O medo do rótulo (e um pouco de lesbofobia, também)

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Um rapaz entrou em contato comigo por e-mail contando a seguinte história:

Ele namora há alguns anos com uma garota e o casal gosta de assistir vídeos pornôs de sexo a três. Segundo ele, a namorada adora vídeos lésbicos. Por tudo isso, eles estão considerando convidar uma outra garota para transar com eles. Ele fez questão de me dizer que a namorada não sente atração por mulheres na “vida real”, só mesmo em filmes.

As perguntas que ele me fez (resumindo bastante) foram:

- Se ela se excita com mulher em vídeo, a namorada é bissexual?

- Se eles fizerem o sexo a três e ela curtir, ela virará bi?

- Ao fazer o sexo a três interagindo com a outra mulher, “será que não pode despertar dali um novo sentimento de prestar atenção em mulheres?”.

Mais importante, repetido à exaustão na nossa troca de e-mails: “ela não quer se ver bissexual, e nem quer sê-lo”.

Eu poderia escrever sobre como no ménage feminino se pressupõe a interação entre as mulheres, enquanto o mesmo não acontece quando são dois caras e uma mulher, e os tabus envolvidos. Também poderia dizer que trazer uma terceira pessoa para a relação é assunto complicado, que pode abalar as estruturas do casal.

No entanto, a insistência do leitor é sobre a possibilidade da namorada dele “virar bi”.

É evidente que existe a possibilidade da namorada dele curtir demais transar com outra mulher. Isso não quer dizer que ela virará bissexual ou lésbica. Porque não é uma vez que vai dizer isso, estampar um rótulo na testa da pessoa.

A orientação sexual de alguém conjuga três fatores: desejo, prática e identidade. Você pode passar a vida inteira fantasiando com alguém do mesmo sexo, mas se nunca acontecer, você não é homossexual. Ou pode se engajar numa brincadeira numa casa de swing, numa suruba, e curtir muito – mas nunca mais encostar sexualmente em alguém do mesmo sexo. Você também não é homo ou bi.

Ser hetero, homo ou bi necessita que você junte os três fatores. Como identidade, pode ser assumir publicamente seus desejos e práticas, pode ser apresentando um/a parceiro/a do mesmo sexo ou de outro, pode ser por meio de outros signos socioculturais, como vestimentas, modo de falar, lugares que frequenta. A sexualidade é muito mais complexa do que “ops, encostei, virei gay”.

Pelo relato do namorado, nada disso na verdade importa à parceira. O medo dela é do rótulo. Ela tem medo de gostar mesmo de mulher e a partir daí viver sua sexualidade com homens e mulheres. E isso seria perfeitamente normal – ela não precisaria chegar ao terceiro item, a “identidade”, e, portanto, ninguém saberia de nada e pronto. Ela manteria a vida sexual em privado, como a maior parte das pessoas faz.

No entanto, ela parece ter pânico do rótulo, daquele que ela mesma colocaria em si (e o namorado, talvez, também). Claro que se perceber a vida inteira como hétero e de repente descobrir novos prazeres pode dar um nó na cabeça de alguns, mas o que me relataram foi um medo quase doentio.

E isso, senhoras e senhores, é lesbofobia pura. Ela não quer ser lésbica porque no nosso mundo ser desviante da norma, deixar de servir ao homem como o ser especial, é malvisto. Ela quer trepar com uma mulher, mas não quer carregar em si a ideia de que gosta de mulheres. Ela ainda nem chegou lá, nem sabe se vai curtir, mas a lesbofobia internalizada é tão forte que chega até mesmo a impedi-la de realizar a fantasia (ou apenas adiá-la).

Eu sei que é clichê, que eu já falei isso um milhão de vezes, mas esqueçam os rótulos. E se você tiver muito medo de um deles (lésbica, gay), pense no que está por trás desse temor. Pode ser preconceito.

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Esqueça o pornô

Há algumas semanas eu recebi um e-mail cujo assunto se repete desde que comecei o blog.

Eis um trecho da dúvida que acomete muitas pessoas:

Resolvi entrar em contato pois me interessei bastante no seu relato sobre ter feito sexo a três com dois homens mais de uma vez. Li que eles não interagiam entre si, mas você poderia me contar com mais detalhes como foi?

Pergunto pois sempre quis muito fazer sexo assim, mas meu sonho mesmo era que fossem dois homens bissexuais, para que eles interagissem comigo e entre si. Porém, toparia fazer mesmo com dois héteros, mas a unica referência que eu tenho de um ménage são os filmes pornôs. Eu acho péssimo como neles a mulher as vezes parece uma boneca inflável no meio dos dois homens, fica mecânico nos filmes.

