Proteção no sexo anal

O leitor Fernando fez o seguinte comentário no post Aqui ninguém toca!:

Letícia,

Eu tenho uma dúvida com relação a sexo anal com minha namorada. Tenho um relacionamento estável, de quase três anos, e a gente tá conversando muito e vai experimentar o anal. Somos jovens, e eu fui a primeira vez dela e ela tbm a minha primeira vez.

Um dia eu tava fazendo um oralzinho gostoso nela e, quando ela gozou, tirou minha cabeça ali da posição que eu tava, pra parar de chupar ela mesmo, pq ela não tava aguentando mais. E claro, com jeitinho eu saí e tudo, mas como ela tava de quatro, linda e se acabando de gozar, eu não aguentei.. ela gozando comecei a chupar o cuzinho dela (algo que eu nunca tinha feito antes e nem ela recebido), e eu gostei muito, e senti que ela também amou, gemeu muito.

Depois, qdo a gente foi conversar, ela me falou que se surpreendeu, até pelo preconceito que tinha com relação a isso e que adorou… não usamos camisinha (ela toma remédio), temos um relacionamento muito bom, a gente se ama muito, temos quase dois anos e meio de vida sexual, eu nunca traí, acredito muito no nosso relacionamento, amo muito ela, e acredito que ela pensa da mesma forma.

Mas aí fica uma pergunta: devo usar camisinha no sexo anal com ela? Já li em alguns artigos na internet que devo sim, sempre, pelos riscos do sexo anal, já que é uma região muito vascularizada e tudo, e jamais introduzir o penis na vagina da minha parceira depois que eu tiver introduzido no ânus, o que eu sei, faz muito sentido. Mas essa regra também vale pra gente, que vive um relacionamento estável?

Quando ela falou que ia pegar uns produtos na farmácia que ela trabalha pra gente tentar o anal, eu pedi pra pegar umas camisinhas também, e ela me perguntou se eu tinha nojinho.. eu falei que não, não tenho mesmo, e expliquei a situação toda.. somos muito bem resolvidos sexualmente, esclarecidos, somos universitários, eu faço fisioterapia e ela enfermagem, e na área da saúde lidamos com sexologia também.. mas vc acha realmente necessário usar camisinha em sexo anal pra quem vive um relacionamento estável?

Eu não vou tapar o sol com a peneira e fingir que casais juntos há mais tempo sempre transam com camisinha. Sabemos que não é assim. Acho que todos sabem que existe o risco de traição, né? Acredito que quando se está apaixonado rola aquela convicção que o namorado/marido não está pulando a cerca. Por causa disso, o número de mulheres da terceira idade infectadas com o HIV tem aumentado muito – o vírus é transmitido pelos próprios maridos.

Mas digamos que você quer correr esse risco. O fato de você ser monogâmico e ter nenhuma ou quase nenhuma experiência sexual não quer dizer que você não tem alguma doença sexualmente transmissível. Lembrem-se que há outras formas de contágio, como agulhas infectadas. E se usam agulhas em tatuagens, no dentista e para furar a orelha! Portanto, antes de tomar essa decisão é imprescindível fazer uma bateria de exames, incluindo hepatite e hpv.

Está tudo ok?

Decidiram transar sem camisinha mesmo?

Vamos ao sexo anal, então. E pra isso peço ajuda a Sue Johanson, aquela apresentadora do GNT que fala sobre sexo. No livro ABC do Sexo, ela fala sobre sexo anal. Copio alguns trechos abaixo:

Além dos riscos das DST, Sue diz que “você pode pegar herpes ou verrugas venéreas em volta e dentro de seu reto, doenças dolorosas e difíceis de tratar, contrair sífilis ou gonorreia retal, para as quais há tratamento, mas que não são nem um pouco legais”.

A grande possibilidade do contágio deve-se à fina membrana do reto, além da vascularização que o próprio leitor se referiu. A cicatrização no reto não ocorre facilmente, então é possível que exista alguma ferida ali dentro. Mais Sue: “Há a remota possibilidade de que uma fístula (ou canal) abra-se, permitindo que as fezes entrem na cavidade abdominal ou na vagina, o que geralmente causa uma infecção terrível e precisa de tratamento cirúrgico”. Ah, e lembrem-se das hemorróidas também (sexo anal não dá hemorróidas, mas se você já tem, ela pode ficar mais dolorida).

