Plástica, dieta, carbox. Pra quem?

Há alguns meses uma leitora me escreveu o e-mail abaixo. Eu ia fazer um guest post, mas acabei me enrolando (como sempre). Ela leu meu texto de ontem e me escreveu: “não disse que eu tinha razão?”.

Não, ela não tem. Ela tem razão de temer, mas ela (e nem eu e nem você) não pode deixar que pessoas erradas digam o que é certo. Tá confusa? Leia e você vai entender.

Eu tenho muitos conflitos com meu corpo. Não consigo ficar nua na frente de ninguém, nem da minha mãe, nem de amigas, nem de namorados. Tenho vergonha de meus seios, porque eles têm estrias e, quando me deito sem sutiã, caem para os lados (o direito, para a direita, e o esquerdo, para a esquerda). A única solução para isso é plástica e tratamentos estéticos para me livrar de estrias e celulite. Só que eu não sou rica. Enfim, estou juntando dinheiro para a plástica dos seios, mas o médico já me avisou que, para a plástica ficar boa, terei que emagrecer pelo menos 10kg, pois, no momento, eu peso 90kg…

Entrei na academia. Estou gostando muito e também faço dieta acompanhada por nutricionista. Parei de comer doces e de beber álcool ou refrigerante. Sinto falta da coca-cola e do brigadeiro. Chego a sonhar com chocolate, mas tenho que me manter firme. Faço as aulas de natação bem cedo e uso maiô de corpo inteiro com shortinho próprio para água, sabe? A maior parte dos meus colegas de piscina está na terceira idade e se veste de maneira muito mais à vontade do que eu… Além disso, no vestiário, as senhoras não têm a menor vergonha de trocar de roupa perto de mim, enquanto eu só me troco dentro do chuveiro, para ninguém ver. E olha que tenho menos de 30 anos e minhas colegas devem ter todas mais de 60.  

Eu já perdi passeios à cachoeira e à praia por vergonha do corpo e já perdi ficantes por não querer transar. O que eu não quero é ficar nua, compreende? O que você me aconselha? Continuar emagrecendo e juntando dinheiro para a plástica (se tudo der certo e eu emagrecer, em janeiro, acho, já poderei fazer a plástica). Mas não são só os seios que me incomodam, mas também a barriga, as estrias, a celulite, o excesso de coxas…

Comecei um tratamento para estrias chamado carboxiterapia. Comprei um pacote de 10 sessões (custou MIL REAIS). Fui em 4 delas e te digo: a dor é terrível. Muito ruim mesmo. Fora que tudo o que ganho, invisto em tratamento, a academia e a poupança pra plástica. Abri mão, inclusive, de comprar um carro.

O que você acha, Letícia? Acha que, se o cara se interessar por mim vestida, ao me ver sem roupa ele vai se desinteressar? Sabe, eu acho tão superficial a preocupação excessiva com a aparência… eu nem sou exigente quanto aos caras com quem fico. Não sou exigente quanto ao físico deles, basta que sejam interessantes, inteligentes, divertidos. Por que tenho que me submeter a tanto sofrimento? Mas, o sofrimento de ser considerada feia é insuportável… e me impede de ter uma vida sexual saudável. Você acha que, se meu corpo ficar aceitável (nunca ficará belo) para o padrão de beleza, vou conseguir, ao menos, ficar nua na frente das pessoas (não só de homens, mas também de mulheres, pois não fico nua nem na frente de costureiras, amigas, etc)? Vou conseguir ter uma vida sexual saudável? Vou conseguir, ao menos, ir à praia de biquíni?

Bom, vamos por partes. Primeiro, as estrias. Elas não vão sumir. Não adianta fazer tratamento, pagar uma grana, etc, etc. Isso aí vai ficar com você (e comigo) pra sempre. Mas homens e mulheres têm estrias. Já vi váááários caras com estrias nos braços e na lombar, mas nunca vi nenhum deles achando que é um pecado mortal.

Mulheres têm em geral estrias nos seios, na parte interna das coxas, na lateral do bumbum e na lombar. Pronto. Fim. Podemos mudar de assunto?  Não nesse post, digo, mas sim como cultura? É isso aí, temos estrias e não tem como fazê-las sumir. Acabou a discussão. Não há o que ser feito.

Daí a leitora diz que faz atividade física e dieta com acompanhamento de nutricionista. E que está gostando de nadar. Ótimo. Atividade física é importante para uma vida saudável. Ainda que ela não tenha começado com esse fim (mas sim com o de emagrecer por pura pressão social da magreza), os ganhos são indiscutíveis. Sobre a dieta… bom, eu tenho minhas dúvidas sobre a eficiência de dietas com restrições tão ferrenhas (sonhar com chocolate?). De qualquer forma, ela está sendo acompanhada por um profissional.

