“Meu marido não deixava eu me masturbar”

A masturbação feminina é ainda tabu. Absurdo, não? Mas é a realidade. Quando ainda vivendo no mesmo teto que os pais, adolescentes são levadas a ver a prática como suja e reprovável. Muitas carregam tal ideia mesmo adultas – várias nunca se tocaram.

Seria bem bacana se um parceiro ajudasse no caminho do descobrimento do próprio corpo e do prazer. Infelizmente, há namorados e maridos que ainda acham que têm pinto de ouro, com mil funções, e que se a parceira se tocar é sinal de que seu pinto espetacular não está fazendo tudo certinho.

Você pode até estar fazendo tudo super gostoso, mas imaginar que as coisas (penetração e masturbação) são excludentes é, no mínimo, idiota. O que dizer quando o parceiro não só reprova, mas PROÍBE a esposa de se tocar? Foi o que aconteceu com uma leitora, cuja história compartilho abaixo. Ela deu permissão para publicar seu relato.

masturbacao

Eu nunca tinha me masturbado. Tinha pouco mais de vinte anos, era mãe e nunca havia me tocado. Não sei por qual motivo, talvez porque eu tinha aquela imagem de que era feio, sujo e tudo que colocavam na nossa cabeça.

Eu tinha orgasmos com meu então marido na época, mas não era sempre, e os hormônios da gravidez me deixaram ainda mais sedenta por sexo. Meu parceiro gostava muito de sexo, mas o fato de nem sempre gozar começou a me incomodar. Eu queria aquela onda percorrendo meu corpo, eu queria aquela perda de controle por alguns segundos, eu achava que a sensação do meu orgasmo era igual ao dele, e queria sentir o êxtase que ele sentia sempre.

Eu morava em uma cidade e ele em outra, então só nos víamos nos fins de semana. Um dia eu estava sozinha em casa, soltaram um link no Orkut, na época, de um filme pornô (eu nunca tinha visto, como já era de se imaginar), senti algo formigando e comecei a me tocar. E, nossa, gozei. Como nunca tinha gozado.

O sentimento era de que aquele orgasmo era completamente diferente. Bom, e é. Gozar sozinha, com a descoberta do meu corpo, das minhas sensações… Era o MEU orgasmo. Só meu. Eu podia gemer, me contorcer, podia até chorar e gritar. Era meu.

Passei a me masturbar todo dia. E junto com a descoberta do orgasmo veio a aceitação do meu corpo, que eu achava feio por causa da gravidez recente. Eu comecei a achar bonitas as curvas, o seio inchado por causa do leite, as coxas mais grossas, o quadril mais largo. Creio que ali me descobri mulher, me sentia mais segura.

Era o bebê dormir e eu “me namorar”. Todo dia…

Quando vieram as férias do meu então marido, nós viajamos e OBA, SEXO TODO DIA!! Mas não gozar sempre ainda me deixava incomodada. E um dia, eu em cima dele, vendo que ele ia gozar, resolvi gozar também. Se não pelo pau dele, pelos meus dedos. Gozamos juntos (música da vitória).

Alguns dias depois eu tive uma cistite e meu marido resolveu culpar a masturbação. Na vez seguinte em que fizemos sexo, eu vi que eu não ia gozar e resolvi me tocar. Ele me repreendeu. Disse que eu tinha ficado doente por aquilo. E que não era pra fazer mais!

Detalhe: meu ex marido é médico, bem esclarecido e sabe bem que não era nada daquilo. Mas parecia que ele queria tomar o controle.

Ele então começou a segurar minhas mãos quando transávamos. Se eu estivesse de costas pra ele, era ainda pior. Ele torcia meus braços pra trás de uma forma que até machucava, pra eu não me tocar. Hoje eu sei que aquilo era violência, eu não era um animal a ser domado, não era crime. Algumas vezes ele chegou a bater nas minhas mãos e o costume de torcer meus braços pra trás virou uma constante até na rua, na frente dos outros, ele me carregando como um animal e ainda achando que era bonitinho. Sim, eu sei, agora eu sei, que eu era vítima de violência.

Ele ainda me deu alguns orgasmos, mas no geral ele gozava e eu ia pro banheiro me masturbar escondida. Veja bem, eu me masturbava pensando nele, ainda com o cheiro dele, amando ele, mas não podia o fazer na frente do cara.
Triste, não?

Por fim me livrei daquilo, depois de 4 anos sendo contida dos meus orgasmos, 4 anos com as mãos presas.

