Você não é prato do dia

Durante o feriado rolou mais uma propaganda bizarra da Axe. Nós já sabemos que eles coisificam as mulheres, como se fossemos objetos, mesmo. Nem estou falando de “objeto sexual”, não, mas sim de uma coisa, um enfeite, um peso de porta.

Além de sermos colecionáveis, agora também estamos num cardápio. A “gracinha” no Facebook era a seguinte (infelizmente não salvei e já saiu do ar): “homem não tem agenda de telefone, tem cardápio”.

Feio demais uma empresa se posicionar dessa maneira. É aquilo que já conversamos: essas peças publicitárias passam por um montão de gente até chegar ao público. Ninguém percebe como são equivocadas?

No entanto, é preciso dizer: apesar de ser tosquíssima, a peça representa, sim, o pensamento de parte da população. Muitas das leitoras do blog chegaram aqui por meio de um texto difamatório postado em um outro blog em que o autor SEMPRE chamava as mulheres de “lanchinho”.

Pra ele, a agenda telefônica é, sim, um cardápio.

Muita gente vê o parceiro de sexo casual como uma coisa. Quem leu meu livro viu como eu trato meus moços. Mesmo que seja apenas sexo (e isso já é muita coisa), eles não se transformam em pintos voadores. Não há nada de errado em não pretender namorar com quem você está transando, desde que as intenções estejam muito claras.

Quantas vezes eu fiz sexo só pelo “eu não estou fazendo nada, você também”? Zilhões. Nem por isso eu tratei os caras com descaso, sem me preocupar com o prazer deles. Como diria Gaiarsa (sempre ele, esse lindo): “não esqueça que se trata de uma relação. Que você não está sozinho, que ela [a parceira] está até que bem próxima”.

No entanto, não posso deixar de admitir, com um certo pesar, que provavelmente fui tratada com um “lanchinho”. Que fui coisificada. Tratada como um buraco. Ou como uma bomba de sucção.

Porque antigamente eu pensava “homem é assim mesmo”. Não é o que dizem por aí? Também tinha problemas de autoestima e imaginava que o máximo que iria “conseguir” era aquilo. Que eu não merecia mais. Se eu quisesse, era aquilo. E que me desse por satisfeita!

Os anos foram passando, eu fui crescendo e amadurecendo. Percebi que, mesmo que eu não seja a Gisele Bündchen ou não tenha sido premiada com o Nobel de Literatura, ainda assim eu mereço ser tratada com respeito. Porque eu sou gente, não uma boneca inflável.

Faço sexo casual, adoro e pretendo continuar fazendo. O que mudou foi a qualidade das pessoas com quem me envolvo. Evidentemente às vezes não dá para perceber de cara que ele vai me tratar mal. Se eu tivesse uma bola de cristal…

Mas eu aprendi a dizer “basta” e a interromper certas relações se elas forem de alguma forma prejudiciais à minha sanidade física ou mental. Isso inclui, é claro, ser tratada como uma coisa.

Portanto, reclamemos, sim, de peças publicitárias patéticas e machistas como as da Axe. Mas precisamos nos posicionar também no cotidiano, seja nas relações da “vida real”, seja em como nos comportamos na internet. Como algumas de vocês leram aquele blog da “mulher lanchinho” durante tanto tempo? É porque era com a “outra”? Vale dar uma relida no post de ontem para perceber que a outra também é você. Seguir gente machistinha no Twitter, compartilhar texto de site/blog desrespeitoso, curtir página que faz piada com minoria: tudo isso é corroborar com o comportamento misógino e preconceituoso de quem trata outras pessoas como inferiores.

Nossa publicidade tem que mudar, sim, mas a mudança deve ser muito mais profunda que isso. É uma mudança estrutural, difícil, pesada. Mas ela tem que ser feita. Comece por você.

***

Eu não estou mais vendendo livros aqui no blog. No entanto, como muita gente estava esperando o cartão liberar/a grana entrar, resolvi dar uma última chance aos retardatários. :)

Se você quer comprar o livro com dedicatória, peço que preencha o formulário abaixo. De acordo com o número de pedidos, talvez eu faça uma nova encomenda à editora. Por favor só preencham se realmente tiverem interesse. 

