O estigma da mulher honesta

Uma das grandes dúvidas da maioria das mulheres é o “momento certo” para transar. Muitas ficam adiando, adiando, pois acham que assim o cara não vai julgá-las, “desvalorizá-las”. Todo mundo sabe como eu acho isso uma bobagem sem tamanho, mas eu sei que na “vida real” essas coisas acontecem.

Foi o que uma leitora me contou por e-mail.

Moro (sozinha) em sampa há uns 5 meses, tenho 25 anos, vida estável, e tudo mais (bla bla bla).

Esses dias me aconteceu algo q eu achei q devia compartilhar, principalmente com vc…
Vc tem me ajudado muito a parar com o estigma da mulher honesta…. ou seja, a entender que não sou uma puta por querer ficar com caras, por querer fazer sexo, e principalmente, por querer ficar com alguém por ficar.

Sempre fui gordinha, mas sempre peguei quem eu quisesse.. mas transar.. ih.. transar era outro esquema.Sempre fui pudica quanto ao sexo, isso era coisa esporádica, e só achava que seria capaz de fazer sexo no estilo papai e mamae..

Depois q mudei pra cá resolvi q tinha q viver a vida. Resgatei um cara do passado. Ele veio me ver, foi tudo ótimo, e descobri coisas sobre mim que eu nem sabia… pena q foi rápido demais e não sei se vou vê-lo de novo.

Continuando a saga “viver a vida”, no domingo, um amigo de um amigo meu, com quem fiquei no final de semana passado, veio falar comigo na internet… ficou de putaria, putaria, pedindo pra vir aqui me ver, aquela coisa.

Não resisti e falei: VENHA. É, ele veio… 

Veio, me comeu, e foi embora depois de 30 minutos.

ME SENTI UM LIXO. Ele sequer tirou minha roupa, não encostou nos meus peitos, e eu nem vi direito o pinto dele. Absurdo. 

Eu, que passei a pregar que temos direito iguais, que assim como os homens nos usam, podemos também usá-los, e por aí vai, me vi de novo com o estigma de ter que ser uma mulher honesta.

Não fiz nada de errado. Eu já sabia que ele era cuzão.. mas porra, desse nível?
Ainda, antes de ir embora, me disse: “desculpa a falta de educação, mas eu tô muito cansado.. tô indo.. tchau”.

É, tô fazendo força pra não me sentir mal, uma putona completa, e nem ficar me martirizando.. mas parece que quando eu me livro do estigma, ele bate à minha porta de novo…

Me apego nos direitos iguais, mas quando eu quis usar, acho que acabei mesmo foi sendo usada…

A primeira coisa que as pessoas precisam entender é que a gente não “usa” o outro. Ou, pelo menos, as pessoas “normais”. Se eu estou a fim de gozar apenas, eu me resolvo sozinha. No momento em que você decide fazer sexo, isso automaticamente inclui um parceiro. Não importa se é casual, se é um namoro apaixonado ou um casamento que já dura 20 anos. O corpo do outro não é para você se masturbar. Sexo não é masturbação acompanhada.

Logo, a leitora deve riscar do vocabulário a expressão “usar” quando se referir a sexo casual. Se ela fala desse jeito a respeito do carinha, é de se esperar que ela a use para falar de si mesma – e isso traz uma carga imensa de culpa e a ideia de que estamos à disposição do outro. Que vai nos usar… e nos descartar. Como um copo de plástico, um guardanapo de papel… um objeto qualquer.

Mas, sobre o caso específico, o cara é um panaca. Panaca completo. Uma amiga veio me dizer que o mesmo aconteceu com ela durante o carnaval. Ela transou com um conhecido, e o cara usou o famoso pau-britadeira. Não fez mais nada. Não demonstrou qualquer preocupação com o prazer dela, assim como o “parceiro” da leitora.

Ambas demonstraram um abalo na autoestima após o acontecido. Outro dia eu estava conversando com um amigo e falei como minha autoestima havia desaparecido após os eventos dos últimos meses. Ele me respondeu, direto (e um pouco duro) como sempre: “Ninguém tira minha autoestima, porque ela é minha, e não do outro”.