Já separada, ganhei um vibrador de uma amiga, meu primeiro namorado após o divórcio adorava me ver me tocar, e tenho todos os orgasmos que eu quero ter.

Não sei que tipo de homem meu ex-marido é pra achar um crime a mulher se masturbar. Porque depois dele tive vários homens que nunca me repreenderam, nunca me seguraram, nunca me privaram dos meus próprios orgasmos.

Meu ex namorado, de quem ainda sou muito amiga, sempre elogiava minhas bochechas vermelhas, meu sorriso bobo, a pele arrepiada e o ar de cansada que eu ficava após uma boa siririca.

Meu ex namorado, de quem ainda sou muito amiga, sempre elogiava minhas bochechas vermelhas, meu sorriso bobo, a pele arrepiada e o ar de cansada que eu ficava após uma boa siririca.

E recomendo a todas que se toquem, se comam, se libertem, com a frase que ele mais dizia pra mim: “Porque você permite que alguém te ‘coma’ sem culpa, mas fica com receio de se experimentar? Te garanto que seu gosto é uma delícia”.

Quer ter seu relato/dúvida publicado aqui no blog? Escreva para [email protected] ATENÇÃO: não publico contos eróticos.

Se toca!

No último post eu falei sobre masturbação. Deixei um espaço para as pessoas fazerem comentários. Tristemente diversas mulheres relataram a dificuldade em se tocar; muitas, já adultas, ainda têm sentimento de culpa com a prática. Algumas revelaram só começarem a praticar bem depois dos 20 anos de idade, mesmo que a vida sexual propriamente dita (falo de interação íntima com outra pessoa) tenha acontecido anos antes.

Tudo porque prazer é pecado.

Literalmente.

Até hoje, 2013, a prática é considerada pecaminosa por diversas religiões. Talvez sua família nem seja religiosa, mas não podemos negar a influência cultural do cristianismo nas nossas vidas.

masturbate

Para dar suporte a todas essas ideias, criou-se um monte de mitos acerca da masturbação. Que é coisa de gente solitária e meio maluca, que faz crescer pelos nas mãos, que machuca.

A não ser que você passe o dia inteiro se masturbando, nada de errado vai acontecer com você. Sei como é difícil se livrar dessa paranoia de que alguém vai descobrir que você se toca, e aí você será ridicularizada, julgada, zoada. É, paranoia.

Ria, leitor. Você não sabe do que está rindo.

Você está rindo dos delírios de perseguição de todos os alienados do mundo, e de todos nós quando Melanie Klein nos dias que sofremos todos de ansiedade persecutória.

Veja. Nunca fui surpreendido em atividades eróticas, ninguém – mãe, pai ou quem quer que fosse – me condenou ou castigou por nada disso. Mas eu me comportava e sentia como se todos estivessem me vigiando o tempo todo e como se pudessem a qualquer momento me ridicularizar, condenar, desprezar ou excluir por causa da masturbação. (Gaiarsa, em Sexo – Tudo o que ninguém fala sobre o tema)

Apesar de incutirem nas nossas cabeças que tocar-se é feio e reprovável, a criança percebe que é prazeroso mexer nos órgãos genitais. É uma “coceirinha” gostosa; só depois, mais velhos e com mais informações, temos noção do que se trata.

Só que quando os pais percebem a gente mexendo lá por baixo, o tapa na mão vem certeiro. “Tira a mão daí, é sujo!” Até agora não entendo se o que é sujo é a minha buceta ou se é a minha mão. É como se a masturbação – que àquela altura não passa de uma brincadeira – maculasse a pureza da criança.

Porém, é biológico: seu corpo responde assim aos estímulos. A nossa reação a eles vai mudando ao longo do tempo, porque aprendemos a implicação dos atos (e experimentamos a culpa, inclusive).

Família e escola, de maneira geral, ignoram o assunto. Se você for pego se masturbando, é possível e quase provável que seus pais finjam que não viram. Isso se você ainda for criança. Na adolescência, os rapazes se tocarem é normal – e, de certa forma, até estimulado.

Quando eu era adolescente, por exemplo, era bastante comum os garotos terem pilhas de Playboys e afins no banheiro. Ninguém estranharia o pote de hidratante e o papel toalha constantemente no quarto (por favor, gente, usem lubrificante íntimo).

Com as moças, porém, as coisas são diferentes. Vejo mulheres adultas, que trabalham fora, estão na faculdade, com vergonha de terem vibrador em casa. Morrem de medo de serem descobertas, como se guardassem, sei lá, a arma utilizada numa chacina.