Então, sim, é preciso usar camisinha no sexo anal. Até porque pode ser que seu pau saia lá de dentro sujo de cocô, e o preservativo pode poupar um certo constrangimento. A dica do Fernando também é valiosa: jamais introduza o pênis dentro da vagina com a mesma camisinha usada no sexo anal. Mesmo que sejamos limpíssimos e saudáveis, rolam umas bactérias que podem dar infecção grave na garota. Sem camisinha, aliás, o homem também pode ter a uretra infectada.

Camisinha sempre.

***

Na caixa de comentários há um campo para vocês colocarem seus emails. Eu peço que vocês escrevam o endereço certinho. Às vezes tenho vontade de alongar alguma conversa, tirar dúvidas, mas não sei como entrar em contato com vocês. O email jamais será revelado, prometo!

Relato do leitor: Inversão

Uma leitora enviou relato sobre inversão. Eu nunca pratiquei, e tenho vontade. Quero também colocar o relato de um homem que curta a coisa. Se quer ver sua história aqui, mande a mensagem para [email protected] Por favor, nada de continhos eróticos. Faça uso de pontuação e espaçamento de parágrafo; fica mais fácil de ler. 

Só descobri que realmente não possuo nenhuma encanação nem repressão, sexualmente falando, com meu ex. Existem casais que se dão bem em tudo, mas na cama parecem a Sibéria, fria e sem graça. Nós éramos o oposto: nos dávamos mal em quase tudo, porém na cama estávamos na linha do Equador, quente até não agüentar, sem nenhuma proibição.

O sexo era normal no começo, mas a partir do momento em que confessei a ele que gostava muito de sexo anal, ao ponto de gozar mais rápido e mais intensamente fazendo isso, as coisas mudaram. Uma noite, após me comer de quatro até eu não agüentar mais, ele me mostrou seu brinquedinho particular e me pediu que fizesse com ele o que ele acabara de fazer comigo. Fiz. E me surpreendi ao sentir prazer vendo-o se contorcer enquanto era penetrado e chupado… Até então, pra mim um homem que gostasse disso era gay.

Nosso próximo passo foi comprar um brinquedinho um pouco maior. Sinto imenso prazer em ser controlada (submetida?) na cama. Gosto que me algemem, me amarrem, me comam de quatro, façam anal. Descobri que gosto também de estar no papel de quem submete: gostava muito de vendá-lo, algemá-lo e fazer inversão. Apesar de ser um tabu pra muitas mulheres, estar no controle da situação e ver o outro se contorcendo de prazer é muito, muito bom!

Nunca usamos strap on (aquilo que chamam de cintaralho), mas testamos outra coisa que foi bem legal e vende em qualquer sex shop: pênis de duas cabeças (não sei o nome daquilo). Esse brinquedinho serviu pra nós dois ao mesmo tempo: ambos sendo analmente penetrados e ele comendo minha buceta. Ainda não experimentei dupla penetração com dois homens, mas assim desse jeito que testei foi muito bom.

Nunca mais pratiquei inversão depois que terminamos e, nas poucas vezes em que arrisquei um fio terra o sujeito se ofendeu e começou a falar que isso é coisa de gay. Não acho que seja coisa de gay, é só mais uma forma de sentir prazer. Fisiologicamente, o homem sente prazer anal sim, só que a fisiologia não é socialmente aceita nem por homens e nem por mulheres. Continuo amiga desse ex e ele me disse que foi chamado de gay por mulheres com as quais quis fazer inversão e pelos amigos aos quais confessou gostar disso. O interessante é que de gay ele não tem nada e não sente nenhuma atração pelo mesmo sexo.

Esse breve relato é só pra dizer que não deveria haver tabus e proibições na hora do sexo. A única proibição aceitável, ao meu ver, é transar sem camisinha – isso sim devia ser proibido. As pessoas perdem muitas oportunidades de ter e dar mais prazer devido a convenções sociais hipócritas e ridículas. Uma pena.

Concordo totalmente com a leitora sobre essa quebra de paradigma. Eu não acho que você precise fazer tudo na cama. Se você não tem tesão em alguma coisa, ok, não faça. Mas os rótulos não ajudam em nada, absolutamente nada. No post anterior algumas pessoas disseram que é com o fio terra/inversão que o cara assume a homo/bissexualidade. Isso é bobagem. E, caso seu parceiro seja mesmo gay, você quer que ele continue com você por qual razão, mesmo? Prefere que ele se mantenha com você, vivendo de maneira infeliz, do que assumindo sua orientação sexual? 

Os apetrechos que a leitora se refere podem ser encontrados nos links abaixo. São links de sex shop, então cuidado ao abrir no trabalho!