Chegamos, então, aos gastos. Ela diz que gasta todo seu dinheiro em tratamentos estéticos. Deixou de comprar um carro, que, dependendo da cidade onde ela mora, significaria um grande conforto. Se ela conseguiria economizar a ponto de comprar um carro, ela também poderia pegar essa grana e ir viajar. Conhecer outras culturas, aprender uma nova língua, fazer pós graduação.

Eu realmente não vejo problemas em tratamentos estéticos e/ou cirurgias plásticas. Já vi casos em que diminuir o seio foi libertador. Mas há muitas coisas envolvidas nisso aí: existe um risco que não pode ser desprezado, o pós operatório é bastante chato e doloroso… e, muito importante: mudar fisicamente não é garantia de felicidade.

Acontece constantemente. A pessoa diz “se eu fosse magra eu faria tal coisa”. Nada te impede de fazer qualquer coisa. Ir à praia ou ao clube; usar blusa sem mangas; ficar pelada na frente do parceiro. Nada disso é proibido para quem está “fora de forma”. Só quem impede você de fazer isso… é você mesma.

É urgente tomar as rédeas da própria vida e fazer aquilo que se quer.

Ela conta sobre um tratamento estético chamado carboxiterapia. E que dói. Procurei no Google a respeito e todos os textos reafirmam: é doloroso.  Dizem que funciona – a pele fica mais lisinha e com menos celulite. Mas dura apenas alguns meses. Depois volta tudo. Durante quanto tempo você (a leitora acima e você aí que está me lendo) está disposta a gastar uma grana e sentir dor? Porque isso seria eterno! Vi num blog uma garota comentando já ter feito QUARENTA E CINCO sessões! Gente!

Imagina quanta dor ela sofreu, e quanto tempo e dinheiro ela gastou. Eu sei que muita gente aproveita os descontos dos sites de compras coletivas, mas ainda assim. Tais sites vendem viagens também, sabe?

No final, a leitora me pergunta se eu acho que ela conseguirá, depois de tantas mudanças, ter uma vida sexual bacana. Eu espero estar errada, mas eu acho que não. Porque ela mesma diz que seu corpo nunca ficará belo, somente “aceitável para os padrões de beleza”. Quem dita tais padrões? As revistas femininas? Ora, sejamos menos ingênuas. Tudo isso faz parte de um negócio extremamente lucrativo!

Além de render bilhões, deixar as pessoas sempre preocupadas com a aparência (e desgostosas de si mesmas) é uma forma de controle. Se você não reconhece a força que tem – porque se sente inadequada -, como vai lutar pra mudar o status quo? Vai continuar sendo sempre massa de manobra.

Eu não sou contra a vaidade. Pintei meu cabelo durante anos e voltarei assim que tiver grana e paciência (tenho muito, muito cabelo, e fazer luzes significa passar a tarde inteira no salão). Adoro esmaltes. Acho maquiagem incrível.

Mas eu não vou gastar todo meu dinheiro nisso. Não vou viver obsessivamente buscando técnicas para “melhorar” minha aparência. Não vou sentir dor.

Então, no final, é importante se perguntar:

- Eu tenho condições financeiras de fazer isso?

- Está me machucando?

- Eu poderia aproveitar melhor o tempo que estou gastando em tratamentos estética?

- Pra quem eu estou fazendo isso?

- Eu estou deixando de fazer coisas na minha vida por me sentir fisicamente inadequada?

Se você disse “sim” à última pergunta, eu aconselharia que você buscasse ajuda terapêutica profissional. Nenhum tratamento estético vai te fazer se enxergar como você realmente é.

 O post de hoje (e o de ontem, e o de amanhã…) fazem parte da “semana da autoestima” do Cem Homens. :)

Ela era uma garota de programa

Ontem conversava com um amigo sobre garotas de programa. Existe uma certa aura de fascínio, fetiche e muito moralismo em cima de quem “vende o corpo”.

Eu tenho muita curiosidade sobre como as coisas funcionam; como cada uma daquelas mulheres decidiu a profissão que ia seguir. Digo “mulheres” porque a prostituição masculina é tabu ainda maior.

Sempre pensei “e quando rola um sentimento?”. Temos casos cinematográficos, tipo Uma linda mulher. Ou ainda aquela a quem fui comparada milhões de vezes, a Bruna Surfistinha. Essas pessoas têm sentimentos, ora ora. E se envolvem emocionalmente.

Um amigo chegou a namorar uma garota de programa. Que ele conheceu durante um programa. Ele escreveu a respeito e compartilha conosco sua experiência:

Eu morava sozinho e em outra cidade, ganhando um bom dinheiro para trabalhar relativamente pouco. Eu era um homem solteiro e disposto a muitas coisas, como a sair em passeios de barcos noturnos com amigos que havia feito havia menos de um mês. Terminei essa noite aos amassos com a menina que lavava minhas roupas numa vila a meia quadra do apartamento que alugava.

