O pessoal é político

A capa da revista VEJA tem, em letras garrafais, “CASAMENTO GAY”. Embaixo, “A cantora Daniela Mercury apresenta sua esposa e faz da união homossexual uma questão inadiável no Brasil”.

Ingenuinamente pensei “poxa, que bacana, realmente precisamos falar a respeito”. Meu castelo de areia começou a ruir ao ver no site da revista um “esposa” entre aspas. Mesmo que um casal heterossexual não fosse casado no papel, mas morasse junto, usasse aliança e posasse no Instagram, alguém usaria aspas para falar em marido e mulher? A resposta é bem óbvia.

daniela mercury 2

A pá de cal veio com uma foto da reportagem que circulou no Twitter ontem:

daniela mercury 1Primeiro de tudo: não entendo esse jornalismo opinativo numa reportagem. Opinião se dá em colunas, blogs, crônicas. Matéria deve ser factual. Evidente que qualquer veículo é editorializado e segue a linha de quem manda (seja uma pessoa, seja uma empresa), mas se eu compro uma revista de notícias, quero saber o quem, quando, onde, como e porque, não se o editor é um pulha.

Mas o que é que eu sei, né? Nem emprego eu tenho.

De todo modo, a frase foi inspiradora pra mim. Até mudei minha bio do Twitter. Agora, em vez de “feminista tarada”, coloquei “prestando um desserviço ao romantismo”. Com orgulho, ainda, porque ajudar a derrubar o mito do amor romântico é função das mais nobres.

Claro que não estou falando de acabar com o amor, muito pelo contrário. Mas o romantismo só serve para estressar, entristecer e magoar as pessoas. Amor romântico é uma construção social; a partir do seu surgimento criou-se a idealização de um par, a monogamia, o ciúme, o controle… e, em última instância, a noção de que amor só existe entre homem e mulher. Fora disso, é experimentação (se for entre duas mulheres) ou putaria suja (entre homens).

Então, se eu fosse a Daniela Mercury, ficaria meio chateada de ler uma bobagem dessas, mas depois ia pensar EI! É JUSTAMENTE ISSO!.

O que me chama mais a atenção no trecho, porém, é a crítica à mistura da vida pessoal com política. As feministas da segunda onda já diriam “o pessoal é político“. E, poxa, isso já tem cinquenta anos!

o pessoal é político

A frase tem dois sentidos, dependendo de quem a analisa. Os dois servem pra mim. Um deles é que as decisões que você toma no dia a dia são motivadas por questões pessoais e reverberam socialmente.

Se você decide ir de transporte público pro trabalho ou reage quando um parente babaca fala algo machista no almoço de domingo, você está fazendo política. Você está passando sua mensagem ao mundo e possivelmente está influenciando pessoas.

Parece pequeno quando temos pouca voz dentro de casa, poucos seguidores no Twitter, poucos likes no Facebook. No entanto, sempre tem alguém ouvindo – e talvez o outro esteja esperando alguém se posicionar para encontrar forças para fazer o mesmo.

Outra ideia é que a nossa vida pessoal é influenciada diretamente pela política. Logo, se você sofre opressão, é porque alguém em situação de poder tem a prerrogativa de escolher como as coisas andam.

No caso da Daniela Mercury, temos uma história de homofobia e muito desrespeito aos direitos humanos. É política – e isso influencia na vida dela (e na minha, e na sua).

A cantora não precisava se posicionar. Li e ouvi muita gente dizendo “pra quê? isso não é da conta de ninguém”. Tal argumentação é desconectada do mundo real. Enquanto fizermos do sexo um departamento separado da sociedade, continuaremos vendo tudo de um jeito torto, levando à infelicidade e à frustração.

Só o fato de alguém precisar esconder sua orientação ou preferências quer dizer muito sobre como encaramos o sexo. Precisamos de um diálogo aberto e informativo. Esconder ou demonizar o sexo não impede ninguém de praticá-lo; por outro lado, abre as portas para gravidez na adolescência e DSTs.

Ao assumir publicamente seu relacionamento, e ainda falando como a família aceitou numa boa, Daniela Mercury influencia pessoas e traz à discussão um assunto ainda delicado. Quando eu era bem mais nova, Renato Russo cantou “eu gosto de meninos e meninas”. Foi polêmico. O detalhe é que a música está no As quatro estações, lançado em 1989.

