Acenda o farol!

Aprendi não sei quando e não sei com quem que deveria esconder o máximo possível os meus mamilos. Bom, não só eles, claro, mas é que eles têm aquela mania de ficarem duros e pontudos em algumas situações.

Sempre que eu fico com frio ou angustiada com um barulho a ponto de me arrepiar (do tipo alguém arranhando com as unhas uma parede), “preciso” olhar imediatamente pra baixo e verificar se os mamilos estão à mostra, ainda que por baixo da roupa.

Se eu estiver usando mil roupas de frio ou sutiã com bojo, fico mais tranquila. Daí outro dia eu desci de vestido – e sem sutiã – para comprar uma coca cola. Enquanto esperava para atravessar a rua, bateu um vento gelado e ~pén~ os faróis acenderam. (esse pén aí é uma buzina, tá? faço sonoplastia quando conto uma história.)

Fiquei meio tensa de passar pelo posto e entrar na loja de conveniência com os peitões enlouquecidos. Afinal, eles já são grandes e algumas pessoas são suficientemente sem noção e ficam olhando direto. Se o farol estiver aceso, então, é como se essas tais pessoas se sentissem no DIREITO de olhar. “Ah, ela está mostrando”, como se fosse uma escolha minha.

Cheguei em casa e perguntei no Twitter se as moças também sentiam vergonha quando o farol acendia. Todas responderam que sim. Perguntei o motivo. Não souberam responder.

O “problema” todo é que há quem fique com os mamilos enrijecidos quando está numa situação sexual. Em algumas pessoas isso rola ainda no momento da excitação (lembram daquele cara que ficou passando a mão freneticamente no meu peito esperando que o mamilo ficasse duro? risos). Outras, depois de gozarem. Algumas, nunca.

Creio que a relação entre o mamilo enrijecido e o sexo esteja na cabeça de muitos. Mais uma vez: como se tivéssemos controle sobre isso e como se eles só ficassem duros quando há sexo envolvido. Esconda os mamilos, que daí também está escondendo que você é um ser sexual. 

Naquela semana eu lia Sexo, Reich e Eu, do Gaiarsa, e ele fala da mesma relação com o pinto. O mamilo seria o “sinal” de quem tem buceta. E o pinto, se estiver duro, também mostra que – oh! – você pode fazer sexo.

Gaiarsa revela: Durante um encontro de amor, fui me dando conta aos poucos de quão equívoca é a presença do pinto na situação amorosa. De um lado ele é essencial; do outro lado, publicamente ele não pode existir. (tipo o seu mamilo, sacou?)

No meu tempo de adolescência sofria agudamente desse conflito:embora a maior parte da minha atividade mental fosse animada e dirigida pela intenção do encontro, aproximação, contato e sexo, apesar disso eu fazia o possível e o impossível para fazer de conta que eu não tinha pinto, ou que ele não tinha função na situação – porque senão todo mundo sairia correndo! Eu percebia e temia assim – levando em conta todo o clima sexualmente negativo do meu mundo de adolescente.

(…) Queria muito integrar o pinto, senti-lo como parte de mim e parte importante da minha força; ao mesmo tempo, fazia um esforço brutal para negá-lo e dizer que ele não existia e não tinha importância! Quando dançava sentia muito medo, um quase pânico de ter uma ereção – e aos poucos não tive mais! Receava muito que as moças ficassem ofendidas se percebessem esse fato – e pelo menos naquele tempo, parte delas ficaria mesmo. 

Não sei se elas ficariam de verdade ou se ficariam por encenação social. Mas ficariam.

Gaiarsa, lá na primeira metade do século passado, escondia o pinto. Temia que ele ficasse duro. Seria desrespeitoso. Mudamos algo? Ou continuamos escondendo nossos mamilos enrijecidos e a ereção peniana?

Não sei se é por causa da repressão sexual que nós nos envergonhamos do farol aceso. Teria que fazer uma análise histórica para bater esse martelo. Sempre que o meu se acendeu numa situação não-sexual, porém, eu fiquei envergonhada.

