Sexismo universitário

Fiz duas faculdades. Isto é, durante dois momentos na minha vida eu fui um ser que poderia ser zoado, humilhado e – pasmem – abusado (como se ser mulher, por si só, já não fosse “desculpa” pra isso).

Felizmente na Cásper Líbero, onde fui bixete em 2008 (aliás, que porra de nome é esse? BIXETE. demorei um tempo pra me acostumar), o trote não é degradante. É idiota, como eu, Nádia, acho que todos o são. Detesto participar de gincanas e afins, então andar pela Paulista toda suja e fedida não é exatamente a minha ideia de diversão.

Mas nunca me obrigaram a nada e, pelo que sei, alguns dos meus colegas se divertiram. Podemos ter uma longa discussão sobre o pedágio (recolher dinheiro para a cerveja), mas não é essa a intenção do post.

Lá na PUC, onze anos antes, eu já não me recordo direito. Com certeza a coisa era mais “organizada”. E um pouco aterrorizante. Lembro de mim mesma desesperada procurando camiseta hering de determinada cor, pois todos os dias os veteranos iam à nossa sala, fechavam as portas, e diziam qual cor deveríamos usar no dia seguinte. Era “a semana do arco íris”. Só não consigo precisar se eu fui pra faculdade toda colorida porque queria “me enturmar” ou se por medo.

Isso acontecia todo dia. As imagens estão meio nebulosas na memória, mas é desconfortavelmente claro que os veteranos chamavam algumas mulheres para a frente da sala e mandavam fazer dancinhas. Digo que é desconfortável porque, se fosse hoje, eu ia fazer um auê. Na época, eu só era uma garota de 17 anos, recém chegada à cidade, com um puta medão de tudo.

Como eu tinha aparência regular (não era bonita, mas também não era gorda ou “esquisita” – motivos suficientes para virar chacota), passei por aqueles dias sem chamar a atenção. Eu e alguns amigos fomos à reitoria pedir para nos avisarem quando seria o trote.

As aulas aconteciam todos os dias, não havia essa “semana de integração” que vejo em outras faculdades. Então a gente ia pra PUC, sem nunca saber se era aquele o dia em que nos sujariam, nos fariam andar pelas escadas como “elefantinhos”, nos fariam dançar na boca da garrafa. Tudo isso era feito com a anuência da reitoria – que marcava os trotes (eram muitos cursos e, então, a coisa devia ser “organizada” para o campus não virar uma balbúrdia caso todo mundo resolvesse fazer no mesmo dia). Eles então nos avisaram e naquele dia faltei aula.

Toda essa imensa introdução é só para apresentar um guest post. Vocês devem ter lido sobre os absurdos do trote em São Carlos, a reação feminista, a reação completamente desnecessária de quem participava do trote, a reação da mídia. Há textos muito bons sobre o que aconteceu (você encontra vários links nesse post da Lola e aqui está uma mensagem oficial do grupo feminista responsável pela manifestação, com fotos).

A cobertura séria é importantíssima e o trote da Poli já está sendo questionado pela grande mídia, como o Estadão e o R7 (citando a Feminista Cansada, gente!)

Mas como é pra quem está lá dentro? Como é pra quem vê esses absurdos acontecendo ano após ano?

Uma leitora resolveu contar. Ela estudou na USP São Carlos e hoje é pesquisadora da instituição. Pediu para não ter seu nome revelado.

O campus da USP-São Carlos é lindo! De todos os campi da universidade, é um dos mais arborizados, se levarmos em conta que fica no centro da cidade. Um campus majoritariamente para Ciências Exatas. E como “engenharia é coisa de homem”, assim como Física, Química e Matemática, há poucas mulheres. Em salas de 50 alunos, duas mulheres. Às vezes, três.

E é nesse panorama que ocorre todos os anos, na primeira semana de aula, a “Semana do Bixo”. O dia mais tradicional é a terça-feira, quando acontece a Apelidação, ritual de apelidação dos bixos, comandado pelo centro acadêmico. Também organizam um concurso para eleger a caloura mais bonita. O comando é do concurso é do Grupo de Apoio à Putaria (GAP) – uma paródia ao antigo Grupo de Apoio à Pesquisa, órgão de financiamento – que é formado por membros do curso de engenharia, com intuito de promover festas entre as repúblicas.

Aqui ainda existem as repúblicas tradicionais. Conseguir uma vaga para morar nelas custa caro, mais que alugar um apartamento de um quarto, e acontece mediante um “teste”: nada mais que um trote de humilhação. A maioria dessas repúblicas é para garotos, mas existem algumas para as mulheres. O trote é sempre às 13h. O pessoal já começa a beber de manhã.

O campus é muito peculiar: vende-se bebidas alcoólicas no centro acadêmico, com conhecimento da Prefeitura e Diretorias. Isso porque não vou entrar no âmbito da maconha. Assim, quando começa o “Miss Bixete”, a maioria já está bêbada. As calouras, geralmente na faixa dos 17 anos, são “convidadas” a desfilar, não são obrigadas, mas os veteranos e também as veteranas deixam claro que quem não participa fica taxado de antissocial e acaba excluído. Entre as concorrentes estão infiltradas prostitutas (digo infiltradas porque é tradicional usar uma camiseta do curso, assim você vê o pessoal de camiseta e logo deduz que são bixos), que dançam, rebolam no palco, tiram a camiseta, como forma de induzir o mesmo comportamento às “novatas”.

O pessoal brada: “se ela fez, você também tem que fazer, ou não vai ganhar o concurso”. A passarela parece com a de um desfile convencional, mas obviamente não tem cadeiras, o pessoal fica com a barriga encostada ali e – chega a doer dizer isso – passam as mãos nas meninas durante o desfile. Quando eu cheguei aqui, no ano 2000, a festa já era tradicional. Se você ficou curioso para saber se me passaram a mão, se eu tirei a camiseta, a resposta é não. E sabe o motivo? Porque eu sou gorda! Gordas nojentas não concorrem. E foi assim me livrei de uma boa!!! Quem ganha? A mais bonita, gostosa e “assanhada”. É assim que essas garotas ficam conhecidas por toda sua vida acadêmica.

O CAASO (Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira) teve uma papel muito importante em defesa dos alunos durante a ditadura. Esses alunos que lutaram por seu direito à liberdade, hoje são engenheiros renomados, químicos citados por ganhadores de prêmios Nobel, físicos eleitos para a Academia de Ciências do Vaticano. São essas as pessoas que gerenciam o campus hoje e que toleram esse tipo de trote em nome dos tempos passados.

A leitora aponta a conivência da reitoria, coisa que vi pouca gente fazer. Colocam a culpa nos veteranos. Eles são culpados, sim, mas como uma universidade permite que esse tipo de coisa aconteça anualmente nas suas dependências? Como é que ela não pune quem organiza? Onde estão os responsáveis, aqueles com real poder de fazer alguma coisa?

Isso está rolando há tanto tempo que há até “hinos”. Fiquei estarrecida quando vi a letra. Eles também foram enviados pela leitora.