Mas é seu corpo. Você é quem manda nele – não é a igreja, seus pais, seu namorado. Os grilos existem e não são exclusividade sua; tudo faz parte da falta de educação sexual. Só que o mundo não vai mudar num estalar de dedos, então você é quem tem que mudar o jeito como se relaciona consigo mesma.

Fique tranquila: não machuca, é gostoso e faz bem. Experimente. E, lembre-se: seu corpo, a qualquer momento, é fonte inesgotável de prazer.

Masturbação: como nos comportamos?

Estava olhando os posts antigos, tentando recolocá-los no ar, e vi como eu falei de três assuntos com frequência aqui no blog: virgindade, masturbação e xingamentos. Estes últimos não serão mais publicados (exceto quando disserem a respeito a algo maior que eu mesma), mas os outros… apesar de eu sempre falar sobre primeira vez e sobre a relação da mulher com a própria buceta, sempre recebo e-mails sobre os temas.

Parece que as dúvidas sempre estão se multiplicando.

Hoje cheguei a um sobre masturbação. Eu não entendia quase nada sobre sexualidade e feminismo, então o texto chega a ser bobo. Ele passa por cima do fato de que nós temos um relacionamento esquisitíssimo com nossos órgãos sexuais. Na entrevista ao Futura (você viu?) a sexóloga Carmita Abdo fala sobre a diferença entre quem tem pênis e quem tem buceta ao longo da infância e adolescência.

Quem tem pênis precisa pegar nele para urinar. Ele está lá, exposto, à vista. No caso da buça, no entanto, acontece o contrário. A gente senta, faz xixi, se limpa com o papel higiênico. Não tocamos nela nem nesse momento. No banho, idem. Nos últimos anos ainda criaram os “sabonetes íntimos”, que é pra a gente achar mesmo que a buça é um órgão descolado do resto do corpo e precisa de um “tratamento especial” (porque *fede* mais).

Porém, se continuarmos tendo essa relação conturbada com nossa própria buceta, fica difícil sermos plenamente felizes na cama. Como você vai curtir sexo oral, se você acha que você fede e que ela é feia?

Masturbar-se é saudável, não tem contraindicações (não engravida, não passa DST…) e ainda te deixa feliz. Infelizmente, os índices de mulheres que fazem isso regularmente são baixíssimos.

Na última pesquisa feita aqui no blog (você já respondeu? sai do ar essa semana), perguntei se as pessoas usavam brinquedos eróticos. Incrível: 67% não tem. É muita gente.

Fiquei surpresa, claro, no entanto o que mais me chamou a atenção foram as razões pelas quais as pessoas não têm:

5% acham desnecessários;

8% responderam que não têm, simplesmente porque não.

6% não têm porque… o parceiro não curte (???).

Quero analisar melhor esses números, mas isso me levou à ideia de fazer uma nova pesquisa, dessa vez sobre masturbação.

E separei dois formulários, um para homens e outro para mulheres*. Quero entender como vocês se comportam em relação a isso. Me respondam? :)

Para mulheres, CLIQUE AQUI. 

Para homens, CLIQUE AQUI.

*eu sei que há mulheres com pinto e homens com buceta. 

Você já se olhou no espelho hoje?

A resposta é óbvia: claro que sim. 

Você já passou um corretivo para esconder as olheiras, aproveitou o espelho do elevador para dar uma última checada na roupa antes de sair de casa, deu uma espiada no retrovisor do carro e percebeu que os pelos da sobrancelha estão crescendo em velocidade impressionante.

Mesmo que você não seja vaidosa (o), possivelmente você se olhou ao menos enquanto escovava os dentes.

Estamos o tempo todo nos olhando, fazendo cara bonita pra foto e insistindo para o amigo apagar aquela em que todo mundo saiu lindo, mas você está com cara de bêbado ou de olhos fechados.

Mas, quando você está sozinha (e aqui estou me dirigindo às mulheres), você já se olhou meeeeeeeeeeesmo? Em algum momento da sua vida você já usou um espelho para ver como a sua buceta é?

A gente vê os homens medindo, comparando com o dos outros caras, balançando deliciosamente seus apetrechos por aí.

E nós? Quando observamos nossa própria vagina, e não para aparar os pelos e/ou ver se já está na hora de voltar à depiladora?

Nosso órgão sexual* é escondido, pra dentro, coberto de pelos. Sabemos que ela não é só escondida fisicamente, mas também moralmente. Desde sempre precisamos escondê-la ou evitar tocá-la (“tira a mão daí, menina!”).

