Vou romper é a sua cara

Fora algumas conversas no grupo do blog no Facebook, eu não fiz muitos comentários sobre o leilão da virgindade. Primeiro porque eu não preciso ter opinião sobre qualquer assunto que envolva sexualidade e mulheres; segundo porque tenho preguiça. Muita mesmo.

Mas já que o assunto volta à tona em razão da capa da Playboy de janeiro, tenho apenas três comentários – e não vou me alongar neles.

1) Catarina é dona do corpo dela e pode fazer o que quiser com ele. Fato incontestável. Ela chegou a dizer isso em alguns programas de televisão. Me contaram que ela se saiu muito bem em entrevistas “pegadinhas”. Ok. Ótimo. Empoderamento. Mas, ao mesmo tempo, não me parece razoável ter o discurso de “poder sobre o próprio corpo” (um lema super feminista) e dar valor (em dinheiro, mesmo) a uma invenção patriarcal, que é a “virgindade”.

2) Muita, muita, muita, muita gente disse “ah, se na minha época houvesse coisa do tipo, eu também leiloaria e ganharia uma grana e blá blá blá”.  Você não é mais virgem, mas deixa eu contar um segredinho: prostituição existe e você pode ganhar dinheiro fazendo sexo. Talvez você até ganhasse mais do que aparece no seu contracheque. Você topa? Hum. Foi o que pensei. Então, não, você não “faria o mesmo se na sua época tivesse um leilão”.

3) Primeiro, a “noite num avião sobrevoando o mundo inteiro e sei lá mais o quê” foi adiada porque Catarina veio ao Brasil participar de um desfile (???). Aliás, ela nem desfilou, porque os patrocinadores não quiseram ver suas marcas ligadas à imagem da mulher que – oh! – faz sexo. Agora, segundo informação da assessoria de imprensa, estão esperando uma “decisão judicial para que o ato possa ser consumado”. Qual será a próxima desculpa?

Bom, depois dessa não tão pequena introdução, vamos à capa da Playboy, motivo deste post.

*suspiro de muito cansaço*

*mas muito mesmo*

Vamos às obviedades:

O rosa predominante na capa, como se tudo o que fosse feminino e girlie fosse rosa. Ai, os insuportáveis papéis de gênero!

O urso de pelúcia, como se uma mulher que decide expor a vida sexual e ganhar dinheiro com isso ainda brincasse com ursinhos.

Rosa + Ursinho = ninfeta, precisa de você, garanhão comedor. 

RONC!

Mas o pior, ah, minhas caras, o pior: CATARINA – A VIRGEM! Para romper o ano e trazer gostosas vibrações para 2013.

Já escrevi mil vezes a respeito e irei fazê-lo quantas vezes forem necessárias, até que finalmente se entenda: HÍMEN NÃO É UM LACRE.

Logo,

Ele não é ROMPIDO;

Pintos não são britadeira e/ou têm uma força capaz de “furar uma mulher”;

Logo após essa MÁCULA no corpo da mulher, ela continua IGUALZINHA. Você, homem, com seu falo de ouro, não modifica uma mulher só porque a penetrou.

A ideia de rompimento dá a impressão de que sexo é algo violento, dolorido, sujo – e que, por isso, deve ser evitado. A quem serve a gente continuar falando desse jeito a respeito de uma das coisas mais deliciosas das nossas existências?

Isso é um lacre:

Lacres são usados em PRODUTOS, não em gente. Não desumanizem mais as mulheres, tratando-nos como coisas – neste caso, restringindo-nos a uma pele que você nem sabe como é.

Sim, porque muita gente pensa que o hímen é, de fato, uma pele que bloqueia a entrada da vagina. Vamos colocar os neurônios para funcionar? Por onde sai o sangue da menstruação? Logo, é evidente que já existe um orifício ali. Não foi seu pinto-britadeira que o abriu.

Há pessoas que nascem, sim, com o hímen totalmente fechado, mas elas passam por cirurgia para abrir o orifício e o sangue poder sair.

Agora que você já conhece o que é um lacre (se ainda não tinha visto em remédios, no pote de maionese, sei lá), agora eu te apresento… o hímen!

Viram? Já têm o buraco!!! Oun, tadinho do moço que acha que está TIRANDO a VIRGINDADE de moças incautas.

