Excelente propaganda de camisinhas

Enquanto há quem faça apologia ao estupro para vender preservativos, também há quem tenha ideias criativas e sem nenhuma, absolutamente nenhuma alusão a sexo.

O vídeo abaixo foi escrito e dirigido pela jovem francesa Charlotte Rabate, estudante da Tisch School of the Arts, da Universidade de Nova York. O comercial, portanto, não é oficial; é apenas um “exercício”. E ficou demais!

Pra completar, ainda tem Sonic Youth na trilha sonora!

Durex ad long version from Charlotte Rabate on Vimeo.

Viram que bacana? Há quem trate tudo com bom humor e cuidado.

Camisinha não é coisa de vadia

O ~alta social media~ decretou: ”Mulher: se um cara põe camisinha sem vc pedir é pq ele te acha uma vadia.”.

Minha cara ao ler esse tipo de coisa em setembro de 2012:

Infelizmente tal pensamento ainda é muito comum. Muita gente dizia que, com minha quantidade de parceiros, eu seria um poço de DST. Sabem uma coisa curiosa? Eu nunca tive nenhuma. Também não escondo de nenhum parceiro o meu passado (e presente) sexual, mas mesmo assim alguns deles não fizeram essa questão toda de usar preservativo comigo.

Eu sempre fiz questão (não, não vou dizer que jamais transei desprotegida. Já rolou e eu me arrependi amargamente).

Quando alguém dispensa a camisinha com você, essa pessoa não está necessariamente te dando um sinal sobre o que ela acha de você. Ela está falando de si mesma: é tão arrogante que acha que ela mesma é imune a doenças sexualmente transmissíveis.

Porque se você está num relacionamento (casual ou não) e a camisinha nem entra em pauta, é bastante provável que aquele (a) parceiro (a) também não faz questão de usar o preservativo com outras pessoas. E bom, vocês já sabem o que acontece.

Comecei minha vida sexual lá na década de 1990. Todo mundo parecia mais preocupado com o HIV. Grandes nomes de especial influência na minha existência morreram por causa do vírus (Cazuza, 1990; Freddie Mercury, 1991; Renato Russo, 1996). A gente via nossos ídolos lutando e definhando. Sarcomas aparentes. Perda de peso. Queda de cabelo. Fim.

Na época, as camisinhas eram mais caras e muito desconfortáveis. Quem sofria de alergia… tinha de sofrer, pois só as de látex eram vendidas. E, apesar de extremamente grossas, estouravam.

As coisas mudaram pra melhor em todos os aspectos. Contrair o HIV já não é uma sentença de morte – e talvez por isso mesmo algumas pessoas se considerem invencíveis. Ser soropositivo, porém, requer uma série de cuidados com a saúde, como vocês podem ver nessa reportagem do Profissão Repórter do ano passado.

Prevenir-se também ficou mais fácil. As camisinhas se tornaram mais baratas e confortáveis, sendo encontradas em diversos tamanhos e materiais diferentes.

Há alguns dias uma leitora mandou e-mail dizendo ter dificuldade em usar camisinha com o namorado, pois o pênis dele é bem grosso. Ele reclamava que os preservativos apertavam demais. Eu disse para ela testar a Preserv Extra Premium (nunca usei), que tem 58mm de diâmetro (as comuns têm 52).

Ela testou e me respondeu dizendo que foi ótimo: “Ele disse até que tem que colocar a mão de vez em quando pra ter certeza que não saiu, pois a sensação é de estar praticamente sem”.

Mesmo com tantas boas notícias, os preconceitos (como do tuiteiro mencionado acima) persistem. E deixam pessoas doentes. Em dez anos, dobraram os casos de HIV na terceira idade. Muitas das infectadas são mulheres monogâmicas e casadas.

Enquanto tratarmos o sexo como um componente do “caráter”, os números continuarão aumentando. Não consigo ver motivo razoável para deixar a camisinha de lado, mesmo em relações mais duradouras e teoricamente monogâmicas. Mas, caso você decida fazer isso, por favor faça exames completos antes, sempre observando a janela imunológica. Se cuidem.

E deem unfollow nesses imbecis cheios de preconceitos. A saúde física e mental de vocês agradece.