Strap-on (a tal cinta, com infindáveis modelos, cores, materiais)

Strap-on com vibrador (amei isso!!! quero, quero, quero!)

Pênis de duas cabeças

Divirtam-se!

Dupla penetração, essa superestimada

É batata. Quando você diz que fez (ou que quer fazer) sexo com dois homens, a primeira pergunta que fazem é se você aguenta uma dupla penetração. Pois eu devolvo a pergunta aos homens: você aguenta ficar de pau duro com outro cara na jogada?

Fiz ménage com dois homens três vezes. Contei sobre elas aqui no blog. Na primeira, eu super toparia que colocassem coisas onde quisessem. Mencionei ontem quão enlouquecida de tesão eu estava. Lembro perfeitamente do momento em que estava por cima do irmão mais velho, e ele pedia para o mais novo vir por trás e me penetrar também.

Bom, acho que todo mundo sabe que para fazer sexo anal é preciso que o pênis esteja bem ereto. E, naquela ocasião, o irmão mais novo não conseguia manter a ereção delícia por muito tempo quando estávamos a três. Aconteceu de novo nas duas outras vezes, com rapazes diferentes. O Eduardo* não se abala, mas os dois amigos dele sempre ficaram “meia bomba”, como se diz por aí.

Não sei se rola uma disputa, se um fica com vergonha porque o pênis é menor, ou se ficam tensos porque gozaram mais rápido que o outro cara. Só sei que nas três vezes a dupla penetração seria impossível, e não por questões minhas.

Nenhuma das minhas amigas jamais admitiu ter feito ménage com dois homens. Então, a experiência que vale aqui é a minha, que soa quase como inexperiência. Afinal, três transas não dão uma ideia de como os homens se comportam em um momento como esse. Mas, comigo, um dos caras sempre dá mais trabalho, precisa ser mais beijado, elogiado, chupado. Não estou reclamando. De jeito nenhum!!! Amei duas das vezes, e detestei a terceira porque o cara era super afoito. Ele era o problema, não o ménage. Mas vamos combinar que esse lance de dupla penetração, pra mim, parece coisa de filme pornô. E só. Confesso preferir estar enganada e, quem sabe um dia, ser comida ao mesmo tempo por dois homens muito gostosos. E, quando isso acontecer, prometo contar tudo pra vocês.

*Eduardo era um velho conhecido aqui do blog (e, agora, do livro). Foi um dos parceiros constantes que tive em 2011.

Leia também Caralho dói pra caralho 

Caralho dói pra caralho

Antes que me xinguem de vulgar, devo dizer que a frase-título do post não foi escrita por mim, mas sim por Caio Fernando Abreu, um dos escritores brasileiros mais bacanas que já li. Em Pela noite, Caio F. diz:

Tem a dor, a puta dor. Caralho dói pra caralho. Tem uns jeitos, uns cuspes, uns cremes. Mas é nojento pensar que o pau do outro vai sair dali cheio da sua merda. Mesmo nos casos mais dignos, você consegue imaginar Verlaine comendo Rimbaud?

Tinha 19 anos quando fiz sexo anal pela primeira vez. Namorava há pouquíssimo tempo e tinha experiência sexual quase nula. Estávamos eu e o tal namorado de semanas transando na minha então cama de solteira. Depois do sexo, deitamos de conchinha. O que eu não sabia é que o pau dele NÃO fica mole após gozar. Ele entendeu, portanto, que eu queria fazer sexo anal. Começou a se roçar em mim e eu deixei. Foi ótimo; cheguei muito perto de gozar. Ele sabia muito bem o que estava fazendo: não forçou a barra e me deixou guiar a situação.

Depois disso tive poucas experiências de sexo anal, se compararmos com a quantidade de vezes que transei. Logo depois desse namorico, namorei dois anos um cara e sempre fazíamos anal. Eu não curtia. Não chegava a achar ruim, mas também não me divertia. Ficava tão paranoica com aquela sensação de que algo errado ia acontecer assim que ele tirasse o pau de dentro de mim que não conseguia relaxar. Algum tempo mais tarde me envolvi com um cara bem mais velho (já quase quarentão, enquanto eu tinha uns 24 anos), com um pauzão grande e grosso – e com ele, sim, eu gostava. Adorava. Até o dia em que ele me machucou. Não foi de propósito (ele era bastante gentil e educado), mas cheguei a sangrar. Fiquei meio traumatizada, e ainda hoje fico com medo de me ferir de novo. Dos 27 homens com quem transei esse ano, alguns tentaram e poucos conseguiram. Acho que só o 3 “logrou êxito” na empreitada. A maioria, é verdade, não tem nem noção de como começar a fazer.