Você pode perguntar o motivo pelo qual sangra. Algumas de nós não sangramos após a primeira penetração (eu não sangrei); outras sangram porque o parceiro foi violento demais; outras porque nunca introduziram outras coisas – como um vibrador ou o próprio dedo.

À medida em que você vai acariciando lá dentro, o hímen vai ficando mais e mais soltinho e é por isso que as relações seguintes à primeira tendem a doer um pouco. Depois passa.

Mas nunca – nunca – o homem é responsável por “romper” a sexualidade de uma mulher. Não somos como aquelas pizzas que chegam com um aviso no lacre: “não receber se estiver rompido”.

Leia também:

Quebrando paradigmas: virgindade

É só uma membrana, às vezes nem isso

UPDATE:

Pra quem ontem ficou criticando e etc etc etc etc etc, aí vai outra capa da Playboy. Colocando a mulher como ninfeta, usando rosa, acariciando um ursinho. So cute!

Dica da Gabriela Martins.

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Quebrando paradigmas: virgindade

Desde o início do blog recebo muitos e-mails questionando sobre virgindade. Nas últimas semanas, é só o que vem pintando na minha caixa de entrada. É muito assustador que as pessoas venham falar algo tão íntimo para uma blogueira desconhecida.

Cadê a educação sexual dessa galera? Onde foram parar as amizades em que se pode falar de tudo? Os pais desses jovens acham que eles nunca farão sexo?

Eu não estou reclamando de escreverem pra mim, vejam bem. Mas temos de pensar seriamente sobre o papel da escola, da família, dos amigos e dos parceiros nessa equação.

Tenho inúmeros posts sobre virgindade. Falo a respeito constantemente e, apesar de dizerem já ter lido todos os textos, quem me escreve continua com dúvidas a respeito da primeira vez.

Penso que essas pessoas talvez não estejam preparadas para fazer sexo. Sentir nervosismo é normal; ter vergonha de ir ao médico, de mostrar o corpo pro parceiro e de se masturbar, não. Pode ser comum, mas não é razoável. Como você pode esperar que outra pessoa te dê prazer, se você mesmo não se sente confortável com seu corpo?

Recebi três e-mails de garotas virgens em faixas etárias diferentes. Todas fazendo questionamentos que não teriam lugar mais se nossa sociedade tratasse o sexo da maneira que deve ser: com seriedade, mas com naturalidade.

Falar sério sobre sexo é necessário porque existem consequências importantes nas nossas vidas quando começamos a transar. Gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis podem ser  evitadas, mas para isso é preciso educação.

A primeira das leitoras já passou dos 25 anos e está grilada porque quer “se livrar” da virgindade. Amigos que sabem que ela nunca transou acham absurdo ela ser virgem.

Fico pensando como nós temos uma relação tão doentia com a tal “virgindade”, que não passa de uma construção social. Normalmente as “primeiras vezes” de qualquer coisa são marcantes. De qualquer coisa. Mas a gente não deixa de fazer tais coisas e/ou fica adiando para “o momento certo”. A gente vai lá e faz quando se sente preparado pra isso. Ponto.

Também não consigo entender por qual razão as OUTRAS pessoas se metem na vida sexual de quem não lhes pediu opinião. Recentemente conheci um rapaz um pouco mais novo. Ele deve ter uns 23, 24 anos, por aí. Ele me contou, com uma ponta de orgulho, que transou com cinco garotas. Acha um número bom.

Só que três dessas garotas eram prostitutas – e a parada foi bem “gozou, pagou, vazou”. Não houve intimidade, sexo oral, carinho. Nada. Foi pau-dentro-da-buceta e tchau. Das outras duas, uma das garotas foi uma rapidinha numa festa e só uma foi uma relação sexual, digamos, mais completa.

Quer dizer: ele diz “transei com cinco garotas”, mas na verdade ele só transou cinco vezes – e quatro delas não foi exatamente sexo, e sim um orgasmo acompanhado. O que importa, no final, é um número? É dizer “eu  não sou mais virgem”, mesmo que a sua vida sexual seja assim?