Então era um dia de manhã e eu acordei impaciente. Eu entrava no trabalho perto da hora do almoço e ainda teria amanhã inteira em casa. Não lembro particularmente se o anúncio no jornal tinha algo demais, só lembro do nome – Luana. Liguei, ela atendeu, combinei pra dali a meia hora, ela chegou uma hora depois. Luana era linda, era morena, era mignon, era simpática. Sabia gargalhar com desconhecidos de mau-humor dispostos a pagar pelo seu sexo. Sim, eu estava de mau-humor porque ela atrasara e agora eu iria me atrasar.
Não era a minha primeira vez com garotas de programa e não seria a última. Já havia tido experiências ótimas e outras péssimas, e a maioria era simplesmente banal, sexo mal-feito e caro.
Com Luana foi diferente. Tornei a chamá-la um par de dias mais tarde, num horário menos inconveniente. E outras vezes. E por fim ela topou um programa especial, iria de noite e passaria a noite toda comigo, indo embora somente pela manhã. Eu estava apaixonado por aquela moça. Conversamos muito nesta noite e me declarei.
Algo aconteceu após esta noite e passamos a nos falar com frequência por telefone, como fazem duas pessoas que se gostam. E um dia ela apareceu no meu apartamento, num final de tarde e se assumiu minha namorada. Ela me disse seu nome verdadeiro, me mostrou fotos de sua sobrinha, sorriu e me encheu de beijos. 
Luana namorou comigo por seis meses, seis deliciosos meses, devo dizer. Luana gostava de bisbilhotar na agenda do meu celular pelos nomes de mulheres, ciumenta. Ela cursava o segundo grau e estudava de noite, saía das aulas e ia pro meu apartamento, onde namorávamos, ela assistia a novela, reclamava das porcarias que eu cozinhava em casa e dormia aninhada comigo. Ela já havia abortado uma criança e volta e meia um ex-namorado ou coisa do gênero surgia nas conversas, sempre nervoso e violento. 
Luana não algum tipo de tarada louca por sexo. Se você é do tipo que imagina que, por ser puta profissional, a moça é uma ninfomaníaca contorcionista, recomendo cair na real. Luana era uma ótima namorada na cama mas não mais ótima que a grande média das mulheres, e era até discreta, não se dava a orgasmos fingidos, palavrões, gritos. Gostava de carinho e de conversar – e principalmente, de respeito.
O namoro terminou e continuamos mantendo contato. Luana me ligou toda orgulhosa e feliz no dia em que conseguiu emprego numa franquia de lojas, seria vendedora de eletrodomésticos. Ela já havia até sido promovida quando marcamos um almoço para matarmos as saudades e ninguém no restaurante poderia supor que a moça que me fazia companhia na mesa fazia programas através de anúncios de jornal apenas alguns meses antes. Depois de um tempo, nós dois saíamos da cidade.
Luana estava casada e era mãe de duas crianças na última vez que mandou notícias.
O relato do meu amigo desmistifica um pouco a ideia do que seja, em geral, namorar uma prostituta. E você? Namoraria com alguém com essa profissão? E o ciúme? Como lidaria?

Mais um pra lista de tabus: squirting

A gente sempre fala sobre ejaculação feminina nos comentários, mas eu nunca consegui escrever um post a respeito. É engraçado como uma coisa super natural vira mais um tabu na nossa já imensa lista de coisas-sobre-as-quais-não-se-fala. Eu nunca ejaculei, mas aparentemente nenhuma das minhas amigas já passou por isso. Isso foi uma ironia, porque é provável que alguma mulher conhecida minha deve ejacular. Meus amigos também nunca comentaram sobre um caso em que isso tenha acontecido.

Algumas leitoras contaram que uns outros blogs aí falaram de maneira pouco respeitosa sobre o squirting, chamando a secreção de “meleca” ou relatando um certo nojinho. Por favor, né, gente? Depois esse povo reclama quando a mulherada fica com nojo de esperma.

Também não se pode ficar se lamentando por nunca ter acontecido com você. Uma leitora explica o motivo:

Minha primeira experiência de squirting foi na adolescência, acho que com uns 13 anos, durante uma sessão particularmente longa de masturbação. Era uma espécie de “experimento científico” de estimular o clítoris até quase gozar, dar uma pausa, e começar de novo (só isso, nenhum dedinho ou objeto lá pra dentro). Antes que façam algum comentário, pois é, mocinhas também se masturbam. Umas mais, outras menos, algumas jamais (por questões pessoais/morais/religiosas/whatever), da mesma forma que os garotos. Get over it. 

