Aqui ninguém toca!

Acho que não existe tabu maior para o homem heterossexual do que imaginar o próprio cu sendo manipulado. Ou você já ouviu algum machinho dizer, numa roda de amigos no boteco, que adora um fio terra?

Imaginem a cena. Um grupo de rapazes ouve atentamente as peripécias sexuais do carinha que saiu com uma mulher na noite anterior. Em vez de dizer que deu-cinco-sem-tirar-de-dentro, ele fala “ela estava lambendo meu saco, foi descendo e quando chegou no meu cu, eu delirei”. Conseguem visualizar? Não, né?

Simplesmente porque isso não acontece. Não que eu ache necessário espalhar aos quatro ventos sobre o que acontece na sua cama, mas o cara acaba contando que fez assim ou assado. Falar de cu, porém, JAMAIS.

Pena. Mais um tabu para nosso extenso rol de coisas mal resolvidas no que se refere a sexo.

O grande medo do homem hetero é ser chamado (ainda que por si mesmo) de gay. Claro! Gay é quem tem prazer anal, né? Não. Parece ridículo relembrar: homossexual/bissexual sente atração por pessoas do mesmo sexo. Podem até nem dar o cu!

Todo mundo já leu por aí que a região do ânus é bem mais erógena para os rapazes. Sentir prazer ali não diz nada sobre uma eventual homossexualidade. É físico. E pode aumentar – e muito! – o prazer da relação sexual.

Eu te conto como.

A criatividade do ser humano não tem limites, mas tentarei mostrar nesse post algumas das técnicas mais utilizadas.

O temido fio terra. Em toda a minha vida sexual, só um cara me “disse”, na hora H, que curtia a estimulação no ânus. Não precisou de palavras. Eu estava deitada na cama e ele de pé ao lado. Enquanto eu o chupava (boquete puro e simples), ele pegou a minha mão, lambeu um dos meus dedos e enfiou no cu. Foi o orgasmo mais intenso que eu já o vi tendo. E eu não vi ele gozando poucas vezes, não.

Eu morro de medo de fazer fio terra. Minha unha é grande, e como a região é muito sensível e vascularizada, fico receosa de machucar (alguma sugestão?). Também tenho um sério problema de saber como é o tal dedo no cu – como eu não gosto, fico achando que o parceiro também não vai curtir. Sei que é uma enorme idiotice minha, mas ainda não consegui me desvencilhar desses pensamentos.

Durante o live de domingo um leitor disse que pedia à parceira para que ela usasse camisinha no dedo. Assim, a mão dela não ficaria mal cheirosa (sim, gente, é um lugar por onde sai cocô. livrem-se dos nojinhos). Pode ser uma boa.

Beijo grego. Também conhecido por cunete, o beijo grego sempre traz dúvidas quando o menciono aqui. Muita gente desconhece os termos. Eu espero que conheçam a prática, que nada mais é do que o beijo no cu. Aí, amigo, devo dizer que nunca vi um homem que não curtisse. Eles vão ficando totalmente entregues, até meio enlouquecidos. A sensação é ótima; deve ser parecido com o momento em que o homem percebe que a mulher vai gozar com sexo oral.

Tanto no beijo grego quanto no fio terra (e também na inversão, dependendo da posição) é bacana fazer isso e masturbar o cara ao mesmo tempo – ou deixar que ele mesmo faça isso. Sim, o ânus é uma região propícia a bactérias e etc. Não sei como resolver isso sem ser com o velho plástico de cozinha. E, homens, por favor: querem isso? Deem uma lavadinha bacana antes.

Inversão. Se as duas práticas anteriores já são difíceis de encarar para grande parte dos rapazes, imaginem a inversão. A parada é a seguinte: com um brinquedo ou uma cinta, a mulher “come” o parceiro. Além do tal tabu com o ânus, ainda tem a questão da dominação. Difícil ficar de quatro e deixar uma mulher te penetrar, né? Só de pensar já te dá uma sensação de ser a “mulherzinha da relação”? Pois é, então repense quando achar bobagem uma “feminista extremista” dizer que transar de quatro submete a mulher, ok? (eu transo de quatro e não vejo isso como submissão, mas sei que para alguns homens a posição traz, sim, a ideia de “quem manda nessa porra sou eu”. triste, mas verdade).