Pau duro e farol aceso fazem parte de quem somos. É nosso corpo reagindo a estímulos – não necessariamente sexuais. Mas, mesmo que fossem, qual o problema? Estamos (quase) todos aqui no mundo porque pessoas transaram. Muitos de nós gostamos muito da prática. Pra quê a vergonha?

Por isso, desde aquela noite, eu não mais tentei disfarçar meus mamilos. E, se eu fosse você, acenderia o farol sem culpa.

I touch myself

Se tem algo que me deixa realmente encafifada no comportamento sexual feminino é falta total de menção à masturbação. É tabu pior do que sexo anal. Sem qualquer embasamento científico, eu diria que isso acontece porque não somos incentivadas a explorar nossos próprios corpos. Enquanto isso, as famílias “entendem” os garotos, recém entrados na puberdade, demorando demais no banheiro.

Mais uma vez, creio ser isso um resquício ainda daquela ideia de que nós, mulheres, não podemos nos “divertir” com sexo. E ah, como é divertido.

Não lembro exatamente quando descobri que me tocar poderia ser uma delícia. Lembro, porém, de morrer de medo de ser descoberta. Achava que havia uma espécie de chip no meu cérebro (juro) e minha mãe sabia de tudo o que eu pensava/fazia/sentia. Carregava uma certa culpa, sei lá. O mais ridículo é que eu usava o chuveirinho do banheiro às vezes (tinha uns 11, 12 anos), minha mãe ouvia, mas fingíamos que nada estava acontecendo. Na época, eu realmente achei que ela não percebia. Tolinha.

Os anos felizmente passaram e eu parei de pensar idiotice (ter ido morar sozinha ajudou bastante nisso) Mas até hoje tenho amigas que não se masturbam. Eu nem estou falando de ir a um sex shop e comprar um belíssimo vibrador, mas elas simplesmente não se tocam. Outro dia aconteceu um caso que ilustra bem essa história toda. Uma amiga foi à ginecologista e se deparou com a própria buceta refletida num espelhinho usado pela doutora. Ela se espantou um pouco, mas depois curtiu, pois nunca havia visto. Não, ela não se toca.

Também li os comentários num blog bem “feminino” sobre como as mulheres veem a masturbação de seus parceiros. Algumas encaram até mesmo como traição (!!!!!!), especialmente se o gatilho para a excitação forem filmes pornôs. Eu já acho bizarro você querer que ele só coma a você, imagina você querer ser dona dos pensamentos dele!

Pois poucas coisas me deixam mais excitada do que ouvir/ler um “bati punheta pensando em você”. Ver um homem se tocando é a coisa mais linda desse planeta. Prefiro achar que eles também curtem a gente fazendo o mesmo, porque de vez em quando eu faço isso na cama na frente do meu eventual (e põe eventual nisso!) parceiro.

Por mais que transar seja delícia das delícias, só a gente conhece realmente nosso corpo. Só a gente sabe quando ir mais rápido ou mais devagar, ou ainda o ponto exato para o toque ser excitante. Masturbação não substitui o sexo, não. A gente gosta de beijo, do peso de outra pessoa sobre nossos corpos. Eu sinto uma vontade imensa, em determinado momento da excitação, de ser penetrada. Não tem dildo que substitua isso. (sim, estou falando da minha experiência de mulher hétero. desejo é subjetivo.)

Mas um toquezinho naquele momento de stress faz milagres. Conheço quem vai ao banheiro do trabalho para isso (nunca fiz). Outras andam com aqueles vibradores pequenininhos dentro da bolsa, e não contam conversa: qualquer hora é hora. Eu estive com preguiça de me levantar hoje. Me toquei ainda embaixo dos cobertores e fiquei animadíssima para enfrentar o dia.

E você? Quais suas ténicas? Acha mesmo nojento um cara se tocar pensando em você? E você, garotão, o que acha de uma menina se masturbando na sua frente? Contem aí!

Para inspirar vocês, fiquem com o grande hino da masturbação feminina.