Hino do GAP
Foi na beira da piscina
Que o GAP se formou
Grupo de apoio a putaria
Tamo aí pra baixaria
É o CAASO que chegou
Lá na beira da estrada
Na fazenda dos Canchin
Tem uma escola sem vergonha
Que se chama federal
Se peluda fosse flor
federal era jardim
Eu vou raspar os teus pelinhos
Vou raspar os teus pelinhos
Se você só der pra mim
Fui estudar lá no CAASO
Pra virar trabalhador
Hoje estou quase jubilado
Passa o dia chapado
Batucando o meu tambor

Hino da Biologia (ritmo: hino nacional)
Perna peluda um que já foi símbolo
Da escola lá na beira da estrada
De dia passeava pela granja
De noite era muito mal amada
Seu odor, insuportável
Bem ao longe se sentia o cheiro forte
O seu rosto, abominável
Seu sorriso era mais feio que a morte
Oh federupa, xupa, xupa, salve, salve!!!
Mulher de fogo eterno, haja pinto
Para apagar o fogo da danada
De bar em bar vai dando suas voltas
Ninguém segura mais essa tarada
Devassa não dispensa uma orgia
As sextas no CAASO vai à luta
Veras que a franga faz biologia
Sua safada!!!
És a vergonha do Brasil oh depravada
Mulher da biologia está sempre no cio
Baixaria Brasil!!!

Isso tudo é nauseante. A pergunta é: como podemos tolerar isso durante tanto tempo? Como a universidade não se posiciona a respeito? Sim, somos todos responsáveis pelos nossos atos. Não quero que os universitários saiam dessa numa boa, mas já passou da hora das reitorias fazerem algo para coibir a violência (sexista ou não) dentro dos seus campi.

Megan Fox não vai mais ficar pelada!

Vários sites gringos estão falando sobre o perfil da Megan Fox na Esquire de fevereiro. Dizem que o artigo é muito mal escrito, então não li porque não sou obrigada. Mas me chamou a atenção um trecho da entrevista:

“A sua perspectiva sobre ser muito sexy num filme muda após você ter um filho. Terei mais cuidado ao escolher meus trabalhos porque já estou pensando em quando ele estiver na escola. Os amigos dele irão mostrar fotos minhas de biquíni e ele ficará horrorizado. Logo, hoje eu não faria algumas escolhas que fiz no passado.”

Fico profundamente incomodada com o jeito como o sexo e a nudez são tratados na nossa sociedade, como se fossem coisas que nos envergonhassem. Porém, o que me irrita sobremaneira é a hipocrisia.

Só dá uma olhada nas fotos que estão NA PRÓPRIA ENTREVISTA.

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11 qualidades da mulher perfeita

Eu juro que, quando vi a imagem abaixo, achei que era brinks. Mas não é. DE FATO uma revista publicou isso (engraçado que a publicação é do mesmo grupo daquela que ensina a mulher a fingir orgasmo).

Vou traduzir tudo, ok? Vamos lá:

A fórmula da mulher perfeita é aparentemente bem simples, certo? Gostosa + esperta + engraçada = The One. Mesmo que essas pesquisas apareçam a toda hora, encontramos uma nova que revela outra coisa que os homens procuram numa mulher.

Últimas notícias: de acordo com o Journal of Sex Research, os homens ficam mais satisfeitos em suas relações e vidas sexuais quando suas parceiras são de dois a quatro anos mais novas que eles. (gente? cês juram que houve uma pesquisa para “descobrir” isso? wtf?)

Então aquela simples fórmula lá de cima é muito mais complexa do que imaginávamos (nossa! agora tem o lance da idade que, certamente, ninguém NUNCA havia pensado antes! que revolucionário!).

Por isso nós juntamos todas as pesquisas relevantes (zzzzzzz) para criar a versão final da nossa garota dos sonhos. Começando com um pouco menos velas no seu bolo de aniversário (menos duas), aí vai a anatomia da mulher perfeita:

Ela ri – Mesmo das suas piadas idiotas

Pesquisadores canadenses descobriram que homens gostam mais de mulher que riem das suas piadas (vamos lá: quem não gosta?). E de acordo com uma pesquisa da Men’s Health (essa entidade seríssima de pesquisa, convenhamos), mais de 75% dos nossos leitores acham que senso de humor é uma das características imprescindíveis nas mulheres.

Letícia: Dica para o homem: não tente ser engraçado se você não o é. Você não precisa ser engraçado. Se for, ótimo, mas se não for (e você sabe disso, eu sei que você sabe), não espere que sua namorada ria das suas idiotices. Se ela o fizer, é porque ELA é uma idiota. 

Você ama os dentes brancos dela

Um estudo publicado no Emotion diz que homens acham mulheres que sorriem mais atraentes. Os pesquisadores pediram a homens e mulheres para darem nota a fotos do sexo oposto (odeio essa expressão, ninguém é oposto de ninguém não, maluco!). Em algumas imagens a pessoa estava sorrindo e, em outras, não. Enquanto as mulheres preferiam os caras com expressão mais séria, os homens curtiam mais as que mostravam os dentes. (mas a mulher já não ter que rir da piada idiota do item acima?)

Cheia de charme

Homens gostam de seios grandes

Notícia de último segundo: Homens gostam de seios. Notícia de último segundo ainda mais urgente: Homens gostam de seios grandes. Pesquisadores determinaram que o tamanho dos seios da mulher influenciam na hora de eles “escolherem” elas. E eles preferem os grandes.

RONC!

Pernas longas são mais atraentes

Um estudo apresentado no Human Behavior and Evolution Society mostrou que os homens preferem mulheres com pernas mais longas. Os pesquisadores mediram o tamanho dos pés, mãos, coxas e quadris de sessenta mulheres, ajustando cada medida para chegar as diferenças entre elas na altura.

Então, para cada diferente medida, os pesquisadores selecionaram oito mulheres com maior e menor altura e fizeram digitalmente um rosto para elas. Daí colocaram 77 caras para julgar quais rostos eram mais atraentes. O resultado: os homens escolheram as mulheres de pernas mais longas. WTF

O tamanho do pé dela importa

No mesmo estudo, os homens escolheram as mulheres de pés pequenos como mais bonitas, o que quer dizer que pés pequenos são mais atraentes e femininos.

Mano, uma dica: se a mulher tem pernas longas, é bastante possível que ela tenha… pés grandes! Sabe? Que tal pararem de procurar por alguém irreal? Isso me lembra a história da Cinderela, em que a madrasta manda as filhas cortarem o pé para caber no sapatinho de cristal. 

Os quadris não enganam

Ok, mais uma do mesmo estudo: homens também são 11 vezes mais propensos a escolher as mulheres com quadris estreitos. Segundo os pesquisadores, eles provavelmente pensam que essas características têm a ver com filhos mais saudáveis e melhores genes.

Peraí: não diziam justamente o contrário? Que mulheres de quadris largos eram melhores “parideiras”? E o que a gente faz quando nossos quadris não estão no “tamanho certo” para essas pessoas? Ah, já sei: emagrece-engorda-emagrece-engorda-faz-cirurgia-plástica-engorda-de-novo. Ad eternum. 

