Top 5 dos erros no sexo

Há algumas noites conversamos no Twitter sobre o que era menos legal no sexo. Fiz meu Top 5. Depois comecei a pensar em quantas mil outras coisas eu achava detestáveis.

Resolvi, por isso, fazer esse Top 5 combinando a minha contrariedade à prática e a regularidade com a qual essa prática acontece. Isso é o que eu penso; há pessoas que curtem algumas dessas coisas que eu detesto (como o basquetinho), então o ideal – sempre – é checar com o parceiro se ele está gostando.

E não é a pergunta “tá gostando?”,  porque isso pode fazer o outro ficar envergonhado de dizer que não. Você pode captar os sinais; ficar atento aos sons; observar se a pessoa “se entrega” ou se afasta o corpo, ainda que lentamente; testar um novo jeito, uma nova posição, e perguntar qual o parceiro prefere.

Afinal, sexo não é masturbação acompanhada, mesmo que seja casual. É para todo mundo envolvido sair dali feliz, feliz.

Mas há algumas coisas que tiram um pouco desse brilho de felicidade. Quais são as suas?

As minhas são essas:

1) Insistência. O cara que insiste pra transar, depois insiste para fazer anal, depois insiste pra gozar na sua boca, depois insiste pra qualquer outra coisa. Não suporto. Uma pessoa que faz isso evidentemente foi criado pensando que assim se consegue levar alguém pra cama e não está nem aí pro seu prazer. Se você NÃO QUER fazer algo, a probabilidade de você curtir quando está engajado na situação é bem pequena.

2) Basquetinho. Quando falei no Twitter, várias pessoas não sabiam do que se tratava. Imagine o sexo oral e, enquanto você está lá chupando, o parceiro começa a empurrar sua cabeça, como se estivesse batendo uma bola de basquete. Acho desconfortável. Em algumas situações, pode ser que ele empurre demais e, bom, a ânsia de vômito apareça. Nada legal, né? E eu tenho um outro problema com isso; parece que o cara quer comandar – e não sinto tesão nisso.

buzina

3) Meu peito não é buzina. Meu peito é grande desde que entrei na puberdade, então já perdi a conta das vezes em que ele foi apertado como se fosse a buzina do Chacrinha. Era batata: qualquer tipo de aproximação de cunho sexual começava pelo FÓN FÓN nos meus peitos. Se já é super boring, muitas vezes eu estava com sutiã de bojo – isto é, o cara apertava uma espuma! Com o tempo as coisas foram melhorando e hoje em dia isso é menos comum, mas sempre há um desavisado. Felizmente não tenho mais TPM (ser apertada neste momento é ainda pior).

4) Segurar demais o orgasmo. Na nossa sociedade falocêntrica, acha-se que manter a ereção peniana por muuuuuuuito tempo é sinal de virilidade. Além disso, superestima-se o orgasmo. Resultado: o cara segura durante muito tempo, esperando que a parceira goze (ainda que tudo o que ele esteja fazendo é aquele vai e vem totalmente britadeira). E nada. A lubrificação acaba, ele cospe (nem todos, claro, ainda bem) e continua. No outro dia, não dá para fazer xixi sem sentir ardor. No, thanks.

5) Flanelinha. Decorrente do item anterior. Com a demora para gozar e o desespero para o pinto não amolecer nunca (tudo bem amolecer, gente, depois fica duro de novo), é preciso trocar de posições. E se o cara puder mostrar quantas ele conhece, então! Nossa! Ganhou um passaporte pro inferno. É um tal de “agora fica de quatro”, “agora vem por cima”, “vamo ali pra sala”, “senta aqui na beiradinha da cama”, assim, sem parar, como se fosse um flanelinha te ajudando a manobrar o carro. Detalhe: dirijo bem pra cacete e não preciso de ajuda.

Tem muito mais coisa, muito mesmo: gente que cospe/usa saliva como lubrificante, quem lava o pau na pia (esquecendo que outras pessoas vão usá-la, escovar os dentes e tal, além de ignorar a existência da virilha), quem se recusa a usar camisinha, quem bate com o pau na minha cara, quem pergunta se eu quero “leitinho”.

Nossa, posso continuar isso pra sempre! E você? Quais práticas comuns que você não curte? Me conta.

Vá com calma

beijo 1

A gente entende tudo errado. Primeiro nos ensinam a ignorar nossos órgãos sexuais. “Tira a mão daí!”, “é sujo, é fedido”, “o que você está fazendo trancado no banheiro?”. Depois, quando consideramos começar a vida sexual, as dúvidas: “oral é sexo?” “Se eu fizer anal, continuo virgem?” “Ela não sangrou na nossa primeira transa, acho que não era mais virgem.” “Será que tive um orgasmo?”

A menstruação atrasa dois segundos e pronto, o desespero toma conta. Não apenas porque, de fato, ter filhos é decisão que muda a vida, mas também porque há o estigma da “vergonha”: todo mundo vai saber que você é sexualmente ativa.

Com todo esse clima de má informação, a culpa e o medo têm lugar fértil para crescer. Entende-se o sexo como necessariamente um relacionamento heterossexual. E só vale se houver penetração, hein?! Mais carga de ansiedade: o pau precisa estar sempre duro, sempre ereto, sempre a postos. Se não estiver, ferrou. O homem se envergonha; a mulher acha que fez algo errado, que o corpo dela não atraiu o parceiro.