Houve quem emitiu o boleto e não efetuou o pagamento, e isso me deixou no preju. Lembro que o livro está à venda em livrarias físicas e online (o link está aqui).

ATENÇÃO: Isso é uma mera possibilidade, que dependerá do interesse das pessoas. E o envio provavelmente demorará um pouco. Obrigada.

https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?formkey=dFdXRGpzRmVtdXNHYVZsM2FoUWtUaGc6MQ

O estigma da mulher honesta

Uma das grandes dúvidas da maioria das mulheres é o “momento certo” para transar. Muitas ficam adiando, adiando, pois acham que assim o cara não vai julgá-las, “desvalorizá-las”. Todo mundo sabe como eu acho isso uma bobagem sem tamanho, mas eu sei que na “vida real” essas coisas acontecem.

Foi o que uma leitora me contou por e-mail.

Moro (sozinha) em sampa há uns 5 meses, tenho 25 anos, vida estável, e tudo mais (bla bla bla).

Esses dias me aconteceu algo q eu achei q devia compartilhar, principalmente com vc…
Vc tem me ajudado muito a parar com o estigma da mulher honesta…. ou seja, a entender que não sou uma puta por querer ficar com caras, por querer fazer sexo, e principalmente, por querer ficar com alguém por ficar.

Sempre fui gordinha, mas sempre peguei quem eu quisesse.. mas transar.. ih.. transar era outro esquema.Sempre fui pudica quanto ao sexo, isso era coisa esporádica, e só achava que seria capaz de fazer sexo no estilo papai e mamae..

Depois q mudei pra cá resolvi q tinha q viver a vida. Resgatei um cara do passado. Ele veio me ver, foi tudo ótimo, e descobri coisas sobre mim que eu nem sabia… pena q foi rápido demais e não sei se vou vê-lo de novo.

Continuando a saga “viver a vida”, no domingo, um amigo de um amigo meu, com quem fiquei no final de semana passado, veio falar comigo na internet… ficou de putaria, putaria, pedindo pra vir aqui me ver, aquela coisa.

Não resisti e falei: VENHA. É, ele veio… 

Veio, me comeu, e foi embora depois de 30 minutos.

ME SENTI UM LIXO. Ele sequer tirou minha roupa, não encostou nos meus peitos, e eu nem vi direito o pinto dele. Absurdo. 

Eu, que passei a pregar que temos direito iguais, que assim como os homens nos usam, podemos também usá-los, e por aí vai, me vi de novo com o estigma de ter que ser uma mulher honesta.

Não fiz nada de errado. Eu já sabia que ele era cuzão.. mas porra, desse nível?
Ainda, antes de ir embora, me disse: “desculpa a falta de educação, mas eu tô muito cansado.. tô indo.. tchau”.

É, tô fazendo força pra não me sentir mal, uma putona completa, e nem ficar me martirizando.. mas parece que quando eu me livro do estigma, ele bate à minha porta de novo…

Me apego nos direitos iguais, mas quando eu quis usar, acho que acabei mesmo foi sendo usada…

A primeira coisa que as pessoas precisam entender é que a gente não “usa” o outro. Ou, pelo menos, as pessoas “normais”. Se eu estou a fim de gozar apenas, eu me resolvo sozinha. No momento em que você decide fazer sexo, isso automaticamente inclui um parceiro. Não importa se é casual, se é um namoro apaixonado ou um casamento que já dura 20 anos. O corpo do outro não é para você se masturbar. Sexo não é masturbação acompanhada.

Logo, a leitora deve riscar do vocabulário a expressão “usar” quando se referir a sexo casual. Se ela fala desse jeito a respeito do carinha, é de se esperar que ela a use para falar de si mesma – e isso traz uma carga imensa de culpa e a ideia de que estamos à disposição do outro. Que vai nos usar… e nos descartar. Como um copo de plástico, um guardanapo de papel… um objeto qualquer.