Ter uma carreira é sexy

Os dias de mulher-troféu acabaram? A ciência acredita que sim. De acordo com um estudo publicado no American Journal of Sociology, quando os homens são questionados sobre sua parceira ideal, a maioria diz que estão procurando por uma mulher que possa contribuir financeiramente na relação. Vejo vocês depois, interesseiras.

E essa gracinha no final da frase? VTNC, sabe? Até parece que as mulheres é que inventaram a ideia de homem-provedor. Até parece que os homens não pensam que, se tiverem um carrão e um cartão de crédito platinum, eles não vão conseguir qualquer coisa. Até parece. 

Inteligência é um charme

Os dias da loira burra estão acabados, também (ah, pra que estereotipar, né, minha gente? pra quê?). Segundo uma pesquisa publicada no Journal of Sex Research, os homens ficam mais satisfeitos quando suas parceiras têm curso superior. Mas ao mesmo tempo, eles ficam menos felizes no casamento quando a mulher quem paga a maior parte das contas da casa. Então, sucesso é atraente – só não muito sucesso.

Risíssimos dessa parte. Se eu sou inteligente, não vou rir das suas piadas estúpidas. Esse é um fato. E agora eu preciso cuidar para não ascender profissionalmente, para você não se sentir o machinho fracassado? Oun!

O vermelho atrai

O cantor Chris de Burgh estava certo: você de fato é mais atraído pela mulher de vermelho. Num estudo do Journal of Personality and Social Psychology, os pesquisadores pediram aos homens para dar notas à aparência de uma modelo. Às vezes ela vestia vermelho, às vezes branco. Às vezes a imagem tinha a borda vermelha, às vezes branca. Os resultados: os homens indicaram as fotos com vermelho como significativamente mais desejáveis sexualmente.

 Saia de casa como chapeuzinho vermelho para o lobo mau poder te comer. 

Cabelo castanho está na moda

Num estudo de 2011 feito no Reino Unido, os homens apontaram as morenas como as mais atraentes. Foram mostradas fotos das mesmas mulheres com cabelos ruivos, loiros e castanhos. O mesmo estudo descobriu que os homens percebem as morenas como mais inteligentes, competentes e fáceis de abordar. Mais: um estudo da Florida State University mostra que os homens também consideram as morenas mais confiáveis e fiéis.

***

Foi difícil traduzir esse lixo. Estou um pouco afastada das interwebs (só uso o Twitter, basicamente), então passei batida, por exemplo, daquele tal vídeo de ser submissa a um homem omisso (mas a Carol Patrocínio escreveu bem a respeito).

Estou lendo muito, fazendo cupcakes e brownies para as encomendas de Natal, viajei na semana passada. Mas hoje, enquanto tomava café da manhã, resolvi fuçar o Pinterest e achei o lixo acima. Não resisti.

Fico profundamente irritada com essa ideia de “perfeição”. Perfeição essa, aliás, que é muito mais cobrada das mulheres do que dos homens – eles podem até “precisar” ser o profissional perfeito, mas tudo bem se estiverem com uma pança. Mulher, não. Tem que ser competente, boa mãe (você não quer ser mãe? ih, nunca será uma mulher perfeita!), seios empinados e louça lavada. (falo sobre a pressão da perfeição feminina em entrevista ao Uol.) Agora, segundo a reportagem da Men’s Health, não podem ser assim TÃO competentes para não deixaram seus homens inseguros.

Todos os dias recebo no meu e-mail notícias de fechamento de revistas e/ou demissões em massa na imprensa. Eu me desespero porque, como vocês sabem, estou desempregada. Ao mesmo tempo, vejo algumas dessas publicações imbecis continuarem vendendo. Leio compartilhamento de textos estúpidos de blogs e sites preconceituosos, rasos, machistas. E não vejo o mesmo acontecendo com sites bacanas ou iniciativas sociais.

Parem de comprar essas coisas. Pegue os 10/12 reais que você gastaria numa revista dessas e doe para um site que você curte, para o Médicos sem Fronteiras, para o SalvaCão.

Não gere clique para sites cujo conteúdo é parecido com o que vemos acima – que fazem slut e body shaming, que diminuem outras pessoas, que fazem piada oprimindo ainda mais quem já é oprimido historicamente. Esses mesmos sites apresentam seus números de compartilhamento e cliques para as agências, que anunciam neles, enquanto há gente boa e dedicada que nunca recebeu nenhuma oferta de anúncio (eu não estou falando de mim, mas posso citar de cabeça uns cinco ou seis sites ótimos que têm que pagar a hospedagem do próprio bolso, sem contar o tempo gasto para produção de conteúdo).

Você não pode ficar aí sentado esperando que a revolução midiática aconteça de dentro pra fora. Não vai rolar. Quem manda nisso é você. Você é o consumidor. Há alternativas. Se posicione. E, por favor, não se deixem levar por dicas e regras de como se relacionar, especialmente com seu corpo.

Hipocrisia social obrigatória

Essa madrugada soube das fotos e vídeos íntimos de uma jovem que estavam rolando no Facebook. Agora já tiraram do ar, mas eu cheguei a ver. Pior: li os comentários.

Algumas pessoas defendiam a garota, mas basta dar uma olhada no Twitter para ver onde as pessoas chegam para xingar alguém.

“Vazamento” de vídeos e fotos eróticas não é novidade. Com a internet, a coisa se espalha rapidamente. No momento seguinte está todo mundo falando a respeito. O nome da garota tá nos trending topics desde ontem. Aí eu pergunto: por que não está o nome do cara?

Por que em tudo que se refere a sexo a mulher é sempre xingada e julgada, e o cara sai como o COMEDOR, mesmo que tenha feito a cretinice de expor a intimidade do casal?

Foi assim com aquela assessora de Brasília que acabou na capa da Playboy. Ela foi demitida. O cara que estava com ela no vídeo continuou exercendo as funções como se nada tivesse acontecido.

Bom, na verdade, nada aconteceu. O que está errado é darem tamanha importância à sex tape, porque sexo… bom, há sete bilhões de pessoas no mundo. Poucas delas foram geradas com o auxílio dos médicos. Quer dizer: fazemos sexo sim. Pensamos em sexo o tempo inteiro. Queremos que nossas vidas sexuais sejam melhores. Então porque mesmo que nos incomodamos tanto com a vida sexual alheia?

É o que Gaiarsa chama de “hipocrisia social obrigatória”. Todo mundo fode. Quem não fode, quer foder (claro que existem exceções, mas…). O psiquiatra fala sobre “a infinita estupidez humana e sua arte suprema de manter a si mesmo e aos próximos eternamente infelizes. Todos vigiando a todos para que ninguém faça o que todos gostariam de fazer – principalmente amar, rir, dançar, cantar. Só na hora certa, no lugar certo!”.

Eu incluiria um “sem câmeras envolvidas” à última frase acima. Porque isso acontece direto. Lembro ter contado em uma das minhas histórias que tirei algumas fotos. Coloquei a observação: “fique sempre com a câmera”.

Sei que é completamente maluco a gente não poder confiar no cara com quem partilhamos a intimidade. Nem estou falando de amor, mas de respeito. Você imagina que, se está transando com alguém e vocês decidem fazer vídeos e fotos, aquilo ficará restrito ao casal. Pra vocês curtirem, para se lembrarem de bons momentos, para se excitarem.