A segunda leitora a me escrever tem vinte anos. Palavras dela: “Mas a questão é: eu não espero um namorado para fazer sexo com ele, não tenho mais isso em mente “só vou transar com meu namorado”. E se ele não chegar? E se demorar e eu continuar virgem? Não que eu esteja muito na seca, é que meu corpo já está pedindo isso há muito tempo, e eu não sei mais o que fazer. A pergunta é: um ficante transaria comigo, se eu quisesse? Ele teria toda aquela responsabilidade, mas será que ele desistiria? E se na hora H eu não disser, ele vai saber que ainda sou virgem?”.

Vinte anos e já está grilada com a idade. Quem foi que estipulou uma IDADE em que se DEVE transar?

Daí ela vem com a pergunta que os filmes e novelas colocaram nas nossas cabeças. A de que é uma GRANDE RESPONSABILIDADE para quem nos “desvirgina”. Gente? A responsabilidade é de ambos, no sentido de se cuidarem para não se engravidar/pegar DST.

Por que alguém não falaria para o parceiro que nunca fez sexo antes? É comum que a primeira vez seja um pouco incômoda, talvez você sangre… então, pra quê esconder?

A terceira leitora é adolescente ainda e tem um namorado há mais de um ano. Ambos são virgens, mas eles já tentaram a penetração. Só que ela se queixa de dor.

“Por algum motivo eu moooorro de agonia com qualquer coisa dentro de mim, já tentei enfiar o dedo mindinho mas só consegui enfiar uns 2cm, eu não sei se é o meu hímen que é meio apertado (descobri recentemente que ele não é um “lacre”, fiquei indignada por não ensinarem isso na escola, aposto que minha ginecologista não sabia disso) ou se é puro medo psicológico.”

É evidente que a ginecologista dela sabe o que é o hímen. Mas eu fiquei pensando: como assim, “um lacre”? Será que as pessoas acreditam que o hímen está logo na entrada da vagina, feito um lacre, sei lá, do vasilhame do catchup?

Por favor, garotas, a menstruação de vocês desce por algum lugar, certo?

Ela então diz que disseram que ele (acho que o hímen) “dilata”. O que acontece com ele é que, com a estimulação (dedos, vibradores), a abertura pode ir aumentando aos poucos, tornando a penetração com o pênis mais fácil.

A vagina, em si, é larga o suficiente para que não se sinta dor na penetração. O que acontece é que, com a tensão, os músculos podem ficar rígidos. Algumas pessoas têm uma condição chamada vaginismo, que é a contração involuntária dos músculos da região pélvica e da vagina. Para diagnosticar isso, porém, é preciso consultar um médico (não é só pensar “nossa, dói, então é vaginismo”. pode ser falta de lubrificação, alergia à camisinha…).

A leitora diz, ainda, que não sente prazer no clitóris e que, inclusive, evita tocar na região. Ela pede ao namorado para que ele acaricie os pequenos lábios, mas não o clitóris. Nem todas as pessoas têm prazer no clitóris, óbvio, mas há que se pensar se a carícia é feita da maneira correta.

Se o parceiro chupa o clitóris como se fosse arrancá-lo e você prefere algo mais leve, o problema não é o clitóris – é o parceiro. Por isso, tentar outros toques e outras posições, bem como usar apetrechos eróticos que façam o serviço sozinhos (há bullets capazes de coisas MUITO gostosas), pode ser uma ótima.

Depois de tantos e-mails sempre perguntando as mesmas coisas, eu proponho que:

1) Tenhamos noção de que não existe idade certa para a primeira vez;

2) Aprendamos, finalmente, que a decisão de transar ou não é pessoal e intransferível. Não é você quem decide isso por um amigo ou um parceiro;

3) Mudemos todo o conceito de virgindade. Há uma carga gigantesca de preconceito, moralismo e culpa em cima disso. Ninguém PERDE a virgindade. O parceiro não leva nada embora; você continua inteiro (a) após transar;

4) Deixemos de ser tão falocêntricos. Costumamos considerar a “primeira vez” só quando um pinto entra numa buceta, mas não é assim. Alguns pintos jamais entrarão em uma buceta, assim como algumas bucetas jamais serão penetradas por um pinto. Mas essas pessoas farão sexo. Só não desse jeito heteronormativo que a gente costuma pensar;

5) Reconheçamos a masturbação como um passo essencial no autoconhecimento. Os garotos são de certa forma incentivados a se masturbarem, enquanto as garotas devem “tirar a mão daí porque é sujo”.

