Top 5 dos erros no sexo

Há algumas noites conversamos no Twitter sobre o que era menos legal no sexo. Fiz meu Top 5. Depois comecei a pensar em quantas mil outras coisas eu achava detestáveis.

Resolvi, por isso, fazer esse Top 5 combinando a minha contrariedade à prática e a regularidade com a qual essa prática acontece. Isso é o que eu penso; há pessoas que curtem algumas dessas coisas que eu detesto (como o basquetinho), então o ideal – sempre – é checar com o parceiro se ele está gostando.

E não é a pergunta “tá gostando?”,  porque isso pode fazer o outro ficar envergonhado de dizer que não. Você pode captar os sinais; ficar atento aos sons; observar se a pessoa “se entrega” ou se afasta o corpo, ainda que lentamente; testar um novo jeito, uma nova posição, e perguntar qual o parceiro prefere.

Afinal, sexo não é masturbação acompanhada, mesmo que seja casual. É para todo mundo envolvido sair dali feliz, feliz.

Mas há algumas coisas que tiram um pouco desse brilho de felicidade. Quais são as suas?

As minhas são essas:

1) Insistência. O cara que insiste pra transar, depois insiste para fazer anal, depois insiste pra gozar na sua boca, depois insiste pra qualquer outra coisa. Não suporto. Uma pessoa que faz isso evidentemente foi criado pensando que assim se consegue levar alguém pra cama e não está nem aí pro seu prazer. Se você NÃO QUER fazer algo, a probabilidade de você curtir quando está engajado na situação é bem pequena.

2) Basquetinho. Quando falei no Twitter, várias pessoas não sabiam do que se tratava. Imagine o sexo oral e, enquanto você está lá chupando, o parceiro começa a empurrar sua cabeça, como se estivesse batendo uma bola de basquete. Acho desconfortável. Em algumas situações, pode ser que ele empurre demais e, bom, a ânsia de vômito apareça. Nada legal, né? E eu tenho um outro problema com isso; parece que o cara quer comandar – e não sinto tesão nisso.

buzina

3) Meu peito não é buzina. Meu peito é grande desde que entrei na puberdade, então já perdi a conta das vezes em que ele foi apertado como se fosse a buzina do Chacrinha. Era batata: qualquer tipo de aproximação de cunho sexual começava pelo FÓN FÓN nos meus peitos. Se já é super boring, muitas vezes eu estava com sutiã de bojo – isto é, o cara apertava uma espuma! Com o tempo as coisas foram melhorando e hoje em dia isso é menos comum, mas sempre há um desavisado. Felizmente não tenho mais TPM (ser apertada neste momento é ainda pior).

4) Segurar demais o orgasmo. Na nossa sociedade falocêntrica, acha-se que manter a ereção peniana por muuuuuuuito tempo é sinal de virilidade. Além disso, superestima-se o orgasmo. Resultado: o cara segura durante muito tempo, esperando que a parceira goze (ainda que tudo o que ele esteja fazendo é aquele vai e vem totalmente britadeira). E nada. A lubrificação acaba, ele cospe (nem todos, claro, ainda bem) e continua. No outro dia, não dá para fazer xixi sem sentir ardor. No, thanks.

5) Flanelinha. Decorrente do item anterior. Com a demora para gozar e o desespero para o pinto não amolecer nunca (tudo bem amolecer, gente, depois fica duro de novo), é preciso trocar de posições. E se o cara puder mostrar quantas ele conhece, então! Nossa! Ganhou um passaporte pro inferno. É um tal de “agora fica de quatro”, “agora vem por cima”, “vamo ali pra sala”, “senta aqui na beiradinha da cama”, assim, sem parar, como se fosse um flanelinha te ajudando a manobrar o carro. Detalhe: dirijo bem pra cacete e não preciso de ajuda.

Tem muito mais coisa, muito mesmo: gente que cospe/usa saliva como lubrificante, quem lava o pau na pia (esquecendo que outras pessoas vão usá-la, escovar os dentes e tal, além de ignorar a existência da virilha), quem se recusa a usar camisinha, quem bate com o pau na minha cara, quem pergunta se eu quero “leitinho”.

Nossa, posso continuar isso pra sempre! E você? Quais práticas comuns que você não curte? Me conta.

Vá com calma

beijo 1

A gente entende tudo errado. Primeiro nos ensinam a ignorar nossos órgãos sexuais. “Tira a mão daí!”, “é sujo, é fedido”, “o que você está fazendo trancado no banheiro?”. Depois, quando consideramos começar a vida sexual, as dúvidas: “oral é sexo?” “Se eu fizer anal, continuo virgem?” “Ela não sangrou na nossa primeira transa, acho que não era mais virgem.” “Será que tive um orgasmo?”

A menstruação atrasa dois segundos e pronto, o desespero toma conta. Não apenas porque, de fato, ter filhos é decisão que muda a vida, mas também porque há o estigma da “vergonha”: todo mundo vai saber que você é sexualmente ativa.

Com todo esse clima de má informação, a culpa e o medo têm lugar fértil para crescer. Entende-se o sexo como necessariamente um relacionamento heterossexual. E só vale se houver penetração, hein?! Mais carga de ansiedade: o pau precisa estar sempre duro, sempre ereto, sempre a postos. Se não estiver, ferrou. O homem se envergonha; a mulher acha que fez algo errado, que o corpo dela não atraiu o parceiro.

Como consequência, a relação sexual heterossexual, na maioria das vezes, não passa de uma meteção desenfreada. Isso é tão certo que até chamamos carícias e sexo oral de “preliminares” quando deveriam acontecer, na verdade, o tempo todo. Antes, durante, depois. Mas aí o cara pensa: e se eu tirar o pinto de dentro dela para chupá-la e ele amolecer? E se daí não levantar mais? Como eu fico?

