Excelente propaganda de camisinhas

Enquanto há quem faça apologia ao estupro para vender preservativos, também há quem tenha ideias criativas e sem nenhuma, absolutamente nenhuma alusão a sexo.

O vídeo abaixo foi escrito e dirigido pela jovem francesa Charlotte Rabate, estudante da Tisch School of the Arts, da Universidade de Nova York. O comercial, portanto, não é oficial; é apenas um “exercício”. E ficou demais!

Pra completar, ainda tem Sonic Youth na trilha sonora!

Durex ad long version from Charlotte Rabate on Vimeo.

Viram que bacana? Há quem trate tudo com bom humor e cuidado.

Você não é prato do dia

Durante o feriado rolou mais uma propaganda bizarra da Axe. Nós já sabemos que eles coisificam as mulheres, como se fossemos objetos, mesmo. Nem estou falando de “objeto sexual”, não, mas sim de uma coisa, um enfeite, um peso de porta.

Além de sermos colecionáveis, agora também estamos num cardápio. A “gracinha” no Facebook era a seguinte (infelizmente não salvei e já saiu do ar): “homem não tem agenda de telefone, tem cardápio”.

Feio demais uma empresa se posicionar dessa maneira. É aquilo que já conversamos: essas peças publicitárias passam por um montão de gente até chegar ao público. Ninguém percebe como são equivocadas?

No entanto, é preciso dizer: apesar de ser tosquíssima, a peça representa, sim, o pensamento de parte da população. Muitas das leitoras do blog chegaram aqui por meio de um texto difamatório postado em um outro blog em que o autor SEMPRE chamava as mulheres de “lanchinho”.

Pra ele, a agenda telefônica é, sim, um cardápio.

Muita gente vê o parceiro de sexo casual como uma coisa. Quem leu meu livro viu como eu trato meus moços. Mesmo que seja apenas sexo (e isso já é muita coisa), eles não se transformam em pintos voadores. Não há nada de errado em não pretender namorar com quem você está transando, desde que as intenções estejam muito claras.

Quantas vezes eu fiz sexo só pelo “eu não estou fazendo nada, você também”? Zilhões. Nem por isso eu tratei os caras com descaso, sem me preocupar com o prazer deles. Como diria Gaiarsa (sempre ele, esse lindo): “não esqueça que se trata de uma relação. Que você não está sozinho, que ela [a parceira] está até que bem próxima”.

No entanto, não posso deixar de admitir, com um certo pesar, que provavelmente fui tratada com um “lanchinho”. Que fui coisificada. Tratada como um buraco. Ou como uma bomba de sucção.

Porque antigamente eu pensava “homem é assim mesmo”. Não é o que dizem por aí? Também tinha problemas de autoestima e imaginava que o máximo que iria “conseguir” era aquilo. Que eu não merecia mais. Se eu quisesse, era aquilo. E que me desse por satisfeita!

Os anos foram passando, eu fui crescendo e amadurecendo. Percebi que, mesmo que eu não seja a Gisele Bündchen ou não tenha sido premiada com o Nobel de Literatura, ainda assim eu mereço ser tratada com respeito. Porque eu sou gente, não uma boneca inflável.

Faço sexo casual, adoro e pretendo continuar fazendo. O que mudou foi a qualidade das pessoas com quem me envolvo. Evidentemente às vezes não dá para perceber de cara que ele vai me tratar mal. Se eu tivesse uma bola de cristal…

Mas eu aprendi a dizer “basta” e a interromper certas relações se elas forem de alguma forma prejudiciais à minha sanidade física ou mental. Isso inclui, é claro, ser tratada como uma coisa.

Portanto, reclamemos, sim, de peças publicitárias patéticas e machistas como as da Axe. Mas precisamos nos posicionar também no cotidiano, seja nas relações da “vida real”, seja em como nos comportamos na internet. Como algumas de vocês leram aquele blog da “mulher lanchinho” durante tanto tempo? É porque era com a “outra”? Vale dar uma relida no post de ontem para perceber que a outra também é você. Seguir gente machistinha no Twitter, compartilhar texto de site/blog desrespeitoso, curtir página que faz piada com minoria: tudo isso é corroborar com o comportamento misógino e preconceituoso de quem trata outras pessoas como inferiores.