E, além disso, por favor, por favor, por favor: vá ao médico antes de começar a vida sexual. Se você não está preparado para falar sobre sexo com um especialista, você não está preparado para FAZER sexo.

É só uma membrana. Só. E é elástica

Recebi um e-mail essa semana que é basicamente a repetição do que já li várias vezes desde que comecei a escrever o Cem Homens: a garota é virgem e, por alguma razão que desconheço, tem vergonha de assumir isso.

Bom, vamos à mensagem, que está em itálico. Meus comentários estão em negrito ao longo do texto.

Tenho 19 anos e sou virgem, ou quase isso, depende do conceito de virgindade.

Primeira (e aparentemente eterna) questão: pra quê conceituar a virgindade? Além de ser importante para a saúde pública, qual a relevância disso? Sério, é uma pergunta honesta. 

Qual é o conceito de virgindade? Num relacionamento heterossexual, normalmente é quando o pênis entra na vagina. Ok. E se você for lésbica? E se for gay? E se você for hétero, já tiver feito de tudo (sexo oral, anal, masturbação no parceiro, etc), você ainda é virgem?

Ou a questão toda é o pênis? Ainda somos essa sociedade falocêntrica? 

Se a resposta for “sim”, é preciso um pau dentro da buceta para dizer que alguém não é mais virgem, eu fico com outra pergunta: por que tratamos a primeira vez de uma forma totalmente diferente entre garotos e garotas? 

Bom, eu acho que a resposta vocês já sabem. 

Sua virgindade não é a medida do seu valor

O fato é que nunca tive um pênis dentro de mim, porém sou adepta da masturbação desde que eu tinha 12 anos (ou até menos, a partir dos 12 eu tenho certeza).

Quando eu era adolescente havia uma dúvida assombrosa: absorventes internos tirariam a virgindade? Confesso que nem me passava pela cabeça introduzir algo na minha vagina durante a masturbação. 

O que deveria importar é se a pessoa teve uma RELAÇÃO SEXUAL, e não se ela tem uma MEMBRANA. E devemos nos preocupar com a primeira vez porque isso gera uma série de responsabilidades que poderiam ser resolvidas com educação sexual de qualidade. Se aquela pessoa sabe os cuidados a serem tomados para garantir a saúde física (camisinha, anticoncepcional, exames regulares) e emocional, é o que importa.

Logo, “perder a virgindade” (odeio essa expressão) pressupõe uma relação sexual, não a mera introdução de um objeto na vagina. 

Atualmente quando me masturbo geralmente é “algo externo”, já tem algum tempo que não coloco nada dentro de mim, porém, já fiz isso no passado. Enfim, acho que meu hímen já se foi. Não, nunca fui ao ginecologista, sei que deveria o fazer, mas houve fatos que contribuíam para isso. O primeiro é que fui criada em uma cidade muito pequena onde todo mundo se conhecia, e a minha mãe muito conservadora não ia engolir fácil quando eu pedisse para ela me levar ao ginecologista (ela é quem iria pagar afinal de contas!). Hoje, por causa da faculdade, moro em uma cidade maior com duas amigas e me sustento, ou seja, poderia muito bem ir ao ginecologista.

Um erro muito comum: achar que só se deve ir ao ginecologista quando se tem vida sexual ativa. Há uma infinidade de infecções e outras doenças que uma jovem pode ter sem nunca ter feito sexo. Candidíase, por exemplo, chega a ser corriqueira. Também há questões hormonais importantes. 

Eu sei que esse não é um problema da leitora. Dificilmente os pais acham que as filhas estão na idade de ir ao ginecologista. Mas essa cultura precisa mudar. Gineco não é médico de quem fode; é médico de quem tem sistema reprodutor com útero e ovário. 

Mas aí eu me pergunto: e se ele questionar se eu sou ou não virgem? Como eu já disse anteriormente, o conceito é um tanto complexo. Daí eu digo que sou e estou lá sem hímen, ou digo que não sou e o tenho. Ou senão eu falo: “Então Dr., eu metia as coisas dentro de mim quando eu tinha 12 anos, mas nunca um pênis, se é que o senhor me entende”. Vai por mim, eu não consigo. E eu também não tenho certeza se o hímen está ou não lá.