Você fica bem, meu caro, você fica bem. Mas precisamos mudar o jeito falocêntrico que vemos o sexo. Muita gente sequer admite usar brinquedos eróticos na cama; eles significariam que o cara “não é capaz de fazer a própria mulher gozar”. Sexo é muito mais que orgasmo. Além de todo o prazer envolvido em simplesmente estar com alguém, beijando, abraçando, acariciando, a mulher ainda fica em estado orgástico durante muito tempo (o homem também poderia conseguir, mas daí precisaria fazer alguns exercícios tântricos).

Privilegiando a penetração e o orgasmo, perdemos muito do prazer do sexo. Gaiarsa, como sempre, me ajuda nisso aqui:

Outro mau costume do macho é seu interesse pelo fim desde o começo. Leia com calma, leitor, é isso mesmo. Agrados, carícias, conversas são deixados de lado logo que o caminho ou as circunstâncias se fizerem favoráveis para a penetração/finalização.

Nessa pressa vai muito do medo que a ereção afrouxe. É preciso aproveitar a presença do príncipe.

Ansioso desde o começo, ele vai ficando cada vez mais aflito e acelerando o ritmo. Parece mais interessado em se livrar de um estado insuportável do que em sentir muito prazer ou se sentir feliz! Mais interessado em cumprir sua obrigação ou se livrar dela…

Alguns enfeitam o encontro com as famosas preliminares, mas, uma vez lá, é quase universal o galope desenfreado – o cilindro e o pistão das antigas locomotivas – cada vez mais rápido.

É o famoso pau-britadeira. Rápido, quase feroz. Ao chegar mais perto do orgasmo, soltamos grunhidos e prendemos a respiração – mesmo comportamento de quando estamos em estado de tensão. E, após o gozo, a sensação de “alívio”. Isso é a explosão da ansiedade, e não do sexo. Mas isso é tema de outro post. Por agora, eu pergunto, aproveitando o fim de semana que se aproxima e citando Gaiarsa (de novo): “se é tão bom, porque tanta pressa em acabar?”.

Oral: só em uma a cada cinco

mens

 

Tenho zilhões de restrições às pesquisas da Men’s Health, vocês sabem. Nesse caso, eles dizem, os dados foram coletados de quatro institutos diferentes, então vamos dar um crédito.

Achei alguns números meio esquisitos, tipo 90% dos homens fizeram sexo no anterior? É muita gente. Fiquei um pouco incomodada, também, com a porcentagem de homens versus mulheres que atingem o orgasmo: 85% deles e só 64% delas. Pouco surpreendente, mas triste ainda assim.

Eu não acho o orgasmo a parte essencial do sexo, o ápice, o clímax. Prefiro mil vezes ficar um tempão no estado orgástico, curtindo o parceiro, do que ter um orgasmo e o sexo acabar (é isso que acontece na maioria das vezes, até porque nas relações heterossexuais os parceiros esquecem que as mulheres têm orgasmos múltiplos, isto é, podemos continuar com a parada).

No entanto, ter orgasmos em só 64% das relações é pouco, especialmente quando comparamos aos 85% dos homens.

O chocante de verdade pra mim foi, no entanto, outra coisa: 27% dos homens e 19% das mulheres tiveram sexo oral no ano anterior à pesquisa (em 2010). Calma. Isso significa que só 1 a cada 5 mulheres foi chupada por um parceiro. Durante um ano.

Fico pensando na minha própria vida sexual, nas conversas com as amigas e nos relatos  aqui do blog. Infelizmente (e eu digo isso com muita dor no coração), de fato há pouco ou nenhum interesse na prática. Falo dos caras fazendo nas mulheres, porque eles… ah, eles sempre querem uma “chupadinha”, uma “mamada”.

Quando se trata de meter a boca numa buceta, porém, muitos fingem que não é com eles. É preciso lembrar que a maioria das mulheres não chega ao orgasmo com penetração; logo, estimulação clitoriana é quase essencial – se não é “necessária”, com certeza é uma delícia.

Mas, pra eles, ficar lá naquele vai e vem pode ser suficiente, então pra quê chupar a mulher? Colocamos o nome de “preliminares” no sexo oral e na masturbação e – pronto! – ficou-se com a impressão de que tais coisas só devem acontecer no início da relação. “É o jeito de deixá-la molhadinha”, aconselhariam alguns.

Sexo gostoso não tem script. Agora você faz isso, seguido daquilo, terminando com aquela outra prática. Logo, lamber, chupar, estimular com os dedos, fazer massagens, usar brinquedos, nada disso precisa ser apenas antes, mas sim durante.

É desnecessário ficar com o pau duro esse tempo todo. Não há problema nenhum em, durante essas mudanças no ato, ele amolecer. Esqueçam a ansiedade do orgasmo. Chupem-se, lambam-se, acariciem-se.

Sei que a culpa não é sempre dos homens. Muitas mulheres não deixam que o parceiro chegue perto das suas bucetas. Aí é outro trabalho, de empoderamento, de conhecer o próprio corpo, de entender que a anatomia da buça não é igual às das revistas e filmes pornôs.

Eu mesma já “impedi” parceiros de fazerem sexo oral em mim porque eu não estava depilada e achava que isso seria um constrangimento pra mim e uma chateação pra ele. Já tive vergonha do cheiro (e quem leu o livro/lê o blog há muito tempo sabe que tive um cara que reclamou disso), já fiquei preocupada em demorar demais a gozar e ele ficar cansado, já tive vergonha da região ser mais escura que o resto do meu corpo (eu não estou falando da vulva em si, mas das pernas – eu sou gorda, as pernas roçam e a área de contato fica mais escura).