Acho uma grande bobagem pensarmos em dominador e dominado na hora do sexo, a não ser que seja esse exatamente o seu tesão. Estamos ali nos curtindo, buscando dar prazer ao outro. Sexo deve ser mútuo, sempre. Mas, por conta dessa vibe “dominação” ser mal vista por alguns, pode-se chamar de pegging, também (mais uma contribuição do live de domingo. eu não conhecia o termo).

Caso seja um pouco demais ver sua parceira usando uma cinta ou que ela introduza em você um pênis de borracha, você pode utilizar aqueles vibradores de aparência mais simples.

Vale também usar os plugs anais (para ver os produtos, prestigiem os anunciantes ali da lateral esquerda). Eles podem ser utilizados durante a penetração, e vão massageando a próstata. Aliás, eles também podem ser usados pelas mulheres.

É importante lembrar que não é bacana você enfiar qualquer coisa no ânus. Essas histórias de pedaços de frutas no reto NÃO É LENDA URBANA. Garrafas, por exemplo, fazem uma sucção e não saem mais lá de dentro, sendo necessária intervenção médica. Você tem mais vergonha de quê? De entrar num sex shop e comprar um vibrador (ou pedir pela internet, que é mais discreto ainda!), ou chegar na emergência do hospital com uma lâmpada enfiada no rabo?

Questões de segurança à parte, acho realmente que precisamos mudar nossa perspectiva em relação ao ânus. Isso vale para nós, mulheres, sim, mas hoje o post é para eles. Conheço garotas que teriam uma síncope se o namorado confessasse ter prazer ali. Sei que o preconceito não vem só por parte dos garotos.

Como disse, poucas vezes me disseram que curtiam ser massageados no cu. Dá para descobrir quando você vai chupando/lambendo o saco, descendo, descendo… Se o cara não curtir, talvez ele peça para você parar ou mude de posição (sinceramente, nunca aconteceu comigo). É bem provável, se ele gostar ou tiver curiosidade, que ele abra mais as pernas, deixando o caminho livre. Aí, amiga, não tenha dúvida.

Gaiarsa fala sobre o assunto no Sexo, livro que já indiquei aqui anteriormente. “O machão jamais se permitirá ou reconhecerá que ‘lá’ pode ser agradável ou mesmo que ‘ele’ – o rabo – faça parte do orgasmo”, observou o psicanalista.

Mais à frente Gaiarsa sentencia: “Alguns, mais atrevidos, descobrem que, se ele [o ânus] puder participar as coisas ficam até mais coloridas, mas não conte a ninguém que um dedo lá pode aumentar o colorido…”.

Nem precisa contar, portanto. Mas deixe sua vida mais colorida.

Caralho dói pra caralho

Antes que me xinguem de vulgar, devo dizer que a frase-título do post não foi escrita por mim, mas sim por Caio Fernando Abreu, um dos escritores brasileiros mais bacanas que já li. Em Pela noite, Caio F. diz:

Tem a dor, a puta dor. Caralho dói pra caralho. Tem uns jeitos, uns cuspes, uns cremes. Mas é nojento pensar que o pau do outro vai sair dali cheio da sua merda. Mesmo nos casos mais dignos, você consegue imaginar Verlaine comendo Rimbaud?

Tinha 19 anos quando fiz sexo anal pela primeira vez. Namorava há pouquíssimo tempo e tinha experiência sexual quase nula. Estávamos eu e o tal namorado de semanas transando na minha então cama de solteira. Depois do sexo, deitamos de conchinha. O que eu não sabia é que o pau dele NÃO fica mole após gozar. Ele entendeu, portanto, que eu queria fazer sexo anal. Começou a se roçar em mim e eu deixei. Foi ótimo; cheguei muito perto de gozar. Ele sabia muito bem o que estava fazendo: não forçou a barra e me deixou guiar a situação.