É absurdo ainda estarmos discutindo se é normal ou não o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo mais de duas décadas depois. Por isso mesmo é importante que Daniela Mercury se posicione. E você também.

***

Quero fazer um post/página de “quem sou eu e o que é esse blog”. Mas dentre mais de 500 posts, não sei quais linkar para quem está chegando agora conhecer o Cem Homens. Me ajuda? Me indica quais posts você gosta mais? :)

Ah! Às vezes fica difícil de escrever no blog e eu quero escrever coisas mais curtinhas no Facebook. Muita gente me adiciona no meu perfil pessoal, mas eu o restringi para amigos. Então fiz uma (nova) fanpage. Curte lá?

A ideia é publicar sobre coisas mais genéricas, como, sei lá, músicas e programas de TV. Como meu Twitter, mas sem tanto flood (hihihi).

A fanpage do blog continua existindo, claro, mas para postar links do blog ou de interesse sobre sexo e feminismo.

O número de parceiros e as DSTs

Na época em que eu relatava meus encontros sexuais aqui no blog recebi toda sorte de xingamentos. Uma das “preocupações” das pessoas que jamais conheci era a minha saúde.

“Com tanto homem assim”, era “óbvio” que eu ia pegar alguma doença sexualmente transmissível. O assunto voltou à baila depois do post sobre namorar uma garota de programa.

Nós, as putas, seríamos responsáveis por todo o mal em forma de vírus, fungos e bactérias do mundo. Os moralistas e punheteiros de plantão (nada contra punheta. acho lindo. mas quem SÓ faz isso deve ter problemas) acham que a abstinência sexual os protege de doenças. Bom, a igreja também prega isso – e com esse pensamento se evitam políticas públicas sérias de prevenção.

Daí você pode dizer que uma pessoa que transou com mais de três parceiros no último ano não pode doar sangue. São padrões instituídos, mesmo. Assim como os tatuados também não podem. Moralismo barato ou só cuidado excessivo e necessário?

Não sei dizer.

Só sei contar sobre a minha experiência – personalíssima e divertida pra caramba. Segundo estatísticas, eu tenho uma vida sexual mais movimentada que a média. SEMPRE tive. Não foi algo que surgiu na minha cabeça em 2011 e eu resolvi sair dando por aí.

Não. Sempre, sempre, sempre fui liberada sexualmente. Agora um pouco mais, porque também eu era eivada de machismo.

Pois bem. Eu, euzinha, nunca tive nenhuma DST. Nenhuma. Não tenho HPV, um mal que atingirá de 50 a 80% da população feminina do mundo e é o grande responsável pelo número de casos de câncer do colo do útero.

Já tive, como quase todas nós, candidíase. Você pode nunca ter chegado perto de alguma atividade sexual e pegar cândida. É um fungo, super comum, por exemplo, no verão, por causa do uso das roupas de banho úmidas. A coceira e o odor indicam; você usa um remédio por três dias, fica sem transar nesse período e pronto. Assunto resolvido.

Por que eu, com tamanha variedade de parceiros, nunca fiquei doente? Simples: piranha que é piranha sabe disso. E se liga, se cuida. Eu não transo sem camisinha. Não vou mentir e dizer que nunca aconteceu. Já, já aconteceu, e eu fiquei em pânico depois. Faço exames regularmente, vou à ginecologista, incluo o anti HIV quando vou colher sangue para ver, sei lá, meus hormônios.

Mas eu sei que as pessoas “automaticamente” pensam em doença quando veem uma pessoa mais “dada”. Será que é automático mesmo? Será que as estatísticas realmente mostram que quem transa mais, tem mais chance de contrair doenças? Se formos analisar só o número, friamente, sim. Mas são pessoas, que se comportam de maneiras diferentes – e dispensam ou não o uso de camisinha. Tem gente, inclusive, que tem TESÃO em transar sem proteção não pelo prazer no ato sexual, mas sim pela possibilidade de pegar HIV. Uma espécie de roleta russa dos anos 2000.

Isso tudo ficou muito claro pra mim há alguns anos. Eu transei com um cara comprometido. Noivo. Usamos camisinha o tempo inteiro. Alguns dias mais tarde ele me procurou porque estava com gonorreia. Além de querer me avisar, ele fez um tipo de acusação, como se tivesse contraído a bactéria na nossa relação. Eu não sei com quantas outras pessoas ele havia transado nos últimos tempos, mas sei que ele não usava camisinha com a noiva.

