Tenho zilhões de restrições às pesquisas da Men’s Health, vocês sabem. Nesse caso, eles dizem, os dados foram coletados de quatro institutos diferentes, então vamos dar um crédito.
Achei alguns números meio esquisitos, tipo 90% dos homens fizeram sexo no anterior? É muita gente. Fiquei um pouco incomodada, também, com a porcentagem de homens versus mulheres que atingem o orgasmo: 85% deles e só 64% delas. Pouco surpreendente, mas triste ainda assim.
Eu não acho o orgasmo a parte essencial do sexo, o ápice, o clímax. Prefiro mil vezes ficar um tempão no estado orgástico, curtindo o parceiro, do que ter um orgasmo e o sexo acabar (é isso que acontece na maioria das vezes, até porque nas relações heterossexuais os parceiros esquecem que as mulheres têm orgasmos múltiplos, isto é, podemos continuar com a parada).
No entanto, ter orgasmos em só 64% das relações é pouco, especialmente quando comparamos aos 85% dos homens.
O chocante de verdade pra mim foi, no entanto, outra coisa: 27% dos homens e 19% das mulheres tiveram sexo oral no ano anterior à pesquisa (em 2010). Calma. Isso significa que só 1 a cada 5 mulheres foi chupada por um parceiro. Durante um ano.
Fico pensando na minha própria vida sexual, nas conversas com as amigas e nos relatos aqui do blog. Infelizmente (e eu digo isso com muita dor no coração), de fato há pouco ou nenhum interesse na prática. Falo dos caras fazendo nas mulheres, porque eles… ah, eles sempre querem uma “chupadinha”, uma “mamada”.
Quando se trata de meter a boca numa buceta, porém, muitos fingem que não é com eles. É preciso lembrar que a maioria das mulheres não chega ao orgasmo com penetração; logo, estimulação clitoriana é quase essencial – se não é “necessária”, com certeza é uma delícia.
Mas, pra eles, ficar lá naquele vai e vem pode ser suficiente, então pra quê chupar a mulher? Colocamos o nome de “preliminares” no sexo oral e na masturbação e – pronto! – ficou-se com a impressão de que tais coisas só devem acontecer no início da relação. “É o jeito de deixá-la molhadinha”, aconselhariam alguns.
Sexo gostoso não tem script. Agora você faz isso, seguido daquilo, terminando com aquela outra prática. Logo, lamber, chupar, estimular com os dedos, fazer massagens, usar brinquedos, nada disso precisa ser apenas antes, mas sim durante.
É desnecessário ficar com o pau duro esse tempo todo. Não há problema nenhum em, durante essas mudanças no ato, ele amolecer. Esqueçam a ansiedade do orgasmo. Chupem-se, lambam-se, acariciem-se.
Sei que a culpa não é sempre dos homens. Muitas mulheres não deixam que o parceiro chegue perto das suas bucetas. Aí é outro trabalho, de empoderamento, de conhecer o próprio corpo, de entender que a anatomia da buça não é igual às das revistas e filmes pornôs.
Eu mesma já “impedi” parceiros de fazerem sexo oral em mim porque eu não estava depilada e achava que isso seria um constrangimento pra mim e uma chateação pra ele. Já tive vergonha do cheiro (e quem leu o livro/lê o blog há muito tempo sabe que tive um cara que reclamou disso), já fiquei preocupada em demorar demais a gozar e ele ficar cansado, já tive vergonha da região ser mais escura que o resto do meu corpo (eu não estou falando da vulva em si, mas das pernas – eu sou gorda, as pernas roçam e a área de contato fica mais escura).
No fim, tudo passa por nos gostarmos mais, querermos o prazer do parceiro, entendermos o sexo como algo feito em parceria (ou com mais gente, opa, por favor, obrigada). 19% de mulheres recebendo sexo oral é injustificável. Você, mulher, não está fazendo nenhum favor ao transar com alguém. O prazer tem que ser seu também.