Como consequência, a relação sexual heterossexual, na maioria das vezes, não passa de uma meteção desenfreada. Isso é tão certo que até chamamos carícias e sexo oral de “preliminares” quando deveriam acontecer, na verdade, o tempo todo. Antes, durante, depois. Mas aí o cara pensa: e se eu tirar o pinto de dentro dela para chupá-la e ele amolecer? E se daí não levantar mais? Como eu fico?

Você fica bem, meu caro, você fica bem. Mas precisamos mudar o jeito falocêntrico que vemos o sexo. Muita gente sequer admite usar brinquedos eróticos na cama; eles significariam que o cara “não é capaz de fazer a própria mulher gozar”. Sexo é muito mais que orgasmo. Além de todo o prazer envolvido em simplesmente estar com alguém, beijando, abraçando, acariciando, a mulher ainda fica em estado orgástico durante muito tempo (o homem também poderia conseguir, mas daí precisaria fazer alguns exercícios tântricos).

Privilegiando a penetração e o orgasmo, perdemos muito do prazer do sexo. Gaiarsa, como sempre, me ajuda nisso aqui:

Outro mau costume do macho é seu interesse pelo fim desde o começo. Leia com calma, leitor, é isso mesmo. Agrados, carícias, conversas são deixados de lado logo que o caminho ou as circunstâncias se fizerem favoráveis para a penetração/finalização.

Nessa pressa vai muito do medo que a ereção afrouxe. É preciso aproveitar a presença do príncipe.

Ansioso desde o começo, ele vai ficando cada vez mais aflito e acelerando o ritmo. Parece mais interessado em se livrar de um estado insuportável do que em sentir muito prazer ou se sentir feliz! Mais interessado em cumprir sua obrigação ou se livrar dela…

Alguns enfeitam o encontro com as famosas preliminares, mas, uma vez lá, é quase universal o galope desenfreado – o cilindro e o pistão das antigas locomotivas – cada vez mais rápido.

É o famoso pau-britadeira. Rápido, quase feroz. Ao chegar mais perto do orgasmo, soltamos grunhidos e prendemos a respiração – mesmo comportamento de quando estamos em estado de tensão. E, após o gozo, a sensação de “alívio”. Isso é a explosão da ansiedade, e não do sexo. Mas isso é tema de outro post. Por agora, eu pergunto, aproveitando o fim de semana que se aproxima e citando Gaiarsa (de novo): “se é tão bom, porque tanta pressa em acabar?”.

Masturbação: como nos comportamos?

Estava olhando os posts antigos, tentando recolocá-los no ar, e vi como eu falei de três assuntos com frequência aqui no blog: virgindade, masturbação e xingamentos. Estes últimos não serão mais publicados (exceto quando disserem a respeito a algo maior que eu mesma), mas os outros… apesar de eu sempre falar sobre primeira vez e sobre a relação da mulher com a própria buceta, sempre recebo e-mails sobre os temas.

Parece que as dúvidas sempre estão se multiplicando.

Hoje cheguei a um sobre masturbação. Eu não entendia quase nada sobre sexualidade e feminismo, então o texto chega a ser bobo. Ele passa por cima do fato de que nós temos um relacionamento esquisitíssimo com nossos órgãos sexuais. Na entrevista ao Futura (você viu?) a sexóloga Carmita Abdo fala sobre a diferença entre quem tem pênis e quem tem buceta ao longo da infância e adolescência.

Quem tem pênis precisa pegar nele para urinar. Ele está lá, exposto, à vista. No caso da buça, no entanto, acontece o contrário. A gente senta, faz xixi, se limpa com o papel higiênico. Não tocamos nela nem nesse momento. No banho, idem. Nos últimos anos ainda criaram os “sabonetes íntimos”, que é pra a gente achar mesmo que a buça é um órgão descolado do resto do corpo e precisa de um “tratamento especial” (porque *fede* mais).

Porém, se continuarmos tendo essa relação conturbada com nossa própria buceta, fica difícil sermos plenamente felizes na cama. Como você vai curtir sexo oral, se você acha que você fede e que ela é feia?

Masturbar-se é saudável, não tem contraindicações (não engravida, não passa DST…) e ainda te deixa feliz. Infelizmente, os índices de mulheres que fazem isso regularmente são baixíssimos.

Na última pesquisa feita aqui no blog (você já respondeu? sai do ar essa semana), perguntei se as pessoas usavam brinquedos eróticos. Incrível: 67% não tem. É muita gente.

Fiquei surpresa, claro, no entanto o que mais me chamou a atenção foram as razões pelas quais as pessoas não têm:

5% acham desnecessários;

8% responderam que não têm, simplesmente porque não.

6% não têm porque… o parceiro não curte (???).

Quero analisar melhor esses números, mas isso me levou à ideia de fazer uma nova pesquisa, dessa vez sobre masturbação.

E separei dois formulários, um para homens e outro para mulheres*. Quero entender como vocês se comportam em relação a isso. Me respondam? :)

Para mulheres, CLIQUE AQUI. 

Para homens, CLIQUE AQUI.

*eu sei que há mulheres com pinto e homens com buceta. 

Oral: só em uma a cada cinco

mens

 

Tenho zilhões de restrições às pesquisas da Men’s Health, vocês sabem. Nesse caso, eles dizem, os dados foram coletados de quatro institutos diferentes, então vamos dar um crédito.

Achei alguns números meio esquisitos, tipo 90% dos homens fizeram sexo no anterior? É muita gente. Fiquei um pouco incomodada, também, com a porcentagem de homens versus mulheres que atingem o orgasmo: 85% deles e só 64% delas. Pouco surpreendente, mas triste ainda assim.