No fim, tudo passa por nos gostarmos mais, querermos o prazer do parceiro, entendermos o sexo como algo feito em parceria (ou com mais gente, opa, por favor, obrigada). 19% de mulheres recebendo sexo oral é injustificável. Você, mulher, não está fazendo nenhum favor ao transar com alguém. O prazer tem que ser seu também.

Quebrando paradigmas: virgindade

Desde o início do blog recebo muitos e-mails questionando sobre virgindade. Nas últimas semanas, é só o que vem pintando na minha caixa de entrada. É muito assustador que as pessoas venham falar algo tão íntimo para uma blogueira desconhecida.

Cadê a educação sexual dessa galera? Onde foram parar as amizades em que se pode falar de tudo? Os pais desses jovens acham que eles nunca farão sexo?

Eu não estou reclamando de escreverem pra mim, vejam bem. Mas temos de pensar seriamente sobre o papel da escola, da família, dos amigos e dos parceiros nessa equação.

Tenho inúmeros posts sobre virgindade. Falo a respeito constantemente e, apesar de dizerem já ter lido todos os textos, quem me escreve continua com dúvidas a respeito da primeira vez.

Penso que essas pessoas talvez não estejam preparadas para fazer sexo. Sentir nervosismo é normal; ter vergonha de ir ao médico, de mostrar o corpo pro parceiro e de se masturbar, não. Pode ser comum, mas não é razoável. Como você pode esperar que outra pessoa te dê prazer, se você mesmo não se sente confortável com seu corpo?

Recebi três e-mails de garotas virgens em faixas etárias diferentes. Todas fazendo questionamentos que não teriam lugar mais se nossa sociedade tratasse o sexo da maneira que deve ser: com seriedade, mas com naturalidade.

Falar sério sobre sexo é necessário porque existem consequências importantes nas nossas vidas quando começamos a transar. Gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis podem ser  evitadas, mas para isso é preciso educação.

A primeira das leitoras já passou dos 25 anos e está grilada porque quer “se livrar” da virgindade. Amigos que sabem que ela nunca transou acham absurdo ela ser virgem.

Fico pensando como nós temos uma relação tão doentia com a tal “virgindade”, que não passa de uma construção social. Normalmente as “primeiras vezes” de qualquer coisa são marcantes. De qualquer coisa. Mas a gente não deixa de fazer tais coisas e/ou fica adiando para “o momento certo”. A gente vai lá e faz quando se sente preparado pra isso. Ponto.

Também não consigo entender por qual razão as OUTRAS pessoas se metem na vida sexual de quem não lhes pediu opinião. Recentemente conheci um rapaz um pouco mais novo. Ele deve ter uns 23, 24 anos, por aí. Ele me contou, com uma ponta de orgulho, que transou com cinco garotas. Acha um número bom.

Só que três dessas garotas eram prostitutas – e a parada foi bem “gozou, pagou, vazou”. Não houve intimidade, sexo oral, carinho. Nada. Foi pau-dentro-da-buceta e tchau. Das outras duas, uma das garotas foi uma rapidinha numa festa e só uma foi uma relação sexual, digamos, mais completa.

Quer dizer: ele diz “transei com cinco garotas”, mas na verdade ele só transou cinco vezes – e quatro delas não foi exatamente sexo, e sim um orgasmo acompanhado. O que importa, no final, é um número? É dizer “eu  não sou mais virgem”, mesmo que a sua vida sexual seja assim?

A segunda leitora a me escrever tem vinte anos. Palavras dela: “Mas a questão é: eu não espero um namorado para fazer sexo com ele, não tenho mais isso em mente “só vou transar com meu namorado”. E se ele não chegar? E se demorar e eu continuar virgem? Não que eu esteja muito na seca, é que meu corpo já está pedindo isso há muito tempo, e eu não sei mais o que fazer. A pergunta é: um ficante transaria comigo, se eu quisesse? Ele teria toda aquela responsabilidade, mas será que ele desistiria? E se na hora H eu não disser, ele vai saber que ainda sou virgem?”.

Vinte anos e já está grilada com a idade. Quem foi que estipulou uma IDADE em que se DEVE transar?

Daí ela vem com a pergunta que os filmes e novelas colocaram nas nossas cabeças. A de que é uma GRANDE RESPONSABILIDADE para quem nos “desvirgina”. Gente? A responsabilidade é de ambos, no sentido de se cuidarem para não se engravidar/pegar DST.

Por que alguém não falaria para o parceiro que nunca fez sexo antes? É comum que a primeira vez seja um pouco incômoda, talvez você sangre… então, pra quê esconder?

A terceira leitora é adolescente ainda e tem um namorado há mais de um ano. Ambos são virgens, mas eles já tentaram a penetração. Só que ela se queixa de dor.

“Por algum motivo eu moooorro de agonia com qualquer coisa dentro de mim, já tentei enfiar o dedo mindinho mas só consegui enfiar uns 2cm, eu não sei se é o meu hímen que é meio apertado (descobri recentemente que ele não é um “lacre”, fiquei indignada por não ensinarem isso na escola, aposto que minha ginecologista não sabia disso) ou se é puro medo psicológico.”

É evidente que a ginecologista dela sabe o que é o hímen. Mas eu fiquei pensando: como assim, “um lacre”? Será que as pessoas acreditam que o hímen está logo na entrada da vagina, feito um lacre, sei lá, do vasilhame do catchup?

Por favor, garotas, a menstruação de vocês desce por algum lugar, certo?

Ela então diz que disseram que ele (acho que o hímen) “dilata”. O que acontece com ele é que, com a estimulação (dedos, vibradores), a abertura pode ir aumentando aos poucos, tornando a penetração com o pênis mais fácil.