A leitora tem razão. Nos pornôs mainstream hétero (isto é, sem ser os feministas ou amadores), o foco está no homem. Literalmente. Mostram o pinto sempre ereto e enooooooooooorme, a ejaculação fortíssima, a ausência de sexo oral na mulher, a penetração feita com facilidade, mesmo que seja anal e, como dito antes, o pinto seja gigantesco.

Eu tenho muitas restrições aos filmes pornôs feitos dessa maneira. Não tô nem aí se não tem “historinha”. Vivem dizendo que mulheres precisam de um roteiro, um contexto, diálogos bem trabalhados para se excitarem. Obviamente não tem algo que deixem bilhões de nós com vontade de fazer sexo. No entanto, eu me excito só com aqueles videozinhos pequenos de poucos minutos – ou até segundos – que rolam no Tumblr.

Sem diálogo, sem roteiro super bem elaborado, sem historinha. Sexo em estado puro – mas verossímil. Eu não sou uma mulher peitudíssima (quero dizer, sou, mas é diferente), com piercing no umbigo, unhas postiças pintadas com francesinha, cabelo loiro liso e berros descontrolados na hora do orgasmo. Que nem sempre vem, é bom apontar.

Portanto, fica difícil se identificar com os atores e atrizes. Eu não sou daquele jeito, meus parceiros não são daquele jeito. A situação piora quando analiso cenas como a descrita pela leitora. A mulher como boneca inflável. Como sentir tesão se a ideia é de que, se fosse eu, seria jogada pra lá e pra cá como um objeto? Onde estaria minha participação isso? E os meus desejos? E os eventuais desconforto e dor?

O problema é que as pessoas encaram o pornô como representação da realidade. Perdi a conta das vezes em que perguntaram: “fez dupla penetração?” quando mencionei curtir mais de um cara durante o sexo.

Não, nunca fiz, nem tenho tesão na prática. Mas não rolou porque a situação não nos levou a isso. Nem sempre os dois caras estão excitados e eretos ao mesmo tempo, só para citar uma das coisas que de fato acontecem.

Além de ambos precisarem estar com bastante vontade, EU também precisaria querer. Eles teriam que respeitar meu desejo (e sempre respeitaram), assim como teriam de aceitar caso eu quisesse parar no meio.

Foi o que respondi à leitora: que só poderia rolar o que todo mundo concordasse. Ela ficou aliviada: “Fiquei feliz em saber que a DP nem foi necessária. Ter que fazer algo assim era um grande receio meu.”.

Ninguém tem que fazer nada no sexo. Pode ser que um parceiro não curta algumas das suas preferências, e aí vale colocar na balança se está sendo bacana continuar com alguém com quem você não se satisfaz sexualmente. Porém, tudo, absolutamente tudo deve ser consensual. Essa é a primeira regra. E uma das outras é: esqueça o pornô.

E-mail da leitora: A vontade (e a pressão) do ménage

Sempre tenho a impressão de que vocês sabem exatamente qual a resposta certa quando me mandam e-mails com dúvidas. Mas entendo que às vezes a gente precisa ouvir do outro – e por isso coloco aqui no blog a mensagem recebida há alguns dias (com a permissão da leitora).

Tenho 19 anos e uma vida sexual até que bem ativa, se levarmos em consideração que vejo meu namorado quase todo final de semana.

Recentemente encontrei seu texto sobre o ménage, e é uma coisa que eu e meu namorado estamos discutindo ultimamente. Por favor, posso desabafar aqui? E você tenta me ajudar?

Ele é mais velho que eu, tem 24 anos, e já fez ménage com duas garotas. Estamos juntos há pouco mais de 4 meses, mas antes mesmo de começarmos o namoro eu já havia lhe confidenciado que fantasiava com o ménage com dois homens, e que um dia iria fazer com alguém. De uns tempos pra cá ele começou a dar essa ideia, falou que quando eu quisesse ele conseguiria arrumar o outro cara, que já tinha até quem fosse em mente. Enquanto eu falo que ainda tenho receio e medo, com muitas dúvidas e um pouco de trava, ele me incentiva falando que vai ser gostoso, que vou aproveitar e adorar, que o negócio é não pensar muito (não concordo, não gosto de fazer as coisas sem pensar, ainda mais um ménage!!); ele fala que se eu não quiser na hora ou não estiver gostando, os dois vão respeitar e parar, mas será mesmo? Tipo, é complicado pro homem se conter quando já está a ponto de bala, imagina dois?? Ou será que é mais fácil do que imagino?