Bom, ele provavelmente vai perguntar se você é sexualmente ativa e qual a sua última relação sexual. A resposta é simples: você nunca teve uma (para fins puramente médicos, você nunca teve). 

Esqueça o hímen. É só uma membrana e ela não necessariamente é rompida quando se introduz algo na vagina – seja um vibrador, seja o dedo, seja um pinto. Há diversos tipos de hímen e cada uma de nós funciona de um jeito. 

Sobre isso, sempre indico o vídeo da ótima Laci Green sobre a primeira vez (é em inglês).

NINGUÉM sabe que eu me masturbo, essa é a primeira vez que conto a alguém (e está sendo via e-mail).

Esse é um tabu e tanto (e injustificável em 2012). Desde sempre os meninos são estimulados a se masturbarem. “Coisa de homem”, os pais dizem. Achavam normal, quando eu era adolescente, que os meninos tivessem revista de mulher pelada. Hoje, é totalmente aceitável que eles vejam pornografia online.

Ninguém pergunta também por qual razão aquele rolo de papel higiênico ou papel toalha está ali no quarto. Se uma garota tiver um massageador, porém, é razão para começar a terceira guerra mundial! 

Falem mais de masturbação, garotas. Contem para suas amigas o que funciona pra você. Façam um tour ao sex shop. Vejam quantas coisas bonitas, coloridas e anatomicamente perfeitas estão à venda. É bom, é gostoso. 

Já cheguei muito perto de transar, MAS MUITO PERTO MESMO, do tipo, só não rolou porque a gente tava no carro do amigo dele (eu com a minha saia toda levantada) e o bendito amigo chegou. Não tenho a pira de perder a virgindade com um príncipe encantado que vai chegar em um cavalo branco, nem quero um relacionamento sério num futuro próximo, estou focando na faculdade e no meu trabalho. Aos sábados saio para a balada e sim, pego geral (mas tudo fica no beijo na boca e na mão boba) e eu adoro isso! Atualmente estou mantendo contato com um cara que eu conheci na balada e  ele já deixou bem explícito que quer sexo. E sei lá, estou com vontade de transar!

Mas essa é minha dúvida: Conto ou não conto que sou virgem? Será que ele vai perceber? Me ajude por favor.

Bom, vamos lá. 

Perceber? Hum. Por questões físicas, tipo sangramento ou dor? Não tem como saber de antemão. Há mulheres que nunca sangraram (eu, por exemplo), outras que sangraram na hora, muitas que sangraram só quando já estavam sozinhas. 

A dor costuma aparecer, mas também não há regra. E não só virgens sentem dor, então isso não é indício de que aquela é a primeira vez da garota.

Se ele vai perceber porque talvez você não saiba direito o que fazer? É possível. Mas tem gente (homens e mulheres) que mesmo depois de transar mil vezes ainda não sabem o que fazer. Logo, também não tem como bater o martelo.

Mas eu acho que sim, todo mundo deve contar quando é a primeira vez. Porque talvez você precise de um pouco mais de paciência, talvez você se confunda ao colocar a camisinha, talvez você sangre. 

Existe a possibilidade do cara fugir, assim como pode ser que ele se sinta o máximo por “desvirginar mocinhas inocentes”. As duas atitudes são idiotas, pois dão imenso valor a algo que não tem tanta importância assim.

Antes que digam “ah, pra mim foi importante!”, eu sugiro um exercício. Pense se você deu esse valor todo porque VOCÊ quis ou se foi porque a nossa cultura coloca a “castidade” como parte do caráter de uma mulher.

O que se quer é que os jovens adiem o início da vida sexual, e não que eles transem com responsabilidade. Falso moralismo, machismo, controle. O peso que se dá à virgindade da mulher tem a ver com isso, não com a saúde dela.

Então, o que importa é você (leitora que mandou o email e você aí que está me lendo) se cuidar física e emocionalmente. Transar quando tiver certeza, quando já tiver ido ao gineco (eu sei que isso é quase utopia, mas sigo torcendo!), quando souber direitinho quais riscos você corre, quando tiver um parceiro bacana (não um príncipe encantado porque isso não existe!), quando você estiver fazendo por você, e não para agradar, conseguir algo, ser aceita. Por você e pra você.