Enfim… estava ali nessa ocupação, até que de repente veio o tal jorro (palavra feia do inferno). Após um certo pânico inicial ai-meu-deus-molhei-o-sofá, eu fiquei intrigada. Xixi? Não mesmo. A consistência era um pouco diferente, a cor e o cheiro não tinha nada a ver (há quem diga por aí que o cheiro é agradável). Eu nunca tinha ouvido falar que isso acontecia com as mulheres, mas imaginei que fosse uma espécie de gozo mesmo, e não pensei demais no assunto.

Anos depois, já transando por aí (deixei de ser virgem aos 16), eu comecei a perceber que o fenômeno acontecia de vez em quando durante a relação sexual. Meu primeiro namorado ficou meio assustado quando isso aconteceu durante uma sessão de sexo oral; todo molhado, perguntou se eu tinha mijado em cima dele. Expliquei como eu pude, ele se conformou e se molhou mais algumas vezes naquela ocasião.

Mais tarde, com outros namorados, aconteceu durante a penetração. Em algumas vezes, aliás, foi constrangedor. Por exemplo, o moço mandando bala ajoelhado na cama, a moça deitada de costas com as pernas nos ombros dele, e… sabe quando você coloca o dedo na mangueira e a água esguicha pra todo lado? Mais ou menos isso. Felizmente, os moços já tinham visto dessas coisas por aí (a pornografia presta um enorme desserviço às relações sexuais da vida real, mas nesse caso em particular até que serviu pra alguma coisa), e, após o espanto inicial, abriram o sorrisão estilo Cheshire Cat e continuaram o que estavam fazendo com ânimo e dedicação triplicados.

Só este ano ouvi falar no termo squirting (também feio), e resolvi me informar sobre o assunto na internet. Vi alguns vídeos em que saía uma enorme tromba d’água das moças, o que me parece um pouco exagerado (não sei como o negócio se parece quando acontece comigo, já que geralmente eu estou olhando pra outras coisas – talvez um dia eu tente com um espelho).Também vi muitos comentários internet afora de homens ansiosos por causar tal fenômeno na namorada, como se estivessem em busca do Cálice Sagrado. Tem até “técnicas infalíveis” por aí que me parecem bem idiotas, tipo fazer sexo oral com gelo (deve ter quem goste, mas uma vez quase bati num infeliz que veio com um gelo pra cima de mim. Que coisa desagradável!) ou halls preto (não tive o desprazer, mas se vierem eu também dispenso). Vi um monte de gente que jura de pé junto que squirting é lenda urbana (haha), além de muitas explicações físicas para o fenômeno – glândula não sei onde, ponto G… 

Bem… por experiência própria, digo que existe. Não é todo mundo que faz, e mesmo pra quem já experimentou não é sempre que acontece. Também não parece ter receitinha: pode acontecer com estimulação só no clítoris, clítoris + dedinhos lá dentro, clítoris + penetração, clítoris + anal, só penetração etc. A única regra, no meu caso, é que tenho que estar muuuuitíssimo excitada, o que quase sempre significa muita dedicação e nenhuma pressa. Mas mesmo esse fator não garante nada.

E atenção que isso é muito importante: a mulher ter ou não ter o squirting não significa que teve um orgasmo mais ou menos intenso. Às vezes é antes do orgasmo, às vezes acontece várias vezes enquanto durar o estímulo (você siriricando a mocinha, por exemplo), e isso não siginifica que ela está indo até a lua e voltando em todas as vezes que (ou só quando, hehe) ela molha o lençol. 

Entendo que para os homens nem sempre fica claro quando a mulher está gozando, e imagino que daí venha essa obsessão por “fazer sua companheira LITERALMENTE gozar litros”. Mas tem caras tão obcecados que acabam pressionando muito as namoradas, e as pobres ficam se sentindo frustradas se não inundam o quarto (ou mandam o cara à merda, o que faz muito mais sentido na minha opinião). Puta bobabgem, não entrem nessa onda. A pressão pelo sexo-performance já estraga a vida sexual de muita gente, ninguém precisa de mais uma “meta” pra desviar a atenção do que fazer sexo realmente é: dar e receber prazer. 

Enfim… Dica de ouro? Não importa o que fizerem; é só fazer bem gostoso. 

E-mail da leitora: Ele não está tão a fim de você

A mensagem chega com o assunto já conhecido: “me ajuda”. Quando leio o texto, fico imaginando por qual motivo ela (chamaremos de Fernanda) precisa de auxílio. Salvo raríssimas exceções, todas as respostas aos problemas relatados por desesperadas garotas não é nada difícil. Elas mesmas sabem. Só não querem enxergar.

