Top 5 dos erros no sexo

Há algumas noites conversamos no Twitter sobre o que era menos legal no sexo. Fiz meu Top 5. Depois comecei a pensar em quantas mil outras coisas eu achava detestáveis.

Resolvi, por isso, fazer esse Top 5 combinando a minha contrariedade à prática e a regularidade com a qual essa prática acontece. Isso é o que eu penso; há pessoas que curtem algumas dessas coisas que eu detesto (como o basquetinho), então o ideal – sempre – é checar com o parceiro se ele está gostando.

E não é a pergunta “tá gostando?”,  porque isso pode fazer o outro ficar envergonhado de dizer que não. Você pode captar os sinais; ficar atento aos sons; observar se a pessoa “se entrega” ou se afasta o corpo, ainda que lentamente; testar um novo jeito, uma nova posição, e perguntar qual o parceiro prefere.

Afinal, sexo não é masturbação acompanhada, mesmo que seja casual. É para todo mundo envolvido sair dali feliz, feliz.

Mas há algumas coisas que tiram um pouco desse brilho de felicidade. Quais são as suas?

As minhas são essas:

1) Insistência. O cara que insiste pra transar, depois insiste para fazer anal, depois insiste pra gozar na sua boca, depois insiste pra qualquer outra coisa. Não suporto. Uma pessoa que faz isso evidentemente foi criado pensando que assim se consegue levar alguém pra cama e não está nem aí pro seu prazer. Se você NÃO QUER fazer algo, a probabilidade de você curtir quando está engajado na situação é bem pequena.

2) Basquetinho. Quando falei no Twitter, várias pessoas não sabiam do que se tratava. Imagine o sexo oral e, enquanto você está lá chupando, o parceiro começa a empurrar sua cabeça, como se estivesse batendo uma bola de basquete. Acho desconfortável. Em algumas situações, pode ser que ele empurre demais e, bom, a ânsia de vômito apareça. Nada legal, né? E eu tenho um outro problema com isso; parece que o cara quer comandar – e não sinto tesão nisso.

buzina

3) Meu peito não é buzina. Meu peito é grande desde que entrei na puberdade, então já perdi a conta das vezes em que ele foi apertado como se fosse a buzina do Chacrinha. Era batata: qualquer tipo de aproximação de cunho sexual começava pelo FÓN FÓN nos meus peitos. Se já é super boring, muitas vezes eu estava com sutiã de bojo – isto é, o cara apertava uma espuma! Com o tempo as coisas foram melhorando e hoje em dia isso é menos comum, mas sempre há um desavisado. Felizmente não tenho mais TPM (ser apertada neste momento é ainda pior).

4) Segurar demais o orgasmo. Na nossa sociedade falocêntrica, acha-se que manter a ereção peniana por muuuuuuuito tempo é sinal de virilidade. Além disso, superestima-se o orgasmo. Resultado: o cara segura durante muito tempo, esperando que a parceira goze (ainda que tudo o que ele esteja fazendo é aquele vai e vem totalmente britadeira). E nada. A lubrificação acaba, ele cospe (nem todos, claro, ainda bem) e continua. No outro dia, não dá para fazer xixi sem sentir ardor. No, thanks.

5) Flanelinha. Decorrente do item anterior. Com a demora para gozar e o desespero para o pinto não amolecer nunca (tudo bem amolecer, gente, depois fica duro de novo), é preciso trocar de posições. E se o cara puder mostrar quantas ele conhece, então! Nossa! Ganhou um passaporte pro inferno. É um tal de “agora fica de quatro”, “agora vem por cima”, “vamo ali pra sala”, “senta aqui na beiradinha da cama”, assim, sem parar, como se fosse um flanelinha te ajudando a manobrar o carro. Detalhe: dirijo bem pra cacete e não preciso de ajuda.

Tem muito mais coisa, muito mesmo: gente que cospe/usa saliva como lubrificante, quem lava o pau na pia (esquecendo que outras pessoas vão usá-la, escovar os dentes e tal, além de ignorar a existência da virilha), quem se recusa a usar camisinha, quem bate com o pau na minha cara, quem pergunta se eu quero “leitinho”.

Nossa, posso continuar isso pra sempre! E você? Quais práticas comuns que você não curte? Me conta.

Se toca!