É difícil perceber isso. É dificílimo colocar isso dentro da nossa cabecinha. Em geral temos anos e mais anos de comportamentos destrutivos. Alguns de nós sofremos com bullying na escola (quando nem existia uma expressão pra isso!), outros fomos xingados dentro da nossa própria casa. Não que faltasse amor, mas toda uma geração de pais achava bacana dizer pro filho que ele “não fez mais que a obrigação” quando conquistava algo. Ontem uma leitora-amiga me disse que a mãe reclamava do cabelo dela. Meu pai fez o mesmo comigo. Isso sem contar as cobranças da sociedade, essa que coloca mulheres irreais nas capas de revista e inventa mil tratamentos estéticos ao dia. Tudo com 56% OFF nos sites de compras coletivas.

Assim, tendemos a achar que a culpa é nossa. Por que ele não se importou com o meu prazer? O que fiz de errado? Foi muito cedo? Se eu tivesse demorado mais a transar, ele teria me tratado com mais carinho?

A resposta é bem simples: não. Não. Um homem desses acha que você, mulher, serve apenas para o prazer dele. Você é um objeto, mesmo que você não vista a carapuça. Pra ele. Infelizmente não posso dizer que os moços dos dois casos são exceção. São a regra.

Da mesma forma que você pode ser “a regra” e ser insegura, sem autoconfiança e colocar a sua autoestima nas mãos do outro. Mas eu honestamente desejo que você seja a exceção, e se torne uma mulher forte, dona do próprio corpo e segura de si.

E daqui a alguns anos, quem sabe, isso se torne a regra.

Amor, sexo e um recomeço

Estou lendo um livro em que logo nos primeiros parágrafos a autora decreta: “A maioria das mulheres não consegue separar sexo de amor. E eu sempre me pergunto como elas conseguem juntá-los”.

Eu não chego a tanto, mas sempre consegui deixar cada um no seu quadrado. Sexo com amor é uma delícia? Ô, se é. Mas, convenhamos, só se o sexo com aquela pessoa seria bom também sem amor. Caso o parceiro não tenha a menor ideia de como agir, não há amor que resolva.

Mas este não é um post para mostrar técnicas infalíveis de como separar sexo de sentimento – o blog inteiro meio que fala disso o tempo todo. Falo aqui de um momento importante na minha vida, que mostrou que isso é certo na minha vida como 2 + 2 = 4… e como uma boa noite de sexo pode começar a fechar algumas feridas.

Eu era apaixonada e muito bem comida pelo meu ex. Apesar de nosso relacionamento ter sido aberto, eu não transei com ninguém além dele durante o período em que estivemos juntos. Flertei, considerei sair com outro, mas eu preferia era ficar com o ex o máximo de tempo que eu conseguisse (e isso era basicamente qualquer tempo livre).

Como vocês bem sabem, a história terminou e eu, logo em seguida, entrei em crise depressiva. Se a pessoa não consegue tomar banho, imagine fazer sexo. Sim, de vez em quando eu sentia uma vontade, mas a preguiça e falta de ânimo de fazer qualquer coisa me impediram de ir em frente. Em um bom almoço com um bom rapaz até considerei a possibilidade, mas eu só queria chorar – imaginem transar. Impossível.

Até que universo conspira (#paulocoelhofeelings) e as coisas se encaixam (ui) de maneira surpreendente. Casualmente encontrei um amigo que também estava fodido; talvez até mais do que eu.

No início foi estranho. Ambos sabíamos o motivo pelo qual estávamos naquele quarto. Nós dois queríamos exorcizar o passado. Nossa autoestima estava rente ao chão. Dois fodidos. Fo-di-dos. Que usaram uma foda para se sentirem vivos novamente.

Eu senti um pouco de vergonha de tirar a roupa. Vocês não têm noção de quão devastadora é uma crise depressiva na percepção da gente mesma. Quando me olhava no espelho, só enxergava uma mulher sem nenhum tipo de atrativo (quem disser que eu sempre fui feia, entra na fila e pega a senha). Como eu poderia imaginar que um homem não broxaria imediatamente com a visão do meu corpo nu?

Ele não broxou. Pelo contrário, aliás. A gente foi se entendendo, se descobrindo, e os vizinhos devem ter achado um pouco ruim o barulho insuportável que a cama fazia. Não foi uma transa espetacular; não demos milhares sem tirar de dentro; não ficamos até de manhã trepando enlouquecidamente. Mas o que aconteceu ali transcendeu a questão sexual, mesmo que por meio do sexo.

Parece loucura? Talvez seja – e eu não sei se estou conseguindo me explicar direito. Aquela noite foi só sexo entre amigos. Só isso. Mas eu me senti viva de novo. Sentir prazer em meio a tanto problema, me sentir desejada, fazer um homem feliz, tudo isso foi essencial para eu saber que, embaixo daquela coisa toda, a Letícia ainda existia.