***

Sigo respondendo perguntas no ask.fm (ask.fm/vidadeleticia), usando freneticamente o Twitter (@vidadeleticia) e postando coisas no Facebook (é só clicar em “curtir” nesse quadrinho aí na lateral esquerda). Interajam! E bom fim de semana. :)

Educação sexual… para os pais (e para a ministra)

O post sobre as declarações da ministra Maria do Rosário sobre o caso Eloá levou a algumas discussões no Twitter. Algumas pessoas disseram que a ministra estava certa. Outras, que não deixariam uma filha namorar alguém tão mais velho. Teve quem reclamasse da tal sexualidade precoce (namorando aos 12 anos? queima na fogueira!).

A história toda me espanta. Fico surpresa como uma ministra pode falar tamanha asneira. Você pode até concordar que uma garota de 12 anos não deve namorar, especialmente alguém “tão mais velho”. Mas, eu pergunto: a ministra alguma vez foi lá falar com a mãe da Eloá? Oferecer apoio? Conhece os autos do processo? Falou da transformação do cárcere privado em novelinha trágico-romântica nas redes de televisão? Me parece que não (e espero estar errada). Em vez de, como autointitulada feminista, apontar que este é mais um crime do machismo, colocou a culpa na família da vítima. Ela sabe como Eloá era criada? Sabe se faltava apoio familiar? E, quem diz que a menina transava com Lindemberg: você estava lá? Que diferença isso faz no caso?

Depois se entrou na discussão de que o correto seria falarmos em erotização precoce, e não em sexualidade, já que esta é inerente ao ser humano, como demonstrei no último post. Qual é a idade para isso? Quem disse? De onde veio a regra? As coisas mudam. Não só na época em que vivemos. Eu, adolescente nos anos 1990, não queria saber de sexo com 12 anos. Ainda brincava na rua, jogava bola, subia em árvore. Mas tive um namoradinho (opa! ele era da minha idade). Durou um fim de semana e eu nem beijei ele. Eu fui precoce?

Hoje, pra quem nasceu após a virada do século (e que estão fazendo os tais 12 anos), as coisas mudaram muito. São jovens mais bem informados, mais independentes. Não sou socióloga, nem psicóloga, nem antropóloga. Mas… muita gente fala em diminuir a maioridade penal. Chamam de monstros garotos que cometem crimes aos 10, 12 anos. Eles podem matar, mas não podem transar? Sinceramente, não sei a resposta. Não sei resolver essa equação. Se filhos tivesse, ficaria em casa angustiada sempre tentando entender e acertar na educação. Se ministra fosse, escolheria melhor minhas palavras e contaria com os tais sociólogos, antropólogos, psicólogos e toda a sorte de especialistas para me ajudar nisso.

Como sou apenas uma mera blogueira, posto abaixo um texto que já havia feito e entraria no ar apenas amanhã. É a minha experiência pessoal. Como disse, de uma jovem mulher que foi adolescente na década de 1990, isto é, há vinte anos. Uma sociedade muda em duas décadas, lembrem-se disso. Não adianta vocês quererem viver lá no passado.

***

O que você faz individualmente, dentro da sua casa, é problema seu. Quer ser rígido e não permitir que os filhos saiam à noite? Ou que fumem? Ou que bebam? Ou que transem?

Ok, isso é uma escolha baseada no jeito que você foi criado, nos próprios medos e inseguranças, na sua religião. O que incomoda na fala da Ministra é que ela falou como agente político, e não como uma “zelosa” (e autoritária) mãe. Eu não terei filhos, mas sou uma cidadã relativamente engajada, pouco alienada e que escrevo sobre sexo. Então, a respeito do tema eu confio no meu próprio bom senso, em autores que estudaram o assunto, em documentários sérios acerca da questão. Mais que tudo: eu lembro do que eu passei e observo muito como nos comportamos socialmente. Além dos incontáveis e-mails, eu pergunto, questiono – faço quase um interrogatório.

E, com tudo isso, eu vejo que de nada adianta proibir. Não porque “o proibido é mais gostoso”. Eu não concordo com isso. Nunca achei “gostoso” encontrar com meu namorado escondida. Odiava. Sentia culpa. Deixava de aproveitar o momento plenamente, como deveria acontecer.