Por isso, meu conselho é: ante qualquer situação, olhe em volta e veja se você precisa mesmo da opinião de uma desconhecida. A não ser que tudo o que você necessita é de uma “wake up call”. Se é o caso, aqui vai ela.

O texto da leitora foi editado para preservar a identidade da Fernanda. Ele está em itálico, enquanto minhas observações aparecem em negrito.

Comecei a trabalhar em uma nova empresa e conheci um dos funcionários de lá. Um menino super esforçado, simpático, honesto, dedicado e mega capaz. Sempre me encantou a forma como ele conduzia a equipe dele e principalmente a história de conquista da carreira dele. Carreira promissora, super estudioso, ambição na medida certa e com um sorriso lindo.

Vejam a tentativa de justificar o que vem mais tarde…
 
Como ele morava perto da minha casa, um dia ofereci carona. Começamos a nos aproximar e acabou que ficamos juntos, mas sempre deixamos bem claro: sexo casual, sem compromisso e SEGREDO. Onde se ganha o pão, não se come a carne. O sexo foi incrível. Ele é preocupado, pergunta se eu estou gostando, cuida do meu prazer e do dele, mas é só isso! Atualmente, não estou mais trabalhando na mesma empresa que ele.

Bom, se o combinado era só sexo – e isso com ele é bom – por qual motivo Fernanda está reclamando? Aposto que você já sabe a resposta. 
 
E ai que ta o meu problema, é só sexo!

YAY!

Mesmo depois que eu saí da empresa a regra é a mesma. Não, eu não quero namorar com ele, mas eu quero tomar um vinho às vezes, sair pra jantar… sei lá. Conversar sobre a novela, sabe?

Isso não é namorar?
 
E com ele é tudo muito agendado, muito com tempo limitado, nunca vai rolar uma noite inteira, vai ser sempre uma boa transa e cada um para a sua casa.

Não foi exatamente esse o combinado?
 
Ai vem as minhas perguntas:
 
Será que eu to querendo demais, um pouco mais de carinho e um pouco menos de foco?

Quem sabe a “quantidade” e “qualidade” do que você quer é você mesma. Ninguém pode dizer que você está exigindo demais. Por outro lado, a outra pessoa pode não estar no mesmo clima. Não é simplesmente porque você quer que ele também vai querer.

Será que ele só quer o sexo e nada mais?

Qual é o grande problema de perguntar? Ao mesmo tempo, será que precisa? Como já disse antes: não foi exatamente isso que combinaram?

Será que ele é um escroto e me vê só como uma pessoa pra sexo e nada mais?

Fernanda, você está dizendo que todo mundo que só quer fazer sexo casual é escroto? Então porque você está pedindo conselho a uma escrota? (afinal de contas, olha bem quem eu sou…)

Querer namorar/casar ou só transar não faz de ninguém melhor ou pior. Quer dizer que homem que quer namorar é alçado automaticamente à categoria de “gente boa”? Pode ser que ele seja um escroto, sim, mas não porque trata a relação de vocês apenas como sexo. E, se ele é assim (ou se você pelo menos desconfia disso), por que ainda sai com ele?
 
Na última noite que ficamos juntos eu estava com muito medo de dormir sozinha, havia chorado por horas, uma fobia mesmo. Ele se ofereceu para ir até a minha casa. Ele chegou às 22h e saiu as 23h40. E falou que eu não devia me preocupar com o medo, que tudo ficaria bem, mas que ele tinha que acordar cedo, teria uma reunião pesada e não podia prorrogar a noite.

Você já sabe que ele não quer nada além de sexo. Fico aqui me perguntando a razão de você ter ligado para ele. Você não tem amigas? Não seria melhor se poupar desse constrangimento? Ou você forçou a barra, testando-o para ver até que horas ele ficaria com você?
 
Será que eu estou exagerando?

Talvez.

Sexo casual é isso mesmo?

Isso o q? Sexo delícia? Alguns não são nem isso!!! Outros são isso e mais coisa. Outros começam assim e se transformam em namoro. Não há regra. Mais uma vez: o cara tem a maior consideração por você na cama e você sente prazer. O quê mais você esperava?

Será que eu vislumbrei um sexo casual diferente dos demais?

Talvez o problema não seja o sexo casual, mas sim o fato de você não querer isso.
 

Eu sempre imaginei que sexo casual podia ser entre amigos, e que já que temos uma relação intima, porque não manter uma amizade além de tudo isso. O sexo deve ser bônus e não o todo.

Mas vocês eram amigos antes? Me pareceu que rolou um flerte e vocês transaram. Ponto. E, pelo que você contou, ele nunca te desrespeitou… 
 
Estou muito errada?

Nas suas expectativas, sim.
 