No último post eu falei sobre masturbação. Deixei um espaço para as pessoas fazerem comentários. Tristemente diversas mulheres relataram a dificuldade em se tocar; muitas, já adultas, ainda têm sentimento de culpa com a prática. Algumas revelaram só começarem a praticar bem depois dos 20 anos de idade, mesmo que a vida sexual propriamente dita (falo de interação íntima com outra pessoa) tenha acontecido anos antes.

Tudo porque prazer é pecado.

Literalmente.

Até hoje, 2013, a prática é considerada pecaminosa por diversas religiões. Talvez sua família nem seja religiosa, mas não podemos negar a influência cultural do cristianismo nas nossas vidas.

masturbate

Para dar suporte a todas essas ideias, criou-se um monte de mitos acerca da masturbação. Que é coisa de gente solitária e meio maluca, que faz crescer pelos nas mãos, que machuca.

A não ser que você passe o dia inteiro se masturbando, nada de errado vai acontecer com você. Sei como é difícil se livrar dessa paranoia de que alguém vai descobrir que você se toca, e aí você será ridicularizada, julgada, zoada. É, paranoia.

Ria, leitor. Você não sabe do que está rindo.

Você está rindo dos delírios de perseguição de todos os alienados do mundo, e de todos nós quando Melanie Klein nos dias que sofremos todos de ansiedade persecutória.

Veja. Nunca fui surpreendido em atividades eróticas, ninguém – mãe, pai ou quem quer que fosse – me condenou ou castigou por nada disso. Mas eu me comportava e sentia como se todos estivessem me vigiando o tempo todo e como se pudessem a qualquer momento me ridicularizar, condenar, desprezar ou excluir por causa da masturbação. (Gaiarsa, em Sexo – Tudo o que ninguém fala sobre o tema)

Apesar de incutirem nas nossas cabeças que tocar-se é feio e reprovável, a criança percebe que é prazeroso mexer nos órgãos genitais. É uma “coceirinha” gostosa; só depois, mais velhos e com mais informações, temos noção do que se trata.

Só que quando os pais percebem a gente mexendo lá por baixo, o tapa na mão vem certeiro. “Tira a mão daí, é sujo!” Até agora não entendo se o que é sujo é a minha buceta ou se é a minha mão. É como se a masturbação – que àquela altura não passa de uma brincadeira – maculasse a pureza da criança.

Porém, é biológico: seu corpo responde assim aos estímulos. A nossa reação a eles vai mudando ao longo do tempo, porque aprendemos a implicação dos atos (e experimentamos a culpa, inclusive).

Família e escola, de maneira geral, ignoram o assunto. Se você for pego se masturbando, é possível e quase provável que seus pais finjam que não viram. Isso se você ainda for criança. Na adolescência, os rapazes se tocarem é normal – e, de certa forma, até estimulado.

Quando eu era adolescente, por exemplo, era bastante comum os garotos terem pilhas de Playboys e afins no banheiro. Ninguém estranharia o pote de hidratante e o papel toalha constantemente no quarto (por favor, gente, usem lubrificante íntimo).

Com as moças, porém, as coisas são diferentes. Vejo mulheres adultas, que trabalham fora, estão na faculdade, com vergonha de terem vibrador em casa. Morrem de medo de serem descobertas, como se guardassem, sei lá, a arma utilizada numa chacina.

Mas é seu corpo. Você é quem manda nele – não é a igreja, seus pais, seu namorado. Os grilos existem e não são exclusividade sua; tudo faz parte da falta de educação sexual. Só que o mundo não vai mudar num estalar de dedos, então você é quem tem que mudar o jeito como se relaciona consigo mesma.

Fique tranquila: não machuca, é gostoso e faz bem. Experimente. E, lembre-se: seu corpo, a qualquer momento, é fonte inesgotável de prazer.

Educação sexual… para os pais (e para a ministra)

O post sobre as declarações da ministra Maria do Rosário sobre o caso Eloá levou a algumas discussões no Twitter. Algumas pessoas disseram que a ministra estava certa. Outras, que não deixariam uma filha namorar alguém tão mais velho. Teve quem reclamasse da tal sexualidade precoce (namorando aos 12 anos? queima na fogueira!).