Recebo emails de vez em quando pedindo dicas de como fazer sexo anal. Não sou profissional da coisa, mas posso tentar ajudar. Fiz uma lista de 10 pseudo-dicas de como começar a brincadeira, segundo minha experiência e o feedback dos leitores. Cada um tem de achar seu jeito. Sexo anal pode ser bem gostoso.

Dica 1

Essa é a principal e que deve sempre ser observada: você deve estar quase implorando para ele te penetrar por trás. O tesão tem de ser gigantesco, se não é muito difícil relaxar. Não adianta tentar para agradar – você pode até conseguir enfiar alguma coisa, mas a garota não vai curtir (a não ser, claro, que a dor seja excitante para ela. Não é o meu caso).

 Dica 2

Lubrificação é essencial? Não diria essencial, mas ajuda muito. Essa primeira vez que fiz, por exemplo, não usamos nada. Mas o pau dele era meio pequeno e não era grossão. Pelamordedeus, não cuspam na bunda da garota. Um lubrificante custa cerca de R$ 8 e dura pra caramba. O pênis tende a “escorregar” do buraco certo, então preste atenção no que você está fazendo.

Dica 3

A melhor posição, para mim, é de lado, mas eu não sou a maior fã de ficar de quatro, também, mesmo em penetração vaginal. As mulheres geralmente gostam de “guiar” a penetração. Assim, tudo o que o homem precisa fazer é ficar lá paradão, de pau duro, e a garota vai se encaixando. Fica mais fácil do que berrar “Ai, tá doendo” a toda hora.

Dica 4 

As expressões “cagar no pau” e “passar cheque” existem por uma razão: isso acontece mesmo. Nunca rolou comigo, mas conheço relatos constrangedores disso. Por mais natural que seja, MORRO de medo de acontecer comigo. Não sei onde iria enfiar a cara. Bom, no meu cu é que não seria. Dói muito.

Dica 5

Tem como evitar o tal “passar cheque”? Não sei. Tenho amigas defensoras da lavagem intestinal, mas nunca fiz e não tenho certeza se isso é saudável. Prometo perguntar à minha médica na minha consulta do fim desse mês. Há quem seja adepto do chuveirinho do banheiro antes do sexo anal, também. Eu não faço nenhuma preparação. Se você está com vontade de fazer cocô, por favor, não invente de fazer sexo anal, né?

Dica 6

“Vou lamber, chupar e beijar o cu dela para ‘amaciar’.” Pode até funcionar com outras, amigão, mas comigo não rola. Tenho agonia de alguém lambendo meu cu, confesso. Acho que vou começar a cagar no pau já ali, e fico teeeeeeeeensa. Mas funciona com algumas meninas. Conselho: lamba, chupe e beije a parte da frente, também conhecida como clitóris, para deixar ela enlouquecida (lembra da dica 1? é preciso estar com MUITO tesão).

Dica 7

“Fico com a sensação de que vou fazer cocô durante o sexo anal. É normal?” Pense bem: aquele buraco ali é para alguma coisa sair, certo? Quando você usa sua musculatura no sentido contrário, dá uma agonia, uma sensação de que algo não está certo. Depois de um tempo, você consegue identificar que está tudo sob controle, mas no início pode ser angustiante.

Dica 8

“Por quê eles sentem tanto prazer em dar o cu e a gente não?” O prazer dos rapazes é físico por causade uma glândula que eles têm ali. Na gente, a coisa é mais psicológica – por isso é importante estar no clima para fazer anal.

 

Dica 9

Camisinha SEMPRE. Não é porque você não engravida pelo cu que não deve usar. É muito mais perigoso pegar alguma doença com sexo anal do que com vaginal. Jamais, sob hipótese alguma deixe que ele penetre você pela frente depois de ter entrado atrás. A gente aprende a se limpar no banheiro da frente pra trás, né? Pois é.

Dica 10

“Dar o cu é coisa de puta e de homem dominador.” Se você ou seu parceiro acham isso, vocês não merecem experimentar os prazeres de uma boa foda. Aliás, não saberia dizer nem o motivo pelo qual você está lendo esse blog.

E você, leitor querido, tem alguma dica para nos dar? Por falar em dar, gosta de anal? Fez, nunca fez, faz com frequência? Me conte aí. Nunca fui tão sincera em um post, seja você também nos comentários.