Em nenhum momento da transa eu lembrei do ex. Nenhum. Aí que eu digo que sexo e amor, pra mim, estão completamente separados. Eu ainda o amava (e, convenhamos, por mais que eu não goste da ideia, ainda amo), mas não transei com um pensando em outro ou coisa do tipo.

Transei, gostei, me diverti, tudo isso olhando bem no rosto do homem que me comia. Ao final, corpos cansados, deitei ao lado dele, encostei a cabeça no peito dele… e só então lembrei de quem devia esquecer. O ex tem o peito peludo, e o outro rapaz, não. Um é gordinho, o outro bem magro. Com os hormônios mais calmos, foi estranho passar a mão num corpo diferente. Mas foi bom. Muito bom. Lembrei quão delicioso isso tudo é.

Sim, eu continuei em crise, continuei sofrendo, continuei fodida. Se sexo fosse a cura pra uma crise depressiva, as indústrias farmacêuticas venderiam mais viagras do que lexotans, mas as coisas não se resolvem assim tão facilmente.

Ah, mas como ajuda o calor subindo pelas costas e um belíssimo pau duro na sua frente. Ai, como ajuda…

Casual sim, sem respeito nunca!

Este post foi publicado originalmente sei lá quando (março ou abril), mas nessas transições de plataforma ele acabou se perdendo. Alguém pediu nos comentários do último post, então republico ele aqui.

A estreia deste blog foi polêmica… Enquanto escrevo este post, o primeiro publicado (Rumo ao centenário) conta com 114 comentários. Como esperado, muitos me criticando. Alguns, com veemência. Não me surpreendi. Só neste ano resolvi fazer esta “experiência”, mas já faço sexo casual há muito tempo – e os olhares tortos já fazem parte do meu cotidiano.

Não vou me justificar explicando por qual razão eu faço isso ou aquilo. A maior – e melhor – justificativa é só uma: eu quero. Incontestável. Eu quero. Eu desejo. Não há força maior do que essa, para o que quer que seja. É evidente que este assunto voltará à tona muitas vezes ainda neste blog durante este ano.

Mas o que eu quero falar hoje aqui é sobre outra faceta disso tudo. Para aqueles que acham que sexo casual é apenas e tão somente um simples encontro de órgãos sexuais (sejam eles quais forem), eu esclareço: não é. Ok, às vezes beira a chatice, como o número 2 que vocês já conhecem, e não resta nem uma amizade. Muitas vezes, é só o tesão que bate e ninguém se controla (ainda bem!). Mas, pelo menos na minha experiência, posso dizer que muitas histórias bacanas saem de encontros ditos fortuitos. Tenho uma relação “casual”, por exemplo, há oito anos com um cara. Ele é gostosééééérrimo sob quaisquer aspectos que vocês imaginarem. Exceto uma vez que saímos para almoçar, nunca tive um único encontro com ele que não envolvesse sexo. E, mesmo assim, ele me trata com um carinho que talvez eu não tenha recebido de alguns ex-namorados (UPDATE: é o cara desse post aqui. Um outro, com quem transei pela primeira vez há pouco mais de um ano, ficou irritadíssimo quando contei sobre a péssima experiência que tive com o número 15 dessa lista, sobre o qual vocês lerão em breve (UPDATE: não lerão pq eu tirei do ar! :P).

Talvez vocês se perguntem por que a gente não namora, se eles são tão legais e a gente se dá tão bem na cama e fora dela. Namorar não é necessariamente o objetivo de todo mundo, pra início de história. Bom, pelo menos não é o meu. Em segundo lugar, nunca rolou paixão, frio na barriga, essas coisas. Terceiro: existe uma distância muito grande entre compartilhar alguns acontecimentos e compartilhar uma vida, almoços em família, toalhas molhadas esquecidas em cima da cama e festa de fim de ano da firma.

Mas eu não querer namorar com eles, e nem eles comigo, não afasta o fato de sermos todos pessoas bacanas. Por isso mesmo, o sexo é tão gostoso e nada vazio. Acabamos nos preocupando com o bem estar do outro, se o outro está sentindo prazer, se está doendo, se está rolando o tesão. Não existem joguinhos de conquista barata, aquele esconde-esconde insuportável de início de relacionamento (Por que as pessoas ainda fazem isso? Não me canso de perguntar…). Somos honestos, jogamos limpo, e isso torna a coisa ainda mais prazerosa.