Mas, sobre o caso específico, o cara é um panaca. Panaca completo. Uma amiga veio me dizer que o mesmo aconteceu com ela durante o carnaval. Ela transou com um conhecido, e o cara usou o famoso pau-britadeira. Não fez mais nada. Não demonstrou qualquer preocupação com o prazer dela, assim como o “parceiro” da leitora.

Ambas demonstraram um abalo na autoestima após o acontecido. Outro dia eu estava conversando com um amigo e falei como minha autoestima havia desaparecido após os eventos dos últimos meses. Ele me respondeu, direto (e um pouco duro) como sempre: “Ninguém tira minha autoestima, porque ela é minha, e não do outro”.

É difícil perceber isso. É dificílimo colocar isso dentro da nossa cabecinha. Em geral temos anos e mais anos de comportamentos destrutivos. Alguns de nós sofremos com bullying na escola (quando nem existia uma expressão pra isso!), outros fomos xingados dentro da nossa própria casa. Não que faltasse amor, mas toda uma geração de pais achava bacana dizer pro filho que ele “não fez mais que a obrigação” quando conquistava algo. Ontem uma leitora-amiga me disse que a mãe reclamava do cabelo dela. Meu pai fez o mesmo comigo. Isso sem contar as cobranças da sociedade, essa que coloca mulheres irreais nas capas de revista e inventa mil tratamentos estéticos ao dia. Tudo com 56% OFF nos sites de compras coletivas.

Assim, tendemos a achar que a culpa é nossa. Por que ele não se importou com o meu prazer? O que fiz de errado? Foi muito cedo? Se eu tivesse demorado mais a transar, ele teria me tratado com mais carinho?

A resposta é bem simples: não. Não. Um homem desses acha que você, mulher, serve apenas para o prazer dele. Você é um objeto, mesmo que você não vista a carapuça. Pra ele. Infelizmente não posso dizer que os moços dos dois casos são exceção. São a regra.

Da mesma forma que você pode ser “a regra” e ser insegura, sem autoconfiança e colocar a sua autoestima nas mãos do outro. Mas eu honestamente desejo que você seja a exceção, e se torne uma mulher forte, dona do próprio corpo e segura de si.

E daqui a alguns anos, quem sabe, isso se torne a regra.

Amor, sexo e um recomeço

Estou lendo um livro em que logo nos primeiros parágrafos a autora decreta: “A maioria das mulheres não consegue separar sexo de amor. E eu sempre me pergunto como elas conseguem juntá-los”.

Eu não chego a tanto, mas sempre consegui deixar cada um no seu quadrado. Sexo com amor é uma delícia? Ô, se é. Mas, convenhamos, só se o sexo com aquela pessoa seria bom também sem amor. Caso o parceiro não tenha a menor ideia de como agir, não há amor que resolva.

Mas este não é um post para mostrar técnicas infalíveis de como separar sexo de sentimento – o blog inteiro meio que fala disso o tempo todo. Falo aqui de um momento importante na minha vida, que mostrou que isso é certo na minha vida como 2 + 2 = 4… e como uma boa noite de sexo pode começar a fechar algumas feridas.

Eu era apaixonada e muito bem comida pelo meu ex. Apesar de nosso relacionamento ter sido aberto, eu não transei com ninguém além dele durante o período em que estivemos juntos. Flertei, considerei sair com outro, mas eu preferia era ficar com o ex o máximo de tempo que eu conseguisse (e isso era basicamente qualquer tempo livre).

Como vocês bem sabem, a história terminou e eu, logo em seguida, entrei em crise depressiva. Se a pessoa não consegue tomar banho, imagine fazer sexo. Sim, de vez em quando eu sentia uma vontade, mas a preguiça e falta de ânimo de fazer qualquer coisa me impediram de ir em frente. Em um bom almoço com um bom rapaz até considerei a possibilidade, mas eu só queria chorar – imaginem transar. Impossível.