Vê? São muitas dúvidas!!
Como fica a situação depois? Depois da transa, há troca de carícias entre os três, ou devo ficar assim só com meu namorado? Eu tenho tendência a ficar muito sensível depois, e ficar assim no meio de dois homens me dá muita insegurança… E se for um amigo dele, vamos nos encontrar em outras ocasiões, e como fica o clima? Meu namorado falou que as coisas em público e entre quatro paredes são diferentes… Quer dizer, se o outro cara quiser me abraçar ou me dar um beijo, tudo bem se eu não quiser? E, se eu me recusar a fazer isso, o que eles vão pensar? “Porra, a mina transou com a gente, mas recusa um beijo” algo assim..

Eu sinceramente estou morrendo de tesão pela ideia, claro! E quero muito realizar, um dia… A única coisa que eu tenho certeza é de que não vou fazer nada que eu não tenha certeza!!! Mas meu namorado meio que fica forçando quando a gente entra nesse assunto… Recentemente discutimos sobre isso, ele falou que um dia vai fazer isso de surpresa comigo, pra que eu perca o medo. Não gostei, mesmo! Falei que se ele fizesse isso, seria capaz de eu ter uma crise de choro e ficar ultra magoada com ele, pensando até em terminar o namoro pela falta de respeito. O pior é que quando eu falo isso, ele fica naquela manha “Tá bom, não toco mais nesse assunto, não falamos mais nisso, nunca vamos fazer isso e ponto final, você nunca vai estar preparada” e etc etc.

Vocês bem sabem da minha predileção pela prática do sexo a três. O que vocês não sabem é que eu, quando tinha a idade da leitora, não sentia a menor vontade de fazer isso. Um pouco mais velha, bateu a curiosidade. Fiquei cheia de grilos, como ela. Não fui em frente. Anos se passaram sem que eu sequer pensasse no assunto.

Até que eu fiz e gostei. E gosto. Portanto, a primeira coisa que é preciso pensar é que não é necessário ter pressa. Tampouco ficar adiando pra sempre, mas a leitora não tem nem 20 anos! As coisas devem acontecer quando estamos preparados pra ela (ou, pelo menos, achamos que estamos).

Faço questão de repetir uma frase usada pela leitora: ” é complicado pro homem se conter quando já está a ponto de bala, imagina dois?”. Homem não é bicho; se ele “não se contém”, ele é um criminoso. A maioria de nós – homens e mulheres – temos desejos sexuais, mas não saímos por aí agarrando ninguém à força. Criou-se essa ideia de que homens são naturalmente “tarados”, no sentido ruim da coisa, para justificar a violência sexual.

A primeira coisa que uma mulher que deseja fazer sexo a três precisa é de SEGURANÇA. Ela precisa ter certeza de que não terá que fazer nada contra sua vontade. Nada mesmo. E que, caso um dos participantes insista ou tente obrigá-la, terá alguém no quarto para defendê-la.

Se a leitora ainda tem dúvidas sobre isso, eu sinceramente acho que não é o momento de se envolver numa situação dessas. É pra ser prazerosa. Ficar ansiosa e um pouco nervosa é normal. Amedrontada, jamais.

Outra coisa que me incomodou no posicionamento do namorado da leitora é ele dizer que vai fazer de surpresa e ficar insistindo no assunto, culpando-a como se ela tivesse algo de errado por não estar preparada ainda.

O modo como vivemos nossa sexualidade é muito íntimo e subjetivo. Não é o parceiro que deve impor algo. Claro que quando estamos num relacionamento nós nos adaptamos, mas nada deve ser feito com coerção.

Sobre o “depois” do ménage, não há regra. Tudo depende do momento, de com quem você está fazendo, de qual sua relação com aquelas pessoas. Mas se você não está preparada para encarar o outro num evento social, talvez seja melhor repensar a escolha do terceiro. Encontrar alguém online, sem nenhuma ligação com o casal, pode ser uma boa saída.

E no próprio relacionamento, como fica? Seu namorado vai querer algo “em troca”? E o ciúme? Você se sentirá à vontade para gozar com outro cara na frente dele?

É muito legal ter um parceiro com quem a gente pode conversar sobre essas coisas abertamente, sem julgamentos ou vergonha. Porém, esse mesmo parceiro deve respeitar o nosso tempo, o nosso momento, os nossos grilos. Claro que não podemos antecipar 100% o que irá acontecer, mas se estamos seguras do que fazemos, a coisa flui melhor. E aí, só aí, sem pressões, sem medos e sem insegurança, é que podemos viver plenamente nossa sexualidade.

