
Desde que comecei este blog me deparei com o que há de pior nas pessoas. Recebi muitos xingamentos horrorosos, pragas diabólicas e coisas do tipo. Felizmente as coisas acalmaram, ainda que volta e meia (todo dia, mas em menor número) eu tenha de excluir comentários maldosos.
Fui aprendendo a lidar com isso e a não dar tanta importância. Conheci muita gente bacana pelo blog. E não só eu: há um grupinho de amigos virtuais que se conheceram nos chats que a gente faz de vez em quando por aqui. Acho super legal vê-los interagindo no Twitter. Pessoas de vários lugares do Brasil, com bagagem completamente diferente, se encontraram por causa do blog.
Também conheci o namorado porque ele é leitor. Nosso primeiro encontro foi totalmente por acaso. Eu estava gripada, com preguiça de sair, e já havia combinado um almoço com um amigo. Aliás, seria um almoço com “sobremesa”. Meu querido amigo se enrolou no trabalho, eu acordei melhor da gripe, e resolvi ir lá ver qual era.
Fui muito feliz naquela tarde e noite. Jamais esperei ou desejei me apaixonar. Aconteceu. Estou muito satisfeita com os rumos da minha relação com ele e escrevi sobre o assunto no último post. O texto não chega nem próximo de demonstrar o meu real contentamento em tê-lo na minha vida.
Namorado é bem humorado, inteligente, criativo, gostoso, carinhoso, atencioso. Para vocês terem uma ideia, ele lê as blogueiras feministas, prefere a TPM à Trip, devora livros sobre sexualidade. Alguns dos textos sobre os quais já falei aqui ou no Twitter foram indicados por ele.
Mas a minha felicidade aparentemente irrita algumas pessoas. No último post há vários comentários me desejando sorte. Só que há aqueles dizendo que meu relacionamento não é sério, ou que a história é fake, ou que tudo o que eu sempre desejei, na verdade, era arrumar um namorado e por isso eu me joguei nos braços de qualquer um.
Estes comentários são desrespeitosos a mim, mas dessa vez há outra pessoa envolvida. Namorado não é “qualquer um”. Ele é um dos caras mais incríveis que eu já conheci na vida. E olha, eu já conheci MUITOS homens.
Ele também não é o primeiro/único homem do mundo a me dar atenção. Eu não sofro do chamado “dedo podre”; escolho com uma certa competência os amigos e homens que me rodeiam. Eu observo pessoas, tenho um nível de exigência um pouco elevado, e não abro minha intimidade para qualquer um. Abro minhas pernas, sim, mas chegar realmente perto não é assim tão fácil.
Sou muito amada e querida por quem me cerca. Verdade, tenho uma personalidade difícil, ácida, ranzinza, e por isso mesmo algumas pessoas me detestam. Normalmente é recíproco, então vida que segue.
O amor que recebo dos meus homens, dos meus amigos e da minha família me faz bem e me satisfaz. Sim, eu quero ser amada. Lógico! E namorado veio SOMAR nesse aspecto, e não completar.
O fato de ele ainda não querer morar comigo também trouxe espaço para as pessoas dizerem que ele não quer nada sério comigo. Bom, primeiro isso é um problema só nosso, não é mesmo? Em segundo lugar, se o namoro de um amigo de vocês demora anos para virar noivado, depois não sei mais quantos anos para virar casamento, ninguém acha nada errado, né?
Então, o que tem de errado no fato de o namorado não querer morar comigo em dois meses de namoro?
Eu conto pra vocês: as pessoas que acham que ele não quer nada sério comigo é porque não conseguem aceitar que uma “puta” possa ser amada. Como assim uma mulher que queria transar com cem homens pode ter alguém que realmente goste dela? Quem ela pensa que é? Isso é impossível! Os homens só querem comer e sair fora! Quem mandou ser vadia?
Não é exatamente isso?
É assustador. Não quero namorar com nenhum de vocês. Não só porque eu não os conheço, mas sim porque o pouco que já percebi é o suficiente para que eu perceba quão baixos vocês são.
Também vi alguns comentários dizendo que casamento aberto é indício de falta de seriedade. Juram? Eu tenho leitores que vivem – e muito bem! – assim. Casados, com filhos. Família de propaganda de margarina. Olhando de fora, vocês jamais imaginariam que eles transam com quem desejarem. Trocam casais, participam de surubas. E são felizes. Não é isso que todos nós queremos?
A babaquice chega em níveis tamanhos ao ponto de alguém dizer que, enquanto eu estava me declarando, o namorado estava viajando e comendo outra. Por mim ele não precisa nem viajar para transar com alguém; ele pode fazer isso estando aqui em São Paulo mesmo! O irônico é quem exatamente naquele momento que um desocupado fazia o comentário, eu estava falando com o namorado no gtalk – e fazendo encomenda de cosméticos! Igualzinho a um casal “normal”.
Jamais incentivei ninguém a viver da mesma maneira que vivo. Eu mal sei se as minhas escolhas são certas, imagine se vou cagar regra na vida alheia. Este ano, mais do que aprender novas posições sexuais, eu aprendi a respeitar a diversidade. Vi que há pessoas sendo felizes de maneiras pouco convencionais – e gente sendo muito infeliz dentro do padrãozinho que nos fizeram acreditar que seria o passaporte para uma vida plena.
Sou verdadeiramente feliz, e se a minha felicidade te incomoda (com o agravante de sequer nos conhecemos), quem tem problema aqui não sou eu. Você pode não querer um relacionamento aberto, pode não querer transar com cem homens, pode achar nojentas certas taras, mas não meça o mundo com a sua régua. Isso é ser intransigente, isso é não saber viver em sociedade, isso é desrespeitar a diversidade.
Somos únicos, cada um com seus medos e anseios. Só alguns de nós, todavia, conseguimos ser felizes. Destilar veneno por aí não indica que você esteja pleno; aliás, mostra justamente o contrário. Em vez de procurar defeito na vida dos outros, que tal procurar na sua? Identificar o que está errado em você é um grande passo. Talvez assim, finalmente, você comece a experimentar o que é a felicidade. Eu recomendo. Não sei viver sem ela.
*explicando a foto: pra mim, a felicidade pode ser traduzida num cachorro na grama com uma bola. o meu adora.