Até que universo conspira (#paulocoelhofeelings) e as coisas se encaixam (ui) de maneira surpreendente. Casualmente encontrei um amigo que também estava fodido; talvez até mais do que eu.

No início foi estranho. Ambos sabíamos o motivo pelo qual estávamos naquele quarto. Nós dois queríamos exorcizar o passado. Nossa autoestima estava rente ao chão. Dois fodidos. Fo-di-dos. Que usaram uma foda para se sentirem vivos novamente.

Eu senti um pouco de vergonha de tirar a roupa. Vocês não têm noção de quão devastadora é uma crise depressiva na percepção da gente mesma. Quando me olhava no espelho, só enxergava uma mulher sem nenhum tipo de atrativo (quem disser que eu sempre fui feia, entra na fila e pega a senha). Como eu poderia imaginar que um homem não broxaria imediatamente com a visão do meu corpo nu?

Ele não broxou. Pelo contrário, aliás. A gente foi se entendendo, se descobrindo, e os vizinhos devem ter achado um pouco ruim o barulho insuportável que a cama fazia. Não foi uma transa espetacular; não demos milhares sem tirar de dentro; não ficamos até de manhã trepando enlouquecidamente. Mas o que aconteceu ali transcendeu a questão sexual, mesmo que por meio do sexo.

Parece loucura? Talvez seja – e eu não sei se estou conseguindo me explicar direito. Aquela noite foi só sexo entre amigos. Só isso. Mas eu me senti viva de novo. Sentir prazer em meio a tanto problema, me sentir desejada, fazer um homem feliz, tudo isso foi essencial para eu saber que, embaixo daquela coisa toda, a Letícia ainda existia.

Em nenhum momento da transa eu lembrei do ex. Nenhum. Aí que eu digo que sexo e amor, pra mim, estão completamente separados. Eu ainda o amava (e, convenhamos, por mais que eu não goste da ideia, ainda amo), mas não transei com um pensando em outro ou coisa do tipo.

Transei, gostei, me diverti, tudo isso olhando bem no rosto do homem que me comia. Ao final, corpos cansados, deitei ao lado dele, encostei a cabeça no peito dele… e só então lembrei de quem devia esquecer. O ex tem o peito peludo, e o outro rapaz, não. Um é gordinho, o outro bem magro. Com os hormônios mais calmos, foi estranho passar a mão num corpo diferente. Mas foi bom. Muito bom. Lembrei quão delicioso isso tudo é.

Sim, eu continuei em crise, continuei sofrendo, continuei fodida. Se sexo fosse a cura pra uma crise depressiva, as indústrias farmacêuticas venderiam mais viagras do que lexotans, mas as coisas não se resolvem assim tão facilmente.

Ah, mas como ajuda o calor subindo pelas costas e um belíssimo pau duro na sua frente. Ai, como ajuda…

Por que a gente é assim?

Uma leitora veio me contar que sempre que está apaixonada não consegue transar com facilidade. Disse me ela que as amigas sofrem com a mesma coisa.

Ela não consegue entender por qual razão age dessa maneira.

De início, a história me pareceu confusa. Eu nunca fui assim. Sempre transei quando tive vontade. Algumas vezes demorei mais porque a ocasião não era propícia (não sou dada – ui – a transar em lugares públicos, por exemplo, então precisava ser algo mais discreto). Mas ficar regulando? Hum… nunca.

Apesar de totalmente fora da minha realidade, fiquei pensando a respeito.

Qual a razão, afinal?

Eu posso estar muito errada (lembrem-se que não tenho nenhuma formação em psicologia ou algo que o valha. trata-se de achismo em estado puro), mas me parece que a leitora tem muito medo de ser julgada e/ou de o cara perder o interesse.

Sim, na cabeça dela o carinha ficaria “amarrado” até transarem. Faz sentido agir dessa forma? Não, é evidente que não. Há questões muito práticas envolvidas nisso aí: 1) o carinha sempre pode transar com outras, isto é, pode simplesmente perder o interesse de transar com ela; 2) o rapaz, se for como eu, iria perder o interesse porque não gosta de joguinho; 3) se for uma questão de honra levá-la para cama, ele vai levar – pode demorar dias ou semanas – e depois vai pular fora.