Como já disse algumas vezes, transei pela primeira vez aos 15 anos. Jamais mencionei o assunto com a minha mãe. Eu sabia exatamente o que estava fazendo. Usamos camisinha. Nunca fiquei grávida ou tive qualquer DST. Mas, sinceramente, não posso creditar isso à educação sexual que tive dentro de casa.

Quando alguns artistas começaram a morrer por HIV, como Cazuza e Freddie Mercury, minha mãe comprou uma camisinha e nos mostrou. Explicou o que era a doença e disse como deveríamos nos proteger. Eu era bem nova, sexo nem passava pela minha cabeça.

Menstruei aos 10 anos, transei aos 15 e só fui ao ginecologista aos 17, quando já morava sozinha. Entre minha primeira transa e a minha saída de casa (dois anos mais tarde), minha mãe veio conversar comigo sobre meu namorado. Disse “imagina se você tivesse transado com o primeiro namorado, hoje você estaria sem ele e não seria mais virgem”. Eu ri muito por dentro. Muito. Eu havia de fato transado com o tal primeiro namorado e já havia feito o mesmo com o segundo. Detalhe: ele era virgem.

Só que durante alguns anos eu tive muito medo de que minha mãe descobrisse que eu não tinha mais – olha só que coisa! – um hímen. Eu não podia ir pras festas de carona com meus namorados, pois não podíamos ficar sozinhos. Mas aí ela ia me deixar… e eu fugia das festas. Sozinha com o namorado. Em muitas dessas vezes eu não transei, pois ainda era virgem e não ia transar só porque a oportunidade apareceu. Em outras, eu transei, no carro mesmo, naquela famosa rapidinha.

Durante anos eu rezei para que minha menstruação descesse todo mês. Tinha medo da reação da minha família caso eu engravidasse (engraçado… jamais me incomodei com a parte “social” da coisa). Muito tempo mais tarde, já morando sozinha, tinha de inventar desculpas quando ia sair com algum moço e estava recebendo visitas da família. Era mais fácil mentir do que ter de dizer o que o garoto fazia, o que estudava, há quanto tempo a gente saía e se iríamos namorar. E, na volta, ainda tinha de dizer como o filme tinha sido bom ou a comida (ui) estava gostosa. Tudo inventado, tudo ficcional, pois o máximo que eu poderia dizer é como era a suíte do motel da vez.

Estava conversando com uma amiga há pouco e ela comentou que a mãe dela dizia que a bunda da mulher caía depois da primeira transa. Assim, não adiantava essa minha amiga esconder caso fosse pra cama com alguém. Só pelo formato da bunda a mãe descobriria as peripécias da filha.

Que tipo de educação sexual é essa? Que quer que a gente adie e adie e adie a primeira transa? Pelo que vejo aqui no blog e nas minhas amigas, talvez um ou outro de nós tenhamos adiado um pouco, sim. Mas todos fizemos. E, quando isso aconteceu, o sexo veio carregado de culpa, como se fosse sujo, proibido. Um pecado.

Assim, os primeiros anos de vida sexual da maioria de nós não foi nada feliz. Ok, atingíamos o orgasmo (o que é sempre delícia), mas não era pleno. Era como se tivesse uma vozinha dentro de nós relembrando quão errado era aquele comportamento.

Em vez disso, pais e mães deveriam lidar com o sexo de maneira natural, porque é exatamente isso que ele é. Não estou dizendo que deve ser fácil perceber que o filho, que até ontem era um bebê, hoje já é grande o suficiente para ter vida sexual. Mas, como pai, você deve orientar, e não proibir.

Virgindade tardia

Recebo muitos e-mails de virgens que já passaram (às vezes, muito) dos vinte anos. A maioria tem a mesma dúvida: como dizer para o parceiro que aquela é a sua primeira relação sexual? Aliás, o questionamento começa antes ainda. É necessário contar?

Minha experiência no assunto é nula. Transei cedo, aos 15 anos, como já contei aqui. Até pouco tempo atrás eu tinha um certo preconceito com quem demorava demais a transar. Achava que havia algo de errado, como se a pessoa tivesse uma espécie de bloqueio. Em muitos casos, isso é verdade. Em outros, a pessoa acreditou no mito do “a primeira vez tem de ser com alguém especial”; esperou, esperou, e esse tal ser jamais chegou. Também há os mega tímidos, ou ainda os que tinham problemas de autoestima, com muita vergonha do corpo. O tempo passou e agora alguns desses virgens ficaram envergonhados pela falta de experiência.