A história toda me espanta. Fico surpresa como uma ministra pode falar tamanha asneira. Você pode até concordar que uma garota de 12 anos não deve namorar, especialmente alguém “tão mais velho”. Mas, eu pergunto: a ministra alguma vez foi lá falar com a mãe da Eloá? Oferecer apoio? Conhece os autos do processo? Falou da transformação do cárcere privado em novelinha trágico-romântica nas redes de televisão? Me parece que não (e espero estar errada). Em vez de, como autointitulada feminista, apontar que este é mais um crime do machismo, colocou a culpa na família da vítima. Ela sabe como Eloá era criada? Sabe se faltava apoio familiar? E, quem diz que a menina transava com Lindemberg: você estava lá? Que diferença isso faz no caso?

Depois se entrou na discussão de que o correto seria falarmos em erotização precoce, e não em sexualidade, já que esta é inerente ao ser humano, como demonstrei no último post. Qual é a idade para isso? Quem disse? De onde veio a regra? As coisas mudam. Não só na época em que vivemos. Eu, adolescente nos anos 1990, não queria saber de sexo com 12 anos. Ainda brincava na rua, jogava bola, subia em árvore. Mas tive um namoradinho (opa! ele era da minha idade). Durou um fim de semana e eu nem beijei ele. Eu fui precoce?

Hoje, pra quem nasceu após a virada do século (e que estão fazendo os tais 12 anos), as coisas mudaram muito. São jovens mais bem informados, mais independentes. Não sou socióloga, nem psicóloga, nem antropóloga. Mas… muita gente fala em diminuir a maioridade penal. Chamam de monstros garotos que cometem crimes aos 10, 12 anos. Eles podem matar, mas não podem transar? Sinceramente, não sei a resposta. Não sei resolver essa equação. Se filhos tivesse, ficaria em casa angustiada sempre tentando entender e acertar na educação. Se ministra fosse, escolheria melhor minhas palavras e contaria com os tais sociólogos, antropólogos, psicólogos e toda a sorte de especialistas para me ajudar nisso.

Como sou apenas uma mera blogueira, posto abaixo um texto que já havia feito e entraria no ar apenas amanhã. É a minha experiência pessoal. Como disse, de uma jovem mulher que foi adolescente na década de 1990, isto é, há vinte anos. Uma sociedade muda em duas décadas, lembrem-se disso. Não adianta vocês quererem viver lá no passado.

***

O que você faz individualmente, dentro da sua casa, é problema seu. Quer ser rígido e não permitir que os filhos saiam à noite? Ou que fumem? Ou que bebam? Ou que transem?

Ok, isso é uma escolha baseada no jeito que você foi criado, nos próprios medos e inseguranças, na sua religião. O que incomoda na fala da Ministra é que ela falou como agente político, e não como uma “zelosa” (e autoritária) mãe. Eu não terei filhos, mas sou uma cidadã relativamente engajada, pouco alienada e que escrevo sobre sexo. Então, a respeito do tema eu confio no meu próprio bom senso, em autores que estudaram o assunto, em documentários sérios acerca da questão. Mais que tudo: eu lembro do que eu passei e observo muito como nos comportamos socialmente. Além dos incontáveis e-mails, eu pergunto, questiono – faço quase um interrogatório.

E, com tudo isso, eu vejo que de nada adianta proibir. Não porque “o proibido é mais gostoso”. Eu não concordo com isso. Nunca achei “gostoso” encontrar com meu namorado escondida. Odiava. Sentia culpa. Deixava de aproveitar o momento plenamente, como deveria acontecer.

Como já disse algumas vezes, transei pela primeira vez aos 15 anos. Jamais mencionei o assunto com a minha mãe. Eu sabia exatamente o que estava fazendo. Usamos camisinha. Nunca fiquei grávida ou tive qualquer DST. Mas, sinceramente, não posso creditar isso à educação sexual que tive dentro de casa.

Quando alguns artistas começaram a morrer por HIV, como Cazuza e Freddie Mercury, minha mãe comprou uma camisinha e nos mostrou. Explicou o que era a doença e disse como deveríamos nos proteger. Eu era bem nova, sexo nem passava pela minha cabeça.