Eu gostaria de dizer pra vocês que ficar com medo de ser julgada é uma bobagem sem tamanho. Mas não é. Não posso dourar a pílula ou falar isso de maneira mais simpática. As pessoas julgam, sim. E pode ser que algum homem para quem você dê de primeira te ache uma puta, safada, sem valor. Aliás, é bem provável que você encontre vários desses babacas na sua vida.

Só que daí me vem outro pensamento, pensamento este que levo comigo, sempre: é este o homem que você quer ter ao seu lado? É um cara preconceituoso, machista, conservador? Porque não se espantem, não, quem é assim (e aí incluo homens e mulheres) é assim em qualquer aspecto na vida. Provavelmente irá te julgar também quando você disser que tem uma fantasia sexual, por mais “inofensiva” que ela seja. É possível também que ele torça o nariz para seus amigos gays. Ou julgue aquela sua amiga que engravidou sem estar namorando.

Se você sente necessidade de “segurar” mais, creio que você também carrega um pouco desse conservadorismo idiota. Eu culpo você? Claro que não. Somos produto do meio, e a gente vê os homens fazendo piada o tempo todo com mulheres “safadas”. Acontece que isso é mais uma das manifestações do machismo, porque nós não fazemos esse julgamento de valor sobre um cara que transa na primeira noite. Sim, existem piadinhas sobre o homem “garanhão” (e aí entramos em uma outra questão, a da sexualidade vista como algo imoral e sujo), mas isso tem mais a ver com a quantidade de mulheres que ele sai do que com a rapidez com a qual ele leva as tais garotas para a cama.

Então o que eu posso dizer é que é muito comum querer adiar a primeira transa, com a vã expectativa de assim ser mais valorizada. Mas eu não acho isso certo. Agindo dessa maneira, por conta dessa falsa esperança, você está corroborando com tudo o que já foi feito até agora em termos de machismo. Se você só se sente valorizada quando uma outra pessoa te dá valor (e você não se reconhece como uma mulher de valor), algo está muito errado.

Quando você demora a transar pelos motivos acima, apesar de estar com vontade, você eterniza esse comportamento para todas as mulheres. Sim, porque alguns homens (babacas) continuarão a achar que existe mulher para namorar, para casar, para transar. E você vai ter que fazer um esforço tremendo para ser aquela mulher para namorar/casar, quando na verdade você está doida para tomar um puxão de cabelo e ser chamada de “minha putinha”.

É muito difícil quebrar paradigmas e buscar a plena liberdade sexual. Muito difícil. Provavelmente eu já fui “desvalorizada” por ter transado de primeira, mas em geral eu me dei muito bem nesse aspecto. Os que não me valorizaram, sinceramente, me fizeram um favor.

Casual sim, sem respeito nunca!

Este post foi publicado originalmente sei lá quando (março ou abril), mas nessas transições de plataforma ele acabou se perdendo. Alguém pediu nos comentários do último post, então republico ele aqui.

A estreia deste blog foi polêmica… Enquanto escrevo este post, o primeiro publicado (Rumo ao centenário) conta com 114 comentários. Como esperado, muitos me criticando. Alguns, com veemência. Não me surpreendi. Só neste ano resolvi fazer esta “experiência”, mas já faço sexo casual há muito tempo – e os olhares tortos já fazem parte do meu cotidiano.

Não vou me justificar explicando por qual razão eu faço isso ou aquilo. A maior – e melhor – justificativa é só uma: eu quero. Incontestável. Eu quero. Eu desejo. Não há força maior do que essa, para o que quer que seja. É evidente que este assunto voltará à tona muitas vezes ainda neste blog durante este ano.