O que faz uma relação ser vazia (seja ela sexual, de amizade, de trabalho) é o caráter das pessoas. Se a pessoa com quem a gente se envolve for vazia, não tem jeito. Você pode namorar anos, noivar, casar, ter filhos, ficar junto até a morte. E, no último suspiro, vai sentir um vazio. Se, por outro lado, a pessoa for bacana e te quiser realmente bem – e isso, necessariamente, passa pela aceitação de você pelo que você é -, você vai se sentir preenchida mesmo que seja no finzinho de uma noite de sábado, mesmo que seja naqueles dias em que seus hormônios enlouquecem e você faz bobagem. Isso não é nada vazio. E, de quebra, ainda é uma delícia.

E-mail da leitora: Ele não está tão a fim de você

A mensagem chega com o assunto já conhecido: “me ajuda”. Quando leio o texto, fico imaginando por qual motivo ela (chamaremos de Fernanda) precisa de auxílio. Salvo raríssimas exceções, todas as respostas aos problemas relatados por desesperadas garotas não é nada difícil. Elas mesmas sabem. Só não querem enxergar.

Por isso, meu conselho é: ante qualquer situação, olhe em volta e veja se você precisa mesmo da opinião de uma desconhecida. A não ser que tudo o que você necessita é de uma “wake up call”. Se é o caso, aqui vai ela.

O texto da leitora foi editado para preservar a identidade da Fernanda. Ele está em itálico, enquanto minhas observações aparecem em negrito.

Comecei a trabalhar em uma nova empresa e conheci um dos funcionários de lá. Um menino super esforçado, simpático, honesto, dedicado e mega capaz. Sempre me encantou a forma como ele conduzia a equipe dele e principalmente a história de conquista da carreira dele. Carreira promissora, super estudioso, ambição na medida certa e com um sorriso lindo.

Vejam a tentativa de justificar o que vem mais tarde…
 
Como ele morava perto da minha casa, um dia ofereci carona. Começamos a nos aproximar e acabou que ficamos juntos, mas sempre deixamos bem claro: sexo casual, sem compromisso e SEGREDO. Onde se ganha o pão, não se come a carne. O sexo foi incrível. Ele é preocupado, pergunta se eu estou gostando, cuida do meu prazer e do dele, mas é só isso! Atualmente, não estou mais trabalhando na mesma empresa que ele.

Bom, se o combinado era só sexo – e isso com ele é bom – por qual motivo Fernanda está reclamando? Aposto que você já sabe a resposta. 
 
E ai que ta o meu problema, é só sexo!

YAY!

Mesmo depois que eu saí da empresa a regra é a mesma. Não, eu não quero namorar com ele, mas eu quero tomar um vinho às vezes, sair pra jantar… sei lá. Conversar sobre a novela, sabe?

Isso não é namorar?
 
E com ele é tudo muito agendado, muito com tempo limitado, nunca vai rolar uma noite inteira, vai ser sempre uma boa transa e cada um para a sua casa.

Não foi exatamente esse o combinado?
 
Ai vem as minhas perguntas:
 
Será que eu to querendo demais, um pouco mais de carinho e um pouco menos de foco?

Quem sabe a “quantidade” e “qualidade” do que você quer é você mesma. Ninguém pode dizer que você está exigindo demais. Por outro lado, a outra pessoa pode não estar no mesmo clima. Não é simplesmente porque você quer que ele também vai querer.

Será que ele só quer o sexo e nada mais?

Qual é o grande problema de perguntar? Ao mesmo tempo, será que precisa? Como já disse antes: não foi exatamente isso que combinaram?

Será que ele é um escroto e me vê só como uma pessoa pra sexo e nada mais?

Fernanda, você está dizendo que todo mundo que só quer fazer sexo casual é escroto? Então porque você está pedindo conselho a uma escrota? (afinal de contas, olha bem quem eu sou…)

Querer namorar/casar ou só transar não faz de ninguém melhor ou pior. Quer dizer que homem que quer namorar é alçado automaticamente à categoria de “gente boa”? Pode ser que ele seja um escroto, sim, mas não porque trata a relação de vocês apenas como sexo. E, se ele é assim (ou se você pelo menos desconfia disso), por que ainda sai com ele?
 
Na última noite que ficamos juntos eu estava com muito medo de dormir sozinha, havia chorado por horas, uma fobia mesmo. Ele se ofereceu para ir até a minha casa. Ele chegou às 22h e saiu as 23h40. E falou que eu não devia me preocupar com o medo, que tudo ficaria bem, mas que ele tinha que acordar cedo, teria uma reunião pesada e não podia prorrogar a noite.