Ah, mas a noiva, aquele ser quase virginal, não poderia ter uma doença tão mundana, né?

Bom, o que eu sei é que EU não tinha.

O que vejo acontecendo é que as pessoas com um suposto relacionamento monogâmico deixam a camisinha de lado. Além do risco das puladas de cerca, o casal tende a fazer isso sem fazer exames e sem considerar a janela imunológica. Um olha para a cara do outro, diz que não tem vontade de sair com mais ninguém, que já estão “há tanto tempo juntos” e simplesmente para de usar preservativo. “No pelo é mais gostoso”, repete-se por aí.

Eu, que comecei a minha vida sexual há zilhões de anos, até concordo que há uma década havia uma enorme diferença entre transar com camisinha ou sem. “É como chupar bala com papel”, diziam. De fato, ainda mais para uma mulher alérgica, não era a coisa mais legal do mundo. Mas as camisinhas mudaram, ficaram mais fininhas, mais seguras e essa sensação melhorou muito. E, cá pra nós, é o que tem pra hoje.

Só que por uma espécie de conveniência os casais ignoram os riscos de contrair alguma doença. Tem homem que acha uma afronta a mulher pedir que ele vá ao médico. Peniscopia? Quem já fez? A mulher vai sempre ao ginecologista, mas e os rapazes?

Um tempo desses fiz uma enquete aqui voltada às mulheres perguntando se elas carregavam camisinhas. Não tenho acesso agora ao resultado, mas grande parte delas disse que isso era obrigação masculina ou que tinham vergonha de andar com preservativos na bolsa. “Coisa de puta.”

Como resultado, uma em cada dez jovens atendidas no SUS tem DST (leia mais aqui, no ótimo blog da minha amiga Mariana Perroni). Conheço mulheres que contraíram HPV com o primeiro parceiro sexual. Aos 20 e poucos anos estavam às voltas com cauterização do colo do útero. Outras viram o sonho de se tornar mãe indo por água abaixo porque já havia evoluído para um câncer.

Elas se acharam acima do bem e do mal porque eram “mulheres direitas”. Daí os homens não necessariamente “direitos” saem com essas moças “acima de qualquer suspeita” e também deixam a camisinha de lado. E assim as doenças são transmitidas.

A não ser que a pessoa esteja num estágio avançado de algumas DSTs, como a gente vê nos livros de biologia, nós não temos como saber se ela está infectada. Por isso, camisinha, sempre. Falso moralismo, nunca.

Ela era uma garota de programa

Ontem conversava com um amigo sobre garotas de programa. Existe uma certa aura de fascínio, fetiche e muito moralismo em cima de quem “vende o corpo”.

Eu tenho muita curiosidade sobre como as coisas funcionam; como cada uma daquelas mulheres decidiu a profissão que ia seguir. Digo “mulheres” porque a prostituição masculina é tabu ainda maior.

Sempre pensei “e quando rola um sentimento?”. Temos casos cinematográficos, tipo Uma linda mulher. Ou ainda aquela a quem fui comparada milhões de vezes, a Bruna Surfistinha. Essas pessoas têm sentimentos, ora ora. E se envolvem emocionalmente.

Um amigo chegou a namorar uma garota de programa. Que ele conheceu durante um programa. Ele escreveu a respeito e compartilha conosco sua experiência:

Eu morava sozinho e em outra cidade, ganhando um bom dinheiro para trabalhar relativamente pouco. Eu era um homem solteiro e disposto a muitas coisas, como a sair em passeios de barcos noturnos com amigos que havia feito havia menos de um mês. Terminei essa noite aos amassos com a menina que lavava minhas roupas numa vila a meia quadra do apartamento que alugava.