O número de parceiros e as DSTs

Na época em que eu relatava meus encontros sexuais aqui no blog recebi toda sorte de xingamentos. Uma das “preocupações” das pessoas que jamais conheci era a minha saúde.

“Com tanto homem assim”, era “óbvio” que eu ia pegar alguma doença sexualmente transmissível. O assunto voltou à baila depois do post sobre namorar uma garota de programa.

Nós, as putas, seríamos responsáveis por todo o mal em forma de vírus, fungos e bactérias do mundo. Os moralistas e punheteiros de plantão (nada contra punheta. acho lindo. mas quem SÓ faz isso deve ter problemas) acham que a abstinência sexual os protege de doenças. Bom, a igreja também prega isso – e com esse pensamento se evitam políticas públicas sérias de prevenção.

Daí você pode dizer que uma pessoa que transou com mais de três parceiros no último ano não pode doar sangue. São padrões instituídos, mesmo. Assim como os tatuados também não podem. Moralismo barato ou só cuidado excessivo e necessário?

Não sei dizer.

Só sei contar sobre a minha experiência – personalíssima e divertida pra caramba. Segundo estatísticas, eu tenho uma vida sexual mais movimentada que a média. SEMPRE tive. Não foi algo que surgiu na minha cabeça em 2011 e eu resolvi sair dando por aí.

Não. Sempre, sempre, sempre fui liberada sexualmente. Agora um pouco mais, porque também eu era eivada de machismo.

Pois bem. Eu, euzinha, nunca tive nenhuma DST. Nenhuma. Não tenho HPV, um mal que atingirá de 50 a 80% da população feminina do mundo e é o grande responsável pelo número de casos de câncer do colo do útero.

Já tive, como quase todas nós, candidíase. Você pode nunca ter chegado perto de alguma atividade sexual e pegar cândida. É um fungo, super comum, por exemplo, no verão, por causa do uso das roupas de banho úmidas. A coceira e o odor indicam; você usa um remédio por três dias, fica sem transar nesse período e pronto. Assunto resolvido.

Por que eu, com tamanha variedade de parceiros, nunca fiquei doente? Simples: piranha que é piranha sabe disso. E se liga, se cuida. Eu não transo sem camisinha. Não vou mentir e dizer que nunca aconteceu. Já, já aconteceu, e eu fiquei em pânico depois. Faço exames regularmente, vou à ginecologista, incluo o anti HIV quando vou colher sangue para ver, sei lá, meus hormônios.

Mas eu sei que as pessoas “automaticamente” pensam em doença quando veem uma pessoa mais “dada”. Será que é automático mesmo? Será que as estatísticas realmente mostram que quem transa mais, tem mais chance de contrair doenças? Se formos analisar só o número, friamente, sim. Mas são pessoas, que se comportam de maneiras diferentes – e dispensam ou não o uso de camisinha. Tem gente, inclusive, que tem TESÃO em transar sem proteção não pelo prazer no ato sexual, mas sim pela possibilidade de pegar HIV. Uma espécie de roleta russa dos anos 2000.

Isso tudo ficou muito claro pra mim há alguns anos. Eu transei com um cara comprometido. Noivo. Usamos camisinha o tempo inteiro. Alguns dias mais tarde ele me procurou porque estava com gonorreia. Além de querer me avisar, ele fez um tipo de acusação, como se tivesse contraído a bactéria na nossa relação. Eu não sei com quantas outras pessoas ele havia transado nos últimos tempos, mas sei que ele não usava camisinha com a noiva.

Ah, mas a noiva, aquele ser quase virginal, não poderia ter uma doença tão mundana, né?

Bom, o que eu sei é que EU não tinha.

O que vejo acontecendo é que as pessoas com um suposto relacionamento monogâmico deixam a camisinha de lado. Além do risco das puladas de cerca, o casal tende a fazer isso sem fazer exames e sem considerar a janela imunológica. Um olha para a cara do outro, diz que não tem vontade de sair com mais ninguém, que já estão “há tanto tempo juntos” e simplesmente para de usar preservativo. “No pelo é mais gostoso”, repete-se por aí.