Você já sabe que ele não quer nada além de sexo. Fico aqui me perguntando a razão de você ter ligado para ele. Você não tem amigas? Não seria melhor se poupar desse constrangimento? Ou você forçou a barra, testando-o para ver até que horas ele ficaria com você?
 
Será que eu estou exagerando?

Talvez.

Sexo casual é isso mesmo?

Isso o q? Sexo delícia? Alguns não são nem isso!!! Outros são isso e mais coisa. Outros começam assim e se transformam em namoro. Não há regra. Mais uma vez: o cara tem a maior consideração por você na cama e você sente prazer. O quê mais você esperava?

Será que eu vislumbrei um sexo casual diferente dos demais?

Talvez o problema não seja o sexo casual, mas sim o fato de você não querer isso.
 

Eu sempre imaginei que sexo casual podia ser entre amigos, e que já que temos uma relação intima, porque não manter uma amizade além de tudo isso. O sexo deve ser bônus e não o todo.

Mas vocês eram amigos antes? Me pareceu que rolou um flerte e vocês transaram. Ponto. E, pelo que você contou, ele nunca te desrespeitou… 
 
Estou muito errada?

Nas suas expectativas, sim.
 
 Não vejo problema em mantermos uma relação aberta e sem cobranças, mas é pedir demais um pouco de extra: uma cervejinha, um vinhozinho ou até mesmo ficar na cama jogando conversa fora. Não precisa ser a noite inteira, mas gostaria que a proposta não fosse só o sexo.

Vamos por partes:

1) Você pode tomar uma cervejinha e tomar um vinhozinho com seus amigos. Por qual razão você quer fazer isso com ele? O tempo na cama não é mais suficiente?

2) Se não é suficiente, você quer realmente fazer essas coisas COM ELE, ou você quer fazer isso com ALGUÉM? Uma confusão muito grande que a gente faz às vezes é confundir carência com sentimento. Falta “algo” e a gente procura essa coisa em quem está mais à mão.

3) Não é esse o caso? Ele é realmente incrível, gostoso, inteligente, divertido? Não há nada de errado em “mudar de ideia”. Você pode ter começado como uma coisa casual e, conhecendo ele melhor (e transando gostoso com ele!), você ficou a fim de algo mais. Normal. Não se sinta culpada ou “fraca” por isso.

4) Mas se ele não sente a mesma coisa, não há o que fazer. Insistir nunca é uma boa. Exigir, também não. Caso ele esteja em outra vibe, cabe a você decidir o que vai fazer: continuar como casual, mesmo infeliz, ou partir pra outra. Eu ficaria com a segunda opção.

5) Qual o mal de perguntar? Fale o que você sente. Talvez ele seja um babaca na resposta, sim, mas tenho certeza que não é a primeira vez que você vai tomar um fora. E se ele é um cara mala a ponto de responder de maneira pouco respeitosa, você ainda quer transar com ele?

Recebo muitos emails como o da Fernanda. Mulheres DESESPERADAS. Repito aqui o que eu já disse mil vezes no blog, e está até no FAQ: o que esse homem tem para que você se anule e omita suas próprias vontades em nome dele?

Por favor, gente, vamos ser um pouquinho mais racionais, vamos resolver as questões de autoestima e vamos parar de colocar toda a esperança de felicidade nas mãos de um outro cara.

Eu te amo, só por hoje

Sempre tratei os homens da minha vida como se fossem os únicos. No momento em que estou junto de um (ou dois. vocês sabem que eu curto), é como se o resto do mundo simplesmente não existisse. Parece descrição clichê de paixão? Pois é exatamente isso que acontece: eu me apaixono por todos eles.

Sou carinhosa, atenciosa, sorridente. Procuro dar o máximo de prazer, deixá-lo confortável. Quero que ele se sinta gostoso, desejado, imprescindível.

Até o beijo de despedida.

Poucos são os que me deixam suspirando no dia seguinte. Não porque a noite foi ruim, mas sim porque é preciso um algo mais – que ninguém sabe explicar o que é – para a conexão acontecer.

Lendo o ótimo texto Homem de uma mini-vida, percebi que sou exatamente daquele jeito. Não que os homens me procurem no dia seguinte (nem sempre acontece), mas quantos deles não podem jurar de pés juntos que eu me apaixonei? Eu só fui legal. Eu só tive tesão. Como disse a autora, “eu vivo de romances breves, paixões to go, amores diários”. Amo cada um dos homens que passam pela minha cama. Sei o nome de todos, o que fazem, onde moram, do que gostam.