A vagina, em si, é larga o suficiente para que não se sinta dor na penetração. O que acontece é que, com a tensão, os músculos podem ficar rígidos. Algumas pessoas têm uma condição chamada vaginismo, que é a contração involuntária dos músculos da região pélvica e da vagina. Para diagnosticar isso, porém, é preciso consultar um médico (não é só pensar “nossa, dói, então é vaginismo”. pode ser falta de lubrificação, alergia à camisinha…).

A leitora diz, ainda, que não sente prazer no clitóris e que, inclusive, evita tocar na região. Ela pede ao namorado para que ele acaricie os pequenos lábios, mas não o clitóris. Nem todas as pessoas têm prazer no clitóris, óbvio, mas há que se pensar se a carícia é feita da maneira correta.

Se o parceiro chupa o clitóris como se fosse arrancá-lo e você prefere algo mais leve, o problema não é o clitóris – é o parceiro. Por isso, tentar outros toques e outras posições, bem como usar apetrechos eróticos que façam o serviço sozinhos (há bullets capazes de coisas MUITO gostosas), pode ser uma ótima.

Depois de tantos e-mails sempre perguntando as mesmas coisas, eu proponho que:

1) Tenhamos noção de que não existe idade certa para a primeira vez;

2) Aprendamos, finalmente, que a decisão de transar ou não é pessoal e intransferível. Não é você quem decide isso por um amigo ou um parceiro;

3) Mudemos todo o conceito de virgindade. Há uma carga gigantesca de preconceito, moralismo e culpa em cima disso. Ninguém PERDE a virgindade. O parceiro não leva nada embora; você continua inteiro (a) após transar;

4) Deixemos de ser tão falocêntricos. Costumamos considerar a “primeira vez” só quando um pinto entra numa buceta, mas não é assim. Alguns pintos jamais entrarão em uma buceta, assim como algumas bucetas jamais serão penetradas por um pinto. Mas essas pessoas farão sexo. Só não desse jeito heteronormativo que a gente costuma pensar;

5) Reconheçamos a masturbação como um passo essencial no autoconhecimento. Os garotos são de certa forma incentivados a se masturbarem, enquanto as garotas devem “tirar a mão daí porque é sujo”.

E, além disso, por favor, por favor, por favor: vá ao médico antes de começar a vida sexual. Se você não está preparado para falar sobre sexo com um especialista, você não está preparado para FAZER sexo.

Não é não

Quem lê o blog desde o início deve lembrar do número 15. Foi uma experiência péssima, extremamente dolorosa e que me tirou a alegria por algumas semanas.

A história está contada no Cem homens em um ano e uma leitora aqui do blog que já comprou o livro conversou comigo hoje a respeito de uma história parecidíssima.

Ela conheceu um cara na balada. Segundo ela, o papo era bacana, ele era educado, interessante e ela sentiu tesão. Foi para a cama com ele. Enquanto transavam, ele deu um tapa forte no rosto dela. Ela não curte; e pediu para ele parar. Não adiantou, e ele bateu nela mais algumas vezes, até finalmente atendê-la.

Sei que muita gente gosta dessa vibe mais selvagem, mas qualquer coisa no sexo deve ser consensual. Qualquer coisa. Sei que existe um certo script. No entanto, se você fez algo que é geralmente considerado gostoso (o sexo oral, por exemplo) e o parceiro não curtiu, não faça. A pessoa pode se sentir desconfortável, preferir ter mais intimidade… ou simplesmente não gostar. Estatísticas servem para dar um panorama. Contudo, não atendem a individualidade e subjetividade.

Se o que você quer fazer é considerado um fetiche, há que se ter mais cuidado ainda. Gosta de puxar cabelo e dar tapa na cara? De asfixia erótica? Sexo anal (eu sei que não é fetiche, mas é uma coisa delicada)? Fio terra?

Não é preciso conversar verbalmente sobre tudo ou assinar um contrato. Tampouco ficar perguntando toda hora se a pessoa está gostando. Basta prestar atenção na reação de quem está com você na cama.

A leitora disse que, além dos tapas, o carinha evidentemente não estava preocupado com o prazer dela. Triste e muito comum. Ainda tem muita gente fazendo do sexo uma masturbação acompanhada. Entenderam tudo errado.

O fato é que a leitora se sentiu mal com o acontecido. Pra variar, achou ser dela a culpa. Chegou em casa, leu meu texto do número 15, viu que a história não é exclusivamente dela (porque muitos passamos por isso já) e resolveu conversar com amigos próximos.

Eles disseram que a culpa era dela, que não deveria ter transado de primeira. Pra variar.

(pausa para o suspiro de cansaço.)

Quem diz tamanha bobagem ignora os índices de violência contra mulheres. Segundo qualquer pesquisa, as mulheres são muito mais agredidas dentro de casa. Companheiros de anos e familiares são os responsáveis pela maior parte dos casos de agressão. É o que mostra essa pesquisa do Instituto Perseu Abramo: o agressor, em 80% dos casos reportados, é o marido ou namorado.

Se falarmos de estupro, as coisas não mudam de figura. Um levantamento de 2005 feito por Cecília de Mello e Souza e Leila Adesse, por meio da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, mostrou que a maioria das crianças estupradas/abusadas sexualmente eram vítimas de alguém conhecido. Um dado estarrecedor: o pai biológico aparece como responsável em 21,7% dos casos analisados:

Daí vocês podem perguntar por qual razão muda essa relação conhecido x desconhecido   nos casos de estupro das mulheres adultas. Quando criança, quem denuncia  não é a própria, mas sim os familiares.

Na idade adulta, cabe à mulher (ou a homem, porque eles também são estuprados) fazer a denúncia. Isso significa expor ao policial, ao médico legista, à família e ao mundo que algo horroroso aconteceu. Não é fácil. Grande parte dos estupros não aparece em estatísticas, simplesmente porque não há denúncia deles à polícia.