A diferença entre a fantasia e a realidade: ménage

A sexóloga Regina Navarro Lins, autora de A Cama na Varanda e d’O Livro do Amor, sempre diz: fantasia pode ser só fantasia, não precisa virar realidade.

Eu não sei se eu concordo muito com ela; sou mulher de fazer, não de sonhar, pelo menos no que se refere a sexo. Também acredito que precisamos nos livrar de certas inibições. Muitas vezes, o que impede alguém de realizar fantasias é “e se alguém descobrir?”. Livrar-se dessas amarras sociais é dificílimo, eu sei, mas a vida sexual de alguém só diz respeito a ela.

A fantasia que as pessoas confessam pra mim com maior facilidade é a de fazer sexo a três. Vocês sabem que eu curto muitíssimo, mas quando aconteceu a primeira vez eu não havia pensado muito sobre. Fiquei com bastante vergonha no início, dei uma ligeira travadinha… e depois me soltei e aproveitei muito.

As coisas foram se encaixando, rolando naturalmente, como o sexo tem que ser. Sem regras* intransponíveis. Você vai testando, tocando, lambendo, e, enquanto for consensual, vai em frente.

Porém, há questões que devem ser respondidas – por você e para você – de antemão. Quando o ménage envolve duas garotas e um cara, o homem sempre pressupõe que as mulheres irão interagir entre si. Ele quer vê-las. Como se elas estivessem ali só para fazer um show. Se elas curtirem, ótimo, divirtam-se.

Se o sexo a três envolver dois caras, aí a coisa muda de figura. Em geral eles não se tocam. Muitas mulheres com quem já conversei aqui no blog assumem que achariam estranho se o parceiro se engajasse em algo sexual com o outro homem. A bissexualidade masculina é muito mal vista. Podemos falar disso em outro momento – o assunto rende!

Pego nesse ponto porque esses dias falei com um cara que queria fazer sexo a três. Ele, um amigo, e uma garota. Fiz algumas perguntas simples.

- Depois de ela chupar seu amigo, você vai beijar ela na boca?

- Se ela quiser chupar vocês dois ao mesmo tempo, você topa?

- Beijo triplo, rola?

- Você vai masturbá-la ou fazer sexo oral nela se o seu amigo a estiver penetrando?

Ele só gaguejava e respondia que não. Um belo dia ele decidiu que ia fazer sexo a três e pronto, achou que ia ser fácil assim. Quando fiz a pergunta do boquete e recebi uma negativa como resposta, questionei como iam fazer. “Ela vai ter que escovar os dentes depois, ou nem isso basta? Só vê-la chupando seu amigo vai fazer você não querer beijá-la na boca nunca mais?” O moço não soube responder.

Disse, então, que ele talvez não estivesse preparado para fazer o ménage. Porque, por mais que as pessoas do mesmo sexo não se toquem, haverá toques mútuos, o que adolescentes babacas chamam de “beijar/pagar boquete por tabela”.

Mudo as perguntas um pouquinho para quem está me lendo agora: você, mulher heterossexual, está preparada para ver seu parceiro gozando com outra mulher? Mesmo se ele não for seu parceiro, seja um cara que você mal conhece, você ficará intimidada com a presença de outra? E se forem dois caras? Você vai achar “estranho” se eles se pegarem? Se for seu namorado, a relação de vocês vai continuar igual depois disso?

Se você não está preparado pra responder com segurança, não está preparado para o sexo a três. Talvez aí Regina Navarro Lins esteja certa: é coisa para ficar no campo da fantasia. (e se estiver preparado, call me maybe.)

 *a não ser que seu tesão esteja, é claro, justamente em ter regras.

Meninas que não sabem se gostam de meninas

Outro dia duas leitoras levantaram uma hipótese: ambas sentem vontade de fazer um ménage MFF* e pensam que, talvez, o que elas queiram mesmo é interagir com outra garota.

Primeiro, devo dizer que ménage, mesmo quando é ruim, é bom (na minha experiência!). Quem me lê há muito tempo deve lembrar do que falei sobre a minha primeira vez a três. O tesão era tamanho que se colocassem qualquer ser por ali (usei o exemplo do Humpty Dumpty, de Alice no País das Maravilhas) eu ia beijar, lamber, fazer o que tivesse de fazer.