Eu, que comecei a minha vida sexual há zilhões de anos, até concordo que há uma década havia uma enorme diferença entre transar com camisinha ou sem. “É como chupar bala com papel”, diziam. De fato, ainda mais para uma mulher alérgica, não era a coisa mais legal do mundo. Mas as camisinhas mudaram, ficaram mais fininhas, mais seguras e essa sensação melhorou muito. E, cá pra nós, é o que tem pra hoje.

Só que por uma espécie de conveniência os casais ignoram os riscos de contrair alguma doença. Tem homem que acha uma afronta a mulher pedir que ele vá ao médico. Peniscopia? Quem já fez? A mulher vai sempre ao ginecologista, mas e os rapazes?

Um tempo desses fiz uma enquete aqui voltada às mulheres perguntando se elas carregavam camisinhas. Não tenho acesso agora ao resultado, mas grande parte delas disse que isso era obrigação masculina ou que tinham vergonha de andar com preservativos na bolsa. “Coisa de puta.”

Como resultado, uma em cada dez jovens atendidas no SUS tem DST (leia mais aqui, no ótimo blog da minha amiga Mariana Perroni). Conheço mulheres que contraíram HPV com o primeiro parceiro sexual. Aos 20 e poucos anos estavam às voltas com cauterização do colo do útero. Outras viram o sonho de se tornar mãe indo por água abaixo porque já havia evoluído para um câncer.

Elas se acharam acima do bem e do mal porque eram “mulheres direitas”. Daí os homens não necessariamente “direitos” saem com essas moças “acima de qualquer suspeita” e também deixam a camisinha de lado. E assim as doenças são transmitidas.

A não ser que a pessoa esteja num estágio avançado de algumas DSTs, como a gente vê nos livros de biologia, nós não temos como saber se ela está infectada. Por isso, camisinha, sempre. Falso moralismo, nunca.

Educação sexual… para os pais (e para a ministra)

O post sobre as declarações da ministra Maria do Rosário sobre o caso Eloá levou a algumas discussões no Twitter. Algumas pessoas disseram que a ministra estava certa. Outras, que não deixariam uma filha namorar alguém tão mais velho. Teve quem reclamasse da tal sexualidade precoce (namorando aos 12 anos? queima na fogueira!).

A história toda me espanta. Fico surpresa como uma ministra pode falar tamanha asneira. Você pode até concordar que uma garota de 12 anos não deve namorar, especialmente alguém “tão mais velho”. Mas, eu pergunto: a ministra alguma vez foi lá falar com a mãe da Eloá? Oferecer apoio? Conhece os autos do processo? Falou da transformação do cárcere privado em novelinha trágico-romântica nas redes de televisão? Me parece que não (e espero estar errada). Em vez de, como autointitulada feminista, apontar que este é mais um crime do machismo, colocou a culpa na família da vítima. Ela sabe como Eloá era criada? Sabe se faltava apoio familiar? E, quem diz que a menina transava com Lindemberg: você estava lá? Que diferença isso faz no caso?

Depois se entrou na discussão de que o correto seria falarmos em erotização precoce, e não em sexualidade, já que esta é inerente ao ser humano, como demonstrei no último post. Qual é a idade para isso? Quem disse? De onde veio a regra? As coisas mudam. Não só na época em que vivemos. Eu, adolescente nos anos 1990, não queria saber de sexo com 12 anos. Ainda brincava na rua, jogava bola, subia em árvore. Mas tive um namoradinho (opa! ele era da minha idade). Durou um fim de semana e eu nem beijei ele. Eu fui precoce?

Hoje, pra quem nasceu após a virada do século (e que estão fazendo os tais 12 anos), as coisas mudaram muito. São jovens mais bem informados, mais independentes. Não sou socióloga, nem psicóloga, nem antropóloga. Mas… muita gente fala em diminuir a maioridade penal. Chamam de monstros garotos que cometem crimes aos 10, 12 anos. Eles podem matar, mas não podem transar? Sinceramente, não sei a resposta. Não sei resolver essa equação. Se filhos tivesse, ficaria em casa angustiada sempre tentando entender e acertar na educação. Se ministra fosse, escolheria melhor minhas palavras e contaria com os tais sociólogos, antropólogos, psicólogos e toda a sorte de especialistas para me ajudar nisso.