Além disso, muitas mulheres são estupradas pelo próprio parceiro. Sim, eles ainda acham que sexo está entre as “obrigações maritais”. A vítima sequer reconhece isso como estupro.

Ano passado estive a trabalho no evento de divulgação da pesquisa sobre violência doméstica do Instituto Avon/Ipsos. A pesquisa é feita a cada dois anos, e na edição 2011 apareceu 6% das mulheres dizendo que foram estupradas pelo companheiro.

Horrível, né? Mas na pesquisa anterior, de 2009, isso não aparecia. Não porque não acontecia, mas simplesmente porque as mulheres não reconheciam o estupro do companheiro como crime. Pra elas, sexo é isso.

Logo, dizer que a culpa é da leitora porque não devia ir pra cama com um desconhecido é uma balela. É um jeito de reprimir a sexualidade da mulher. Claro que temos que nos preocupar com a violência. Evidente. Mas vou dizer pra vocês: a maioria absoluta dos caras com quem saí eram “desconhecidos”, e nenhum nunca me agrediu fisicamente (verbalmente, sim).

Eu posso imaginar como a leitora está se sentindo. Eu já estive na pele dela. Mas temos sempre, sempre, sempre que lembrar: a culpa NUNCA é da vítima.

***

Vamos falar de coisa boa?

Amanhã é o lançamento do meu livro!
Antes dos autógrafos haverá um debate entre mim, a Clara Averbuck e a May Medeiros.

Vamos lá?

É só uma membrana. Só. E é elástica

Recebi um e-mail essa semana que é basicamente a repetição do que já li várias vezes desde que comecei a escrever o Cem Homens: a garota é virgem e, por alguma razão que desconheço, tem vergonha de assumir isso.

Bom, vamos à mensagem, que está em itálico. Meus comentários estão em negrito ao longo do texto.

Tenho 19 anos e sou virgem, ou quase isso, depende do conceito de virgindade.

Primeira (e aparentemente eterna) questão: pra quê conceituar a virgindade? Além de ser importante para a saúde pública, qual a relevância disso? Sério, é uma pergunta honesta. 

Qual é o conceito de virgindade? Num relacionamento heterossexual, normalmente é quando o pênis entra na vagina. Ok. E se você for lésbica? E se for gay? E se você for hétero, já tiver feito de tudo (sexo oral, anal, masturbação no parceiro, etc), você ainda é virgem?

Ou a questão toda é o pênis? Ainda somos essa sociedade falocêntrica? 

Se a resposta for “sim”, é preciso um pau dentro da buceta para dizer que alguém não é mais virgem, eu fico com outra pergunta: por que tratamos a primeira vez de uma forma totalmente diferente entre garotos e garotas? 

Bom, eu acho que a resposta vocês já sabem. 

Sua virgindade não é a medida do seu valor

O fato é que nunca tive um pênis dentro de mim, porém sou adepta da masturbação desde que eu tinha 12 anos (ou até menos, a partir dos 12 eu tenho certeza).

Quando eu era adolescente havia uma dúvida assombrosa: absorventes internos tirariam a virgindade? Confesso que nem me passava pela cabeça introduzir algo na minha vagina durante a masturbação. 

O que deveria importar é se a pessoa teve uma RELAÇÃO SEXUAL, e não se ela tem uma MEMBRANA. E devemos nos preocupar com a primeira vez porque isso gera uma série de responsabilidades que poderiam ser resolvidas com educação sexual de qualidade. Se aquela pessoa sabe os cuidados a serem tomados para garantir a saúde física (camisinha, anticoncepcional, exames regulares) e emocional, é o que importa.

Logo, “perder a virgindade” (odeio essa expressão) pressupõe uma relação sexual, não a mera introdução de um objeto na vagina. 

Atualmente quando me masturbo geralmente é “algo externo”, já tem algum tempo que não coloco nada dentro de mim, porém, já fiz isso no passado. Enfim, acho que meu hímen já se foi. Não, nunca fui ao ginecologista, sei que deveria o fazer, mas houve fatos que contribuíam para isso. O primeiro é que fui criada em uma cidade muito pequena onde todo mundo se conhecia, e a minha mãe muito conservadora não ia engolir fácil quando eu pedisse para ela me levar ao ginecologista (ela é quem iria pagar afinal de contas!). Hoje, por causa da faculdade, moro em uma cidade maior com duas amigas e me sustento, ou seja, poderia muito bem ir ao ginecologista.

Um erro muito comum: achar que só se deve ir ao ginecologista quando se tem vida sexual ativa. Há uma infinidade de infecções e outras doenças que uma jovem pode ter sem nunca ter feito sexo. Candidíase, por exemplo, chega a ser corriqueira. Também há questões hormonais importantes. 

Eu sei que esse não é um problema da leitora. Dificilmente os pais acham que as filhas estão na idade de ir ao ginecologista. Mas essa cultura precisa mudar. Gineco não é médico de quem fode; é médico de quem tem sistema reprodutor com útero e ovário. 

Mas aí eu me pergunto: e se ele questionar se eu sou ou não virgem? Como eu já disse anteriormente, o conceito é um tanto complexo. Daí eu digo que sou e estou lá sem hímen, ou digo que não sou e o tenho. Ou senão eu falo: “Então Dr., eu metia as coisas dentro de mim quando eu tinha 12 anos, mas nunca um pênis, se é que o senhor me entende”. Vai por mim, eu não consigo. E eu também não tenho certeza se o hímen está ou não lá.

Bom, ele provavelmente vai perguntar se você é sexualmente ativa e qual a sua última relação sexual. A resposta é simples: você nunca teve uma (para fins puramente médicos, você nunca teve). 

Esqueça o hímen. É só uma membrana e ela não necessariamente é rompida quando se introduz algo na vagina – seja um vibrador, seja o dedo, seja um pinto. Há diversos tipos de hímen e cada uma de nós funciona de um jeito. 

