Desde sempre me perguntaram onde eu conhecia os caras com quem saí em 2011. “Na vida”, eu respondia. Porque, de fato, teve de tudo: lembrem-se que até taxista eu peguei*.
Mas ai de mim se dissesse que alguns (muitos, aliás), eu conheci pela internet. Ai de mim! Assumir isso é subir no lugar mais alto do pódio de “loserice” conhecido.
Em 2013, gente.
Ignore o fato de que a gente passa a maior parte das horas dos nossos dias online. Que existem milhões de jeitos de conhecer alguém virtualmente. Que às vezes a gente trabalha com pessoas que não têm nada a ver conosco. Que acabamos de mudar de cidade e não conhecemos ninguém. Que a gente não tem grana pra ir todos os dias pra balada e/ou não tem mais disposição para tanto (me enquadro nos dois casos).
Ainda assim você não pode socialmente admitir que conheceu alguém online e está transando com essa pessoa.
Porque isso te tira da categoria de “conquistador”. “Nossa, sua feia, só com as palavras você pode convencer alguém a te comer, hein, porque na night ninguém ia olhar na sua cara.”
Exatamente! Eu gosto de palavras. Eu gosto de risadas. Eu gosto de passar horas conversando com alguém e ir conhecendo a pessoa, sem me importar se ela é feia, bonita, barriguda ou se o nariz dela é grande. Só a pessoa ali, linda, sendo interessante.
Impossível negar que também adoro um carinha estiloso, ou sardas nos ombros, ou o moço que está olhando exatamente a mesma seção que eu na livraria. No entanto, quero ir ao bar com meus amigos pra bater papo com eles e comer até a barriga ficar mais redondinha; ou então ir à balada (quase nunca) para dançar de olhos fechados, sem salto alto para não acabar com meus pés, sem qualquer preocupação com a possibilidade da minha maquiagem estar borrada ou se meus movimentos não são sexy. Eu não vou para esses lugares com o objetivo de flertar.
Apesar disso tudo, as pessoas ainda têm muita vergonha de dizerem que se conheceram online. E existe até uma “classificação” dos meios utilizados. Se alguém for amigo do seu amigo no Facebook e vocês dois comentaram no mesmo tópico, tudo bem. É como se vocês tivessem sido “apresentados”.
No Twitter você já perde alguns pontos. Ah, mas e se for no chat do Uol ou em sites tipo Par Perfeito? Péééééénn. Acende o neon: LOSER!
Pois eu vou contar um segredinho pra vocês: eu já usei ambos. E lá eu conheci gente que vocês aplaudem fervorosamente no Twitter. Tem um blogueiro muuuuuuuuito conhecido, hoje casado, que há uns dois anos passava a madrugada no chat. Outro, inteligentíssimo, interessantérrimo e por quem fui apaixonada, conheci no Par Perfeito.
Não estou falando de coisas de dez anos atrás, não. Estou falando de agora. Mas se formos vasculhar meu passado, então, a coisa fica ainda mais frenética. Devo parte da minha vida sexual à sala Rio da Brasnet (no IRC). Escrevo blogs desde 2001 e lá eu já pegava leitores (aqui do Cem Homens, até namorei com um deles). Em menor escala, usei o ICQ com esse fim também.
Além de namorados/ficantes, fiz grandes amigos. Gente que tenho dentro do coração, que amo profundamente e que faz parte do meu cotidiano.
A internet é só mais um meio – delicioso, eu diria – de conhecer gente. Você pode saber se há afinidades, se o papo flui. Quem é mais tímido para “chegar” em alguém na balada pode se dar muito bem online. Mas os chats e afins também servem para, simplesmente, conseguir sexo casual.
E não há mal nenhum nisso.
Recebo muitos e-mails com perguntas de “onde vou encontrar alguém que tope sexo casual” ou “tenho a fantasia tal, mas ninguém do meu meio social aceitaria”. Vá para a internet. Há incontáveis chats e fóruns com gente querendo a mesma coisa.
Acabei de entrar no Uol para ver as categorias de chat e contar pra vocês. Nunca usei as de “sexo” (soube que elas existiam há pouco tempo), mas olhem que maravilha: além das separadas por idade e para sexo virtual, há mais um montão. Fantasias, fetiches, gordinhos, a três, swing, sadomasoquismo… Escolha a sua.
Se no final disso tudo você está pensando “ah, mas o que eu quero é um relacionamento sério”, tenha em mente que você precisa conhecer a pessoa em algum lugar. Hoje tenho uma amiga grávida do marido que ela conheceu no ICQ há trilhões de anos. Outra, namora e está feliz com um cara que conheceu no chat do Uol ano passado. Conheço casal que se encontrou no Almas Gêmeas e está junto até hoje. Um amigo é completamente apaixonado pelo namorado escolhido no Grindr.
Já deveríamos ter ultrapassado essa fase de achar ridículo que as pessoas se conhecem pela internet. Esse é um fato. E, se eu fosse você, aproveitaria. Com cuidado, porque sim, há muito louco online (e offline também). Tome precauções, desconfie de príncipes encantados (sempre), e se divirta.
*não, eu não acho que o verbo “pegar” diminua ninguém. eu pego, eu sou pega, e normalmente é uma delícia.