Eu não acho o orgasmo a parte essencial do sexo, o ápice, o clímax. Prefiro mil vezes ficar um tempão no estado orgástico, curtindo o parceiro, do que ter um orgasmo e o sexo acabar (é isso que acontece na maioria das vezes, até porque nas relações heterossexuais os parceiros esquecem que as mulheres têm orgasmos múltiplos, isto é, podemos continuar com a parada).

No entanto, ter orgasmos em só 64% das relações é pouco, especialmente quando comparamos aos 85% dos homens.

O chocante de verdade pra mim foi, no entanto, outra coisa: 27% dos homens e 19% das mulheres tiveram sexo oral no ano anterior à pesquisa (em 2010). Calma. Isso significa que só 1 a cada 5 mulheres foi chupada por um parceiro. Durante um ano.

Fico pensando na minha própria vida sexual, nas conversas com as amigas e nos relatos  aqui do blog. Infelizmente (e eu digo isso com muita dor no coração), de fato há pouco ou nenhum interesse na prática. Falo dos caras fazendo nas mulheres, porque eles… ah, eles sempre querem uma “chupadinha”, uma “mamada”.

Quando se trata de meter a boca numa buceta, porém, muitos fingem que não é com eles. É preciso lembrar que a maioria das mulheres não chega ao orgasmo com penetração; logo, estimulação clitoriana é quase essencial – se não é “necessária”, com certeza é uma delícia.

Mas, pra eles, ficar lá naquele vai e vem pode ser suficiente, então pra quê chupar a mulher? Colocamos o nome de “preliminares” no sexo oral e na masturbação e – pronto! – ficou-se com a impressão de que tais coisas só devem acontecer no início da relação. “É o jeito de deixá-la molhadinha”, aconselhariam alguns.

Sexo gostoso não tem script. Agora você faz isso, seguido daquilo, terminando com aquela outra prática. Logo, lamber, chupar, estimular com os dedos, fazer massagens, usar brinquedos, nada disso precisa ser apenas antes, mas sim durante.

É desnecessário ficar com o pau duro esse tempo todo. Não há problema nenhum em, durante essas mudanças no ato, ele amolecer. Esqueçam a ansiedade do orgasmo. Chupem-se, lambam-se, acariciem-se.

Sei que a culpa não é sempre dos homens. Muitas mulheres não deixam que o parceiro chegue perto das suas bucetas. Aí é outro trabalho, de empoderamento, de conhecer o próprio corpo, de entender que a anatomia da buça não é igual às das revistas e filmes pornôs.

Eu mesma já “impedi” parceiros de fazerem sexo oral em mim porque eu não estava depilada e achava que isso seria um constrangimento pra mim e uma chateação pra ele. Já tive vergonha do cheiro (e quem leu o livro/lê o blog há muito tempo sabe que tive um cara que reclamou disso), já fiquei preocupada em demorar demais a gozar e ele ficar cansado, já tive vergonha da região ser mais escura que o resto do meu corpo (eu não estou falando da vulva em si, mas das pernas – eu sou gorda, as pernas roçam e a área de contato fica mais escura).

No fim, tudo passa por nos gostarmos mais, querermos o prazer do parceiro, entendermos o sexo como algo feito em parceria (ou com mais gente, opa, por favor, obrigada). 19% de mulheres recebendo sexo oral é injustificável. Você, mulher, não está fazendo nenhum favor ao transar com alguém. O prazer tem que ser seu também.

Não me provoque. A não ser que…

Há anos tem um moço na minha vida que me come muito bem, thank you very much. Sexualmente nos entendemos às mil maravilhas, mas como amigos sempre rolou alguma trava.

De uns tempos para cá ele resolveu ser fiel à namorada (aleluia), e a gente não se vê mais. Ao mesmo tempo, passamos a nos entender melhor, pelo menos virtualmente.

Ele sabe do livro, do blog e ontem apresentei a ele o Tumblr (atenção, fotos explícitas de sexo). O moço se empolgou. Começou a me enviar os links que mais gostava, indicando fantasias que ele tem vontade de por em prática.

Eu consigo conversar uma tarde inteira sobre sexo sem sentir nenhum tesão, se estiver contando história ou falando sobre sexualidade (e não sobre foda, o que é bem diferente). Se, no entanto, eu estou numa conversa com um cara por quem 1) tenho tesão; 2) sei que é gostoso; 3) algumas daquelas fantasias já foram conversadas e quase planejadas… bom, é evidente que o papo ia dar uma enlouquecida nos hormônios.

E eu acho isso inútil.

E tô cansada dessa porra.

Minha vida sexual começou há quase vinte anos (meu primeiro namorado, o primeiro cara com quem eu realmente tive algum interesse, meu primeiro beijo, etc, etc, conheci no finalzinho de 1993) e eu não tenho a menor ideia de quantos caras começaram com esse joguinho de excitar e fugir.

Antigamente ainda mandavam SMS o dia inteiro (agora, com os chats e whatsapps da vida, ficou ainda mais fácil). Eu, no trabalho, de salto e roupa social, pensando em números – eu era consultora tributária -, e o celular apitando com recadinhos bastante explícitos. “Vou te comer todinha”, “adoro quando você me chupa olhando nos olhos”, “não vejo a hora de chegar nove da noite e você ser toda minha”.

Pois o relógio marcava nove da noite e cadê o mancebo? Sumiu. Ninguém viu. Desapareceu. De repente, não responde mais SMS, não atende celular, está offline nas redes sociais.