Mas acabou não sendo bem assim. Na vez que fiz um ménage com outra garota, eu não curti. Eu não me incomodei com ela ali; simplesmente não me deu tesão. Definitivamente não me sinto atraída sexualmente por mulheres.

Várias leitoras, por outro lado, adoram isso. Rola aquele clichezão de que “mulher é que sabe chupar outra mulher” e etc. Eu continuo preferindo um homem que saiba chupar uma mulher.

O legal do ménage é aquele montão de mão e de língua. É tipo um parque temático, mas não um Magic Kingdom, com suas montanhas russas bonitinhas mas que não viram de cabeça pra baixo. É uma vibe mais Six Flags.

Então, se a pergunta é se devem ou não faz um ménage, eu devo responder que – pela minha experiência personalíssima – sim.

Mas será que, de fato, é uma espécie de “disfarce” para transar com outra garota? Talvez. Uma das leitoras relatou que sente muito tesão em ver filmes pornôs de lésbicas.

Possivelmente transar com outra garota com o namorado ao lado traga algum tipo de conforto ou segurança a essas leitoras. Ao mesmo tempo, elas talvez sintam a necessidade de não se auto encararem como lésbicas, como se esse rótulo fosse necessário. As nossas escolhas sexuais não nos definem. Não existe (ou não deveria existir. eu sei que o mundo real é bem diferente) essa coisa de alguém ser pervertido ou sujo só porque foge do papai-mamãe.

Conheço homens que só interagem com homens durante ménage/suruba. O  mesmo acontece com mulheres. Em muitos casos, essa interação não acontece em todas as transas. As pessoas se guiam pelo tesão, sem considerar muito o que se vai pensar a respeito. Sexo é para curtir, não para criar encucações desnecessárias. Você se respeitou e usou camisinha? Ponto final, não há nada a ser discutido.

Mas deixo aqui uma pergunta às leitoras, certa de que elas voltarão por aqui: vocês têm medo de se verem como bissexuais? E se forem, o quê isso muda nas suas vidas? Não é muito melhor saber exatamente o que te dá tesão e te faz feliz?

*Começando uma espécie de glossário por aqui.

Ménage é o sexo a três. A sigla MFF significa duas mulheres (female) e um homem (male), assim como o MMF é o de dois homens e uma mulher.

Dupla penetração, essa superestimada

É batata. Quando você diz que fez (ou que quer fazer) sexo com dois homens, a primeira pergunta que fazem é se você aguenta uma dupla penetração. Pois eu devolvo a pergunta aos homens: você aguenta ficar de pau duro com outro cara na jogada?

Fiz ménage com dois homens três vezes. Contei sobre elas aqui no blog. Na primeira, eu super toparia que colocassem coisas onde quisessem. Mencionei ontem quão enlouquecida de tesão eu estava. Lembro perfeitamente do momento em que estava por cima do irmão mais velho, e ele pedia para o mais novo vir por trás e me penetrar também.

Bom, acho que todo mundo sabe que para fazer sexo anal é preciso que o pênis esteja bem ereto. E, naquela ocasião, o irmão mais novo não conseguia manter a ereção delícia por muito tempo quando estávamos a três. Aconteceu de novo nas duas outras vezes, com rapazes diferentes. O Eduardo* não se abala, mas os dois amigos dele sempre ficaram “meia bomba”, como se diz por aí.

Não sei se rola uma disputa, se um fica com vergonha porque o pênis é menor, ou se ficam tensos porque gozaram mais rápido que o outro cara. Só sei que nas três vezes a dupla penetração seria impossível, e não por questões minhas.

Nenhuma das minhas amigas jamais admitiu ter feito ménage com dois homens. Então, a experiência que vale aqui é a minha, que soa quase como inexperiência. Afinal, três transas não dão uma ideia de como os homens se comportam em um momento como esse. Mas, comigo, um dos caras sempre dá mais trabalho, precisa ser mais beijado, elogiado, chupado. Não estou reclamando. De jeito nenhum!!! Amei duas das vezes, e detestei a terceira porque o cara era super afoito. Ele era o problema, não o ménage. Mas vamos combinar que esse lance de dupla penetração, pra mim, parece coisa de filme pornô. E só. Confesso preferir estar enganada e, quem sabe um dia, ser comida ao mesmo tempo por dois homens muito gostosos. E, quando isso acontecer, prometo contar tudo pra vocês.

*Eduardo era um velho conhecido aqui do blog (e, agora, do livro). Foi um dos parceiros constantes que tive em 2011.

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