Então era um dia de manhã e eu acordei impaciente. Eu entrava no trabalho perto da hora do almoço e ainda teria amanhã inteira em casa. Não lembro particularmente se o anúncio no jornal tinha algo demais, só lembro do nome – Luana. Liguei, ela atendeu, combinei pra dali a meia hora, ela chegou uma hora depois. Luana era linda, era morena, era mignon, era simpática. Sabia gargalhar com desconhecidos de mau-humor dispostos a pagar pelo seu sexo. Sim, eu estava de mau-humor porque ela atrasara e agora eu iria me atrasar.
Não era a minha primeira vez com garotas de programa e não seria a última. Já havia tido experiências ótimas e outras péssimas, e a maioria era simplesmente banal, sexo mal-feito e caro.
Com Luana foi diferente. Tornei a chamá-la um par de dias mais tarde, num horário menos inconveniente. E outras vezes. E por fim ela topou um programa especial, iria de noite e passaria a noite toda comigo, indo embora somente pela manhã. Eu estava apaixonado por aquela moça. Conversamos muito nesta noite e me declarei.
Algo aconteceu após esta noite e passamos a nos falar com frequência por telefone, como fazem duas pessoas que se gostam. E um dia ela apareceu no meu apartamento, num final de tarde e se assumiu minha namorada. Ela me disse seu nome verdadeiro, me mostrou fotos de sua sobrinha, sorriu e me encheu de beijos. 
Luana namorou comigo por seis meses, seis deliciosos meses, devo dizer. Luana gostava de bisbilhotar na agenda do meu celular pelos nomes de mulheres, ciumenta. Ela cursava o segundo grau e estudava de noite, saía das aulas e ia pro meu apartamento, onde namorávamos, ela assistia a novela, reclamava das porcarias que eu cozinhava em casa e dormia aninhada comigo. Ela já havia abortado uma criança e volta e meia um ex-namorado ou coisa do gênero surgia nas conversas, sempre nervoso e violento. 
Luana não algum tipo de tarada louca por sexo. Se você é do tipo que imagina que, por ser puta profissional, a moça é uma ninfomaníaca contorcionista, recomendo cair na real. Luana era uma ótima namorada na cama mas não mais ótima que a grande média das mulheres, e era até discreta, não se dava a orgasmos fingidos, palavrões, gritos. Gostava de carinho e de conversar – e principalmente, de respeito.
O namoro terminou e continuamos mantendo contato. Luana me ligou toda orgulhosa e feliz no dia em que conseguiu emprego numa franquia de lojas, seria vendedora de eletrodomésticos. Ela já havia até sido promovida quando marcamos um almoço para matarmos as saudades e ninguém no restaurante poderia supor que a moça que me fazia companhia na mesa fazia programas através de anúncios de jornal apenas alguns meses antes. Depois de um tempo, nós dois saíamos da cidade.
Luana estava casada e era mãe de duas crianças na última vez que mandou notícias.
O relato do meu amigo desmistifica um pouco a ideia do que seja, em geral, namorar uma prostituta. E você? Namoraria com alguém com essa profissão? E o ciúme? Como lidaria?

O preconceito nosso de cada dia

Peguei um táxi hoje à tarde. Eu e motorista começamos a falar das obras na Rebouças, de como isso era necessário para as próximas eleições. Passamos por ditadura militar. Morar no exterior. Viver longe da família.

E aí ele diz que não conseguiria ficar distante das filhas. Me contou, orgulhoso, que uma delas já estava formada em administração e que a outra havia voltado ao curso de engenharia depois de dar um tempo na carreira musical. Indicou os vídeos da garota cantando no YouTube.

Empolgado, me mostrou uma foto na tela do celular. Ele, uma senhora que obviamente era a esposa, e três jovens moças.

“Ué, mas tem uma mulher a mais aqui”, eu disse.

“É a minha nora.”

“Ah, então o senhor tem um filho também?”, perguntei, achando estranho o fato de até aquele momento ele não ter mencionado nada a respeito.

“Não, ela é mulher da minha filha.”

Fuén.

Fuéééééén.

Um grande FUÉN pra mim, que vivo dizendo que a gente deve ser menos preconceituoso, mas que automaticamente assumi que, se ele tinha uma nora, ele deveria ter um filho homem.

Parabéns, Letícia, por carregar ainda tanto preconceito dentro de si, mesmo lutando pra se livrar de todos os resquícios disso.

Ainda não consegui. Mas sigo tentando.

Eu sou mulher e gosto muito de sexo

Vamos lá, machistas, misóginos e moralistas de plantão: INFARTEM com essa afirmação.

Eu sou mulher, gosto muito de sexo e faço muito sexo.

Não estão satisfeitos? A coisa pode piorar:

Eu sou mulher, gosto muito de sexo, faço muito sexo e lido bem demais com isso. Para completar, eu escrevo um blog a respeito.