Infelizmente, não é assim que funciona. Esse material é bastante usado por ex parceiros vingativos e babacas. Se ele (o homem) soubesse que teria o mesmo tratamento ora dispensado às mulheres, ele jamais jogaria o conteúdo online. Jamais.

Mas não estou sugerindo que passemos a tratar os homens da mesma maneira, e sim que passemos a ver o sexo como algo natural e saudável. Não há nada de errado em trepar, em fazer caras e bocas para a câmera, em fazer boquete.

Todos nós fazemos. 

Sexo não tem qualquer relação com caráter; alguém transar muito ou pouco, com diversos parceiros ou só com um; ser celibatário ou ser rodado; nada disso interfere em questões morais.

A exposição e a reação das pessoas ao último caso, sim, dizem respeito ao caráter. Porque se você SABE (não precisa ter mais do que dois neurônios pra isso) que a atitude do ex foi deplorável, mas compartilhou as fotos, você é um (a) babaca, também. Você também pode pensar “e se fosse comigo?” e evitar falar sobre detalhes da anatomia da garota.

Quem compartilha/xinga/zoa é tão criminoso quanto o cara que está nos vídeos.

Ao final disso tudo a garota ficará devastada. Você quer mesmo ser responsável por fazer alguém se sentir mal? De repente acontece uma tragédia, como aconteceu com a Amanda Todd, e todo mundo fica com cara de tristinho dizendo “o bullying tem que parar”. Isso que muita gente está fazendo É bullying!

Mesmo contrariada (porque no meu mundo de faz de conta eu não deveria ter que falar isso), dou algumas dicas para o mesmo não acontecer com você. As pessoas não deixarão de tirar fotos peladas, mas infelizmente é necessário tomar algumas precauções:

  • Nunca, jamais, em tempo algum tire fotos/faça vídeos em que você possa ser identificada facilmente. O rosto, claro, não deve aparecer, mas tatuagens, por exemplo, mostram logo quem você é.
  • Fique com a câmera quando acabarem a brincadeira. Aí você escolhe quais fotos quer compartilhar.
  • Não deixe que as fotos ou vídeo sejam feitos no celular. Isso permite que o cara envie os arquivos imediatamente, sem você ver.
  • Se for fazer uma suruba/ménage, peça aos participantes para deixarem os celulares e câmeras em outro cômodo. É mais difícil controlar se alguém está fotografando com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo (sem contar que esse é um momento para relaxar, não para ficar grilada).
  • Caso vá compartilhar as fotos e vídeos, não envie do seu e-mail pessoal. Crie um outro, totalmente fake, para se resguardar.
  • Não saia com babacas. Sei que essa parte é a mais difícil, porque muitas vezes isso não vem escrito na testa deles, mas observe. Se ele é babaca com outras pessoas, ele será babaca com você.

Divirtam-se. E se cuidem, sempre.

O casório da cabra

Eu criei um jeito de saber se devo ou não ler algumas coisas. Quando enxergo a palavra “homossexualismo” no meio do texto, passo batido. O mesmo acontece ao ver “Valerie Solanas” e “Scum Manifesto”. Recentemente incluí “Femen” nessa lista.

Porque, por mais que existam correntes diferentes na militância, ninguém que fala a sério desses assuntos sequer considera utilizar tais termos.

Só que hoje rolou um artigo assinado por J.R. Guzzo, publicado na revista Veja. O título? “Parada gay, cabra e espinafre”. Você com certeza está pensando “o que uma coisa tem a ver com a outra?”. Pois é. Nada, exceto na cabeça do articulista de Veja e de seu diretor de redação que deixou tal aberração ser publicada.

Acabei de ver o deputado Jean Wyllys dizer que fazer piada da Veja é inútil. Eu tendo a concordar na maioria dos casos, mas quando um texto atinge níveis absurdos de preconceito, simplesmente não dá para ficar quieta.

Uma coisa é quando a gente vê esses blogs com 0 comentários em cada postagem. Dá para ignorar. A Veja, por outro lado, é a revista mais lida do país, gostemos disso ou não. Segundo informação do site da Abril, a tiragem semanal da revista ultrapassa 1,2 milhão de exemplares. Cada revista é lida por, em média, oito leitores (porque fica em consultórios, salões de beleza, etc.)

São quase nove milhões de pessoas lendo; não dá para simplesmente ignorar.

Fingir que essa revista não tem importância é ser muito ingênuo ou muito burro. Tem, sim. Pode não ter diretamente na sua vida, mas a Veja é, sim, a revista mais importante do país.

Bom, isto posto, passemos à análise do texto publicado na edição dessa semana. Eu não vou copiá-lo inteiro; a @bruxaOD já o fez (e vocês encontram aqui). O artigo é todo ruim, mas algumas partes parecem saídas de uma obra de realismo fantástico. Uma obra ridícula, diga-se de passagem.

O *autor* começa assim: “Já deveria ter ficado para trás no Brasil a época em que ser homossexual era um problema.”. Eu não poderia concordar mais. Você até pensa que pode ser um texto positivo, apontando como ainda somos preconceituosos, como  a vida sexual do outro ainda nos  importa, etc, etc. Mas ele não poderia terminar nessa frase. Ele vai além.

Na segunda frase ele manda um “homossexualismo”, o que já seria motivo para eu deixar o texto de lado, como disse no início do post. Porém, Guzzo comete verdadeiras atrocidades:

Ainda agora, na eleição municipal de São Paulo, houve muito ruído em tomo do infeliz “kit gay” que o Ministério da Educação inventou e logo desinventou, tempos atrás, para sugerir aos estudantes que a atração afetiva por pessoas do mesmo sexo é a coisa mais natural do mundo.

Mas é, moço. É a coisa mais natural do mundo.

Mas aí é que está: apesar de sua aparente ineficácia como caça-votos, dizer que alguém é gay, ou apenas pró-gay, ainda é uma “acusação”.

Verdade. Não é louco isso? Chamar alguém de “gay” (ou mulherzinha, viadinho, bichona) É ofensivo. Em 2012.

Para a maioria das famílias brasileiras, ter filhos ou filhas gay é um desastre – não do tamanho que já foi, mas um drama do mesmo jeito.

E o seu texto, senhor Guzzo, será lido por incontáveis pais e mães por aí – eles continuarão morrendo de medo dos filhos um dia se assumirem homo ou bissexuais. Well done!

O kit gay, por exemplo, pretendia ser um convite à harmonia – mas acabou ficando com toda a cara de ser um incentivo ao homossexualismo, e só gerou reprovação.

(segure o vômito a cada vez que esse senhor usa a palavra “homossexualismo”.)

Gerou reprovação de quem? Quem achou que era um incentivo à homossexualidade? É um incentivo à aceitação da diversidade, o que é bem diferente.

O fato é que, de tanto insistirem que os homossexuais devem ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos, ou como uma espécie ameaçada, a ser protegida por uma coleção cada vez maior de leis, os patronos da causa gay tropeçam frequentemente na lógica – e se afastam, com isso, do seu objetivo central.