Nossa publicidade tem que mudar, sim, mas a mudança deve ser muito mais profunda que isso. É uma mudança estrutural, difícil, pesada. Mas ela tem que ser feita. Comece por você.

***

Eu não estou mais vendendo livros aqui no blog. No entanto, como muita gente estava esperando o cartão liberar/a grana entrar, resolvi dar uma última chance aos retardatários. :)

Se você quer comprar o livro com dedicatória, peço que preencha o formulário abaixo. De acordo com o número de pedidos, talvez eu faça uma nova encomenda à editora. Por favor só preencham se realmente tiverem interesse. 

Houve quem emitiu o boleto e não efetuou o pagamento, e isso me deixou no preju. Lembro que o livro está à venda em livrarias físicas e online (o link está aqui).

ATENÇÃO: Isso é uma mera possibilidade, que dependerá do interesse das pessoas. E o envio provavelmente demorará um pouco. Obrigada.

https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?formkey=dFdXRGpzRmVtdXNHYVZsM2FoUWtUaGc6MQ

Dez propagandas sexistas

Recentemente tivemos algumas propagandas sexistas que acabaram reverberando de forma negativa nas redes sociais. A movimentação começou com a Hope, passando pela Prudence, Marisa, Axe. O consumidor está mais ligado no uso do sexismo como forma de vender produtos. Infelizmente os publicitários não têm demonstrado muito cuidado com isso.

A gente nem pode vir com o complexo de vira-latas e dizer que esse é um fenômeno brasileiro. Propagandas sexistas e que diminuem a mulher são muito, muito comuns no mundo inteiro.

Vejam 10 fotos de propagandas estrangeiras que fazem os publicitários brasileiros parecerem gênios.

A American Apparel é a rainha dos anúncios sexistas. Eles já tiveram campanhas banidas no Reino Unido por causa disso. Nas propagandas há um apelo sexual muito forte – mas sempre é a MULHER que aparece em situação de “disponibilidade”.

Aliás, rola uma certa fixação com a ideia de ~pernas abertas~. A foto abaixo seria de um anúncio da joalheria Natan – a mulher abre as pernas após ganhar uma joia. Eu falei “seria” porque eu não consigo acreditar que seja de verdade.

Outra fixação é com o leite no rosto de uma mulher. Claaaaaaaaro que é uma alusão ao esperma (quantas vezes será necessário dizer que esperma não tem NADA A VER COM LEITE?). Dessa vez nem posso dizer que o anúncio é fake, pois tem uma galeria no Corriere della Sera que mostra a foto junto de outras propagandas inacreditáveis (o que é aquela de queijo com uma mulher branca e outra negra???).

Os italianos, aliás, me parecem muito equivocados sobre a publicidade. Olhem esse anúncio dos correios (repito: estou desejando que todos eles sejam fakes, porque não é possível que alguém tenha aprovado esses absurdos).

Agora que você já viu uma mulher de frente pra vender um serviço, que tal ver outras de costas?

Ah, mas do quê eu estou reclamando? Não é pra isso que mulher serve, mesmo? Melhor seria se fôssemos todas bonecas, sem falar uma palavra. OH WAIT!

Se é pra ser boneca, por favor seja magra. Ninguém gosta de gorduchas. Faça o favor de emagrecer. Há toda uma linha de produtos lights… inclusive que usam você de público alvo e ao mesmo tempo fazem body-shaming. ”Forget about it. Men’s preference will never change. Fit Light Yogurt.” -> “Esqueça. A preferência dos homens nunca vai mudar. Fit Light”. Isto é, não queira ser uma Marylin gorda. Ai, ai.

Se teve body shaming, cadê o slut shaming? É pra já! Sabe o que é assustador nesse? É de uma campanha de conscientização de HIV… e o que fizeram? Colocaram a pessoa ~promíscua~ como sendo a que pega o vírus.

E se essa ~putinha~ não se comportar, qual o próximo passo? Encher ela de porrada!!! (a quantidade de anúncios publicitários retratando violência contra a mulher é de assustar qualquer um.)

Viu só? Com sorte você vira UM TAPETE na casa de um homem!

Eu sei que esse último anúncio é antigo. Mas será que a publicidade mudou nas últimas décadas? Essa galeria de fotos mostra que, na verdade, as propagandas de hoje são uma reedição do passado.

Em um dos meus boards do Pinterest você encontra vários outros exemplos.