Você já enfiou o dedo lá dentro? Pra sentir, ver como é, identificar o ponto G?

Pode parecer ridículo eu estar falando para mulheres adultas (minhas leitoras têm, em média, 25 anos) se olharem e se tocarem. Mas não é. Muitas de nós jamais fez essa “exploração” do próprio corpo. Não estou falando só de masturbação (e algumas não se masturbam mesmo!), não, mas de olhar, entender, achar bonito, notar que um clitóris pequeno ou grande demais não é feio. É só o seu clitóris. O mesmo vale para os lábios (há cirurgias plásticas para isso!!!!).

Se você não se acha bonita e delícia do jeito que é – com pelos que nascem nos lugares mais estapafúrdios ou com o odor que sabonetes íntimos tentam “disfarçar” – como você pode querer que seu parceiro faça sexo oral em você?

Caso você nunca tenha olhado com carinho para sua buceta, faça isso hoje. Ela é linda, ela é você, ela não fede. Continuar pensando nisso não vai te deixar relaxar na hora em que seu parceiro estiver se deliciando com dedos, língua e brinquedos na sua buceta. E você vai perder uma das grandes felicidades da vida.

*eu usei a expressão “órgão sexual”, mas sinceramente acho que todo nosso corpo é um órgão sexual, não só nossos genitais. 

Desligue o modo britadeira. Já!

Vocês lembram de uma propaganda recente em que o cara tinha as mãos como se fosse um canivete suíço? A esposa na cozinha (claro!) pedia para ele abrir uma lata, fatiar carne, e ele sempre a postos.

Pois alguns homens têm nas mãos não um canivete suíço, mas uma verdadeira britadeira. Alguns vão mais longe e possuem a ferramenta… entre as pernas!

Pior: não conseguimos alcançar o botão de desligar dessa geringonça!

Eu estou brincando, mas a coisa é séria. Há muitos moçoilos por aí que acham que o jeito de usar seus dedos e pau durante o sexo é igualzinho a uma britadeira. Um entra-e-sai eterno, sem ritmo e com velocidade. Muita velocidade. Tão velozes quanto chatos, diga-se.

Parem com isso. Desliguem essa joça.

Primeiro, os dedos. Se a gente quisesse ser penetrada freneticamente, acreditem, não seria pelo seu dedo. Brinquedos que giram em todas as direções e ainda por cima estimulam nosso clitóris seriam melhor aceitos. Achou que eu fosse falar do seu pau, né? Se você tem um dedo-britadeira, é possível que você também tenha um pau-britadeira. É menos chato, mas ainda assim não é esta a função dele.

Voltando aos dedos: não é bacana você ficar enfiando o dedo na buceta que nem um louco, naqueles conhecidos movimentos de vai e vem. Sério, não é divertido (nota: movimentos repetitivos tendem a não ser muito legais).

Gaiarsa, no livro mais legal de todos os tempos (Sexo – Tudo o que ninguém fala sobre o tema), dá uma dica de como enfiar o dedo pode ser gostoso. Vou tentar repetir aqui, de cabeça, pois não estou com o livro agora. O homem (ou a mulher, se for o caso, né?) deve fazer com a mão uma “pistola”. Ele então penetra a moça com o indicador (o “cano do revólver” – ui!), fica com o dedo lá dentro, mas acariciando a parede anterior da vagina. É lá, numa área meio rugosa, que fica o tão falado ponto G. Não sei se é verdade e nem ligo; só sei que a sensação é bem gostosinha.

(Aliás, mulher, você também pode sentir essa parte rugosinha. É fácil de achar.)

Enquanto ele faz isso, sem ficar tirando e colocando o dedo lá dentro, deve utilizar o polegar para estimular o clitóris. Se você está achando isso mecânico demais, imagine o que a gente acha daquele seu entra e sai frenético…

O importante é que se saiba que as paredes de uma vagina são vascularizadas e a gente responde de maneira diferente dependendo de onde somos estimuladas. É exatamente como no pênis! Imagine você, homem, receber um boquete igual 100% do tempo. Ok, sei que tem mulher que faz isso (e falaremos sobre sexo oral em breve), mas eu estou aqui defendendo o meu lado! ;)

Já deu pra entender que o dedo não é britadeira, mas você ainda fica meio sem perceber como agir de maneira diferente com o pau? Simples: pare de entrar e sair e só. É bacana remexer os quadris, variar o ritmo… lembro de um cara do meu passado MUITO distante que SEMPRE demorava exatamente o mesmo tempo naquele entra e sai. E SEMPRE dava o mesmo gemido. Eu ficava viajando naquilo, só esperando ele terminar. Sempre penso naquela música do Kid Abelha: “enquanto você pensa em me beijar, eu penso no jantar”.