Olhem só que merda, hein? Olhem só que coisa fora da curva, que coisa inesperada! Como assim mulher tem desejo sexual? Novidade grande pra você, que ontem fez um papai-mamãe ridículo na sua mulher, usando o corpo dela como um mero orifício: a gente gosta e muito dessa bagaça! O que talvez aconteça é que a gente não gosta de sexo com você, que usa a língua só para falar e ajudar a deglutir, e os dedos apenas para escrever críticas machistas e retrógradas.

Eu gosto de sexo e faço gostoso. Chupo, lambo, transo com dois homens ao mesmo tempo e ainda quero é mais. Falo com desenvoltura a respeito, sem ruborizar nem um segundo. Não tenho vergonha de falar que fui a um sex shop ou que pretendo ir a um show de sexo explícito. É sexo. É natural e é bom pra caralho.

E, ora vejam só: eu não sou prostituta!

As comparações com garotas de programa já cansaram. Eu juro que não me irrito mais com essa (é incrível: a cada porrada que eu tomo, a outra porrada fica pequenininha, pequenininha). Mas não consigo não pensar no caminho louco que a mente de alguém fez para chegar à conclusão de que eu sou prostituta, ou pelo menos deveria ser.

Eu não cobro porque não preciso. Eu não cobro porque faço por prazer. Eu não cobro porque tenho outra profissão. Agora, por quê “garota de programa” é xingamento? São mulheres e homens como nós; não são objetos. Objeto a gente compra no sex shop!

E aí hoje tem um babaca conhecido dos leitores dizendo o que eu deveria ou não fazer. Cobrar ao menos “cemzinho”. Disse que o que eu faço é “prostituição gratuita”. Não existe isso: eu transo de graça porque eu gosto. Triste é ver quantas pessoas aplaudem esse tipo de comentário, especialmente vindos de alguém que contou muitas de suas transas, tratando as mulheres apenas como um buraco.

Me deixo abater? Pra caralho! Eu sou humana e também tenho dias ruins. Quem reclama que eu reclamo devia vir aqui lavar minha louça. Quem de vocês, em uma semana, ficou na home do IG, depois entre as mais lidas da Globo.com e mais tarde INVENTARAM uma entrevista com você? Foi exatamente no período de UMA SEMANA.

Por tudo isso, o que eu quero dizer pros machistas e falsos moralistas é que talvez eu pare esse blog, sim, porque não estou feliz com ele. Mas jamais pararei de ser uma mulher livre, que busca o prazer e que é feliz assim. Isso vocês jamais conseguirão mudar. E há muitas de nós por aí.

Leiam dois posts sobre a merda toda que está acontecendo:

Cynthia Semíramis

Lola 

UPDATE: Copio aqui um email que recebi há algumas semanas. Esse leitor tinha curiosidade de saber quem eu sou. Bom, ele já sabe (é o rapaz que me dá muito trabalho e me aturou na quinta-feira passada, quando aconteceu o lance todo da globo.com):

Procurando quem você é cheguei a conclusão de que Letícias são muitas.
A lista de possibilidades de quem é a verdadeira Letícia na verdade me provou que a Letícia não é você, lendo esse email e digitando atrás desse teclado.
Cada transa, cada dia, cada mulher tem o seu dia Letícia. Seja com o número 3, o número 15 ou os números esquecidos.
Seja com aquele namorado bacana ou aquele ex filho da puta.

Assim como um mistério de Lost, ou o mascarado por trás do V, acho que não estou preparado para descobrir quem você é.
Na verdade acho que não quero descobrir. Ainda não apareceu o décimo negrinho, ainda aguardo a morte desejando ver o seu corpo de intocável e nu, adormecido, como no romance de Gabriel Garcia Márquez.

Vou carregar a Letícia junto comigo, em cada menina que aparece na minha vida.
Seja como amiga, como ficante, sexo casual ou namorada.
Como você mesma diz, você não é “nada demais”, você não é “diferente”.
Você é apenas uma mulher, que tem coragem de fazer o que quer, com a força para admitir e contar.
Existe um pouco de Letícia em cada um desses perfis que encontrei.

Se não existe, deveria.

Um grande beijo.

De um fã, um admirador e alguém que vai ficar com vontade de tomar uma cerveja com você por muito tempo.

E você? Também é Letícia?