Alguns, é claro, têm existência prolongada no meu cotidiano. Hoje suspiro pelo tal rapaz do post de sexta-feira, com quem irei encontrar em alguns minutos. Até quando? Não sei. Dá medo? Dá. Talvez ele seja um amor de uma mini-vida, talvez de uma vida inteira. Não sei. Só sei que estou feliz.

Casual ou masturbação acompanhada?

Na entrevista ao IG eu disse que as mulheres, em geral, eram muito mal comidas e eram tratadas apenas como um buraco. Eu não estava me referindo apenas à minha experiência. Falo pelas minhas amigas, pelas conversas que entreouço por aí, pelos relatos aqui no blog.

As pessoas tendem a acreditar que esse tipo de coisa acontece só no sexo casual, mas não é verdade. Quantos casais vocês conhecem (ou até já fizeram parte de um assim) em que o sexo é mera burocracia, e isso quando ele acontece? Ser mal comida não é “privilégio” nem de solteiras e nem de casadas.

O que falta nas pessoas é a real vontade de transar. Costumo dizer que as pessoas gostam muito de duas coisas no sexo: de orgasmo e de FALAR sobre o assunto. Transar, que é bom, necas. Porque sexo pode ser grudento, fedido, desconfortável, sujo, cansativo. Quem nunca ficou com o maxilar dormente e o pulso dolorido?

Mas quem não para para pensar realmente na coisa fica repetindo por aí que as coisas dão errado para “rodadas” como eu justamente porque… eu sou rodada. Foi o que ficou claro no e-mail que recebi hoje. Uma nova leitora (e, pela minha resposta, “ex-leitora”) mandou a minha frase sobre mulheres mal comidas para o marido. Ele respondeu o seguinte:

Olhe por outra ótica,… É PRECISO “ESTOMAGO” PARA “MELAR” E MOSTRAR ALTOS “SENTIMENTOS” E DESEMPENHOS POR UMA PESSOA QUE VC NUNCA VIU OU NÃO CONHECE DIREITO, (aparencia e conceito ou pré-conceito) e ainda por cima desconfiando de que é “periguete de carteirinha”, sim, pois ela deve dar bandeira de “cançada de guerra” já que fez isso tudo que diz fazer e ter feito  :-)  Mesmo pela ótica masculina não rola altos desempenhos amorosos e de empenho lascivo e atenção amorosa,… amores melosos são para as “esposinhas” e “namoradinhas” para a maioria isso É LEI,… senão,… TEM QUE SER MUUUUUUITO GOSTOSA, TER UMA MEEEEEEEEEGA APARENCIA e inspirar tranquilidade e equilíbrio, do contrário é aventura,… “- Trata de qualquer maneira, foda-se, é puta!!”.

Lembre-se do aspecto “maternal” do sexo na psiquê do homem, o toque, o abraço, o aconchego, a tranquilidade, O NINHO, é por isso que agente se apaixona e traz mundos e fundos e “desempenhos eróticos lascivos” pra relação.

E mais:

Uma velha máxima que todo homem aprende com os mais velhos quando “criança” é: “-Não lamba buceta de puta, nem trata com muito carinho, viu meu “filho”(ou irmão, primo, amigo, etc…) elas são perigosas, gostosas, mas perigosas.” (Sabedoria popular universal)

Nem preciso dizer quão ridícula é essa divisão do mundo entre “putas” e “santas”, né? Piores ainda são as consequências desses rótulos, como visto na mensagem acima. Se a mulher não serve para você, amigo, não transe com ela. Ela não é um buraco. Ela é um SER HUMANO, com desejos e possibilidades infindáveis de prazer. 

Já tive homens rodadíssimos na minha cama. Já tive virgens na minha cama. Quase todos eles sabiam que eu não era uma santa (ao contrário do que as pessoas pensam, eu não dou “bandeira de cançada (sic) de guerra”). A experiência conta, sim, e ajuda muito. Mas não é sinal de que tudo vai correr bem. O que te faz bom ou ruim de cama é o desejo de dar prazer, seja para uma “puta”, seja para a sua esposa.

Se você não está disposto a isso, amigo, você quer se masturbar – e utilizar uma buceta (ou outros orifícios) – para chegar ao orgasmo. Você não quer sexo. Você é tão egoísta que só pensa no próprio gozo. Conselho? Renove o estoque de papel toalha, ligue o Porntube e seja feliz.