Quando eu já estava prestes a espalhar panfletos com um “DESAPARECIDO” em letras garrafais, alguns ainda tinham a decência de reaparecer e dizer “dormi”, “estou passando mal”, “fiquei preso no trabalho”, etc. Quando é verdade, tudo bem, essas coisas acontecem.

Mas, convenhamos, grande parte devia ser mentira (não coloquei nenhum detetive no encalço dos sujeitos).

Multiplique essa chatice por dezenas de vezes que você terá um panorama da minha vida. Vinte anos. Em grande parte desse tempo, solteira. Sendo provocada, sem ganhar a recompensa no final.

Acho muito legal rolar esse teaser antes do encontro. Tem quem mande foto (lembre-se das dicas para você não ser identificada), tem quem diga que está sem calcinha, tem quem até foge para o banheiro do escritório para se masturbar – e fala isso, com detalhes, para o parceiro.

Pra mim, porém, isso só é bacana quando você vai EFETIVAMENTE transar com a pessoa. Falar e falar e falar, e não fazer, me deixa numa frustração gigantesca. Fico com o tesão a mil e, se é que isso é possível, mal humoradíssima ao mesmo tempo.

Com o moço de ontem, era evidente que não iríamos transar. Além de ele ter uma namorada, era uma da manhã, nenhum dos dois têm carro e moramos em zonas opostas da cidade.

Me despedi pra ir dormir e o diálogo que se seguiu foi esse (eu juro):

Ele: se eu mostrar meu pau vc nao fica mais? hahaha
Eu: nope
Ele: quer ver assim mesmo? vc q causou a erecao :P
Eu: nao, foi meu tumblr
eu realmente não vejo pq ver seu pinto se não vou interagir com ele
pra eu ficar com tesão?
qual a função disso?
Ele: sei la… acho divertido…
nem tudo tem uma funcao pratica… muitas vezes eh so estetica
Eu: é, prefiro dormir. Beijos!

Eu gosto de ver meu Tumblr, de escolher as fotos, e de vez em quando fico com tesãozinho, sim. Mas são fotos/imagens/vídeos de pessoas que eu não conheço, com quem não existe a menor possibilidade de eu transar.

Então eu acho uma delícia os hormônios de leve deixando meu corpo mais quentinho, mais gostoso, e às vezes, ao deitar, me masturbo. Em algumas dessas vezes, não tenho nem trabalho. Coloco um negocinho bonito ali, ele faz o serviço, eu fico feliz e adormeço.

Não sei como vocês se sentem em relação a isso. Mas, pra mim, a regra é clara: pra qualquer coisa na vida, não prometa o que não vai cumprir.

***

Outros posts voltando ao ar:

 

Dupla penetração, essa superestimada

 

Como agradar um homem 

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Ê! Dá pra comprar de novo o livro aqui no blog, mas com dedicatórias simples, apenas (quem já comprou, fiquem tranquilos, os de vocês foram enviados com verdadeiros testamentos!).

O prazo PARA ENVIO é de sete dias úteis.




 

Acenda o farol!

Aprendi não sei quando e não sei com quem que deveria esconder o máximo possível os meus mamilos. Bom, não só eles, claro, mas é que eles têm aquela mania de ficarem duros e pontudos em algumas situações.

Sempre que eu fico com frio ou angustiada com um barulho a ponto de me arrepiar (do tipo alguém arranhando com as unhas uma parede), “preciso” olhar imediatamente pra baixo e verificar se os mamilos estão à mostra, ainda que por baixo da roupa.

Se eu estiver usando mil roupas de frio ou sutiã com bojo, fico mais tranquila. Daí outro dia eu desci de vestido – e sem sutiã – para comprar uma coca cola. Enquanto esperava para atravessar a rua, bateu um vento gelado e ~pén~ os faróis acenderam. (esse pén aí é uma buzina, tá? faço sonoplastia quando conto uma história.)

Fiquei meio tensa de passar pelo posto e entrar na loja de conveniência com os peitões enlouquecidos. Afinal, eles já são grandes e algumas pessoas são suficientemente sem noção e ficam olhando direto. Se o farol estiver aceso, então, é como se essas tais pessoas se sentissem no DIREITO de olhar. “Ah, ela está mostrando”, como se fosse uma escolha minha.

Cheguei em casa e perguntei no Twitter se as moças também sentiam vergonha quando o farol acendia. Todas responderam que sim. Perguntei o motivo. Não souberam responder.

O “problema” todo é que há quem fique com os mamilos enrijecidos quando está numa situação sexual. Em algumas pessoas isso rola ainda no momento da excitação (lembram daquele cara que ficou passando a mão freneticamente no meu peito esperando que o mamilo ficasse duro? risos). Outras, depois de gozarem. Algumas, nunca.

Creio que a relação entre o mamilo enrijecido e o sexo esteja na cabeça de muitos. Mais uma vez: como se tivéssemos controle sobre isso e como se eles só ficassem duros quando há sexo envolvido. Esconda os mamilos, que daí também está escondendo que você é um ser sexual. 

Naquela semana eu lia Sexo, Reich e Eu, do Gaiarsa, e ele fala da mesma relação com o pinto. O mamilo seria o “sinal” de quem tem buceta. E o pinto, se estiver duro, também mostra que – oh! – você pode fazer sexo.

Gaiarsa revela: Durante um encontro de amor, fui me dando conta aos poucos de quão equívoca é a presença do pinto na situação amorosa. De um lado ele é essencial; do outro lado, publicamente ele não pode existir. (tipo o seu mamilo, sacou?)