Os gays lutam pelo quê? Pelo direito de não serem discriminados na rua. De se casarem legalmente. Isso é querer mais ou mais direitos? Esses direitos já não são garantidos a quem é hetero? Os gays não querem ter MAIS direitos; querem ter os MESMOS direitos.

E ele ainda arremata o parágrafo com um “estão se afastando do seu objetivo central”. Adoro essa gente que não conhece uma vírgula da militância e diz o que o OUTRO deve fazer. Só que não.

O primeiro problema sério quando se fala em “comunidade gay” é que a “comunidade gay” não existe – e também não existem, em consequência, o “movimento gay” ou suas “lideranças”. Como o restante da humanidade, os homossexuais, antes de qualquer outra coisa, são indivíduos.

Não estou falando? É ele quem sabe o que é a militância, minha gente! Que gênio!! Ah, guardem a frase do “os homossexuais, antes de qualquer coisa, são indivíduos”. Em breve ele irá se contradizer nisso.

Na verdade, a única coisa que têm em comum são suas preferências sexuais – mas isso não é suficiente para transformá-los num conjunto isolado na sociedade, da mesma forma como não vem ao caso falar em “comunidade heterossexual” para agrupar os indivíduos que preferem se unir a pessoas do sexo oposto.

Aqui o autor usa uma falsa simetria. Indico este texto do Tulio Vianna a respeito.

Outra tentativa de considerar os gays como um grupo de pessoas especiais é a postura de seus porta-vozes quanto ao problema da violência, imaginam-se mais vitimados pelo crime do que o resto da população. (…) Os homossexuais são vítimas de arrastões em prédios de apartamentos, sofrem sequestros-relâmpago, são assaltados nas ruas e podem ser mortos com um tiro na cabeça se fizerem o gesto errado na hora do assalto – exatamente como ocorre a cada dia com os heterossexuais; o drama real, para todos, está no fato de viverem no Brasil. E as agressões gratuitas praticadas contra gays? Não há o menor sinal de que a imensa maioria da população aprove, e muito menos cometa, esses crimes; são fruto exclusivo da ação de delinquentes, não da sociedade brasileira.

Risos eternos. É a mesma falácia de quem diz que não existe violência de gênero. Nem todos os crimes perpetrados contra mulheres, gays ou negros são por causa do machismo, homofobia ou racismo. Mas há crimes cometidos SÓ por causa disso.

Evidente que a “imensa maioria da população brasileira” não concorda com isso. Imaginem se 100 milhões de brasileiros cometessem crimes. De qualquer tipo. Pois é.

Qualquer artigo na imprensa que critique o homossexualismo é considerado “homofóbico”; insiste-se que sua publicação não deve ser protegida pela liberdade de expressão, pois “pregar o ódio é crime”. Mas se alguém diz que não gosta de gays, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de homossexuais, ou de espinafre, ou de seja lá o que for. Na verdade, não obriga ninguém a gostar de ninguém; apenas exige que todos respeitem os direitos de todos.

Outra preguiça: quando levantam o discurso da “liberdade de expressão”. Sou super a favor de qualquer liberdade; no entanto, as pessoas devem ser responsabilizadas pelo que fazem ou dizem. O que se espera é isso: responsabilização.

E, nossa, o espinafre deve ficar realmente muito chateado quando alguém não gosta dele, né? Ops, espinafre não é gente? Hum. Aguarde que já já o autor coisifica DE NOVO os homossexuais.

Há mais prejuízo que lucro, também, nas campanhas contra preconceitos imaginários e por direitos duvidosos. Homossexuais se consideram discriminados, por exemplo, por não poder doar sangue. Mas a doação de sangue não é um direito ilimitado – também são proibidas de doar pessoas com mais de 65 anos ou que tenham uma história clínica de diabetes, hepatite ou cardiopatias.

Eu também não posso doar sangue, pois sou tatuada e “promíscua”. Lá na década de 1980, quando o HIV ainda era um vírus quase desconhecido, tal restrição até fazia sentido. Hoje, com o avanço da medicina, manter tais proibições é puro preconceito. Não existe mais “grupo de risco” baseado no que se faz na cama. Diabéticos e cardiopatas não doam sangue porque isso pode fazer mal a eles mesmos (como pessoas até 50 quilos). Hepatite é transmissível pelo sangue.

O mesmo acontece em relação ao casamento, um direito que tem limites muito claros. O primeiro deles é que o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa. Pessoas do mesmo sexo podem viver livremente como casais, pelo tempo e nas condições que quiserem. Podem apresentar-se na sociedade como casados, celebrar bodas em público e manter uma vida matrimonial. Mas a sua ligação não é um casamento – não gera filhos, nem uma família, nem laços de parentesco.

Os limites foram impostos por quem?

Se casais homossexuais podem livremente viver como casais, celebrar bodas e manter uma vida matrimonial, isso não é um casamento? Daí você pode se perguntar por qual razão, então, os gays querem um papel. Porque sim. Porque faz parte da nossa cultura, porque é válido para questões de herança, para o plano de saúde, para comprar um apartamento.

Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar. Não pode se casar com a própria mãe, ou com uma irmã, filha, ou neta, e vice-versa. Não poder se casar com uma menor de 16 anos sem autorização dos pais, e se fizer sexo com uma menor de 14 anos estará cometendo um crime. Ninguém, nem os gays, acha que qualquer proibição dessas é um preconceito. Que discriminação haveria contra eles, então, se o casamento tem restrições para todos?

Essa parte é, talvez, a mais inacreditável. Como pode? E, aparentemente, a direção da revista achou SUPER bacana, porque a ilustra do artigo… é uma cabra.

A mais nociva de todas essas exigências, porém, é o esforço para transformar a “homofobia” em crime, conforme se discute atualmente no Congresso. Não há um único delito contra homossexuais que já não seja punido pela legislação penal existente hoje no Brasil. Como a invenção de um novo crime poderia aumentar a segurança dos gays, num país onde 90% dos homicídios nem sequer chegam a ser julgados? A “criminalização da homofobia” é uma postura primitiva do ponto de vista jurídico, aleijada na lógica e impossível de ser executada na prática. Um crime, antes de mais nada, tem de ser “tipificado” – ou seja, tem de ser descrito de forma absolutamente clara. Não existe “mais ou menos” no direito penal; ou se diz precisamente o que é um crime, ou não há crime. O artigo 121 do Código Penal, para citar um caso clássico, diz o que é um homicídio: “Matar alguém”. Como seria possível fazer algo parecido com a homofobia? Os principais defensores da “criminalização” já admitiram, por sinal, que pregar contra o homossexualismo nas igrejas não seria crime, para não baterem de frente com o princípio da liberdade religiosa. Dizem, apenas, que o delito estaria na promoção do “ódio”. Mas o que seria essa “promoção”? E como descrever em lei, claramente, um sentimento como o ódio?

Esse parágrafo me irrita sobremaneira. Isso porque, para quem não entende muito bem como acontece a tipificação de um crime, pode parecer fazer sentido. Mas só parece. É evidente que há meios de se tipificar um crime de ódio. Não é porque o ódio é um “sentimento” que ele não pode ser mensurado.