Depois disso tive poucas experiências de sexo anal, se compararmos com a quantidade de vezes que transei. Logo depois desse namorico, namorei dois anos um cara e sempre fazíamos anal. Eu não curtia. Não chegava a achar ruim, mas também não me divertia. Ficava tão paranoica com aquela sensação de que algo errado ia acontecer assim que ele tirasse o pau de dentro de mim que não conseguia relaxar. Algum tempo mais tarde me envolvi com um cara bem mais velho (já quase quarentão, enquanto eu tinha uns 24 anos), com um pauzão grande e grosso – e com ele, sim, eu gostava. Adorava. Até o dia em que ele me machucou. Não foi de propósito (ele era bastante gentil e educado), mas cheguei a sangrar. Fiquei meio traumatizada, e ainda hoje fico com medo de me ferir de novo. Dos 27 homens com quem transei esse ano, alguns tentaram e poucos conseguiram. Acho que só o 3 “logrou êxito” na empreitada. A maioria, é verdade, não tem nem noção de como começar a fazer.

Recebo emails de vez em quando pedindo dicas de como fazer sexo anal. Não sou profissional da coisa, mas posso tentar ajudar. Fiz uma lista de 10 pseudo-dicas de como começar a brincadeira, segundo minha experiência e o feedback dos leitores. Cada um tem de achar seu jeito. Sexo anal pode ser bem gostoso.

Dica 1

Essa é a principal e que deve sempre ser observada: você deve estar quase implorando para ele te penetrar por trás. O tesão tem de ser gigantesco, se não é muito difícil relaxar. Não adianta tentar para agradar – você pode até conseguir enfiar alguma coisa, mas a garota não vai curtir (a não ser, claro, que a dor seja excitante para ela. Não é o meu caso).

 Dica 2

Lubrificação é essencial? Não diria essencial, mas ajuda muito. Essa primeira vez que fiz, por exemplo, não usamos nada. Mas o pau dele era meio pequeno e não era grossão. Pelamordedeus, não cuspam na bunda da garota. Um lubrificante custa cerca de R$ 8 e dura pra caramba. O pênis tende a “escorregar” do buraco certo, então preste atenção no que você está fazendo.

Dica 3

A melhor posição, para mim, é de lado, mas eu não sou a maior fã de ficar de quatro, também, mesmo em penetração vaginal. As mulheres geralmente gostam de “guiar” a penetração. Assim, tudo o que o homem precisa fazer é ficar lá paradão, de pau duro, e a garota vai se encaixando. Fica mais fácil do que berrar “Ai, tá doendo” a toda hora.

Dica 4 

As expressões “cagar no pau” e “passar cheque” existem por uma razão: isso acontece mesmo. Nunca rolou comigo, mas conheço relatos constrangedores disso. Por mais natural que seja, MORRO de medo de acontecer comigo. Não sei onde iria enfiar a cara. Bom, no meu cu é que não seria. Dói muito.

Dica 5

Tem como evitar o tal “passar cheque”? Não sei. Tenho amigas defensoras da lavagem intestinal, mas nunca fiz e não tenho certeza se isso é saudável. Prometo perguntar à minha médica na minha consulta do fim desse mês. Há quem seja adepto do chuveirinho do banheiro antes do sexo anal, também. Eu não faço nenhuma preparação. Se você está com vontade de fazer cocô, por favor, não invente de fazer sexo anal, né?

Dica 6

“Vou lamber, chupar e beijar o cu dela para ‘amaciar’.” Pode até funcionar com outras, amigão, mas comigo não rola. Tenho agonia de alguém lambendo meu cu, confesso. Acho que vou começar a cagar no pau já ali, e fico teeeeeeeeensa. Mas funciona com algumas meninas. Conselho: lamba, chupe e beije a parte da frente, também conhecida como clitóris, para deixar ela enlouquecida (lembra da dica 1? é preciso estar com MUITO tesão).