No meu tempo de adolescência sofria agudamente desse conflito:embora a maior parte da minha atividade mental fosse animada e dirigida pela intenção do encontro, aproximação, contato e sexo, apesar disso eu fazia o possível e o impossível para fazer de conta que eu não tinha pinto, ou que ele não tinha função na situação – porque senão todo mundo sairia correndo! Eu percebia e temia assim – levando em conta todo o clima sexualmente negativo do meu mundo de adolescente.

(…) Queria muito integrar o pinto, senti-lo como parte de mim e parte importante da minha força; ao mesmo tempo, fazia um esforço brutal para negá-lo e dizer que ele não existia e não tinha importância! Quando dançava sentia muito medo, um quase pânico de ter uma ereção – e aos poucos não tive mais! Receava muito que as moças ficassem ofendidas se percebessem esse fato – e pelo menos naquele tempo, parte delas ficaria mesmo. 

Não sei se elas ficariam de verdade ou se ficariam por encenação social. Mas ficariam.

Gaiarsa, lá na primeira metade do século passado, escondia o pinto. Temia que ele ficasse duro. Seria desrespeitoso. Mudamos algo? Ou continuamos escondendo nossos mamilos enrijecidos e a ereção peniana?

Não sei se é por causa da repressão sexual que nós nos envergonhamos do farol aceso. Teria que fazer uma análise histórica para bater esse martelo. Sempre que o meu se acendeu numa situação não-sexual, porém, eu fiquei envergonhada.

Pau duro e farol aceso fazem parte de quem somos. É nosso corpo reagindo a estímulos – não necessariamente sexuais. Mas, mesmo que fossem, qual o problema? Estamos (quase) todos aqui no mundo porque pessoas transaram. Muitos de nós gostamos muito da prática. Pra quê a vergonha?

Por isso, desde aquela noite, eu não mais tentei disfarçar meus mamilos. E, se eu fosse você, acenderia o farol sem culpa.

Desfaz, desfaz…

Eu já falei sobre o homem-britadeira e do jeito que os moços não sabem mesmo interagir com nossos mamilos. Eles juram que são bebês.

Mas essa série jamais estaria completa sem o famoso… homem-flanelinha!!!

A coisa começa assim: o moço vê muita pornografia. Muita. Ele acha, então, que deve ter performance na cama igual à do ator pornô. Como também escuta diversas reclamações sobre quão rápidos alguns outros rapazes foram, decide que precisa segurar o gozo pelo máximo de tempo possível.

Tudo errado.

Primeiro que num filme pornô há cortes, edições, etc. E, mais importante, a intenção ali não é ter prazer. São atuações.

E o tempo? Bom, taí algo muito, muito subjetivo. Muitas de nós não atingimos orgasmo com penetração. Isso  não quer dizer, no entanto, que não tenhamos prazer na prática. Pelo contrário: é beeeeeeeeeeeeeeem gostoso, só não se atinge o orgamo. E tudo bem. Já falamos mil vezes em como o orgasmo é superestimado.

De fato as garotas que conseguem gozar com penetração precisam de um pouco mais de tempo, então é legal dar uma seguradinha. Contudo, não se trata de uma meteção desenfreada, como um bichinho movido a corda.

A gente curte, a gente adora. E ejaculação precoce é extremamente frustrante. Mas durante quanto tempo é preciso ficar nessa penetração?

Sei lá. Como quase tudo no sexo, cada um tem uma vibe diferente. Então, não posso dizer em minutos qual o tempo suficiente. Dá para perceber pela cara do parceiro (aprenda a prestar atenção!).

Eu sou a favor da penetração intercalada com outras coisas: sexo oral, massagem, beijo na boca, língua nas costas. O sexo “se prolonga” e fica-se naquele estado pré-orgasmo um tempão. Delícia demais.

Meteção exagerada gera tédio. Você, homem, fica lá num entra-e-sai, enquanto a mulher está pensando em mil outras coisas. Contas a pagar, a unha que não está bem feita, a sua cara tosca durante o sexo (todos nós fazemos).

Quando o entra-e-sai é sempre igual, então… homem britadeira. Daí, sabedores que isso não é legal, eles se transformam em… homens flanelinhas!

Como a penetração está eterna (goza, pô!), ele resolve te mostrar todas as posições que já conheceu nos seus longos anos de pornografia.

“Agora fica de quatro.”

“Vem pra cima de mim.”

“Me chupa.”

“Enrola seu cabelo no meu pau e me bate uma punheta com o cabelo.” (seria uma piada, se uma revista feminina não tivesse publicado isso a sério ano passado.)

Ele fica lá, dando ordens, achando que é o dono da situação. Tédio mortal. Mortal. A dica é que quando o sexo está gostoso você não precisa ~parar~ o que você está fazendo e começar de outro jeito. A coisa flui naturalmente, como se os corpos se encaixassem perfeitamente e soubéssemos como devemos continuar.

E outra dica: a gente sabe “manobrar”, ainda mais agora com sensores de ré e tudo. Não precisamos de flanelinha.

Inacreditável

Eu não acreditei quando a Lu (@naotafacilprang) postou no Twitter. Só podia ser zoação. Não dela, mas sei lá, de um universo paralelo. Achei que era pegadinha. Mesmo ela colocando foto, eu só acreditei quando fui à banca e comprei a revista.

