têm que trabalhar porque viver é caro. Não foi o feminismo que te obrigou a sair de casa. Ele só te deu essa opção.

PS: Nunca houve a queima de sutiãs. Por favor, parem de repetir isso.