 Não vejo problema em mantermos uma relação aberta e sem cobranças, mas é pedir demais um pouco de extra: uma cervejinha, um vinhozinho ou até mesmo ficar na cama jogando conversa fora. Não precisa ser a noite inteira, mas gostaria que a proposta não fosse só o sexo.

Vamos por partes:

1) Você pode tomar uma cervejinha e tomar um vinhozinho com seus amigos. Por qual razão você quer fazer isso com ele? O tempo na cama não é mais suficiente?

2) Se não é suficiente, você quer realmente fazer essas coisas COM ELE, ou você quer fazer isso com ALGUÉM? Uma confusão muito grande que a gente faz às vezes é confundir carência com sentimento. Falta “algo” e a gente procura essa coisa em quem está mais à mão.

3) Não é esse o caso? Ele é realmente incrível, gostoso, inteligente, divertido? Não há nada de errado em “mudar de ideia”. Você pode ter começado como uma coisa casual e, conhecendo ele melhor (e transando gostoso com ele!), você ficou a fim de algo mais. Normal. Não se sinta culpada ou “fraca” por isso.

4) Mas se ele não sente a mesma coisa, não há o que fazer. Insistir nunca é uma boa. Exigir, também não. Caso ele esteja em outra vibe, cabe a você decidir o que vai fazer: continuar como casual, mesmo infeliz, ou partir pra outra. Eu ficaria com a segunda opção.

5) Qual o mal de perguntar? Fale o que você sente. Talvez ele seja um babaca na resposta, sim, mas tenho certeza que não é a primeira vez que você vai tomar um fora. E se ele é um cara mala a ponto de responder de maneira pouco respeitosa, você ainda quer transar com ele?

Recebo muitos emails como o da Fernanda. Mulheres DESESPERADAS. Repito aqui o que eu já disse mil vezes no blog, e está até no FAQ: o que esse homem tem para que você se anule e omita suas próprias vontades em nome dele?

Por favor, gente, vamos ser um pouquinho mais racionais, vamos resolver as questões de autoestima e vamos parar de colocar toda a esperança de felicidade nas mãos de um outro cara.

"Nenhuma sabe da verdade"

Às vezes a gente vê alguém com tudo o que se imagina ser necessário para encontrar a felicidade: a pessoa é jovem, bonita, faz faculdade, mora bem, não tem problemas de grana. No avatar do Facebook, você vê uma garota luminosa. Mas ninguém sabe o que está por trás disso tudo.

Dei aqui o link de um texto sobre vaginismo do blog da Lola. Várias mulheres se identificaram, mas um email partiu meu coração. Compartilho aqui com vocês. Aviso logo que é bem, bem triste.

Eu não imaginava que isso acontecia com outras mulheres!

É um pouco difícil eu comentar isso, mas estou enfrentando esse trauma. A minha história é que aos 10 anos fui abusada sexualmente por um amigo do meu pai (o cara, na época, tinha seus 50 anos mais ou menos). Depois de dias, contei para minha mãe, que submissa, não tomou nenhuma atitude e não contou ao meu pai (lembro das palavras dela: “não conte ao seu pai, senão ele vai querer matá-lo! Será um segredo nosso!”). E essa cena (de abuso) se repetiu inúmeras vezes, já que ele morava no mesmo condomínio que o meu. Minha mãe, mesmo sabendo do que acontecia, aceitava os convites que ele fazia para eu ir brincar com os sobrinhos dele, que na época tinham a minha idade. Muitas foram as vezes que me escondia dentro de uma geladeira velha onde minha mãe trabalhava para fugir da situação. 

Fiquei algum tempo usando roupas largas e que cobriam quase meu corpo por completo. Tinha receios, e muitas outras coisas que não consigo explicar.

Até hoje, 13 anos depois, ainda tenho problemas com meu corpo e com o sexo em si. Namorei por 6 anos, e  cheguei a pensar que eu era assexuada. Tenho (com menos intensidade,claro) a ideia (quase fixa) de que meu corpo é algo sujo (não sei explicar isso de outra forma) e isso aumenta todos os pudores quanto ao sexo.

Meu ex-namorado era bem legal, carinhoso, companheiro de verdade. E sexo não era o mais importante pra ele numa relação. Por saber do que passei, ele tomou essa posição passiva. E esperava por mim, pelo meu momento. Claro, às escuras. Em 6 anos, dá pra contar nos dedos de uma mão a quantidade de vezes que cheguei ao orgasmo.

Há 2 meses tenho saído com um cara que é o símbolo de tudo que eu acho bonito num homem. Enfim, a primeira vez que transamos, aconteceu o tal (agora conhecido, por mim) VAGINISMO.

Travei! Simplesmente travei completamente! Mesmo ele sendo super legal, carinhoso e compreensivo; não conseguia ter poder sobre o meu corpo.