Sobre isso, sempre indico o vídeo da ótima Laci Green sobre a primeira vez (é em inglês).

NINGUÉM sabe que eu me masturbo, essa é a primeira vez que conto a alguém (e está sendo via e-mail).

Esse é um tabu e tanto (e injustificável em 2012). Desde sempre os meninos são estimulados a se masturbarem. “Coisa de homem”, os pais dizem. Achavam normal, quando eu era adolescente, que os meninos tivessem revista de mulher pelada. Hoje, é totalmente aceitável que eles vejam pornografia online.

Ninguém pergunta também por qual razão aquele rolo de papel higiênico ou papel toalha está ali no quarto. Se uma garota tiver um massageador, porém, é razão para começar a terceira guerra mundial! 

Falem mais de masturbação, garotas. Contem para suas amigas o que funciona pra você. Façam um tour ao sex shop. Vejam quantas coisas bonitas, coloridas e anatomicamente perfeitas estão à venda. É bom, é gostoso. 

Já cheguei muito perto de transar, MAS MUITO PERTO MESMO, do tipo, só não rolou porque a gente tava no carro do amigo dele (eu com a minha saia toda levantada) e o bendito amigo chegou. Não tenho a pira de perder a virgindade com um príncipe encantado que vai chegar em um cavalo branco, nem quero um relacionamento sério num futuro próximo, estou focando na faculdade e no meu trabalho. Aos sábados saio para a balada e sim, pego geral (mas tudo fica no beijo na boca e na mão boba) e eu adoro isso! Atualmente estou mantendo contato com um cara que eu conheci na balada e  ele já deixou bem explícito que quer sexo. E sei lá, estou com vontade de transar!

Mas essa é minha dúvida: Conto ou não conto que sou virgem? Será que ele vai perceber? Me ajude por favor.

Bom, vamos lá. 

Perceber? Hum. Por questões físicas, tipo sangramento ou dor? Não tem como saber de antemão. Há mulheres que nunca sangraram (eu, por exemplo), outras que sangraram na hora, muitas que sangraram só quando já estavam sozinhas. 

A dor costuma aparecer, mas também não há regra. E não só virgens sentem dor, então isso não é indício de que aquela é a primeira vez da garota.

Se ele vai perceber porque talvez você não saiba direito o que fazer? É possível. Mas tem gente (homens e mulheres) que mesmo depois de transar mil vezes ainda não sabem o que fazer. Logo, também não tem como bater o martelo.

Mas eu acho que sim, todo mundo deve contar quando é a primeira vez. Porque talvez você precise de um pouco mais de paciência, talvez você se confunda ao colocar a camisinha, talvez você sangre. 

Existe a possibilidade do cara fugir, assim como pode ser que ele se sinta o máximo por “desvirginar mocinhas inocentes”. As duas atitudes são idiotas, pois dão imenso valor a algo que não tem tanta importância assim.

Antes que digam “ah, pra mim foi importante!”, eu sugiro um exercício. Pense se você deu esse valor todo porque VOCÊ quis ou se foi porque a nossa cultura coloca a “castidade” como parte do caráter de uma mulher.

O que se quer é que os jovens adiem o início da vida sexual, e não que eles transem com responsabilidade. Falso moralismo, machismo, controle. O peso que se dá à virgindade da mulher tem a ver com isso, não com a saúde dela.

Então, o que importa é você (leitora que mandou o email e você aí que está me lendo) se cuidar física e emocionalmente. Transar quando tiver certeza, quando já tiver ido ao gineco (eu sei que isso é quase utopia, mas sigo torcendo!), quando souber direitinho quais riscos você corre, quando tiver um parceiro bacana (não um príncipe encantado porque isso não existe!), quando você estiver fazendo por você, e não para agradar, conseguir algo, ser aceita. Por você e pra você.

***

Sigo respondendo perguntas no ask.fm (ask.fm/vidadeleticia), usando freneticamente o Twitter (@vidadeleticia) e postando coisas no Facebook (é só clicar em “curtir” nesse quadrinho aí na lateral esquerda). Interajam! E bom fim de semana. :)

Educação sexual… para os pais (e para a ministra)

O post sobre as declarações da ministra Maria do Rosário sobre o caso Eloá levou a algumas discussões no Twitter. Algumas pessoas disseram que a ministra estava certa. Outras, que não deixariam uma filha namorar alguém tão mais velho. Teve quem reclamasse da tal sexualidade precoce (namorando aos 12 anos? queima na fogueira!).

A história toda me espanta. Fico surpresa como uma ministra pode falar tamanha asneira. Você pode até concordar que uma garota de 12 anos não deve namorar, especialmente alguém “tão mais velho”. Mas, eu pergunto: a ministra alguma vez foi lá falar com a mãe da Eloá? Oferecer apoio? Conhece os autos do processo? Falou da transformação do cárcere privado em novelinha trágico-romântica nas redes de televisão? Me parece que não (e espero estar errada). Em vez de, como autointitulada feminista, apontar que este é mais um crime do machismo, colocou a culpa na família da vítima. Ela sabe como Eloá era criada? Sabe se faltava apoio familiar? E, quem diz que a menina transava com Lindemberg: você estava lá? Que diferença isso faz no caso?

Depois se entrou na discussão de que o correto seria falarmos em erotização precoce, e não em sexualidade, já que esta é inerente ao ser humano, como demonstrei no último post. Qual é a idade para isso? Quem disse? De onde veio a regra? As coisas mudam. Não só na época em que vivemos. Eu, adolescente nos anos 1990, não queria saber de sexo com 12 anos. Ainda brincava na rua, jogava bola, subia em árvore. Mas tive um namoradinho (opa! ele era da minha idade). Durou um fim de semana e eu nem beijei ele. Eu fui precoce?