No mesmo artigo 121 citado pelo articulista existe a forma tipificada do crime, conforme abaixo:

§ 2º - Se o homicídio é cometido:

I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;

II - por motivo fútil;

III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;

IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido;

V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime.

Nossa, como vamos identificar o que é um motivo torpe ou fútil, senhor Guzzo? Pois é. É por isso que as pessoas estudam doutrina e jurisprudência! Direito não é a mera aplicação das leis, meu caro.

Os gays já percorreram um imenso caminho para se libertar da selvageria com que foram tratados durante séculos e obter, enfim, os mesmos direitos dos demais cidadãos.

Opa! Menos o casamento, porque isso aí é só pra quem pode procriar.

Bom, acabei copiando quase todo o artigo. Há outras frases escritas por esse senhor que renderiam verdadeiras teses de mestrado. É muita merda e preconceito junto. Há um longo caminho pela frente, amigos. Sigamos.

Da ignorância

A confusão no Twitter ontem começou por causa de uma postagem feita por um rapaz famoso.

Ele disse: Chocolate nesse calor é igual bêbada de metabolismo rápido. Se não comer na hora, babou.

Eu não sigo o sujeito e vi porque alguém mencionou. Achei surreal. Retuitei e coloquei um “inacreditável” na frente. Bom, é perfeitamente “acreditável”, tendo em vista que este moço sempre faz comentários machistas.

Ainda assim eu sempre me espanto porque penso que há chance de mudança. Há espaço para que as pessoas pensem que piada com mulher bêbada + sexo = estupro, mas parece que não tem jeito.

Como sempre o caos se instalou no Twitter (eu me divirto, confesso). Ele respondeu: @vidadeleticia não gostou da piada da mulher bêbada. Mando reclamar com o Daniel?. Não sei de que Daniel ele estava falando, mas imagino que seja do ex-BBB. Isto é, era uma PIADA DE ESTUPRO MESMO.

O mais impressionante nessa história é que algumas pessoas saíram em defesa do moço. E é justamente aqui que quero chegar (tudo isso aí em cima foi só para vocês entenderem do que eu estava falando).

A gente prefere acreditar que nossos amigos, irmãos, companheiros de trabalho – e nós mesmos – não somos machistas. Daí dizem “não, fulano não é machista, você é quem está exagerando!”. Será?

Então, por qual razão as pessoas ficam indignadas quando uma propaganda de vodka faz exatamente a mesma associação de mulher bêbada = sexo não necessariamente consensual?

Simples: porque é errado, sim. Só que quando é com alguém que a gente conhece fica difícil reconhecer o machismo e quão babaca o amigo é. Porque ter amigos babacas nos faz um pouco babacas, também. Como você pode seguir no Twitter alguém que fala tanta merda? Não sei, mas sei que essas pessoas têm muitos seguidores.

As coisas foram crescendo e um monte de gente se meteu no meio. Começou aquela velha história de “feminista é tudo mal amada/mal comida/briga por tudo”. Primeiro que eu não falo em nome de um movimento – movimento este que, aliás, está longe de ser uno. Eu falo em meu nome. E acho esse tipo de “piada” sofrível, machista e idiota. Sempre falarei contra esse tipo de coisa.

Porém, ficou claro uma coisa difícil de acreditar em tempos de internet. As pessoas não sabem o que é feminismo. Elas não procuram saber; preferem repetir os clichês ditos por aí por… machistas!

Um dos moços envolvidos na confusão de ontem soltou um:

Pergunta séria: se machismo é ruim, pq o feminismo deveria ser bom? Não deveria existir outro termo?

Feminismo não é o contrário de machismo. Enquanto o último prega a superioridade masculina, o primeiro busca a igualdade. As pessoas pegam um sufixo – no caso, “ismo” – e acham que sempre significa a mesma coisa.

Ele continuou mostrando a ignorância:

A palavra no masculino ta associada a algo ruim, a versao feminina a algo bom? Meio errado isso.

Meio errado é ser machista e ignorante…

É como dizer que criminoso é feio e criminosa é bonito.

Risos. E a pessoa não tem nem vergonha de falar isso pra milhares de seguidores. “Barato é o marido da barata” feelings.

Uma moça que não conheço se meteu no meio da confusão e começou a me xingar por causa do cem homenszzzzzzzzzzzzzz. Ela, que se autointitula “doutora” (e, pelo que sei, não tem curso em nenhuma área que lhe dê esse título) disse “buceta não é prêmio, sexo não é disputa e sexicismo é BURRICE”.

A pessoa se dispõe a escrever sobre relacionamentos e não sabe nem que o correto é “sexismo”, e não “sexicismo”. Bem se vê que não há qualquer preparo para falar sobre o assunto.

Então, o que vejo em discussões como a de ontem é que grande parte das pessoas não têm a menor ideia do que é machismo e feminismo. Por isso repetem preconceitos – a ignorância é um dos grandes motores históricos do preconceito.

É preciso se informar. Entender que machismo não é antônimo de feminismo. E que mesmo uma feminista pentelha como eu pode ser apenas uma pentelha. Chata. Rabugenta. Inconveniente. Um machista é tudo isso, mas em situações extremas (e infelizmente muito comuns) ele mata. Qual dos dois é pior?

Cansei de ser sexy

As pessoas ficaram impressionadas com o infográfico da Women’s ensinando a fingir orgasmo. O grande problema é que é uma revista, então não dá para fazer os movimentos. Mas Tia Letícia tem um blog e pode ensinar vocês.

Quando chegar o momento de VIRAR A CABEÇA, faça isso:

Quando você estiver naquele momento pré-orgasmo, quando sua respiração começa a ficar esquisita, faça essa cara de “tô quase, tô quase!”:

Na hora H, não basta dizer que gozou. Não diga que ele é o máximo. Demonstre. 

Mas se você quiser ser realmente inesquecível pro seu homem, faça o seguinte após ele insistir em gozar na sua boca ou tentar enfiar o pau inteiro até aquele ponto em que atinge a garganta inesperadamente:

Pronto. Agora seja feliz na cama.

Inacreditável

Eu não acreditei quando a Lu (@naotafacilprang) postou no Twitter. Só podia ser zoação. Não dela, mas sei lá, de um universo paralelo. Achei que era pegadinha. Mesmo ela colocando foto, eu só acreditei quando fui à banca e comprei a revista.

Fiquei tão absurdada que mostrei à minha psicanalista. Eu gargalhava no consultório (comprei no caminho pra consulta).

Era verdade verdadeira.

Uma publicação voltada ao público feminino, VENDIDA em banca, publicou isso:

Não entendeu?

Eu explico.

O título da reportagem é “Nunca finja outra vez”. Subtítulo (segure o riso): “Se você está prestes a ganhar um Oscar de interpretação na cama, aqui estão algumas dicas para fugir do tapete vermelho e chegar ao orgasmo de verdade”.

Publicada na edição 40 – fevereiro de 2012 da Women’s Health, a matéria deveria ser sobre como é comum se fingir o orgasmo, mas que o ideal, mesmo, seria gozar (jura??? que coisa, não?).