Como sou apenas uma mera blogueira, posto abaixo um texto que já havia feito e entraria no ar apenas amanhã. É a minha experiência pessoal. Como disse, de uma jovem mulher que foi adolescente na década de 1990, isto é, há vinte anos. Uma sociedade muda em duas décadas, lembrem-se disso. Não adianta vocês quererem viver lá no passado.

***

O que você faz individualmente, dentro da sua casa, é problema seu. Quer ser rígido e não permitir que os filhos saiam à noite? Ou que fumem? Ou que bebam? Ou que transem?

Ok, isso é uma escolha baseada no jeito que você foi criado, nos próprios medos e inseguranças, na sua religião. O que incomoda na fala da Ministra é que ela falou como agente político, e não como uma “zelosa” (e autoritária) mãe. Eu não terei filhos, mas sou uma cidadã relativamente engajada, pouco alienada e que escrevo sobre sexo. Então, a respeito do tema eu confio no meu próprio bom senso, em autores que estudaram o assunto, em documentários sérios acerca da questão. Mais que tudo: eu lembro do que eu passei e observo muito como nos comportamos socialmente. Além dos incontáveis e-mails, eu pergunto, questiono – faço quase um interrogatório.

E, com tudo isso, eu vejo que de nada adianta proibir. Não porque “o proibido é mais gostoso”. Eu não concordo com isso. Nunca achei “gostoso” encontrar com meu namorado escondida. Odiava. Sentia culpa. Deixava de aproveitar o momento plenamente, como deveria acontecer.

Como já disse algumas vezes, transei pela primeira vez aos 15 anos. Jamais mencionei o assunto com a minha mãe. Eu sabia exatamente o que estava fazendo. Usamos camisinha. Nunca fiquei grávida ou tive qualquer DST. Mas, sinceramente, não posso creditar isso à educação sexual que tive dentro de casa.

Quando alguns artistas começaram a morrer por HIV, como Cazuza e Freddie Mercury, minha mãe comprou uma camisinha e nos mostrou. Explicou o que era a doença e disse como deveríamos nos proteger. Eu era bem nova, sexo nem passava pela minha cabeça.

Menstruei aos 10 anos, transei aos 15 e só fui ao ginecologista aos 17, quando já morava sozinha. Entre minha primeira transa e a minha saída de casa (dois anos mais tarde), minha mãe veio conversar comigo sobre meu namorado. Disse “imagina se você tivesse transado com o primeiro namorado, hoje você estaria sem ele e não seria mais virgem”. Eu ri muito por dentro. Muito. Eu havia de fato transado com o tal primeiro namorado e já havia feito o mesmo com o segundo. Detalhe: ele era virgem.

Só que durante alguns anos eu tive muito medo de que minha mãe descobrisse que eu não tinha mais – olha só que coisa! – um hímen. Eu não podia ir pras festas de carona com meus namorados, pois não podíamos ficar sozinhos. Mas aí ela ia me deixar… e eu fugia das festas. Sozinha com o namorado. Em muitas dessas vezes eu não transei, pois ainda era virgem e não ia transar só porque a oportunidade apareceu. Em outras, eu transei, no carro mesmo, naquela famosa rapidinha.

Durante anos eu rezei para que minha menstruação descesse todo mês. Tinha medo da reação da minha família caso eu engravidasse (engraçado… jamais me incomodei com a parte “social” da coisa). Muito tempo mais tarde, já morando sozinha, tinha de inventar desculpas quando ia sair com algum moço e estava recebendo visitas da família. Era mais fácil mentir do que ter de dizer o que o garoto fazia, o que estudava, há quanto tempo a gente saía e se iríamos namorar. E, na volta, ainda tinha de dizer como o filme tinha sido bom ou a comida (ui) estava gostosa. Tudo inventado, tudo ficcional, pois o máximo que eu poderia dizer é como era a suíte do motel da vez.

Estava conversando com uma amiga há pouco e ela comentou que a mãe dela dizia que a bunda da mulher caía depois da primeira transa. Assim, não adiantava essa minha amiga esconder caso fosse pra cama com alguém. Só pelo formato da bunda a mãe descobriria as peripécias da filha.

Que tipo de educação sexual é essa? Que quer que a gente adie e adie e adie a primeira transa? Pelo que vejo aqui no blog e nas minhas amigas, talvez um ou outro de nós tenhamos adiado um pouco, sim. Mas todos fizemos. E, quando isso aconteceu, o sexo veio carregado de culpa, como se fosse sujo, proibido. Um pecado.