A sensação de impotência é horrível, mesmo. Tive a sorte do cara ter sido ‘compreensivo’ naquele momento. E levado na boa. A gente parava, conversava sobre outras coisas pra distrair e eu relaxar, mas não adiantava. Depois, eu me senti péssima. Frustrada. E achei que ele nunca mais fosse querer nada comigo. Ainda bem que estava errada.

Eu não entendi algumas passagens da história da leitora, que aqui vamos chamar de Cristina. Perguntei algumas coisas. Ela me explicou melhor:

Ele era amigo do meu pai (como já disse) e tinha uma casa numa cidade bem próxima a minha (uns 20 min de carro). Era lá que os sobrinhos dele ficavam. Meus pais trabalhavam o dia inteiro e, por causa disso, eu ia para o trabalho com eles (eles eram donos do negócio). Eu sempre tive o corpo muito desenvolvido para a época, então isso chamava atenção. Como morava numa cidade praieira, andar de shortinho / saia e blusa de frente única era normal. 

Pois bem, (o flashback passando na minha cabeça agora) um dia quando fui para a outra casa com ele, no carro, no meio do caminho, numa estrada vazia, em plena luz do dia, ele parou o carro no acostamento, e começou a passar a mão nos meus seios. Sem entender nada, eu tirava a mão dele dali, mas por ele ser mais forte, segurava meus dois braços com a outra mão e me alisava com a outra. Como eu era muito magra, não conseguia fazer nada. Eu ficava com tanto medo, que não conseguia gritar, a voz sumia. Se aproveitando da situação, ele veio pra cima de mim, chupando meu peito e tentando outra coisa (desculpa, não consigo usar as palavras que vc já faz ideia – sim, ele a estuprou). 

Nesse momento eu só chorava. Lembro que eu tremia de dor, e chegou um determinado momento que minha pressão caiu, e só assim, ele parou. Me jogou para o banco de trás do carro, puxou meu cabelo, e mandou eu fazer oral nele. Quando eu ameaçava por o dente, ele puxava meu cabelo. Não me lembro como ele parou. Eu coloquei grande parte desse trauma numa caixinha selada, onde eu esqueci muitas partes. Porém essa eu fiz questão de deixar à mão, como experiência de vida.

E isso se repetia. Pois meus pais, por não quererem ou poderem ter tempo pra cuidar de mim, me mandavam para lá com ele.

Ele fazia festas na casa dele, pra criançada do condomínio, como desculpa para eu ir. Muitas vezes, tive que fazer oral, com uma faca no pescoço. Ou com ameaças do tipo “Isso é coisa só de nós dois. Se mais alguém ficar sabendo, eu vou saber e já sabe o que acontecerá contigo, né?”.

Isso só parou 1 ano depois, quando uma tia veio morar com a gente, e cuidava de mim e do meu irmão.

Depois da primeira vez, eu nunca mais contei pra ela. Contei pra esse meu ex, no começo do namoro. E esse ano, pra uma amiga.

Muitas pessoas reclamam que sou fria, que não me apego às pessoas, mas nenhuma sabe da verdade.

Então depois dessa última frustração (vaginismo), eu resolvi de vez, por mim mesma, dar (o final) da volta por cima.

Eu queria poder comentar essa história. Não consigo. Não consegui quando recebi o email, há duas semanas. Não consigo contar a história para alguém sem sentir vontade de chorar, sem querer vomitar. Espero que vocês consigam dar uma força pra Cristina pelos comentários. 

E-mail da leitora: Ele não me procura. O que devo fazer?

Crédito: Simon Howden

Como já disse aqui antes, todos os dias recebo emails de leitores sem saber o que fazer nos seus relacionamentos. Eu sou a pior pessoa para ajudar nesses casos. Além de não ter namorado, não tenho a menor paciência para joguinhos de sedução. Comigo é muito “quer, quer; não quer, sai da fila”. Fica mais simples e não dá nenhuma dor de cabeça.

Mas resolvi compartilhar com vocês aqui algumas dessas mensagens que recebo para que vocês também deem a opinião de vocês sobre o caso. Claro que é tudo feito com a autorização do leitor. Nosso primeiro caso é da Carolina, que se diz apaixonada por um cara que não a procura. Eis a história (os meus comentários estão em negrito):

Namorava há 2 anos e terminei tudo pois eu sentia uma grande atração pelo melhor amigo do meu ex (que vamos chamar de Renan). No começo eu não reparei nele, mas no final do ano passado, quando meu namoro já não estava muito bem, eu comecei a notar o quanto ele era bonito. Depois de muitas trocas de olhares e uma aproximação, ele demonstrou se sentir atraído por mim. Logo que terminei o namoro em fevereiro desse ano ele me chamou pra ir a casa dele, eu em pânico e com medo de fazer feio não aceitei. 