Mas o que eu quero falar hoje aqui é sobre outra faceta disso tudo. Para aqueles que acham que sexo casual é apenas e tão somente um simples encontro de órgãos sexuais (sejam eles quais forem), eu esclareço: não é. Ok, às vezes beira a chatice, como o número 2 que vocês já conhecem, e não resta nem uma amizade. Muitas vezes, é só o tesão que bate e ninguém se controla (ainda bem!). Mas, pelo menos na minha experiência, posso dizer que muitas histórias bacanas saem de encontros ditos fortuitos. Tenho uma relação “casual”, por exemplo, há oito anos com um cara. Ele é gostosééééérrimo sob quaisquer aspectos que vocês imaginarem. Exceto uma vez que saímos para almoçar, nunca tive um único encontro com ele que não envolvesse sexo. E, mesmo assim, ele me trata com um carinho que talvez eu não tenha recebido de alguns ex-namorados (UPDATE: é o cara desse post aqui. Um outro, com quem transei pela primeira vez há pouco mais de um ano, ficou irritadíssimo quando contei sobre a péssima experiência que tive com o número 15 dessa lista, sobre o qual vocês lerão em breve (UPDATE: não lerão pq eu tirei do ar! :P).

Talvez vocês se perguntem por que a gente não namora, se eles são tão legais e a gente se dá tão bem na cama e fora dela. Namorar não é necessariamente o objetivo de todo mundo, pra início de história. Bom, pelo menos não é o meu. Em segundo lugar, nunca rolou paixão, frio na barriga, essas coisas. Terceiro: existe uma distância muito grande entre compartilhar alguns acontecimentos e compartilhar uma vida, almoços em família, toalhas molhadas esquecidas em cima da cama e festa de fim de ano da firma.

Mas eu não querer namorar com eles, e nem eles comigo, não afasta o fato de sermos todos pessoas bacanas. Por isso mesmo, o sexo é tão gostoso e nada vazio. Acabamos nos preocupando com o bem estar do outro, se o outro está sentindo prazer, se está doendo, se está rolando o tesão. Não existem joguinhos de conquista barata, aquele esconde-esconde insuportável de início de relacionamento (Por que as pessoas ainda fazem isso? Não me canso de perguntar…). Somos honestos, jogamos limpo, e isso torna a coisa ainda mais prazerosa.

O que faz uma relação ser vazia (seja ela sexual, de amizade, de trabalho) é o caráter das pessoas. Se a pessoa com quem a gente se envolve for vazia, não tem jeito. Você pode namorar anos, noivar, casar, ter filhos, ficar junto até a morte. E, no último suspiro, vai sentir um vazio. Se, por outro lado, a pessoa for bacana e te quiser realmente bem – e isso, necessariamente, passa pela aceitação de você pelo que você é -, você vai se sentir preenchida mesmo que seja no finzinho de uma noite de sábado, mesmo que seja naqueles dias em que seus hormônios enlouquecem e você faz bobagem. Isso não é nada vazio. E, de quebra, ainda é uma delícia.

Homens loucos S.A.

Em algumas entrevistas eu disse que jamais chegaria aos 100 por culpa dos próprios homens. Podem esquecer as ideias do tipo “ah, mas é que não tem tanto homem interessante/atraente assim”. Vamos combinar que eu não saí só com caras incríveis na minha vida, né?

A questão é outra: homem dá MUITO trabalho. Eles adoram dizer que não nos entendem, que somos complicadas, que agimos de maneira estranha. Eles não têm é a menor noção de quão trabalhosos são. Hoje, com zilhões de problemas na minha vida, eu não consigo ter paciência para certos comportamentos. Uma vez uma leitora me desejou sorte nos comentários e escreveu “100 homens, 100 problemas”. Jamais vou esquecer disso. Ela tem toda razão.

De ontem pra hoje três mancebos deram o ar da graça com toda a palhaçada que lhes é peculiar. Eis as mini histórias pra vocês, em ordem cronológica de aparição na minha vida.

Número 1: Namorei com o rapaz quando tinha 18/19 anos. Ele não me beijava na boca depois de eu comer algo; eu tinha de escovar os dentes ou comer uma balinha. É, se ele tinha nojo de comida, imaginem o que acontecia depois de um boquete. Eu era bem inexperiente, mas já achava bem esquisito esse lance de ele não fazer sexo oral em mim (olha o nojo aí mais uma vez). Terminei o namoro e segui minha vida.