Assim, os primeiros anos de vida sexual da maioria de nós não foi nada feliz. Ok, atingíamos o orgasmo (o que é sempre delícia), mas não era pleno. Era como se tivesse uma vozinha dentro de nós relembrando quão errado era aquele comportamento.

Em vez disso, pais e mães deveriam lidar com o sexo de maneira natural, porque é exatamente isso que ele é. Não estou dizendo que deve ser fácil perceber que o filho, que até ontem era um bebê, hoje já é grande o suficiente para ter vida sexual. Mas, como pai, você deve orientar, e não proibir.

Dor na relação sexual

Procurei pra caramba comentário recente de uma leitora que relatava sentir dores durante a relação sexual. Não achei. Então vou repetir a coisa aqui meio de cabeça mesmo.

A tal moça contou que a penetração vai bem de primeira, tem lubrificação, mas na segunda a coisa começa a ficar incômoda. A terceira, então, é um suplício. Ela já procurou um médico para saber se há algo errado, mas está tudo ok com o corpo dela.

Ler aquilo foi como voltar dez anos no tempo. Lembro com nitidez da tarde em que fui ao ginecologista reclamar exatamente da mesma coisa. Ele olhou tudo, enfiou dedo e instrumentos, e disse “Letícia, deve ser algo psicológico”. Eu fiquei com cara de ?, porque não tinha nenhuma grande questão me afligindo (nota: ele não me encaminhou a um terapeuta ou sexólogo, o que seria o mais correto).

Sofri com isso durante anos. A sensação de dor e ardência não tinha nada a ver com a lubrificação. Eu sempre ficava me perguntando se eu estava seca, pois parecia que o pau estava cheio de areia ou que eu ia começar a sangrar a qualquer momento pela fricção. Perguntava ao meu parceiro se eu estava lubrificada, e a resposta era sempre positiva.

Se eu transasse duas vezes numa noite e tentasse dar mais uma de manhã… era a morte! Fazer xixi? Um inferno.

Até que eu descobri que a coisa era muito mais simples que vaginismo ou traumas psicológicos. Era tão somente alergia à camisinha! O médico sequer levantou essa hipótese, apesar de cerca de 4% da população mundial ser alérgica ao látex, material do qual a maior parte dos preservativos são feitos. A alergia pode ser mais ou menos incômoda; pode rolar só um ardorzinho ou um inchaço da região, tornando a penetração ainda mais difícil. Muita coisa por aí é feita de látex, então provavelmente você pode observar a reação a outros produtos. Eu, por exemplo, não consigo usar absorvente com aquela cobertura “sempre seca”. Sabem aquelas pulseirinhas plásticas de balada? Também são super incômodas pra mim; minha pele fica vermelha, coça…

Tanto é assim que existem no mercado algumas camisinhas especiais para este público. É o caso da Blowtex Premium e da Unique (falo delas neste post). A camisinha feminina também não é feita de látex.

O que se precisa fazer é procurar a camisinha que nos deixa mais confortáveis. Eu não uso nenhuma das três citadas acima. Tenho me dado bem com a Olla Sensitive, preferida do namorado. Ontem senti ardência durante a relação e perguntei se ele tinha trocado de marca. E a resposta foi “sim”! Resultado: estou até agora meio ardida.

Então, é claro que existem questões sérias que podem fazer com que você sinta dor durante o sexo. Já falei aqui sobre vaginismo, por exemplo. Algumas DSTs também deixam a região dolorida. Portanto, não adianta culpar só a camisinha – visitar o ginecologista regularmente faz parte do pacote.

Porém, a coisa pode ser bem mais simples. Basta gastar um pouquinho mais em uma camisinha especial. São centavos! Para ter certeza, procure um alergologista. Normalmente quem tem alergia ao látex tem também a algum tipo de fruta.

Proteção no sexo anal

O leitor Fernando fez o seguinte comentário no post Aqui ninguém toca!:

Letícia,

Eu tenho uma dúvida com relação a sexo anal com minha namorada. Tenho um relacionamento estável, de quase três anos, e a gente tá conversando muito e vai experimentar o anal. Somos jovens, e eu fui a primeira vez dela e ela tbm a minha primeira vez.