É nessas horas, aliás, que muitas mulheres fingem o orgasmo. Acho super errado e nunca fiz, mas confesso já ter pensado em milhões de outras coisas neste momento. Nas contas a pagar, no que eu tenho de fazer no dia seguinte… E aí, amigo, não tem nada do que você faça que seja capaz de fazer a mulher voltar pra mesma órbita que você.

Por tudo isso, rapazes, desliguem o modo britadeira. Uma britadeirinha pode ser divertida no momento pré orgasmo, ou justamente para variar o ritmo, como eu disse acima. Mas não como o padrão. Britadeiras não são bacanas nem quando estão fazendo algo de realmente útil, como quebrando o asfalto. Imagine então dentro da nossa buceta.

***

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I touch myself

Se tem algo que me deixa realmente encafifada no comportamento sexual feminino é falta total de menção à masturbação. É tabu pior do que sexo anal. Sem qualquer embasamento científico, eu diria que isso acontece porque não somos incentivadas a explorar nossos próprios corpos. Enquanto isso, as famílias “entendem” os garotos, recém entrados na puberdade, demorando demais no banheiro.

Mais uma vez, creio ser isso um resquício ainda daquela ideia de que nós, mulheres, não podemos nos “divertir” com sexo. E ah, como é divertido.

Não lembro exatamente quando descobri que me tocar poderia ser uma delícia. Lembro, porém, de morrer de medo de ser descoberta. Achava que havia uma espécie de chip no meu cérebro (juro) e minha mãe sabia de tudo o que eu pensava/fazia/sentia. Carregava uma certa culpa, sei lá. O mais ridículo é que eu usava o chuveirinho do banheiro às vezes (tinha uns 11, 12 anos), minha mãe ouvia, mas fingíamos que nada estava acontecendo. Na época, eu realmente achei que ela não percebia. Tolinha.

Os anos felizmente passaram e eu parei de pensar idiotice (ter ido morar sozinha ajudou bastante nisso) Mas até hoje tenho amigas que não se masturbam. Eu nem estou falando de ir a um sex shop e comprar um belíssimo vibrador, mas elas simplesmente não se tocam. Outro dia aconteceu um caso que ilustra bem essa história toda. Uma amiga foi à ginecologista e se deparou com a própria buceta refletida num espelhinho usado pela doutora. Ela se espantou um pouco, mas depois curtiu, pois nunca havia visto. Não, ela não se toca.

Também li os comentários num blog bem “feminino” sobre como as mulheres veem a masturbação de seus parceiros. Algumas encaram até mesmo como traição (!!!!!!), especialmente se o gatilho para a excitação forem filmes pornôs. Eu já acho bizarro você querer que ele só coma a você, imagina você querer ser dona dos pensamentos dele!

Pois poucas coisas me deixam mais excitada do que ouvir/ler um “bati punheta pensando em você”. Ver um homem se tocando é a coisa mais linda desse planeta. Prefiro achar que eles também curtem a gente fazendo o mesmo, porque de vez em quando eu faço isso na cama na frente do meu eventual (e põe eventual nisso!) parceiro.

Por mais que transar seja delícia das delícias, só a gente conhece realmente nosso corpo. Só a gente sabe quando ir mais rápido ou mais devagar, ou ainda o ponto exato para o toque ser excitante. Masturbação não substitui o sexo, não. A gente gosta de beijo, do peso de outra pessoa sobre nossos corpos. Eu sinto uma vontade imensa, em determinado momento da excitação, de ser penetrada. Não tem dildo que substitua isso. (sim, estou falando da minha experiência de mulher hétero. desejo é subjetivo.)

Mas um toquezinho naquele momento de stress faz milagres. Conheço quem vai ao banheiro do trabalho para isso (nunca fiz). Outras andam com aqueles vibradores pequenininhos dentro da bolsa, e não contam conversa: qualquer hora é hora. Eu estive com preguiça de me levantar hoje. Me toquei ainda embaixo dos cobertores e fiquei animadíssima para enfrentar o dia.

E você? Quais suas ténicas? Acha mesmo nojento um cara se tocar pensando em você? E você, garotão, o que acha de uma menina se masturbando na sua frente? Contem aí!

Para inspirar vocês, fiquem com o grande hino da masturbação feminina.