 

Ok, insegurança todo mundo tem. Mas não pode ser motivo para ficarmos paralisados!

 

Depois disso, Renan nunca mais falou comigo até que um mês depois ele me ligou convidando pra ir ao cinema; aceitei na hora.

 

Sinta o modo como Carolina se refere à falta de notícias de Renan: “nunca mais falou comigo”. Pra quê esse exagero? 

Fizemos hora em um bar. Conversamos muito e notei vários pontos em comum. 

 

“Notei vários pontos em comum” = é esta a razão pela qual você estava ali. Você tem pontos em comum com todo mundo que fez faculdade com você, com todos os fãs da mesma banda que você, com as milhares de pessoas que compraram o mesmo livro que você, e nem por isso você vai namorar com elas. Afinidade é importante para um relacionamento, mas não é a única coisa que faz duas pessoas ficarem juntas! 

 

No cinema, logo que sentamos e a luz apagou, ele já me beijou e foi tudo bem romântico. Parecíamos namorados há anos. 

 

Não, Carolina, ele só foi carinhoso. Pare de fantasiar. Pense qual o motivo de você querer desesperadamente que isso seja um namoro… 

 

Nesse mesmo dia eu fui à casa dele e lá rolou uma pegada mais quente. Quase fomos para a hora H, mas o medo de sermos pegos por alguém nos impediu. No dia seguinte do nosso encontro ele me mandou uma mensagem super fofa falando que estava com saudade e não via a hora de nos vermos de novo! 

 

Ele foi educado, coisa que poucos homens são. Ponto para ele. E nada de ponto para você, que achou que isso significava alguma coisa. 

 

Na mesma semana mandei uma mensagem pra ele, nada de resposta. Eu acreditei que era porque ele estava ocupado com a faculdade e o trabalho. Se passaram 2 meses e ele sumiu completamente. Liguei pra um amigo em comum nosso e esse amigo me contou que ele andava meio ocupado mas que não entendia o porque do sumiço! 

 

Alguém ainda acredita nisso, gente? Às vezes realmente estamos tão atolados com estudo e trabalho que fica difícil encontrar alguém em horários “normais”. Mas responder uma mensagem no celular? Quanto tempo leva isso? Está sem créditos? Usa o Facebook, o MSN, manda sinal de fumaça. A desculpa na dificuldade de comunicação não cola mais hoje, com tantos meios para falar com alguém.

 

Em maio ele me ligou e me chamou pra ir a casa dele e eu tonta topei, tive uma tarde maravilhosa ele me tratou como uma deusa e me disse coisas lindas. Já faz 1 mês e ele sumiu de novo.

 

Tonta porquê? Você foi lá, foi bem comida e teve uma tarde ótima. 

 

Eu devo te confessar que estou completamente apaixonada por ele e não consigo sair com mais ninguém sem pensar nele. Ele sempre teve a fama de tratar mal as mulheres e nunca sair com a mesma e muito menos de levar alguma pra casa dele, e comigo ele quebrou essas regras. Não entendo porque ele me trata tão bem sendo que no fundo aparentemente o que ele quer é só sexo.

 

De novo, minha gente: sexo casual não é sexo sem carinho. Se o cara é bacana quando ele só quer te comer, isso significa que ele é uma pessoa normal. Homem que trata mal mulher com quem não quer se relacionar é aquilo que comumente chamamos de CRETINO. 

 

Gostaria de saber sua opinião sobre tudo isso!

Com essa história eu me sinto tão desvalorizada e sozinha, mas ao mesmo tempo me sinto tão apaixonada por ele e sinto saudade. Estou me sentindo meio desesperada e sem rumo.

 

Desvalorizada, Carolina? Só porque um homem não quis namorar com você? Desses 26 homens que eu transei esse ano, acho que só uns 4 ou 5 teriam um relacionamento comigo. Isso quer dizer que eu não tenho valor? Não, isso significa que simplesmente as coisas não aconteceram, não rolou sentimento. Nada além disso!!!

 

Carolina, vocês saem desde março e se conhecem há dois anos. Se ele realmente quisesse ficar com você, ele saberia como te encontrar. Caso a sua dúvida seja tão grande assim, chame ele para uma conversa, diga o que você sente e veja o que ele tem a dizer a respeito. A minha opinião é que ele não está na mesma vibe que você. 

 

Além disso, sinceramente acho que você idealizou o rapaz. É fácil fazer isso quando a gente está acostumada a ter sempre alguém (já que você namorou há dois anos). Renan tornou tudo ainda mais fácil porque ele não foi um canalha. A gente suspira mesmo por caras assim. Mas isso não quer dizer que você está apaixonada. Acho que você apenas se acostumou a ter alguém, e escolheu o Renan para isso.

 

E vocês, gente? O que acham da história da Carolina?