Dica 7

“Fico com a sensação de que vou fazer cocô durante o sexo anal. É normal?” Pense bem: aquele buraco ali é para alguma coisa sair, certo? Quando você usa sua musculatura no sentido contrário, dá uma agonia, uma sensação de que algo não está certo. Depois de um tempo, você consegue identificar que está tudo sob controle, mas no início pode ser angustiante.

Dica 8

“Por quê eles sentem tanto prazer em dar o cu e a gente não?” O prazer dos rapazes é físico por causade uma glândula que eles têm ali. Na gente, a coisa é mais psicológica – por isso é importante estar no clima para fazer anal.

 

Dica 9

Camisinha SEMPRE. Não é porque você não engravida pelo cu que não deve usar. É muito mais perigoso pegar alguma doença com sexo anal do que com vaginal. Jamais, sob hipótese alguma deixe que ele penetre você pela frente depois de ter entrado atrás. A gente aprende a se limpar no banheiro da frente pra trás, né? Pois é.

Dica 10

“Dar o cu é coisa de puta e de homem dominador.” Se você ou seu parceiro acham isso, vocês não merecem experimentar os prazeres de uma boa foda. Aliás, não saberia dizer nem o motivo pelo qual você está lendo esse blog.

E você, leitor querido, tem alguma dica para nos dar? Por falar em dar, gosta de anal? Fez, nunca fez, faz com frequência? Me conte aí. Nunca fui tão sincera em um post, seja você também nos comentários.

Muito mais que um tabu

Nota da blogueira: tudo o que escreverei neste post — como em quase  todos os outros — carece de estatísticas formais ou coisa do tipo. É tudo baseado em minhas experiências e em relatos de amigos.

Na terça-feira saí para jantar com uma amiga com quem não conversava há tempos. Ela começou a me contar sobre um ex-namorado e, digamos, suas preferências sexuais. Envergonhadíssima, deu detalhes sobre como percebeu que o ex curtia estímulo na região do ânus.

Essa me parece ser uma questão inevitável na cama de um casal heterossexual. As perguntas são muitas. Quando ainda não há intimidade, costumamos nos questionar sobre como abordar o assunto. Na hora da transa, devo tentar tocá-lo ou beijá-lo no ânus? Ou devo perguntar se ele gosta? E se gostar, é gay? E se gostar muuuuito, vai me deixar por um homem?

A gente está cansada de saber que eles sentem mais prazer na região do que nós. Mesmo assim, o questionamento acaba sendo inevitável. O machismo e o medo de ser confundido com homossexual fazem com que alguns homens jamais tenham qualquer experiência nesse sentido. Conheço quem esbraveja aos quatro ventos que nunca deixou — ou deixará — qualquer mulher chegar perto dali. Eu até hoje não sei como captar os sinais.

Alguns homens são mais óbvios. Quando você começa a tocar ou beijar o períneo, eles já vão virando o corpo, deixando o caminho mais livre. Mas nem assim consigo perceber até onde devo ir. Imagino se tal movimento não é apenas mera empolgação. É difícil demais perceber o que ele quer. Já aconteceu de pegarem a minha mão e colocarem lá — fácil, prático e não deixa dúvidas.

Perguntei no Twitter como as pessoas se sentiam em relação a isso e recebi um e-mail muito esclarecedor de um leitor. Ele me contou que só foi estimulado na região recentemente — e olhem que ele já passou dos 30 anos. Isso não é nada surpreendente, infelizmente. Para mim, o ideal é explorarmos todas as possibilidades de prazer que nosso corpo nos oferece. Nunca conheci um único homem que não curtisse ser acariciado ali.

Você ainda acredita que quem gosta de carícias no ânus tem tendências homossexuais? Bobagem. O prazer na região é biologicamente comprovado. Homossexual é quem sente atração por pessoas do mesmo sexo. O que eu penso sobre isso? Vou ainda mais longe: acredito, mesmo, que em algum momento do futuro nós não iremos sequer separar as pessoas por sexo, quanto mais por orientação sexual. Mas esse (polêmico) assunto merece um post (ou muitos) só para ele.

Por enquanto, quero saber: vocês estimulam seu parceiro na região anal? Como se sentem sobre isso? Você, leitor, gosta da coisa?