As revistas Health (Women’s e Men’s) são versões nacionalizadas das gringas. Então os textos são meio um mix entre informações lá de fora e daqui. Nesta reportagem, por exemplo, há estatísticas que nada têm a ver com a mulher brasileira, mas também incluíram aspas de especialistas do Brasil.

Segundo a reportagem, 60% das mulheres fingem o orgasmo. Eu sou mega contra isso, vocês sabem. Mas vamos lá. A realidade é que muitas de nós fingimos. Como saída para isso, a revista diz que devemos ser mais íntimos do parceiro. Até aí, ok. Mas querem ler o conselho? “Comece devagar: conte um segredo ou divida uma história embaraçosa e, quando ele perguntar onde você quer comer, escolha um restaurante em vez de dizer ‘Qualquer lugar está bom’.” WHAT? Tudo o que você NÃO quer quando está começando um relacionamento é que o seu parceiro saiba uma história embaraçosa sua! Que loucura é essa?

O texto envereda por tentar mostrar que é normal não atingir o orgasmo. Diz que o “clímax” (por que usam essa palavra, se nem é, necessariamente, o momento mais legal do sexo??) é superestimado. Mesmo de maneira superficial e vazia, acho bacana a bandeira ser levantada.

Eis que aparece o seguinte trecho (estou copiando igualzinho, JURO): “pelamordedeus, fingir orgasmo para segurar homem infiel é a maior besteira. Nesse caso, antes de se preocupar em chegar lá, você tem que colocar sua vida amorosa em pratos limpíssimos”. Hã? Is this real life?

O texto tem pérolas como “apimentar as coisas com uma conversa picante” (existem outros adjetivos em língua portuguesa, tá, redação?). Mas o pior fica no final. É aquela imagem que você viu lá em cima.

Passam o texto inteiro dizendo que você tem que melhorar sua vida sexual, que não chegar ao orgasmo é normal, mas que se deve buscar isso, sim. Mas daí eles separaram UMA PÁGINA INTEIRA (e quem é jornalista sabe quão difícil é conseguir uma página a mais pra nossa matéria) para UM INFOGRÁFICO de COMO FINGIR O ORGASMO.

Eu não tenho palavras para descrever o que senti ao ver que isso foi publicado em uma revista da Abril que é VENDIDA por R$ 12. Isso não pode ser verdade.

Se você não conseguiu ler a imagem, eu faço questão de copiar aqui o que está escrito (meus comentários em negrito).

De vez em quando pode?

Um blefe ocasional não é tão danoso assim 

Há dias em que tudo deu errado e você quer resolver logo a questão para poder dormir. Alguns especialistas acham que, se isso acontecer uma vez a cada eclipse lunar total, não há problema. “Tem homem que até merece. Sabe aquele tipinho que fica perguntando se você já gozou, se vai gozar?”, brinca o sexólogo Amaury Mendes Jr. “Uma mentirinha de vez em quando pode acalmar o sujeito.” Mas isso deve ser exceção, não regra.

Nota da blogueira: o TIPINHO que fode mal, senhor sexólogo, é o que mais merece saber que não fez a gente gozar. Bêj. 

1 Comece gemendo devagar e baixo, mantenha os olhos meio abertos e a expressão neutra (expressão neutra, hein, meninas? não esqueçam!!!). Entre os gemidos, fale algumas palavras de encorajamento, como “como isto é gostoso”.

2 Gradualmente, comece a gemer mais alto, fique com a respiração mais rápida e pesada. Mas tem que ser gradual (GRADUAL!!!). Se você mudar o ritmo de uma hora para outra e começar a gritar, vai parecer falso. (Ah, ainda bem que vocês avisaram! Puxa!)

3 Faça mais caras e bocas. Morda o lábio inferior, abra ligeiramente a boca, pressione os dentes, aperte os olhos. (Ex namorado: eu JURO que eu mordo o lábio involuntariamente, tá?)

4 Use o corpo todo. De forma “involuntária”, estremeça as pernas de forma que os corpos se massageiem, mas sem que pareça que você está tendo um ataque epiléptico. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHA

5 Acelere ainda mais o ritmo da respiração, morda os lábios e diga: “estou quase lá”.

6 Abrace-o com força, finja que está perdendo o controle. Grite, vire a cabeça para os lados (saca O Exorcista? Pois é), morda os lábios, diminua o intervalo entre as respirações, faça o que normalmente faz quando está tenho (sic) um orgasmo de verdade. QUE TAL TER UM ORGASMO DE VERDADE, PESSOAS? 

7 Enquanto tem o orgasmo (ué, não era fingimento??), com todas as caras e bocas, diga que quer que ele goze também.

8 Imediatamente, elogie a perfomance dele, com a voz ainda cheia de manha e gemidos. Diga que foi incrível, enquanto se esfrega no corpo meio com preguiça. Você está cansada, lembra? Sério. Isso só pode ser pegadinha do Mallandro. 

Eu não tenho nem mais o que falar. Precisa? Isso é tão surreal, mas tão surreal que eu não acredito que vivi pra ler isso. De verdade. É inacreditável. Estamos mal de revista feminina, estamos mal de sexólogos, estamos mal de parceiros sexuais. Sexo não precisa de manual, de passo a passo. Curta. Beije. Chupe. E aí, sim, você vai gozar de verdade.

Por favor leia o post seguinte, com ilustrações sobre o texto acima.

Eu sou mulher e gosto muito de sexo

Vamos lá, machistas, misóginos e moralistas de plantão: INFARTEM com essa afirmação.

Eu sou mulher, gosto muito de sexo e faço muito sexo.

Não estão satisfeitos? A coisa pode piorar:

Eu sou mulher, gosto muito de sexo, faço muito sexo e lido bem demais com isso. Para completar, eu escrevo um blog a respeito.

Olhem só que merda, hein? Olhem só que coisa fora da curva, que coisa inesperada! Como assim mulher tem desejo sexual? Novidade grande pra você, que ontem fez um papai-mamãe ridículo na sua mulher, usando o corpo dela como um mero orifício: a gente gosta e muito dessa bagaça! O que talvez aconteça é que a gente não gosta de sexo com você, que usa a língua só para falar e ajudar a deglutir, e os dedos apenas para escrever críticas machistas e retrógradas.

Eu gosto de sexo e faço gostoso. Chupo, lambo, transo com dois homens ao mesmo tempo e ainda quero é mais. Falo com desenvoltura a respeito, sem ruborizar nem um segundo. Não tenho vergonha de falar que fui a um sex shop ou que pretendo ir a um show de sexo explícito. É sexo. É natural e é bom pra caralho.

E, ora vejam só: eu não sou prostituta!

As comparações com garotas de programa já cansaram. Eu juro que não me irrito mais com essa (é incrível: a cada porrada que eu tomo, a outra porrada fica pequenininha, pequenininha). Mas não consigo não pensar no caminho louco que a mente de alguém fez para chegar à conclusão de que eu sou prostituta, ou pelo menos deveria ser.