Hoje, pra quem nasceu após a virada do século (e que estão fazendo os tais 12 anos), as coisas mudaram muito. São jovens mais bem informados, mais independentes. Não sou socióloga, nem psicóloga, nem antropóloga. Mas… muita gente fala em diminuir a maioridade penal. Chamam de monstros garotos que cometem crimes aos 10, 12 anos. Eles podem matar, mas não podem transar? Sinceramente, não sei a resposta. Não sei resolver essa equação. Se filhos tivesse, ficaria em casa angustiada sempre tentando entender e acertar na educação. Se ministra fosse, escolheria melhor minhas palavras e contaria com os tais sociólogos, antropólogos, psicólogos e toda a sorte de especialistas para me ajudar nisso.

Como sou apenas uma mera blogueira, posto abaixo um texto que já havia feito e entraria no ar apenas amanhã. É a minha experiência pessoal. Como disse, de uma jovem mulher que foi adolescente na década de 1990, isto é, há vinte anos. Uma sociedade muda em duas décadas, lembrem-se disso. Não adianta vocês quererem viver lá no passado.

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O que você faz individualmente, dentro da sua casa, é problema seu. Quer ser rígido e não permitir que os filhos saiam à noite? Ou que fumem? Ou que bebam? Ou que transem?

Ok, isso é uma escolha baseada no jeito que você foi criado, nos próprios medos e inseguranças, na sua religião. O que incomoda na fala da Ministra é que ela falou como agente político, e não como uma “zelosa” (e autoritária) mãe. Eu não terei filhos, mas sou uma cidadã relativamente engajada, pouco alienada e que escrevo sobre sexo. Então, a respeito do tema eu confio no meu próprio bom senso, em autores que estudaram o assunto, em documentários sérios acerca da questão. Mais que tudo: eu lembro do que eu passei e observo muito como nos comportamos socialmente. Além dos incontáveis e-mails, eu pergunto, questiono – faço quase um interrogatório.

E, com tudo isso, eu vejo que de nada adianta proibir. Não porque “o proibido é mais gostoso”. Eu não concordo com isso. Nunca achei “gostoso” encontrar com meu namorado escondida. Odiava. Sentia culpa. Deixava de aproveitar o momento plenamente, como deveria acontecer.

Como já disse algumas vezes, transei pela primeira vez aos 15 anos. Jamais mencionei o assunto com a minha mãe. Eu sabia exatamente o que estava fazendo. Usamos camisinha. Nunca fiquei grávida ou tive qualquer DST. Mas, sinceramente, não posso creditar isso à educação sexual que tive dentro de casa.

Quando alguns artistas começaram a morrer por HIV, como Cazuza e Freddie Mercury, minha mãe comprou uma camisinha e nos mostrou. Explicou o que era a doença e disse como deveríamos nos proteger. Eu era bem nova, sexo nem passava pela minha cabeça.

Menstruei aos 10 anos, transei aos 15 e só fui ao ginecologista aos 17, quando já morava sozinha. Entre minha primeira transa e a minha saída de casa (dois anos mais tarde), minha mãe veio conversar comigo sobre meu namorado. Disse “imagina se você tivesse transado com o primeiro namorado, hoje você estaria sem ele e não seria mais virgem”. Eu ri muito por dentro. Muito. Eu havia de fato transado com o tal primeiro namorado e já havia feito o mesmo com o segundo. Detalhe: ele era virgem.

Só que durante alguns anos eu tive muito medo de que minha mãe descobrisse que eu não tinha mais – olha só que coisa! – um hímen. Eu não podia ir pras festas de carona com meus namorados, pois não podíamos ficar sozinhos. Mas aí ela ia me deixar… e eu fugia das festas. Sozinha com o namorado. Em muitas dessas vezes eu não transei, pois ainda era virgem e não ia transar só porque a oportunidade apareceu. Em outras, eu transei, no carro mesmo, naquela famosa rapidinha.

Durante anos eu rezei para que minha menstruação descesse todo mês. Tinha medo da reação da minha família caso eu engravidasse (engraçado… jamais me incomodei com a parte “social” da coisa). Muito tempo mais tarde, já morando sozinha, tinha de inventar desculpas quando ia sair com algum moço e estava recebendo visitas da família. Era mais fácil mentir do que ter de dizer o que o garoto fazia, o que estudava, há quanto tempo a gente saía e se iríamos namorar. E, na volta, ainda tinha de dizer como o filme tinha sido bom ou a comida (ui) estava gostosa. Tudo inventado, tudo ficcional, pois o máximo que eu poderia dizer é como era a suíte do motel da vez.

Estava conversando com uma amiga há pouco e ela comentou que a mãe dela dizia que a bunda da mulher caía depois da primeira transa. Assim, não adiantava essa minha amiga esconder caso fosse pra cama com alguém. Só pelo formato da bunda a mãe descobriria as peripécias da filha.

Que tipo de educação sexual é essa? Que quer que a gente adie e adie e adie a primeira transa? Pelo que vejo aqui no blog e nas minhas amigas, talvez um ou outro de nós tenhamos adiado um pouco, sim. Mas todos fizemos. E, quando isso aconteceu, o sexo veio carregado de culpa, como se fosse sujo, proibido. Um pecado.

Assim, os primeiros anos de vida sexual da maioria de nós não foi nada feliz. Ok, atingíamos o orgasmo (o que é sempre delícia), mas não era pleno. Era como se tivesse uma vozinha dentro de nós relembrando quão errado era aquele comportamento.

Em vez disso, pais e mães deveriam lidar com o sexo de maneira natural, porque é exatamente isso que ele é. Não estou dizendo que deve ser fácil perceber que o filho, que até ontem era um bebê, hoje já é grande o suficiente para ter vida sexual. Mas, como pai, você deve orientar, e não proibir.