Fiquei tão absurdada que mostrei à minha psicanalista. Eu gargalhava no consultório (comprei no caminho pra consulta).

Era verdade verdadeira.

Uma publicação voltada ao público feminino, VENDIDA em banca, publicou isso:

Não entendeu?

Eu explico.

O título da reportagem é “Nunca finja outra vez”. Subtítulo (segure o riso): “Se você está prestes a ganhar um Oscar de interpretação na cama, aqui estão algumas dicas para fugir do tapete vermelho e chegar ao orgasmo de verdade”.

Publicada na edição 40 – fevereiro de 2012 da Women’s Health, a matéria deveria ser sobre como é comum se fingir o orgasmo, mas que o ideal, mesmo, seria gozar (jura??? que coisa, não?).

As revistas Health (Women’s e Men’s) são versões nacionalizadas das gringas. Então os textos são meio um mix entre informações lá de fora e daqui. Nesta reportagem, por exemplo, há estatísticas que nada têm a ver com a mulher brasileira, mas também incluíram aspas de especialistas do Brasil.

Segundo a reportagem, 60% das mulheres fingem o orgasmo. Eu sou mega contra isso, vocês sabem. Mas vamos lá. A realidade é que muitas de nós fingimos. Como saída para isso, a revista diz que devemos ser mais íntimos do parceiro. Até aí, ok. Mas querem ler o conselho? “Comece devagar: conte um segredo ou divida uma história embaraçosa e, quando ele perguntar onde você quer comer, escolha um restaurante em vez de dizer ‘Qualquer lugar está bom’.” WHAT? Tudo o que você NÃO quer quando está começando um relacionamento é que o seu parceiro saiba uma história embaraçosa sua! Que loucura é essa?

O texto envereda por tentar mostrar que é normal não atingir o orgasmo. Diz que o “clímax” (por que usam essa palavra, se nem é, necessariamente, o momento mais legal do sexo??) é superestimado. Mesmo de maneira superficial e vazia, acho bacana a bandeira ser levantada.

Eis que aparece o seguinte trecho (estou copiando igualzinho, JURO): “pelamordedeus, fingir orgasmo para segurar homem infiel é a maior besteira. Nesse caso, antes de se preocupar em chegar lá, você tem que colocar sua vida amorosa em pratos limpíssimos”. Hã? Is this real life?

O texto tem pérolas como “apimentar as coisas com uma conversa picante” (existem outros adjetivos em língua portuguesa, tá, redação?). Mas o pior fica no final. É aquela imagem que você viu lá em cima.

Passam o texto inteiro dizendo que você tem que melhorar sua vida sexual, que não chegar ao orgasmo é normal, mas que se deve buscar isso, sim. Mas daí eles separaram UMA PÁGINA INTEIRA (e quem é jornalista sabe quão difícil é conseguir uma página a mais pra nossa matéria) para UM INFOGRÁFICO de COMO FINGIR O ORGASMO.

Eu não tenho palavras para descrever o que senti ao ver que isso foi publicado em uma revista da Abril que é VENDIDA por R$ 12. Isso não pode ser verdade.

Se você não conseguiu ler a imagem, eu faço questão de copiar aqui o que está escrito (meus comentários em negrito).

De vez em quando pode?

Um blefe ocasional não é tão danoso assim 

Há dias em que tudo deu errado e você quer resolver logo a questão para poder dormir. Alguns especialistas acham que, se isso acontecer uma vez a cada eclipse lunar total, não há problema. “Tem homem que até merece. Sabe aquele tipinho que fica perguntando se você já gozou, se vai gozar?”, brinca o sexólogo Amaury Mendes Jr. “Uma mentirinha de vez em quando pode acalmar o sujeito.” Mas isso deve ser exceção, não regra.

Nota da blogueira: o TIPINHO que fode mal, senhor sexólogo, é o que mais merece saber que não fez a gente gozar. Bêj. 

1 Comece gemendo devagar e baixo, mantenha os olhos meio abertos e a expressão neutra (expressão neutra, hein, meninas? não esqueçam!!!). Entre os gemidos, fale algumas palavras de encorajamento, como “como isto é gostoso”.

2 Gradualmente, comece a gemer mais alto, fique com a respiração mais rápida e pesada. Mas tem que ser gradual (GRADUAL!!!). Se você mudar o ritmo de uma hora para outra e começar a gritar, vai parecer falso. (Ah, ainda bem que vocês avisaram! Puxa!)

3 Faça mais caras e bocas. Morda o lábio inferior, abra ligeiramente a boca, pressione os dentes, aperte os olhos. (Ex namorado: eu JURO que eu mordo o lábio involuntariamente, tá?)

4 Use o corpo todo. De forma “involuntária”, estremeça as pernas de forma que os corpos se massageiem, mas sem que pareça que você está tendo um ataque epiléptico. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHA

5 Acelere ainda mais o ritmo da respiração, morda os lábios e diga: “estou quase lá”.

6 Abrace-o com força, finja que está perdendo o controle. Grite, vire a cabeça para os lados (saca O Exorcista? Pois é), morda os lábios, diminua o intervalo entre as respirações, faça o que normalmente faz quando está tenho (sic) um orgasmo de verdade. QUE TAL TER UM ORGASMO DE VERDADE, PESSOAS? 

7 Enquanto tem o orgasmo (ué, não era fingimento??), com todas as caras e bocas, diga que quer que ele goze também.

8 Imediatamente, elogie a perfomance dele, com a voz ainda cheia de manha e gemidos. Diga que foi incrível, enquanto se esfrega no corpo meio com preguiça. Você está cansada, lembra? Sério. Isso só pode ser pegadinha do Mallandro. 