Passamos anos sem nos falar, e nos reencontramos virtualmente há coisa de um ano. Morando em cidades diferentes, nunca conseguimos marcar um café, mas nos falávamos de maneira cordial pela internet. Até que ele cismou que queria fazer um ménage comigo e com outra menina. Até aí, tudo bem, um montão de homem quer fazer isso. Só que agora a CONDIÇÃO dele pra me ver é essa.

Ele está em São Paulo e disse “podemos nos ver, sim, mas você tem de trazer uma amiga”. Oi? Ele acha que tem um pau de ouro? Eu nunca fui feliz sexualmente com ele, mas ele acredita que 12 anos depois eu irei realizar uma fantasia sexual dele, e ainda obrigada? Podem internar.

Número 2: Este eu nunca vi mais gordo. Conheço há uns dez anos, sempre pela internet. Morávamos a uns 4km um do outro. Eu me mudei pra São Paulo, perdemos contato, e ele ressurgiu das cinzas. Morando em São Paulo. Flertamos (é meu passatempo favorito) e combinamos de um dia nos encontrarmos. Ele vive sumindo e reaparecendo. Ontem foi dia de reaparecer: queria marcar uma saída para o fim de semana.

“Não posso”, disse. Ele resmungou, dizendo que eu só o enrolava. Como ando num bom humor daqueles, resmunguei de volta: “Te conheço há dez anos e você sempre desmarcou coisas. Eu sou enrolona?”. Ele fez o número do esquecimento e disse “mas agora moramos na mesma cidade”. Oi? Nesses 10 anos, só moramos em cidades diferentes em três anos. Faça-me o favor.

Número 3: O Eduardo, velho conhecido das leitoras do blog, também deu uma sumida. Achei bom, pois estava de bode daquela relação. Ele chegou a aparecer aqui em casa, mas felizmente eu não estava (odeio quem aparece sem ser convidado). Reapareceu no domingo, disse que tinha  mudado de celular e perdeu meu número. Ok, acontece.

Aí hoje, do nada, entra no gtalk e diz que está com vontade de me ver. “Quero ver seu espartilho novo.” Nota da redatora: o espartilho “novo” foi comprado há quatro meses. O cara não me come há um século e acha que vai chegar e levar? Tsc.

E isso tudo de ontem pra hoje, gente. Agora multipliquem isso aí por 100.

Eu te amo, só por hoje

Sempre tratei os homens da minha vida como se fossem os únicos. No momento em que estou junto de um (ou dois. vocês sabem que eu curto), é como se o resto do mundo simplesmente não existisse. Parece descrição clichê de paixão? Pois é exatamente isso que acontece: eu me apaixono por todos eles.

Sou carinhosa, atenciosa, sorridente. Procuro dar o máximo de prazer, deixá-lo confortável. Quero que ele se sinta gostoso, desejado, imprescindível.

Até o beijo de despedida.

Poucos são os que me deixam suspirando no dia seguinte. Não porque a noite foi ruim, mas sim porque é preciso um algo mais – que ninguém sabe explicar o que é – para a conexão acontecer.

Lendo o ótimo texto Homem de uma mini-vida, percebi que sou exatamente daquele jeito. Não que os homens me procurem no dia seguinte (nem sempre acontece), mas quantos deles não podem jurar de pés juntos que eu me apaixonei? Eu só fui legal. Eu só tive tesão. Como disse a autora, “eu vivo de romances breves, paixões to go, amores diários”. Amo cada um dos homens que passam pela minha cama. Sei o nome de todos, o que fazem, onde moram, do que gostam.

Alguns, é claro, têm existência prolongada no meu cotidiano. Hoje suspiro pelo tal rapaz do post de sexta-feira, com quem irei encontrar em alguns minutos. Até quando? Não sei. Dá medo? Dá. Talvez ele seja um amor de uma mini-vida, talvez de uma vida inteira. Não sei. Só sei que estou feliz.