Não é uma crise boba. A gente vive a nossa sexualidade de maneira muito tortuosa. Se você dá muito, você é puta; se nunca deu, é bobalhão. Se for homem, então, é frouxo. Por conta disso, poucos são os que confessam nunca terem ido pra cama com alguém. Com os emails que recebo, porém, vejo que isso é muito mais comum do que se imagina.

A primeira coisa que deve ser analisada é: qual a idade ideal para transar pela primeira vez? Eu transei com o primeiro namorado, aos 15, e foi tudo bem (quero dizer, doeu pra caralho). Fiz porque quis, sem ceder a pressões. Usamos camisinha, eu não esperei pedidos de casamento e nem achei que iria “prender” ele com sexo. Mas quantos jovens transam sem maturidade para isso e engravidam na adolescência? Como quase tudo no sexo, não acredito em regras para isso. Já recebi emails de leitoras dizendo “perdi a virgindade tarde, aos 19 anos”. Tarde? Acho realmente necessário deixarmos de lado essa coisa de “passou dos 20 e não transou, perdeu a hora”. Conheço vários homens que tiveram a primeira – e única – relação aos 16-17 (idade em que parece ser aceitável transar para não ser chamado de bobão), e só transaram de novo aos 20, 20 e poucos. Nem preciso dizer que aquela foda da adolescência foi um mero pau-dentro-da-buceta, né?

Mas se você acha que a idade é realmente assim tão importante e está morrendo de vergonha de ainda ser virgem, vamos à segunda questão: devo falar? Eu falaria. No caso das mulheres, é provável que ele perceba. Não pelo sangramento, que não acontece em todas as vezes e pode ocorrer depois que você já está em casa. Mas é que provavelmente vai doer, e o rapaz precisa ter um pouco mais de cuidado que o normal. Talvez você nem consiga ir até o final de primeira. Claro que você pode fingir, mas é isso que você quer?

Quanto aos rapazes, não há nada tão óbvio que nos faça notar que vocês nunca fizeram aquilo. Talvez exista um mal jeito em colocar a camisinha, mas certamente você não terá o ritmo normal de sexo, seja gozando muito rápido, seja no simples movimento dos quadris. Ela não vai conseguir cravar: “virgem”, mas talvez ela imagine que você é MUITO ruim de cama. E, a julgar pelas reações ao meu leitor de 25 que era virgem, mencionado em outro post, muitas mulheres adorariam ser a primeira de alguém.

Então você decidiu contar, e fica imaginando em que situação seria melhor fazer isso. Mais uma vez, não há regra. Que tipo de relação você tem com a pessoa com quem vai transar? Acho desnecessário ser um grande amor, aquele tal ser especial. Mas é preciso ter uma relação bacana, de companheirismo, porque provavelmente vai ser preciso um pouco de paciência para te “ensinar” algumas coisas. Assim, não devia ser difícil você simplesmente falar. Talvez a pessoa se surpreenda, mas se for bacana vai te tratar com todo carinho.

Tem gente que despiroca por aí e transa a primeira vez com completos desconhecidos, só para se livrar do “fardo”. Conheço casos em que isso deu muito certo. Mas se não é a sua, eu enxergo a sinceridade como a melhor saída. Sempre.

***

Uma leitora colocou o seguinte comentário aqui no blog neste fim de semana:

Oi Leticia, sempre leio seu blog e sobre o post do vaginismo eu ficava horrorizada com as experiências das garotas. Eu era – sou? – virgem. Nesse final de semana tentei com um amigo pela primeira vez. Várias vezes. Doeu demais, sangrou demais, e não consegui uma penetração completa. Isso é normal da primeira vez ou você acha que eu tenho algum problema? Eu etava bem relaxada, mas agora sei que na próxima vez vou ficar receosa, com medo dessa dor terrível. Responda por favor! Obrigada.

Eu mesma digo sobre a minha primeira vez que não sei em que dia aconteceu. Doeu tanto, mas tanto, que eu não pude precisar se o pau estava dentro ou fora. Nas vezes seguintes também doeu uma enormidade. Sinceramente? Depois a dor passa. Se não passar, procure ajuda médica.