Eu não tenho nem mais o que falar. Precisa? Isso é tão surreal, mas tão surreal que eu não acredito que vivi pra ler isso. De verdade. É inacreditável. Estamos mal de revista feminina, estamos mal de sexólogos, estamos mal de parceiros sexuais. Sexo não precisa de manual, de passo a passo. Curta. Beije. Chupe. E aí, sim, você vai gozar de verdade.

Por favor leia o post seguinte, com ilustrações sobre o texto acima.

Educação sexual… para os pais (e para a ministra)

O post sobre as declarações da ministra Maria do Rosário sobre o caso Eloá levou a algumas discussões no Twitter. Algumas pessoas disseram que a ministra estava certa. Outras, que não deixariam uma filha namorar alguém tão mais velho. Teve quem reclamasse da tal sexualidade precoce (namorando aos 12 anos? queima na fogueira!).

A história toda me espanta. Fico surpresa como uma ministra pode falar tamanha asneira. Você pode até concordar que uma garota de 12 anos não deve namorar, especialmente alguém “tão mais velho”. Mas, eu pergunto: a ministra alguma vez foi lá falar com a mãe da Eloá? Oferecer apoio? Conhece os autos do processo? Falou da transformação do cárcere privado em novelinha trágico-romântica nas redes de televisão? Me parece que não (e espero estar errada). Em vez de, como autointitulada feminista, apontar que este é mais um crime do machismo, colocou a culpa na família da vítima. Ela sabe como Eloá era criada? Sabe se faltava apoio familiar? E, quem diz que a menina transava com Lindemberg: você estava lá? Que diferença isso faz no caso?

Depois se entrou na discussão de que o correto seria falarmos em erotização precoce, e não em sexualidade, já que esta é inerente ao ser humano, como demonstrei no último post. Qual é a idade para isso? Quem disse? De onde veio a regra? As coisas mudam. Não só na época em que vivemos. Eu, adolescente nos anos 1990, não queria saber de sexo com 12 anos. Ainda brincava na rua, jogava bola, subia em árvore. Mas tive um namoradinho (opa! ele era da minha idade). Durou um fim de semana e eu nem beijei ele. Eu fui precoce?

Hoje, pra quem nasceu após a virada do século (e que estão fazendo os tais 12 anos), as coisas mudaram muito. São jovens mais bem informados, mais independentes. Não sou socióloga, nem psicóloga, nem antropóloga. Mas… muita gente fala em diminuir a maioridade penal. Chamam de monstros garotos que cometem crimes aos 10, 12 anos. Eles podem matar, mas não podem transar? Sinceramente, não sei a resposta. Não sei resolver essa equação. Se filhos tivesse, ficaria em casa angustiada sempre tentando entender e acertar na educação. Se ministra fosse, escolheria melhor minhas palavras e contaria com os tais sociólogos, antropólogos, psicólogos e toda a sorte de especialistas para me ajudar nisso.

Como sou apenas uma mera blogueira, posto abaixo um texto que já havia feito e entraria no ar apenas amanhã. É a minha experiência pessoal. Como disse, de uma jovem mulher que foi adolescente na década de 1990, isto é, há vinte anos. Uma sociedade muda em duas décadas, lembrem-se disso. Não adianta vocês quererem viver lá no passado.

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O que você faz individualmente, dentro da sua casa, é problema seu. Quer ser rígido e não permitir que os filhos saiam à noite? Ou que fumem? Ou que bebam? Ou que transem?

Ok, isso é uma escolha baseada no jeito que você foi criado, nos próprios medos e inseguranças, na sua religião. O que incomoda na fala da Ministra é que ela falou como agente político, e não como uma “zelosa” (e autoritária) mãe. Eu não terei filhos, mas sou uma cidadã relativamente engajada, pouco alienada e que escrevo sobre sexo. Então, a respeito do tema eu confio no meu próprio bom senso, em autores que estudaram o assunto, em documentários sérios acerca da questão. Mais que tudo: eu lembro do que eu passei e observo muito como nos comportamos socialmente. Além dos incontáveis e-mails, eu pergunto, questiono – faço quase um interrogatório.

E, com tudo isso, eu vejo que de nada adianta proibir. Não porque “o proibido é mais gostoso”. Eu não concordo com isso. Nunca achei “gostoso” encontrar com meu namorado escondida. Odiava. Sentia culpa. Deixava de aproveitar o momento plenamente, como deveria acontecer.

Como já disse algumas vezes, transei pela primeira vez aos 15 anos. Jamais mencionei o assunto com a minha mãe. Eu sabia exatamente o que estava fazendo. Usamos camisinha. Nunca fiquei grávida ou tive qualquer DST. Mas, sinceramente, não posso creditar isso à educação sexual que tive dentro de casa.

Quando alguns artistas começaram a morrer por HIV, como Cazuza e Freddie Mercury, minha mãe comprou uma camisinha e nos mostrou. Explicou o que era a doença e disse como deveríamos nos proteger. Eu era bem nova, sexo nem passava pela minha cabeça.

Menstruei aos 10 anos, transei aos 15 e só fui ao ginecologista aos 17, quando já morava sozinha. Entre minha primeira transa e a minha saída de casa (dois anos mais tarde), minha mãe veio conversar comigo sobre meu namorado. Disse “imagina se você tivesse transado com o primeiro namorado, hoje você estaria sem ele e não seria mais virgem”. Eu ri muito por dentro. Muito. Eu havia de fato transado com o tal primeiro namorado e já havia feito o mesmo com o segundo. Detalhe: ele era virgem.