Casual ou masturbação acompanhada?

Na entrevista ao IG eu disse que as mulheres, em geral, eram muito mal comidas e eram tratadas apenas como um buraco. Eu não estava me referindo apenas à minha experiência. Falo pelas minhas amigas, pelas conversas que entreouço por aí, pelos relatos aqui no blog.

As pessoas tendem a acreditar que esse tipo de coisa acontece só no sexo casual, mas não é verdade. Quantos casais vocês conhecem (ou até já fizeram parte de um assim) em que o sexo é mera burocracia, e isso quando ele acontece? Ser mal comida não é “privilégio” nem de solteiras e nem de casadas.

O que falta nas pessoas é a real vontade de transar. Costumo dizer que as pessoas gostam muito de duas coisas no sexo: de orgasmo e de FALAR sobre o assunto. Transar, que é bom, necas. Porque sexo pode ser grudento, fedido, desconfortável, sujo, cansativo. Quem nunca ficou com o maxilar dormente e o pulso dolorido?

Mas quem não para para pensar realmente na coisa fica repetindo por aí que as coisas dão errado para “rodadas” como eu justamente porque… eu sou rodada. Foi o que ficou claro no e-mail que recebi hoje. Uma nova leitora (e, pela minha resposta, “ex-leitora”) mandou a minha frase sobre mulheres mal comidas para o marido. Ele respondeu o seguinte:

Olhe por outra ótica,… É PRECISO “ESTOMAGO” PARA “MELAR” E MOSTRAR ALTOS “SENTIMENTOS” E DESEMPENHOS POR UMA PESSOA QUE VC NUNCA VIU OU NÃO CONHECE DIREITO, (aparencia e conceito ou pré-conceito) e ainda por cima desconfiando de que é “periguete de carteirinha”, sim, pois ela deve dar bandeira de “cançada de guerra” já que fez isso tudo que diz fazer e ter feito  :-)  Mesmo pela ótica masculina não rola altos desempenhos amorosos e de empenho lascivo e atenção amorosa,… amores melosos são para as “esposinhas” e “namoradinhas” para a maioria isso É LEI,… senão,… TEM QUE SER MUUUUUUITO GOSTOSA, TER UMA MEEEEEEEEEGA APARENCIA e inspirar tranquilidade e equilíbrio, do contrário é aventura,… “- Trata de qualquer maneira, foda-se, é puta!!”.

Lembre-se do aspecto “maternal” do sexo na psiquê do homem, o toque, o abraço, o aconchego, a tranquilidade, O NINHO, é por isso que agente se apaixona e traz mundos e fundos e “desempenhos eróticos lascivos” pra relação.

E mais:

Uma velha máxima que todo homem aprende com os mais velhos quando “criança” é: “-Não lamba buceta de puta, nem trata com muito carinho, viu meu “filho”(ou irmão, primo, amigo, etc…) elas são perigosas, gostosas, mas perigosas.” (Sabedoria popular universal)

Nem preciso dizer quão ridícula é essa divisão do mundo entre “putas” e “santas”, né? Piores ainda são as consequências desses rótulos, como visto na mensagem acima. Se a mulher não serve para você, amigo, não transe com ela. Ela não é um buraco. Ela é um SER HUMANO, com desejos e possibilidades infindáveis de prazer. 

Já tive homens rodadíssimos na minha cama. Já tive virgens na minha cama. Quase todos eles sabiam que eu não era uma santa (ao contrário do que as pessoas pensam, eu não dou “bandeira de cançada (sic) de guerra”). A experiência conta, sim, e ajuda muito. Mas não é sinal de que tudo vai correr bem. O que te faz bom ou ruim de cama é o desejo de dar prazer, seja para uma “puta”, seja para a sua esposa.

Se você não está disposto a isso, amigo, você quer se masturbar – e utilizar uma buceta (ou outros orifícios) – para chegar ao orgasmo. Você não quer sexo. Você é tão egoísta que só pensa no próprio gozo. Conselho? Renove o estoque de papel toalha, ligue o Porntube e seja feliz.