Você não é mais bebê, bebê

Peço desculpas aos moços por fazer uma série de posts falando mal de vocês. Eu os adoro. Vocês são uma das coisas mais delícia desse universo e eu não consigo viver sem vocês. Porém, vamos combinar que alguns de vocês mandam malzão…E, no caso do post de hoje, devo dizer que a maioria de vocês. Sorry.

Eu tenho peito grande. E, nesses muitos anos de vida sexual, eles sempre foram foco de interesse dos rapazes.

Houve uma época, há uma década, em que eu me irritava profundamente quando eu estava lá nos amassos e a primeira parte do meu corpo que os rapazes pegavam eram os meus seios. E eles apertavam como se fosse uma buzina, sabe? Por fora da roupa, ainda! Que graça aquilo teria? Fón fón!

Quando as coisas se tornavam mais íntimas e o mancebo “caía de boca”, tudo o que eu fazia era… morrer de tédio! Juro que durante muito tempo eu achei que minha sensibilidade na região não fosse das melhores (e ainda acho que não seja mesmo), mas só no ano passado (vejam bem, senhoras e senhores, 15 anos depois de eu começar a minha vida sexual) é que eu enlouqueci sendo estimulada nos seios. Sim, foi com o ex namorado, aquele-ser-que-quero-esquecer-que-existe (mas que sexualmente me satisfazia muitíssimo bem).

Só que outro dia estive conversando com algumas meninas no Twitter e vi que esta é uma reclamação muito, muito comum. Uma delas até tem uma expressão ótima: chupada neném-na-mamãe. Chorei de rir mas, convenhamos, é muito triste que uma quantidade tão grande de homens ache que chupar os mamilos freneticamente vai trazer algum prazer à moça.

Exceto ocasiões especiais e predileções muito pessoais, wild sex não é a melhor pedida. Então chupar, chupar, chupar e chupar mais ainda não é bacana. Eu já fiquei com os mamilos meio machucadinhos – e não senti absolutamente nada além de uma vontade imensa de que aquilo acabasse logo.

Vou falar um pouco do jeito que eu gosto e que também já li em bons livros de sexualidade: você deve beijar o mamilo como se estivesse beijando calma e lentamente uma boca. Nada de línguas frenéticas ou endurecidas. Tem de ser macio, com alguma sucção – o suficiente apenas para estimular, não para deixar marcas (imagine beijar um pescoço, por exemplo. se você é um adulto, eu espero que já tenha aprendido a dar chupões sem deixar ninguém arroxeado).

Claro que cada mulher reage de um jeito, e você tem de descobrir como a sua garota gosta mais. Talvez nem ela mesma saiba; passou muitas noites sendo confundida com uma mãe amamentando o bebê. Eu demorei séculos para entender como eu gosto! Mas uma coisa é certa: muita gente não curte essa chupada frenética. Aliás, nem em cima e nem embaixo. Mas o clitóris fica pra um novo post. ;)

Muito mais que um tabu

Nota da blogueira: tudo o que escreverei neste post — como em quase  todos os outros — carece de estatísticas formais ou coisa do tipo. É tudo baseado em minhas experiências e em relatos de amigos.

Na terça-feira saí para jantar com uma amiga com quem não conversava há tempos. Ela começou a me contar sobre um ex-namorado e, digamos, suas preferências sexuais. Envergonhadíssima, deu detalhes sobre como percebeu que o ex curtia estímulo na região do ânus.

Essa me parece ser uma questão inevitável na cama de um casal heterossexual. As perguntas são muitas. Quando ainda não há intimidade, costumamos nos questionar sobre como abordar o assunto. Na hora da transa, devo tentar tocá-lo ou beijá-lo no ânus? Ou devo perguntar se ele gosta? E se gostar, é gay? E se gostar muuuuito, vai me deixar por um homem?

A gente está cansada de saber que eles sentem mais prazer na região do que nós. Mesmo assim, o questionamento acaba sendo inevitável. O machismo e o medo de ser confundido com homossexual fazem com que alguns homens jamais tenham qualquer experiência nesse sentido. Conheço quem esbraveja aos quatro ventos que nunca deixou — ou deixará — qualquer mulher chegar perto dali. Eu até hoje não sei como captar os sinais.

Alguns homens são mais óbvios. Quando você começa a tocar ou beijar o períneo, eles já vão virando o corpo, deixando o caminho mais livre. Mas nem assim consigo perceber até onde devo ir. Imagino se tal movimento não é apenas mera empolgação. É difícil demais perceber o que ele quer. Já aconteceu de pegarem a minha mão e colocarem lá — fácil, prático e não deixa dúvidas.

Perguntei no Twitter como as pessoas se sentiam em relação a isso e recebi um e-mail muito esclarecedor de um leitor. Ele me contou que só foi estimulado na região recentemente — e olhem que ele já passou dos 30 anos. Isso não é nada surpreendente, infelizmente. Para mim, o ideal é explorarmos todas as possibilidades de prazer que nosso corpo nos oferece. Nunca conheci um único homem que não curtisse ser acariciado ali.

Você ainda acredita que quem gosta de carícias no ânus tem tendências homossexuais? Bobagem. O prazer na região é biologicamente comprovado. Homossexual é quem sente atração por pessoas do mesmo sexo. O que eu penso sobre isso? Vou ainda mais longe: acredito, mesmo, que em algum momento do futuro nós não iremos sequer separar as pessoas por sexo, quanto mais por orientação sexual. Mas esse (polêmico) assunto merece um post (ou muitos) só para ele.

Por enquanto, quero saber: vocês estimulam seu parceiro na região anal? Como se sentem sobre isso? Você, leitor, gosta da coisa?