Um dia eu tava fazendo um oralzinho gostoso nela e, quando ela gozou, tirou minha cabeça ali da posição que eu tava, pra parar de chupar ela mesmo, pq ela não tava aguentando mais. E claro, com jeitinho eu saí e tudo, mas como ela tava de quatro, linda e se acabando de gozar, eu não aguentei.. ela gozando comecei a chupar o cuzinho dela (algo que eu nunca tinha feito antes e nem ela recebido), e eu gostei muito, e senti que ela também amou, gemeu muito.

Depois, qdo a gente foi conversar, ela me falou que se surpreendeu, até pelo preconceito que tinha com relação a isso e que adorou… não usamos camisinha (ela toma remédio), temos um relacionamento muito bom, a gente se ama muito, temos quase dois anos e meio de vida sexual, eu nunca traí, acredito muito no nosso relacionamento, amo muito ela, e acredito que ela pensa da mesma forma.

Mas aí fica uma pergunta: devo usar camisinha no sexo anal com ela? Já li em alguns artigos na internet que devo sim, sempre, pelos riscos do sexo anal, já que é uma região muito vascularizada e tudo, e jamais introduzir o penis na vagina da minha parceira depois que eu tiver introduzido no ânus, o que eu sei, faz muito sentido. Mas essa regra também vale pra gente, que vive um relacionamento estável?

Quando ela falou que ia pegar uns produtos na farmácia que ela trabalha pra gente tentar o anal, eu pedi pra pegar umas camisinhas também, e ela me perguntou se eu tinha nojinho.. eu falei que não, não tenho mesmo, e expliquei a situação toda.. somos muito bem resolvidos sexualmente, esclarecidos, somos universitários, eu faço fisioterapia e ela enfermagem, e na área da saúde lidamos com sexologia também.. mas vc acha realmente necessário usar camisinha em sexo anal pra quem vive um relacionamento estável?

Eu não vou tapar o sol com a peneira e fingir que casais juntos há mais tempo sempre transam com camisinha. Sabemos que não é assim. Acho que todos sabem que existe o risco de traição, né? Acredito que quando se está apaixonado rola aquela convicção que o namorado/marido não está pulando a cerca. Por causa disso, o número de mulheres da terceira idade infectadas com o HIV tem aumentado muito – o vírus é transmitido pelos próprios maridos.

Mas digamos que você quer correr esse risco. O fato de você ser monogâmico e ter nenhuma ou quase nenhuma experiência sexual não quer dizer que você não tem alguma doença sexualmente transmissível. Lembrem-se que há outras formas de contágio, como agulhas infectadas. E se usam agulhas em tatuagens, no dentista e para furar a orelha! Portanto, antes de tomar essa decisão é imprescindível fazer uma bateria de exames, incluindo hepatite e hpv.

Está tudo ok?

Decidiram transar sem camisinha mesmo?

Vamos ao sexo anal, então. E pra isso peço ajuda a Sue Johanson, aquela apresentadora do GNT que fala sobre sexo. No livro ABC do Sexo, ela fala sobre sexo anal. Copio alguns trechos abaixo:

Além dos riscos das DST, Sue diz que “você pode pegar herpes ou verrugas venéreas em volta e dentro de seu reto, doenças dolorosas e difíceis de tratar, contrair sífilis ou gonorreia retal, para as quais há tratamento, mas que não são nem um pouco legais”.

A grande possibilidade do contágio deve-se à fina membrana do reto, além da vascularização que o próprio leitor se referiu. A cicatrização no reto não ocorre facilmente, então é possível que exista alguma ferida ali dentro. Mais Sue: “Há a remota possibilidade de que uma fístula (ou canal) abra-se, permitindo que as fezes entrem na cavidade abdominal ou na vagina, o que geralmente causa uma infecção terrível e precisa de tratamento cirúrgico”. Ah, e lembrem-se das hemorróidas também (sexo anal não dá hemorróidas, mas se você já tem, ela pode ficar mais dolorida).