Menstruei aos 10 anos, transei aos 15 e só fui ao ginecologista aos 17, quando já morava sozinha. Entre minha primeira transa e a minha saída de casa (dois anos mais tarde), minha mãe veio conversar comigo sobre meu namorado. Disse “imagina se você tivesse transado com o primeiro namorado, hoje você estaria sem ele e não seria mais virgem”. Eu ri muito por dentro. Muito. Eu havia de fato transado com o tal primeiro namorado e já havia feito o mesmo com o segundo. Detalhe: ele era virgem.

Só que durante alguns anos eu tive muito medo de que minha mãe descobrisse que eu não tinha mais – olha só que coisa! – um hímen. Eu não podia ir pras festas de carona com meus namorados, pois não podíamos ficar sozinhos. Mas aí ela ia me deixar… e eu fugia das festas. Sozinha com o namorado. Em muitas dessas vezes eu não transei, pois ainda era virgem e não ia transar só porque a oportunidade apareceu. Em outras, eu transei, no carro mesmo, naquela famosa rapidinha.

Durante anos eu rezei para que minha menstruação descesse todo mês. Tinha medo da reação da minha família caso eu engravidasse (engraçado… jamais me incomodei com a parte “social” da coisa). Muito tempo mais tarde, já morando sozinha, tinha de inventar desculpas quando ia sair com algum moço e estava recebendo visitas da família. Era mais fácil mentir do que ter de dizer o que o garoto fazia, o que estudava, há quanto tempo a gente saía e se iríamos namorar. E, na volta, ainda tinha de dizer como o filme tinha sido bom ou a comida (ui) estava gostosa. Tudo inventado, tudo ficcional, pois o máximo que eu poderia dizer é como era a suíte do motel da vez.

Estava conversando com uma amiga há pouco e ela comentou que a mãe dela dizia que a bunda da mulher caía depois da primeira transa. Assim, não adiantava essa minha amiga esconder caso fosse pra cama com alguém. Só pelo formato da bunda a mãe descobriria as peripécias da filha.

Que tipo de educação sexual é essa? Que quer que a gente adie e adie e adie a primeira transa? Pelo que vejo aqui no blog e nas minhas amigas, talvez um ou outro de nós tenhamos adiado um pouco, sim. Mas todos fizemos. E, quando isso aconteceu, o sexo veio carregado de culpa, como se fosse sujo, proibido. Um pecado.

Assim, os primeiros anos de vida sexual da maioria de nós não foi nada feliz. Ok, atingíamos o orgasmo (o que é sempre delícia), mas não era pleno. Era como se tivesse uma vozinha dentro de nós relembrando quão errado era aquele comportamento.

Em vez disso, pais e mães deveriam lidar com o sexo de maneira natural, porque é exatamente isso que ele é. Não estou dizendo que deve ser fácil perceber que o filho, que até ontem era um bebê, hoje já é grande o suficiente para ter vida sexual. Mas, como pai, você deve orientar, e não proibir.

Eu te amo, só por hoje

Sempre tratei os homens da minha vida como se fossem os únicos. No momento em que estou junto de um (ou dois. vocês sabem que eu curto), é como se o resto do mundo simplesmente não existisse. Parece descrição clichê de paixão? Pois é exatamente isso que acontece: eu me apaixono por todos eles.

Sou carinhosa, atenciosa, sorridente. Procuro dar o máximo de prazer, deixá-lo confortável. Quero que ele se sinta gostoso, desejado, imprescindível.

Até o beijo de despedida.

Poucos são os que me deixam suspirando no dia seguinte. Não porque a noite foi ruim, mas sim porque é preciso um algo mais – que ninguém sabe explicar o que é – para a conexão acontecer.

Lendo o ótimo texto Homem de uma mini-vida, percebi que sou exatamente daquele jeito. Não que os homens me procurem no dia seguinte (nem sempre acontece), mas quantos deles não podem jurar de pés juntos que eu me apaixonei? Eu só fui legal. Eu só tive tesão. Como disse a autora, “eu vivo de romances breves, paixões to go, amores diários”. Amo cada um dos homens que passam pela minha cama. Sei o nome de todos, o que fazem, onde moram, do que gostam.

Alguns, é claro, têm existência prolongada no meu cotidiano. Hoje suspiro pelo tal rapaz do post de sexta-feira, com quem irei encontrar em alguns minutos. Até quando? Não sei. Dá medo? Dá. Talvez ele seja um amor de uma mini-vida, talvez de uma vida inteira. Não sei. Só sei que estou feliz.