Caralho dói pra caralho

Antes que me xinguem de vulgar, devo dizer que a frase-título do post não foi escrita por mim, mas sim por Caio Fernando Abreu, um dos escritores brasileiros mais bacanas que já li. Em Pela noite, Caio F. diz:

Tem a dor, a puta dor. Caralho dói pra caralho. Tem uns jeitos, uns cuspes, uns cremes. Mas é nojento pensar que o pau do outro vai sair dali cheio da sua merda. Mesmo nos casos mais dignos, você consegue imaginar Verlaine comendo Rimbaud?

Tinha 19 anos quando fiz sexo anal pela primeira vez. Namorava há pouquíssimo tempo e tinha experiência sexual quase nula. Estávamos eu e o tal namorado de semanas transando na minha então cama de solteira. Depois do sexo, deitamos de conchinha. O que eu não sabia é que o pau dele NÃO fica mole após gozar. Ele entendeu, portanto, que eu queria fazer sexo anal. Começou a se roçar em mim e eu deixei. Foi ótimo; cheguei muito perto de gozar. Ele sabia muito bem o que estava fazendo: não forçou a barra e me deixou guiar a situação.

Depois disso tive poucas experiências de sexo anal, se compararmos com a quantidade de vezes que transei. Logo depois desse namorico, namorei dois anos um cara e sempre fazíamos anal. Eu não curtia. Não chegava a achar ruim, mas também não me divertia. Ficava tão paranoica com aquela sensação de que algo errado ia acontecer assim que ele tirasse o pau de dentro de mim que não conseguia relaxar. Algum tempo mais tarde me envolvi com um cara bem mais velho (já quase quarentão, enquanto eu tinha uns 24 anos), com um pauzão grande e grosso – e com ele, sim, eu gostava. Adorava. Até o dia em que ele me machucou. Não foi de propósito (ele era bastante gentil e educado), mas cheguei a sangrar. Fiquei meio traumatizada, e ainda hoje fico com medo de me ferir de novo. Dos 27 homens com quem transei esse ano, alguns tentaram e poucos conseguiram. Acho que só o 3 “logrou êxito” na empreitada. A maioria, é verdade, não tem nem noção de como começar a fazer.

Recebo emails de vez em quando pedindo dicas de como fazer sexo anal. Não sou profissional da coisa, mas posso tentar ajudar. Fiz uma lista de 10 pseudo-dicas de como começar a brincadeira, segundo minha experiência e o feedback dos leitores. Cada um tem de achar seu jeito. Sexo anal pode ser bem gostoso.

Dica 1

Essa é a principal e que deve sempre ser observada: você deve estar quase implorando para ele te penetrar por trás. O tesão tem de ser gigantesco, se não é muito difícil relaxar. Não adianta tentar para agradar – você pode até conseguir enfiar alguma coisa, mas a garota não vai curtir (a não ser, claro, que a dor seja excitante para ela. Não é o meu caso).

 Dica 2

Lubrificação é essencial? Não diria essencial, mas ajuda muito. Essa primeira vez que fiz, por exemplo, não usamos nada. Mas o pau dele era meio pequeno e não era grossão. Pelamordedeus, não cuspam na bunda da garota. Um lubrificante custa cerca de R$ 8 e dura pra caramba. O pênis tende a “escorregar” do buraco certo, então preste atenção no que você está fazendo.

Dica 3

A melhor posição, para mim, é de lado, mas eu não sou a maior fã de ficar de quatro, também, mesmo em penetração vaginal. As mulheres geralmente gostam de “guiar” a penetração. Assim, tudo o que o homem precisa fazer é ficar lá paradão, de pau duro, e a garota vai se encaixando. Fica mais fácil do que berrar “Ai, tá doendo” a toda hora.

Dica 4 

As expressões “cagar no pau” e “passar cheque” existem por uma razão: isso acontece mesmo. Nunca rolou comigo, mas conheço relatos constrangedores disso. Por mais natural que seja, MORRO de medo de acontecer comigo. Não sei onde iria enfiar a cara. Bom, no meu cu é que não seria. Dói muito.

Dica 5

Tem como evitar o tal “passar cheque”? Não sei. Tenho amigas defensoras da lavagem intestinal, mas nunca fiz e não tenho certeza se isso é saudável. Prometo perguntar à minha médica na minha consulta do fim desse mês. Há quem seja adepto do chuveirinho do banheiro antes do sexo anal, também. Eu não faço nenhuma preparação. Se você está com vontade de fazer cocô, por favor, não invente de fazer sexo anal, né?

Dica 6

“Vou lamber, chupar e beijar o cu dela para ‘amaciar’.” Pode até funcionar com outras, amigão, mas comigo não rola. Tenho agonia de alguém lambendo meu cu, confesso. Acho que vou começar a cagar no pau já ali, e fico teeeeeeeeensa. Mas funciona com algumas meninas. Conselho: lamba, chupe e beije a parte da frente, também conhecida como clitóris, para deixar ela enlouquecida (lembra da dica 1? é preciso estar com MUITO tesão).

Dica 7

“Fico com a sensação de que vou fazer cocô durante o sexo anal. É normal?” Pense bem: aquele buraco ali é para alguma coisa sair, certo? Quando você usa sua musculatura no sentido contrário, dá uma agonia, uma sensação de que algo não está certo. Depois de um tempo, você consegue identificar que está tudo sob controle, mas no início pode ser angustiante.

Dica 8

“Por quê eles sentem tanto prazer em dar o cu e a gente não?” O prazer dos rapazes é físico por causade uma glândula que eles têm ali. Na gente, a coisa é mais psicológica – por isso é importante estar no clima para fazer anal.

 

Dica 9

Camisinha SEMPRE. Não é porque você não engravida pelo cu que não deve usar. É muito mais perigoso pegar alguma doença com sexo anal do que com vaginal. Jamais, sob hipótese alguma deixe que ele penetre você pela frente depois de ter entrado atrás. A gente aprende a se limpar no banheiro da frente pra trás, né? Pois é.

Dica 10

“Dar o cu é coisa de puta e de homem dominador.” Se você ou seu parceiro acham isso, vocês não merecem experimentar os prazeres de uma boa foda. Aliás, não saberia dizer nem o motivo pelo qual você está lendo esse blog.

E você, leitor querido, tem alguma dica para nos dar? Por falar em dar, gosta de anal? Fez, nunca fez, faz com frequência? Me conte aí. Nunca fui tão sincera em um post, seja você também nos comentários.

Compartilhar