Então, sim, é preciso usar camisinha no sexo anal. Até porque pode ser que seu pau saia lá de dentro sujo de cocô, e o preservativo pode poupar um certo constrangimento. A dica do Fernando também é valiosa: jamais introduza o pênis dentro da vagina com a mesma camisinha usada no sexo anal. Mesmo que sejamos limpíssimos e saudáveis, rolam umas bactérias que podem dar infecção grave na garota. Sem camisinha, aliás, o homem também pode ter a uretra infectada.

Camisinha sempre.

***

Na caixa de comentários há um campo para vocês colocarem seus emails. Eu peço que vocês escrevam o endereço certinho. Às vezes tenho vontade de alongar alguma conversa, tirar dúvidas, mas não sei como entrar em contato com vocês. O email jamais será revelado, prometo!

Camisinha, essa linda

“Usar camisinha é que nem chupar bala com papel”, dizem por aí. Mas, amigo, essa bala-com-papel pode aumentar – e muito – a sua expectativa de vida. Então, deixe a frescura de lado e plastifique esse negócio. Um mundo inteiro consegue gozar usando preservativo; vai na fé, você consegue também.

Mas talvez você precise ser mais bem informado e abrir um pouco mais a mão, comprando camisinhas especiais, deixando de lado aquelas mais baratinhas de lado, que mais parecem um saco plástico. Isso pode fazer muita diferença.

Primeiro: o tamanho

Meninos, conformem-se: poucos de vocês precisam usar os modelos maiores. É, horrível, eu sei (estou sendo irônica). O que muda da versão normal para a extra é o diâmetro. As camisinhas comuns têm 52mm de largura, enquanto a large/extra é um pouquinho maior: 55mm.

Para os pequenininhos, a dica é a Preserv Teen, com 49mm. Como o próprio nome diz, ela seria indicada para adolescentes, mas sabemos que há muito adulto que se daria melhor com uma dessas. Lembrem-se sempre que camisinha frouxa pode ficar dentro da outra pessoa! Com isso, toda a proteção contra DST ou gravidez indesejada vai pelos ares.

Outro dia vi na farmácia um lançamento da Preserv, a Extra Premium. Novíssima no mercado, a camisinha tem 58mm de largura. Por ser a única nacional com esse tamanho, o preço é salgadinho: a unidade custa por volta de R$ 5.

Um bom amigo indicou a Unique, feita na Colômbia. Se eu não me engano ela é ainda mais larguinha, com 60mm. O preço também é de R$ 5, quando comprada via site. O bacana dela é que não é feita de látex, excelente para quem tem alergia ao produto.

Segundo: o material

Como disse antes, por favor não comprem camisinhas grossonas, dessas que exalam o cheiro de plástico pelo quarto. São horrorosas!

Mais do que desconfortáveis, há casos em que se tem alergia ao látex. É como uma alergia comum: pode rolar desde uma coceirinha até algo bem mais grave. Antigamente só se conseguia comprar camisinhas de materiais diferentes em sex shops ou no exterior. Agora qualquer farmácia tem a Blowtex Premium, fabricada na Tailândia. A embalagem vem com duas unidades e custa um pouco mais do que as comuns: algo entre 5 e 6 reais o pacote.

 

Se a alergia for ao lubrificante, o jeito é ir trocando de marca ou usar a Microtex não lubrificada, e daí você utiliza o gelzinho preferido. A marca é bastante usada nos exames de ultrassonografia, por exemplo, quando o médico utiliza LITROS de gel para conseguir colocar aquele negócio bacanudo (not) dentro da gente.

Terceiro: o sabor

Eu ODEIO camisinhas com aroma. Essas que “ardem”, então… estou fora. Odeio, odeio, odeio. Mas, pelo que vejo nas lojas, há muita gente que gosta.

Agradeço indicações nos comentários. Já experimentei de diversos sabores e marcas, e não me adaptei a nenhuma. Em tese, elas ajudam bastante no sexo oral, mas eu continuo sentindo aquele gosto horroroso de látex que nunca mais sai da boca.

Quarto: tem de um tudo

Além das diferenças em tamanho, material e sabor, há camisinhas com ou sem textura; mais finas, as chamadas “sensitive”; coloridas… Se você tem um parceiro regular, é possível ir experimentando cada uma para ver qual é mais bacana e confortável para os dois (ou três. Ou mais).

Mas é preciso usar, sempre. Qual a sua favorita?