Só que durante alguns anos eu tive muito medo de que minha mãe descobrisse que eu não tinha mais – olha só que coisa! – um hímen. Eu não podia ir pras festas de carona com meus namorados, pois não podíamos ficar sozinhos. Mas aí ela ia me deixar… e eu fugia das festas. Sozinha com o namorado. Em muitas dessas vezes eu não transei, pois ainda era virgem e não ia transar só porque a oportunidade apareceu. Em outras, eu transei, no carro mesmo, naquela famosa rapidinha.

Durante anos eu rezei para que minha menstruação descesse todo mês. Tinha medo da reação da minha família caso eu engravidasse (engraçado… jamais me incomodei com a parte “social” da coisa). Muito tempo mais tarde, já morando sozinha, tinha de inventar desculpas quando ia sair com algum moço e estava recebendo visitas da família. Era mais fácil mentir do que ter de dizer o que o garoto fazia, o que estudava, há quanto tempo a gente saía e se iríamos namorar. E, na volta, ainda tinha de dizer como o filme tinha sido bom ou a comida (ui) estava gostosa. Tudo inventado, tudo ficcional, pois o máximo que eu poderia dizer é como era a suíte do motel da vez.

Estava conversando com uma amiga há pouco e ela comentou que a mãe dela dizia que a bunda da mulher caía depois da primeira transa. Assim, não adiantava essa minha amiga esconder caso fosse pra cama com alguém. Só pelo formato da bunda a mãe descobriria as peripécias da filha.

Que tipo de educação sexual é essa? Que quer que a gente adie e adie e adie a primeira transa? Pelo que vejo aqui no blog e nas minhas amigas, talvez um ou outro de nós tenhamos adiado um pouco, sim. Mas todos fizemos. E, quando isso aconteceu, o sexo veio carregado de culpa, como se fosse sujo, proibido. Um pecado.

Assim, os primeiros anos de vida sexual da maioria de nós não foi nada feliz. Ok, atingíamos o orgasmo (o que é sempre delícia), mas não era pleno. Era como se tivesse uma vozinha dentro de nós relembrando quão errado era aquele comportamento.

Em vez disso, pais e mães deveriam lidar com o sexo de maneira natural, porque é exatamente isso que ele é. Não estou dizendo que deve ser fácil perceber que o filho, que até ontem era um bebê, hoje já é grande o suficiente para ter vida sexual. Mas, como pai, você deve orientar, e não proibir.

Você não é mais bebê, bebê

Peço desculpas aos moços por fazer uma série de posts falando mal de vocês. Eu os adoro. Vocês são uma das coisas mais delícia desse universo e eu não consigo viver sem vocês. Porém, vamos combinar que alguns de vocês mandam malzão…E, no caso do post de hoje, devo dizer que a maioria de vocês. Sorry.

Eu tenho peito grande. E, nesses muitos anos de vida sexual, eles sempre foram foco de interesse dos rapazes.

Houve uma época, há uma década, em que eu me irritava profundamente quando eu estava lá nos amassos e a primeira parte do meu corpo que os rapazes pegavam eram os meus seios. E eles apertavam como se fosse uma buzina, sabe? Por fora da roupa, ainda! Que graça aquilo teria? Fón fón!

Quando as coisas se tornavam mais íntimas e o mancebo “caía de boca”, tudo o que eu fazia era… morrer de tédio! Juro que durante muito tempo eu achei que minha sensibilidade na região não fosse das melhores (e ainda acho que não seja mesmo), mas só no ano passado (vejam bem, senhoras e senhores, 15 anos depois de eu começar a minha vida sexual) é que eu enlouqueci sendo estimulada nos seios. Sim, foi com o ex namorado, aquele-ser-que-quero-esquecer-que-existe (mas que sexualmente me satisfazia muitíssimo bem).

Só que outro dia estive conversando com algumas meninas no Twitter e vi que esta é uma reclamação muito, muito comum. Uma delas até tem uma expressão ótima: chupada neném-na-mamãe. Chorei de rir mas, convenhamos, é muito triste que uma quantidade tão grande de homens ache que chupar os mamilos freneticamente vai trazer algum prazer à moça.

Exceto ocasiões especiais e predileções muito pessoais, wild sex não é a melhor pedida. Então chupar, chupar, chupar e chupar mais ainda não é bacana. Eu já fiquei com os mamilos meio machucadinhos – e não senti absolutamente nada além de uma vontade imensa de que aquilo acabasse logo.

Vou falar um pouco do jeito que eu gosto e que também já li em bons livros de sexualidade: você deve beijar o mamilo como se estivesse beijando calma e lentamente uma boca. Nada de línguas frenéticas ou endurecidas. Tem de ser macio, com alguma sucção – o suficiente apenas para estimular, não para deixar marcas (imagine beijar um pescoço, por exemplo. se você é um adulto, eu espero que já tenha aprendido a dar chupões sem deixar ninguém arroxeado).

Claro que cada mulher reage de um jeito, e você tem de descobrir como a sua garota gosta mais. Talvez nem ela mesma saiba; passou muitas noites sendo confundida com uma mãe amamentando o bebê. Eu demorei séculos para entender como eu gosto! Mas uma coisa é certa: muita gente não curte essa chupada frenética. Aliás, nem em cima e nem embaixo. Mas o clitóris fica pra um novo post. ;)