Eu não cobro porque não preciso. Eu não cobro porque faço por prazer. Eu não cobro porque tenho outra profissão. Agora, por quê “garota de programa” é xingamento? São mulheres e homens como nós; não são objetos. Objeto a gente compra no sex shop!

E aí hoje tem um babaca conhecido dos leitores dizendo o que eu deveria ou não fazer. Cobrar ao menos “cemzinho”. Disse que o que eu faço é “prostituição gratuita”. Não existe isso: eu transo de graça porque eu gosto. Triste é ver quantas pessoas aplaudem esse tipo de comentário, especialmente vindos de alguém que contou muitas de suas transas, tratando as mulheres apenas como um buraco.

Me deixo abater? Pra caralho! Eu sou humana e também tenho dias ruins. Quem reclama que eu reclamo devia vir aqui lavar minha louça. Quem de vocês, em uma semana, ficou na home do IG, depois entre as mais lidas da Globo.com e mais tarde INVENTARAM uma entrevista com você? Foi exatamente no período de UMA SEMANA.

Por tudo isso, o que eu quero dizer pros machistas e falsos moralistas é que talvez eu pare esse blog, sim, porque não estou feliz com ele. Mas jamais pararei de ser uma mulher livre, que busca o prazer e que é feliz assim. Isso vocês jamais conseguirão mudar. E há muitas de nós por aí.

Leiam dois posts sobre a merda toda que está acontecendo:

Cynthia Semíramis

Lola 

UPDATE: Copio aqui um email que recebi há algumas semanas. Esse leitor tinha curiosidade de saber quem eu sou. Bom, ele já sabe (é o rapaz que me dá muito trabalho e me aturou na quinta-feira passada, quando aconteceu o lance todo da globo.com):

Procurando quem você é cheguei a conclusão de que Letícias são muitas.
A lista de possibilidades de quem é a verdadeira Letícia na verdade me provou que a Letícia não é você, lendo esse email e digitando atrás desse teclado.
Cada transa, cada dia, cada mulher tem o seu dia Letícia. Seja com o número 3, o número 15 ou os números esquecidos.
Seja com aquele namorado bacana ou aquele ex filho da puta.

Assim como um mistério de Lost, ou o mascarado por trás do V, acho que não estou preparado para descobrir quem você é.
Na verdade acho que não quero descobrir. Ainda não apareceu o décimo negrinho, ainda aguardo a morte desejando ver o seu corpo de intocável e nu, adormecido, como no romance de Gabriel Garcia Márquez.

Vou carregar a Letícia junto comigo, em cada menina que aparece na minha vida.
Seja como amiga, como ficante, sexo casual ou namorada.
Como você mesma diz, você não é “nada demais”, você não é “diferente”.
Você é apenas uma mulher, que tem coragem de fazer o que quer, com a força para admitir e contar.
Existe um pouco de Letícia em cada um desses perfis que encontrei.

Se não existe, deveria.

Um grande beijo.

De um fã, um admirador e alguém que vai ficar com vontade de tomar uma cerveja com você por muito tempo.

E você? Também é Letícia?

Estreiteza de mente

Tenho muitos amigos gays. Um deles é bem conservador, ainda que ele não se enxergue dessa maneira. Conversávamos durante um almoço e eu disse que as atitudes dele eram contraditórias. Defendi a tese de que ele deveria apoiar outras minorias, por saber como é fazer parte de uma. “Não acho”, respondeu. “Minha vida é totalmente normal, não deixo de fazer nada por ser gay.”

- Você pode beijar seu namorado onde você quiser?

- Não, ele respondeu com um fiapo de voz.

Isso porque ele mora em São Paulo, a maior cidade do país, cosmopolita e não sei mais o quê. É, nesta mesma cidade onde pessoas tomam lâmpadas na cara só por alguém desconfiar da sua orientação sexual. É, nesta mesma cidade onde amigos já tiveram de correr pelo meio da rua para fugir de agressores. E não foi uma e nem duas vezes, não.

A intolerância com o outro se expõe das mais diversas maneiras. O que eu não consigo compreender é essa coisa de não aceitar que um outro grupo tenha direitos. Ninguém está tirando o seu direito, só aumentando a gama de proteções. Hoje um rapaz fez a pergunta no Twitter: “se um gay e um hetero brigarem, o hetero não pode bater no gay?”. A hipótese é muito simplista, mas exemplifica bem como se comporta nossa sociedade, cheia de “achismos” idiotas e retrógrados.

É como a coluna de Guilherme Fiúza na revista Época. O articulista começa o texto dizendo que a ideia do dia do orgulho hetero é “idiota, mas coerente”. Segundo ele, a instituição da data é uma espécie de resposta à “exacerbação da cultura gay”. Para Fiúza, “quem não tem orgulho gay, ou não simpatiza com a causa, está na berlinda”.  Honestamente não acho que é necessário haver um “orgulho gay” (mas tenho), só que defendo com veemência que não exista nenhum tipo de restrição a qualquer outra pessoa, nem baseado em orientação sexual, nem em raça, nem em condição social, nem mesmo pela roupa que a pessoa veste. Disseram em um comentário no blog da Lola que eu defender isso era utopia (a crítica era ao fato de eu reclamar de patrulharem minha buça), “que os hippies já tentaram isso na década de 1960 e não conseguiram”. Talvez tenham razão e a luta seja, no final, inglória, mas eu não consigo viver no mundo sem tentar aparar algumas arestas. Lembro que num mundo em que se acha normal patrulhar a vida sexual de alguém (seja homo, hetero, pan; mono ou poligâmica; puta ou santa), também se acha normal patrulhar até cortes de cabelo.

 

Fiúza deixa tudo muito mais nebuloso ao longo do texto. Diz que o dia do orgulho hetero (zzzzzzzz) “é herança legítima do movimento gay, ou pelo menos de sua face totalitária, difundida pelos evangelizadores do politicamente correto”. Hã? Isso foi a sério? Face totalitária do movimento gay? E se ser politicamente correto é defender que sejamos todos iguais formal e materialmente, então eu sou assim.

 

O que me deixa perplexa é que já passou da hora de pararmos de reverberar esses achismos, como o fez o tal garoto da frase infeliz no Twitter. A internet está aí, com incontáveis artigos debatendo e explicando as razões pelas quais alguns grupos precisam de leis especiais, como é o caso da Maria da Penha ou da homofobia. É preciso parar de repetir à exaustão o tal “somos todos iguais perante a lei”, porque o ordenamento jurídico não se resume a uma frase; existe todo um arcabouço legal e teórico para sustentar o tratamento desigual de quem é, na prática, desigual. 

 

Eu não poderia falar melhor sobre isso do que os autores abaixo. Recomendo todos, sempre. 

 

O dia do medo macho, por Eliane Brum

Igualdade e falsas simetrias, por Túlio Vianna  

Que vergonha de ser hetero, por Leonardo Sakamoto 

A eterna parada dos sem noção, por Lola Aronovich

Os perigos do nada contra, mas, por Matheus Pichonelli
Carta aberta ao prefeito Gilberto Kassab, por Jean Wyllys

 

E, pra terminar, um vídeo que alguém me mandou no Twitter recentemente (desculpe, não lembro quem é e não posso dar o crédito).