A diferença entre a fantasia e a realidade: ménage

A sexóloga Regina Navarro Lins, autora de A Cama na Varanda e d’O Livro do Amor, sempre diz: fantasia pode ser só fantasia, não precisa virar realidade.

Eu não sei se eu concordo muito com ela; sou mulher de fazer, não de sonhar, pelo menos no que se refere a sexo. Também acredito que precisamos nos livrar de certas inibições. Muitas vezes, o que impede alguém de realizar fantasias é “e se alguém descobrir?”. Livrar-se dessas amarras sociais é dificílimo, eu sei, mas a vida sexual de alguém só diz respeito a ela.

A fantasia que as pessoas confessam pra mim com maior facilidade é a de fazer sexo a três. Vocês sabem que eu curto muitíssimo, mas quando aconteceu a primeira vez eu não havia pensado muito sobre. Fiquei com bastante vergonha no início, dei uma ligeira travadinha… e depois me soltei e aproveitei muito.

As coisas foram se encaixando, rolando naturalmente, como o sexo tem que ser. Sem regras* intransponíveis. Você vai testando, tocando, lambendo, e, enquanto for consensual, vai em frente.

Porém, há questões que devem ser respondidas – por você e para você – de antemão. Quando o ménage envolve duas garotas e um cara, o homem sempre pressupõe que as mulheres irão interagir entre si. Ele quer vê-las. Como se elas estivessem ali só para fazer um show. Se elas curtirem, ótimo, divirtam-se.

Se o sexo a três envolver dois caras, aí a coisa muda de figura. Em geral eles não se tocam. Muitas mulheres com quem já conversei aqui no blog assumem que achariam estranho se o parceiro se engajasse em algo sexual com o outro homem. A bissexualidade masculina é muito mal vista. Podemos falar disso em outro momento – o assunto rende!

Pego nesse ponto porque esses dias falei com um cara que queria fazer sexo a três. Ele, um amigo, e uma garota. Fiz algumas perguntas simples.

- Depois de ela chupar seu amigo, você vai beijar ela na boca?

- Se ela quiser chupar vocês dois ao mesmo tempo, você topa?

- Beijo triplo, rola?

- Você vai masturbá-la ou fazer sexo oral nela se o seu amigo a estiver penetrando?

Ele só gaguejava e respondia que não. Um belo dia ele decidiu que ia fazer sexo a três e pronto, achou que ia ser fácil assim. Quando fiz a pergunta do boquete e recebi uma negativa como resposta, questionei como iam fazer. “Ela vai ter que escovar os dentes depois, ou nem isso basta? Só vê-la chupando seu amigo vai fazer você não querer beijá-la na boca nunca mais?” O moço não soube responder.

Disse, então, que ele talvez não estivesse preparado para fazer o ménage. Porque, por mais que as pessoas do mesmo sexo não se toquem, haverá toques mútuos, o que adolescentes babacas chamam de “beijar/pagar boquete por tabela”.

Mudo as perguntas um pouquinho para quem está me lendo agora: você, mulher heterossexual, está preparada para ver seu parceiro gozando com outra mulher? Mesmo se ele não for seu parceiro, seja um cara que você mal conhece, você ficará intimidada com a presença de outra? E se forem dois caras? Você vai achar “estranho” se eles se pegarem? Se for seu namorado, a relação de vocês vai continuar igual depois disso?

Se você não está preparado pra responder com segurança, não está preparado para o sexo a três. Talvez aí Regina Navarro Lins esteja certa: é coisa para ficar no campo da fantasia. (e se estiver preparado, call me maybe.)

 *a não ser que seu tesão esteja, é claro, justamente em ter regras.

Dupla penetração, essa superestimada

É batata. Quando você diz que fez (ou que quer fazer) sexo com dois homens, a primeira pergunta que fazem é se você aguenta uma dupla penetração. Pois eu devolvo a pergunta aos homens: você aguenta ficar de pau duro com outro cara na jogada?

Fiz ménage com dois homens três vezes. Contei sobre elas aqui no blog. Na primeira, eu super toparia que colocassem coisas onde quisessem. Mencionei ontem quão enlouquecida de tesão eu estava. Lembro perfeitamente do momento em que estava por cima do irmão mais velho, e ele pedia para o mais novo vir por trás e me penetrar também.

Bom, acho que todo mundo sabe que para fazer sexo anal é preciso que o pênis esteja bem ereto. E, naquela ocasião, o irmão mais novo não conseguia manter a ereção delícia por muito tempo quando estávamos a três. Aconteceu de novo nas duas outras vezes, com rapazes diferentes. O Eduardo* não se abala, mas os dois amigos dele sempre ficaram “meia bomba”, como se diz por aí.

Não sei se rola uma disputa, se um fica com vergonha porque o pênis é menor, ou se ficam tensos porque gozaram mais rápido que o outro cara. Só sei que nas três vezes a dupla penetração seria impossível, e não por questões minhas.

Nenhuma das minhas amigas jamais admitiu ter feito ménage com dois homens. Então, a experiência que vale aqui é a minha, que soa quase como inexperiência. Afinal, três transas não dão uma ideia de como os homens se comportam em um momento como esse. Mas, comigo, um dos caras sempre dá mais trabalho, precisa ser mais beijado, elogiado, chupado. Não estou reclamando. De jeito nenhum!!! Amei duas das vezes, e detestei a terceira porque o cara era super afoito. Ele era o problema, não o ménage. Mas vamos combinar que esse lance de dupla penetração, pra mim, parece coisa de filme pornô. E só. Confesso preferir estar enganada e, quem sabe um dia, ser comida ao mesmo tempo por dois homens muito gostosos. E, quando isso acontecer, prometo contar tudo pra vocês.

*Eduardo era um velho conhecido aqui do blog (e, agora, do livro). Foi um dos parceiros constantes que tive em 2011.

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